segunda-feira, 19 de outubro de 2026

O INTELECTUAL DO ANO 2026: RECONHECIMENTO À TRAJETÓRIA CULTURAL DE ENEIDA FORTUNA BARROS

Entre as mais tradicionais homenagens concedidas ao universo das letras, da história e da cultura fluminense, o título de Intelectual do Ano ocupa lugar de destaque por reconhecer personalidades cuja atuação contribui de forma significativa para o desenvolvimento intelectual, artístico e cultural de Niterói e do Estado do Rio de Janeiro. 

Trata-se de uma distinção reservada a presenças que, ao longo de suas trajetórias, dedicam suas vidas à preservação da memória, à produção de conhecimento e à valorização do patrimônio cultural. 

Em 2026, a escolha da homenageada recaiu sobre a acadêmica Eneida Fortuna Barros do Valle, nome amplamente respeitado nos meios literário, histórico e acadêmico fluminense. A decisão foi tomada no dia 01 de outubro de 2026 por uma comissão colegiada formada pelas renomadas instituições culturais da cidade, reunidas em sessão especial para a indicação da personalidade que receberá a honraria. 

Participam do processo de escolha a Academia Fluminense de Letras, a Academia Niteroiense de Letras, a Associação Niteroiense de Escritores (ANE), a União Brasileira de Trovadores (UBT), o Instituto Histórico e Geográfico de Niterói, o Cenáculo Fluminense de História e Letras e o Elos Clube de Niterói. Juntas, essas entidades representam diferentes segmentos da produção intelectual e cultural do município, conferindo ao processo de seleção legitimidade e reconhecimento entre os pares. 

A cerimônia de entrega do título está programada para o dia 5 de dezembro de 2026, no Salão Nobre da Academia Fluminense de Letras, em Niterói, local que simboliza a tradição das letras fluminenses e que receberá intelectuais, acadêmicos, escritores, historiadores e convidados para celebrar a nova homenageada.

O título de Intelectual do Ano possui uma história igualmente relevante. A iniciativa foi idealizada pelo Grupo Mônaco de Cultura, sob a liderança de Carlos Silvestre Mônaco, que durante muitos anos conduziu a organização e a entrega da distinção. Posteriormente, a responsabilidade passou para o IFEC – Instituto Interamericano de Fomento à Educação, Cultura e Ciência, presidido por Raymundo Nery Stelling Junior. Naquele período, além do título de Intelectual do Ano, era concedida também a tradicional Comenda IFEC de Cultura, ampliando o reconhecimento aos protagonistas da vida cultural fluminense.

Atualmente, a guarda e a coordenação da homenagem pertencem à Academia Fluminense de Letras, sob a presidência da acadêmica Márcia Pessanha, que vem fortalecendo o papel da instituição como referência na promoção da cultura, da literatura e da reflexão intelectual. Sob sua liderança, a Academia mantém viva uma tradição centenária de valorização dos que dedicam suas vidas ao saber, à pesquisa e à preservação da memória fluminense. 

A escolha de Eneida Fortuna Barros para receber o título em 2026 representa, ao mesmo tempo, o reconhecimento de uma destacada trajetória individual e a valorização de uma linhagem intelectual que ajudou a construir parte importante da história cultural do Estado do Rio de Janeiro. 

Atual ocupante da Cadeira nº 19 da Classe de Letras da Academia Fluminense de Letras, Eneida sucede uma linhagem de personalidades ilustres. A cadeira teve como fundador José Quaresma Júnior, poeta, jornalista e um dos fundadores da Academia Fluminense de Letras, criada em 22 de julho de 1917. Entre seus ocupantes estiveram também Agenor Lafayette de Roure, jornalista, historiador, escritor e homem público brasileiro, e Luiz Frederico Sauerbronn Carpenter, jurista, professor e advogado de reconhecida atuação. 

Entretanto, um dos nomes mais emblemáticos ligados à Cadeira é o de Albertina Fortuna de Barros, mãe de Eneida. Albertina deixou uma marca indelével na história da cultura fluminense ao tornar-se a primeira mulher a ingressar na Academia Fluminense de Letras e, posteriormente, a primeira mulher a presidir a instituição. Professora, escritora e pioneira em diversos campos da educação e da cultura, Albertina abriu caminhos para a participação feminina nos espaços de representação intelectual do estado. 

Hoje, Eneida Fortuna Barros dá continuidade a esse legado. Filha de uma referência da educação e da literatura, construiu uma identidade própria como ensaísta, pesquisadora, palestrante e intelectual comprometida com a preservação da memória cultural fluminense. 

Além de integrar a Academia Fluminense de Letras, Eneida é membro do Instituto Histórico e Geográfico de Niterói, destacando-se pela intensa participação em eventos culturais, seminários, debates acadêmicos e projetos voltados para a valorização da história e da literatura regional. 

Sua atuação na Academia ultrapassa a ocupação formal de uma cadeira. Frequentemente, participa de mesas de debates, seminários e encontros dedicados à reflexão sobre os desafios contemporâneos da cultura. Entre os temas abordados em sua atividade acadêmica destacam-se os impactos das novas tecnologias na editoração, as transformações da produção literária na era digital e a importância da preservação da memória cultural diante das mudanças sociais. 

Eneida também tem se destacado como uma das mais atuantes vozes na valorização da presença feminina nos espaços de produção intelectual. Ao longo dos anos, coordenou e participou de inúmeros eventos dedicados ao Dia Internacional da Mulher, homenagens às mulheres acadêmicas, reforçando a importância da representatividade e da construção de oportunidades para novas gerações de escritoras, pesquisadoras e estudiosas. 

Como pesquisadora, suas contribuições concentram-se principalmente nos campos da história cultural, da crítica literária e da memória fluminense. É autora de ensaios e estudos dedicados a temas como o impressionismo na literatura brasileira, as origens culturais do estado do Rio de Janeiro e personagens fundamentais para a formação da identidade nacional. 

Entre seus trabalhos destaca-se o ensaio “Niterói na Vanguarda do Impressionismo na Literatura Brasileira”, publicado nos cadernos de memória da Academia Fluminense de Letras. Sua produção também inclui pesquisas sobre a presença jesuítica e a contribuição de personalidades históricas para a formação cultural brasileira. 

Outro importante registro de sua produção intelectual encontra-se na Revista nº 3 da Academia Fluminense de Letras, publicada em março de 2022, onde assina o estudo “De Vila a Capital Antes de Ser Cidade”, demonstrando seu compromisso com a investigação histórica e a valorização da memória de Niterói.

Nas celebrações de aniversários da Academia Fluminense de Letras, Eneida participou ativamente de conferências e palestras sobre o legado cultural de José de Anchieta e sobre as origens do teatro brasileiro, reafirmando sua vocação para o diálogo entre história, literatura e educação. 

Ao longo de sua trajetória, tornou-se uma presença constante nos principais fóruns culturais da cidade, contribuindo para a formação de novos leitores, pesquisadores e estudiosos. Seu trabalho evidencia que a cultura não se limita à produção de obras, mas se amplia na preservação da memória coletiva, na promoção do conhecimento e na construção de pontes entre passado e futuro. 

A escolha de Eneida Fortuna Barros do Valle como Intelectual do Ano 2026 representa, portanto, uma justa homenagem a uma mulher que dedicou sua vida ao estudo, à reflexão e ao fortalecimento das instituições culturais fluminenses. Mais do que reconhecer uma carreira individual, a distinção celebra uma trajetória marcada pelo compromisso com a educação, a literatura, a pesquisa histórica e a valorização da cultura. 

Ao receber o título, Eneida passa a integrar o seleto grupo de personalidades homenageadas por sua contribuição ao pensamento e à identidade cultural de nossa cidade, reafirmando a importância da palavra, da memória e do conhecimento como instrumentos fundamentais para o desenvolvimento da sociedade.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural




PRESIDENTE DO ELOS INTERNACIONAL, MATILDE CARONE SLAIBI CONTI PRESTIGIA CELEBRAÇÃO DOS 51 ANOS DA ANLA

 

A Diretoria de Cultura do Elos Internacional informa aos elistas que a presidente do Elos Internacional, a elista Matilde Carone Slaibi Conti  marcou presença na Sessão Solene comemorativa ao 51º aniversário de fundação da Academia Nacional de Letras e Artes (ANLA), realizada em clima de celebração à cultura, à literatura e às artes brasileiras na  Rua Teixeira de Freitas, nº 5 – 3º andar - sala 303, Edifício Pedro Calmon, na Lapa, Rio de Janeiro. 

O evento reuniu acadêmicos, convidados e personalidades do meio cultural em uma programação especialmente dedicada à valorização da trajetória da instituição. A Mesa Diretora foi composta pela presidente da ANLA, Lucia Regina de Lucena, pelo orador oficial e palestrante Thiago de Menezes e por Estefânia Sotto, uma das fundadoras da Academia e  Vera Gonzales titular da Cadeira 49 da ANLA e presidente da Academia Brasileira de Belas Artes (ABBA). 

Em sua palestra, Thiago de Menezes abordou o tema “ANLA: 51 anos de empreendedorismo cultural, das pioneiras fundadoras aos novos tempos”, destacando a importância histórica da entidade e o papel desempenhado por suas idealizadoras na construção de um legado voltado à promoção das letras e das artes no Brasil. 

Um dos momentos mais marcantes da solenidade foi a emocionante homenagem à compositora Chiquinha Gonzaga, apresentada por Nina Fernandes. Caracterizada como a célebre artista, Nina encantou o público em uma performance repleta de sensibilidade e talento, reverenciando a trajetória de uma das maiores precursoras da cultura nacional. A apresentação contou ainda com o acompanhamento musical do violonista Antonio Moreira e Valentim Fernandes interpretou poemas de acadêmicos sobre a ANLA.

Ao final da sessão, foi servido um delicioso coquetel em celebração aos 51 anos da ANLA. 

A participação da presidente do Elos Internacional reafirma o compromisso da instituição com o incentivo à cultura, ao intercâmbio de ideias e ao fortalecimento dos laços com entidades dedicadas ao desenvolvimento artístico e intelectual do país. 

© Alberto Araújo

Diretor de Cultura do Elos Internacional










CONVITE DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS PARA PALESTRA GRATUITA COM IVO DO ROSÁRIO LINGUAGEM, IDENTIDADE E PRECONCEITO LINGUÍSTICO SÃO TEMA DA TERCEIRA CONFERÊNCIA DO CICLO DE OUTUBRO

Os diferentes usos da língua para interagir, construir identidades e participar de distintos grupos sociais serão abordadas pelo professor da UERJ Ivo do Rosário na conferência “Linguagem e sociedade: as várias faces da língua no cotidiano da vida”, terceira do ciclo de outubro, que se propõe a debater os temas linguísticos contemporâneos. A conferência será realizada na terça-feira, 20 de outubro às 16h, com entrada franca e as inscrições podem ser feitas pelo link: https://www.even3.com.br/linguagem-e-sociedade-as-varias-faces-da-lingua-no-cotidiano-da-vida-788376/

 

A diversidade linguística brasileira será abordada com foco nas relações entre língua, escolarização, prestígio social e poder. Também será discutida as relações entre linguagem, sociedade e vida cotidiana serão avaliadas partir da compreensão da língua como prática social e cultural.

Ainda serão problematizadas as noções de “certo” e “errado”, assim como os efeitos do preconceito linguístico na vida dos falantes. A coordenação é do Acadêmico Ricardo Cavaliere.

 

A conferência também dará ênfase aos aspectos gramaticais do português brasileiro e às inovações observadas em seu funcionamento.

 

“Entre elas, destaca-se a emergência de novos conectivos e de novas formas de articulação entre orações e porções textuais”, destacou Ivo.

 

O professor dará ainda exemplos extraídos da língua em uso que permitem observar a língua em seus usos concretos de funcionamento. O objetivo é compreender como as escolhas linguísticas revelam pertencimentos, valores, intenções e visões de mundo.

 

Na quinta, dia 22, será realizada a mesa-redonda "Essa terra - edição comemorativa dos 50 anos”, de Antônio Torres, com lançamento e sessão de autógrafos após a mesa, com a participação do professor e escritor Italo Moriconi e mediação do Acadêmico Edmar Bacha.

 

Já na terça, dia 27, Dante Lucchesi encerra o ciclo com a conferência "Língua e textualidade: as estratégias do texto no ato de comunicação". É graduado em Letras (Português, Inglês e respectivas literaturas) pela Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FFP-UERJ) e graduado em Pedagogia, pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

 

Sobre Ivo do Rosário

 

É mestre em Letras Vernáculas (Língua Portuguesa) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre em Letras pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

 

É doutor em Letras pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e doutor em Letras Vernáculas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Concluiu pós-doutorado em Estudos de Linguagem (UFRN).

 

Atualmente é professor associado de língua portuguesa do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas. É o atual coordenador do Programa de Pós-graduação em Estudos de Linguagem da UFF (2022-2026), docente permanente e orientador no mestrado e doutorado.

 

Foi coordenador do GT Descrição do Português, da ANPOLL (Associação Nacional dos Programas de Pós-graduação em Letras e Literatura), no biênio 2019-2021. É líder do CCO (Grupo de Pesquisa Conectivos e Conexão de Orações) e membro do grupo D & G (Grupo de Estudos Discurso e Gramática), ambos na UFF.




ESSA TERRA - EDIÇÃO COMEMORATIVA DOS 50 ANOS


O Acadêmico Antônio Torres se junta ao escritor e professor Italo Moriconida para uma mesa-redonda sobre a edição comemorativa dos 50 anos do seu livro “Essa Terra” na quinta-feira, 22 de outubro, às 17h30. A entrada é franca e a mediação será do Acadêmico Edmar Bacha. Após a mesa, haverá venda de livros e sessão de autógrafos com Antônio Torres. 

Sobre a obra Essa Terra 

Com o tema da migração, o romance Essa Terra revela as contradições entre os sonhos de esperança nas metrópoles e os pesadelos das dificuldades nos sertões. A jornada migratória de Nelo é exemplar, a partir de sua chegada a uma grande cidade, carregando novos afetos e desafetos, além da imagem orgulhosa de seu nome, que vai sendo acompanhada pela família com um misto de inveja e esperança.

A figura idolatrada de Nelo é construída e desconstruída de forma ambígua pelo narrador, seu irmão caçula Totonhim. Sua trajetória acompanha os espaços emotivos dessa terra, que chama, enxota, enlouquece, mas que no final das contas ama. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural




 

QUANDO UMA VOZ DO PASSADO ENCONTRA UMA LEITORA DO FUTURO - DEDICATÓRIA ESPECIAL À ACADÊMICA UYÁRA SCHIEFER

O retorno de Farrapos de Ideias ao cenário editorial brasileiro representa muito mais do que a republicação de uma obra histórica. Representa a restituição de uma voz fundamental da inteligência nacional, cuja atualidade continua a iluminar os caminhos da educação, da cultura e da cidadania. 

Entre os mais significativos resgates da literatura brasileira contemporânea, Farrapos de Ideias retorna às mãos dos leitores como quem regressa de uma longa travessia. Publicada originalmente em 1937 por Antonieta de Barros, sob o pseudônimo Maria da Ilha, a obra reaparece trazendo consigo a força de uma mulher que transformou a palavra em instrumento de educação, consciência e liberdade. 

Mais do que um livro recuperado para o presente, Farrapos de Ideias é uma voz que atravessa décadas, resgatada do silêncio do tempo para reencontrar leitores dispostos a dialogar com a história, a memória e os valores que ajudaram a construir o Brasil. Ao chegar à biblioteca da professora e acadêmica Uyara Schiefer, a obra encontra mais do que uma leitora atenta: encontra uma guardiã de seu legado intelectual e humano. 

Educadora dedicada, pesquisadora sensível e permanente defensora da cultura e do conhecimento, Uyara Schiefer acolhe em seu acervo uma obra que transcende os limites da literatura para tornar-se testemunho vivo de luta, inteligência e resistência. Ao abrir espaço para as palavras de Antonieta de Barros, reafirma a importância de manter presente a memória de uma das personalidades mais extraordinárias da educação brasileira. 

Escrito sob o pseudônimo Maria da Ilha, Farrapos de Ideias constitui uma obra singular. Muito além da crônica cotidiana, seus textos revelam uma escrita híbrida na qual a observação jornalística se entrelaça à memória, à reflexão íntima e à experiência coletiva. Antonieta constrói uma narrativa delicada e, ao mesmo tempo, vigorosa, em que os acontecimentos do dia a dia tornam-se matéria para reflexões humanas, sociais, culturais e educacionais de profunda atualidade. Como observam estudiosas de sua produção, seus silêncios e lacunas também falam, revelando as tensões, os desafios e os limites impostos a uma mulher negra intelectual na sociedade brasileira de seu tempo. 

Primeira mulher negra a exercer um mandato parlamentar no Brasil, Antonieta de Barros fez da educação sua maior ferramenta de transformação social. Professora, jornalista, escritora e pioneira, acreditava que o conhecimento era capaz de abrir caminhos para uma sociedade mais justa, consciente e inclusiva. Sua trajetória permanece como um dos mais luminosos exemplos de coragem intelectual e compromisso com a emancipação humana. 

A nova edição de Farrapos de Ideias amplia ainda mais o valor histórico da obra. Além dos textos originais de 1937, reúne escritos incorporados à edição póstuma organizada por sua irmã e conta com importantes contribuições críticas de pesquisadoras que se dedicaram ao estudo de sua vida e legado, entre elas Jeruse Romão, Eliane Debus, Raquel Terezinha Rodrigues e Carla Alexandra Ferreira. A publicação é enriquecida ainda pela sensível criação artística de Crica Monteiro para a capa desta edição.

Por tudo isso, esta homenagem celebra não apenas a autora que retorna às estantes brasileiras, mas também a leitora que ajuda a mantê-la viva. Ao escolher esta obra, Uyara Schiefer integra uma corrente silenciosa e poderosa de preservação da memória nacional, fortalecendo a circulação de ideias fundamentais para a compreensão da identidade brasileira e para a valorização de vozes que jamais deveriam ter sido esquecidas. 

Que o exemplo de Antonieta de Barros continue inspirando educadores, estudantes, pesquisadores e leitores. E que gestos como o de Uyara Schiefer nos recordem que cada livro preservado, lido e compartilhado é uma semente lançada ao futuro, capaz de perpetuar conhecimento, despertar consciências e ampliar horizontes. 

Com admiração, respeito e reconhecimento, o Focus Portal Cultural rende sua sincera homenagem à professora Uyara Schiefer, cuja trajetória intelectual e compromisso com a educação e a cultura reafirmam, a cada página lida, o poder transformador da leitura e a importância de conservar viva a herança dos grandes nomes da história brasileira.

© Alberto Araújo

Jornalista - Focus Portal Cultural











 

19 DE OUTUBRO: DIA DO PIAUÍ, UMA CELEBRAÇÃO DA HISTÓRIA, DA IDENTIDADE E DO ORGULHO DE UM POVO - HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL

O dia 19 de outubro ocupa um lugar especial no calendário cívico e afetivo dos piauienses. Nesta data, celebra-se o Dia do Piauí, uma homenagem à trajetória histórica de um estado que ajudou a construir a identidade do Nordeste e do Brasil, destacando-se pela bravura de seu povo, pela riqueza cultural, pela diversidade de suas paisagens e pela força de suas tradições. 

Mais do que uma simples comemoração, o Dia do Piauí representa um momento de reflexão sobre as lutas, as conquistas e os valores que moldaram gerações de homens e mulheres comprometidos com o desenvolvimento de sua terra. É uma ocasião para recordar o passado, valorizar o presente e renovar a esperança em um futuro cada vez mais promissor. 

A história piauiense é marcada por capítulos decisivos para a consolidação da Independência do Brasil. Entre eles, destaca-se a memorável Batalha do Jenipapo, ocorrida em 1823, nas proximidades de Campo Maior. Ainda que travada em condições desiguais, essa luta simbolizou a coragem de piauienses, cearenses e maranhenses que enfrentaram as tropas portuguesas em defesa da liberdade e da soberania nacional. O episódio permanece vivo na memória coletiva como um dos mais importantes atos de patriotismo da história brasileira. 

Ao longo dos séculos, o Piauí construiu uma identidade singular. Das margens do rio Parnaíba às serras do sul do estado, das praias de Luís Correia aos cânions e formações rochosas do Parque Nacional da Serra da Capivara, o território piauiense reúne tesouros naturais e arqueológicos reconhecidos mundialmente. A Serra da Capivara, inclusive, guarda vestígios que ampliaram o entendimento sobre o povoamento das Américas, transformando o Piauí em referência internacional para a ciência e a pesquisa histórica. 

Mas a grande riqueza do estado está, sem dúvida, em seu povo. Um povo acolhedor, trabalhador, resiliente e profundamente ligado às suas raízes. Em cada cidade, comunidade rural, bairro e vila encontramos exemplos de perseverança, criatividade e espírito solidário que fazem do Piauí uma terra admirada por quem a conhece. 

A cultura piauiense também constitui um patrimônio de valor inestimável. A música, a literatura, o artesanato, a culinária e as manifestações populares revelam a diversidade de influências que formam a identidade regional. Os festejos religiosos, as apresentações folclóricas, as tradições herdadas de diferentes povos e a produção artística contemporânea demonstram a vitalidade cultural de um estado que preserva suas origens sem deixar de olhar para a modernidade. 

A gastronomia é outro elemento marcante dessa identidade. Pratos típicos preparados com ingredientes regionais traduzem sabores únicos e contam histórias transmitidas de geração em geração. Cada refeição representa um convite à convivência, à hospitalidade e ao orgulho de pertencer a uma terra de tradições tão ricas.

Nas últimas décadas, o Piauí também vem se destacando pelo crescimento em diversas áreas, como educação, turismo, energias renováveis, inovação tecnológica e preservação ambiental. O desenvolvimento econômico caminha lado a lado com a necessidade de valorizar o patrimônio histórico e cultural, garantindo que as futuras gerações conheçam e respeitem o legado recebido de seus antepassados.

Celebrar o Dia do Piauí é reconhecer a contribuição dos escritores, professores, artistas, trabalhadores, agricultores, empresários, estudantes e de todos aqueles que, diariamente, ajudam a construir uma sociedade mais justa, inclusiva e desenvolvida. É também homenagear os milhares de piauienses que vivem em outros estados ou países e que mantêm viva a ligação afetiva com sua terra natal, levando consigo os valores e as tradições aprendidos em solo piauiense.

O sentimento de pertencimento ultrapassa fronteiras geográficas. Onde quer que exista um piauiense, existe também um pouco da história, da cultura e da alma do Piauí. Essa ligação emocional fortalece a identidade coletiva e reafirma a importância de preservar as raízes que unem gerações. 

Neste 19 de outubro, o Focus Portal Cultural, por meio do jornalista Alberto Araújo, associa-se às homenagens prestadas ao estado e rende seu reconhecimento a todos aqueles que fazem parte dessa grande história. É tempo de celebrar as conquistas já alcançadas, honrar a memória dos que vieram antes e renovar o compromisso com o progresso, a cultura e a cidadania.

O Focus Portal Cultural cumprimenta e parabeniza todos os piauienses e conterrâneos, dentro e fora do estado, pela passagem do Dia do Piauí. Que esta data fortaleça ainda mais o orgulho de ser piauiense, inspire novas realizações e mantenha viva a chama da identidade cultural que torna o Piauí uma das mais belas expressões da riqueza brasileira. 

Parabéns, Piauí. Parabéns ao seu povo. Parabéns a todos os filhos e amigos desta terra de história, coragem, cultura e esperança. Viva o Piauí! 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural





domingo, 18 de outubro de 2026

ANTONIETA DE BARROS: A VOZ QUE TRANSFORMOU EDUCAÇÃO, JORNALISMO E POLÍTICA EM INSTRUMENTOS DE LIBERDADE - HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL


No dia 15 de outubro, o Brasil celebra o Dia do Professor, uma data que vai muito além das homenagens protocolares. É um momento de reconhecimento àqueles que dedicam suas vidas à formação de cidadãos, à construção do conhecimento e à transformação da sociedade por meio da educação. Em cada sala de aula, o professor semeia valores, desperta sonhos e abre caminhos para um futuro mais justo, consciente e democrático. 

Ao longo da história brasileira, grandes educadores contribuíram para o desenvolvimento do país, deixando marcas que ultrapassam gerações. Entre esses nomes, destaca-se o de Antonieta de Barros, professora, jornalista, escritora e pioneira da política nacional. Sua trajetória representa a força da educação como instrumento de emancipação social e humana. Mulher negra em um período marcado por profundas desigualdades, Antonieta fez do ensino sua missão de vida e da defesa do conhecimento uma bandeira permanente. 

Nesta data tão significativa, o Focus Portal Cultural, por meio do jornalista Alberto Araújo, presta uma homenagem especial a Antonieta de Barros, mulher à frente de seu tempo, cuja obra e legado continuam inspirando educadores, estudantes e todos aqueles que acreditam no poder transformador da educação. Recordar sua história é também valorizar a missão dos professores brasileiros, verdadeiros construtores do presente e arquitetos do futuro. 

É nesse espírito de gratidão e reconhecimento que revisitamos a vida e a contribuição de uma das mais extraordinárias educadoras da história do Brasil: Antonieta de Barros, símbolo de coragem, inteligência, resistência e compromisso com a educação pública e a igualdade de oportunidades. 

Celebrar Antonieta de Barros é reverenciar uma das maiores personalidades da história do Brasil. Nascida em Florianópolis, em 11 de julho de 1901, filha de Catarina de Barros, uma ex-escravizada que encontrou na dignidade do trabalho a força para sustentar a família, Antonieta construiu uma trajetória extraordinária em um período marcado por profundas desigualdades sociais, raciais e de gênero.

Sua história é a prova de que a educação pode ser um poderoso instrumento de transformação. Em uma sociedade que restringia oportunidades para mulheres, especialmente para mulheres negras, Antonieta encontrou nos livros, no ensino e na palavra escrita os caminhos para desafiar preconceitos e abrir novas possibilidades para as gerações futuras. Ainda jovem, destacou-se como estudante da Escola Normal Catarinense, desenvolvendo desde cedo o gosto pela escrita, pela reflexão crítica e pelo compromisso com as causas sociais.

Professora por vocação, fundou em 1922 o Curso Particular Antonieta de Barros, dedicado à alfabetização de jovens e adultos de famílias carentes. Durante toda a sua vida, defendeu uma educação pública, democrática e acessível, entendendo que o conhecimento deveria ser um direito de todos e não um privilégio de poucos. Sua atuação no magistério tornou-se referência em Santa Catarina, onde exerceu funções de destaque e formou incontáveis cidadãos.

No jornalismo, Antonieta foi igualmente pioneira. Fundou e dirigiu o jornal A Semana e colaborou com diversos periódicos, tornando-se uma das primeiras mulheres negras a atuar na imprensa catarinense. Por meio de seus artigos e crônicas, denunciou injustiças, combateu o preconceito, defendeu a valorização da mulher e incentivou a participação feminina na vida pública. Sob o pseudônimo Maria da Ilha, publicou Farrapos de Ideias, obra que marcou a literatura catarinense e consolidou sua presença no cenário intelectual brasileiro.

Mas foi na política que Antonieta escreveu uma das páginas mais importantes da história nacional. Em 1934, após a conquista do direito das mulheres ao voto, foi eleita deputada estadual em Santa Catarina. Tornou-se a primeira mulher negra do Brasil a ocupar um mandato parlamentar, rompendo barreiras que pareciam intransponíveis. Sua presença na Assembleia Legislativa representou não apenas uma conquista pessoal, mas um marco para todas as mulheres e para a população negra brasileira. 

Como parlamentar, dedicou-se especialmente às áreas da educação, cultura e valorização do funcionalismo público. Defendeu bolsas de estudo para estudantes de baixa renda, concursos para professores e políticas que ampliassem o acesso ao ensino. Em 1937, tornou-se também a primeira mulher a presidir uma sessão de uma assembleia legislativa no Brasil, demonstrando competência, liderança e visão de futuro. 

Antonieta jamais se curvou diante do racismo ou da discriminação. Enfrentou ataques preconceituosos com inteligência, firmeza e elegância, reafirmando sua identidade e seu compromisso com a igualdade. Sua atuação foi guiada pela convicção de que nenhuma sociedade pode prosperar enquanto a exclusão e o preconceito limitarem o potencial de seus cidadãos.

Falecida precocemente em 28 de março de 1952, aos 50 anos, Antonieta deixou um legado que atravessa gerações. Durante muitos anos, sua contribuição foi injustamente silenciada, mas a história tratou de resgatar sua grandeza. Em 2023, seu nome foi inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, reconhecimento merecido para quem dedicou a vida à construção de um país mais justo, inclusivo e humano. 

Hoje, Antonieta de Barros é símbolo de coragem, inteligência, resistência e transformação social. Sua trajetória inspira educadores, jornalistas, lideranças políticas e todos aqueles que acreditam na força do conhecimento e da cidadania. 

O Focus Portal Cultural presta sua homenagem a essa mulher extraordinária que fez da palavra uma arma contra a injustiça e da educação um caminho para a liberdade. Antonieta de Barros não pertence apenas à história de Santa Catarina ou do Brasil. Ela pertence ao patrimônio moral de uma nação que continua encontrando em seu exemplo razões para lutar por igualdade, dignidade e esperança.

Celebrar Antonieta de Barros no Focus Portal Cultural é mais do que rememorar o passado; é reafirmar o compromisso imperativo com a educação de qualidade, com o jornalismo livre e com a valorização da memória cultural do Brasil.

Sua vida permanece como prova incontestável de que a cultura, o conhecimento e a palavra escrita são as pontes mais sólidas para a verdadeira liberdade. 

Alberto Araújo

Jornalista | Focus Portal Cultural








DEDICATÓRIA ESPECIAL 

O Focus Portal Cultural dedica esta homenagem à acadêmica Uyara Schiefer, leitora comprometida com a valorização da memória, da educação e da cultura brasileira. A aquisição da obra Farrapos de Ideias, escrita por Antonieta de Barros sob o pseudônimo Maria da Ilha, representa mais do que a compra de um livro: é um gesto de reconhecimento e preservação do legado de uma mulher que transformou sua trajetória em instrumento de luta, conhecimento e emancipação social.

Ao levar para sua biblioteca a obra da primeira mulher negra a exercer um mandato parlamentar no Brasil, Uyara contribui para manter viva a voz de uma educadora, jornalista, escritora e pioneira que acreditava na educação como caminho para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. 

Que o exemplo de Antonieta de Barros siga inspirando novas gerações de estudantes, professores, pesquisadores e leitores. E que iniciativas como a de Uyara Schiefer fortaleçam a circulação de obras fundamentais para a compreensão da história e da identidade brasileira. 

Nossa sincera homenagem à acadêmica Uyara Schiefer, que, por meio da leitura e do conhecimento, ajuda a perpetuar o legado de uma das maiores personalidades da educação e da cultura nacional.

© Alberto Araújo

Jornalista

Focus Portal Cultural





PRESIDENTE MÁRCIA PESSANHA PRESTIGIA OS 10 ANOS DA SCUOLA DI CULTURA EM NITERÓI

A presidente da Academia Fluminense de Letras, Márcia Pessanha, que também exerce a função de Governadora do Distrito 8 do Elos Internacional, marcou presença na celebração dos 10 anos da Scuola di Cultura, realizada em 17 de outubro de 2026, em São Francisco, Niterói. O evento reuniu personalidades ligadas à arte, à educação e à cultura para homenagear uma instituição que, ao longo de uma década, vem transformando o cenário cultural da cidade. 

Sob a direção do casal Fabrizio e Luiza Sassi, a Scuola di Cultura consolidou-se como um importante centro de formação artística e desenvolvimento humano, promovendo atividades nas áreas de música, artes visuais, literatura, teatro e educação cultural. Sua atuação tem contribuído significativamente para a valorização da cultura e para a democratização do acesso às manifestações artísticas. 

A acadêmica Luiza Sassi, integrante da Academia Fluminense de Letras e membro do Cenáculo Fluminense de História e Letras, recebeu as homenagens ao lado de Fabrizio Sassi, reconhecidos pelo trabalho dedicado e visionário que transformou a Scuola em referência na região.

Durante a comemoração, destacou-se a importância da instituição como espaço de encontro, criatividade e inspiração, além de seu papel na formação de novos talentos. A celebração dos 10 anos da Scuola di Cultura reafirmou o compromisso de seus fundadores com a promoção da arte, da educação e da cultura, deixando a certeza de que esta trajetória de sucesso continuará enriquecendo a vida cultural de Niterói por muitos anos. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural







 

88 ANOS DE NEIDE BARROS RÊGO: O CANTO, A POESIA E O VOO INFINITO DA GRANDE DAMA DA CULTURA BRASILEIRA - EFEMÉRIDE DO FOCUS PORTAL CULTURAL

 

 

O telão da memória se abre hoje para celebrar uma vida inteiramente dedicada à beleza. Neste 18 de outubro, o Focus Portal Cultural rende homenagens aos 88 anos do nascimento de Neide Barros Rêgo (1938–2022), uma das personalidades mais completas e fascinantes da literatura e do canto lírico no Brasil. Longe de ser apenas uma data no calendário, este aniversário é um convite à reverência e ao resgate de uma mulher que transformou palcos, academias e páginas de livros em verdadeiros santuários da arte. Neide não emudeceu; sua voz apenas ganhou dimensões sutis na memória afetiva do nosso país e na vastidão do movimento esperantista internacional.

 

Falar de Neide Barros Rêgo é evocar a síntese perfeita da elegância, da sensibilidade poética, do compromisso com a arte e da fraternidade universal. Cantora lírica, poetisa de traço refinado, declamadora de presença magnética e escritora incansável, Neide foi e continua sendo um dos baluartes mais reluzentes da nossa cultura.

 

Conhecer Neide Barros Rêgo nos palcos da vida foi como passar por um rito de encantamento. Não havia como presenciá-la e permanecer indiferente. Minha memória afetiva guarda com rara nitidez e extrema reverência os momentos em que a vi atuar no lendário Centro Cultural Maria Sabina, espaço, embora hoje desativado, do qual ela foi e sempre será a eterna Diretora e alma condutora.

 

No palco do Maria Sabina, Neide exercia um verdadeiro sacerdócio artístico. Sua postura era a personificação da nobreza: a espinha ereta, o olhar sereno e profundo, o domínio absoluto do espaço e do tempo. Quando ela se postava diante do público para declamar ou cantar, a atmosfera ao redor se transformava instantaneamente. O silêncio na plateia não era apenas atenção; era um respeito fiel e sagrado diante de uma intérprete que não apenas pronunciava palavras ou emitia notas, mas desenhava a alma da poesia no ar.

Sua performance conjugava a imponência técnica da cantora lírica à alma ardente da poetisa que sente cada sílaba. Neide no palco era luz pura, uma presença cenográfica que combinava autoridade estética, doçura no acolhimento e uma paixão vibrante pelas artes. O Centro Cultural Maria Sabina não era apenas uma casa de cultura sob sua direção; era a extensão do seu próprio coração, um abrigo acolhedor para poetas, músicos e sonhadores de todas as origens.

 

Se a dimensão pública e artística de Neide a imortalizou nos palcos e nos livros, é na intimidade do lar e na urdidura dos afetos familiares que encontramos a verdadeira nascente de sua força criativa. A vida de uma mulher que fez do lirismo o seu sacerdócio nunca esteve desvinculada dos abraços que a ampararam, do riso compartilhado e do amor geracional que semeou ao longo das décadas.

Nascida na acolhedora São Tomás de Aquino, em Minas Gerais, filha de Wanda Paschoal Martini de Barros e Francisco das Chagas Barros, a sensibilidade de Neide foi forjada desde cedo na casa paterna. Essa história de sensibilidade começou no aconchego do lar, entre os laços e a cumplicidade de uma harmoniosa constelação de irmãos: a saudosa Nilce (hoje em memória viva no Parnaso), a inseparável irmã gêmea Nilde, a própria Neide, e os amados Nilo, Nara e Naida. Uma irmandade de nomes em sintonia e almas entrelaçadas pela fraternidade mineira, onde declamações, modinhas e afetos sempre foram o verdadeiro alimento da alma.

 

Na tapeçaria misteriosa e bela de sua biografia, destaca-se a presença vital de sua irmã gêmea, Nilde Barros Diuana, que permanece entre nós como a guardiã viva de suas memórias mais ternas e das histórias de infância compartilhadas desde o ventre. A relação com Nilde sempre brought à tona o mistério do espelhamento do afeto: duas almas ligadas pela origem e pelo sangue, perpetuando o carinho que ultrapassa as próprias barreiras do tempo.

Ao lado do seu inseparável e saudoso esposo, Walmir Ventura Rêgo, Neide ergueu uma sólida tapeçaria familiar. A maternidade foi para ela uma de suas expressões mais sublimes: plantou a semente do sensível no coração dos seus amados filhos, Marise e Marcelo Barros Rego. Crescer sob o olhar e o acalanto de uma mãe que cantava a vida em forma de poesia fez do lar um porto seguro, onde o afeto e a modéstia sempre andaram de mãos dadas.

 

Essa bênção familiar floresceu e se expandiu: Neide Barros Rêgo deixa um lindo legado através de sua família. É mãe de Marisa Rêgo, mãe de João Marcelo e de Marcelo Barros Rêgo pai de Gabriela Pereira Rêgo, Felipe Soschino Rêgo e Lucas Rêgo, que carregam no olhar o orgulho de pertencerem a essa nobre linhagem.

 

Se a poesia de Neide encontrou no português a sua casa maternal, foi na língua esperanto que sua voz ganhou asas globais. A partir de 1965, Neide abraçou o esperanto, o idioma neutro e fraterno idealizado por Ludwik Lejzer Zamenhof,  não apenas como uma ferramenta linguística, mas como um ideal de vida e de união entre os povos do mundo.

 

Cravou seu nome na história do movimento esperantista planetário como uma de suas mais expressivas e aclamadas intérpretes. Cantando e declamando em esperanto, Neide levou a doçura e o lirismo da alma brasileira aos mais diversos cantos da Terra. Representou o Brasil com distinção ímpar em congressos nacionais e internacionais em países como França, Áustria e Argentina.

 

Sua atuação ultrapassou as apresentações ao vivo: tornou-se membro vitalício e delegada da Associação Universal de Esperanto (UEA). Em seu canal oficial no YouTube, deixou registrado para a eternidade um acervo inestimável de áudios e vídeos onde sua voz lírica dá vida a canções e poemas no idioma universal, servindo até hoje como referência para aprendizes e admiradores da cultura esperantista ao redor do globo. Neide provou que a arte verdadeira não precisa de passaporte, pois fala a linguagem direta do coração humano.

 

Como escritora e poetisa, Neide Barros Rêgo deixou uma obra marcada pela delicadeza métrica, pela profundidade lírica e pelo domínio formal das trovas e do verso livre. Autora do marcante livro Revelação (2004), destacou-se também por sua generosidade intelectual. Ela não buscava o brilho solitário; gostava de iluminar os caminhos alheios.

 

Prova disso foi a organização da antologia monumental Água Escondida (1994), trabalho no qual reuniu e catalogou poemas de centenas de autores de Niterói, dando visibilidade e voz a múltiplos talentos que, sem sua sensibilidade curatorial, talvez permanecessem no esquecimento. Neide era uma agregadora, uma verdadeira tecelã de redes poéticas.

 

Sua maestria com as palavras foi reconhecida com prêmios de prestígio internacional e nacional, acumulando láureas em concursos literários na Holanda, Bulgária, Rússia, Itália e por todo o território brasileiro. Atuante e respeitada na União Brasileira de Trovadores (UBT), alcançou o ápice do reconhecimento institucional ao ser empossada, em 2003, na Academia Fluminense de Letras (AFL), ocupando com altivez a Cadeira número 11 da Classe de Belas-Artes.

 

A trajetória de Neide na Cadeira 11 da AFL carrega um simbolismo profundo ao resgatarmos a presença da mestra que inspirou sua jornada: a lendária professora e intelectual brasileira Maria Sabina de Albuquerque. Neide foi aluna dileta de Maria Sabina no consagrado Curso Olavo Bilac, onde apurou com maestria a Arte de Dizer, a dicção e a impostação vocal que mais tarde fascinariam multidões. Foi em homenagem a essa mestra que Neide fundou e dirigiu o Centro Cultural Maria Sabina.

 

Com o encantamento de Neide e sua passagem para o Parnaso em dezembro de 2022, abriu-se um hiato de saudade na Academia Fluminense de Letras. Contudo, a providência e o afeto reservavam uma sucessão à altura: quem assumiu a honrosa missão de sucedê-la na Cadeira 11 foi sua querida cunhada, a distinta acadêmica, professora e poetisa Maria das Graças Alves de Azevedo Rego, chamada carinhosamente por Gracinha Rego.

 

Gracinha Rego não representa apenas o cumprimento de uma praxe acadêmica, mas sim um ato de amor, respeito e perpetuação. Ela traz para a Academia a sua própria competência estética e a delicadeza de manter viva a chama espiritual e poética de sua inesquecível cunhada.

 

Desenhou-se, assim, um círculo perfeito no destino das artes: Maria Sabina formou Neide; Neide fundou o centro cultural, encantou o Brasil e brilhou na Academia; e Gracinha Rego assumiu o cetro da memória para que essa linhagem cultural continue a ecoar.

 

"As grandes almas não deixam heranças materiais passageiras; deixam antologias de afeto, pontes de luz e sucessoras de amor."

 

Em 11 de dezembro de 2022, aos 84 anos, a voz física de Neide Barros Rêgo calou-se em Niterói, em decorrência de um câncer de pâncreas. A cidade, a Academia Fluminense de Letras, o movimento esperantista e o cenário cultural brasileiro vestiram-se de saudade. Mas a partida de uma grande artista é apenas uma ilusão dos sentidos; o que é feito de beleza pura não se extingue.

Celebrar os seus 88 anos neste 18 de outubro é reafirmar que Neide continua viva entre nós. Ela vive na memória daqueles que tiveram o privilégio de vê-la brilhar nos palcos; na cumplicidade de sua irmã Nilde; nos registros fonográficos e poéticos gravados no tempo; e na esperança de um mundo mais irmão, do qual foi embaixadora e cantora.

 

Neide Barros Rêgo foi, em essência, uma estrofe perfeita no poema da vida brasileira. Uma mulher que fez da existência um acorde de luz, dignidade e afeto.

 

À nossa eterna diretora, poetisa e Diva do Lirismo: parabéns pelos seus 88 anos de história inesquecível. O Focus Portal Cultural rende hoje sua mais profunda e emocionada homenagem a esta estrela que jamais deixará de brilhar no firmamento da nossa arte.

 

Aplausos eternos, Neide. A sua canção continua.

 

UMA PRECE DE LUZ E UM ABRAÇO FRATERNO A NILDE BARROS DIUANA

Neste 18 de outubro, em que as memórias e as melodias se voltam para o céu em honra aos 88 anos de nascimento de Neide, nossos corações e nossas melhores energias voltam-se também, com infinito carinho, para a sua querida irmã gêmea, Nilde Barros Diuana.

 

Sendo o espelhamento vivo de uma história bonita e compartilhada desde as primeiras batidas do coração, Nilde permanece entre nós como a guardiã dessa essência e desse afeto que o tempo não apaga.

 

A equipe do Focus Portal Cultural, juntamente com todos os amigos, leitores e admiradores dessa linda família, abraça Nilde Barros Diuana neste dia tão especial. Que a vida continue a lhe abençoar com muita saúde, paz, serenidade e o aconchego permanente daqueles que a amam.

 

A você, Nilde, o nosso afeto, o nosso respeito e a nossa mais carinhosa homenagem.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 

Neide Barros e seus irmãos