quinta-feira, 20 de setembro de 2018

O CENTRO CULTURAL ABRIGO DE BONDES RECEBE A EXPOSIÇÃO “SENTIDOS”, DO ESCULTOR E ARTISTA RODRIGO SARAMAGO.

 
 
 
 
 
 
O Centro Cultural Abrigo de Bondes recebe até o dia 29 de setembro, a exposição “Sentidos”, do escultor e artista Rodrigo Saramago, onde ele comemora 25 anos de carreira. A mostra é composta por esculturas em terracota, que remetem ao universo transcendente que simbolizam a fé, a paz, a esperança, deuses, anjos e santos em todas as suas formas. Alguns alunos convidados também mostram suas criações seguindo a mesma linha temática e técnica.
 

Sobre Rodrigo Saramago

 

Seu primeiro contato com a arte aconteceu através do desenho, ainda criança. Foi a sua primeira paixão.
 
 
 



Cursou a Escola de Belas Artes no Rio de Janeiro de 1985 a 1987, a Escola de Artes Visuais do Parque Lage no Rio de Janeiro. Expôs na Affordable Art Fair em Bruxelas, Bélgica, em 2010, na Art Fair Europe na Alemanha em 2009, na Art Expo New York em 2008 e na Art & Frame Apeldoorn, em 207 na Holanda, na Abraham Art Center, em 2006 na Holanda e na Artexpo, em New York, em 1996.
A escultura lhe foi apresentada no colégio, nas aulas de artes, mas foram nas universidades e cursos paralelos junto à grandes artistas, como Cláudio Aun, onde ele ampliou todo seu conhecimento. O ferro, o bronze e o barro se tornaram seus melhores amigos. Estes materiais lhe permitiram contar estórias, materializar sonhos, falar de si e suas vivências.
 
A exposição "SENTIDOS" fala de imagens que nos remetem o equilíbrio, a paz espiritual e a fé. O Artista convidou então, alguns alunos que possuem trabalhos bem interessantes para também mostrar suas criações.
 
O curso ministrado por Saramago não é um curso tradicional, mas uma "materialização de idéias". Ele procura dar ao aluno total liberdade criativa, em todos os "SENTIDOS".
 
Sendo assim, Rodrigo convida os visitantes a apreciar o trabalho de sonho, de vida, de realidade e de fantasia, que somente a arte pode nos proporcionar.
 
Rodrigo Saramago iniciou sua trajetória profissional em 1993. Este ano completou 25 anos de carreira. Ele possui um vasto currículo de exposições no Brasil e no exterior. Atualmente Saramago vive e trabalha no seu ateliê em Pendotiba, Niterói.
 
 
 
SERVIÇO

 EXPOSIÇÃO SENTIDOS –
RODRIGO SARAMAGO
Visitação: até 29 de setembro
Horário: Segunda a Sexta,
das 8h às 18h e sábados de 8h às 12h
ENTRADA GRATUITA

 Local: Centro Cultural Abrigo de Bondes
Endereço: Rua Marquês do Paraná, 100,
Centro, Niterói
Tel: 2620-8169.
 
 

 
 
 
 
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FONTE:
Assessoria de Imprensa do TMN

ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS RETOMA PROGRAMA "MÚSICA DE CÂMARA NA ABL", COM A PRESENTAÇÃO DO GRUPO "MÚSICA ANTIGA DA UFF" COM OS ARTISTAS: LENORA PINTO MENDES, LEANDRO MENDES, MÁRCIO PAES SELLES, MÁRIO ORLANDO E VIRGINIA VAN DER LINDEN



ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS RETOMA PROGRAMA "MÚSICA DE CÂMARA NA ABL", COM A PRESENTAÇÃO DO GRUPO "MÚSICA ANTIGA DA UFF" COM OS ARTISTAS: LENORA PINTO MENDES, LEANDRO MENDES, MÁRCIO PAES SELLES, MÁRIO ORLANDO E VIRGINIA VAN DER LINDEN. DIA 25 DE SETEMBRO DE 2018, ÀS 12H30MIN. IMPERDÍVEL!

 
 
 
 
 
 
A Academia Brasileira de Letras reinicia seu programa “Música de Câmara na ABL” apresentando o grupo “Música Antiga da UFF”, composto pelos instrumentistas Lenora Pinto Mendes, Leandro Mendes, Márcio Paes Selles, Mário Orlando e Virginia Van der Linden. O evento está programado para o dia 25 de setembro, terça-feira, às 12h30min, no Teatro R. Magalhães Jr. (Avenida Presidente Wilson, 203, 1º andar, Castelo, Rio de Janeiro). Entrada franca.

 
O Presidente da Academia, Professor Marco Lucchesi, fará a abertura do espetáculo, que marca o retorno dessa atividade oferecida pela ABL ao público, mediante um protocolo a ser firmado com a Universidade Federal Fluminense (UFF).

 
De acordo com seus integrantes, o conjunto apresenta músicas para cantar e dançar escritas por trovadores medievais, e os instrumentos tocados pelos integrantes do conjunto são todos da Idade Média e do Renascimento: viele de roda, rabeca, viele de arco, flautas, buzuk e percussão).

 
Atuante há três décadas, seus músicos são todos também pesquisadores. Em 2017, o Música Antiga da UFF lançou seu primeiro longa-metragem, o documentário Música do Tempo – Do Sonho do Império ao Império do Sonho, que conta a trajetória artística do grupo durante os mais de 30 anos de pesquisa e difusão da música.


 
PROGRAMA

 
Courant Michael Praetorius (1571-1621)
Insbruck, ich muß Heinrich Isaac (1445-1517)
Ich weiß nit, was er ihr verhieß Ludwig Senfl (1492-1555)
Es taget vor dem Walde
Ballet Michael Praetorius (1571-1621)Bourrés
Im Maien Ludwig Senfl (1492-1555)
Wann ich des Morgens früeh aufsteh
Ach Elslein, liebes Elselein Ludwig Senfl (1492-1555)
Ach Elslein – Es taget
Es het ein bider man

 
 
Maximiliano I do Sacro Império Romano-Germânico
 
 
Maximiliano I  nasceu em Wiener Neustadt, (cidade no estado austríaco da Baixa Áustria. Está situada a 50 quilômetros ao sul de Viena), em 22 de março de 1459 foi o Imperador Romano-Germânico de 1508 até sua morte, além de Arquiduque da Áustria a partir de 1493 e Rei da Germânia começando em 1493. Era filho do imperador Frederico III e sua esposa Leonor de Portugal.

Casou-se em 1477 com sua prima materna a duquesa Maria de Borgonha filha de Carlos, Duque da Borgonha. Enviuvando, Maximiliano lutou contra a França que queria anexar o território borgonhês (o que de fato conseguiu). Reuniu um conselho de príncipes alemães, para obter ajuda e se coroar rei da Itália, o que não veio a ocorrer.
 
Em 1508, após reinar sobre o Sacro Império Romano-Germânico por quinze anos sem o título, e com o consentimento do papa Júlio II, ele acabou com a necessidade de se cumprir a tradição do imperador ser coroado pelo papa para receber o título, bastando assim, somente a sua eleição como tal. Foi sucedido no império por seu neto Carlos V.
 
Maximiliano comprometeu-se em 1490 com Ana, Duquesa da Bretanha (1476-1514), mas o casamento foi anulado em 1491 e Ana casou com o rei Carlos VIII de França, o Afável. Casou-se ainda uma terceira vez em 1494 com Branca Maria Sforza (1472-1510), filha do Duque de Milão João Galeácio Sforza.
 
Filhos:
 
•Margarida de Habsburgo, de Áustria ou de Saboia (n. 1480), que casou com:
•Carlos VIII de França (anulado);
•João, Príncipe das Astúrias (1478-1497)
•Felisberto II, Duque de Saboia (1480-1504)
•Francisco (n. e m. 1481)
•Filipe I de Castela (1478-1506), Rei de Espanha pelo casamento com a rainha Joana de Castela; foi o pai de Carlos I de Espanha.
 
•Ilegítimos:
•Cornélio de Áustria (n.1507), filho de uma senhora de Salzburgo.
•Jorge da Áustria (m. 1557).
•Leopoldo de Áustria (1515-1557).
O imperador Maximiliano I faleceu em Wels - Austria, em 12 de janeiro de 1519.




 



 
 
BIOGRAFIA COMPLETA
 
 
Maximiliano nasceu, no dia 22 de Março de 1459, em Wiener Neustadt na Áustria, fruto do casamento do sacro imperador romano-germânico, Frederico III, da Casa de Habsburgo, com a princesa portuguesa, D. Leonor, irmã de D. Afonso V e de D. Fernando, duque de Beja e Viseu.
Maximiliano era, portanto, primo direito dos futuros reis de Portugal, D. João II e D. Manuel I. Em 1486, Maximiliano foi eleito “rei dos romanos” em Frankfurt, ascendendo ao trono após a morte de Frederico III, em 1493. Apenas em 1508, com o consentimento do papa Júlio II, foi-lhe atribuído oficialmente o título imperial.
Com D. João II, Maximiliano I criou laços amigáveis, particularmente devido ao apoio do rei português na pacificação de Bruges e de outras cidades flamengas. Estas se tinham revoltado nos anos 80 de Quatrocentos contra Maximiliano, que se tornara o novo soberano da Borgonha depois do falecimento da sua primeira esposa, Maria de Borgonha, em 1482.
O desencadeamento da guerra entre França e a Casa de Habsburgo, em 1492, e a aliança entre o rei francês, Carlos VIII, e os Reis Católicos, em Janeiro do ano seguinte, conduziu a uma intensificação das ligações entre Maximiliano e D. João II. A aproximação dos dois monarcas foi favorecida devido às rivalidades luso-castelhanas na questão dos direitos das possessões no ultramar.
Esta disputa tinha entrado, precisamente nestes anos, na sua fase mais acesa, em consequência da primeira viagem de Colombo às Índias Ocidentais e à polémica divisão do Atlântico pelo papa Alexandre VI, contestada veementemente pelo Príncipe Perfeito. Maximiliano concordou com a posição portuguesa e ofereceu a D. João II o seu apoio, propondo uma viagem de descoberta por via ocidental. O imperador tencionava também subsidiar este projecto. Graças à recomendação do habsburgo, Diogo Fernandes Correia negociou neste contexto, ainda em 1493, com as casas comerciais dos Fugger e dos Gossembrot de Augsburgo. O reforço das relações diplomáticas entre Portugal e o Sacro Império ganhou os seus contornos mais evidentes em 1494. Em Junho deste ano, ou seja, pouco antes da celebração do Tratado de Tordesilhas, Maximiliano e D. João II prometeram mutuamente eterna amizade e aliança em caso de guerra nos denominados “Capitolos de Pazes” (Colónia, 23.6.1494).
Este contrato perdeu, no entanto, a sua validade já no ano seguinte devido à morte do rei português e não foi renovado após a subida de D. Manuel I ao trono de Portugal. Aparentemente, as boas relações até aí existentes entre as Casas de Habsburgo e de Avis esfriaram, pois Maximiliano havia reclamado também a herança da coroa portuguesa. Além disso, a orientação diplomática e os planos dinásticos do imperador mudaram drasticamente dada a nova constelação das alianças em consequência da invasão francesa em Itália em 1494. O ataque da França ameaçou os interesses de Aragão e da Casa da Áustria na Península do Apenino, o que levou a uma aproximação político-dinástica entre Maximiliano e Fernando de Aragão que culminou nos célebres casamentos dos filhos do imperador (Filipe o Belo e Margarete) com os filhos dos Reis Católicos (Joana a Louca e Juan) em meados dos anos 90 de Quatrocentos.
A morte do príncipe Juan, em 1497, abriu perspectivas prometedoras à herança das coroas de Castela e Aragão, tanto para a Casa de Avis como para a Casa de Habsburgo. Ao que parece, por causa da delicada situação dinástica na Península Ibérica, Maximiliano e D. Manuel evitaram, no início do reinado deste último, estabelecer relações diplomáticas. Apenas no ano de 1499 se encontra um sinal inequívoco que comprova um contacto directo entre os dois monarcas. A iniciativa partiu do rei português que em Agosto desse ano dirigiu uma carta ao “vitoriosíssimo e potentíssimo príncipe Maximiliano, da graça de Deus imperador romano e Augustus”. D. Manuel utilizou aqui pela primeira vez o título de “rei de Portugal e dos Algarves, daquém e dalém mar em África e senhor da Guiné e da conquista, da navegação e comércio de Etiópia, Arabia, Pérsia e Índia”. Nesta carta, o Venturoso informou orgulhosamente o seu primo acerca dos resultados da primeira viagem de Vasco da Gama à Índia, das especiarias, pedras preciosas e pérolas que os Portugueses aí encontraram e prometeu a Maximiliano acesso a estas riquezas. Existem várias fontes que documentam o especial interesse de Maximiliano na Expansão Portuguesa, cujo desenvolvimento seguiu atentamente, em primeiro lugar, pelo seu conselheiro Conrad Peutinger. O afamado humanista de Augsburgo era sócio da célebre companhia comercial de Anton Welser, seu sogro. Esta companhia tinha fundado, em 1503, uma feitoria em Lisboa, tendo participado, desde 1505, directamente em duas viagens portuguesas à Índia. Os projectos ultramarinos dos Welser e de outras casas comerciais alemãs foram apoiados por Maximiliano, a quem foram solicitadas cartas de recomendação destinadas à coroa portuguesa. Paralelamente conseguiram, através do imperador, uma licença especial que permitia a exportação de prata para Lisboa via Países Baixos. Em 1505 tinha chegado às mãos do imperador uma genealogia de todos os reis e príncipes da Península Ibérica, enviada por Valentim Fernandes, famoso tipógrafo e principal mediador dos alemães em Portugal. Este documento corrobora a ideia de que Maximiliano nunca perdeu de vista a sua ambição em relação ao trono português. Desta forma, explicam-se também as inúmeras referências que faz nas suas obras históricas e autobiográficas ao império português. Numa destas, D. Manuel I é designado como “o rei da nova rota”.
Notícias sobre a Expansão Portuguesa e a nova imagem do mundo circularam entre os eruditos e artistas ligados à corte imperial. Paralelamente ao crescente interesse de Maximiliano nos Descobrimentos Portugueses intensificaram-se, a partir da primeira década de Quinhentos, as relações político-diplomático entre o imperador e a coroa portuguesa. Em 1506 faleceu, inesperadamente, Filipe o Belo. A morte do único filho de Maximiliano pôs em risco a “herança espanhola” dos Habsburgos, enquanto Fernando de Aragão assumiu a regência em Castela contra as ambições de D. Manuel. O rei português, por sua vez, tentou reforçar os laços dinásticos com a Casa de Habsburgo, preparando a longo prazo o casamento da sua filha, D. Isabel, com o neto de Maximiliano, o futuro imperador Carlos V. Desde 1509 falou-se também sobre o enlace da arquiduquesa D. Leonor com um dos filhos de D. Manuel.
Como intermediário deslocou-se Tomé Lopes por várias vezes à corte imperial. Já antes tinha ali aparecido na pessoa de Duarte Galvão um outro embaixador do rei português para convidar Maximiliano a empreender uma acção militar contra os “inimigos da fé” para a reconquista da Terra Santa. Embora este plano não tenha sido levado a cabo, é de constatar que o espírito de cruzada sempre constituiu um elemento de ligação entre os dois monarcas, que se entenderam como protectores da cristandade e viram no zelo cristão de missionação e na guerra contra os “infiéis” a sua mais nobre tarefa de vida. Em 1510, Maximiliano, após ter recebido notícias sobre algumas das vitórias alcançadas pelos Portugueses no Oceano Índico, dirigiu uma carta pessoal a D. Manuel felicitando-o pelos triunfos contra os inimigos da cristandade e pedindo-lhe informações detalhadas sobre navegação, descobrimentos e comércio portugueses no Ultramar.
O Venturoso foi incluído, em 1516, na ilustre Ordem do Tosão de Ouro, desempenhando, nos anos seguintes, um papel central nos planos cruzadísticos do imperador. No entanto, este amplo projecto foi impedido devido à morte de Maximiliano em Wels no dia 12 de Janeiro de 1519. Ainda em vida de Maximiliano realizou-se o casamento da sua neta, Eleonore (D. Leonor), com D. Manuel. Este enlace marcou o início de uma série de matrimónios dinásticos entre as Casas de Habsburgo e de Avis que se concretizaram nas décadas seguintes e que influenciaram fortemente a história política da Europa no século XVI.
 
 
 
 
 
 
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DESTAQUE DO DIA: NISE – O CORAÇÃO DA LOUCURA. DIRIGIDO POR ROBERTO BERLINER E ESTRELADO POR GLORIA PIRES, O LONGA, BASEADO NO LIVRO NISE - ARQUEÓLOGA DOS MARES, DO JORNALISTA BERNARDO HORTA. SIMPLESMENTE, NOTÁVEL! UM FILME DESSE MERECE O OSCAR!

 
 
 CLICAR NA IMAGEM DA ATRIZ GLORIA PIRES
PARA ASSISTIR AO DOCUMENTÁRIO COMPLETO
 

 
 
 
 
DESTAQUE DO DIA:  NISE – O CORAÇÃO DA LOUCURA. DIRIGIDO POR ROBERTO BERLINER E ESTRELADO POR GLORIA PIRES, O LONGA, BASEADO NO LIVRO NISE - ARQUEÓLOGA DOS MARES, DO JORNALISTA BERNARDO HORTA. SIMPLESMENTE, NOTÁVEL! UM FILME DESSE MERECE O OSCAR!
 
 
 
 
Caros foculistas, depois de assistir ao filme, fica claro, que por meio de uma bela ficção, pode-se transmitir algo que impressiona e mexe com a gente. Especial e notório o fato de que Nise da Silveira terá sempre o nosso reverência e admiração, pois tratou a insanidade, se entregou de corpo e alma e, sobretudo com carinho e fez dela um motivo, uma alegria de vida.
Descobrir a história de Nise é encontrar um pouco de nós mesmos nos momentos em que parecemos não "caber" em nossa própria existência.
Como essa mulher fez a diferença no mundo, listamos algumas razões pelas quais ela merece ser convocada à nossa memória.
 
Nise da Silveira
 
NISE DA SILVEIRA, A MULHER QUE SURGIU COM A TERAPÊUTICA DA LOUCURA NO BRASIL.
 
 
Os ensinamentos de Nise da Silveira nos falam de uma atualidade que se repete a cada vez que a loucura é condenada. A Psiquiatra enxergou a riqueza de seres humanos que estavam “no meio do caminho”. No meio do caminho entre o existir e a dignidade. Essa mulher se rebelou contra a psiquiatria que aplicava violentos choques para concertar pessoas e escolheu um tratamento humanizado, que usava a arte para reabilitar os pacientes. Agigantou a humanidade ao cuidar de brasileiros rejeitados pelo sistema e isolados do convívio.
 
Esquizofrênicos marginalizados e esquecidos puderam ser autores de obras hoje expostas no Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro (RJ).
A arte marcou a vida nova daquelas pessoas para a sociedade.
 
 
 
 
 
A história dela já foi tema de documentários e agora volta às telas com o filme inédito Nise – O Coração da Loucura, estreado recentemente. Dirigido por Roberto Berliner e estrelado por Gloria Pires, o longa, baseado no livro Nise - Arqueóloga dos Mares, do jornalista Bernardo Horta, traz um recorte acessível e emocionante da atuação da psiquiatra e sua defesa da arte como principal ferramenta de reintegração de pacientes chamados "loucos".
Em 1926, ao se formar na Faculdade de Medicina da Bahia, Nise era a única mulher em uma turma de 157 alunos. Ainda na graduação ela apresentou  estudo Ensaio sobre a criminalidade da mulher no Brasil.
 
"Na época em que ainda vivíamos os manicômios e o silenciamento da loucura, Nise da Silveira soube transformar o Hospital Engenho de Dentro em uma experiência de reconhecimento do engenho interior que é a loucura", explica à revista Cult Christian Ingo Lenz Dunker, psicanalista e professor titular do Instituto de Psicologia da USP.
 
Nise era uma defensora da loucura necessária para se viver. "Não se cura além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Vou lhes fazer um pedido: vivam a imaginação, pois ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas muito ajuizadas."
 
Na prisão, Nise também conheceu o escritor alagoano Graciliano Ramos, que a cita em seu livro Memórias do Cárcere:
 
"(...) Lamentei ver a minha conterrânea fora do mundo, longe da profissão, do hospital, dos seus queridos loucos. Sabia-se culta e boa. Rachel de Queiroz me afirmara a grandeza moral daquela pessoinha tímida, sempre a esquivar-se, a reduzir-se, como a escusar-se a tomar espaço."
 
Em 1944, Nise passou a trabalhar no Hospital Pedro II, antigo Centro Psiquiátrico Nacional, no Rio de Janeiro. Ela se recusou a seguir o tratamento da época, que incluía choque elétrico, cardiazólico e insulínico, camisa de força e isolamento. Ao dizer "não", a psiquiatra foi transferida, como "punição", para o Setor de Terapia Ocupacional do Pedro II. A reportagem da revista Cult lembra que esse era um espaço desprestigiado na época.
 
Porém, essa transferência foi fundamental para a revolução que Nise provocaria na psiquiatria: foi nesse setor do hospital que ela implementou, junto com o psiquiatra Fábio Sodré, a Terapia Ocupacional no tratamento psiquiátrico.
Nise percebeu que as artes plásticas eram o canal de comunicação com os pacientes esquizofrênicos graves, que até então não se comunicavam verbalmente. As obras produzidas por eles davam "voz" aos conflitos internos que viviam.
A produção do ateliê do Setor de Terapia Ocupacional já tinha despertado a atenção de pesquisadores de saúde mental e médicos, mas críticos de arte também viram naqueles trabalhos obras artísticas dignas de exposição. Foram organizadas duas exposições internacionais e, em 1952, foi inaugurado o Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro.

 

Nise da Silveira. Foto de Arquivo do Jornal do Brasil
 
UM POUCO SOBRE NISE DA SILVEIRA
 
Nise da Silveira nasceu em Maceió, em 15 de fevereiro de 1905 foi uma renomada médica psiquiatra brasileira, foi aluna de Carl Jung.
Filha do professor de matemática Faustino Magalhães da Silveira e da pianista Maria Lídia da Silveira, Nise era bastante estudiosa e foi admitida na Faculdade de Medicina da Bahia aos 21 anos.
 
Dedicou sua vida à psiquiatria e manifestou-se radicalmente contrária às formas que julgava serem agressivas em tratamentos de sua época, tais como o confinamento em hospitais psiquiátricos, eletrochoque, insulinoterapia e lobotomia. Nise ainda foi pioneira ao enxergar o valor terapêutico da interação de pacientes com animais.
Sua formação básica realizou-se em um colégio de freiras, na época exclusivo para meninas, o Colégio Santíssimo Sacramento, localizado em Maceió. Seu pai foi jornalista e diretor do "Jornal de Alagoas".
De 1926 a 1931 cursou a Faculdade de Medicina da Bahia, onde se formou como a única mulher entre os 157 homens daquela turma. Está entre as primeiras mulheres no Brasil a se formar em Medicina.
Casou-se nessa época com o sanitarista Mário Magalhães da Silveira, seu colega de turma na faculdade, com quem viveu até seu falecimento em 1986. O casal não teve filhos, por um acordo entre ambos, que queriam dedicar-se intensamente, a carreira médica. Em seu trabalho médico, Mário publicava artigos onde apontava as relações entre pobreza, desigualdade, promoção da saúde e prevenção da doença no Brasil.
Em 1927, já casada e formada, e órfã de mãe, sofreu pelo falecimento de seu pai, e então, após alguns meses, junto ao marido, se mudaram para o Rio de Janeiro, onde teriam mais oportunidades de trabalho. Na então capital do Brasil, Nise se engajou nos meios artístico e literário, voltados para área médica, com diversas publicações dos avanços da medicina.
Em 1933, cursando os anos finais da especialização em psiquiatria, estagiou na clínica neurológica de Antônio Austregésilo. Logo após terminar sua especialização, foi aprovada no mesmo ano em um concurso de psiquiatria, e começou a trabalhar no Serviço de Assistência a Psicopatas e Profilaxia Mental do Hospital da Praia Vermelha.
Foi membro fundadora da Sociedade Internacional de Expressão Psicopatológica ("Societé Internationale de Psychopathologie de l'Expression"), sediada em Paris.
 
Sua pesquisa em terapia ocupacional e o entendimento do processo psiquiátrico por meio das imagens do inconsciente deram origem a diversas exibições, filmes, documentários, audiovisuais, cursos, simpósios, publicações e conferências.
Em reconhecimento a seu trabalho, Nise foi agraciada com diversas condecorações, títulos e prêmios em diferentes áreas do conhecimento, entre outras:
"Ordem do Rio Branco" no Grau de Oficial, pelo Ministério das Relações Exteriores (1987)
"Prêmio Personalidade do Ano de 1992", da Associação Brasileira de Críticos de Arte
"Medalha Chico Mendes", do grupo Tortura Nunca Mais (1993)
"Ordem Nacional do Mérito Educativo", pelo Ministério da Educação e do Desporto (1993)
Seu trabalho e ideias inspiraram a criação de museus, centros culturais e instituições terapêuticas, similares às que criou, em diversos estados do Brasil e no exterior, por exemplo:
"Museu Bispo do Rosário", da Colônia Juliano Moreira (Rio de Janeiro)
"Centro de Estudos Nise da Silveira" (Juiz de Fora, Minas Gerais)
"Espaço Nise da Silveira" do Núcleo de Atenção Psicossocial (Recife)
"Núcleo de Atividades Expressivas Nise da Silveira", do Hospital Psiquiátrico São Pedro (Porto Alegre, Rio Grande do Sul).
a "Associação de Convivência Estudo e Pesquisa Nise da Silveira" (Salvador, Bahia)
"Centro de Estudos Imagens do Inconsciente", da Universidade do Porto (Portugal)
a "Association Nise da Silveira - Images de l'Inconscient" (Paris, França)
o "Museo Attivo delle Forme Inconsapevoli" (hoje renomeado "Museattivo Claudio Costa", Genova, Itália)
O antigo "Centro Psiquiátrico Nacional" do Rio de Janeiro recebeu em sua homenagem o nome de "Instituto Municipal Nise da Silveira".
 
Em 2015, foi incluída na lista das Grandes mulheres que marcaram a história do Rio". Faleceu aos 94 anos, no Rio de Janeiro, em 30 de outubro de 1999.
 
OBRAS
 
·         SILVEIRA, Nise da. Jung: vida e obra. Rio de Janeiro: José Álvaro Ed. 1968.
·         SILVEIRA, Nise da. Imagens do inconsciente. Rio de Janeiro: Alhambra, 1981.
·         SILVEIRA, Nise da. Casa das Palmeiras. A emoção de lidar. Uma experiência em psiquiatria. Rio de Janeiro: Alhambra. 1986.
·         SILVEIRA, Nise da. O mundo das imagens.São Paulo: Ática, 1992.
·         SILVEIRA, Nise da. Nise da Silveira. Brasil, COGEAE/PUC-SP 1992.
·         SILVEIRA, Nise da. Cartas a Spinoza. Rio de Janeiro: Francisco Alves. 1995.
·         SILVEIRA, Nise da. Gatos - A Emoção de Lidar. Rio de Janeiro: Léo Christiano Editorial, 1998.
 
 
 
Atriz Glória Pires vive Nise da Silveira
no cinema.
 
 
Nise da Silveira
 
Nise da Silveira
 


 
 
 
 
 
 
 
 
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