domingo, 4 de dezembro de 2016

FERREIRA GULLAR SÁBIO POETA. HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL. CONFIRA.

 


FERREIRA GULLAR
escritor e poeta
 
 
 


Ferreira Gullar era o pseudônimo de José Ribamar Ferreira, foi escritor, poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta brasileiro e um dos fundadores do neoconcretismo. Foi o postulante da Cadeira 37 da Academia Brasileira de Letras, a Cadeira tem como Patrono o poeta e inconfidente mineiro Tomás Antônio Gonzaga e foi ocupada anteriormente por personalidades como Silva Ramos, Alcântara Machado, Getúlio Vargas, Assis Chateubriand, João Cabral de Melo Neto e recentemente pelo ensaísta e curador Ivan Junqueira, amigo de Gullar. Em 5 de dezembro de 2014, Gullar tomou posse de sua Cadeira, a número 37, na Academia Brasileira de Letras.
 
 Ferreira Gullar nasceu em São Luís, em 10 de setembro de 1930, com o nome de José Ribamar Ferreira. É um dos onze filhos do casal Newton Ferreira e Alzira Ribeiro Goulart.
 

Sobre o pseudônimo, o poeta declarou o seguinte: "Gullar é um dos sobrenomes de minha mãe, o nome dela é Alzira Ribeiro Goulart, e Ferreira é o sobrenome da família, eu então me chamo José Ribamar Ferreira; mas como todo mundo no Maranhão é Ribamar, eu decidi mudar meu nome e fiz isso, usei o Ferreira que é do meu pai e o Gullar que é de minha mãe, só que eu mudei a grafia porque o Gullar de minha mãe é o Goulart francês; é um nome inventado, como a vida é inventada eu inventei o meu nome".

 

FERREIRA GULLAR
escritor e poeta
 
 

Segundo Mauricio Vaitsman, ao lado de Bandeira Tribuzi, Luci Teixeira, Lago Burnet, José Bento, José Sarney e outros escritores, fez parte de um movimento literário difundido através da revista que lançou o pós-modernismo no Maranhão, A Ilha, da qual foi um dos fundadores. Muitos o consideram o maior poeta vivo do Brasil e não seria exagero dizer que, durante suas seis décadas de produção artística, Ferreira Gullar passou por todos os acontecimentos mais importantes da poesia brasileira e participou deles.

 
Em 1956 participou da exposição concretista que é considerada o marco oficial do início da poesia concreta, tendo se afastado desta em 1959, criando, junto com Lígia Clark e Hélio Oiticica, o neoconcretismo, que valoriza a expressão e a subjetividade em oposição ao concretismo ortodoxo.


FERREIRA GULLAR
escritor e poeta
 
 
 
Posteriormente, ainda no início dos anos de 1960, se afastará deste grupo também, por concluir que o movimento levaria ao abandono do vínculo entre a palavra e a poesia, passando a produzir uma poesia engajada e envolvendo-se com os Centros Populares de Cultura (CPCs).

 
Morando no Rio de Janeiro, participou do movimento da poesia concreta, sendo então um poeta extremamente inovador, escrevendo seus poemas, por exemplo, em placas de madeira, gravando-os.

 
Ferreira Gullar foi militante do Partido Comunista Brasileiro e, exilado pela ditadura militar, viveu na União Soviética, na Argentina e Chile. Ele comentou que bacharelou em subversão em Moscou durante o seu exílio, mas que atualmente devido a uma maior reflexão, experiência de vida, e de observar as coisas irem acontecendo se desiludiu do socialismo e que o socialismo não faz mais sentido pois fracassou.


FERREIRA GULLAR
escritor e poeta
 

 
ALGUMAS OBRAS
 
 
  • Um Pouco Acima do Chão, 1949
  • A Luta Corporal, 1954
  • Poemas, 1958
  • João Boa-Morte, Cabra Marcado para Morrer (cordel), 1962
  • Quem Matou Aparecida? (cordel), 1962
  • A Luta Corporal e Novos Poemas, 1966
  • História de um Valente, (cordel; na clandestinidade, como João Salgueiro), 1966
  • Por Você por Mim, 1968
  • Dentro da Noite Veloz, 1975
  • Poema Sujo, (onde se localiza a letra de Trenzinho do Caipira) 1976
  • Na Vertigem do Dia, 1980
  • Crime na Flora ou Ordem e Progresso, 1986
  • Barulhos, 1987
  • O Formigueiro, 1991
  • Muitas Vozes, 1999
  • Um Gato chamado Gatinho, 2005
  • Em Alguma Parte Alguma, 2010

Antologias

  • Antologia Poética, 1977
  • Toda poesia, 1980
  • Ferreira Gullar - seleção de Beth Brait, 1981
  • Os melhores poemas de Ferreira Gullar - seleção de Alfredo Bosi, 1983
  • Poemas escolhidos, 1989

Contos e crônicas
  • Gamação, 1996
  • Cidades inventadas, 1997
  • Resmungos, 2007

Teatro
  • Um rubi no umbigo, 1979

Crônicas
  • A estranha vida banal, 1989
  • O menino e o arco-íris, 2001

Memórias
  • Rabo de foguete - Os anos de exílio, 1998

Biografia
  • Nise da Silveira: uma psiquiatra rebelde, 1996

Literatura infantil
  • Zoologia bizarra, 2011

Ensaios
  • Teoria do não-objeto, 1959
  • Cultura posta em questão, 1965
  • Vanguarda e subdesenvolvimento, 1969
  • Augusto do Anjos ou Vida e morte nordestina, 1977
  • Tentativa de compreensão: arte concreta, arte neoconcreta - Uma contribuição brasileira, 1977
  • Uma luz no chão, 1978
  • Sobre arte, 1983
  • Etapas da arte contemporânea: do cubismo à arte neoconcreta, 1985
  • Indagações de hoje, 1989
  • Argumentação contra a morte da arte, 1993
  • O Grupo Frente e a reação neoconcreta, 1998
  • Cultura posta em questão/Vanguarda e subdesenvolvimento, 2002
  • Rembrandt, 2002
  • Relâmpagos, 2003

Televisão

  • Araponga - 1990/1991 (Rede Globo) - colaborador
  • Dona Flor e Seus Dois Maridos- 1998 (Rede Globo) - colaborador
  • Irmãos Coragem - 1995 (Rede Globo) - colaborador

Filmes
  • Os Herdeiros - Davi Martins


Ferreira Gullar morreu em 4 de dezembro de 2016, na cidade do Rio de Janeiro em decorrência de vários problemas respiratórios que culminaram em uma pneumonia.
 



CLICAR NA IMAGEM PARA ASSISTIR AO VÍDEO
FERREIRA GULAR NO PROGRAMA RODA VIVA.
 
 

 
CLICAR NO LINK DO CANAL YOU TUBE
 
https://www.youtube.com/watch?v=JOZIS-_Pwxo





MENSAGEM




Como todo grande poeta, FERREIRA GULLAR tem a sabedoria da essência poética, a sensibilidade à flor da pele ao expressar os seus magnânimos poemas. Uma expressão que penetra e revela-se grandiosa na alma. É, portanto um intelectual inconfundível. Tivemos a oportunidade de participar do lançamento do livro O Rei que mora no mar e de outras obras do excelente escritor, na BIENAL DE SÃO PAULO, em 2010.
 
Alberto Araújo
editor do Focus.
 
 
Ferreira Gullar e Alberto Araújo.
 
"Escrever é uma arte, mas nem todos têm esse dom, você tem um grande futuro / Ferreira Gullar". Essas palavras ainda ecoam em meus ouvidos. Esse momento, essa força guardarei para sempre.


Ferreira Gullar e Alberto Araújo.
Bienal de São Paulo, em 2010
 
 
 
 
APOIO CULTURAL
 
 
 
 
 
 
 

 

2 comentários:

libia disse...

Parabéns Alberto ... sua homenagem é bela !!! Além de tudo que você diz ... ele era, também, um homem generoso e muito gentil.
Um beijo carinhoso
Biba Cabral de Mello

Luiz Carlos Lemme disse...

Conheci Gullar em 66, discutindo, em mesa redonda no Teatro Opinião, sobre seu livro 'Luta Corporal', recém lançado. Impressionou-me sua lucidez e a garra com que enfrentava a repressão cultural. Estávamos nos primeiros anos da ditadura que dominaria o país por vinte e tantos anos, e o poeta fazia de seus poemas um clamor enérgico pela liberdade e pela justiça. Sua vida, marcada pela incompreensão das elites, teve a triste constatação de uma de suas frases mais duras e verdadeiras: "Um animal por mais que seja feroz, não tem a maldade de um homem".