quinta-feira, 5 de março de 2026

GINA MANJUA - A PALAVRA COMO PONTE DE INCLUSÃO” - HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL

Gina Manjua é uma voz que se ergue com firmeza e sensibilidade no cenário literário contemporâneo. Escritora e defensora da inclusão, ela construiu uma trajetória marcada pela coragem de transformar vivências em palavras, e palavras em consciência. Sua obra não se limita ao papel: ela se expande em palestras, encontros em escolas e associações, onde a literatura se torna ponte entre experiências pessoais e coletivas. Gina acredita que a escrita é mais do que expressão; é ferramenta de cura, de diálogo e de transformação social. 

Na entrevista ao Canal Sempre à Mão, Gina traz à tona temas urgentes e muitas vezes silenciados: o preconceito etário, que marginaliza saberes acumulados ao longo da vida; a inclusão, que precisa deixar de ser discurso e se tornar prática cotidiana; e o poder da escrita terapêutica, capaz de ressignificar dores e abrir caminhos de esperança. Sua fala é marcada por maturidade e dignidade, mas também por uma energia que inspira quem a escuta a repensar seu papel na construção de uma sociedade mais justa. 

O percurso de Gina é um testemunho de resiliência. Ao transformar suas próprias vivências em literatura, ela mostra que a arte não é apenas estética, mas também ética e política. Cada livro, cada apresentação, é um convite à reflexão sobre como podemos ser mais conscientes, mais humanos e mais solidários. A conversa com o público não se restringe a ideias abstratas: ela toca em histórias reais, em desafios concretos, em dores que se tornam força criativa. 

Mais do que uma escritora, Gina Manjua é uma agente de mudança. Sua presença na live é um chamado à coragem de assumir propósitos, à responsabilidade de usar a palavra como instrumento de inclusão e ao reconhecimento de que a arte tem impacto direto na vida das pessoas. É uma oportunidade de mergulhar em um diálogo que une literatura e sociedade, mostrando que escrever é também um ato de resistência e de amor. 

Esse encontro prometeu ser não apenas uma entrevista, mas uma experiência de partilha e inspiração, um espaço onde a palavra se torna ação e a arte se revela como caminho para uma sociedade mais consciente e inclusiva.

Clicar no link para assistir a entrevista completa:  

https://www.youtube.com/live/CPzS6VwKaFw

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural





 

quarta-feira, 4 de março de 2026

SINFONIA HEROICA DE BEETHOVEN

A Sinfonia N.º 3 em Mi bemol maior, Op. 55, conhecida como Eroica, é muito mais do que uma obra musical: é um manifesto artístico e filosófico. Beethoven, ao compô-la entre 1803 e 1804, rompeu com os limites formais do classicismo vienense e inaugurou uma nova era, marcada pela intensidade emocional e pela busca de grandeza espiritual. O que antes era música de salão, elegante e contida, transforma-se aqui em uma epopeia sonora que traduz a luta, a dor e a vitória de um herói idealizado. 

Beethoven inicialmente dedicou a obra a Napoleão Bonaparte, visto como símbolo de liberdade e renovação política frente às monarquias conservadoras.

Ao perceber que Napoleão se proclamara imperador, Beethoven rasurou a dedicatória com fúria: o herói da sinfonia não seria mais um homem concreto, mas uma figura universal, um arquétipo da luta pela dignidade humana. 

A obra surge em um momento de transição: o fim do século XVIII, marcado pelo racionalismo iluminista, e o início do século XIX, dominado pelo espírito romântico. 

A EROICA ROMPE PADRÕES ESTABELECIDOS:

Primeiro movimento (Allegro con brio): expansivo, com mais de 700 compassos, apresenta um vigor quase narrativo. É como se descrevesse batalhas interiores e exteriores. 

Segundo movimento (Marcia funebre): uma marcha fúnebre em dó menor, que evoca a morte de um herói. É solene, meditativa, e antecipa o tom trágico que se tornaria comum no romantismo. 

Terceiro movimento (Scherzo): leve e ágil, contrasta com o peso anterior. Representa o renascimento da energia vital. 

Quarto movimento (Finale): baseado em variações de um tema simples, culmina em uma celebração da vitória e da transcendência. 

A VIRADA ESTÉTICA

A sinfonia marca a passagem do Classicismo ao Romantismo.

O herói não é descrito por ações concretas, mas por estados de espírito: coragem, sofrimento, esperança. 

Beethoven inaugura uma música que não apenas entretém, mas questiona e transforma.

Mais de cem anos depois, em meio às ruínas da Segunda Guerra Mundial, Richard Strauss compôs Metamorphosen (1944–1945).

Enquanto Beethoven celebrava o ideal heroico, Strauss refletia sobre a destruição e a crueldade humanas. 

Sua obra, escrita para 23 cordas solistas, é um lamento pela cultura alemã devastada. 

Se a Eroica é um grito de esperança, Metamorphosen é um suspiro de desencanto. 

A Sinfonia N.º 3 redefiniu o papel da música sinfônica: não mais mero entretenimento aristocrático, mas expressão filosófica e existencial.

Inspirou gerações de compositores, de Brahms a Mahler, que viram nela um modelo de profundidade e ousadia. 

Até hoje, sua audição provoca impacto: é como se Beethoven nos convidasse a refletir sobre nossas próprias batalhas e vitórias. 

A Eroica não é apenas uma obra-prima musical; é um símbolo da humanidade em busca de sentido. 

Beethoven, ao rasurar o nome de Napoleão, libertou sua sinfonia de qualquer figura histórica e a transformou em um retrato eterno do espírito humano. 

Assim, cada acorde nos lembra que o verdadeiro herói não é o conquistador, mas aquele que enfrenta a dor, resiste às adversidades e encontra na arte a força para transcender

A Sinfonia N.º 3, Eroica, é um marco que redefine não apenas a música de Beethoven, mas o próprio conceito de sinfonia. Ao compará-la com outras obras do compositor, como a Quinta e a Nona, percebemos como ela inaugura um caminho que seria aprofundado e transformado ao longo de sua produção.

A Eroica rompe com a tradição clássica ao expandir a forma, alongar os movimentos e dar à música uma dimensão quase narrativa, ainda que não conte uma história literal. É uma sinfonia que encarna o espírito de luta e superação, um retrato sonoro do herói idealizado.

Já a Quinta Sinfonia, composta alguns anos depois, condensa esse mesmo espírito em um gesto musical icônico: as quatro notas iniciais, que se tornaram símbolo do destino batendo à porta. Se a Eroica é grandiosa e expansiva, a Quinta é concentrada e dramática, mostrando como Beethoven podia traduzir a mesma ideia de enfrentamento existencial em diferentes linguagens musicais.

A Nona Sinfonia, por sua vez, leva esse impulso ainda mais longe, ao incorporar vozes humanas no último movimento e transformar a sinfonia em um hino universal de fraternidade. Enquanto a Eroica celebra o herói individual, a Nona celebra a humanidade coletiva, culminando no célebre “Ode à Alegria”.

Assim, podemos ver a Eroica como o ponto de partida de uma trajetória: ela abre as portas para o romantismo, a Quinta aprofunda o drama interior e a Nona amplia o horizonte para uma dimensão espiritual e comunitária. Beethoven, ao longo dessas obras, não apenas compôs música, mas construiu uma filosofia sonora, na qual cada sinfonia é um capítulo de uma mesma epopeia: a luta do ser humano contra o destino, a dor e a morte, em busca de transcendência e liberdade. 

Texto e pesquisa

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 

Assista BEETHOVEN | Sinfonia nº 3 em Mi bemol maior, "Eroica"

Clicar no link: 

https://www.youtube.com/watch?v=DuxWQx7kduI




 

EUDERSON TOURINHO E AMIGOS EM GRANDE JORNADA PELO RIO SOLIMÕES - CRÔNICA DE © ALBERTO ARAÚJO

Uma expedição de sete horas partindo de Manaus rumo ao Lago Anori, onde Euderson Tourinho e seus amigos viveram a emoção da pesca do tucunaré em meio à beleza da Amazônia. 

O dia começou cedo em Manaus, com o grupo de amigos reunido no porto, preparando-se para uma aventura que prometia ser memorável. O barco, robusto e confortável, estava abastecido com mantimentos, equipamentos de pesca e, claro, a expectativa de todos. O destino era o Lago Anori(*), um dos refúgios mais conhecidos para a pesca esportiva na Amazônia. 

A viagem, de aproximadamente sete horas, seria feita navegando pelo majestoso Rio Solimões, um dos braços mais importantes do sistema amazônico. O Solimões é imenso, com águas barrentas e fortes correntes, mas também com paisagens que encantam a cada curva, além, de comunidades ribeirinhas, casas flutuantes, crianças brincando às margens e a exuberância da floresta que parece não ter fim.

Euderson Kang Tourinho estava acompanhado de amigos que compartilhavam a mesma paixão pela pesca esportiva. O clima era de camaradagem, risadas e histórias contadas ao som do motor do barco. Alguns já haviam pescado tucunarés antes, outros estavam prestes a viver a experiência pela primeira vez. 

O tucunaré, peixe símbolo da Amazônia, é conhecido por sua força e resistência. Para os pescadores esportivos, capturá-lo é um desafio que exige técnica, paciência e, muitas vezes, sorte. O grupo sabia que não seria uma tarefa simples, mas a expectativa de sentir a puxada firme na linha mantinha todos atentos e animados.

Durante as horas de navegação, o Solimões mostrava sua imponência. Trechos largos pareciam mares interiores, enquanto curvas estreitas revelavam igarapés escondidos. O sol refletia nas águas, criando um espetáculo de luzes douradas. O barco seguia firme, cortando as ondas e deixando para trás uma esteira branca.

Em alguns momentos, o grupo avistava botos cor-de-rosa, que surgiam e desapareciam rapidamente, como se saudassem os viajantes. A presença desses animais reforçava a sensação de estar em um lugar único, onde a natureza ainda dita o ritmo da vida. 

Após cerca de sete horas, finalmente o barco adentrou o Lago Anori. O cenário era deslumbrante: águas mais calmas, cercadas por vegetação densa, árvores que se projetavam sobre a superfície e uma atmosfera de tranquilidade. Era como entrar em um mundo paralelo, onde o tempo faz-se desacelerar.

Ali, o grupo começou a preparar os equipamentos. Varas, carretilhas, iscas artificiais coloridas, tudo pronto para o grande momento. A pesca do tucunaré exige atenção especial às iscas, já que o peixe é atraído por movimentos rápidos e cores vibrantes. 

O primeiro tucunaré. Não demorou muito para que a primeira fisgada acontecesse. Um dos amigos lançou a isca próximo a uma estrutura de galhos submersos e, em segundos, sentiu a puxada forte. O peixe lutava com vigor, saltando sobre a água em tentativas de se livrar do anzol. O grupo acompanhava com entusiasmo, incentivando e vibrando a cada movimento. 

Quando finalmente o tucunaré foi trazido para dentro do barco, todos puderam admirar sua beleza: corpo robusto, cores intensas, manchas características. Era a confirmação de que a jornada valera a pena.

Ao longo do dia, outros tucunarés foram fisgados. Alguns escaparam, deixando apenas a lembrança da batalha travada. Outros foram capturados e exibidos com orgulho, sempre respeitando a prática da pesca esportiva, que valoriza o peixe e o devolve à água após a captura. 

Entre uma fisgada e outra, o grupo aproveitava para conversar, contar histórias e compartilhar experiências. O ambiente era de amizade verdadeira, reforçada pela paixão comum pela pesca e pela natureza.

No retorno, já ao entardecer, o Solimões presenteou o grupo com um espetáculo inesquecível. O céu se tingiu de tons alaranjados e rosados, refletindo nas águas e criando uma paisagem digna de pintura. O barco seguia lentamente, e todos pareciam contemplar em silêncio a grandiosidade daquele momento.

Era mais do que uma pescaria, era uma experiência de conexão com a Amazônia, com seus rios, sua fauna e sua gente. Uma lembrança que ficaria marcada para sempre na memória de Euderson Kang Tourinho e seus amigos.

A pescaria no Lago Anori não foi apenas sobre capturar tucunarés. Foi sobre amizade, aventura e respeito à natureza. O Rio Solimões, com sua imponência, guiou o grupo até um dos cenários mais belos da Amazônia, proporcionando momentos de alegria e contemplação. 

Essa jornada mostrou que a pesca esportiva é muito mais do que um esporte: é uma forma de vivenciar a Amazônia em sua essência, de sentir a força dos rios e de se encantar com a vida que pulsa em cada detalhe. 

© Alberto Araújo

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(*) O LAGO ANORI é um recurso hídrico localizado no município de Anori, no interior do estado do Amazonas. A região, situada na bacia do Rio Negro-Solimões, é conhecida por sua rica biodiversidade, produção de açaí e pelo ecoturismo, com o lago sendo uma das principais atrações naturais da área, que fica a 234 km de Manaus. Significado: O nome Anori vem do Nheengatu “Uanuri” ou “Wanury” (Ánory), referindo-se ao "tracajá macho", uma espécie de quelônio.

Localização: Município integrante da Mesorregião do Centro Amazonense, na região de Coari, AM. 

Atrações: A orla do lago é um ponto de interesse, frequentemente associado a atividades de preservação ambiental, como a campanha Ondas Limpas.

Características: O local é famoso pela beleza natural, trilhas e paisagens típicas da floresta amazônica.


(CLICAR NA IMAGEM PARA VER O PEQUENO VÍDEO)




 

OS 10 MELHORES LIVROS DA LITERATURA BRASILEIRA – SEGUNDO VÍDEO DE APRESENTADOR

(Clicar na imagem para ver o vídeo)

Essa lista aqui é de cunho totalmente pessoal, eu vou falar os meus 10 livros preferidos da literatura brasileira. Então já deixa a tua nos comentários que eu realmente quero saber. 

Em décimo lugar: 'Casos do Romualdo' do João Simões Lopes Neto.

Em nono lugar: 'Noite na Taverna' do Álvares de Azevedo.

No oitavo lugar: 'Cancioneiro Guasca', também de João Simões Lopes Neto.

No sétimo lugar: 'Quarto de Despejo' de Carolina Maria de Jesus.

Em sexto lugar: 'Lira dos Vinte Anos' de Álvares de Azevedo.

No quinto lugar: 'Grande Sertão: Veredas' de João Guimarães Rosa.

No quarto lugar: 'O Cortiço' de Aluísio Azevedo.

No terceiro lugar: 'Dom Casmurro' de Machado de Assis.

No segundo lugar: 'Macunaíma' de Mário de Andrade. 

E antes do primeiro lugar, deixa eu dar as menções honrosas que ficaram de fora da lista: 'Memórias Póstumas de Brás Cubas', 'Amar, Verbo Intransitivo', 'Pauliceia Desvairada', 'Vidas Secas', 'Olhai os Lírios do Campo', 'Poesias Completas' de Machado de Assis e 'Iracema'.

E agora sim, primeiro lugar, um roubo na lista porque são dois livros, mas eles estão sendo publicados sempre juntos hoje em dia. Estou falando de 'Contos Gauchescos', que é o meu preferido, e 'Lendas do Sul' do João Simões Lopes Neto. 

Lembrando que é uma lista totalmente de cunho pessoal. O que é que vocês acharam da minha lista? Eu quero saber da tua, então comenta já o teu top 10 livros preferidos de brasileiro! 

Lista dos 10 Melhores Livros Brasileiros, segundo o Vídeo.

  1. Contos Gauchescos e Lendas do Sul – João Simões Lopes Neto
  2. Macunaíma – Mário de Andrade
  3. Dom Casmurro – Machado de Assis
  4. O Cortiço – Aluísio Azevedo
  5. Grande Sertão: Veredas – João Guimarães Rosa
  6. Lira dos Vinte Anos – Álvares de Azevedo
  7. Quarto de Despejo – Carolina Maria de Jesus
  8. Cancioneiro Guasca – João Simões Lopes Neto
  9. Noite na Taverna – Álvares de Azevedo
  10. Casos do Romualdo – João Simões Lopes Neto

Menções Honrosas:

  • Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)
  • Amar, Verbo Intransitivo (Mário de Andrade)
  • Pauliceia Desvairada (Mário de Andrade)
  • Vidas Secas (Graciliano Ramos)
  • Olhai os Lírios do Campo (Érico Veríssimo)
  • Poesias Completas (Machado de Assis)
  • Iracema (José de Alencar)




 

BRUNA LOMBARDI FALA SOBRE ADÉLIA PRADO

(Clicar na imagem para ver o vídeo)

Eu sou muito fã da Adélia Prado. Gosto demais da poesia dela. A poesia dela foi um acontecimento. É um arrebatamento. E eu tenho o privilégio de ter momentos de intimidade, de amizade com a Adélia de muitos anos atrás. 

Eu nunca falo sobre eles, mas que foram assim um privilégio mesmo e uma alegria tão grande de compartilhar isso. Poesia com essa mulher espetacular. A gente estava... eu fui pra Divinópolis na casa dela. E eu me lembro de uma cena. É íntimo, mas por isso que eu vou contar. Eu acho que é um momento importante na vida dela assim, a gente pode contar memórias. 

Eu estava na casa dela, a gente estava no quarto dela. As duas deitadas na cama lendo poesia. Adélia com os olhos marejados lendo Drummond. E eu assim, me debulhando junto. Mas assim, são momentos da vida que você agradece esse acontecimento. Agradece o prazer dessa companhia. Agradece a emoção de tá junto de uma mulher que escreve tão bem.

E agora gente... olha essa coleção da Adélia Prado. Miserere... olha só. E o melhor, o mais lindo... Filandras. Adélia, esses livros são uma obra de arte. Eu fiquei apaixonada por essas capas. Olha essas capas! A Record, Leonardo Iaccarino. Olha só. Um mais bonito que o outro. Solte os cachorros. Gente, essa coleção é imperdível. 

Obras de Adélia Prado. 

Vou botar as três aqui bonitinho em pé pra vocês terem uma noção de como elas conversam uma com a outra, são tão bonitas. E obviamente. Esse é o último livro que saiu dela. Pra quem ainda não leu, leia: O Jardim das Oliveiras.

ADÉLIA PRADO: A POESIA DO COTIDIANO E DO SAGRADO 

Adélia Prado é uma das vozes mais singulares e potentes da literatura brasileira contemporânea. Nascida em Divinópolis (MG), em 1935, ela transformou o cenário literário nacional ao elevar o cotidiano doméstico, a feminilidade e a religiosidade ao status de alta poesia. 

A história de sua estreia é lendária: em 1976, Adélia enviou seus manuscritos para Carlos Drummond de Andrade, que ficou tão impressionado que afirmou: "Adélia é fenomenal". Com o aval do mestre, ela publicou Bagagem, obra que a catapultou para o reconhecimento crítico imediato. 

A escrita de Adélia é marcada por um dualismo fascinante:

O Sagrado e o Profano: Ela une a fé católica profunda com a sensualidade e o desejo carnal de forma harmoniosa.

O Feminino: Retrata a mulher real — a mãe, a dona de casa, a amante — longe de idealizações, focando na beleza das pequenas coisas. 

Linguagem Coloquial: Sua poesia é acessível, mas carregada de uma metafísica que busca o extraordinário no ordinário. 

PRINCIPAIS OBRAS

Além dos títulos citados por Bruna Lombardi no vídeo, destacam-se:

Bagagem (1976) - O marco inicial.

O Coração Disparado (1978) - Vencedor do Prêmio Jabuti.

Cacos para um Vitral (1980) - Incursão na prosa.

O Jardim das Oliveiras (2024) - Sua obra mais recente, que marca seu retorno após um longo hiato. 

Adélia Prado nos ensina que a vida não precisa de grandes eventos para ser poética; basta um olhar atento para a "cozinha" da existência para encontrar o divino. 

© Alberto Araújo

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APRESENTAÇÃO DA DIRETORIA DO ELOS CLUBE DE NITERÓI – GESTÃO 2026-2027

Com imensa honra e o coração repleto de elismo, o Elos Internacional sob a inspiradora e sábia presidência de Matilde Slaibi Conti, e a dedicada Governadora do Distrito 8, Márcia Pessanha divulga e apresenta a valorosa composição da nova Diretoria do Elos Clube de Niterói para a gestão 2026-2027! 

E muito felizes introduzem a Presidente eleita para este ciclo, a ilustre e carismática elista: JOCELIN MARRY VIANA NERY DA SILVA. 

Jocelin Marry assume a condução do Elos de Niterói com um histórico de dedicação e amor à causa, e todos nós, elistas, estamos na expectativa de que ela, com sua visão e liderança, faça uma administração exemplar e marcante para a nossa história. 

Ladeando a Presidente Jocelin Marry Nery, teremos uma equipe de elistas extraordinárias, personalidades de grande relevância na instituição, que trazem consigo experiência, paixão e o compromisso renovado de servir: 


VICE-PRESIDENTE: Karin Ferreira Dias Rangel.

1ª SECRETÁRIA: Flávia Cristina Rosário da Silva.

2ª SECRETÁRIA: Ana Maria Felicidade Coimbra Tourinho.

TESOUREIRO: Rubens Carrilho Fernandes.

A força dessa gestão se consolida com a sabedoria do Conselho Deliberativo:

CONSELHEIRA: Zeneida A. Seixas.

CONSELHEIRA: Riva Mª Leite Costa.

CONSELHEIRO: Francisco Carlos de Souza Vignoli. 

Falar do Elos Clube de Niterói é falar de uma instituição que não apenas preserva a história, mas a vivencia diariamente. Com um legado de mais de meio século de atuação incessante em prol da comunidade e da cultura, o Elos Clube de Niterói é, fundamentalmente, uma instituição que resguarda, valoriza e difunde a riqueza da nossa amada Língua Portuguesa. É um baluarte que mantém viva a chama dos nossos laços fraternos e da nossa identidade lusófona. 

É com orgulho redobrado que lembramos que o Elos de Niterói é uma instituição que recebeu recentemente o título de Patrimônio Imaterial Cultural do Estado do Rio de Janeiro! Essa honraria é o reconhecimento oficial da relevância social, cultural e histórica do nosso clube, celebrando a dedicação de gerações de elistas que transformaram a instituição em um verdadeiro símbolo do patrimônio fluminense. 

UM NOVO CAPÍTULO SE INICIA

A gestão 2026-2027, sob a liderança da Presidente Jocelin Marry Nery, inicia sua jornada com o compromisso de honrar esse legado, fortalecer os elos que nos unem e promover ações que engrandeçam ainda mais a nossa cultura e a nossa língua. É um momento de união, de renovação e de celebrar a força do elismo. 

Convidamos a todos os elistas, amigos e simpatizantes do Elos Clube de Niterói a acompanharem de perto esta nova gestão. 

Lema da gestão 2026-2027:

"Unidos pela Língua, Fortalecidos pelo Elismo!" 

Que esta nova diretoria, ladeada por elistas de tão grande valor e ladeada por elistas importantes da instituição, seja guiada pela união e pelo amor à causa. Desejamos muito sucesso e realizações à Presidente Jocelin Marry Nery e a toda a sua valorosa equipe!



terça-feira, 3 de março de 2026

NOITE DE UNIÃO E RENOVAÇÃO – POSSE DA NOVA DIRETORIA DO ELOS CLUBE TERESÓPOLIS


O ELOS Clube Teresópolis vive um momento esplendoroso e cheio de vitalidade. Com sua trajetória marcada pela união, amizade e compromisso com valores que transcendem fronteiras, o Clube reafirma sua presença ativa na comunidade, celebrando conquistas e fortalecendo laços, tem a honra de convidar para uma noite memorável: o JANTAR DE POSSE DA NOVA DIRETORIA E DOS NOVOS MEMBROS. Será um momento de celebração, união e renovação dos laços que fortalecem o espírito do ELOS, reafirmando sua presença vibrante na comunidade e sua missão de cultivar amizade e solidariedade.

No dia 26 de março de 2026, quinta-feira, às 19h, no restaurante Tasca da Manjerona, 3º piso do Teresópolis Shopping Center, reuniremos companheiros e amigos em um ambiente de alegria e fraternidade. 

O traje esporte fino dará o tom elegante da ocasião, que marcará não apenas a continuidade de uma história de dedicação, mas também o início de novos capítulos que engrandecerão ainda mais o Clube. Que esta noite seja um marco de inspiração e entusiasmo, refletindo o vigor e a vitalidade do ELOS Clube Teresópolis, sempre ativo e esplendoroso em sua jornada de união e prosperidade.

 


CONCERTO DA TEMPORADA DE CLÁSSICOS, NO TEATRO AMAZONAS COM LICIA LUCAS

 

Uma noite que ecoa no tempo: o vídeo da apresentação de Licia Lucas, resgatado para celebrar os 130 anos do Teatro Amazonas, os 29 anos da Orquestra Filarmônica do Amazonas e os 25 anos daquela inesquecível noite em que a música de Tchaikovsky encontrou o coração da Amazônia.

Clicar no link: 

https://youtu.be/E8oIrsJXjVU?si=8gDDLZH0iTDXCLvH


"A música é memória viva: no palco do Teatro Amazonas,

cada acorde de Licia Lucas continua a ecoar

como celebração da arte, da história e da eternidade."

— Alberto Araújo



O Teatro Amazonas, inaugurado em 1896, é um dos símbolos mais marcantes da cultura brasileira e da história da cidade de Manaus. Construído durante o ciclo da borracha, tornou-se um ícone arquitetônico e artístico, projetado para ser um espaço de encontro entre a riqueza da floresta amazônica e a tradição cultural europeia. Sua cúpula colorida, adornada com mosaicos, e sua sala de espetáculos majestosa, com capacidade para mais de 700 pessoas, fazem dele um dos teatros mais belos e reconhecidos do mundo. 

Ao longo do século XX, o Teatro Amazonas passou por períodos de glória e de silêncio, até que, na década de 1990, foi revitalizado e devolvido à cidade como centro ativo da vida cultural. Nesse contexto, nasceu a Orquestra Amazonas Filarmônica, em 1997, consolidando o projeto de criar corpos artísticos estáveis e de promover temporadas regulares de música erudita. 

A Temporada de Clássicos foi concebida como parte desse movimento de revitalização, trazendo ao público manauara e aos visitantes internacionais uma programação de alto nível, com obras do repertório sinfônico universal e a participação de solistas e maestros renomados. Cada concerto é pensado para unir tradição e inovação, oferecendo experiências musicais que dialogam com a história e com o presente. 

No dia 28 de setembro de 2001, o Teatro Amazonas recebeu um dos concertos mais memoráveis dessa temporada, reunindo a Orquestra Amazonas Filarmônica, a pianista brasileira Licia Lucas e o maestro mexicano Eduardo Alvarez. O programa incluiu três obras de grande impacto: a abertura A Grande Páscoa Russa, de Rimsky-Korsakov; o Concerto nº 1 em Si bemol menor para piano e orquestra, de Tchaikovsky; e a Sinfonia nº 5 em mi menor, também de Tchaikovsky.

Esse encontro artístico reafirmou o papel do Teatro Amazonas como palco de excelência, capaz de receber produções de nível internacional e de emocionar o público com interpretações memoráveis. A Temporada de Clássicos, ao longo dos anos, consolidou-se como um dos pilares da vida cultural da região, projetando Manaus no cenário da música erudita mundial. 

Assim, na mágica noite de 28 de setembro de 2001, o monumental Teatro Amazonas, em Manaus, abriu suas portas para mais uma apresentação memorável da Temporada de Clássicos, reunindo a Orquestra Amazonas Filarmônica, a pianista brasileira Licia Lucas e o maestro mexicano Eduardo Alvarez. O evento marcou não apenas um encontro artístico de altíssimo nível, mas também reafirmou o papel do Teatro Amazonas como centro irradiador da cultura erudita no Brasil e na América Latina.

O PROGRAMA DA NOITE 

Às 20h o palco foi tomado pela presença da solista Licia Lucas, que interpretou o monumental Concerto nº 1 em si bemol menor, opus 23, de Piotr Ilitch Tchaikovsky. Esta obra, uma das mais populares do repertório pianístico, exige da intérprete não apenas virtuosismo técnico, mas também profundidade expressiva. Estruturado em três movimentos: Allegro non troppo e molto maestoso - Andante semplice – Prestissimo e Allegro con fuoco, o concerto é um verdadeiro desafio, que Licia enfrentou com maestria, conquistando o público com sua sonoridade refinada e sua interpretação vigorosa. 

Após o intervalo, a orquestra retornou ao palco para executar a Sinfonia nº 5 em mi menor, opus 64, de Tchaikovsky, sob a regência de Eduardo Alvarez. Esta sinfonia, marcada pelo tema do destino que perpassa todos os movimentos, é uma das obras mais dramáticas e intensas do compositor russo. Do Andante - Allegro con Anima inicial até o grandioso Finale – Andante majestoso - Allegro vivace e Presto, a interpretação da Amazonas Filarmônica revelou maturidade artística e coesão sonora, conduzida com firmeza e sensibilidade pelo maestro Alvarez.

A SOLISTA – LICIA LUCAS

Nascida em São Paulo, Licia Lucas construiu uma carreira internacional de destaque. Laureada com a Medalha de Ouro por Arturo Benedetti Michelangeli no Concurso Internacional Viotti, na Itália, Licia apresentou-se em diversos países, consolidando-se como uma das grandes damas do piano brasileiro. 

Sua formação musical foi ampla e diversificada: estudou no Brasil com Homero de Magalhães e, posteriormente, na Itália com Vincenzo Vitale, herdeiro da tradição pianística de Thalberg, no Conservatório de Santa Cecília de Roma. Aperfeiçoou-se ainda com Bruno Seidhofer e Hans Graf, da escola vienense, o que lhe conferiu uma sólida base técnica e estilística. 

Nos Estados Unidos, obteve grande sucesso como solista da Miami Symphony Orchestra, recebendo elogios da crítica especializada, que destacou sua sonoridade especial e sua capacidade de transitar entre os tons brilhantes e os matizes mais delicados. 

Ao longo de sua trajetória, Licia apresentou-se com importantes orquestras, como a Orquestra Metropolitana de Lisboa, a UCF Central Florida Orchestra, a Orquestra Sinfônica do Estado do México e diversas sinfônicas brasileiras. Participou de festivais internacionais e teve suas apresentações patrocinadas por instituições de prestígio, como a UNESCO, a OEA e o Banco Interamericano de Desenvolvimento. 

Reconhecida por sua versatilidade, Licia gravou obras de Chopin e o CD “Il Barocco” além de realizar turnês internacionais em países da Europa, América Latina e Estados Unidos. Sua presença no palco do Teatro Amazonas, em 2001, reafirmou sua posição como uma intérprete de excelência, capaz de dialogar com o repertório romântico de Tchaikovsky com intensidade e lirismo. 

O REGENTE – EDUARDO ALVAREZ 

O maestro Eduardo Alvarez, responsável pela regência da noite, é uma figura de destaque no cenário musical internacional. Fundador da Orquestra Filarmônica de Acapulco em 1998, Alvarez reuniu músicos de diversas partes do mundo e rapidamente consolidou a orquestra como uma das mais respeitadas do México. 

Sua formação inclui estudos na Escola Nacional de Música da Universidade Nacional Autônoma do México e no Conservatório Nacional da Cidade do México, onde se graduou em violino e regência orquestral em 1976. Aperfeiçoou-se na Itália, na Accademia Musicale Chigiana, sob a orientação do lendário maestro Franco Ferrara, experiência que lhe abriu portas para reger a Orquestra Sinfônica de Sofia. 

Ao longo de sua carreira, Alvarez colaborou com importantes orquestras dos Estados Unidos e da Europa, além de ter fundado a primeira companhia privada de ópera do México em 1994. Sua atuação é marcada pela versatilidade e pela capacidade de conduzir grandes produções, sempre com rigor técnico e sensibilidade artística. 

No concerto de 2001 em Manaus, Alvarez demonstrou sua habilidade ao também extrair da Amazonas Filarmônica uma sonoridade coesa e expressiva. 

A ORQUESTRA AMAZONAS FILARMÔNICA

Criada em novembro de 1997, a Orquestra Amazonas Filarmônica rapidamente se destacou como um dos principais grupos orquestrais da América do Sul. Idealizada pelo governador Amazonino Mendes, a orquestra foi concebida como parte de um projeto de revitalização cultural do Estado do Amazonas, tendo o Teatro Amazonas como sede e símbolo.

A seleção de seus músicos ocorreu por meio de audições nacionais e internacionais, incluindo provas na Bulgária, Bielorrússia e São Petersburgo, o que garantiu a presença de instrumentistas de altíssimo nível. Desde sua fundação, a orquestra tem se apresentado em importantes palcos brasileiros, como a Sala São Paulo e o Teatro da Paz, em Belém, além de participar do Festival Amazonas de Ópera, considerado o mais importante evento operístico do Brasil. 

Sob a direção artística de Luiz Fernando Malheiro, a Amazonas Filarmônica consolidou-se como um corpo estável de excelência, capaz de interpretar repertórios variados e de colaborar com solistas e maestros de renome internacional. 

O SIGNIFICADO DO CONCERTO 

O concerto da Temporada de Clássicos em 28 de setembro de 2001 foi mais do que uma apresentação musical: representou a convergência de talentos internacionais e nacionais em um espaço histórico e simbólico. A presença de Licia Lucas, pianista brasileira com carreira internacional, e de Eduardo Alvarez, maestro mexicano de prestígio, reforçou o caráter cosmopolita da programação do Teatro Amazonas. 

A execução de obras de Rimsky-Korsakov e Tchaikovsky proporcionou ao público uma viagem pelo repertório russo, marcado por intensidade dramática e riqueza orquestral. A interpretação da Amazonas Filarmônica, aliada ao virtuosismo de Licia Lucas e à regência firme de Alvarez, resultou em uma noite inesquecível, que permanece na memória cultural da cidade de Manaus e do Brasil. 

O CONCERTO Nº 1 EM SI BEMOL MENOR DE TCHAIKOVSKY 

Entre as obras mais célebres do repertório pianístico universal, o Concerto nº 1 em Si bemol menor, opus 23, de Piotr Ilitch Tchaikovsky, ocupa um lugar de destaque absoluto. Composto em 1874-1875, este concerto tornou-se rapidamente um dos mais executados e amados pelo público, não apenas pela grandiosidade de sua escrita, mas também pela combinação entre virtuosismo técnico e intensidade emocional. 

A GÊNESE DA OBRA 

Tchaikovsky iniciou a composição do concerto em Moscou, em um momento de grande efervescência criativa. Originalmente, o compositor apresentou a obra ao pianista e professor Nikolai Rubinstein, esperando que este fosse o intérprete ideal para a estreia. No entanto, Rubinstein criticou severamente a peça, chamando-a de “impossível de tocar” e “sem valor artístico”. Ferido, mas convicto de sua inspiração, Tchaikovsky recusou-se a alterar substancialmente a obra e dedicou-a ao pianista e maestro alemão Hans von Bülow, que a estreou em Boston em 1875. O sucesso foi imediato, e o concerto passou a ser reconhecido como uma das joias do repertório romântico. 

ESTRUTURA E CARACTERÍSTICAS MUSICAIS 

O concerto é dividido em três movimentos, cada um com características próprias que revelam a genialidade de Tchaikovsky: 

1. Allegro non troppo e molto maestoso O primeiro movimento abre com uma das introduções mais famosas da música clássica: um tema majestoso, apresentado pela orquestra e acompanhado por acordes poderosos do piano. Curiosamente, este tema nunca retorna ao longo da obra, funcionando como uma espécie de portal sonoro que conduz o ouvinte ao universo dramático do concerto. O movimento desenvolve-se em forma sonata, com passagens de grande virtuosismo, contrastes entre lirismo e energia, e diálogos intensos entre piano e orquestra. 

2.Andante semplice – Prestissimo O segundo movimento oferece um contraste delicado. O piano inicia com uma melodia simples e lírica, que evoca uma atmosfera intimista. No entanto, o clima é interrompido por uma seção central marcada por um ritmo vivo e dançante, quase como uma peça de salão. Essa alternância entre simplicidade e brilho confere ao movimento uma beleza particular, revelando o lado mais poético de Tchaikovsky. 

3.Allegro con fuoco O terceiro movimento é uma explosão de energia. Inspirado em danças populares russas e ucranianas, apresenta um ritmo vibrante e contagiante. O piano assume papel protagonista, com passagens de grande dificuldade técnica, enquanto a orquestra sustenta o clima festivo e arrebatador. O concerto culmina em um final triunfante, que deixa o público em êxtase.

A INTERPRETAÇÃO DE LICIA LUCAS 

Na noite de 28 de setembro de 2001, no Teatro Amazonas, a pianista Licia Lucas assumiu o desafio de interpretar esta obra monumental diante da Orquestra Amazonas Filarmônica, sob a regência de Eduardo Alvarez. Sua execução foi marcada por equilíbrio entre força e delicadeza, virtuosismo e sensibilidade.

No primeiro movimento, Licia destacou-se pela clareza dos acordes iniciais e pela capacidade de manter o diálogo intenso com a orquestra, sem perder a fluidez da linha melódica. No segundo movimento, sua interpretação revelou um lirismo refinado, com toques suaves e expressivos que encantaram o público. Já no terceiro movimento, Licia demonstrou domínio técnico absoluto, enfrentando as passagens rápidas e vigorosas com segurança e brilho, conduzindo a obra até o seu desfecho triunfal.

O IMPACTO DA OBRA E SUA RECEPÇÃO

O Concerto nº 1 de Tchaikovsky é considerado um marco no repertório pianístico por sua capacidade de unir elementos populares e eruditos, virtuosismo e emoção. Sua popularidade transcende fronteiras culturais, sendo executado por pianistas de diferentes gerações e nacionalidades. 

Na apresentação de 2001, o concerto ganhou uma dimensão especial: interpretado por uma pianista brasileira de carreira internacional, em um dos palcos mais emblemáticos da América Latina, acompanhado por uma orquestra jovem e vibrante, sob a batuta de um maestro de renome internacional. O resultado foi uma noite memorável, que reafirmou a universalidade da música de Tchaikovsky e sua capacidade de emocionar públicos diversos. 

Mais do que um espetáculo musical, o concerto reafirmou o papel do Teatro Amazonas como palco de excelência internacional, capaz de acolher artistas de renome e de oferecer ao público experiências estéticas profundas. A Orquestra Amazonas Filarmônica, jovem mas já consolidada, demonstrou maturidade e vigor, confirmando sua posição entre os principais grupos orquestrais da América do Sul.

A Temporada de Clássicos de 2001, com este concerto em especial, mostrou que a música erudita é capaz de transcender fronteiras geográficas e temporais, conectando Manaus ao mundo e unindo plateias diversas em torno da beleza universal da arte. Foi uma noite em que cada acorde, cada gesto e cada silêncio se transformaram em celebração da vida, da cultura e da memória.

COMENTÁRIO DE LICIA LUCAS

Concerto No. 1 em Si bemol menor foi composto por Tchaikovsky em Novembro de 1874. Entusiasmado com a nova criação, no Natal do mesmo ano ele a tocou para seu amigo, o pedagogo e Diretor do Conservatório de Moscou, Nikolai Rubinstein a quem tinha intenção de dedicar a obra. As coisas não foram muito bem, porque Tchaikovsky, tendo tido que escutar as severas críticas de Nikolai Rubinstein (o qual considerava que somente 2 ou 3 páginas poderiam se salvar), saiu repentinamente da sala, muito aborrecido dizendo que não mudaria uma única nota do concerto. O concerto foi então dedicado ao pianista Hans von Bülow quem o tocou por primeira vez em Boston em 1875, com um tão grandioso sucesso que o próprio Nikolai admitiu rapidamente seu erro inicial de apreciação e o incorporou a seu repertório em “tournées” de grande sucesso. Para Stravinsky, “Tchaikovsky demonstrou ser profundamente russo e destacou-se pelo esplendor de seu poderoso engenho, encontrando sua verdadeira forma de expressão em generoso abraço ao mundo ocidental”.

O Concerto No. 1 de Tchaikovsky e o concerto em Lá menor de Grieg, são sem dúvida dois dos mais conhecidos e populares já compostos. Os artistas e os compositores tornam-se realmente populares quando conseguem transmitir aos seres humanos a essência da vida, transcendendo o tempo e a condição humana da própria existência, transformando o finito em eterno; e por meio da misteriosa forma de comunicação da música são capazes de induzir nos seres humanos os melhores sentimentos, guiados pela beleza e pela sinceridade que preside a criação das grandes obras.”


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"Na memória do Teatro Amazonas, cada nota de Licia Lucas é como uma chama que nunca se apaga, iluminando 130 anos de história e 29 anos de música  com a força de um instante eterno. O destino da arte é permanecer: naquela noite de 2001, o piano de Licia Lucas uniu passado e futuro, e hoje, 25 anos depois, ainda ressoa como  celebração da vida e da cultura amazônica."  — Alberto  Araújo

 






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