A obra tem o selo do Clube de Literatura Cromos e com o texto “Além do Turisticamente Correto” do saudoso companheiro Angelo Longo ilustrando as orelhas. São contos sobre a viagem que o autor fez aos Andes, mas, precisamente, Peru e Bolívia.
As ilustrações ficaram a cargo do ilustrador David Queiroz; A Capa: Mário Caria Filho; Quadro da capa: Cuzco – óleo de Verônica Accetta e Bico de pena do autor: Miguel Coelho. 1991. São 82 páginas de muita emoção e com imagens impressionantes.
Eis, dois textos extraídos do livro.
Texto 3
Ela estava lá, na parte pedregosa do quintal. Como não era tempo de tosa, seus pelos cor de telha cresciam desordenados pelo corpo esguio. Em torno dela, homens e mulheres das mais diversas idades sacavam exclamações das algibeiras. Impassível, dócil, paciente, deixava-se fotografar. Entretanto, o mais significativo na alpaca era o olhar de compreensão que dedicava aos humanos.
Texto 10
O Isla Esteves localiza-se às margens da baía de Puno, no lago Titicaca. É um hotel luxuoso para o padrão de vida existente na capital do folclore peruano. Está em Uros, porém, nas islas flotantes, a maior atração.
No Isla Esteves, durante o lauto café da manhã, daqueles de peles alvas e faces rosadas aos de olhos apertadinhos, todos, invariavelmente, estão atentos às precariedades de Uros. Quem lá esteve conta o que viu. Os que ainda não foram se põem a imaginar. Breve, por lá aportarão. Ao regressar para os seus países, a maioria buscará apagar da memória a penúrias das islas flotantes.
É possível
que alguns levem consigo uma ponta de inquietude. Nada tão sério a ponto de
lhes tirar o sono. No aconchego de suas casas, dormirão em paz. Na qualidade de
atração turística, miséria não gera traumas.
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