segunda-feira, 24 de agosto de 2015

CÂMARA MUNICIPAL DE NITERÓI CONCEDERÁ TÍTULO DE CIDADÃ NITEROIENSE IN MEMORIAM À PROFESSORA MARIA ELISALVA OLIVEIRA-JOUÉ.



Acontecerá no dia 28 de agosto(sexta-feira), às 18 horas, a sessão em homenagem póstuma à professora MARIA ELISALVA OLIVEIRA-JOUÉ, na Câmara Municipal de Niterói. A talentosa docente era brasileira e residiu por muitos anos em Paris. Ela faleceu em abril de 2014 naquela Cidade Luz.
O nobre título que certamente honrará a sua memória é uma iniciativa do ex-prefeito Godofredo Pinto e do vereador Vitor Junior. Dentre vários amigos, ela será saudada pela professora Eliana Bueno-Ribeiro e pela atriz Imara Reis. Ambas, em breve discurso, discorrerão sobre a trajetória da brilhante professora que  deixou uma saudade imensa aos seus familiares e amigos ao partir precocemente.
Esta revista foi informada de que estarão presentes à sessão seu marido e seu filho Frédéric-Roger Joué, que já se encontram no Brasil,  e várias personalidades do mundo cultural de nossa cidade.






Leia abaixo a justificativa, texto extraído do Projeto de Decreto Legislativo Nº 00005/2015.


JUSTIFICATIVA
 

Maria Elisalva de OLiveira nasceu em 14 de julho de 1949 em Alagoas, muito cedo tendo fixado residência no Rio de Janeiro juntamente com sua família que morou inicialmente na Ilha do Governador e em seguida no Laranjal (São Gonçalo). 
Aluna brilhante, Maria Elisalva formou-se inicialmente como professora primária no Instituto de Educação Ismael Coutinho, em Niterói e, em seguida,  como professora de francês e português no Instituto de Letras da UFF, tendo sido  presidente do Diretório Acadêmico do Instituto de Letras e  professora de francês do Liceu Nilo Peçanha.
Presa em sua casa na Noronha Torrezão, no Cubango, em  1973,   foi acusada de pertencer à Dissidência da Vanguarda Armada Revolucionaria Palmares. Depois de barbaramente torturada,  conseguiu sair do país e,  tendo passado pelo Chile e pela Argentina, e, após inúmeros percalços,  chegou   à França, onde se estabeleceu. Condenada como revel a 6 meses de prisão em 1975, perdeu a cidadania brasileira e foi banida do território nacional. Na França refez sua vida tanto no plano familiar quanto profissional. 
Naturalizou-se,  casou-se com o francês Philippe Joué, teve um filho, Frédéric-Roger Joué.  Retomou seus estudos e  passou nos dois concursos duríssimos  para  o professorado de segundo grau de português em nível nacional - o CAPES e a Agrégation.
Por longos anos, a par da militância pelos direitos humanos que sempre exerceu,  posicionando-se em favor dos estrangeiros sem documentos e dos sem abrigo, lecionou português em importantes colégios de Paris até que decidiu tornar-se Diretora de Liceu, o que implicava  ser aprovada em outro concurso igualmente concorrido.
Aprovada, foi diretora de dois importantes liceus parisienses até aposentar-se no inicio de 2014, tendo-se constituído como uma referência da cultura brasileira em Paris.
A morte colheu-a antes que  pudesse ela  realizar seu desejo de voltar  a residir na cidade que considerava como sua - Niterói - , na qual  já comprara um apartamento no bairro do Pé Pequeno, onde já residia seu filho, e da qual sonhava receber o titulo de Cidadã Honorária. 
Faleceu ela  em Paris, em abril deste  2014, vítima de um fulminante câncer de pulmão.
A outorga do título de Cidadã Honorária de Niterói  a essa brasileira  honrará não apenas sua memória,  mas também  nossa cidade.


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Leia o depoimento de Maria Elisalva Oliveira-Joué postado no site da jornalista Hildengard Angel.

http://www.hildegardangel.com.br/?p=20572

Análise pertinente e verdadeira. Sou uma das vítimas desse período, presa e torturada na minha própria casa, em Niterói, levada em seguida para o DOI-CODI da Barão de Mesquita e barbaramente torturada de novo durante dois meses.
Exilei-me depois de solta e fui condenada à revelia “por ter ideias contrarias à democracia ocidental e cristã”!!!! (sic) Revolto-me ao pensar que os monstros que torturaram milhares de pessoas possam estar impunes até hoje. Revolto-me cada vez que passo pela ponte Rio-Niterói ao ver que ela presta homenagem a um general assassino cuja sombra mancha até hoje a Historia de nosso pais.
(Desculpe, meu teclado é estrangeiro e não consigo pôr todos os acentos)

Maria Elisalva Oliveira-Joué.

Sequestrada na sexta-feira 2 de fevereiro de 1973 e presa no DOI-CODI até o dia 9 de abril de 1973.
 
 
REALIZAÇÃO
 
 
APOIO CULTURAL

 


 
 COMENTÁRIOS DE AMIGOS




Olá,  querido amigo Alberto!

Pretendo estar presente a essa solenidade que honra minha querida e saudosa amiga  Elisalva Oliveira-Joué, com quem estudei no Instituto  de Educação  Prof.  Ismael Coutinho.  Homenagem justa e merecida que faz a Câmara  de Vereadores  de Niterói.
Abraço,
Gracinha Rego.
 
 
Gracinha Rego
é membro da AFL, declamadora
e excelente professora na Arte de Dizer.

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Obrigado Gracinha,
pela sua participação.
Abraços do editor.

 
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É  mais do que oportuna a homenagem da Câmara  Municipal de Niterói  à memória de Elisalva.  Convivi com ela na Faculdade de Letras  da UFF nos anos sombrios  da ditadura militar  e constatei seu espírito dinâmico, empreendedor e,  sobretudo,  corajoso.
  
Nós todos, amigos de Maria  Elisalva Oliveira-Joué, agradecemos  à Câmara Municipal  e a você, Alberto,  a divulgação de seu nome e de sua história no Focus Portal Cultural e nos jornais Santa RosaSem Fronteiras.   Não deixaram que as ondas do tempo apagassem,   das praias de Niterói, os rastros  simbólicos dos destemidos pés de Elisalva.
 
Dalma Nascimento.
 
 
 

Dalma Nascimento
é membro do PEN Clube do Brasil,
escritora e doutora em Literatura Comparada de UFRJ.
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