domingo, 19 de abril de 2026

19 DE ABRIL DE 2026 CELEBRAMOS OS 140 ANOS DE NASCIMENTO MANUEL BANDEIRA – EFEMÉRIDES DO FOCUS PORTAL CULTURAL

 

Em 19 de abril de 2026, o Focus Portal Cultural celebra os 140 anos do nascimento de Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho, um dos maiores nomes da literatura brasileira. Nascido em Recife em 19 de abril de 1886, Bandeira deixou uma marca indelével na poesia nacional, sendo considerado um dos principais expoentes do modernismo. 

Filho do engenheiro Manuel Carneiro de Sousa Bandeira e de Francelina Ribeiro de Sousa Bandeira, Manuel Bandeira cresceu em um ambiente intelectual e culturalmente rico. Estudou no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, onde teve contato com grandes mestres e colegas que também se destacariam na vida cultural brasileira. Em 1903, iniciou o curso de arquitetura na Escola Politécnica de São Paulo, mas sua trajetória foi interrompida pela tuberculose, doença que marcaria profundamente sua vida e obra. 

A enfermidade levou Bandeira a buscar tratamento em diversas cidades brasileiras e, posteriormente, na Suíça. Foi durante esse período de isolamento e reflexão que amadureceu sua vocação literária. Em 1917, publicou seu primeiro livro, A Cinza das Horas, seguido por Carnaval em 1919. Sua poesia, marcada pela oralidade, pelo verso livre e pela coloquialidade, refletia tanto o sofrimento pessoal quanto uma visão ampla da vida, permeada por erotismo, pessimismo, liberdade e morte. 

Em 1922, Bandeira teve seu poema Os Sapos recitado na abertura da Semana de Arte Moderna, evento que marcou a ruptura com os padrões estéticos tradicionais e consolidou o modernismo no Brasil. Sua obra Libertinagem (1930) trouxe poemas icônicos como Poética e Vou-me embora pra Pasárgada, consolidando sua posição como figura-chave da segunda geração modernista.

Nos anos seguintes, Bandeira se destacou não apenas como poeta, mas também como crítico literário e de arte, tradutor e professor. Em 1935, foi nomeado inspetor federal do ensino, e em 1940, eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira 24. Sua consagração veio também com a coletânea Homenagem a Manuel Bandeira (1936), que reuniu estudos de importantes críticos da época. 

Entre 1938 e 1943, lecionou literatura no Colégio Pedro II e, posteriormente, foi professor de Literaturas Hispano-Americanas na Universidade do Brasil, até sua aposentadoria em 1956. Sua produção literária persistiu até sua morte em 13 de outubro de 1968, no Rio de Janeiro, vítima de hemorragia gástrica. 

Sepultado no mausoléu da Academia Brasileira de Letras, Bandeira permanece vivo na memória cultural brasileira. Sua poesia, que transita entre o íntimo e o universal, continua a inspirar gerações de leitores e escritores. Obras como Vou-me embora pra Pasárgada tornaram-se símbolos da busca por liberdade e da imaginação como refúgio. 

Celebrar os 140 anos de Manuel Bandeira é reconhecer a força de sua obra e sua contribuição para a literatura brasileira. O Focus Portal Cultural presta homenagem a esse mestre das palavras, cuja poesia transcende o tempo e reafirma a importância da arte como expressão da vida humana. 

LISTA DE OBRAS

Poesias 

A Cinza das Horas, 1917 (contém o poema "Cartas de Meu Avô)

Carnaval, 1919

O Ritmo Dissoluto, 1924

Libertinagem, 1930 (contém os poemas "Evocação do Recife" e "Vou-me embora pra Pasárgada")

Estrela da Manhã, 1936

Lira dos Cinquent'anos, 1940

Belo Belo, 1948

Mafuá do Malungo, 1948

Opus 10, 1952

Estrela da tarde, 1960

Estrela da Vida Inteira, 1968

 

Prosas

 

Crônica da Província do Brasil - Rio de Janeiro, 1936

Guia de Ouro Preto, Rio de Janeiro, 1938

Noções de História das Literaturas - Rio de Janeiro, 1940

Autoria das Cartas Chilenas - Rio de Janeiro, 1940

Apresentação da Poesia Brasileira -Rio de Janeiro, 1946; 2ª ed.   Cosac Naify- São Paulo 2009

Literatura Hispano-Americana - Rio de Janeiro, 1949

Gonçalves Dias: biografia - Rio de Janeiro, 1952

Itinerário de Pasárgada - Jornal de Letras, Rio de Janeiro, 1954

De Poetas e de Poesia - Rio de Janeiro, 1954

A Flauta de Papel - Rio de Janeiro, 1957

Itinerário de Pasárgada - Livraria São José - Rio de Janeiro, 1957

Andorinha, Andorinha -  José Olympio- Rio de Janeiro, 1966

Itinerário de Pasárgada – Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1966

Colóquio Unilateralmente Sentimental – Editora Record Rio de Janeiro, 1968

Seleta de Prosa  - Nova Fronteira - Rio de Janeiro

Crônicas da Província do Brasil - Ed. Cosac Naify - 2009

Crônicas inéditas I - Ed. Cosac Naify - SP- 2009

Crônicas inéditas II - Ed Cosac Naify - SP- 2009

 

ANTOLOGIAS

 

Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Romântica - Nova Fronteira, Rio de Janeiro

Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana - Nova Fronteira, Rio de Janeiro

Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Moderna - Vol. 1, Nova Fronteira, Rio de Janeiro

Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Moderna - Vol. 2, Nova Fronteira, Rio de Janeiro

Antologia dos Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos, Nova Fronteira, Rio de Janeiro

Antologia dos Poetas Brasileiros - Poesia Simbolista, Nova Fronteira, Rio de Janeiro

Antologia Poética - Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1961

Poesia do Brasil - Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1963

Os Reis Vagabundos e mais 50 crônicas - Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1966

Manuel Bandeira - Poesia Completa e Prosa, Ed. Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 2009

Antologia Poética (nova edição), Editora Nova Fronteira, 2001

 

EM COAUTORIA

 

Quadrante 1 - Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1962 (com Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Dinah Silveira de Queiroz, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga)

Quadrante 2 - Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1963 (com Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Dinah Silveira de Queiroz, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga)

Quatro Vozes - Editora Record - Rio de Janeiro, 1998 (com Carlos Drummond de Andrade, Rachel de Queiroz e Cecília Meireles)

Elenco de Cronistas Modernos - Ed. José Olympio - Rio de Janeiro (com Carlos Drummond de Andrade e Rubem Braga)

O Melhor da Poesia Brasileira 1 - Ed. José Olympio - Rio de Janeiro (com Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto)

Traduções

O Auto Sacramental do Divino Narciso de Sóror Juana Inés de la Cruz, 1949

Maria Stuart, de Friedrich Schiller, encenado no Rio de Janeiro e em São Paulo, 1955

Macbeth, de Shakespeare, e La Machine Infernale, de Jean Cocteau, 1956.

As peças June and the Paycock, de Sean O'Casey, e The Rainmaker, de N. Richard Nash, 1957

The Matchmaker (A Casamenteira), de Thornton Wilder, 1958

Don Juan Tenorio, de José Zorrilla, 1960

Mireille, de Frédéric Mistral, 1961

Prometeu e Epimeteu de Carl Spitteler, 1962

Der Kaukasische Kreide Kreis, de Bertolt Brecht, 1963

O Advogado do Diabo, de Morris West, e Pena ela Ser o que é, de John Ford, 1964

Os Verdes Campos do Eden, de Antonio Gala; A Fogueira Feliz, de J. N. Descalzo, e Edith Stein na Câmara de Gás de Frei Gabriel Cacho, 1965

Macbeth, de Shakespeare. Ed. Cosac Naify, São Paulo-2009

 

SELEÇÃO E ORGANIZAÇÃO

 

Sonetos Completos e Poemas Escolhidos de Antero de Quental

Obras Poéticas de Gonçalves Dias, 1944

Rimas de José Albano, 1948

Cartas a Manuel Bandeira, de Mário de Andrade, 1958

 

SOBRE O AUTOR 

Homenagem a Manuel Bandeira, 1936

Homenagem a Manuel Bandeira (edição fac-similar), 1986

Homenagem a Manuel Bandeira (sessenta autores)

Bandeira a Vida Inteira - Edições Alumbramento, Rio de Janeiro, 1986 (com um disco contendo poemas lidos pelo autor).

Os Melhores Poemas de Manuel Bandeira (seleção de Francisco de A. Barbosa) - Editora Global - Rio de Janeiro.

Berimbau e outros poemas. Manuel Bandeira. Organização de Elias José. Ilustrações de Marie Louise Nery. 2ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,1994.

Manuel Bandeira: Uma Poesia da Ausência. De Yudith Rosebaum. São Paulo: Edusp/Imago, 1993.

Humildade, paixão e morte. A poesia de Manuel Bandeira. De Davi Arrigucci Jr. São Paulo: Cia. das Letras, 2003.

Manuel Bandeira. De Murilo Marcondes de Moura. São Paulo: Publifolha, 2001.

Alusão feita ao poeta através do seu poema "Mulheres", que é declamado e tomado como índice do modernismo brasileiro, na conferência "Poesia Moderníssima do Brasil" (1930), realizada na Faculdade de Letras de Coimbra pelo professor Manoel de Souza Pinto.

Para querer bem. Organização de Bartolomeu Campos de Queirós, 2005.

Manuel Bandeira de Corpo Inteiro. De Stefan Baciu. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1966.

Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade: Fotobiografias. Edições Alumbramento/Livroarte Editora, 2000.

Testamento de Pasárgada: Antologia Poética. Organização e ensaios de Ivan Junqueira. 2ª. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2003.

Manuel Bandeira: Visão Geral de sua Obra. De Giovanni Pontiero. Trad.: Terezinha de Jesus do Prado Galante. Rio de Janeiro: José Olympio, 1986.

Manuel Bandeira: Seleta em Prosa e Verso. Organização Emanuel de Moraes. Rio de Janeiro: José Olympio, 1971.

Manuel Bandeira: Libertinagem/Estrela da Manhã. Giulia Lanciani. São Paulo: ALLCA XX, 1998.

Multimídia

Documentário O Poeta do Castelo, curta-metragem de Joaquim Pedro de Andrade,1959.

CD Manuel Bandeira: O Poeta de Botafogo - Gravações inéditas feitas pelo poeta e por Lauro Moreira, tendo como fundo musical peças de Camargo Guarnieri, interpretadas pela pianista Belkiss Carneiro Mendonça, 2005.

CD Estrela da Vida Inteira - gravação de Olívia Hime.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


Homenagem aos 140 anos do nascimento de Manuel Bandeira. O Focus Portal Cultural apresenta Dona Janaína. Neste registro primoroso, a sofisticação da canção de câmara brasileira ganha vida através de "Dona Janaína". A obra, fruto da colaboração entre dois gigantes do modernismo o compositor Francisco Mignone e o poeta Manuel Bandeira, recebe uma interpretação de rara elegância.

A voz cristalina de Magda Belloti, soprano e corista oficial do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, une-se ao toque sensível e técnico da pianista Talitha Perez. Juntas, as artistas traduzem a musicalidade e o lirismo contidos no encontro entre o mar e o sagrado, oferecendo ao público uma performance de profundo valor cultural e técnico.

 




















Nenhum comentário:

Postar um comentário