sábado, 28 de fevereiro de 2026

TRÊS VOZES, QUATRO ESTAÇÕES EM HAICAI - ENSAIO LITERÁRIO-CRÍTICO © ALBERTO ARAÚJO

Não é apenas um livro que chega às mãos do leitor, mas uma experiência que se abre como flor ao sol. Quatro Estações – Haicais, de Leda Mendes Jorge, Liane Arêas e Uyára Schiefer, nasce como celebração da poesia breve e da beleza efêmera que se revela no ciclo das estações. 

Com 80 páginas publicadas sob o selo da OPUS Editora, dirigida por Ricardo Ribeiro, a obra reúne três perspectivas poéticas que se cruzam e se complementam na celebração o haicai. Este lançamento é mais do que um anúncio: é um convite à contemplação, à pausa necessária no ritmo apressado da vida, à escuta do tempo e à percepção do invisível. 

O livro é resultado de um trabalho coletivo que se manifesta em cada detalhe:  Capa concebida pelo designer Will Martins, que traduz visualmente a essência do livro: um círculo vermelho evocando o sol nascente, sobreposto por ideogramas japoneses que representam primavera, verão, outono e inverno.

Cada elemento editorial reforça a ideia de que o livro é um mosaico de vozes e olhares, unidos pela paixão pelo haicai. 

A capa de Quatro Estações – Haicais logo de cara merece atenção especial. O círculo vermelho, reminiscente do sol do Japão, é símbolo de energia, renovação e ciclo. Sobre ele repousam os ideogramas das quatro estações: (primavera), (verão), (outono), (inverno), que não apenas nomeiam o tema central, mas também funcionam como portais visuais para o universo poético do livro. O design minimalista dialoga com a própria natureza do haicai: brevidade, clareza e intensidade. Assim como o haicai sugere mais do que diz, a capa não se entrega de imediato; ela convida à contemplação, à leitura dos sinais, à percepção do invisível. Will Martins conseguiu sintetizar em imagem o que os versos fazem em palavras: transformar o instante em eternidade. 

A Orelha assinada por Ricardo Ribeiro, que convida o leitor a uma leitura lenta, como quem observa o desabrochar de uma flor. Destaca a simplicidade e profundidade dos versos, lembrando que o haicai é pausa em meio ao excesso do cotidiano. 

Uyára Schiefer, na apresentação, explica que a escolha do título se deve à obrigatoriedade, na tradição japonesa, de referir-se a fenômenos naturais, explícitos ou subjetivos. Liane Arêas, na contracapa, narra com delicadeza o encontro das amigas em torno de um café, momento em que nasce a ideia do livro, uma cena que já se transforma em haicai espontâneo.  Originado no Japão do século XVII, com Bashô Matsuo, o haicai é considerado o poema mais breve do mundo. Sua força reside na capacidade de capturar um instante da natureza e transformá-lo em experiência estética. No Brasil, essa tradição foi transmitida por mestres como Luís Antônio Pimentel, que viveu no Japão e trouxe para Niterói a delicadeza dessa arte.

Na contracapa de Quatro Estações – Haicais, Liane Arêas nos conduz a uma cena íntima e luminosa: três amigas reunidas em uma cafeteria, conversando sobre livros, autores e a paixão comum pela poesia breve. Entre xícaras de café e palavras espontâneas, surge a percepção de que cada frase dita poderia se transformar em um haicai. Dessa descoberta nasce a ideia de escrever um livro dedicado às quatro estações, celebrando em versos a primavera, o verão, o outono e o inverno. O texto de Liane é singular porque não apenas apresenta o livro, mas revela sua origem, mostrando como a amizade e a partilha se transformaram em poesia. A lembrança de Luís Antônio Pimentel, mestre que trouxe o haicai do Japão para o Brasil, reforça o elo entre tradição e contemporaneidade. A narrativa é acompanhada pela fotografia de Will Martins, que registra o encontro e dá rosto às autoras, tornando visível a cumplicidade que deu origem ao projeto. Assim, a contracapa não é apenas uma apresentação: é um retrato vivo da gênese do livro, um convite caloroso para que o leitor se junte a essa celebração poética. 

O texto de Liane nos transporta para uma cena cotidiana: três amigas reunidas em uma cafeteria, conversando sobre literatura, autores preferidos e a paixão comum pelo haicai. É nesse ambiente de intimidade e espontaneidade que surge a percepção de Uyára, cada frase dita poderia se transformar em um haicai. A partir daí, nasce a ideia de escrever um livro dedicado às quatro estações. 

Humaniza o projeto, em vez de apresentar o livro de forma abstrata, Liane mostra o momento concreto em que ele foi concebido. Cria uma atmosfera de proximidade, o leitor se sente convidado a participar da conversa, como se estivesse à mesa com as autoras. Transforma a gênese em poesia, o haicai improvisado durante o café (“Tarde luminosa! / Afinal, é Primavera! / Perfume no ar!”) já antecipa o tom da obra. Homenageia a tradição, ao lembrar Luís Antônio Pimentel, mestre que trouxe o haicai do Japão para o Brasil, o texto conecta passado e presente. 

Além disso, a contra capa é acompanhada pela fotografia de Will Martins, responsável pela edição visual. A imagem das três amigas em torno da mesa de café reforça a ideia de cumplicidade e celebração, funcionando como testemunho visual da cena narrada. É um recurso que dá corpo e rosto à narrativa, tornando o livro ainda mais próximo do leitor. 

Esses textos funcionam como camadas de leitura: a orelha abre o convite, a apresentação contextualiza, a contracapa narra a gênese. Juntos, eles criam um percurso que prepara o leitor para mergulhar nos haicais. 

Encerrando o livro, o posfácio de Alberto Araújo oferece uma leitura crítica e jornalística, situando a obra no panorama da literatura brasileira contemporânea. Ao destacar a importância cultural do haicai e sua permanência como forma de contemplação, o posfácio reforça o caráter atemporal da obra. É como se o livro fosse um ciclo completo: começa com o convite, passa pela apresentação e pela narrativa da gênese, percorre os haicais e se encerra com a reflexão crítica. 

CADA ESTAÇÃO É CELEBRADA EM VERSOS BREVES QUE CAPTURAM SUA ESSÊNCIA 

Primavera: renovação, flores, perfumes.

Verão: intensidade, calor, luminosidade.

Outono: transição, vento, melancolia.

Inverno: silêncio, recolhimento, contemplação. 

Os haicais não descrevem apenas; eles sugerem, evocam, despertam imagens claras e inesquecíveis. São palavras simples e precisas que acessam os sentidos e convidam à pausa.

As autoras: Leda, Liane e Uyára, se inserem nessa linhagem, mas acrescentam a ela uma sensibilidade contemporânea. Seus haicais não apenas descrevem fenômenos naturais; eles evocam sensações, sugerem atmosferas, convidam à contemplação. O vento do outono, a luz da primavera, o silêncio do inverno e o calor do verão são mais do que imagens: são experiências que habitam o leitor. 

Quatro Estações – Haicais não é apenas um livro de poesia. É um convite à contemplação, à escuta do tempo, à percepção do invisível, ao reconhecimento da beleza no efêmero. É uma obra para ser lida devagar, como quem observa o desabrochar de uma flor.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


LANÇAMENTO DO LIVRO: QUATRO ESTAÇÕES – HAICAIS 

A Opus Editora e as autoras Leda Mendes Jorge, Liane Arêas e Uyára Schiefer convidam você para uma celebração da poesia breve e intensa dos haicais.

Cada autora traz sua sensibilidade única: Explorando a delicadeza dos instantes das estações, revelando beleza no simples. Mergulham na natureza e nos ciclos da vida, traduzindo emoções em versos mínimos. Imprimindo lirismo e frescor, transformando o efêmero em eternidade poética. 

Vale conferir: O livro Quatro Estações é um passeio pelas transformações da natureza e da alma humana, em haicais que capturam o silêncio, o movimento e a essência de cada estação do ano. 

Lançamento: Quatro Estações – Haicais 

Data: 19 de março de 2026 (quinta-feira), das 17 às 19h30min

Local: Da Vinci's Cafeteria Gourmet 

Endereço: Rua Pereira da Silva, 76 – Loja 2 – Icaraí, Niterói, RJ

Um encontro para celebrar a poesia breve, mas infinita, que cabe em três versos e abre mundos inteiros. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário