quinta-feira, 19 de março de 2026
A AMPULHETA DA VIDA - SONETO I - @ ALBERTO ARAÚJO
160 ANOS EM SILÊNCIO: A RESSURGÊNCIA DA BATUTA DE AUGUSTO PORTUGAL - CRÔNICA DE © ALBERTO ARAÚJO
Há histórias que não se deixam apagar. Mesmo quando o fogo consome papéis, roupas e lembranças, há objetos que resistem como se carregassem dentro de si uma centelha de eternidade. A batuta de prata de Augusto Portugal presenteada pela sociedade paulistana ao maestro que era discípulo de Giuseppe Verdi reapareceu 160 anos depois como testemunho vivo de uma linhagem que une Itália, Portugal e Brasil é um desses símbolos.
Ela atravessou gerações como um fantasma silencioso, ora lembrada, ora perdida, disputada entre mãos que sabiam que ali havia mais que madeira e metal: havia memória, havia destino.
O maestro português, aluno de Giuseppe Verdi, morreu jovem, aos 39 anos, vítima da febre amarela no Rio de Janeiro. Tudo dele foi queimado, como se a história quisesse apagar sua passagem. Mas a batuta sobreviveu. E, como em todo bom registro, o tempo se encarregou de costurar os fios soltos, trazendo de volta o objeto ao palco da vida.
Hoje, 160 anos depois, ela ressurge nas mãos de Noel Nascimento, tetraneto do maestro. Noel, que já regeu “O Guarani” em Washington, repetiu o gesto do tetravô que foi o primeiro a conduzir a obra no Brasil. É como se o tempo desse uma segunda chance, como se a música tivesse decidido que sua história não poderia terminar em silêncio.
O reencontro com esse objeto não é apenas familiar. É cultural, histórico e profundamente simbólico. A mesma batuta que regeu companhias líricas na Europa e a estreia de “O Guarani” no Brasil retorna às mãos de Noel Nascimento, tetraneto do maestro.
O início. Giuseppe Fortunino Francesco Verdi que no século XIX era o maior compositor nacionalista da Itália, presença central do romantismo musical europeu, ao lado de Richard Wagner. Quando os portugueses tentaram trazê-lo ao Brasil, Verdi recusou por compromissos inadiáveis, mas indicou um aluno brilhante: Augusto Portugal.
Português de origem, Augusto instalou-se em São Paulo, casou-se com Zulmira e construiu carreira como regente e comerciante de instrumentos musicais. Era amigo de Verdi e logo se tornou amigo de Carlos Gomes, o maior nome da ópera brasileira na época.
Carlos Gomes, protegido de Dom Pedro II, compôs “O Guarani” inspirado no romance de José de Alencar. A ópera estreou em Milão em março de 1870, destacando-se pela fusão inédita entre elementos indígenas e a tradição lírica europeia.
No Brasil, a estreia ocorreu em 02 de dezembro de 1870, aniversário do imperador. O regente escolhido foi Augusto Portugal. A noite consagrou Carlos Gomes e marcou a história da música brasileira.
A abertura da obra, imortalizada como tema do programa radiofônico “A Voz do Brasil”, tornou-se um dos sons mais reconhecíveis da cultura nacional.
Pouco depois, Augusto Portugal foi vítima da febre amarela no Rio de Janeiro. Sem conhecimento sobre o vetor da doença, a recomendação era queimar roupas, livros e documentos. Assim, quase toda a memória material do maestro se perdeu. Restaram apenas duas composições e a batuta de prata, com seu nome gravado.
Augusto morreu aos 39 anos, às vésperas de reger no Scala de Milão. Sua trajetória foi interrompida, mas a batuta sobreviveu, disputada e perdida ao longo das gerações, até ser reencontrada em Barra do Piraí, no Rio de Janeiro.
O objeto passou de mãos em mãos dentro da família: de Waldemiro, poeta parnasiano, para sua esposa professora Maria Dulce; depois para Leia, irmã de Dalma; em seguida para Hélio, em Barra do Piraí; e finalmente para Iolanda. Em meio a tantas transferências, perdeu-se.
Foi Claudio Nascimento, filho de Dalma, quem descobriu o paradeiro da batuta. Noel, informado, partiu para buscá-la. Escurecida pelo tempo, mas ainda imponente, carrega a inscrição de Augusto Portugal e a memória de uma linhagem musical.
O reencontro com a batuta ganha contornos extraordinários ao se cruzar com a trajetória de Noel Nascimento, tetraneto de Augusto Portugal.
Noel é maestro e pianista, neto da escritora Dalma Nascimento. Talentoso e reconhecido, recebeu duas medalhas de honra da Embaixada dos Estados Unidos por sua atuação brilhante e contribuições culturais.
Em 02 de maio de 2022, no Teatro Strathmore Music Center, em Washington, Noel regeu a protofonia de “O Guarani”, representando o Brasil. Por coincidência do destino, repetia o gesto de seu tetravô, que havia sido o primeiro maestro a reger a obra em solo brasileiro.
A batuta será restaurada, polida, devolvida ao brilho original. Mais que uma restauração física é um gesto de continuidade. Dalma Nascimento chamou esse retorno de “Ressurgência: a batuta 160 anos depois.”
Há coincidências que não são apenas acaso: são encontros que o tempo prepara com paciência. A batuta de prata, escurecida pelo esquecimento, volta agora às mãos de Noel Nascimento.
Não é apenas um objeto herdado. É um elo entre séculos, entre destinos interrompidos e sonhos retomados. Quando Noel erguer a batuta restaurada e fizer soar novamente a protofonia de “O Guarani”, não será apenas ele quem regerá. Será Augusto Portugal, será Verdi, será Carlos Gomes, será toda uma linhagem que permanece e que resiste ao tempo.
Caro leitor, a cultura tem dessas ironias: aquilo que parecia perdido retorna, trazendo consigo a força da memória. A batuta não é só madeira e prata. É símbolo de continuidade, de resistência contra o esquecimento.
E no dia, no brilho de um palco, quando Noel fizer ecoar novamente os acordes de “O Guarani” com a batuta de seu tetravô, será como se o maestro interrompido pela febre amarela finalmente completasse sua jornada.
A saga da batuta de prata é metáfora da própria cultura: aquilo que parece perdido pode ressurgir, trazendo consigo a força da memória.
De Verdi a Gomes, de Augusto Portugal a Noel Nascimento, a história da música brasileira ganha um capítulo de impacto. Certamente, a ressurgência da batuta é a ressurgência de uma linhagem, de uma tradição que insiste em sobreviver.
O tempo, afinal, não apaga. Ele guarda. Ele devolve. E a música, como a batuta, nunca morre.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
MENSAGENS
Dalma Nascimento disse: "Alberto, muito obrigada por esta belíssima página, cultural e puramente literária. EU NÃO FARIA ALGO TÃO BELO. Mais uma vez Obrigada." Dalma.
*************
Professora Dalma, foi você quem
acendeu a fagulha. Quando mencionou que haviam encontrado a batuta de Augusto
Portugal, algo despertou em mim, uma curiosidade profunda, quase reverente. E
então, como num passe de mágica, Claudio, seu filho, me contou toda a história
com riqueza de detalhes. A partir dali, foi “batata”: o texto nasceu com a
força que só uma narrativa verdadeira e emocionante pode ter. Agradeço
imensamente pelo carinho de sempre e, sobretudo, pelo apreço, que para mim é
precioso. Sua generosidade em compartilhar essa memória familiar tão rica é o
que torna possível transformar história em literatura. Abraços do Alberto
Araújo.
quarta-feira, 18 de março de 2026
EFEMERIDADE E SILÊNCIO - PROSA-POÉTICA © ALBERTO ARAÚJO
Na areia do tempo, florescem e se desfazem os instantes. O silêncio observa, eterno e sereno, protetor da beleza que se vai.
No desvão dos dias, onde o tempo tece e destece a teia do porvir, vejo a vida escorrer como areia fina entre os dedos. Quantos silêncios cabem num instante que se vai, sem aviso, sem adeus? A flor que desabrocha na madrugada e à tarde já pende, frágil e vencida, não é mais que um espelho de nossa própria e breve morada. Assim como Heráclito nos lembra de que “tudo flui”, também nós somos arrastados pela corrente invisível do tempo, incapazes de deter o curso das águas que nos levam.
Ah, essa dança miúda das coisas que se findam! O vento que murmura segredos nas folhagens, e logo se cala; a onda que beija a areia e se desfaz em espuma e esquecimento. Tudo é um sopro, uma cintilação fugaz na vasta escuridão. E nós, pequenos nômades da existência, colecionamos instantes, como se pudéssemos guardá-los em cofres de lembrança. Fernando Pessoa, em sua inquieta multiplicidade, já advertia: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena.” Mas o que é a alma senão esse receptáculo de memórias que se dissolvem, esse eco que insiste em permanecer quando o instante já se perdeu?
A verdade é que só nos resta o eco, a vibração sutil do que foi e já não é. Uma melodia que se perde no ar, um perfume que se desvanece. Manuel Bandeira, em sua poesia marcada pela consciência da morte, dizia que queria apenas “a vida inteira que podia ter sido e não foi.” Há nessa frase uma melancolia que dialoga com o texto presente: o reconhecimento de que o que nos escapa é sempre maior do que o que conseguimos segurar. O tempo, esse escultor invisível, molda e desfaz, e nós ficamos com o silêncio como testemunha.
O silêncio, porém, não é vazio. Ele é berço e túmulo de todas as coisas. Nele repousa a permanência que nos escapa no mundo visível. É o silêncio que acolhe o fim da flor, o fim da onda, o fim da palavra. É nele que se inscreve a única voz que não se cala, sussurrando a inevitável beleza do fim. Como escreveu Rainer Maria Rilke, *“a beleza é apenas o início do terror que ainda podemos suportar.” O silêncio é essa beleza suportável, porque nele não há ruído, apenas a aceitação de que tudo se desfaz.
E se tudo é efêmero, talvez seja justamente essa condição que confere sentido à existência. A brevidade não é uma falha, mas uma dádiva. O instante que se perde é também o instante que nos ensina a olhar com mais atenção. O vento que passa nos obriga a sentir sua carícia, porque sabemos que logo se calará. A onda que se desfaz nos ensina a contemplar sua forma antes que se dissolva. O silêncio que se instala nos convida a escutar o que não pode ser dito. Como escreveu o poeta japonês Matsuo Bashō, mestre do haicai: “Velha lagoa / um sapo salta / som da água.” Nesse breve poema, o instante é capturado em sua plenitude, e o silêncio ao redor é tão eloquente quanto o som da água.
Assim, a efemeridade não é apenas perda, mas revelação. É no desaparecimento que se revela a essência. O instante que se vai nos mostra que não há posse possível, apenas experiência. O silêncio que permanece nos lembra que não há palavra definitiva, apenas ressonância. Somos viajantes de um caminho que não se repete, e cada passo é único. Como disse Clarice Lispector, “até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.” A imperfeição, a transitoriedade, o silêncio, tudo isso sustenta o edifício da vida.
E quando nos perguntamos o que fica, talvez a resposta seja simples: fica o silêncio. Mas não um silêncio de ausência, e sim um silêncio de plenitude. Nele repousam todas as vozes, todos os perfumes, todas as melodias que se perderam. Nele repousa a memória da flor, da onda, do vento. Nele repousa nossa própria memória, que é também efêmera. O silêncio é o guardião daquilo que não pode ser retido, mas que pode ser sentido. É o espaço onde o fim se torna beleza, onde a perda se torna revelação.
No fim, somos apenas colecionadores de ecos. Guardamos perfumes que já se foram, melodias que já se perderam, instantes que já se dissolveram. Mas esses ecos nos sustentam, porque nos lembram de que a vida é breve, e que justamente por isso é preciosa. O silêncio nos envolve, e nele encontramos a única permanência possível. É o silêncio que nos ensina a aceitar o fim, e a reconhecer nele não uma tragédia, mas uma inevitável beleza.
* Como escreveu Rainer Maria Rilke, “a beleza é apenas o início do terror que ainda podemos suportar.” Essa ideia dialoga diretamente com a efemeridade e o silêncio aqui descritos: a beleza da flor que se desfaz, da onda que se dissolve, do perfume que se perde, é sempre um prenúncio da finitude. O silêncio, por sua vez, é o espaço onde esse “terror suportável” se transforma em contemplação. Assim, tanto em Rilke quanto no meu texto, a beleza não é apenas encantamento, mas também consciência da morte, e é justamente essa consciência que nos permite valorizar o instante e reconhecer nele a inevitável beleza do fim.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
O ECO DO LUTO: A ARTE COMO RESSURREIÇÃO EM HAMNET - A VIDA ANTES DE HAMLET
A cena de Hamnet é um testemunho visual do poder transformador da arte. No centro do Globe Theatre, Agnes Shakespeare vive o que todo pai ou mãe enlutada deseja: o reencontro, mesmo que simbólico, com o que foi perdido.
O filme utiliza planos fechados para criar uma intimidade sufocante. Vemos cada gota de suor e cada lágrima no rosto de Agnes, interpretada com uma intensidade visceral por Jessie Buckley. O contraste entre o choro e o riso final de Agnes não é um sinal de alegria comum, mas sim de catarse. Ao ver o marido, William, encenar a dor da perda e transformar a morte do filho em poesia e teatro, Agnes encontra um lugar para sua própria dor.
A caminhada do menino em direção à escuridão do palco é metafórica. Hamnet não está apenas saindo de cena; ele está sendo imortalizado pela pena do pai. O silêncio da plateia em contraste com o turbilhão interno da protagonista reforça que, embora a peça seja para todos, aquele momento de cura é exclusivamente dela. É a arte servindo como uma ponte entre o mundo dos vivos e as memórias daqueles que já se foram.
1. A SIMBOLOGIA DA MAQUIAGEM: O ROSTO DA MORTE E DO FANTASMA
A maquiagem de William Shakespeare (Paul Mescal) nesta cena não é apenas um adereço de época; ela carrega um peso teológico e emocional:
A Palidez Cadavérica: O pó branco espesso que cobre o rosto de William remete diretamente à imagem de um cadáver ou de um espectro. Na peça que ele encena (presumivelmente Hamlet), ele assume o papel do Fantasma do Pai, mas, para Agnes, ele está espelhando a palidez do filho que eles perderam.
A "Máscara" que Revela: Ironicamente, a maquiagem pesada permite que William seja mais honesto. O pó retém as lágrimas, criando sulcos no rosto que evidenciam o choro. Isso simboliza como o teatro permite que o homem Shakespeare expresse a dor que, na vida real e doméstica, ele talvez não conseguisse comunicar a Agnes.
O Contraste Visual: Enquanto Agnes está com o rosto "limpo", suado e humano na plateia, William no palco parece pertencer a outro reino. Essa barreira visual reforça a ideia de que o palco é um espaço entre o mundo dos vivos e o dos mortos.
2. A TRILHA SONORA: O PULSO DO LUTO
A música nesta cena não serve apenas como acompanhamento, ela dita o ritmo da respiração do espectador:
Minimalismo e Repetição: A trilha geralmente começa com notas de cordas (violinos ou violoncelos) longas e melancólicas. Essa repetição simula o ciclo do luto, algo que não vai embora, que insiste em permanecer.
A Ascensão da Tensão: Conforme a câmera alterna entre o rosto de Agnes e a figura do menino, a música cresce em volume e complexidade (o chamado crescendo). Isso mimetiza a pressão interna que Agnes sente até o momento da sua "explosão" final.
O Silêncio Seletivo: Note que, em certos momentos, os sons do ambiente (o burburinho da plateia) desaparecem, restando apenas a música e a respiração de Agnes. Isso cria uma "bolha" de isolamento, mostrando que, embora o teatro esteja cheio, aquele processo de cura é uma conversa privada entre ela, o marido e a memória do filho.
A Resolução Final: Quando Agnes finalmente ri e chora ao mesmo tempo, a trilha tende a se tornar mais leve ou harmônica, sinalizando que a catarse foi atingida. A música "liberta" o peso do peito dela junto com as lágrimas.
Esses elementos provam que Hamnet não é apenas uma biografia de Shakespeare, mas uma história sobre como sobrevivemos ao insuportável. A maquiagem transforma a dor em imagem, e a trilha sonora transforma a dor em vibração.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
DRUMMOND, O FILHO ETERNO - POESIA DE ALBERTO ARAÚJO PARAFRASEANDO “PARA SEMPRE” DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
PARA
SEMPRE – POEMA DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
(POR
ELE MESMO)
Para
sempre.
Por
que Deus permite que as mães vão-se embora?
Mãe
não tem limite, é tempo, é sem hora, luz que não apaga quando sopra o vento e
chuva desaba.
Veludo
escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento.
Morrer
acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio.
Mãe,
na sua graça, é eternidade.
Por
que Deus se lembra, mistério profundo, de tirá-la um dia?
Fosse
eu Rei do Mundo, baixava uma lei: Mãe não morre nunca!
Mãe
ficará sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão
de milho.
******************
DRUMMOND,
O FILHO ETERNO
Poesia
de Alberto Araújo parafraseando “Para Sempre” de Carlos Drummond de Andrade
O
Rei do Mundo teria uma lei,
simples,
clara, definitiva.
Não
haveria partidas,
nem
despedidas amargas,
para
aquelas que moldaram a vida.
Deus,
em seu mistério profundo,
esquece
as regras da terra.
Mas
o filho, em silêncio, insiste:
Mãe
é eternidade,
veludo
em pele enrugada.
Morrer
é coisa de quem passa,
sem
deixar rastro ou herança.
Mãe
é rastro eterno,
na
alma do filho,
na
memória de quem fica.
E
assim, o filho velho,
mesmo
que pareça grande,
será
sempre um menino,
pequenino
feito grão de milho,
ao
lado da mãe que não morre.
Porque
mãe não tem hora,
não
tem tempo, não tem fim.
É
luz que brilha,
no
escuro da alma,
no
vazio do coração.
©
Alberto Araújo
Focus
Portal Cultural
SOLENIDADE DE POSSE DA ABA NITERÓI - UM MARCO PARA A ADVOCACIA FLUMINENSE - FOCUS PORTAL CULTURAL
Na tarde de 18 de março de 2026, quarta-feira, o Museu da Justiça – Tribunal Pleno, em Niterói, foi palco de um evento que já se inscreve na memória institucional da advocacia brasileira. A solenidade de posse da Diretoria Municipal da Associação Brasileira de Advogados (ABA – Niterói/RJ) reuniu autoridades, juristas e representantes da classe em um ambiente de celebração e compromisso com o futuro da profissão.
Entre os nomes que se destacaram na cerimônia, a presença e liderança da Dra. Taináh Guimarães Damião Estebanez foi central. Diretora Geral da ABA Niterói para a gestão 2026/2028, Taináh é reconhecida por sua trajetória sólida e inovadora. Especialista em Direito das Famílias e Sucessões, com capacitação em Práticas Colaborativas e Mediação de Conflitos, ela atua também como mediadora judicial e já presidiu a Comissão de Advocacia Extrajudicial da ABA Niterói. Sua biografia revela uma profissional comprometida com a construção de pontes, seja no campo jurídico, seja na esfera institucional.
O núcleo da ABA em Niterói tem como a missão de ser mais do que uma entidade representativa: ser uma verdadeira “Fábrica de Amigos” e Escola de Líderes, fortalecendo a atuação dos advogados no Rio de Janeiro.
Sob a direção de Taináh Guimarães, a associação estrutura projetos que unem capacitação técnica, ética profissional e responsabilidade social.
Gestão 2026/2028: liderada por Taináh, com foco em inovação e diálogo institucional. Em seus projetos estratégicos, dará continuidade e destaque para o programa “ABA em Ação”, que promove intercâmbio de experiências e treinamentos práticos, além da criação de iniciativas voltadas ao Compliance.
Comunicação ativa: presença marcante nas redes sociais, com podcasts, transmissões e cobertura de eventos em parceria com a ABA Nacional e a subseção da OAB Niterói. Eventos culturais e jurídicos: a posse marca o início de uma agenda que busca aproximar a advocacia da sociedade, valorizando o papel do advogado como agente de transformação social.
O ato solene, realizado no coração de Niterói, simbolizou a consolidação da ABA na cidade e reafirmou o compromisso da entidade com o fortalecimento da advocacia local. Entre os presentes, destacaram-se: Dra. Matilde Slaibi Conti, vice-presidente da OAB Niterói, cuja presença reforçou a integração entre as instituições; Dr. Junior Rodrigues, diretor tesoureiro da OAB Niterói, que ressaltou a importância da ABA como parceira na valorização da classe e diversos advogados e lideranças regionais, compondo um mosaico de representatividade e apoio à nova gestão.
Ao término da solenidade, um brinde foi oferecido aos convidados, celebrando não apenas a posse, mas também o início de uma etapa promissora para a advocacia em Niterói.
A trajetória de Taináh Guimarães é
marcada pela busca constante de soluções inovadoras para os desafios da
advocacia contemporânea. Sua atuação em mediação de conflitos e práticas
colaborativas demonstra uma visão moderna do Direito, voltada para a
pacificação social e para a construção de consensos.
Como líder da ABA Niterói, Taináh assume a responsabilidade de conduzir uma gestão que alia técnica e sensibilidade, promovendo treinamentos, eventos e ações de compliance que fortalecem a advocacia e ampliam o espaço de diálogo institucional. Sua biografia, já consolidada em diversas frentes, ganha agora uma dimensão ainda maior: a de ser referência na formação de novas lideranças jurídicas na região.
O evento de posse da ABA Niterói não foi apenas uma cerimônia protocolar. Representou um momento cultural e político para a advocacia fluminense, reafirmando valores como ética, responsabilidade social e valorização da classe.
A ABA Niterói se apresenta como um núcleo dinâmico, capaz de integrar profissionais, promover debates e oferecer capacitação contínua. Mais do que isso, projeta-se como espaço de acolhimento e amizade, onde o advogado encontra suporte para crescer profissionalmente e contribuir para o desenvolvimento jurídico regional.
A solenidade realizada em Niterói marca o início de uma gestão que promete transformar o cenário da advocacia local. Sob a liderança de Taináh Guimarães, a ABA Niterói assume o papel de protagonista na valorização da profissão, na promoção de práticas éticas e na construção de uma advocacia mais integrada e responsável.
O futuro da advocacia em Niterói, a
partir de agora, se desenha com mais força, mais diálogo e mais compromisso. A
ABA Niterói, com sua nova diretoria, inaugura uma etapa que une tradição e
inovação, consolidando-se como referência cultural e institucional no estado do
Rio de Janeiro.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
CERIMÔNIA NO TEATRO JOÃO CAETANO MARCA ABERTURA DA TEMPORADA 2026 DO FIM DE TARDE
O Teatro João Caetano, no Centro do Rio, recebeu na noite de terça-feira, 17 de março de 2026 a cerimônia de abertura da temporada 2026 do projeto Fim de Tarde. O evento reuniu gestores culturais, convidados e público para celebrar o início de uma nova série de apresentações do programa, que ao longo dos anos se consolidou como um dos mais importantes palcos da música brasileira com ingressos a preços populares.
Antes do espetáculo principal, a programação contou com uma cerimônia especial de abertura, que incluiu uma performance de Ludoviko Vianna personificando o próprio João Caetano, patrono do teatro e uma das figuras mais importantes da história das artes cênicas no Brasil. Em seguida, foram homenageados Albino Pinheiro, criador do projeto Seis e Meia (antecessor do Fim de Tarde), representado por um familiar na ocasião, e Rafaello Ramundo, atual curador do projeto, que recebeu a homenagem pessoalmente.
“Muito feliz de estar hoje abrindo essa temporada, temos as melhores expectativas para 2026. O Fim de Tarde é muito importante para as pessoas que terminam o seu dia de trabalho e vêm aqui para se divertir no Teatro João Caetano com preço popular. É um projeto sensacional que dá acesso ao público e dá oportunidade ao artista de palco”, afirmou Jackson Emerick, presidente da FUNARJ.
Além dele, também discursaram no evento Marcos Edom, diretor do Teatro João Caetano; e Danielle Barros, secretária de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro (SECEC). As falas destacaram a importância histórica do projeto e o papel do Teatro João Caetano como espaço de encontro entre artistas consagrados e o público carioca.
“É uma abertura linda de uma temporada que será mais linda ainda, mas só faz sentido quando a gente realiza, e esse teatro está cheio. É lindo ver o João Caetano assim. Nós trabalhamos todos os dias para ver isso, para democratizar a cultura e desconcentrar o recurso da cultura, para que isso aconteça aqui, mas aconteça também nas extremidades do Estado do Rio de Janeiro”, completou Barros.
Após a cerimônia de abertura, o público acompanhou o show da cantora Fernanda Abreu, artista conhecida por sua mistura de pop, funk carioca e música eletrônica. O espetáculo marcou oficialmente o início da temporada 2026 do projeto e contou com casa cheia, com ingressos esgotados para a apresentação.
Nos palcos do Teatro João Caetano, o Fim de Tarde arrasta multidões para shows dos maiores nomes da música brasileira. O espaço emblemático recebe artistas de grande projeção todas as terças-feiras, às 18h30min.
O projeto é o sucessor do “Seis e Meia”, iniciativa cultural que nasceu da observação e da criatividade de Albino Pinheiro. Ao notar a quantidade de pessoas que, no início da noite, aguardavam transporte na Praça Tiradentes, Albino idealizou uma série de shows musicais a preços populares, realizados antes da programação teatral noturna.
Na época, Albino era diretor do Teatro João Caetano e contou com a parceria do produtor Hermínio Bello de Carvalho na elaboração do projeto. Durante mais de duas décadas, o “Seis e Meia” serviu de modelo para iniciativas semelhantes em todo o país, ajudou a revitalizar o centro da cidade e consolidou carreiras de importantes artistas da música brasileira.
Participar do “Seis e Meia” tornou-se símbolo de prestígio, e alguns dos shows foram registrados em disco. Entre os artistas que passaram pelo projeto destacam-se João Bosco, Alcione, Benito de Paula, Elizeth Cardoso, Nana Caymmi, Belchior, Gonzaguinha, Nara Leão, Sandra Sá, Mart’nália, Duda Beat, Zeca Baleiro, Suel e Jorge Vercillo.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
ASA PROMOVE ENCONTRO COM LUIZA LOBO NO MÊS DAS MULHERES
No dia 22 de março de 2026-domingo, às 17h, a Associação Scholem Aleichem (ASA) abre suas portas em Botafogo para celebrar o Mês das Mulheres com uma palestra especial da escritora e pesquisadora Luiza Lobo. O evento, de entrada franca, será realizado na sala de vídeo da sede da ASA, localizada na Rua São Clemente, 155 – prédio 2, 1º andar, e contará com estacionamento rotativo disponível.
UM POUCO SOBRE LUIZA LOBO
A convidada da tarde é a atual presidente da UBE-RJ - União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro, a acadêmica Luiza Lobo, que é uma das vozes mais respeitadas da crítica literária e da ficção brasileira contemporânea. Carioca, iniciou sua carreira em 1968 com o conto “De como me transformei em repasto de morcegos malvados”, publicado na Antologia de contistas novos. Dois anos depois, já se destacava como crítica literária com o ensaio “Virginia Woolf – as mulheres e o romance”, no suplemento Arte e Crítica do jornal O Globo. Desde então, construiu uma obra vasta e multifacetada: são mais de 20 livros publicados, entre ficção, ensaios e poesia, além de mais de 150 resenhas em jornais como O Globo e Jornal do Brasil, e 200 ensaios acadêmicos em revistas nacionais e internacionais.
Sua produção inclui traduções de autores fundamentais, como Virginia Woolf, Katherine Mansfield, Edgar Allan Poe e Robert Burns, além de romances premiados, como: Terras proibidas: a saga do café no Vale do Paraíba do Sul, vencedor do Prêmio PEN Clube de Narrativa Nacional em 2013. A obra, recentemente relançada em edição revista, aborda a imigração e a formação das elites cafeeiras no Brasil, tema que se desdobra em sua continuação, Fábrica de mentiras: do Vale do Café ao Arco do Triunfo. Mais recentemente, publicou títulos como Nunca brinquei de boneca: diário de Eliza (2021) e Uma outra dimensão (2025), reafirmando sua versatilidade e vigor criativo.
Além de sua produção literária, Luiza Lobo construiu uma sólida carreira acadêmica. Foi professora de graduação e pós-graduação em Literatura Comparada e Teoria Literária na UFRJ e na UERJ, pesquisadora nível 1 do CNPq e docente em universidades estrangeiras, como Poitiers, Aarhus, FU-Berlin, Nantes e Salzburg. Participou de conferências em instituições de prestígio, como Oxford, Sorbonne, Yale, Princeton e UCLA, consolidando sua projeção internacional. Seu trabalho de pesquisa também lhe rendeu homenagens: foi eleita cidadã honorária de São Luís e Guimarães, no Maranhão, pelo destaque dado em seus estudos sobre autores como Maria Firmina dos Reis e Joaquim de Sousa Andrade.
A PALESTRA: MULHERES NA ESCRITA UNIVERSAL
No encontro promovido pela ASA, Luiza Lobo abordará a trajetória das mulheres na literatura universal, destacando sua importância histórica e os direitos conquistados ao longo dos séculos. A palestra promete ser não apenas uma reflexão sobre o papel feminino na cultura, mas também um convite à valorização da diversidade e da igualdade, princípios que norteiam tanto a obra da autora quanto a missão da ASA.
UM POUCO SOBRE A ASA
Fundada no início dos anos 1920 por imigrantes judeus, a ASA consolidou-se como um espaço de resistência cultural e política no Rio de Janeiro. Sua origem remonta à Biblioteca Israelita Scholem Aleichem (BIBSA), que se tornou referência para a preservação da língua ídiche e para o fortalecimento da identidade judaica progressista no Brasil. Ao longo de sua trajetória, a instituição promoveu concertos como o Yiddish Glory, seminários sobre autores judeus e debates inter-religiosos, sempre com uma perspectiva voltada para os direitos humanos, igualdade e acolhimento de migrantes. Distanciando-se do sionismo tradicional, a ASA mantém parcerias com o Museu Judaico do Rio de Janeiro e o NIEJ-UFRJ, ampliando sua atuação no campo cultural e acadêmico.
SERVIÇO
Evento: Encontro com Luiza Lobo – Mês
das Mulheres
Data: 22 de março de 2026
Horário: 17h
Local: ASA – Associação Scholem
Aleichem, R. São Clemente 155, prédio 2, 1º andar, sala de vídeo – Botafogo
Entrada: franca
Estacionamento: rotativo disponível

.png)





.png)

.png)
.png)
.png)





.png)
.jpeg)
.jpg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpg)
.jpg)
.png)



.png)