O
Grifo, em sua natureza híbrida, é a metáfora perfeita do trabalho que
desenvolvo no portal de cultura. A águia, que domina as alturas e representa a
inteligência, espelha a nossa busca constante pelo refinamento do olhar, pela
sensibilidade poética, que encontro tanto em Cecília Meireles quanto nas
crônicas que escrevo e pela curadoria atenta ao que é universal e, ao mesmo
tempo, tipicamente nosso.
O leão, por sua vez, é a força terrena, a
persistência necessária para edificar projetos em um país onde a cultura exige,
acima de tudo, coragem e tenacidade.
O
professor, com sua genialidade habitual, resgatou o aforismo "Vis ingenio
iuncta". Compreendi perfeitamente a mensagem: a inteligência, por si só,
pode se perder na abstração, e a força, se desprovida de norte, dispersa-se. É
no "juntar-se ao companheiro" que a obra se concretiza.
Ao
longo destes anos em Niterói, aprendi que não se faz nada sozinho. Seja na
construção de laços familiares, na dedicação à minha esposa Shirley, ou nas
parcerias com mentes brilhantes como a da minha mestra Dalma Nascimento, como as presidentes Matilde Carone Slaibi Conti e Márcia Pessanha, e com o apoio
e o carinho constante de Gilda Uzeda, Idalina Andrade Gonçalves, Alice
Fontanella, professor Rivo
Giannini, Maria Otília Camillo, Riva
Costa entendi que o "engenho" só floresce quando encontra a "mão
direita" que o auxilia a transformar o pensamento em realidade.
O
reconhecimento vindo do professor Marco Antônio não é apenas um elogio; é um espelho.
Ele validou a convicção de que o nosso papel, como agentes da cultura, é o de
ser esse híbrido: manter os olhos no céu das ideias, mas os pés firmes no solo
da ação concreta.
Agradeço
profundamente por essa distinção que, mais do que celebrar o passado, renova o
meu compromisso com o futuro da nossa cultura. Como bem nos lembra a lição do
Grifo, que sigamos sempre unidos pelo intelecto e fortalecidos pela
colaboração, pois é assim que se conquistam os horizontes.
E,
para encerrar essa reflexão, não posso deixar de sorrir com a sincronicidade do
destino. Nascido no dia 23 de julho, carrego a energia do signo de Leão como
parte da minha própria essência. A imagem do Grifo, que porta a força desse
felino majestoso em sua composição, torna-se, assim, um espelho ainda mais
íntimo da minha trajetória.
É
um lembrete de que a força que me rege não é apenas um arquétipo externo, mas
algo que procuro honrar diariamente: unindo o ímpeto leonino à clareza mental,
para que minha escrita e minha voz continuem a servir ao propósito maior da
nossa cultura.
Obra:
Composição digital de Joaquín Huertas (2026).
Texto:
@ Alberto Araújo | Focus Portal Cultural

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