sexta-feira, 27 de março de 2026

ELOS INTERNACIONAL EM TERESÓPOLIS: UMA JORNADA DE CIVISMO E HERANÇA LUSITANA

TERESÓPOLIS – O intercâmbio cultural e a reafirmação dos laços da lusofonia marcaram a agenda da Presidência do Elos Internacional nesta semana. Após cumprir compromisso oficial na Região Serrana do Rio de Janeiro, a Presidente Internacional, Matilde Slaibi Conti, estendeu sua permanência em Teresópolis nesta sexta-feira, 27 de março, para uma imersão na história luso-brasileira. 

A comitiva elista chegou à cidade no dia anterior, 26, acompanhada pela Governadora Márcia Pessanha, para a solene posse da nova Diretoria do Elos Clube de Teresópolis. O evento, pautado pela ética e pelo companheirismo, serviu como prelúdio para uma manhã de sexta-feira dedicada ao reconhecimento do patrimônio cultural local. 

O ENCONTRO COM A HISTÓRIA: VISITA À CASA DE PORTUGAL 

Na manhã de hoje, Matilde Slaibi Conti liderou uma expressiva representação de lideranças internacionais e de células elistas em uma visita à icônica Casa de Portugal de Teresópolis. O casarão não é apenas uma sede social, mas um portal que transporta o visitante a 1936, ano da fundação do antigo Grêmio Português de Teresópolis, criado com o propósito de congregar e acolher a colônia portuguesa residente no município. 

A VISITA FOI LADEADA POR LÍDERES EXPONENCIAIS DA ESTRUTURA ELISTA, INCLUINDO: Sidney Cardoso da França (Vice-presidente Internacional) e Selma Cristina Dias da França (Tesoureira Internacional), ambos do Elos de Praia Grande; Geraldo Faria Rodrigues Júnior (Governador do Distrito-II) e Márcia Maria Rodrigues (Pres. do Elos Grande ABC), ambos Diretores do Conselho Fiscal Internacional; Fernanda Pereira (Diretora Internacional de Expansão) e Simone Cristiane Schiavon Ayres (Conselho Fiscal Internacional); Maria do Céu Rodrigues, do Elos Clube Grande ABC.

A Casa de Portugal, hoje consolidada como um pilar da cultura luso-brasileira, impressionou a comitiva pela sua infraestrutura e vitalidade. Para além de preservar as tradições, a instituição mantém uma vibrante agenda esportiva e artística, oferecendo desde hóquei e tênis até o refinamento do ballet. 

Para a presidente Matilde Slaibi Conti, a visita simboliza a essência do "Elo": a união entre o passado honroso e o presente ativo. A permanência em Teresópolis reafirma que o movimento elista segue fortalecido, conectando lideranças em prol da preservação da língua e dos valores que unem Brasil e Portugal.

© Alberto Araújo

Diretor Cultural do Elos Internacional

 









ETTA JAMES & ARETHA FRANKLIN: O ENCONTRO DAS CHAMAS

 

Em 1966, a música negra americana vivia uma combustão criativa. Se o álbum "Woman of Fire" tivesse chegado às lojas naquele ano, teria selado o destino do Soul como a linguagem definitiva da emoção humana. De um lado, Etta James trazia a bagagem do Blues e do R&B visceral. Sua voz, marcada por uma aspereza elegante e uma entrega que parecia sempre à beira de um desabafo, injetava realismo em cada nota. Etta era a sobrevivente, a voz da experiência que transformava dor em autoridade.

Do outro lado, Aretha Franklin estava em um momento de transição divina. Vinda do gospel, ela trazia uma técnica impecável e uma extensão vocal que desafiava a gravidade. Em 1966, Aretha injetava uma dignidade soberana no gênero, preparando o terreno para se tornar a Rainha. "Woman of Fire" seria o diálogo entre a rua e a igreja: o timbre profundo e "sujo" de Etta contrastando com os agudos cristalinos e potentes de Aretha.

O álbum teria sido um manifesto de força feminina em uma década de transformações. Entre baladas de arrancar o fôlego e hinos de "up-tempo" conduzidos por metais pesados, as duas cantoras não apenas dividiriam o microfone, mas duelariam com respeito, elevando o padrão do que significava ser uma intérprete de Soul. Um clássico perdido que, mesmo no imaginário, queima com a intensidade de mil sóis. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural







quinta-feira, 26 de março de 2026

BREVE LANÇAMENTO: UM ENCONTRO DE GIGANTES DA CULTURA BRASILEIRA

O Canto que Atravessa o Tempo: “A Lira de Orfeu nas Claves de Vinícius” de Dalma Nascimento

Diz a lenda que, quando Orfeu tangia sua lira, o mundo silenciava para aprender a sentir. Séculos depois, sob o sol do Rio de Janeiro, esse mesmo lamento ecoou no violão de Vinícius de Moraes, transformando o morro em Olimpo e o samba em tragédia clássica. Agora, esse diálogo eterno ganha uma nova e definitiva partitura literária. 

É com a reverência devida aos grandes encontros que anunciamos a produção de "A Lira de Orfeu nas Claves de Vinícius", a mais nova obra da ilustre ensaísta, professora e acadêmica Dalma Nascimento, que ora aponta no cenário literocultural brasileiro. 

Neste livro, Dalma não se limita ao papel de observadora; ela atua como uma mestre de cerimônias entre dois mundos. Com a precisão de quem domina as heranças da Idade Média e a sensibilidade de quem decifrou, em cinco obras fundamentais, o universo de Nélida Piñon, a autora constrói uma ponte vibrante. De um lado, o mito milenar de Orfeu e Eurídice; do outro, a pulsação urbana e mística do "Orfeu da Conceição".

Com mais de 30 livros publicados, Dalma Nascimento consolida-se como uma das principais ensaístas do mundo contemporâneo. Sua presença na literatura brasileira é a afirmação da força intelectual feminina: uma escrita que mergulha nas raízes da ancestralidade para explicar a modernidade. Em sua análise, o Orfeu de Vinícius deixa de ser apenas uma peça teatral para se tornar um espelho da alma lírica do Brasil. um território onde o amor desafia a morte em cada acorde.

Em "A Lira de Orfeu nas Claves de Vinícius", Dalma nos conduz por uma jornada emocionante. Ela não apenas contextualiza a peça que revolucionou o teatro e a música brasileira, mas também explora a universalidade do amor e da perda, guiada pela voz inconfundível de Vinícius e pela interpretação magistral de Dalma. 

Este lançamento é um convite para reencontrar Orfeu e Eurídice, Vinícius de Moraes e, acima de tudo, para celebrar a escrita poderosa de Dalma Nascimento. "A Lira de Orfeu nas Claves de Vinícius" é uma obra essencial para amantes da literatura, da música e da cultura brasileira. 

Aguarde o lançamento e prepare-se para ser tocado pela magia deste encontro literário.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural




 

11 - O ECO NO ABISMO: UMA MEDITAÇÃO SOBRE ORFEU E EURÍDICE - ENSAIO LITERÁRIO DE © ALBERTO ARAÚJO

A mitologia grega é um inventário das paixões humanas, mas nenhum de seus relatos captura a dualidade entre a criação artística e a finitude existencial de forma tão devastadora quanto o mito de Orfeu e Eurídice. Esta não é apenas uma narrativa sobre a perda, morte; é um tratado sobre a natureza da fé, o poder da música e a incapacidade inerente do ser humano de aceitar o silêncio do invisível. 

O mito de Orfeu e Eurídice não é apenas uma tragédia sobre a morte; é um espelho da ansiedade humana diante da incerteza. 

Orfeu desafiou as leis do universo, desceu às profundezas do impossível e convenceu o próprio destino (Hades) a lhe devolver a felicidade. No entanto, o seu maior desafio não foi a descida ao inferno, mas a subida em silêncio. 

A condição imposta, não olhar para trás, é a prova definitiva da fé. O "pecado" de Orfeu foi o amor desesperado. Ele precisava de uma confirmação visual porque o silêncio de Eurídice era insuportável. Ao se virar, ele não buscou apenas o rosto dela, ele buscou a segurança de que não estava sozinho. 

Aquele último olhar é o momento mais devastador da mitologia: a fração de segundo em que o amor reencontrado se torna perda definitiva. A história nos ensina que, às vezes, o desejo de possuir e "ter certeza" é justamente o que destrói o que mais amamos. Isso revela a beleza cruel dessa narrativa: amamos Orfeu por sua humanidade falha. Ele falhou porque a amava demais para suportar a dúvida. 

I. O Artista e a Musa: A Harmonia Perfeita

Orfeu não era um herói comum. Enquanto Hércules vencia pela força e Ulisses pela astúcia, Orfeu vencia pela harmonia. Filho de Calíope, a musa da poesia épica, e segundo algumas versões do próprio Apolo, ele recebeu a lira e o dom de encantar não apenas os homens, mas a própria natureza. Diz-se que, quando Orfeu tocava, as árvores se curvavam para ouvir e as feras mais selvagens deitavam-se aos seus pés em paz. 

Neste cenário de perfeição estética, surge Eurídice. Ela não é apenas o objeto de seu afeto; ela representa a materialização da beleza que Orfeu sempre buscou em sua arte. O casamento deles foi a união da Melodia com a Forma.

No entanto, o mito nos alerta desde o início sobre a fragilidade dessa união: no dia do matrimônio, Himeneu, o deus das bodas, trouxe uma tocha que soltava uma fumaça densa, provocando lágrimas nos presentes, um presságio sombrio de que a alegria seria curta. 

II. A Queda e o Silêncio de Hades 

A tragédia irrompe através do acaso. Eurídice, ao fugir de um perseguidor, o pastor Aristeu, pisa em uma serpente venenosa. A mordida é fatal. Em um instante, a música de Orfeu perde seu contraponto. O mundo, antes vibrante, torna-se dissonante. 

O que diferencia Orfeu de outros enlutados é sua recusa em aceitar a fronteira final. Ele decide fazer o que nenhum mortal ousaria: descer ao Hades vivo. Sua arma não é a espada, mas a lira. Ao chegar aos portões do mundo inferior, sua música suspende o tempo e o sofrimento. Cérbero, o cão de três cabeças, adormece; o suplício de Sísifo estagna; as Erínias, entidades de vingança implacável, choram pela primeira vez. 

Orfeu convence Hades e Perséfone a libertarem Eurídice apelando para a memória do próprio amor deles. O "Sim" de Hades vem com a condição famosa: Orfeu deve caminhar à frente, e Eurídice o seguirá, mas ele não poderá olhar para trás até que ambos estejam sob a luz do sol. 

III. O Olhar: A Fraqueza da Fé Humana  

Este é o ponto nevrálgico do mito. Por que Orfeu olhou? A resposta curta é o amor; a resposta profunda é a dúvida. 

Durante a ascensão pelos túneis escuros e silenciosos do submundo, Orfeu é testado pelo vácuo. Ele não ouve os passos de Eurídice, pois as sombras não fazem ruído. Ele não sente sua respiração. O silêncio torna-se um monstro maior que o próprio Hades. A dúvida começa a sussurrar: "Será que os deuses me enganaram? Será que estou caminhando sozinho?" 

O olhar de Orfeu, a poucos metros da saída, é o ato humano por excelência. Ele representa a nossa necessidade desesperada de evidência empírica. Queremos tocar as feridas, queremos ver o rosto, queremos a prova de que o que amamos ainda existe. No momento em que ele se vira, ele não vê apenas Eurídice; ele vê a perda se concretizando. Ela é puxada de volta, uma segunda morte, desta vez definitiva, pois foi causada pela mão,  ou melhor, pelo olho, daquele que mais a amava. 

IV. A Lira Despedaçada: O Pós-Mito 

A vida de Orfeu após a segunda perda de Eurídice é uma descida à melancolia absoluta. Ele rejeita todas as outras mulheres, dedicando-se apenas à memória da amada e à natureza. Sua música, antes celebrativa, torna-se um lamento que fere a terra. 

Sua morte é brutal. As Mênades, seguidoras de Dionísio, furiosas por serem rejeitadas pelo poeta, o despedaçam em um frenesi ritualístico. Contudo, há uma beleza mística no final: diz a lenda que sua cabeça, jogada ao rio Hebro, continuou a cantar o nome de Eurídice enquanto flutuava em direção ao mar. A arte de Orfeu sobreviveu ao seu corpo, e sua alma finalmente pôde se reunir com a de sua esposa no Campo Elíseos, onde agora podem caminhar lado a lado, e ele pode olhá-la o quanto desejar. 

V. Conclusão: O que Orfeu nos ensina hoje?

O ensaio de Orfeu e Eurídice é uma lição sobre a limitação da vontade. Nós, humanos, acreditamos que com talento, esforço e amor podemos dobrar as leis da vida e da morte. Orfeu provou que a arte pode abrir as portas do inferno, mas não pode mudar a natureza da mortalidade. 

Além disso, o mito fala sobre a paciência do espírito. Quantas vezes, em nossas vidas, estamos prestes a alcançar nossos objetivos ("a luz do sol"), mas falhamos porque não suportamos o silêncio da espera? Orfeu nos ensina que o amor exige uma fé que prescinde da visão. 

No fim, Orfeu é o Patrono de todos os artistas e amantes que, mesmo sabendo que a perda é inevitável, decidem cantar e amar com tanta força que até as pedras choram. A beleza não reside na permanência de Eurídice, mas na coragem de Orfeu em ter descido ao abismo para tentar buscá-la. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

OVÍDIO. Metamorfoses. Tradução de Domingos Lucas Dias. São Paulo: Editora 34, 2017. (Livros X e XI: A narrativa mais completa sobre o amor, a descida ao Hades e a morte de Orfeu). 

VIRGÍLIO. Geórgicas. Tradução de Odorico Mendes. (Livro IV: Apresenta a versão onde Aristeu persegue Eurídice, desencadeando a tragédia).

APOLÔNIO DE RODES. Argonáuticas. (Relata a participação de Orfeu na expedição dos Argonautas, demonstrando seu poder antes da perda de Eurídice). 

CAMPBELL, Joseph. As Máscaras de Deus: Mitologia Ocidental. São Paulo: Palas Athena, 2004. (Analisa o papel do herói artista). 

ELIADE, Mircea. Aspectos do Mito. Lisboa: Edições 70, 2010. (Explora o xamanismo órfico e a descida ao submundo). 

GRIMAL, Pierre. Dicionário da Mitologia Grega e Romana. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2016. (Referência essencial para as variantes do mito).

Textos que discutem o "olhar de Orfeu" e a relação entre arte, morte e linguagem: 

BLANCHOT, Maurice. O Olhar de Orfeu. In: O Espaço Literário. Rio de Janeiro: Rocco, 2011. (Um dos ensaios mais influentes sobre por que Orfeu "precisava" olhar para trás para realizar sua obra).

RILKE, Rainer Maria. Sonetos a Orfeu. Tradução de Karlheinz Barkeck. São Paulo: Globo, 1994. (A maior homenagem poética moderna ao mito, tratando da transitoriedade).

MARCUSE, Herbert. Eros e Civilização. Rio de Janeiro: Zahar, 1982. (Contrapõe Orfeu a Prometeu, vendo em Orfeu o símbolo da libertação pela beleza e pelo prazer).

Obras que adaptaram o mito para a nossa realidade e língua: 

MORAES, Vinicius de. Orfeu da Conceição. Rio de Janeiro: 1956. (Peça que transporta o mito para as favelas do Rio de Janeiro, base para o filme Orfeu Negro). 

PESSOA, Fernando. O Orfeu Rebelde (temas esparsos na obra) e a influência da revista Orpheu no Modernismo Português. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 

SOBRE AS IMAGENS FUNDIDAS



ORFEU LAMENTANDO EURÍDICE - JEAN-BAPTISTE CAMILLE COROT

Orfeu Lamentando Eurídice é uma pintura de 1861 de Camille Corot, atualmente pertencente ao acervo do Museu de Arte Kimbell. A obra mede 61 cm de altura e 41,9 cm de largura. A pintura retrata uma paisagem serena com a figura mítica de Orfeu tocando lira, lamentando a perda de sua amada Eurídice.

 

ORFEU TRAZENDO EURÍDICE DE VOLTA DO SUBMUNDO

ÓLEO SOBRE TELA – 1861  - Artista: Camille Corot (1796–1875)

Local: Museu de Belas Artes de Houston (adquirida em 1987).

Assunto: Cena da mitologia grega (Orfeu trazendo Eurídice de volta dos mortos).

Dimensões: 112,7 x 137,2



 

 

 



 

NOITE DE GALA EM TERESÓPOLIS: PRESIDENTE MATILDE SLAIBI CONTI E A GOVERNADORA MARCIA PESSANHA. O ELISMO CELEBRA A HISTÓRIA E A RENOVAÇÃO SOB O OLHAR DA IMPERATRIZ

A noite de 26 de março de 2026 ficará marcada nos anais da comunidade elista de Teresópolis como um momento de profunda conexão entre o passado imperial e o futuro da instituição. Sob o cenário acolhedor e requintado do restaurante Donna Tê Gastronomia, localizado no coração histórico da cidade, aconteceu a solene cerimônia de posse da nova diretoria e dos novos membros do Elos Clube de Teresópolis. O evento, que culminou em um jantar festivo, não foi apenas uma formalidade administrativa, mas um verdadeiro manifesto de preservação dos valores culturais e da lusofonia. 

A cerimônia foi prestigiada por duas lideranças exponenciais do movimento: a Presidente do Elos Internacional, Matilde Slaibi Conti, e a Governadora do Distrito D-8, Márcia Pessanha. A presença dessas lideranças elevou o patamar do encontro, trazendo um brilho de autoridade e elegância. 

Matilde Slaibi Conti, com sua visão global e oratória precisa, reafirmou o compromisso do Elos com a fraternidade universal, enquanto Márcia Pessanha, com sua reconhecida dedicação à governança regional, demonstrou a força do elismo fluminense. Ambas circularam pelo evento com o carisma que lhes é inerente, sendo recebidas com entusiasmo pelos novos empossados. Seus trajes, que harmonizavam o clássico e o contemporâneo, espelhavam a própria essência do clube: uma instituição que respeita a tradição, mas caminha com os novos tempos. 

O local escolhido, Donna Tê, carrega um simbolismo que transcende a gastronomia. Batizado em homenagem à Imperatriz Teresa Cristina, a "Mãe dos Brasileiros", o espaço evoca o afeto e a dedicação da monarca que deu nome à cidade. 

Um dos momentos mais marcantes e carregados de significado cultural foi o registro fotográfico do imponente quadro da Família Imperial. Assim, sob a efígie de Dona Teresa Cristina, Matilde e Márcia criaram uma ponte visual entre a liderança feminina do século XIX e o protagonismo das mulheres na sociedade civil do século XXI.

A posse dos novos membros reforça o fôlego renovado do Elos de Teresópolis. Entre discursos provavelmente emocionados e o tilintar de taças, ficará claro que o objetivo é um só: fortalecer os laços de amizade e a difusão da cultura. A atmosfera da trattoria, famosa por suas massas artesanais e pelo toque caseiro que remete ao aconchego das grandes reuniões familiares, foi o palco perfeito para esta noite de "cultura pura".

Teresópolis, em sua Praça Baltazar da Silveira, testemunhou mais do que uma reunião social; presenciou a reafirmação de um compromisso com a identidade brasileira e o intercâmbio cultural que o Elos tão bem representa. 

© Alberto Araújo

Diretor Cultural do Elos Internacional















 

DIPLOMACIA, VANGUARDA E IMORTALIDADE: O RIO CELEBRA O CENTENÁRIO DA ACADEMIA CARIOCA DE LETRAS

Por Redação Focus Portal Cultural 

O calendário cultural do Rio de Janeiro em 2026 está marcado por uma efeméride de rara grandeza: o Centenário da Academia Carioca de Letras, ACL. Fundada em 8 de abril de 1926, a instituição atravessa um século como resguardadora da memória literária fluminense e brasileira. Neste cenário de celebração e postagem especial, dois nomes de projeção internacional e raízes cearenses se destacam: o diplomata e escritor Márcio Catunda e o atual presidente da ACL, o poeta e doutor Adriano Espínola. 

MÁRCIO CATUNDA E A PERIPÉCIA DE VALLE-INCLÁN 

No próximo dia 30 de março, o Auditório da Secretaria Nacional de Agricultura, no Centro do Rio, recebe uma conferência de alto nível: "A peripécia de Ramón del Valle-Inclán, o criador do 'Esperpento'". O palestrante, Márcio Catunda, é talvez um dos brasileiros mais qualificados para discorrer sobre o tema. 

Nascido em Fortaleza, 1957, Catunda construiu uma carreira diplomática brilhante, servindo em postos como Lima, Genebra, Sófia, Madri e Argel. Foi em Madri, como Chefe do Setor de Imprensa, que ele mergulhou na alma da literatura espanhola, publicando obras em castelhano e dialogando com os maiores expoentes locais. 

Membro de instituições como a Associação Nacional de Escritores e o PEN Clube do Brasil, Márcio traz em seu currículo a herança do grupo Siriará e o prestígio de ter convivido com Carlos Drummond de Andrade nos históricos encontros do "Sabadoyle". Sua palestra promete desvendar os mistérios de Valle-Inclán sob a ótica de quem viveu a diplomacia como uma extensão da própria arte literária. 

UM SÉCULO DE TRADIÇÃO: A ACADEMIA CARIOCA DE LETRAS 

A ACL chega aos seus 100 anos reafirmando seu compromisso com o cânone e a experimentação. Nascida sob o nome de Academia Pedro II, a casa da Avenida Augusto Severo consolidou-se como um espaço de resistência cultural. Por suas cadeiras passaram imortais como o jurista Pontes de Miranda, e sua biblioteca permanece como um dos tesouros históricos da capital fluminense. 

A celebração do centenário em abril de 2026 não é apenas uma data no calendário; é o coroamento de uma trajetória que une a tradição das letras ao diálogo com a modernidade. 

A LIDERANÇA DE ADRIANO ESPÍNOLA: O POETA DO SOL E DO RIGOR 

À frente deste marco histórico está Adriano Espínola, cuja posse como presidente simboliza a renovação dentro da tradição. Também nascido em Fortaleza (1952), Espínola é um intelectual de formação cosmopolita. De seus estudos em Nova York ao doutorado na UFRJ sobre Gregório de Matos, sua trajetória é pautada pela excelência acadêmica e pela sensibilidade poética. 

Sua obra é um marco na poesia contemporânea. Desde o impacto social de Fala, favela, 1981 que denunciou a expulsão de moradores de comunidades em Fortaleza,  até o rigor estético de Beira-Sol, premiado pela Fundação Biblioteca Nacional, Espínola demonstra que a poesia pode ser, ao mesmo tempo, política e cristalina. 

DESTAQUES DA TRAJETÓRIA DE ADRIANO ESPÍNOLA:

Foi um dos pilares do Grupo Siriará e escreveu quinzenalmente para o jornal O Povo. Teve seu poema-livro Táxi traduzido para o inglês e publicado pela prestigiada editora Garland, EUA/Inglaterra. Localizou nos arquivos da Torre do Tombo, em Lisboa, o processo da Inquisição contra Gregório de Matos, resultando na obra fundamental As artes de enganar. Finalista do Prêmio Jabuti e vencedor do prêmio da Academia Brasileira de Letras com Praia Provisória, 2006. 

A gestão de Espínola na ACL, iniciada em meio às celebrações de março, projeta a instituição para o futuro. Sua visão une o resguardo da língua portuguesa ao debate sobre as novas tecnologias, garantindo que a Academia continue sendo um fórum de ideias vivas. 

Um Encontro Marcado com a História

A palestra de Márcio Catunda e a liderança de Adriano Espínola representam a força da intelectualidade que não conhece fronteiras geográficas. Para o público carioca e para os leitores do Focus Portal Cultural, este é um convite para testemunhar a história sendo escrita em tempo real. 

SERVIÇO 

Evento: Palestra "A peripécia de Ramón del Valle-Inclán"

Conferencista: Márcio Catunda

Data: 30 de março de 2025 às 15h

Local: Auditório da Secretaria Nacional de Agricultura – Av. General Justo, 171, Centro, Rio de Janeiro.





 

MARÇO DE UNIÃO E FRATERNIDADE: A FORÇA DO ELISMO EM TERESÓPOLIS – PRESIDENTE MATILDE SLAIBI CONTI E A GOVERNADORA MÁRCIA PESSANHA MARCARÃO PRESENÇA EM SOLENIDADE ELISTA.


O mês de março marca um momento de grande relevância para o Elos Internacional e para todos os que acreditam na força do Elismo como filosofia de união e fraternidade. Nos dias 26 e 27 de março de 2026, Teresópolis recebe duas grandes lideranças do movimento: a presidente internacional Matilde Slaibi Conti e a governadora do Distrito 8, Márcia Pessanha. Juntas, elas simbolizam o compromisso permanente com a cultura, a amizade e a integração entre povos. 

No dia 26 de março, às 19h, na Tasca da Manjerona, será realizada a solenidade de posse da nova diretoria e dos novos membros do Elos Clube Teresópolis, seguida de um jantar festivo. Será uma noite de celebração, união e renovação dos laços que fortalecem o movimento, reafirmando que o Elismo é, acima de tudo, uma prática viva de fraternidade. A posse representa não apenas um ato administrativo, mas um gesto simbólico de continuidade e esperança, em que novos elistas assumem o compromisso de levar adiante os ideais de solidariedade e cultura.

Já no dia 27 de março, às 18h30min, na Taberna Alpina, acontece a reunião administrativa com Matilde Slaibi Conti, momento de diálogo, planejamento e fortalecimento institucional. É na soma entre celebração e trabalho que o movimento se consolida, mostrando que a alegria dos encontros anda lado a lado com a seriedade da gestão e da construção de projetos. 

Matilde Slaibi Conti tem se destacado por sua dedicação incansável, sempre atenta aos convites e às iniciativas culturais, seja em Niterói, no Rio de Janeiro ou em outras cidades. Márcia Pessanha, por sua vez, tem exercido com firmeza e sensibilidade a governança do Distrito 8, promovendo ações que ampliam o alcance do Elismo e fortalecem os laços entre os clubes. 

© Alberto Araújo

Diretor Cultural do Elos Internacional



O AMANHECER NO OUTONO: A LITURGIA DA LUZ EM BOTAFOGO - INSPIRADA NAS FOTOS DE EUDERSON KANG TOURINHO - CRÔNICA DE @ ALBERTO ARAÚJO


Há um silêncio muito específico que só habita as varandas de Botafogo às cinco e vinte e oito da manhã. É um hiato no tempo, um suspiro profundo que a cidade dá antes de mergulhar na sua habitual correria. Como sempre o admirável fotógrafo nos presenteia com maravilhas. Por isso digo que a lente de Euderson Kang Tourinho, esse instante não foi apenas registrado; foi consagrado. Quando o outono se instala no Rio de Janeiro, ele traz consigo uma nitidez que o verão, em seu mormaço úmido e febril, muitas vezes nos rouba. No outono, o céu não apenas clareia; ele se revela.​

A primeira imagem nos apresenta o prólogo da existência. O horizonte é uma linha de fogo frio, um degradê que desafia a paleta de qualquer mestre renascentista. O azul profundo do zênite ainda guarda as memórias da noite, mas na linha do mar, o laranja e o ocre começam a empurrar as sombras. O Pão de Açúcar, essa sentinela de granito que vigia a Baía de Guanabara há eras, surge como uma silhueta absoluta. É a geometria sagrada da natureza em sua forma mais pura. Ali, entre o Morro da Urca e as montanhas de Niterói ao fundo, a cidade é um presépio de concreto ainda adormecido, onde as luzes das janelas são pequenos vaga-lumes humanos resistindo à imensidão do despertar. 

​"O outono é a segunda primavera, onde cada folha é uma flor", dizia Camus. No Rio, o outono é o momento em que a luz deixa de ser um peso e passa a ser uma carícia.

Se a primeira foto é a expectativa, a segunda é o arrebatamento. À medida que os minutos avançam, o sol, esse grande maestro, decide que é hora de entrar em cena. E ele não entra discretamente. Ele irrompe por trás das montanhas como uma ostensória de ouro, lançando feixes de luz que rasgam o tecido do dia.

É interessante notar como a luz de outono em Botafogo tem uma densidade diferente. Ela é oblíqua, dourada, quase sólida. Os raios que cruzam a imagem de Euderson funcionam como cordas de uma harpa gigante, tocando uma melodia que só os olhos conseguem ouvir. A Enseada de Botafogo, pontilhada por barcos que parecem flutuar sobre um espelho de bronze líquido, reflete essa glória. O sol se posiciona exatamente no "V" entre as montanhas, como se a própria geografia do Rio tivesse sido desenhada para emoldurar esse momento. 

​Morar em Botafogo e ter essa vista é viver em um constante estado de diálogo com a história e a cultura brasileira. Olhar para esse amanhecer é lembrar dos ecos da Bossa Nova que nasceu nessas águas, é sentir a presença de poetas como Carlos Drummond de Andrade, que certamente, em algum momento de sua caminhada pela orla, parou para contemplar essa mesma luz. 

​Mas a crônica dessas fotos não fala apenas do que é visível. Ela fala da paciência. Para capturar o Rio às 5h28min, é preciso estar em sintonia com o ritmo do mundo. É preciso acordar antes da cidade para ver a cidade nascer. Euderson, de sua varanda, agiu como um cronista visual, documentando o milagre da renovação. Enquanto o mundo discute crises, pressas e algoritmos, o sol cumpre sua promessa milenar de retornar, tingindo o Morro da Urca com uma aura de santidade laica.

​Essas fotos são um lembrete necessário de que, apesar de todas as feridas, o Rio de Janeiro mantém uma dignidade estética inabalável. O outono carioca é generoso; ele limpa o ar, suaviza as temperaturas e nos devolve a capacidade de contemplação. O Pão de Açúcar, banhado por esse ouro matinal, deixa de ser um ponto turístico para se tornar um símbolo de resiliência. Ele está lá, imóvel, testemunhando a passagem dos séculos, enquanto nós, efêmeros espectadores em nossas varandas, tentamos prender o tempo em um clique. 

​Ao final, o que fica desses registros é uma sensação de pertencimento. Ao olhar para o sol que nasce entre as montanhas, somos lembrados de que cada dia é uma nova oportunidade de "cariocar", de encontrar beleza no cotidiano e de agradecer pela luz que, teimosamente, insiste em iluminar nossos caminhos. 

​Obrigado, Euderson, por nos emprestar seus olhos e sua varanda. Através das suas fotos, o outono no Rio não é apenas uma estação; é um estado de espírito 

@ Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


ABAIXO AS FOTOS ORIGINAIS







 

26 DE MARÇO, O DESABROCHAR DE UYARA SCHIEFER EM FLOR DE SABEDORIA

Uyara Schiefer, confreira admirável, celebra hoje mais um aniversário e, com ele, reafirma sua presença luminosa no cenário cultural fluminense. Sua elegância natural, aliada à atenção generosa que dedica a cada pessoa e a cada gesto, faz de sua trajetória um exemplo raro de delicadeza e firmeza. 

Jurista que enlaça a justiça e a verdade com integridade inabalável. Acadêmica de espírito inquieto e bibliotecária que guarda os portais do saber. Mas é na voz da haicaísta que sua alma se revela com maior pureza, traduzindo o fôlego do infinito em versos breves e precisos, como quem sabe que a essência da vida cabe na palma de um instante. 

Sua jornada é marcada por uma tapeçaria de poesia, conhecimento e humanidade, inspirando todos os que têm o privilégio de conviver com sua energia e inteligência. Recentemente, foi homenageada em cerimônia memorável no Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana, ocasião em que recebeu a Medalha Honor ad Meritum, distinção que celebra os 20 anos dos Artilheiros da Cultura. Mesmo à distância, o gesto simbólico reafirmou sua relevância nacional e o orgulho que sua atuação cultural desperta. 

Sua jornada é uma tapeçaria tecida com fios de poesia, conhecimento e uma humanidade que inspira todos os que têm o privilégio de sua convivência. Prova disso foi a recente e memorável cerimônia no Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana, onde o recebimento da Medalha Honor ad Meritum selou, em bronze e honra, seus vinte anos de dedicação aos Artilheiros da Cultura, um reconhecimento que atravessa distâncias para reafirmar sua relevância nacional. Como se a própria existência lhe presenteasse em rimas, Uyara foi surpreendida pelas páginas de Aprendiz de Homero, da imortal Nélida Piñon; seu sorriso, ao receber a obra, não foi apenas um reflexo de alegria, mas a expressão plena de uma navegante das palavras, sempre pronta a atravessar novos oceanos literários.

Para ela, cada livro é bússola, cada encontro é semente. Vimos esse florescer recentemente em Icaraí, no lançamento da obra Quatro Estações, onde, ladeada por suas parceiras acadêmicas: Leda Mendes Jorge e Liane Arêas, ela transformou um dia comum em um marco de luz. 

Hoje, celebramos não apenas sua idade, mas a vitalidade de seu espírito, que não se curva ao tempo, mas o transforma em arte e sabedoria.  Que seus dias continuem floridos de poesia, que sua voz ecoe como pura cultura e que sua presença siga nos encantando com a mesma nobreza que a torna única. 

Feliz aniversário, confreira Uyara!

© Alberto Araújo.




 

quarta-feira, 25 de março de 2026

LUIZA LOBO E A POÉTICA DA RESISTÊNCIA NA ASA

O entardecer de domingo, 22 de março de 2026, em Botafogo, não foi apenas uma marca no calendário cívico do Mês das Mulheres. Foi, antes de tudo, um encontro de correntes subterrâneas da história que emergiram à superfície no casarão da Rua São Clemente. Quando a Associação Scholem Aleichem (ASA) abriu suas portas, o que se viu não foi meramente uma palestra, mas uma celebração da palavra em sua forma mais refinada e necessária. 

Ali, no coração de uma instituição que respira a memória da diáspora, da resistência e da cultura ídiche, a presença de Luiza Lobo atuou como um catalisador de tempos e espaços. A atual presidente da União Brasileira de Escritores (UBE-RJ) trouxe consigo não apenas o currículo vasto de uma acadêmica de renome internacional, mas a aura de quem habita a literatura como quem habita a própria pele. 

Luiza Lobo não apenas "passou o tema"; ela o teceu diante de uma plateia hipnotizada. Com a autoridade de quem traduziu os silêncios de Virginia Woolf e as sutilezas de Katherine Mansfield, Luiza conduziu os presentes por um labirinto de conquistas e silenciamentos. Sua postura, marcada por uma serenidade que só o profundo conhecimento concede, transformou a sala da ASA em um anfiteatro universal. 

Durante uma hora de exposição, o tempo pareceu curvar-se. Sua fala, dotada de um lirismo que não abdica do rigor crítico, resgatou a trajetória das mulheres na escrita universal. Luiza possui o dom raro de humanizar o cânone; ao falar das pioneiras, ela não cita apenas nomes e datas, mas evoca a pulsação de mulheres que, através dos séculos, transformaram o isolamento doméstico em vanguarda literária. 

A representatividade de Luiza Lobo na cultura brasileira é um pilar de sustentação para as novas gerações. Carioca de alma e cosmopolita de formação, sua trajetória, iniciada em 1968 com a ousadia dos contistas novos é um testemunho da persistência criativa. Ao vê-la discorrer sobre a "Mulher na Escrita Universal", percebe-se que Luiza não é apenas uma estudiosa do tema, mas uma das arquitetas contemporâneas dessa mesma escrita. 

O sucesso estrondoso do evento confirmou-se na segunda hora: o momento das perguntas. O que se seguiu à palestra foi um diálogo vibrante, uma troca orgânica que demonstrou o quanto o público ansiava por aquela lucidez. Luiza Lobo respondeu com a generosidade dos grandes mestres, acolhendo cada questionamento com a precisão de quem navegou pelas águas de Oxford, Sorbonne e Yale, mas com o calor humano de quem valoriza o chão da cultura internacional. 

Sua voz é uma ponte. Ela liga o Rio de Janeiro ao Maranhão de Maria Firmina dos Reis; conecta o Vale do Paraíba das suas "Terras Proibidas" ao Arco do Triunfo de suas ficções mais recentes. Sua obra, que transita entre o ensaio denso e a poesia delicada, reflete essa versatilidade que o público da ASA teve o privilégio de testemunhar. 

Não poderia haver palco mais adequado para esta exaltação do que a ASA. Fundada na década de 1920 por imigrantes que trouxeram na bagagem o amor pelos livros e a urgência da justiça social, a instituição é o espelho da jornada de Luiza. Se a ASA nasceu para preservar o ídiche e a identidade progressista, Luiza dedica sua vida a preservar a dignidade da palavra e a visibilidade das margens. 

A convergência entre a missão da ASA e o vigor criativo de Luiza Lobo criou uma atmosfera de rara beleza. Foi um evento que honrou o passado, as lutas das imigrantes, as escritoras do século XIX, ao mesmo tempo em que lançou luz sobre o futuro. Quando a palestra se encerrou, o sentimento comum era o de que não havíamos apenas assistido a uma aula, mas participado de um rito de passagem cultural. 

Falar de Luiza Lobo é falar de uma intelectual que não se encastela. Seja como pesquisadora nível 1 do CNPq ou como a romancista premiada de Terras Proibidas, ela mantém o olhar atento à formação da nossa identidade. Seu trânsito pelas universidades europeias não a afastam do debate urgente sobre a igualdade e a diversidade. Pelo contrário, fortalecem sua voz como uma das mais respeitadas vozes da ficção brasileira contemporânea. 

O domingo na ASA foi uma prova de que a cultura, quando conduzida por mãos magistrais e corações generosos, tem o poder de unir, educar e emocionar. Luiza Lobo, com sua trajetória multifacetada de mais de 20 livros e centenas de ensaios, reafirmou que a literatura é, essencialmente, um ato de liberdade. 

Ao final, entre aplausos e conversas que se estenderam pelo estacionamento da São Clemente, ficou a certeza: a cultura brasileira respira com mais força quando personalidades como Luiza Lobo ocupam o centro da cena, lembrando-nos que escrever é, acima de tudo, uma forma de existir no mundo com coragem e beleza. 

© Alberto Araújo

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