domingo, 27 de setembro de 2020

BOOKTRAILER DO LIVRO "QUEM PROCURA ACHA" DE LUIZA SASSI.

(CLICAR NA IMAGEM PARA ASSISTIR AO FILME)


quinta-feira, 24 de setembro de 2020

HELENA PARENTE CUNHA HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL

(CLICAR NA IMAGEM PARA ASSISTIR AO VÍDEO)


OU CLICAR NO LINK DO CANAL YOU TUBE
DO FOCUS PORTAL CULTURAL






HELENA PARENTE CUNHA

 

 

Helena Gomes Parente Cunha nasceu em Salvador, no ano de 1930 é uma escritora brasileira. Formou-se em Letras pela Universidade Federal da Bahia em 1952. Dois anos depois, foi para Perúgia, para estudar língua, literatura e cultura italiana na Università Italiana Per Stranieri. Em 1956 começou a trabalhar como tradutora. Mudou-se em 1958 para o Rio de Janeiro, onde fez o mestrado na UFRJ. Prosseguiu a carreira acadêmica com o doutorado na UFSC e o pós-doutorado na UFRJ. Foi professora do curso de Letras da UFRJ até aposentar-se, em 1997. Sendo ainda hoje professora titular do Departamento de Pós-Graduação em Letras (Ciência da Literatura) da mesma universidade, atuando na linha de pesquisa “Literatura comparada e imaginários culturais". Seu primeiro livro, Corpo no Gozo, foi premiado no Concurso de Poesia da Secretaria de Educação e Cultura da Guanabara, em 1965.

 

 

OBRAS

 

POESIA

 

1968 - Corpo no Cerco

1980 - Maramar

2000 - Além de Estar

1995 - O Outro Lado do Dia: Poemas de uma Viagem ao Japão

2005 - Cantos e Cantares

 

CONTO

 

1980 - Os Provisórios

1985 - Cem Mentiras de Verdade

1996 - A Casa e as Casas

1998 - Vento, Ventania, Vendaval

Romance

1982 - Mulher no Espelho

1989 - As Doze Cores do Vermelho

2002 - Claras Manhãs de Barra Clara

 

INFANTIL

 

2003 - Marcelo e Seus Amigos Invisíveis

Obras publicadas no exterior

100 Mensonges pour de vrai, Editions Anacaona, collection Epoca, Paris, 2016.




Helena Parente Cunha e Alberto Araújo
no lançamento do livro "Poemas para a Amiga e outros dizeres" da escritora HELENA PARENTE CUNHA em homenagem à escritora Angélica Soares.


CLICAR NO LINK PARA ASSISTIR AO VÍDEO
DO LANÇAMENTO DO LIVRO
"POEMAS PARA A AMIGA E OUTROS DIZERES
DE HELENA PARENTE CUNHA





A FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN - LISBOA PORTUGAL DISPONIBILIZA ONLINE TEXTOS CLÁSSICOS E CENTENAS DE EDIÇÕES.

 


Uma parte importante do acervo editorial da Fundação Gulbenkian, composto por obras fundamentais para a cultura portuguesa, para o ensino universitário e para o conhecimento em geral, começou a ser disponibilizada online.

 

Cinquenta e dois títulos da Coleção de Textos Clássicos encontram-se já acessíveis ao público, estando as restantes Coleções – Cultura Portuguesa e Manuais Universitários – em processo de seleção e tratamento digital para futura reedição neste suporte. Além das obras destas coleções, que serão colocadas à disposição dos leitores de um modo faseado até ao final do próximo ano, a Fundação Gulbenkian irá privilegiar também a via digital, com acesso gratuito e universal, a outros conteúdos produzidos, como ensaios, atas de colóquios, relatórios e outros textos relativos aos seus programas e projetos. Algumas das mais significativas edições da Delegação da Fundação Gulbenkian em Paris virão também a ter livre acesso.

 

Esta decisão resulta de uma nova política da Fundação que tem como linha orientadora tornar acessível, a todo o público, clássicos da cultura mundial e também obras marcantes da cultura portuguesa. A partir de agora, as edições de novos títulos e as reedições de antigos títulos serão, assim, primordialmente efetuadas em formato digital, com acesso gratuito e universal, desde que tal seja viável pela salvaguarda dos direitos de autor.

 

Isabel Mota, presidente da Fundação, sublinha que a esta nova orientação “resulta de um compromisso com a sociedade e persegue o mesmo propósito de sempre: tornar a leitura acessível a todos. Foi assim com as Bibliotecas Itinerantes, as emblemáticas carrinhas que levaram a leitura por todo o país, de forma gratuita, e será agora também com as suas edições de clássicos, publicadas pela Fundação a preços acessíveis”.

 

No âmbito desta política, o Plano de Edições da Fundação vai privilegiar textos fundamentais da cultura portuguesa que, pelo seu custo, o mercado não se dispõe a editar, e também a tradução e edição em língua portuguesa de clássicos estrangeiros, que constituem marcos fundamentais da cultura universal. Irá também dar continuidade à edição de obras completas ou antologias já iniciadas, como as de Pedro Nunes, Fernão Oliveira, Eduardo Lourenço, Borges de Macedo, Miriam Halpern Pereira e Luís Filipe Tomás. Nestes casos, serão mantidas as edições em papel, tal como nos casos dos Catálogos de Arte e da Revista Colóquio-Letras.

 

Entre os livros da Coleção de Textos Clássicos já acessíveis contam-se A República, Teeteto e O Sofista de Platão, Cartas a Lucílio de Séneca,  História da guerra do Peloponeso de Tucídides, Medeia de Eurípedes, A douta ignorância de Nicolau de Cusa, Crítica da Razão Pura e Metafísica dos costumes de Immanuel Kant, Acerca do infinito, do universo e dos mundos de Giordano Bruno, A Cidade Virtuosa de Alfarabi, Utopia de Thomas More, A Cidade de Deus de Santo Agostinho, Da arte edificatória de Leon Battista Alberti, Sidereus Nuncius: o mensageiro das estrelas de Galileu, Poética: textos teóricos de Edgar Allan Poe, Introdução à filosofia matemática de Bertrand Russell ou Princípios da política econômica de Walter Eucken.

 










 

 

INFORMAÇÕES

Av. de Berna, 45A, 1067-001 Lisboa - Portugal

(+351) 21 7823000.

 

FONTE

https://gulbenkian.pt/noticias/gulbenkian-disponibiliza-online-textos-classicos-e-centenas-de-edicoes/?utm_source=Informa%C3%A7%C3%A3o+Gulbenkian&utm_campaign=03a03c2f93-Enews_Gulbenkian_20200924&utm_medium=email&utm_term=0_e941074765-03a03c2f93-220950441

terça-feira, 22 de setembro de 2020

NOS CAMINHOS DA POESIA - ENCONTRO VIRTUAL DA ASPI-UFF COM LÚCIA ROMEU E PAULO ROBERTO CECCHETTI



ASPI - UFF apresenta "Os Caminhos da Poesia", Encontro Virtual Através do Facebook da ASPI-UFF com os Escritores Paulo Roberto Cecchetti e Lúcia Romeu em 22 de setembro de 2020.

Clicar no link: https://youtu.be/Ek63xnQ_MTU





segunda-feira, 21 de setembro de 2020

"QUEM PROCURA ACHA!!!" LIVRO INFANTIL DA EDUCADORA E PSICÓLOGA LUIZA SASSI E ILUSTRAÇÕES DO DESIGNER GRÁFICO WILL MARTINS. UM EXCELENTE PRESENTE NATALINO!


 


PALAVRAS DA AUTORA

 

Este livro nasce nessa onda de pensarmos juntos como podemos controlar o lixo que produzimos. Inspirada no que aprendo com meus filhos, comecei a ouvir em casa uma campanha de como poderíamos melhorar nossos hábitos. Tipo assim... “Mãe, que tal a gente não pegar mais bolsas plásticas no mercado? Mãe, que tal levarmos nosso copo plástico para o trabalho?” E essas ideias foram me fazendo relembrar a minha infância. Minha avó guardava tudo! Reutilizava, reciclava e tinha, naturalmente, uma consciência sustentável. Certamente, por não ter sido massacrada pela sociedade de consumo. Esta história é para inspirar adultos e crianças a pensar em formas diferentes de ser. Afinal, quem é educador tem o vício de procurar soluções para construir um mundo melhor. Escolhi a educação porque penso que no fundo, no fundo, sempre acreditei na Vó Aracy: “QUEM PROCURA ACHA!!!

 









QUEM PROCURA ACHA!! LIVRO INFANTIL DA EDUCADORA E PSICÓLOGA LUIZA SASSI E ILUSTRAÇÕES DO DESIGNER GRÁFICO WILL MARTINS. UM EXCELENTE PRESENTE NATALINO!

















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MAM SÃO PAULO PROMOVE X EDIÇÃO DA SEMANA CULTURAL SINAIS NA ARTE.

 




Voltado à cultura surda, projeto traz oficinas, encontros virtuais e outras ações na língua brasileira de sinais.

 

O Museu de Arte Moderna de São Paulo realiza a X Semana Cultural Sinais na Arte, iniciativa que promove as culturas surdas por meio de diversas ações na língua brasileira de sinais - libras. Em formato totalmente online, o MAM apresenta a seguinte programação:

 

 

22 de setembro de 2020(terça-feira)

16h - Oficina de criação de brinquedos com Isadora Borges

 

Neste encontro virtual, a educadora Isadora Borges propõe a criação de brinquedos feitos com papelão a partir de histórias em Libras. Com tradução simultânea para o português.

 

Atividade gratuita, vagas limitadas

Encontro por videochamada no Zoom (link enviado aos participantes no dia da atividade)

Participação: + 4 anos

Inscrições:

http://www.eventbrite.com.br/e/oficina-de-criacao-de-brinquedos-com-isadora-borges-tickets-121725302657

 

Isadora Borges é formada Comunicação das Artes do Corpo com habilitação em dança da PUC-SP, educadora surda e narradora do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB/SP) e já foi educadora de outras instituições como Itaú Cultural e MAM, foi instrutora de Libras na Fundação de Rotarianos de São Paulo.

 

 

23 de setembro de 2020 (quarta-feira)

16h - Oficina de criação com expressões faciais com o palhaço surdo Igor Rocha

 

Igor Rocha, o palhaço Surddy, compartilha nesta oficina online exercícios de criação de expressões a partir de técnicas de clown.

 

Atividade gratuita, vagas limitadas

Encontro por videochamada no Zoom (link enviado aos participantes no dia da atividade)

Participação: + 4 anos

Inscrições:

http://www.eventbrite.com.br/e/oficina-de-criacao-com-expressoes-faciais-com-o-palhaco-surdo-igor-rocha-tickets-121726209369

 

Igor Rocha é o palhaço Surddy, ator e professor de Libras (Língua Brasileira de Sinais). É especialista em Educação de Surdos, licenciado em Letras-Libras, milita com a comunidade surda no campo da cultura da arte e da educação. Além de artista surdo, é consultor de Libras em espetáculos cênicos e filmes pela VouVer Acessibilidade e apoia a campanha Legenda para Quem Não Ouve, Mas Se Emociona. Foi contemplado pelo programa Rumos Itaú Cultural 2018-2019.

 

 

24 de setembro de 2020 (quinta-feira)

20h - Ancestralidade e a língua de sinais com a Dra Shirley Vilhalva e Priscilla Leonnor

 

Atividade gratuita

Transmissão ao vivo no Youtube

Participação: livre

Encontro virtual sobre Ancestralidade e a língua de sinais com transmissão ao vivo no Youtube do MAM

http://www.youtube.com/user/MAMoficial

 

Shirley Vilhalva Pedagoga, Mestre em Linguística - UFSC e Doutoranda em Linguística Aplicada UNICAMP/UFMS. Escritora Surda. Professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS. Atuante na comunidade surda, foi professora e diretora de Escola Estadual de Surdos - CEADA e professora no CAS/MS.

 

Priscilla Leonnor Mestrado do Programa de Pós Graduação em Ensino na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Pós Graduada (Latu Sensu) em Libras, pela Faculdade Dom Pedro II (2013). Graduação em Letras Libras pela Universidade Federal de Santa Catarina, Licenciada em Pedagogia pela Faculdade Evangélica de Salvador (FACESA). Concentro estudos e pesquisas nas áreas da Língua Brasileira de Sinais: Estudos de ensino e estudos de educação de negros surdos, Estudos Culturais Políticos e Estudos de Artes Visuais foco relações étnico raciais, comunidade surda, movimentos, liderança e Empoderamento de negros surdos, mulheres surdas e Libras.

 

 

25 de setembro de 2020 (sexta-feira)

17h - Live em Libras no Instagram com Leonardo Castilho

 

Para encerrar a 10ª Semana Sinais na Arte, o educador surdo Leonardo Castilho convida o público a uma conversa ao vivo sobre cultura surda no Instagram do MAM (@ mamoficial ).

 

Atividade gratuita

Transmissão ao vivo no Instagram

Participação: livre

 

 

Sobre o MAM São Paulo

 

Fundado em 1948, o Museu de Arte Moderna de São Paulo é uma sociedade civil de interesse público, sem fins lucrativos. Sua coleção conta com mais de 5 mil obras produzidas pelos mais representativos nomes da arte moderna e contemporânea, principalmente brasileira. Tanto o acervo quanto as exposições abrem-se para a pluralidade da produção artística mundial e a diversidade de interesses das sociedades contemporâneas.

 

O Museu mantém uma ampla grade de atividades que inclui cursos, seminários, palestras, performances, espetáculos musicais, sessões de vídeo e práticas artísticas. O conteúdo das exposições e das atividades é acessível a todos os públicos por meio de visitas mediadas em libras, audiodescrição das obras e videoguias em Libras. O acervo de livros, periódicos, documentos e material audiovisual é formado por 65 mil títulos. O intercâmbio com bibliotecas de museus de vários países mantém o acervo vivo.

 

Localizado no Parque Ibirapuera, a mais importante área verde de São Paulo, o edifício do MAM foi adaptado por Lina Bo Bardi e conta, além das salas de exposição, com ateliê, biblioteca, auditório, restaurante e uma loja onde os visitantes encontram produtos de design, livros de arte e uma linha de objetos com a marca MAM. Os espaços do Museu se integram visualmente ao Jardim de Esculturas, projetado por Roberto Burle Marx para abrigar obras da coleção. Todas as dependências são acessíveis a visitantes com necessidades especiais.

 

http://www.mam.org.br/MAMoficial

http://www.instagram.com/MAMoficial

http://www.twitter.com/MAMoficial

http://www.facebook.com/MAMoficial

http://www.youtube.com/MAMoficial

 

Informações para a imprensa

a4&holofote comunicação

(11) 3897-4122

Ane Tavares - anetavares@a4eholofote.com.br

Laura Jabur - laurajabur@a4eholofote.com.br

Neila Carvalho - neilacarvalho@a4eholofote.com.br

 

 

 

COLETÂNEA LITERÁRIA INTERNACIONAL LUSÓFONA EM VERSO E PROSA SEM FRONTEIRAS PELO MUNDO... VOL. 6 EM COMEMORAÇÃO AO ANIVERSÁRIO DE 8 ANOS DA REDE SEM FRONTEIRAS





Caros Escritores, Saudações literárias!

 

Este ano, devido à pandemia, abrimos as inscrições consideravelmente atrasados para iniciar o processo de recolhimento do material dos coautores participantes da edição de 2021 de nossa coleção. Por isso, teremos apenas algumas semanas de inscrição, e não alguns meses, como tradicionalmente fazemos.

 

Por isso, estamos disponibilizando, em anexo, o tradicional regulamento (com as regras de sempre) e a ficha de inscrição do Volume 6 de nossa Coletânea Literária “Sem Fronteiras pelo Mundo...”, que terá seu lançamento oficial em Portugal, na Feira do Livro de Lisboa 2021 e, posteriormente, no Brasil.

 

Mantivemos o valor do investimento da última edição: R$660,00, parcelados em até 6 X de R$110,00 (cota de três páginas). Contudo, aqueles que pagarem à vista, até dia 10 de outubro, poderão receber 10% de desconto, pagando R$600,00.

 

Lembrando que nosso projeto não é apenas de uma coletânea, onde as produções rodam o mundo, mas, também, um importante Concurso Literário com Premiação.  Então, caprichem em suas produções!

 

O tema, como sempre, é “Viagens” reais ou imaginárias e, também, no sentido figurado. Portanto, praticamente, um tema livre. A produção não precisa ser inédita. Pode ser em prosa ou verso.

 



Sr. Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, leitor voraz. Magnífico Reitor Honorário da Universidade de Lisboa, Dr. Antônio Sampaio da Nóvoa.  Diplomata da Embaixada do Brasil, o Sr. Primeiro-Secretário Igor Trabuco, Chefe do Setor Cultural da embaixada. Durante a 90ª Feira do Livro de Lisboa, a obra deste ano foi entregue ao Ilmo. Presidente da República de Portugal, Sr. Marcelo Rebelo de Sousa (esquerda);  ao Magnífico Reitor Honorário da Universidade de Lisboa, Dr. António Sampaio da Nóvoa (centro); e ao Diplomata da Embaixada do Brasil, o Sr. Primeiro-Secretário Igor Trabuco, Chefe do Setor Cultural (direita).

 

Esperamos continuar a contar com a participação de talentosos autores e dos parceiros da Rede Sem Fronteiras, pois o talento de cada um é responsável direto pelo sucesso deste projeto bem-sucedido, que consta, oficialmente, em mais de 100 acervos literários públicos, cadastrados em mais de 20 países pelo mundo.

 

Foi dada a largada. Nossa assessora Sofia Porto aguarda as inscrições, que se encerrarão tão logo alcancemos a nossa meta anual.

 

Um abraço fraterno e sucesso!

Dyandreia Portugal

 




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sexta-feira, 18 de setembro de 2020

LIVE COM AS DOUTORAS MARCIA PESSANHA E MATILDE CONTI - ASPI UFF.

DESTAQUE DO FOCUS PORTAL CULTURAL TEXTO "REMINISCÊNCIAS" DA POETISA E ESCRITORA NEIDE BARRO RÊGO

 





DESTAQUE DO FOCUS PORTAL CULTURAL TEXTO "REMINISCÊNCIAS" DA POETISA E ESCRITORA NEIDE BARRO RÊGO, PUBLICADO NO SITE http://www.nitcult.com.br/neide2.htm

 

 

 

REMINISCÊNCIAS...

 

 

Visitando os escaninhos da minha memória, encontro retalhos da infância, alguns ligados aos meus pais.

 

 Orgulho-me de haver nascido na pequena São Tomás de Aquino, Minas Gerais, onde permaneci até a idade de doze anos.

 

 Em cidades do interior, é comum as pessoas falarem errado. Papai nos advertia sempre para que pronunciássemos corretamente as palavras e nos corrigia quando não obedecíamos à concordância. Tínhamos que falar os vocábulos inteiros, com “s” e “r” finais. Nada de “ocê”, “nós vai”, “nós vem”, “nós foi”.

 

 Ele preparava alunos para exames de admissão ao curso ginasial das cidades vizinhas, aonde meus irmãos mais velhos iam estudar. No Grupo Escolar Olegário Maciel, o ensino só ia até a quarta série. Estudávamos a geografia do mundo pelo mapa. Sabíamos os nomes dos países, capitais, rios, mares, montanhas, vulcões. Conhecíamos o Brasil de norte a sul, tudo na base da “decoreba”, inclusive as datas da História e a tabuada, que papai adorava nos “tomar”.

 

 Tirávamos sempre as maiores notas. Quando terminamos o primário, Nilde, minha irmã gêmea, foi escolhida para ser a oradora. A festa realizou-se no único clube da cidade. Ainda recordo o começo do discurso (escrito por Dona Amelinha, a nossa professora). Iniciava-se assim:

 

  “Guindada à altura desta solenidade, eu me sinto no momento confundida, e ao mesmo tempo orgulhosa, por poder dirigir-vos a minha palavra de respeito, gratidão e homenagem.”

 

 Imaginem: uma menina de dez anos dizendo com ênfase essas palavras!

 

 Nosso pai fora seminarista, o que lhe proporcionou muitos conhecimentos. Ele falava bem e, aos setenta e nove anos, idade com que faleceu, ainda tinha boa memória e conservava o sotaque cearense. Declamava “A Lágrima” e “O Melro”, ambos de Guerra Junqueiro, além de outros poemas extensos.

 

 Ele chegara àquela cidade como instrutor de Tiro de Guerra. Conheceu a bela primogênita da família Martini, minha mãe, que também possuía um bom vocabulário, adquirido através da leitura de romances. Casaram-se em 1929. Interessante é lembrar que as cunhadas não o tratavam por você, mas por  “senhor”.

 

 Na década de cinqüenta, mudamo-nos para Niterói. Aqui, anos depois, comemoramos com uma linda festa suas bodas de ouro. Ele, numa cadeira de rodas, mas muito feliz.

 

 Quando moço, fora acometido de doença grave, crônica, adquirida em treinamentos militares. Nas crises, sofria dores terríveis. Não posso esquecer a nossa aflição ao ouvirmos seus gemidos e gritos, principalmente à noite.

 

 Para aliviar as dores, que ele chamava de “pontadas”, submeteu-se a um tratamento que consistia em colocar, no lado externo da perna, charutos de pano que ele mesmo acendia, os quais iam queimando aos poucos, resultando em feridas que purgavam durante algum tempo.

 

 Mamãe sempre ao seu lado, sem reclamar. Dizíamos que ela — tão calma, humilde e dedicada à família — era “a mãe da paciência”.

 

 Quando estava bem,  papai, sempre assobiando e cantando “Sertaneja”, “Chuá, Chuá” e “Luar do Sertão” , cuidava da horta com seus canteiros verdinhos de alface, couve e outras verduras, além do milho e da mandioca.

 

 Conhecido por “Tenente”, era considerado uma das personalidades mais cultas da cidade. Das pessoas simples ao juiz e ao prefeito, todos gostavam de conversar com ele, que quase não saía de casa.

 

 Reformado pelo Exército e com nove filhos (Nildo, Nídio, Nêdra, Nilce, Nilde, Neide, Nilo, Nara e Naida), vivíamos com dificuldades. Ajudávamos mamãe nos afazeres domésticos e ela costurava para a família. Papai fazia para nós alpercatas de couro com sola de pneu — o que me faz pensar hoje que elas foram as precursoras das sandálias “havaianas”; tomava muito café e preparava seus cigarros de palha com fumo de rolo.

 

 Minhas primeiras palavras em francês, aprendi-as com ele: “Dieu dans la nature” (Deus na natureza). Era o nome de um livro, de Camille Flammarion. Do papai veio a nossa orientação religiosa. Fundador do Centro Espírita Otília Amaral, foi, durante anos, seu presidente. Lembro-me de algumas frases escritas nas paredes, emolduradas com desenhos de pergaminhos: “Fora da Caridade não há salvação”, “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”.

 

 Nunca apanhamos de nossos pais, nem brigávamos entre nós. Não me lembro de beijos e abraços, mas havia respeito, disciplina, educação. Não nos faltou também a formação moral e cívica.

 

 Por ser papai doente, e mamãe não trabalhar fora, nos habituamos a sabê-los sempre em casa. Francisco das Chagas Barros e Wanda Páschoa Martini de Barros foram nossos mestres, nossos incentivadores, nossos conselheiros, nosso porto seguro.

 

 Eles marcaram a nossa infância e fazem parte das minhas reminiscências e da minha saudade.

 

Neide Barros Rêgo

 

 



sábado, 12 de setembro de 2020

CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS, LANÇAMENTO DE LIVRO, OFICINAS E LIVE DO TATU CANTA CÁ FAZEM PARTE DA PROGRAMAÇÃO VIRTUAL DA BIBLIOTECA PARQUE DE NITERÓI, NA SEGUNDA QUINZENA DE SETEMBRO DE 2020.

 




Oficina de colecionismo de quadrinhos, criança contadora de histórias, lançamento do ABC Coral Vivo, além de live do show oficina do Tatu Canta Cá, estão entre as programações on-line da segunda quinzena de setembro da Biblioteca Parque de Niterói.

 

Para assistir, basta acessar o facebook e instagram @bibliotecaniteroi.

 

PROGRAMAÇÃO:

 

- Criança Contadora de História

 

18/09/20 - sexta-feira, às 15h

 

Nada mais encantador do que uma história contada por uma criança. O mundo é sempre melhor pelos olhos dos pequenos. Um olhar cheio de pureza e esperança.

 


- Lançamento do ABC Coral Vivo

 

19/09/20 - sábado, às 11h

 

Um bom ABECEDÁRIO contribui para estimular e fixar o processo de alfabetização e funciona como um objeto lúdico, pois guarda a senha do pensamento abstrato em sua fórmula aparentemente simples. Concebido para encantar os leitores iniciantes, este livro traz palavras relacionadas aos ambientes recifais brasileiros. Seu objetivo é aguçar a curiosidade e o interesse por esses tesouros submersos. Grande parte dos seres marinhos vive nos recifes de coral, que fornecem abrigo e alimentação para diversos organismos. Algumas palavras aqui apresentadas já fazem parte do cotidiano de muitas pessoas, outras enriquecerão seu vocabulário. Várias são de leitura fácil, outras tantas oferecem mais complexidade. Muitas das espécies retratadas só ocorrem no Brasil, e algumas estão ameaçadas de extinção. Os nomes populares dados aos seres do mar variam de região para região, por isso, propositalmente, foram escolhidos nomes usados em diferentes localidades. Que um número cada vez maior de pessoas possa conhecer nossos ambientes coralíneos, e que a maresia invada as cabeças dos brasileiros que estão começando a ler, para que o amor por toda essa riqueza se fixe para sempre em seus corações!



 

 

 

- Conecta Oficina - o colecionismo de quadrinhos e afins na era digital com Luis Mello - Produtor da NitComics

 

24/09 - quinta-feira, às 15h

 

 

 

Sobre o colecionismo de quadrinhos e afins na era digital

 

 

 

- Live Tatu Canta Cá

 

26/09 - sábado, às 11h

 

No repertório, clássicos do cancioneiro popular infantil. As atividades interativas e muito divertidas envolvem as crianças em movimentos corporais, cantoria e brincadeira.

 

 

 

- Conecta Oficina - Chiara Gerbaudo • Instituto Italiano de Cultura

 

30/09 – quarta-feira, às 15h

 

Chiara Gerbaudo • Instituto Italiano de Cultura A leitura é uma porta para reflexões e descobertas. Ler Goliarda é 'um alimento' para a evolução. Goliarda Sapienza, nascida na Sicilia, em 1924, atriz, poetisa, escritora de prosa e textos teatrais. Mulher de sensibilidade aguda que se permitiu penetrar profundamente no mistério da vida. Falaram assim dela: 'Goliarda não existe. Ela é a existência.' Através de uma escritura política e intimista ao mesmo tempo, ela desvenda a extrema problematicidade da existência humana, mas também apresenta a perspectiva de uma vida melhor, se tiver a coragem de conhecer cada parte de si, sem excluir sofrimentos, ambiguidades, mentiras, contradições, medos, desejos e delitos simbólicos e reais. Antes de ser escritora, a vida de Goliarda foi intensa. Frequentou ambientes da sociedade artística exclusivos da Roma dos anos 50 de Moravia, de Elsa Morante.Trabalhou como atriz com vários diretores italianos, entre os quais Luchino Visconti, de fato sendo parte ativa do neo-realismo italiano, essência da participação civil,política e moral daquele tempo.

 

 

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FONTE

Departamento de Imprensa SMC/FAN

Secretaria Municipal de Cultura - Niterói

Fundação de Arte de Niterói - FAN

 

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

JANE DUBOC #EMCASACOMSESC




 

JANE DUBOC #EMCASACOMSESC

 

considerada uma das vozes mais versáteis da nossa música e eleita pela revista Rolling Stones Brasil uma das “100 Maiores Vozes da Música Brasileira” (2012), Jane Duboc traz para o palco virtual do #EmCasaComSesc sucessos de sua trajetória artística.

 

Em voz e violão, a cantora apresenta canções como “Besame” (Flávio Venturini e Murilo Antunes), “Chama da Paixão” (Thomas Roth e Cido Bianchi), “Manuel, o Audaz” (Toninho Horta e Fernando Brant - 1946 - 2015), entre outras. A artista ainda canta, do seu mais recente show, tributo ao maestro Burt Bacharach em parceria com o compositor Hal David (1921 - 2012), canções como “Walk on By”, “Raindrops Keep Falling on My Head” e “I Say a Little Prayer”.

 

Cantora, compositora e instrumentista Jane Duboc nasceu em Belém (PA) e canta desde criança. Aos 13 anos já fazia apresentações filantrópicas no colégio onde estudou, na televisão e em festivais na cidade. A artista, também atleta, foi, aos 17 anos, morar nos EUA por conta de uma bolsa de estudos para esportistas que ganhou. Morou lá por seis anos. Nesse período, estudou música, atuou como instrumentista, foi professora de High School (equivalente ao Ensino Médio no Brasil) e ainda cantou em bares músicas de blues e rock.

 

Lançou mais de 20 discos e, em sua discografia, Jane já fez gravações de clássicos da MPB, jazz, rock progressivo, música folclórica, canções infantis e sucessos românticos. Entre os prêmios que ganhou, destacam-se: Melhor Intérprete Feminina - Festival da Nova Música Popular Brasileira (1980), Melhor Cantora Canção Popular do Prêmio Sharp (1991) e Disco Língua Estrangeira no 21º Prêmio da Música Brasileira (2010).

 

Acompanhe a agenda completa de nossas programações ao vivo nos canais Sesc São Paulo: www.instagram.com/sescaovivo | www.youtube.com/sescsp

 

Conheça o programa Mesa Brasil do Sesc: https://mesabrasil.sescsp.org.br

 

#SescAoVivo #SescSP #Sesc #JaneDuboc #BurtBacharach #Música #MPB #MúsicaRomântica #MúsicaEstrangeira #MesaBrasil #Quarentena #Cultura #Live #ProgramaçãoSescSP


quinta-feira, 10 de setembro de 2020

90 ANOS DO ACADÊMICO FERREIRA GULLAR SÃO COMEMORADOS EM PODCAST ESPECIAL DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS.






 

A Academia Brasileira de Letras apresenta, através de seu canal de podcast, a série Efemérides Acadêmicas, uma homenagem especial aos noventa anos do nascimento do Acadêmico Ferreira Gullar (1930-2016), eleito em outubro de 2014. O episódio, que irá ao ar no dia 15 de setembro de 2020, a partir das 16h, conta com a participação dos Acadêmicos Arno Wehling, Antonio Carlos Secchin e Antonio Cícero.

 

Este quinto episódio dá continuidade à série de podcasts em comemoração de aniversários “redondos” de Acadêmicos e celebrará seus feitos e marcos ao longo de suas trajetórias dentro da Casa de Machado de Assis. A emissão está disponível no site da Academia, assim como nas plataformas Apple Podcast, Spotify, Deezer e Castbox.

 

 

 

UM POUCO SOBRE FERREIRA GULLAR

 

 

 

Sétimo ocupante da cadeira nº 37, eleito em 9 de outubro de 2014, na sucessão de Ivan Junqueira, e recebido em 5 de dezembro de 2014, pelo Acadêmico Antonio Carlos Secchin.

 

Ferreira Gullar, cujo nome verdadeiro era José de Ribamar Ferreira, nasceu em São Luís do Maranhão, MA, em 10 de setembro de 1930, numa família de classe média pobre e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 4 de dezembro de 2016. Dividiu os anos da infância entre a escola e a vida de rua, jogando bola e pescando no Rio Bacanga. Considerava ter vivido numa espécie de paraíso tropical e, quando chegou à adolescência, ficou chocado em ter que tornar-se adulto, e tornou-se poeta.

 

No começo acreditava que todos os poetas já haviam morrido e somente depois descobriu que havia muitos deles em sua própria cidade, a algumas quadras de sua casa. Passou então, já com seus dezoito anos, a frequentar os bares da Praça João Lisboa e o Grêmio Lítero Recreativo, onde, aos domingos, havia leitura de poemas.

 

Descobriu a poesia moderna apenas aos dezenove anos, ao ler os poemas de Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira. Ficou escandalizado com esse tipo de poesia e tratou de informar-se, lendo ensaios sobre a nova poesia. Pouco depois, aderiu a ela e adotou uma atitude totalmente oposta à que tinha anteriormente, tornando-se um poeta experimental radical, que tinha como lema uma frase de Gauguin: “Quando eu aprender a pintar com a mão direita, passarei a pintar com a esquerda, e quando aprender a pintar com a esquerda, passarei a pintar com os pés”.

 

Ou seja, nada de fórmulas: o poema teria que ser inventado a cada momento. “Eu queria que a própria linguagem fosse inventada a cada poema”, diria ele mais tarde. E assim nasceu o livro que o lançaria no cenário literário do país em 1954: A luta corporal. Os últimos poemas deste livro resultam de uma implosão da linguagem poética, e provocariam o surgimento na literatura brasileira da poesia concreta, de que Gullar foi um dos participantes e, em seguida dissidente, passando a integrar um grupo de artistas plásticos e poetas do Rio de Janeiro: o grupo neoconcreto.

 

O movimento neoconcreto surgiu em 1959, com um manifesto escrito por Gullar, seguido da Teoria do não-objeto, estes dois textos fazem hoje parte da história da arte brasileira, pelo que trouxeram de original e revolucionário. São expressões da arte neoconcreta as obras de Lygia Clark e Hélio Oiticica, hoje nomes mundialmente conhecidos.

 

Gullar, por sua vez, levou suas experiências poéticas ao limite da expressão, criando o livro-poema e, depois, o poema espacial, e, finalmente, o poema enterrado. Este consiste em uma sala no subsolo a que se tem acesso por uma escada; após penetrar no poema, deparamo-nos com um cubo vermelho; ao levantarmos este cubo, encontramos outro, verde, e sob este ainda outro, branco, que tem escrito numa das faces a palavra “rejuvenesça”.

 

O poema enterrado foi a última obra neoconcreta de Gullar, que se afastou então do grupo e integrou-se na luta política revolucionária. Entre 1962 e 1966 publicou três poemas em estilo de cordel, numa tentativa de alcançar de forma mais direta o leitor popular. Entrou para o Partido Comunista e passou a escrever poemas sobre política e participar da luta contra a ditadura militar que se havia implantado no país, em 1964. Foi processado e preso na Vila Militar. Mais tarde, teve que abandonar a vida legal, passar à clandestinidade e, depois, ao exílio. Deixou clandestinamente o país e foi para Moscou, depois para Santiago do Chile, Lima e Buenos Aires. Em 1976 escreveu o importante ensaio “Augusto dos Anjos ou morte e vida nordestina”, sobre o grande poeta paraibano.

 

Voltou para o Brasil em 1977, quando foi preso e torturado. Libertado por pressão internacional, voltou a trabalhar na imprensa do Rio de Janeiro e, depois, como roteirista de televisão.

 

Durante o exílio em Buenos Aires, Gullar escreveu Poema sujo – um longo poema de quase cem páginas – que é considerado a sua obra-prima. Este poema causou enorme impacto ao ser editado no Brasil e foi um dos fatores que determinaram a volta do poeta a seu país. Poema sujo foi traduzido e publicado em várias línguas e países.

 

De volta ao Brasil, Gullar publicou, em 1980, Na vertigem do dia e Toda poesia, livro que reuniu toda sua produção poética até então. Voltou a escrever sobre arte na imprensa do Rio e São Paulo, publicando, nesse campo, dois livros, Etapas da arte contemporânea (1985) e Argumentação contra a morte da arte (1993), onde discute a crise da arte contemporânea.

 

Outro campo de atuação de Ferreira Gullar é o teatro. Após o golpe militar, ele e um grupo de jovens dramaturgos e atores fundou o Teatro Opinião, que teve importante papel na resistência democrática ao regime autoritário. Nesse período, escreveu, com Oduvaldo Viana Filho, as peças Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come e A saída? Onde fica a saída? De volta do exílio, escreveu a peça Um rubi no umbigo, montada pelo Teatro Casa Grande em 1978.

 

Mas Gullar afirmava que a poesia era a sua atividade fundamental. Em 1987, publicou Barulhos e, em 1999, Muitas vozes, que recebeu os principais prêmios de literatura daquele ano. Em 2002, foi indicado para o Prêmio Nobel de Literatura.

 

 

 

 

 

 

A Academia Brasileira de Letras apresenta, através de seu canal de podcast, a série Efemérides Acadêmicas, uma homenagem especial aos noventa anos do nascimento do Acadêmico Ferreira Gullar (1930-2016), eleito em outubro de 2014. O episódio, que irá ao ar no dia 15 de setembro de 2020, a partir das 16h, conta com a participação dos Acadêmicos Arno Wehling, Antonio Carlos Secchin e Antonio Cícero.

 

Este quinto episódio dá continuidade à série de podcasts em comemoração de aniversários “redondos” de Acadêmicos e celebrará seus feitos e marcos ao longo de suas trajetórias dentro da Casa de Machado de Assis. A emissão está disponível no site da Academia, assim como nas plataformas Apple Podcast, Spotify, Deezer e Castbox.

 

 

 

UM POUCO SOBRE FERREIRA GULLAR

 

 

 

Sétimo ocupante da cadeira nº 37, eleito em 9 de outubro de 2014, na sucessão de Ivan Junqueira, e recebido em 5 de dezembro de 2014, pelo Acadêmico Antonio Carlos Secchin.

 

Ferreira Gullar, cujo nome verdadeiro era José de Ribamar Ferreira, nasceu em São Luís do Maranhão, MA, em 10 de setembro de 1930, numa família de classe média pobre e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 4 de dezembro de 2016. Dividiu os anos da infância entre a escola e a vida de rua, jogando bola e pescando no Rio Bacanga. Considerava ter vivido numa espécie de paraíso tropical e, quando chegou à adolescência, ficou chocado em ter que tornar-se adulto, e tornou-se poeta.

 

No começo acreditava que todos os poetas já haviam morrido e somente depois descobriu que havia muitos deles em sua própria cidade, a algumas quadras de sua casa. Passou então, já com seus dezoito anos, a frequentar os bares da Praça João Lisboa e o Grêmio Lítero Recreativo, onde, aos domingos, havia leitura de poemas.

 

Descobriu a poesia moderna apenas aos dezenove anos, ao ler os poemas de Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira. Ficou escandalizado com esse tipo de poesia e tratou de informar-se, lendo ensaios sobre a nova poesia. Pouco depois, aderiu a ela e adotou uma atitude totalmente oposta à que tinha anteriormente, tornando-se um poeta experimental radical, que tinha como lema uma frase de Gauguin: “Quando eu aprender a pintar com a mão direita, passarei a pintar com a esquerda, e quando aprender a pintar com a esquerda, passarei a pintar com os pés”.

 

Ou seja, nada de fórmulas: o poema teria que ser inventado a cada momento. “Eu queria que a própria linguagem fosse inventada a cada poema”, diria ele mais tarde. E assim nasceu o livro que o lançaria no cenário literário do país em 1954: A luta corporal. Os últimos poemas deste livro resultam de uma implosão da linguagem poética, e provocariam o surgimento na literatura brasileira da poesia concreta, de que Gullar foi um dos participantes e, em seguida dissidente, passando a integrar um grupo de artistas plásticos e poetas do Rio de Janeiro: o grupo neoconcreto.

 

O movimento neoconcreto surgiu em 1959, com um manifesto escrito por Gullar, seguido da Teoria do não-objeto, estes dois textos fazem hoje parte da história da arte brasileira, pelo que trouxeram de original e revolucionário. São expressões da arte neoconcreta as obras de Lygia Clark e Hélio Oiticica, hoje nomes mundialmente conhecidos.

 

Gullar, por sua vez, levou suas experiências poéticas ao limite da expressão, criando o livro-poema e, depois, o poema espacial, e, finalmente, o poema enterrado. Este consiste em uma sala no subsolo a que se tem acesso por uma escada; após penetrar no poema, deparamo-nos com um cubo vermelho; ao levantarmos este cubo, encontramos outro, verde, e sob este ainda outro, branco, que tem escrito numa das faces a palavra “rejuvenesça”.

 

O poema enterrado foi a última obra neoconcreta de Gullar, que se afastou então do grupo e integrou-se na luta política revolucionária. Entre 1962 e 1966 publicou três poemas em estilo de cordel, numa tentativa de alcançar de forma mais direta o leitor popular. Entrou para o Partido Comunista e passou a escrever poemas sobre política e participar da luta contra a ditadura militar que se havia implantado no país, em 1964. Foi processado e preso na Vila Militar. Mais tarde, teve que abandonar a vida legal, passar à clandestinidade e, depois, ao exílio. Deixou clandestinamente o país e foi para Moscou, depois para Santiago do Chile, Lima e Buenos Aires. Em 1976 escreveu o importante ensaio “Augusto dos Anjos ou morte e vida nordestina”, sobre o grande poeta paraibano.

 

Voltou para o Brasil em 1977, quando foi preso e torturado. Libertado por pressão internacional, voltou a trabalhar na imprensa do Rio de Janeiro e, depois, como roteirista de televisão.

 

Durante o exílio em Buenos Aires, Gullar escreveu Poema sujo – um longo poema de quase cem páginas – que é considerado a sua obra-prima. Este poema causou enorme impacto ao ser editado no Brasil e foi um dos fatores que determinaram a volta do poeta a seu país. Poema sujo foi traduzido e publicado em várias línguas e países.

 

De volta ao Brasil, Gullar publicou, em 1980, Na vertigem do dia e Toda poesia, livro que reuniu toda sua produção poética até então. Voltou a escrever sobre arte na imprensa do Rio e São Paulo, publicando, nesse campo, dois livros, Etapas da arte contemporânea (1985) e Argumentação contra a morte da arte (1993), onde discute a crise da arte contemporânea.

 

Outro campo de atuação de Ferreira Gullar é o teatro. Após o golpe militar, ele e um grupo de jovens dramaturgos e atores fundou o Teatro Opinião, que teve importante papel na resistência democrática ao regime autoritário. Nesse período, escreveu, com Oduvaldo Viana Filho, as peças Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come e A saída? Onde fica a saída? De volta do exílio, escreveu a peça Um rubi no umbigo, montada pelo Teatro Casa Grande em 1978.

 

Mas Gullar afirmava que a poesia era a sua atividade fundamental. Em 1987, publicou Barulhos e, em 1999, Muitas vozes, que recebeu os principais prêmios de literatura daquele ano. Em 2002, foi indicado para o Prêmio Nobel de Literatura.

 

 APOIO NA DIVULGAÇÃO




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Tivemos o privilégio de receber um autógrafo do escritor e poeta
Ferreira Gullar durante a Bienal de São Paulo, 2010.