terça-feira, 21 de outubro de 2014

CONVITE PARA LANÇAMENTO DO LIVRO "DO ESPLENDOROSO CAOS" - DOM QUIXOTE E NIETZSCHE: A METAMORFOSE DO HUMANO


CONVITE



Do esplendoroso caos : Dom Quixote e Nietzsche: 
a Metamorfose do Humano
De Dília Gouveia
Editora – PARTHENON Centro de Arte e Cultura
72 páginas
Assunto: Literatura, Ensaio, Filosofia, Nietzsche, Dom Quixote.

Orelha

Uma reflexão necessária se faz nestas páginas.
O sonho e a realidade se confundem na busca desesperada que empreendemos para conhecer nossos propósitos existenciais.
As histórias com as quais fomos alimentados por séculos não nos bastam.
O texto se torna instrumento de interiorização, resultado da busca intensa que Dília promove para nos fazer pensar.
Dom Quixote e Nietzsche num diálogo cronologicamente impossível, mas ficticiamente provável, conduzem nossos pensamentos pelos estranhos caminhos das sombras e do esplendor.

Veronica Debellian Accetta
MESTRE EM CIÊNCIA DA ARTE

Prefácio:

No lombo do rocim ou na gruta de Zaratustra, em companhia de Sancho ou no completo isolamento do cume, a viagem essencial desses dois andarilhos é solitária.
O que aqui temos o privilégio de presenciar é um diálogo entre argonautas que não estão atrás do velocino de ouro, isso seria muito pouco, mas da embriaguez de vida. Através da fantasia ou do recolhimento nas montanhas, Dom Quixote e Nietzsche quebram as correntes do senso comum, deixam o rebanho, desviam-se do caminho calçado e se lançam no deserto árido da existência. Acompanhando o olhar agudo de Dília, transfixamos a armadura que nos parecia familiar e encontramos não a conhecida triste figura, mas aquele que é quantos quer ser.  Que conhece o mundo pela largueza da fantasia, pois, como Fernando Pessoa, séculos à frente, nos advertiu: “A literatura, como toda a arte, é uma confissão de que a vida não basta. (…)”. Mas não como distração, entorpecimento estéril a fim de nos retirarmos do mundo e deixarmos de ser, e sim a arte como criação, como o novo, o não experienciado, o ousado, que inadvertidamente nos toma de assalto. E é ao novo que Zaratustra nos chama, a uma nova concepção de responsabilidade. Conclama-nos a tomarmos as rédeas de nossas vidas, inteiramente, sem fios condutores, e nega-se, ele próprio, a que o sigamos. Não aponta caminhos, exorta-nos apenas a que deixemos nossa pesada bagagem para trás, que partamos imediatamente, desnudados, órfãos, sem escusas.
Mais uma vez, considerando a arte como caminho de construção, a literatura e a filosofia se mostram entrelaçadas e têm a potência de “um arrombamento de todos os cárceres. Um desprendimento de todos os fantasmas opressores. Um deslocar-se fervoroso em direção aos abismos para decifrá-los.”
Assim é a literatura que nos oferece Dília, cabe a nós aceitar o convite.

Renata Candido
DOUTORA EM PSIQUIATRIA

Posfácio:

É necessária a angústia do caos
para engendrar a estrela dançarina.
Nietzsche - Assim falava Zaratustra

A gruta da lenda, lugar fictício, atrai Dom Quixote. No seu imaginário, o contador de verdades vibra diante da possibilidade de uma aventura que lhe faça jus. À entrada da gruta, Nietzsche está sentado em sua pedra, local, para ele, de acolhimento reflexível.
Dom Quixote e Nietzsche – separados pelo tempo em que “viveram” – estão agora unidos pela imaginação, em busca de infindáveis mundos.
Dom Quixote quer o sonho impossível; Nietzsche, a verdade.
Cientes das amarras que nos prendem aos fundamentos da existência, ambos usam metáforas, alçam voo e mergulham no autoconhecimento. Entre sonho e realidade, o mundo físico perde seu contorno diante da noção de moral e de religiosidade..
Em viagem fantástica pelos caminhos do pensamento, as duas “figuras” desfiam valores e ideias.
O conflito da imagem de um Deus morto, que gera o caos nos códigos comportamentais, mostra-se na realidade nietzschiana, em contraponto ao mesmo caos produzido pelo impossível mundo dos sonhos do Cavaleiro da Triste Figura.
Tanto um quanto o outro personalizam paradigmáticos arautos de novas eras – tempo dos enigmas e liberação dos limites impostos por dogmas.
A prodigiosa interlocução chega-nos pela criatividade de Dília Gouveia. Seu texto sempre retrata aventuras em que se apreendem sutilezas. Complexidades e delicadezas são ofertadas ao leitor, para aguçar-lhe a percepção.
Ideias foram apresentadas, coisas foram proferidas, páginas foram escritas.
Da surpreendente relação entre – realidade e sonho, loucura e lucidez –, encontramos uma assertiva  e uma reflexão. Dom Quixote,
não admitindo réplica nem disputa, posiciona-se nas verdades por ele contadas. Elas mostram que um sonho, cuidadosamente estudado, pode distinguir e separar o real da imaginação. Ao meditar sobre vida e morte, Nietzsche pergunta a si mesmo: – Por que a verdade?

Sonhar o sonho impossível, sofrer
a angústia implacável ...
Cervantes - Dom Quixote

Mauro Carreiro Nolasco
EDITOR

Texto da Quarta Capa:

NIETZSCHE: Eu vivi sempre no fio da navalha. Feri-me incontáveis vezes e pude ver as feridas cicatrizarem. Outras se abrem. E nem por isso sou capaz de me afastar da implacável lâmina. Torno-me indefeso. O lugar de todos os combates é o lugar onde não me encontro. Tudo em mim está cheio de abismos. Eu sou o abismo. Mas sou também a aurora, o amanhecer, o despertar das trevas.
Vim a este mundo para falar do caos e de uma nova ordem. Uma ordem sem adágios. Uma ordem singular. Sem ordem. Quer dizer, sem definitivos absurdos e estreitos.
DOM QUIXOTE: Você proclama o impossível!”.

Da autora - Trecho do livro

Local do Lançamento:
Vitral Bistrô
Rua Lopes Trovão 19 – Icaraí  -  Tel.: 2610-7068
Dia 30 de outubro de 2014 às 18 horas.



Dília Gouveia - Natural de Portugal. Radicada em Niterói, é professora de Filosofia e Literatura. Autora dos livros: Do assombro e do provável – Clarice Lispector e Hamlet: o labirinto da consciência, Nas malhas do devaneio – o dia em que Fernando Pessoa nos reinventou e Movidos pelo desejo – Emma Bavary e Dr. Fausto: a danação da viagem

Promove encontros literários e filosóficos como uma ponte para que os grupos de estudo se deixem tocar pelo fascínio das obras literárias e se permitam refletir sobre os mais diversos temas que constituem a pluralidade do sentido e da condição humana.


Parthenon Centro de Arte e Cultura
Rua General Andrade Neves 40 – Centro
24210-000  -  Niterói – RJ
Tel.: 2722-2256  -  3619-8119




5 comentários:

Luiz Calheiros Cruz disse...

Lamento não ter condições físicas de comparecer,mas desejo antecipar minha
saudação à autora. Oportunamente quero ter a satisfação de ler esse curioso diálogo.
Abraços do Luiz Calheiros.

Dalma Nascimento - escritora e mestra em Literatura disse...

Parabéns, Dília, por mais este novo livro. Agora, Dom Quixote em interlocução com Nietzsche. Estou à espera. Gostei imensamente dos outros três, em que, você, de forma moderníssima, estabelece a philia dialógica com personagens verídicos e/ou imaginários. Também cumprimento a Verônica com capas sempre criativas.


Dalma

Belvedere Bruno - escritora disse...

Alberto!

Dília é culta, inteligente demais.

Brevemente irei entrevistá-la.


Abraços

Belvedere.

Estella Cruzmel disse...

Oi Alberto.

Obrigada pelo convite.

Abraço .

Estella Cruzmel

Santa Leitura:
Uma Biblioteca a Céu Aberto.

Myriam Ramos - escritora e pintora disse...

Dília Gouveia,

Através de amigos escritores, tive conhecimento do blog cultural do jornalista Alberto Araújo.

Li os três livros da sua autoria, emprestados por Dalma Nascimento.. Excelentes. O que mais me envolveu foi "Nas malhas do devaneio". quanto Fernando Pessoa conversa com o leitor. Diálogos profundos sobre o Ser - Não Ser- O tudo- O Nada. Princípios do Budismo.

Livro este que deveria ficar na mesinha de cabeceira da gente para ser lido e relido; Parabéns,

Myriam Ramos - pintora e escritora.