Na tarde-noite de 05 de agosto de
2026, em que a memória se fez presente e a cultura encontrou abrigo, a OAB
Niterói abriu suas portas para celebrar não apenas um livro, mas uma travessia
histórica. O lançamento da obra: “Maria Izabel de Bragança: A Infanta
portuguesa que morou no Brasil e foi Rainha da Espanha” escrita por Juliana
Bezerra de Menezes Pinto, tornou-se um marco de encontro entre passado e
presente, entre a tradição das letras e a vitalidade da pesquisa histórica.
A obra convida o leitor a percorrer os
caminhos de uma personagem que, embora muitas vezes esquecida pelas narrativas
oficiais, foi ponte viva entre três mundos: Portugal, Brasil e Espanha. Maria
Izabel, filha da Casa de Bragança, traz em sua trajetória os deslocamentos de
uma época em que as monarquias se entrelaçavam e os destinos individuais se
tornavam símbolos de alianças políticas e culturais. Ao narrar sua vida, Juliana
Bezerra resgata uma presença feminina de relevância e ilumina as sutilezas das
relações luso-brasileiras, revelando como o Brasil esteve presente na tessitura
das dinastias europeias.
O Auditório da OAB Niterói, na Av.
Ernani do Amaral Peixoto, 507, Centro, foi marcado por emoção, cultura e
confraternização transformou-se em palco de solenidade e emoção. A mesa
diretora, composta por Dr. Pedro Gomes, Presidente da OAB Niterói; Matilde
Carone Slaibi Conti, Vice-presidente; Geraldo Bezerra de Menezes, advogado e
jornalista; Heliane Abicalil, presidente da Casa da Amizade; Idalina Andrade
Gonçalves, membro do Real Gabinete Português de Leitura; e a autora Juliana
Bezerra, deu à cerimônia o tom de respeito e reconhecimento.
O evento iniciou-se com a execução
técnica do Hino Nacional Brasileiro, momento em que todos se levantaram em
reverência. Logo após, Dr. Pedro Gomes tomou a palavra e deixou transparecer
sua emoção: saudou a advocacia, os presentes e, com especial carinho, a família
Bezerra de Menezes, destacando o orgulho de acolher sua prima Juliana.
Confessou que, embora já tenha discursado em diversos lugares, nunca se sentiu
tão nervoso quanto naquele momento, pois falava diante da própria família.
Ressaltou ainda a relevância da Infanta Maria Izabel de Bragança, lembrando que
se tratava de uma princesa que se tornou rainha, uma mulher à frente de seu
tempo, que inaugurou o Museu do Prado e deixou marcas profundas na cultura.
Em seguida, ouvimos as palavras da Vice-presidente
Matilde Carone Slaibi Conti. Com voz carregada de emoção, evocou a beleza da
noite invernal que, apesar do frio, estava aquecida pela alegria do encontro.
Em tom poético, lembrou que Maria Izabel “viu e venceu” ao chegar à Espanha,
sendo responsável por idealizar o Museu do Prado, gesto que revela sua força e
pioneirismo em tempos em que poucas mulheres tinham espaço para iniciativas
culturais. Ao final, dirigiu-se à autora com gratidão e reconhecimento,
afirmando que a noite era marcada não apenas por um lançamento literário, mas
por uma celebração da memória e da identidade.
Após as falas institucionais, Juliana
Bezerra foi convidada a compartilhar um “spoiler” de sua obra. Com entusiasmo e
rigor histórico, apresentou ao público informações sobre a vida de Maria Izabel
de Bragança, ilustrando sua fala com imagens projetadas em slides no DataShow.
Cada fotografia e documento revelava fragmentos de uma trajetória que une
Portugal, Brasil e Espanha, permitindo que os presentes visualizassem a dimensão
cultural e política dessa infanta que se tornou rainha.
Juliana destacou episódios marcantes
da vida de Maria Izabel, mostrando como sua presença no Brasil deixou marcas
sutis, mas significativas, e como sua atuação na Espanha foi decisiva para a criação
do Museu do Prado e para iniciativas pioneiras, como o ensino de desenho para
meninas carentes. A plateia acompanhava com atenção, absorvendo a riqueza de
detalhes que a autora trouxe à tona.
Ao final da apresentação, o professor
Henrique Vianna brindou os presentes com uma interpretação ao violão da canção
Garota de Ipanema. O momento musical trouxe leveza e poesia, criando um elo
entre a história e a cultura brasileira contemporânea. Em seguida, todos foram
convidados ao Salão Nobre Waldemar Zveiter, onde a autora recebeu os convidados
para autógrafos. O ambiente se transformou em espaço de confraternização, com
um delicioso coquetel que selou a noite de celebração.
O livro Maria Izabel de Bragança: A
Infanta portuguesa que morou no Brasil e foi Rainha da Espanha, publicado pela
Editora Paco, reúne 292 páginas de pesquisa minuciosa e narrativa envolvente.
Ao revelar sua contribuição para a fundação do Museu Nacional do Prado e sua
dedicação ao ensino artístico para meninas desfavorecidas, Juliana Bezerra
resgata não apenas uma figura feminina de liderança, mas também um elo cultural
que conecta o Brasil às grandes dinastias europeias.
Mais do que uma biografia, a obra é um
convite à reflexão sobre o papel das mulheres na História, sobre os vínculos
entre culturas e sobre a importância de preservar memórias que, muitas vezes,
permanecem invisíveis. É um gesto de reconhecimento e de valorização da
identidade luso-brasileira, que ganha nova luz através da pesquisa e da
escrita.
Maria Izabel de Bragança (1797–1818)
permanece, até hoje, uma presença desconhecida para a maioria dos brasileiros,
apesar de ter vivido no Rio de Janeiro por oito anos e de ter sido rainha da
Espanha. Filha da infanta espanhola D. Carlota Joaquina e do príncipe português
D. João, cresceu em Portugal ao lado dos irmãos, entre eles o futuro imperador
do Brasil, D. Pedro I.
Aos dez anos, viu-se obrigada, pela
força das invasões napoleônicas, a atravessar o Atlântico e instalar-se no
Brasil, onde completaria sua formação, enfrentando ao mesmo tempo as crises de
epilepsia que marcaram sua existência.
Com a queda de Napoleão em 1814, os
países ibéricos buscavam reconstruir-se após os anos de ocupação francesa.
Nesse contexto, Fernando VII da Espanha encontrava-se viúvo, e sua irmã, D.
Carlota Joaquina, ofereceu uma de suas filhas em casamento. Escolhida pelo tio,
em 1816, Maria Izabel partiu para a Espanha, onde se dedicou a projetos
educacionais e artísticos, tornando-se protagonista na criação do Museu
Nacional do Prado e na promoção do ensino de desenho para meninas carentes,
iniciativas visionárias para uma mulher de sua época.
O momento literário ganhou contornos
ainda mais afetivos pela presença de seus familiares. A Rosa Maria, a mãe, o
esposo Alexandre e o filho Leandro da autora acompanharam cada instante com
carinho, desde as apresentações até o momento dos autógrafos, tornando o evento
não apenas uma celebração literária, mas também um encontro de afetos e raízes.
No salão nobre, entre abraços e dedicatórias, muitos leitores tiveram seus
exemplares autografados, guardando consigo não apenas um livro, mas a memória
viva de uma noite cultural.
A solenidade reuniu nomes de destaque
da cena cultural e acadêmica: Márcia Pessanha, presidente da Academia
Fluminense de Letras; Jocelin Marry Nery, presidente do Elos de Niterói; Nagela
Bouvier, presidente do Elos de São Gonçalo, representando também os Elos
Universitário e Itaipu; além da presença marcante da Dra. Zezé Gomes, Regina
Coeli V. Silveira e Silva representando o Rotary Niterói-Norte, Maria Otilia
Camillo representando a ANE, Regina Tauil da Casa da Amizade, Verônica Costa, a
professora Verônica Palladino, Conselheira Rejane Goulart, a mariana
Conselheira da Instituição, Márcio Selles, Ernesto Guadalupe e tantos outros que abrilhantaram o encontro.
Entre discursos, música e
confraternização, o lançamento se transformou em um mosaico de cultura e
memória. A autora, ao lado de sua família, irradiava gratidão e orgulho,
enquanto os convidados celebravam não apenas a biografia de uma infanta
esquecida, mas também o gesto de resgate histórico que conecta Brasil, Portugal
e Espanha. A noite encerrou-se com o sabor do coquetel, o calor dos diálogos e
a certeza de que a literatura, quando se alia à história e ao afeto, é capaz de
criar pontes que atravessam o tempo e permanecem na alma.
O lançamento foi registrado com
sensibilidade pelo Focus Portal Cultural, sob o olhar atento do jornalista e
escritor Alberto Araújo e a fotógrafa Lilian da Costa que eternizou em palavras e imagens a
atmosfera de emoção que tomou conta da OAB Niterói.
Uma tarde-noite memorável, em que
literatura e história se entrelaçaram para dar vida a uma personagem que merece
ser lembrada e celebrada.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
