segunda-feira, 18 de março de 2013

HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL AO ESCRITOR E TROVADOR SANDRO PEREIRA REBEL - CONFIRA.

ASSISTA AO VÍDEO COM A HOMENAGEM
 
DO FOCUS PORTAL CULTURAL
 
 AO ESCRITOR
 
 
SANDRO PEREIRA REBEL
 
BASTA CLICAR NO VÍDEO



 
 
Sandro Pereira Rebel - escritor
 
 
 
Sandro Pereira Rebel - natural de Campos dos Goytacazes, estado do Rio de Janeiro - íntegro, como membro efetivo, as Academias a Niteroiense de Letras e Fluminense de Letras; como honorário, a Itaocarense;  e como correspondente, a Campista. Faz parte da Associação Niteroiense de Letras, do Grupo Mônaco de Cultura e da seção de Niterói da União Brasileira dos Trovadores. Detentor da Medalha José Cândido de Carvalho e do título de Cidadão Niteroiense, ambas as honrarias conferidas pela Câmara Municipal de Niterói.
 
 
 
Dez Andamentos da Trova
(o mais recente livro de Sandro Pereira Rebel)
 
 
 
 
REENCONTRO
 
 
 


Reencontro com velhos amigos que há muito tempo não se veem é gostoso, sim, mas às vezes se torna complicado. Vejam, por exemplo, o que me aconteceu na última manhã de domingo: de repente, em meio à habitual caminhada pelo calçadão de Icaraí, dou de cara com alguém e logo lhe abro os braços, esfuziante:
 – Lineu! Oh, Lineu, que prazer revê-lo!

 E o Lineu não se fez de rogado. Bastou-lhe olhar-me uma só fração de segundo para corresponder por inteiro a toda a efusão do meu abraço:

– Mas é você mesmo?  Nem acredito! Quanto tempo, meu Deus!

 – Poxa, Lineu, que felicidade! Por onde andou? Vamos, me conta. Afinal, 40 anos, no mínimo, já se passaram desde que nos vimos pela última vez, não? 

E daí pra frente o papo correu solto, entre um chopinho e outro no primeiro bar que encontramos nas imediações. Foi um tal de perguntar por fulano e por sicrano e por beltrano, que não tinha mais fim. E   – o que é pior –   o mais das vezes, as respostas, quer do meu lado, quer do lado do Lineu, eram quase sempre as  mesmas:  nunca mais vi; soube que andava muito doente; vi outro dia, coitado, nem parecia aquele...

Até que, em determinado momento, o Lineu se dirigiu a mim chamando-me, pela primeira vez, pelo que supunha fosse o meu nome:

 – Mas, e você, Eduardo, meu caro Dudu, o xodó das liceistas, me fala mais de você, da família, do que tem feito, de como, enfim, tem sido a sua vida.

Já por aí, vêem, a coisa começava a complicar-se: o Lineu tinha trocado meu nome...  Mas, pensando bem, que importância tinha isso? O importante eram as boas lembranças que ele estava me trazendo. Aliás, só agora percebo, eu também não era capaz de jurar que o nome dele fosse mesmo Lineu. Não seria Alceu?

 Resolvi, então, assumir convicto o papel do Dudu e continuar recordando outros amigos comuns que, àquela altura, conseguiam ainda não ter sido mexidos naquele cipoal de cinzas que estávamos revolvendo.

– E o Jarrinha, tem notícias dele?

– Ah, o Jarrinha! Que apelido mais louco, né? Pois você não soube, Dudu? O Jarrinha já se foi há uns três ou quatro anos. Câncer, sabe. E no fígado, quer dizer, em poucos meses se acabou, coitadinho! Era um bom menino. Um tanto descabeçado, mas, no fundo, um bom menino sim. Que Deus o tenha, né?

 – É  – concordei –,  que Deus o tenha.

Mas, a partir daí, obviamente, a conversa já não prosseguiu tão animada nem aquele reencontro continuou sendo tão festejado. Afinal, Jarrinha era nada mais nada menos que o meu apelido dos tempos de Liceu lá na minha cidade natal, a gloriosa Campos dos Goytacazes...


Crônica de Sandro Pereira Rebel, postado no blog Literatura-Vivência - Roberto Kahlmeyer.
 
 
 
 
 

Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns, Sandro por sua bem urdida crônica. Pincelou a cena com a sempre costumeira mestria.
Frases curtas,leves, mas plenas de espírito, levando a um clímax inesperado. Valeu!
Abraços amigos.
Dalma.