sexta-feira, 27 de maio de 2016

MEIO PÃO E UM LIVRO DISCURSO DE FEDERICO GARCÍA LORCA - UM FILME DE ALBERTO ARAÚJO E TRADUÇÃO DE HELENA FERREIRA.

 
CLICAR NA IMAGEM PARA ASSISTIR
AO FILME COM O DISCURSO
MEIO PÃO E UM LIVRO 
DE FEDERICO GARCÍA LORCA
 

 
OU CLICAR NO LINK DO CANAL YOU TUBE DO
FOCUS PORTAL CULTURAL
 




Cultura”. Cultura porque só através
dela podem ser resolvidos os problemas
em que se debate hoje o povo cheio de fé,
mas carente de luz”.
Ramón Menéndez Pidal**
Filólogo
 

Vivemos momentos de alusão à cultura, a memórias, a tradições muitos intensos. Cada dia comparece a inúmeras publicações em periódicos e na internet sobre o tema. Escritores se debruçam em suas obras e mostram que a cultura é mesmo uma mola propulsora de um povo, nação. Assim, são tantos os momentos em que ela é proclamada e discutida em diversas situações históricas do país.

Acreditamos que a cultura seja de suma importância, sim, e precisa estar, transcendendo a circunstancialidade de cada momento por ela cruzada, claro, sem lesões profundas.


Por isso, em homenagem à cultura o Focus Portal Cultural deu uma volta ao planeta e revisitou o discurso do poeta, dramaturgo espanhol Federico Garcia Lorca, traduzido brilhantemente pela escritora e professora de Língua e Literatura espanhola da UFRJ, Helena Ferreira.


Alguns me perguntarão, mas é tão antigo?  Sim, é uma é alocução antiga! Porém cai como uma luva e torna-se mais atual do que nunca. Nele lemos os pensamentos de um grande literato sensível que nos deixou um legado importante e,  acima de tudo, esse discurso certamente provindo do fundo de sua alma, deve conectar as pessoas.
 
 
 
 
DISCURSO DE FEDERICO GARCÍA LORCA AO INAUGURAR A BIBLIOTECA DE SUA TERRA EM PLENA VIGÊNCIA 80 ANOS DEPOIS.
 
 
 
MEIO PÃO E UM LIVRO.

 
Alocução de Federico García Lorca ao povo de Fuente Vaqueros* (Granada), em setembro de 1931:

 
“Quando alguém vai ao teatro, a um concerto ou a uma festa não importa de que natureza seja, se a diversão for de seu agrado, lembra imediatamente e lamenta que as pessoas de quem ele gosta não se encontram ali. “Isto agradaria à minha irmã, a meu pai”, pensa, e assim já não usufrui do espetáculo senão por meio de uma ligeira melancolia. Esta é a melancolia que eu sinto, não pelo pessoal de minha casa, pois seria insignificante e precário, mas sim pelas criaturas que por falta de meios e por má sorte não usufruem do bem supremo da beleza, que é vida e é bondade e é serenidade e é paixão.
 
"Por isso nunca tenho um livro, pois dou de presente todos os que compro, que são inúmeros", e por esse motivo sinto-me honrado e contente aqui ao inaugurar esta biblioteca, certamente a primeira em toda região de Granada.
 
"Não só de pão vive o homem". Eu se estivesse com fome e desamparado na rua, não pediria um pão, mas sim meio pão e um livro. E daqui eu critico violentamente aqueles que só falam de reivindicações econômicas sem citar jamais as reivindicações culturais, que é o que as cidades clamam aos gritos. Tudo bem que todos os homens comam, mas que todos os homens adquiram conhecimento. Que usufruam todos os frutos do espírito humano porque do contrário seria convertê-los em máquinas a serviço do Estado, seria convertê-los em escravos de uma terrível organização social.
 
"Eu tenho muito mais pena do homem desejoso de saber e não pode do que de um faminto". Porque um faminto pode aplacar sua fome facilmente com um pedaço de pão ou com algumas frutas, mas um homem que tem ânsia de saber e não têm meios, sofre uma terrível agonia porque são livros e livros, muitos livros dos que necessita e onde estão esses livros?
 
Livros! Livros! Eis aqui uma palavra que equivale dizer: “amor, amor” e que os povoados deviam pedir como pedem pão ou como desejam a chuva para sua lavoura. Quando o insigne escritor russo Fedor Dostoievski, pai da revolução russa muito mais que Lênin, estava preso na Sibéria, alijado do mundo, entre quatro paredes e cercado de planícies de neve infinita; e pedia socorro em carta à sua família que estava distante, só dizia: “Enviem-me livros, livros, muitos livros para que minh'alma não morra!”. Estava com frio e não pedia aquecimento, tinha uma sede terrível e não pedia água: pedia livros, quer dizer, horizontes, quer dizer, escadas para subir o cume do espírito e do coração. Porque a agonia física, biológica, natural, de um corpo com fome, sede e frio, dura pouco, mas a agonia da alma insatisfeita dura toda a vida.
 

“Já disse o grande Ménéndez Pidal, um dos sábios mais autênticos da Europa, que o lema da República deve ser: “Cultura”. Cultura porque só através dela podem ser resolvidos os problemas em que se debate hoje o povo cheio de fé, mas carente de luz”.
 

PRESTES A SEREM CUMPRIDOS 80 ANOS DAQULE DISCURSO, QUALQUER SEMELHANÇA COM A ATUALIDADE, NÃO É PURA COINCIDÊNCIA.
 









 
Federico García Lorca
ao povo de *Fuente Vaqueros
em setembro de 1931.
 
 
ALGUMAS IMAGENS
EXTRAÍDAS DE SITES NA INTERNET
 
Da dir. para esq.: Lorca ao lado de Maria Antonieta Rivas, uma milionária mexicana, e um casal de conhecidos no Campus da Columbia University (Fundação Federico García Lorca).
 
Foto mostra Lorca (em pé) com amigos ao lado do relógio de sol da Universidade de Columbia.
Hoje, do monumento, resta apenas a base
(Fundação Federico García Lorca)
 
Família. Abaixo Vicenta e Don Federico.
Acima, da esquerda, Federico
e irmãos Concha e Paco.

"A poesia não quer adeptos, quer amantes."
Federico García Lorca.
 
 
 
ALGUNS LIVROS DE
FEDERICO GARCÍA LORCA
 









 

MINI BIOGRAFIA DE
FEDERICO GARCÍA LORCA

 

Federico García Lorca foi um poeta e dramaturgo espanhol. Considerado um dos grandes nomes da literatura espanhola. Levou para sua poesia a paisagem e os costumes da terra natal.

Federico Garcia Lorca nasceu em Fuente Vaqueros, em Granada, Espanha, no dia 5 de junho de 1898. Por imposição da família, estudou Direito na Universidade de Granada, mas sua vocação era a poesia. Também revelou interesse pela música, pintura e teatro.
 

Em 1918, publicou seu primeiro livro, "Impressões e Paisagens". Em 1919 mudou-se para Madri onde viveu até 1928. Foi amigo de Salvador Dali e Pedro Salinas. Em 1920, estreou no teatro com a peça "O Malefício da Mariposa". Federico García Lorca é considerado um dos mais importantes escritores modernos de língua espanhola. Cantou através de versos com extrema sensibilidade a alma popular da Andaluzia.
 

Viveu nove meses em Nova York, onde escreveu poemas que só foram publicados após sua morte. De volta à Espanha, em 1931, criou e dirigiu a companhia teatral "La Barca", que percorreu as aldeias de todo o país encenando autores famosos como Cervantes e Lope de Vega. Escreveu "Bodas de Sangue" (1933), uma história verdadeira de ciúme e morte entre camponeses de Andaluzia, peça teatral que abriu uma nova era no teatro moderno da época. Escreveu "Yerma" (1934) e "A Casa de Bernardo e Alba" (1936), que ficaram conhecidas em diversos países.
 
 
Em 1934, já era o mais famoso poeta e dramaturgo espanhol vivo. No dia 19 de agosto de 1936, no auge de sua produção intelectual, foi fuzilado em Granada, por militantes franquistas, no início da Guerra Civil Espanhola.

 
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FUENTE VAQUEROS* é um município da Espanha na província de Granada, comunidade autônoma da Andaluzia, de área 16 km² com população de 4211 habitantes (2007) e densidade populacional de 248,15 hab./km².
 

RAMÓN MENÉNDEZ PIDAL**
 

Ramón Menéndez Pidal Corunha, foi um filólogo, historiador, folclorista e medievalista espanhol. Criador da escola filológica espanhola, foi um membro erudito da Geração de 98 e avô do filólogo Diego Catalán. Seu primeiro livro importante foi A lenda dos infantes de Lara (1896). Nasceu em 13 de março de 1869 e faleceu em 14 de novembro de 1968 em Madrid.

 
 TRADUÇÃO DE HELENA FERREIRA***
 
poetisa, escritora, tradutora da língua francesa, italiana, professora de Língua e Literatura espanhola  da UFRJ e Membro do PEN Clube do Brasil.
 
 
 
 
 
 
COMENTÁRIOS
 
 
 
 
 

A erudita educadora Helena Ferreira é presença sensível ao elaborar os seus textos poéticos. Ela é uma das principais tradutoras de textos do Brasil. Em várias oportunidades presenciei Helena Ferreira encantando a todos com seu carisma e simpatia. É perfeita a pronúncia/tradução de Helena Ferreira que sabe sofisticar os escritos em uma linguagem peculiar que somente uma escritora de olhar atento circula poeticamente, seja em Língua Espanhola, Francesa ou Italiana. Sou-lhe grato pela atenção ao receber e enviar o texto de Federico Garcia Lorca perfeitamente traduzido.  O mais tocante foi quando eu li o discurso traduzido, senti uma sensação de estar ouvindo Lorca no momento da elocução. Obrigado, prezada Helena Ferreira,


abraços,
Alberto Araújo.
 


 

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Alberto

Magnífico seu trabalho sobre Frederico Garcia Lorca, com seu trágico fim e sua imortal obra. Muito me impressionou e me inspira a fazer um artigo sobre a necessidade imperiosa da cultura, via leitura.
 
Parabéns renovados e a amizade sempre viçosa do
Erthal.
 
 
Célio ERTHAL Rocha
é jornalista, escritor e acadêmico.
 
 
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Parabéns! 
Maria Jacintha
 
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Alberto,
Belíssimo trabalho sobre Garcia Lorca. Meus Parabéns, e sempre sucesso em tudo no que você faz na vida. Dois beijões carinhosos para você e Shirley. Dos Sempre Amigos
Renato/Eugênio
 
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APOIO CULTURAL
 
 

 
 

CRÉDITO
 
Imagem: Todas as fotografias foram adquiridas em sites na internet e a música, no Canal You Tube.

 
 
 

Um comentário:

Anônimo disse...

Excelente postagem, Alberto. Oxalá entrasse cérebro adentro dos brasileiros a visão de cultura de Garcia Lorca. Neste país que se acaba, cultura é algo de nefelibatas. Por isto o país se acaba.
Carlos Rosa.