terça-feira, 10 de setembro de 2019

DESTAQUE DE HOJE: LEMBRANÇA ETERNIZADA DE MARIA SABRINA POESIA DE ALBERTO ARAÚJO.

 
 
DESTAQUE DE HOJE: LEMBRANÇA ETERNIZADA DE MARIA SABRINA POESIA DE ALBERTO ARAÚJO.
 
RELEITURAS da Homenagem do escritor e jornalista Alberto Araújo à professora, poetisa, escritora, tradutora Maria Sabina, ocasião do RECITAL DE POESIAS 25 ANOS DE SAUDADE, realizado no palco do Centro Cultural Maria Sabina em 18 de junho de 2016 e relida em 30 de março de 2019, no DIA NACIONAL DO POETA. Outra releitura no XIX BIENAL DO LIVRO DO RIO, 07/09/19. ALBERTO ARAÚJO-Niterói-RJ.
 
 
 
LEMBRANÇA ETERNIZADA DE MARIA SABINA
 
 
 
Nobre poetisa MARIA SABINA,
admirável no artifício de escrever,
cuja inspiração até hoje nos fascina,
além da talentosa Arte de Dizer.
Malabarista da palavra por vocação...
Mola propulsora de sabedoria,
deixou para sempre em nosso coração,
sua trajetória cintilante de alegria.
Muitos anos já se são passados
e sua estrela permanece a faiscar
na alma de Neide e dos alunos amados
que não deixam seu emblema se apagar.
Tributo memorável bem merecido.
Trazer o nome jamais esquecido
da grande Mulher MARIA SABINA,
cuja lembrança ainda as Letras ilumina!
 
 
 

RELEITURAS da Homenagem do escritor e jornalista Alberto Araújo à professora e poetisa Maria Sabina, ocasião do RECITAL DE POESIAS 25 ANOS DE SAUDADE, realizado no palco do Centro Cultural Maria Sabina em 18 de junho de 2016 e relida em 30 de março de 2019, no DIA NACIONAL DO POETA. Releitura no XIX BIENAL DO LIVRO DO RIO, 07/09/19. ALBERTO ARAÚJO-Niterói-RJ.
 
 
 
 
 



 
 
 
 
 
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quinta-feira, 29 de agosto de 2019

XIX BIENAL DO RIO DE JANEIRO. DE 30 DE AGOSTO A 08 DE SETEMBRO DE 2019 NO RIOCENTRO. PARTICIPE DO MAIOR EVENTO LITERÁRIO DO PAÍS, UM GRANDE ENCONTRO QUE TEM O LIVRO COMO AUTOR.







XIX BIENAL DO RIO DE JANEIRO. DE 30 DE AGOSTO A 08 DE SETEMBRO DE 2019 NO RIOCENTRO. Participe do maior evento literário do país, um grande encontro que tem o livro como autor.






A BIENAL DO LIVRO RIO é o maior evento literário do país, um grande encontro que tem o livro como astro principal. Para o leitor, é a oportunidade de aproximação dos seus autores favoritos e de conhecer muitos outros. Durante dez dias, o Riocentro sedia a festa da cultura, da literatura e da educação. Nos espaços dedicados às atrações, o público pode participar de debates, bate-papos com personalidades e escritores, além das atividades culturais que promovem a leitura. Atraente, variada e dinâmica, a Bienal do Livro Rio é diversão para toda a família!

HISTÓRIA

Há 38 anos, teve início a história de sucesso da Bienal do Livro Rio: uma celebração à leitura, à cultura e à diversão, reunindo milhares de pessoas.

Dos salões do Hotel Copacabana Palace, em 1983, aos atuais 80 mil metros quadrados do Riocentro, a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro se transformou não só no mais importante acontecimento editorial do Brasil, como também em um evento literário que mobiliza o país. A cada edição, o evento cultural e empresarial supera expectativas de público, vendas e mídia.

LOCAL DO EVENTO | RIOCENTRO

A Bienal do Livro Rio é realizada no Riocentro, sede dos principais eventos nacionais e internacionais do Brasil. Seu estacionamento possui 7 mil vagas e está localizado em uma área amplamente atendida pelas opções de transporte público. Com estações muito próximas, o BRT TransCarioca liga o terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, ao Aeroporto do Galeão, na Ilha do Governador, e é uma das principais obras viárias da cidade. Com a TransCarioca, a previsão é reduzir em 60% o tempo de viagem entre o Aeroporto do Galeão e a Barra.

ACESSO AO EVENTO

O acesso ao evento se dará através da compra de ingresso, por dia de evento. Cada ingresso é válido para 1 (uma) entrada em 1 (um) dia de evento. Os ingressos podem ser adquiridos antecipadamente através da compra online, pelos pontos de venda ou nos dias de evento, diretamente nas bilheterias do Riocentro.

TRANSPORTE

Transporte público – o transporte público é a melhor opção para chegar e sair da Bienal do Livro. A estação oficial da Bienal é a estação de BRT da Olof Palme. É possível chegar até ela partindo de qualquer estação do BRT ou metrô, utilizando a integração no Terminal Jardim Oceânico. Além disso, existem várias linhas de ônibus comum para chegar ao Riocentro.
O embarque e desembarque dos táxis e carros de aplicativos será na frente do Pavilhão das Artes.

ESTACIONAMENTO
Confira abaixo os valores de estacionamento:
Carros/Vans/Motos:
Valor até 12 horas: R$ 28,00
Hora adicional: R$ 6,00
Diária limite: R$ 100,00
Carência: 15 minutos
Ônibus/Caminhões:
Valor até 12 horas: R$ 85,00
Hora adicional: R$ 18,00
Diária limite: R$ 300,00
Carência: 45 minutos

ENTRADAS E SAÍDAS

Entradas: Pavilhão das Artes e Pavilhão Verde
Saídas: Pavilhão Laranja e Pavilhão Verde


SAC E INFORMAÇÕES
Serviço de atendimento ao cliente/achados e perdidos.
Localização: Pavilhão Verde
Horário de atendimento: 09h30 – 21h30
Temos dois balcões de informação que estarão localizados nas entradas do evento.

CAIXA ELETRÔNICO
Os caixas eletrônicos estão localizados no Pavilhão das Artes e na passarela entre Pavilhão Azul e Pavilhão Verde.

FRALDÁRIO
Localização: No Pavilhão Laranja próximo ao estande “Pé da Letra”.

GUARDA-VOLUMES
Durante os dias de evento você poderá contar com espaço para guardar seus pertences enquanto desfruta das nossas atrações.
Localização: Nas entradas do evento, Pavilhão das Artes e Pavilhão Verde.
Valor da Locação do Armário: R$20,00 por dia.

PONTO DE ENCONTRO
Será no Pavilhão Verde

POSTO MÉDICO
Pavilhão Laranja – Em frente aos banheiros da praça de alimentação.
Pavilhão Azul – Próximo à entrada de serviço
Pavilhão Verde – Ao lado do “Auditório Madureira” e em frente à praça de alimentação.

CARRINHOS INFANTIS E CADEIRA DE RODAS
Locação de Carrinhos Infantis e Cadeira de Rodas
Localização: Entradas dos pavilhões das Artes e Pavilhão Verde
Valores de locação:
* Carrinho de Bebê – R$12,00 (por hora)
* Carrinho Infantil – R$18,00 (por hora)
* Carrinho Infantil Duplo – R$30,00 (por hora)
* Cadeira de Rodas – R$12,00 (por hora)

AVISOS IMPORTANTES

A Bienal do Livro Rio não realiza parceria alguma com vendedores de cursos, coleções de livros ou similares. Nossos representantes utilizam apenas os canais oficiais de comunicação do evento: “E-mail” e a seção “Contato” do site. Em caso de dúvida sobre alguma proposta recebida, entre em contato pelo e-mail contato@bienaldolivro.com.br.

O visitante fica ciente de que, ao entrar no recinto de exposições onde se realiza a Bienal do Livro, fica autorizado aos organizadores o uso de sua imagem pessoal captada no evento, assim como a de menores ou pessoas sob sua responsabilidade ou tutela legal para uso em todo e qualquer material de fotos, vídeos, documentos, meios de comunicação, campanhas promocionais e institucional, destinadas à divulgação ao público.



SERVIÇOS

DIAS DO EVENTO

30 de Agosto a 08 de Setembro de 2019

HORÁRIOS DE FUNCIONAMENTO
Segunda à Quinta: 09h às 21h
Sexta-feira: 09h às 22h
Finais de Semana: 10h às 22h
VISTAÇÃO ESCOLAR
Segunda à Sexta de 09h às 17h
LOCAL
Riocentro
Av. Salvador Allende, 6555
Barra da Tijuca
Rio de Janeiro – RJ
22783-127
E-MAIL
Sugestões, dúvidas e comentários
contato@bienaldolivro.com.br
INGRESSOS
Inteira: R$30,00
Meia-entrada: R$15,00









XIX BIENAL DO RIO DE JANEIRO. DE 30 DE AGOSTO A 08 DE SETEMBRO DE 2019 NO RIOCENTRO. Participe do maior evento literário do país, um grande encontro que tem o livro como autor.






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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

CINE JAZZ RECEBE GILSON PERANZZETTA E MAURO SENISE EM HOMENAGEM A MICHEL LEGRAND. DIA 27 DE AGOSTO DE 2019-TERÇA-FEIRA. ÀS 19 HORAS. NO JAMBEIRO.






CINE JAZZ RECEBE GILSON PERANZZETTA E MAURO SENISE EM HOMENAGEM A MICHEL LEGRAND. DIA 27 DE AGOSTO DE 2019-TERÇA-FEIRA. ÀS 19 HORAS. NO JAMBEIRO. (CLICAR NA PRIMEIRA IMAGEM PARA A AUDIÇÃO DA MÚSICA "SUMMER OF 42" VERÃO DE 42 POR MICHEL LEGRAND. ESPETACULAR!






Acontecerá na terça-feira, dia 27 de agosto de 2019, às 19h, Solar do Jambeiro, a edição de agosto do projeto Cine Jazz, com uma homenagem ao pianista e maestro francês Michel Legrand. Logo após a exibição de um filme que traz uma apresentação de Legrand com a Orquestra Nacional da França, gravado em Paris em 2009, Gílson Peranzzetta e Mauro Senise brindarão o público com um selecionado repertório de jazz nas trilhas sonoros do cinema. A entrada é franca e a Classificação indicativa, 14 anos.

Nascido em Paris em 1932, Michel Legrand construiu sua destacada carreira compondo para o cinema. São dele os temas originais e as trilhas sonoras de filmes como, "Lola", "Os Miseráveis", "Pret-a-Porter", "Les demoiselles de Rochefort" e "Verão de 42", entre muitos outros sucessos de bilheteria ao longo dos anos.

O jazz também é marcante em sua carreira. Desde 1958, Legrand liderou bandas que contavam com alguns dos maiores nomes do segmento, como Miles Davis, John Coltrane, Bill Evans e Herbie Mann. Compôs para álbuns de Stan Getz , Sarah Vaughan e Phil Woods - em várias ocasiões. Vários músicos de jazz regravaram clássicos de sua autoria, como “What Are You Doing the Rest of Your Life”, “Watch What Happens” e “The Summer Knows (Summer of 42)”. O musico faleceu em janeiro desse ano.

Os convidados da noite são o pianista e maestro Gílson Peranzzetta e saxofonista Mauro Senise, músicos consagrados, que estão lançando projeto novo, dedicado ao cinema. Cinema e jazz nasceram juntos e foram as grandes artes do século 20. O primeiro filme sonoro chamou-se "O cantor de jazz" (1927), que na verdade era sobre um cantor de sinagoga, mas já na década de 30 as big bands do Swing ganhavam as telas. E, a partir dos anos 50, o jazz moderno se tornava referência na trilha de filmes mais sofisticados, nos EUA e na Europa. Em troca, certas canções de filmes caíram inexoravelmente nos repertórios da dos grandes músicos do jazz.

Cinéfilos de carteirinha, Gilson Peranzzetta e Mauro Senise exploram esse território em seu novo álbum, "Cinema a dois", com arranjos de Peranzzetta e pesquisa de repertório da produtora Ana Luísa Marinho, que inclui entre outros, Michel Legrand.

O Cine Jazz é uma realização da Secretaria Municipal de Cultura de Niterói-FAN com curadoria de Paulo Renato Rocha.

SERVIÇO

Cine Jazz
Gilson Peranzzetta e Mauro Senise em homenagem a Michel Legrand
Data: 27 de agosto, terça-feira
Horário: 19h
Evento gratuito
Classificação indicativa: 14 anos

Solar do Jambeiro
Rua Presidente Pedreira, 195, Ingá, Niterói




MICHEL LEGRAND pianista, arranjador e compositor francês. Construiu sua carreira compondo para o cinema. São dele as trilhas sonoras de Lola, Les Misérables, Prêt-à-Porter, Les Demoiselles de Rochefort, Les Parapluies de Cherbourg, Summer of '42, Une femme est une femme (Uma mulher é uma Mulher), La piscine, entre outras.

O jazz também é marcante em sua carreira. Desde 1958, liderou bandas que contavam com alguns dos maiores nomes do segmento, como Miles Davis, John Coltrane, Bill Evans e Herbie Mann. Compôs para álbuns de Stan Getz (1971), Sarah Vaughan (1972) e Phil Woods - em várias ocasiões. Vários músicos de jazz regravaram canções de Legrand, como What Are You Doing the Rest of Your Life, Watch What Happens e The Summer Knows.

Em 2004, a Biscoito Fino lançou Homenagem a Luiz Eça, em que o pianista francês presta um tributo ao músico brasileiro. O CD foi gravado nos estúdios da Biscoito Fino. Recebeu o Oscar de melhor banda sonora pelos filmes Summer of '42 e Yentl. Recebeu o Oscar de melhor canção original pela canção The Windmills of Your Mind do filme The Thomas Crown Affair. Nasceu em Paris, 24 de fevereiro de 1932 e faleceu em  Paris, em  26 de janeiro de 2019.






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FONTE
Departamento de Imprensa SMC/FAN
Secretaria Municipal de Cultura - Niterói
Fundação de Arte de Niterói - FAN









quarta-feira, 14 de agosto de 2019

DESTAQUE DE HOJE: O ENIGMÁTICO SOUSÂNDRADE OU O ENIGMA DE SUA DECIFRAÇÃO? POR LUIZA LOBO.





O ENIGMÁTICO SOUSÂNDRADE OU O ENIGMA DE SUA DECIFRAÇÃO? POR LUIZA LOBO.




         O maranhense Joaquim de Sousa Andrade (1832-1902) é um poeta de ampla e importante produção que, no entanto corre o risco de ficar conhecido por uma só obra, O guesa; ou pior, por apenas dois trechos cômicos escritos em versos limerick (os conhecidos "Inferno de Taturema" (Canto II) e "Inferno de Wall Street" (Canto X), insertos neste imenso poema épico de 350 páginas.

         As diferentes formas de assinar o nome, Sousa Andrade, Souza-Andrade, Souzandrade e finalmente Sousândrade, como se tornou conhecido no final da vida em São Luís, devem-se a seu desejo, como ele próprio explicava, de ter um nome com idêntica acentuação proparoxítona e idêntico número de letras ao de seu muito admirado Shakespeare (ver Frederick Williams, Sousândrade: vida e obra). Desde 1857 começou a se dedicar ao grande sonho de escrever o grande poema épico e sua principal obra, O guesa. Seu fascínio pela linguagem também o fez mudar constantemente sua denominação: Guesa errante, no momento da publicação dos primeiros fragmentos no Semanário Maranhense, em 1856, e nas duas edições nova-iorquinas parciais de Nova York, em 1876 e 1877; depois, O guesa, na edição londrina de 1884, quase meio século após iniciar o projeto, em constante revisão, co¬mo ocorreu com Whitman em Folhas de relva; finalmente, pouco antes de morrer, publica um último complemento: as novas estrofes de cunho republicano de "O guesa, o Zac". Explica-se o epíteto "Zac": o índio muísca colombiano, visto como herói da América, chegara a sacerdote máximo de seu povo e religião. Explica-se também o afã do poeta em sempre aperfeiçoar-se: O guesa representa o périplo do herói subjetivo, romântico, autobiográfico, que caminha por três continentes, e que está sempre complementando seus versos a cada minuto de vida. Sua preocupação com o existencial é tão forte que cada canto se inicia com uma data que sinala uma fase de sua vida (ver meu Épica e modernidade em Sousândrade).



         Trata-se então de um excêntrico! — dirão alguns. Sim, na medida em que O guesa é uma tentativa quase louca de inovar, em todos os aspectos, a épica romântica, como se fosse uma paidéia da cultura maranhense. São Luís, terra do tradutor de Virgílio e Homero, Odorico Mendes (1799-1864), trazia, graças ao lucro com o plantio do arroz e algodão, companhias inteiras de ópera vindas da Europa.

         O guesa acaba sendo penalizado com a minguada recepção que merece por empregar tantas intertextualidades e fontes. A comparação com o modernismo de Pound, nos Cantos (ver Revisão de Sousândrade, de Augusto e Haroldo de Campos, 1964, 2.ed. revista), acaba por limitar o conhecimento de sua obra a apenas um ângulo, os dois fragmentos cômicos dos cantos II e X, em detrimento de sua concepção geral. O guesa é obra originalíssima dentro do panorama da literatura brasileira e universal no sentido de tecer-se como uma rede de apropriações e de intertextualidades, de um modo avassaladoramente pioneiro com relação a seu tempo. O guesa reúne, através de citações e apropriações textuais, a Teogonia, de Hesíodo, a Odisseia, de Homero, o Cântico dos cânticos, de Salomão, a Farsália, de Lucano, Os lusíadas, de Camões, o Childe Harold, de Byron, o Atta Troll, de Heine, referências a Gonçalves Dias, citações de Castro Alves, Lamartine, Emerson e Whitman, entre muitos outros autores. Opondo-se à idéia de que a obra literária é sagrada, Sousândrade incorporou no poema recursos gráficos próprios da imprensa — alguns empregados apenas em 1897 por Mallarmé em "Um lance de dados jamais abolirá o acaso". Sousândrade tornou-se moderno e cosmopolita muito antes de Pound. Num lampejo da polifonia, o poeta introduz em seu longo poema diversos sinais tipográficos que representam diferentes vozes poéticas: o eu subjetivo da épica romântica é apresentado pelas aspas, o narrador externo o é pelo texto sem marcação, os diferentes personagens dos dois trechos em limerick são indicados, como no texto para teatro, por um, dois ou três travessões —, entre muitos outros recursos inovadores.



         Os dois trechos acima referidos rompem com o cânone épico ao introduzir versos curtos e cómicos, inovando na forma como no locus onde se dá a descida no Inferno, que passa a ser a floresta amazônica (Canto II) e a balbúrdia de Wall Street, onde se situa a Bolsa de Valores de Nova York (Canto X). Tal inovação já havia sido ensaiada por românticos como Heine, em Atta Troll, por Goethe, no início do Segundo Fausto, e por Espronceda, em "El diablo mundo", no entanto dentro de poemas líricos e dramáticos. Entretanto, a ruptura torna-se muito mais ousada se considerar-se a grandiosidade do poema épico, e mais revolucionária e desconstrutora se torna a utilização dos irreverentes versos em limerick. Evidencia-se o grande projeto de carnavalizaçâo a que se lançou conscientemente o poeta, terminando por abraçar o simbolismo metafórico, imagético e repleto de inovações formais, na rima e na métrica, e por trocar as influências portuguesas típicas dos poetas brasileiros tradicionais por outras, mais incomuns, como a incorporação do limerick — um verso popular inglês. O nonsense daí derivado foi acrescido às palavras, muitas das quais  rimou com o tupi-guarani, latim, francês e inglês.

         Então sua obra é puro nonsense! — poderão exclamar outros. Foi isso o que atraiu o poeta para a irreverência dos versos em limerick que atacam a um tempo o imperador do Brasil e os grandes políticos norte-americanos, permitindo-lhe inserir, através deste verso popular, os fatos que lia nos jornais de Nova York, onde viveu de 1871 a 1884, estocando, a torto e a direito, tanto o monarquismo quanto a democracia e a República.

         Sousândrade foi vítima de seu destino de romântico nascido na província distante do eixo da corte; cedo órfão dos pais, antimonarquista num país ainda longe de obter a autonomia e a República, sonhador original que esbarra no anonimato do auto-exílio na Europa e em Nova York. Melhor recepção teria obtido fixando-se em Coimbra ou Lisboa. Mas aí já não seria mais o ousado, o pretensioso, o licencioso, o cidadão do mundo Joaquim de Souza Andrade.

         Trata-se de um poeta hermético - insistem - repleto de referências enigmáticas, incompreensíveis. O hermetismo de seus versos, eivados de referências intertextuais e amplas leituras, esbarra, sempre, no problema da recepção. Publica em português em Nova York e Londres, pois odeia o imperador e a monarquia brasileira. Não tem a sorte de Domingos Gonçalves de Magalhães, cujos Suspiros poéticos e saudades contaram com o financiamento e beneplácito do imperador. Ou de Gonçalves Dias, cujas obras obtinham o mesmo empenho do imperador, cumprido o ritual de elogio e aceitação, típico da sociedade de subserviência e troca de favores herdada da colónia, ao que o outro maranhense não queria submeter-se. Problema de recepção que permanece até hoje, uma vez que seus livros não estão disponíveis ao grande público, nem figuram nos manuais escolares. Fracassaram as tentativas de enquadrar Sousândrade nas provas de vestibular: ele resiste aos moldes dos estilos de época e géneros literários — percorreu-os todos, numa grande Stilvermischung.


         A trajetória do poeta se torna, para comprovar este crescente alijamento de Sousândrade com relação ao público (o que, aliás, nunca o fez esmorecer), cada vez mais complexa e hermética, quiçá tresloucada, semelhantemente ao simbolista Pedro Kilkerry (1885-1917) ou ao precursor do teatro do nonsense, Qorpo Santo, os quais também alteraram a grafia de seus nomes. São versos de grandes profetas românticos, bodes expiatórios, incompreendidos, que portanto se querem incompreensíveis. Vê-se que a obra do autor se inicia com poemas ingénuos e de leitura transparente, no estilo de Casimiro de Abreu, em Harpas selvagens (1857). Mas, quarenta anos depois, após a proclamação da República, quando retorna ao Brasil, Sousândrade publica um poema político republicano intitulado Novo éden (1893), que é de leitura difícil, árida e repleta de referências pouco claras (como o título Helé, novo, em hebraico).

                Mais uma vez, dirão seus detratores: poemas ilegíveis porque ruins. Mais uma vez se poderá afirmar: a estética não é o resultado do conhecimento, que só se obtém pela repetição da forma, pela memorização, até se criar um gosto e se constituir um cânone? Portanto, mais uma vez, é o problema da recepção de uma obra poética desconhecida num país que não soube reuni-la, republicá-la, valorizá-la, interpretá-la. O Finnegans Wake de Joyce continua sendo citado e respeitado, embora pouco lido; o Lance de dados é tido por obra-prima, apesar de sua polissemia ser tão infinita que soa hermética para os não-iniciados. Não faltará a nós a humildade, a intimidade com as letras e a ousadia da iniciação? Não estaremos acomodados com a leitura referencial e descritiva do outro — o famoso e bem-sucedido poeta épico que deixou, no entanto, Os timbiras inacabado? Poema calcado na ideia do índio como simulacro do branco, um índio "selvagem" mas dócil aos valores do outro, como é veiculado também na obra de Alencar. O cânone sempre se apoia na ideia de didatismo, de temor ao irreverente e de respeito aos códigos — conforme nos mostra Bakhtin em seu magistral estudo diacrónico sobre a formação dos géneros na literatura europeia, obedecendo aos ditames da Igreja Católica (ver A palavra poética em Dostoievski). Repetimos o sagrado Dias e repelimos o profano Sousândrade, cuja poesia era impossível de memorizar. Admiramos o político Alencar, que buscou a corte, e rejeitamos a voz do exílio ou da província, arauto solitário e absurdo da invenção. Não é por acaso que a obra completa e depurada de Gregório de Matos, outro poeta que possui muitas passagens e aspectos antididáticos e anticanônicos, ainda espera nos diversos códices.

         Em contraste com a concepção linear, descarnada, idealizada de "I-juca pirama", que iguala a imagem do índio ao branco, Sousândrade empreende um projeto imenso e renovador de reescrita da épica brasileira romântica. Esta visa, por um lado, a recuperar o índio, não apenas no seu perfil amazônico, mas também como símbolo mítico das Américas, representado ora pela figura do inca dominado por Cortez, ora do guesa, menino a ser sacrificado em rituais muíscas, na Colômbia, com flechadas no coração: por outro lado, visa a compreender a história brasileira através da identificação subjetivista e romântica entre este índio da Amazónia e o destino do "poeta errante", nos moldes do Childe Harold, de Byron. Como os incas, ele também é um dos "inocentes filhos da Criação", um errante.

         A partir deste duplo traçado, O guesa, entre outras obras do autor, constitui-se num poema pós-colonial antiépico, que traça o destino do continente dominado em seus diversos momentos: seja na festa do Taturema, seja na grande débâcle que é o encontro do poeta com a sociedade norte-americana. No final do poema, no Canto XII, ocorre a decepção com os costumes libertários e licenciosos que, aparentemente, chocam o personagem-narrador, através das figuras ousadas, coquetes, aventurescas e cosmopolitas das Leilas, Minnies e Lalas nova-iorquinas, assim como com a República e a democracia nos anos da política capitalista do laissez-faire.

A história do guesa não se limita ao mito local do sacrifício entre os muíscas, uma vez que o personagem se transforma no Cristo-Prometeu dos Lamartines românticos — o que já deveria bastar para inseri-lo entre os grandes poetas brasileiros. O tom externo e descritivo de seu plano épico empregando como temática as noções de independência, República e democracia norte-americanas alia-se ao tom intimista da voz autobiográfica do bardo romântico. A épica toma-se antiépica quando o grande périplo do herói redunda numa viagem de conhecimento interior, e os topói da viagem deslocam-se da Grécia para o trajeto da sua fazenda, em Tucumã, na província do Maranhão, para a corte do Rio de Janeiro; do transcurso para além-mar, em Paris, Londres (1856-57), via África, depois Caribe e Nova York (1871-1886), até o Chile e América Latina (1886), sempre em busca da prometida liberdade republicana. Este ambicioso périplo topográfico tem o seu correlato simbólico na ascese política de um Brasil monarquista e pós-colonial, que deseja atingir a modernidade e o cosmopolitismo do país do Norte. O sonho da imprensa livre, do poder democrático e do capitalismo financista com base na Bolsa de Valores (ver "Inferno de Wall Street"), logo se desfaz como projeto utópico e ideológico do poeta confrontado com a realidade.

         O pharmakós ou bode expiatório — índio ou herói romântico, rebelde ou incompreendido — pode significar remédio ou veneno, este destilado após dois anos passados na Europa e quinze no exílio voluntário de Nova York. Permanece, no entanto, sua ambígua polissemia após o retorno do poeta a sua terra natal. Enquanto vendia pedras do muro de sua quinta da Vitória, herdada de antigos tempos de grandeza dos pais para as firmas de construção, já abandonado pela família, que se mudara para São Paulo, seguindo os novos ventos da modernização, mal se sustentando com algumas aulas de grego no liceu do governo, o poeta se transforma, como seu próprio personagem, em pharmakós, bode expiatório da carência de leitura e consequente falta de recepção. A partir de uma épica ao avesso e uma utopia política fracassada, que bem se retratam em sua vida e obra, talvez possamos perguntar àqueles críticos de Sousândrade que o leram: o problema estará na estética do texto, no domínio da técnica da versificação, na concepção original do poema e seu valor histórico, enfim, na sua qualidade intrínseca, ou na falta de sua leitura e ausência de público adequado, redundando tudo isso na repetição do cânone reverente ao já conhecido?









Página publicada em abril de 2018. EXTRAÍDO DA OBRA. POESIA SEMPRE - Ano 6 – Número 9  - Rio de Janeiro - Março 1998. Fundação BIBLIOTECA NACIONAL – Departamento Nacional do Livro -  Ministério da Cultura.  Editor Geral: Antonio Carlos Secchin.  Ex. bibl. Antonio Miranda







UM POUCO SOBRE SOUSÂNDRADE 


Joaquim Manuel de Sousa Andrade, mais conhecido por Sousândrade nasceu em Guimarães, 9 de julho de 1833 faleceu em São Luís, Maranhão, 21 de abril de 1902, foi um escritor e poeta brasileiro.

Formou-se em Letras pela Sorbonne, em Paris, onde fez também o curso de engenharia de minas.

Republicano convicto e militante, transferiu-se, em 1870, para os Estados Unidos.

Publicou seu primeiro livro de poesia, Harpas Selvagens, em 1857. Viajou por vários países até fixar-se nos Estados Unidos em 1871, onde publicou a obra poética O Guesa, em que utiliza recursos expressivos como a criação de neologismos e de metáforas vertiginosas, que só foram valorizados muito depois de sua morte, sucessivamente ampliada e corrigida nos anos seguintes. No período de 1871 a 1879 foi secretário e colaborador do periódico O Novo, dirigido por José Carlos Rodrigues, em Nova York (EUA).

De volta ao Maranhão, aderiu com entusiasmo à proclamação da República do Brasil em 1889. Em 1890 foi presidente da Intendência Municipal de São Luís. Realizou a reforma do ensino, fundou escolas mistas e idealizou a bandeira do Estado, garantindo que suas cores representassem todas as raças ou etnias que construíram sua história. Foi candidato a senador, em 1890, mas desistiu antes da eleição. No mesmo ano foi presidente da Comissão de preparação do projeto da Constituição Maranhense.

Morreu em São Luís, abandonado, na miséria e considerado louco. Sua obra foi esquecida durante décadas.

Resgatada no início da década de 1960 pelos poetas Augusto e Haroldo de Campos, revelou-se uma das obras mais originais e instigantes de todo o nosso Romantismo, precursora das vanguardas históricas.

Em 1877, escreveu: Ouvi dizer já por duas vezes que o Guesa Errante será lido 50 anos depois; entristeci - decepção de quem escreve 50 anos antes.








UM POUCO SOBRE LUIZA LOBO




Luiza Leite Bruno Lobo Possui graduação em Didática Inglesa pela Faculdade Santa Úrsula da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1968), graduação em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1970), mestrado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1976), doutorado em Literatura Comparada pela University of South Carolina (1978) e pós-doutorado pela New York University (1985) e pela Universidade Livre de Berlim (1995). Foi Pesquisadora do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Oxford em 2000, e da Universidade de Nantes, em 2001. Professora Titular do Departamento de Letras Portuguesa, Brasileira e Africanas da Universidade de Poitiers, por concurso, em 2009-2010. Membro da pós-graduação do Programa de Ciência da Literatura da UFRJ. Ministrou cursos de pós-graduação em diversas universidades brasileiras, de Salzburg, Berlim, Aarhus (Dinamarca) e Nantes e Poitiers (França), Berlim (1995). Foi professora titular de Letras na Faculdade da Cidade, de Literatura Brasileira nas Faculdades Integradas Simonsen e colaborou na pós-graduação do IFCS da UFRJ na disciplina História Social da Literatura. É pesquisadora do CERLA (Centre des Recherches Latino-Américaines) do MSHS da Universidade de Poitiers, participa de um projeto de épica com professores de Bochum (Alemanha) e de literatura feminista com a Universidade Autónoma de Barcelona. Em 2014, teve bolsa de Visiting Scholar da Fulbright na Universidade de Massachusetts. É editora de livros e periódicos, tradutora e escritora de ensaio e ficção. É editora do projeto on-line Literatura e Cultura, contendo a Revista Mulheres e Literatura (1-B Qualis) e Literatura e Cultura, com resenhas e textos de autores brasileiros em tradução.

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