quarta-feira, 2 de março de 2016

CONVITE PARA CLEMENTINA CADÊ VOCÊ? O MUSICAL - NO TEATRO MUNICIPAL DE NITERÓI. CONFIRA.

 
 
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O Teatro Municipal de Niterói abre a sua programação de 2016 com um mês todo dedicado às mulheres. E pra começar com chave de ouro, recebe nos dias 05 e 06 de março, às 17 e 20h, o musical “Clementina, Cadê Você?”. A peça conta a trajetória de Clementina de Jesus, uma das vozes mais importantes do samba nacional. Com texto de Pedro Murad, direção de Duda Maia, além de Ana Carbatti interpretando a personagem título, foi considerado um dos dez melhores espetáculos de 2013 por Daniel Schenker, pesquisador e crítico teatral. Os ingressos custam R$ 60,00.

Clementina de Jesus - cantora

Neta de escravos e doméstica, Clementina foi descoberta como cantora aos 63 anos de idade. Seu canto rouco e quase falado conquistou a crítica e a atenção do produtor Hermínio Bello de Carvalho, que a revelou.
 
 

 

Alcançando grande sucesso de crítica e público, em 2015 "Clementina, Cadê Você?” realizou temporada no Teatro Dulcina, atraindo a atenção e o carinho do público do Rio de Janeiro. Em 2016, o espetáculo se prepara para a realização de turnê pelas cidades de Vitória, Belo Horizonte, Campinas e São José do Rio Preto.
A peça mostra desde a infância de Clementina, em Valença, sul do Estado do Rio, até o descobrimento da cantora e o reconhecimento tardio, passando pela Portela, Mangueira, Rosa de Ouro, rodas de samba e as festas nas Igrejas da Penha e São Jorge. A empregada doméstica deu lugar a uma cantora que marcou época na música popular brasileira. "O fascinante na personagem é a simplicidade em que ela imprimia em todas as atitudes e momentos”, descreve a diretora Duda Maia.
Com 30 anos de carreira, pela primeira vez Ana Carbatti é a protagonista de um musical. "A ideia era buscar a sonoridade dela, o jeito de cantar, os trejeitos e movimentos”, comenta a atriz.
Com direção musical de Pedro Miranda, são 25 músicas acompanhas por pandeiro, cavaquinho, violão, tantã, flauta e tambor. Os atores/músicos se revezam em formação variada. Normalmente os musicais mostram atores cantando com uma banda de suporte, porém em "Clementina, Cadê Você?” são seis pessoas que fazem tudo: cantam, interpretam, tocam e dançam.
O espetáculo foi contemplado em 2012 com o Prêmio FUNARTE de Teatro Myriam Muniz.



Ficha Técnica 

Idealização: Cristiano Salgado
Texto: Pedro Murad
Direção: Duda Maia

Elenco: Ana Carbatti, Bruno Barreto ou Pedro Miranda, Bruno Quixotte, Sergio Kauffmann, Vidal Assis e Wendell Bendelack.

Direção musical: Pedro Miranda
Cenário e figurinos: Clívia Cohen
Iluminação: Renato Machado
Diretora assistente: Letícia Medella
Preparação vocal: Carol Futuro
Engenharia de som: Branco Ferreira
Operadora de luz: Tamara Torres
Diretor de palco: Rodrigo Ferreira
Fotografia: Pedro Murad
Design: Luiz Arbex
Assessoria de imprensa: Barata Comunicação

Produção executiva:
CultConsult / Elaine Moreira e Maria Inês Vale

Realização: Espaço de Dança Cristiano Salgado


SERVIÇO


"Clementina, Cadê Você?”

Data: Sábado e domingo, 5 e 6 de março de 2016
Horário: 17h e 20h
Ingresso: R$ 60 | Meia-entrada: R$ 30
 

Em homenagem ao mês da mulher, 50% de desconto para mulheres na compra de 1 ingresso. Desconto não-cumulativo.
Classificação etária: 12 anos
Duração: 80 minutos

Teatro Municipal de Niterói
Rua XV de novembro, 35 – Centro, Niterói
Tel: (21) 2620-1624 / 2613-0098 / 2621-8462 / 2613-0106

 

 

 
Clementina de Jesus da Silva nasceu em Valença em 7 de fevereiro de 1901. Foi uma cantora brasileira de samba. Também era conhecida como Tina ou Quelé.
 
Nascida na comunidade do Carambita, bairro da periferia de Valença, no sul do Rio de Janeiro, mudou-se com a família para a capital aos oito anos de idade, radicando-se no bairro de Osvaldo Cruz. Lá acompanhou de perto o surgimento e desenvolvimento da escola de samba Portela, frequentando desde cedo as rodas de samba da região. Em 1940 casou-se e mudou para a Mangueira.
 
Trabalhou como doméstica por mais de 20 anos, até ser "descoberta" pelo compositor Hermínio Bello de Carvalho em 1963, que a levou para participar do show "Rosa de Ouro", que rodou algumas das capitais mais importantes do Brasil e virou disco pela Odeon, incluindo, entre outros, o jongo "Benguelê". Devota da Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, participava de festas das igrejas da Penha e de São Jorge, cantando canções de romaria. Considerada rainha do partido alto, com seu timbre de voz inconfundível, foi homenageada por Elton Medeiros com o partido "Clementina, Cadê Você?" e foi cantada por Clara Nunes com o "P.C.J, Partido Clementina de Jesus", em 1977, de autoria do compositor da Portela Candeia.
 
Além deste gênero gravou corimás, jongos, cantos de trabalho etc., recuperando a memória da conexão afro-brasileira. Em 1968, com a produção de Hermínio Bello de Carvalho, registrou o histórico LP "Gente da Antiga" ao lado de Pixinguinha e João da Baiana. Gravou cinco discos solo (dois com o título "Clementina de Jesus", "Clementina, Cadê Você?" e "Marinheiro Só") e fez diversas participações, como nos discos "Rosa de Ouro", "Cantos de Escravos", Clementina e convidados e "Milagre dos Peixes", de Milton Nascimento, em que interpretou a faixa "Escravos de Jó". Em 1983 foi homenageada por um espetáculo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com a participação de Paulinho da Viola, João Nogueira, Elizeth Cardoso e outros nomes do samba.
 
Rainha Ginga. Quelé. Duas maneiras de chamar Clementina de Jesus, com a imponência do título de realeza e com a corruptela carinhosa de seu nome. Clementina evocava tais sentimentos aparentemente contraditórios. A ternura e o profundo respeito.
 
A ternura de negra velha sorridente. Todos com quem se envolvia tinham a compulsão de chamá-la Mãe, como a chamavam os músicos do musical Rosa de Ouro. Uma pessoa capaz de interromper um depoimento dado à televisão para discutir sobre o café com a moça que o servia. Um brilho especial nos olhos que cativou desde os mais humildes ao imperador Haile Selassiê. Talvez por ter trabalhado tantos anos como empregada doméstica e ter começado a carreira artística aos 63 anos, descoberta pelo poeta Hermínio Bello de Carvalho, nunca tratava de forma diferente devido à posição social.
 
O respeito ao peso ancestral de sua voz: uma África que estava diluída em nossa cultura é evocada subitamente na voz e nos cânticos que Clementina aprendeu com sua mãe, filha de escravos. Clementina surgiu como o elo perdido entre a moderna cultura negra brasileira e a África Mãe.
 
Clementina causou uma fascinação em boa parte da MPB. Artistas tão diferentes como João Bosco, Milton Nascimento e Alceu Valença fizeram questão de registrar sua voz em seus álbuns. Apesar disso Clementina nunca foi um grande sucesso em vendagem de discos. Talvez por ter gravado quase que somente temas folclóricos, ou por sua voz não obedecer aos padrões estéticos tradicionais. O que realmente impressionava eram suas aparições no palco, onde tinha um contato direto com seu público.
 
Clementina, mesmo tendo iniciado tardiamente sua vida artística e com uma curta carreira, é sem dúvida uma das mais importantes artistas brasileiras. Faleceu em função de um derrame na Vila Santo André - Inhaúma - Rio de Janeiro, em 19 de julho de 1987 e apesar disso, hoje em dia apenas o disco Clementina e Convidados existe em catálogo. Rio de Janeiro, 19 de julho de 1987.
 
Alguns Discos de Clementina de Jesus
 
 
1966 - Clementina de Jesus (Odeon MOFB 3463)
1970 - Clementina, cadê você? (MIS 013)
1973 - Marinheiro Só (Odeon SMOFB 3087)
1976 - Clementina de Jesus - convidado especial:
Carlos Cachaça (EMI-Odeon SMOFB 3899)
1979 - Clementina e convidados (EMI-Odeon 064 422846)
 
 
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