Esse verso é um dos mais famosos de Manuel Bandeira, do poema "Pneumotórax" (do livro Libertinagem, 1930).
O sentido é profundamente humano. Ele fala da vida que imaginamos para nós mesmos, dos sonhos, planos, possibilidades e caminhos que, por algum motivo, nunca se realizaram.
No contexto do poema, o verso surge quando o personagem descobre que está gravemente doente. Diante dessa realidade, ele percebe que não lamenta apenas o sofrimento presente, mas também tudo aquilo que deixou de viver.
A frase pode ser entendida como:
Os sonhos que ficaram pelo caminho;
As oportunidades perdidas;
Os amores que não aconteceram;
Os projetos adiados;
A diferença entre a vida sonhada e a vida realmente vivida.
Por isso ela costuma tocar tantas pessoas. Quase todo mundo, em algum momento, olha para trás e pensa: “e se eu tivesse escolhido outro caminho?”
Mas o verso não precisa ser lido apenas como tristeza. Ele também pode servir como um convite para valorizar o presente, para não deixar que a vida que ainda pode ser aconteça tarde demais.
Em linguagem simples, Bandeira parece
dizer:
“Estou pensando em tudo o que eu poderia ter vivido, mas não vivi.”
É um verso melancólico, mas também muito verdadeiro sobre a condição humana.
PNEUMOTÓRAX
Febre, hemoptise, dispneia e suores
noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e
que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três… trinta e três… trinta
e três…
— Respire.
…………………
— O senhor tem uma escavação no pulmão
esquerdo e o pulmão direito
[infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar
o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar
um tango argentino.
Análise e montagem da imagem
© Alberto Araújo


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