segunda-feira, 9 de março de 2026

CARNAVAL 2026 MARCA VIRADA NO TURISMO DE LUXO NO RIO

O Carnaval deste ano não apenas brilhou nas avenidas, mas também redefiniu o papel do Rio de Janeiro no cenário global do turismo de alto padrão. Segundo dados da EMBRATUR, mais de 300 mil estrangeiros desembarcaram no Brasil durante os dias de festa, um salto de 17% em relação ao ano anterior. O impacto foi imediato: hotéis de luxo registraram ocupação recorde e o setor de hospitalidade carioca ganhou novo fôlego. 

Entre os destaques está o Hotel Nacional, ícone modernista projetado por Oscar Niemeyer e com jardins de Roberto Burle Marx. O empreendimento, localizado em São Conrado, registrou crescimento de 35% na procura por hóspedes internacionais durante o período. Para muitos visitantes, a escolha reflete o desejo de unir a intensidade do Carnaval com a exclusividade de um refúgio sofisticado, capaz de oferecer silêncio, segurança e experiências personalizadas. 

Maurício Júnior, gerente geral do hotel, explica que o perfil do turista mudou: “O visitante internacional busca viver o Carnaval com intensidade, mas também valoriza a possibilidade de descansar em um ambiente de alto padrão. Nosso papel é oferecer essa transição perfeita entre a energia da Sapucaí e o conforto de um espaço exclusivo.” 

O Rio concentrou cerca de 110 mil visitantes estrangeiros, o que representa mais de um terço do total nacional. Além da festa, pesquisas apontam que o ticket médio dos turistas aumentou, impulsionando setores como gastronomia, transporte e bem-estar. A permanência média também cresceu: hoje, os hóspedes ficam entre cinco e sete dias, aproveitando serviços bilíngues, culinária autoral e infraestrutura completa.

O movimento confirma que o Brasil deixou de ser apenas destino sazonal. A combinação de arte, natureza e hospitalidade reposiciona o país como referência no chamado luxo contemporâneo, baseado em autenticidade e experiências únicas. No caso do Hotel Nacional, o aumento de 16% na ocupação por estrangeiros ao longo de 2025 mostra que o interesse vai além da temporada festiva. 

Com isso, o Rio de Janeiro se consolida não apenas como porta de entrada do turismo internacional, mas como protagonista de uma nova fase da hospitalidade de luxo. Regiões como São Conrado ganham espaço frente a bairros tradicionais, atraindo viajantes que buscam privacidade e sofisticação em meio à paisagem carioca.

© Alberto Araújo

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09 DE MARÇO DE 2026 – 526 ANOS DA PARTIDA DA ARMADA DE PEDRO ÁLVARES CABRAL - EFEMÉRIDES – FOCUS PORTAL CULTURAL

Em 9 de março de 2026, celebram-se os 526 anos da partida da armada de Pedro Álvares Cabral de Lisboa, Portugal. O episódio, ocorrido em 1500, é um dos marcos mais relevantes da Era dos Descobrimentos e da história mundial, pois resultou no “achamento” do Brasil em 22 de abril daquele ano. 

Na manhã de 9 de março de 1500, após missas e cerimônias de despedida, treze embarcações deixaram o Rio Tejo rumo ao Oriente. A frota reunia mais de mil homens, entre marinheiros, soldados, religiosos, intérpretes, boticários e degredados. O comando estava nas mãos de Pedro Álvares Cabral, fidalgo da Casa Real, escolhido por D. Manuel I para liderar a expedição. 

A missão principal era estabelecer relações comerciais com a Índia, seguindo a rota de Vasco da Gama, mas a expedição também tinha ordens para averiguar as possibilidades de Portugal no Atlântico Oeste. 

Contudo, a Coroa também havia determinado que Cabral explorasse as possibilidades do Atlântico Oeste, em consonância com o Tratado de Tordesilhas (1494), que dividia o mundo entre Portugal e Espanha. 

Para evitar as calmarias da costa africana, a frota realizou a chamada “volta do mar”, navegando em direção ao sudoeste. Essa manobra, fruto da experiência náutica portuguesa, levou os navios a se afastarem da rota prevista e, após 44 dias de viagem, avistarem terras desconhecidas para os europeus. 

Em 22 de abril de 1500, a armada avistou o Monte Pascoal, no sul da Bahia. O encontro com o território que viria a ser chamado Brasil inaugurou a presença portuguesa no Novo Mundo. A expedição permaneceu alguns dias na região, estabelecendo contato com os povos indígenas e celebrando a primeira missa em solo brasileiro, antes de prosseguir viagem rumo ao Oriente. 

A armada de Cabral era composta por naus e caravelas, embarcações robustas que transportavam não apenas homens de armas, mas também religiosos, intérpretes e degredados. Essa diversidade de tripulantes refletia o caráter multifuncional das expedições portuguesas: militares, comerciais, diplomáticas e missionárias. 

Após cumprir sua missão na Índia, a frota regressou a Lisboa em julho de 1501, mais de um ano depois da partida. A viagem consolidou a presença portuguesa tanto no Oriente quanto no Ocidente, ampliando o alcance da expansão marítima e reforçando o papel de Portugal como potência global do século XVI.

Passados 526 anos, a partida da armada de Pedro Álvares Cabral continua a ser lembrada como um divisor de águas. Embora o objetivo inicial fosse a Índia, o encontro com o Brasil transformou-se em um dos acontecimentos mais significativos da história luso-brasileira. Foi o prelúdio de séculos de colonização, miscigenação e formação cultural que moldaram a identidade do país. 

O 9 de março de 1500 não foi apenas o início de uma viagem marítima: foi o ponto de partida de uma transformação global. Ao recordar esta efeméride em 2026, compreendemos que a ousadia da armada de Cabral simboliza o espírito aventureiro de Portugal e o início de uma nova etapa da história mundial. 

© Alberto Araújo

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HOMENAGEM ÀS MULHERES DA CASA BRASILEIRA DE LIVROS



Às mulheres que transformam palavras em encanto e mantêm viva a magia da literatura: nosso feliz Dia da Mulher! 🌷📚

 

domingo, 8 de março de 2026

ABERTURA DO ANO ACADÊMICO DA ACADEMIA FLUMINENSE DE LETRAS - PRESIDENTE MARCIA PESSANHA


SOLENIDADE DE ABERTURA DO ANO ACADÊMICO DA ACADEMIA FLUMINENSE DE LETRAS 

Na manhã de 07 de março de 2026, a Academia Fluminense de Letras (AFL), sob a presidência da acadêmica Márcia Pessanha, realizou a solenidade de abertura de suas atividades acadêmicas, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. 

A ocasião foi marcada por momentos de emoção e confraternização, reforçando o compromisso da AFL em promover a cultura e valorizar a diversidade de vozes que compõem o cenário literário fluminense. 

A presidente deu início à sessão com o discurso “A ciranda das mulheres sábias”, seguido pela fala de Micaela Costa (FAN), que destacou a relevância da mulher empreendedora na área cultural. A palestra de Sol de Paula, sobre a presença da mulher negra na literatura, foi calorosamente aplaudida, trazendo à memória nomes como Maria Firmina dos Reis, Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo, entre outras. 

Matéria completa no link:

https://focusportalcultural.blogspot.com/2026/03/solenidade-de-abertura-do-ano-academico.html





DON'T CRY FOR ME ARGENTINA - THE MAESTRO & THE EUROPEAN POP ORCHESTRA

NESSUN DORMA - NATHAN PACHECO E CORO DO TABERNÁCULO

(Clicar na imagem para assistir ao vídeo)

Assista a este momento de pura elevação artística e espiritual onde o tenor Nathan Pacheco se une ao Coro do Tabernáculo na Praça do Templo para interpretar a célebre ária “Nessun Dorma”, durante a turnê Canções de Esperança no Brasil. 

Realizada em São Paulo, esta apresentação une a potência da música clássica à grandiosidade do Coro. Como compartilhado por Nathan, esta obra representa a fé e a determinação em superar obstáculos, transmitindo uma mensagem de coragem que ressoa profundamente no coração de quem ouve.



 

ACADEMIA CARIOCA DE LETRAS - UM SÉCULO DE CULTURA E A VOZ DE ADRIANO ESPÍNOLA - SOLENIDADE DE POSSE DA NOVA DIRETORIA


No dia 04 de março de 2026, quarta-feira o Salão Nobre do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro foi palco de uma cerimônia que uniu tradição e renovação: a posse da nova diretoria da Academia Carioca de Letras (ACL). O evento, marcado por música, poesia e celebração, inscreveu-se na história cultural da cidade do Rio de Janeiro como um prelúdio das comemorações do centenário da instituição, fundada em 1926 e hoje consolidada como uma das mais importantes casas literárias do país. 

A cerimônia não se limitou ao protocolo. Houve recital de música popular, dirigido pelo historiador e músico Leonardo Santana, seguido de um coquetel que reforçou o caráter de confraternização entre escritores, professores, críticos e intelectuais. A nova diretoria, que conduzirá a ACL em seu ano centenário, é presidida pelo poeta e professor Adriano Espínola, tendo como vice-presidente o professor Paulo Alonso. Os historiadores Paulo Roberto Pereira e Leonardo Santana assumem a secretaria, enquanto a escritora e professora Luiza Lobo dirige a biblioteca. A revista da Academia passa a ser conduzida pelo professor Eduardo Coutinho. 

A Academia Carioca de Letras chega ao seu centenário com uma nova diretoria liderada por Adriano Espínola, poeta e professor cuja trajetória literária e acadêmica reflete o espírito da instituição. A solenidade de posse, marcada por música e confraternização, simbolizou a continuidade de uma tradição que, desde 1926, vem fortalecendo a cultura literária nacional. 

A Academia Carioca de Letras nasceu em 08 de abril de 1926, inicialmente sob o nome de Academia Pedro II, e em 1929 adotou sua denominação atual. Desde então, tornou-se referência na preservação e difusão da literatura nacional. Sua sede, localizada na Avenida Augusto Severo, no centro do Rio de Janeiro, abriga uma biblioteca de relevância histórica e cultural. Entre seus membros, figuraram nomes que também se tornaram imortais da Academia Brasileira de Letras, como o jurista Pontes de Miranda. A ACL concede ainda o Prêmio Raul de Leoni, que já distinguiu escritores de grande expressão, como o poeta Camillo de Jesus Lima.

O centenário da instituição, a ser celebrado em abril de 2026, não é apenas uma efeméride: é a reafirmação de um compromisso com a cultura literária carioca e brasileira. A ACL, ao longo de sua trajetória, consolidou-se como espaço de diálogo entre tradição e modernidade, entre o cânone e a experimentação. 

A escolha de Adriano Espínola para presidir a ACL em seu centenário é simbólica. Nascido em Fortaleza, em 1952, Espínola construiu uma trajetória marcada pela poesia, pela crítica literária e pelo magistério. Desde os primeiros versos publicados sob o pseudônimo Pedro Gaia, passando por obras como Fala, favela (1981), Trapézio (1984), Táxi (1986) e Beira-Sol (1997), sua produção revela uma busca constante por uma linguagem que una rigor estético e sensibilidade social. 

Professor em universidades brasileiras e estrangeiras, Espínola também se destacou como pesquisador de Gregório de Matos, tema de sua tese de doutorado e do livro As artes de enganar (2000). Sua obra circula internacionalmente, com traduções para o inglês e o francês, e já foi premiada pela Fundação Biblioteca Nacional e pela Academia Brasileira de Letras. Em 2011, ingressou na própria ACL, onde agora assume a presidência.

A posse de Espínola representa mais do que uma mudança administrativa: é a reafirmação da vocação da ACL como espaço de resistência cultural em tempos de transformações sociais e tecnológicas. Ao unir tradição e inovação, a Academia reafirma seu papel de resguardadora da língua e da literatura, mas também de promotora de novos debates e perspectivas. 

O centenário da ACL, sob a liderança de Adriano Espínola, promete ser um marco não apenas para a instituição, mas para a vida cultural do Rio de Janeiro e do Brasil. A cerimônia de março foi apenas o início de um ciclo que se estenderá ao longo de 2026, com eventos, publicações e atividades que celebrarão cem anos de história e projetarão a Academia para o futuro.

 

© Alberto Araújo

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SOLENIDADE DE ABERTURA DO ANO ACADÊMICO DA ACADEMIA FLUMINENSE DE LETRAS - PRESIDENTE MARCIA PESSANHA - FOCUS PORTAL CULTURAL

Na manhã de 07 de março de 2026, a Academia Fluminense de Letras (AFL), sob a presidência da acadêmica Márcia Pessanha, realizou a solenidade de abertura de suas atividades acadêmicas, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. 

A ocasião foi marcada por momentos de emoção e confraternização, reforçando o compromisso da AFL em promover a cultura e valorizar a diversidade de vozes que compõem o cenário literário fluminense. 

A presidente deu início à sessão com o discurso “A ciranda das mulheres sábias”, seguido pela fala de Micaela Costa (FAN), que destacou a relevância da mulher empreendedora na área cultural. 


A palestra de Sol de Paula, sobre a presença da mulher negra na literatura, foi calorosamente aplaudida, trazendo à memória nomes como Maria Firmina dos Reis, Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo, entre outras. 

O evento reuniu acadêmicos, escritores e personalidades do mundo cultural, em uma programação literomusical marcada pela emoção e pela celebração da arte e da literatura. 

COMPOSIÇÃO DA MESA 

José Cícero Nascimento – Diretor de Patrimônio da Biblioteca Parque de Niterói

Jordão Pablo de Pão – Coordenador da Niterói Livros

Sol de Paula – Escritora e palestrante

Micaela Costa – Presidente da Fundação de Artes e Cultura de Niterói

Márcia Pessanha – Presidente da AFL

Matilde Carone Slaibi Conti – Presidente do Elos Internacional

Pedro Caldas – Representante da ANE

Idalina Gonçalves – Real Gabinete Português 

Magda Belloti

Gisela Peçanha


PROGRAMAÇÃO ARTÍSTICA 

Apresentação musical: Gisela Peçanha e Magda Belloti

Declamações: Lúcia Romeu e Gracinha Rego 

Em clima de confraternização, Valéria Gervásio surpreendeu ao levar um bolo para celebrar o aniversário de Márcia Pessanha. 

Após a cerimônia, os convidados participaram de um momento especial de confraternização, com direito a bolo personalizado, simbolizando a abertura festiva do ano acadêmico. A ocasião foi enriquecida pela presença de importantes nomes da cena cultural fluminense, reforçando o papel da AFL como espaço de encontro e valorização da memória literária.

Sob a presidência da escritora Márcia Pessanha, ladeada por uma diretoria composta por nomes de grande expressão intelectual, a Academia segue firme em sua missão de difundir a literatura e fortalecer a vida cultural da cidade e do Estado. A gestão atual tem se destacado pela abertura a novas linguagens e pela valorização da memória, promovendo eventos que unem arte, reflexão e convivência. 

O registro fotográfico foi realizado por Aldo da Silva Pessanha e Christiane Victer, da acadêmica Maria Otilia Camillo e vídeos da jornalista Verônica Oliveira extraídas de seu Instagram captaram com sensibilidade a atmosfera de alegria e relevância cultural vivida na sede da Academia. 

Com esse início vibrante, a Academia Fluminense de Letras dá o tom de suas atividades para 2026, reafirmando-se como espaço de resistência cultural e de celebração da arte, da literatura e da reflexão crítica.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

(Este arquivo é o slide com as fotos do evento
- aguardar as fotos rolarem)






O 8 DE MARÇO ENTRE FÉ E LUTA

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é uma data que une diferentes dimensões da experiência feminina: a histórica, a política e a cultural. Criado para lembrar as reivindicações por melhores condições de trabalho e igualdade de direitos, o marco tornou-se também um espaço de reflexão sobre conquistas e desafios ainda presentes. 

No Brasil, além das manifestações sociais, a data ganha contornos simbólicos ao dialogar com elementos da religiosidade popular, como a essência da Virgem Maria, evocada em homenagens que ressaltam a força espiritual e a proteção materna. Essa fusão entre fé e mobilização social revela a pluralidade de sentidos atribuídos ao 8 de março.

Se por um lado é um momento de celebração, por outro é um chamado à ação: ampliar a participação política das mulheres, combater a violência de gênero e garantir equidade no mercado de trabalho. Assim, o 8 de março se consolida como um marco cultural e jornalístico, que atravessa fronteiras e reafirma o papel das mulheres na construção de sociedades mais justas e inclusivas.

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, nasceu das lutas operárias e feministas do início do século XX e foi oficializado pela ONU em 1975. No Brasil, ganhou força na década de 1970, tornando-se um marco cultural e político que une mobilização social, memória histórica e homenagens simbólicas. 

Por que o Dia Internacional da Mulher é celebrado em 8 de março?

Muitos comemoram essa data sem conhecer sua origem. Para entendê-la, é preciso voltar à história das lutas femininas.

No final do século XIX e início do XX, a Revolução Industrial impôs condições de trabalho extremamente duras, sobretudo para mulheres e crianças. Nesse contexto, surgiram movimentos de resistência. Um dos primeiros marcos foi a greve das operárias têxteis em Nova York, em 1908, quando mais de 15 mil trabalhadoras exigiram redução da jornada, salários justos e melhores condições laborais. Poucos anos depois, em 1911, o incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist, também em Nova York, matou 146 pessoas — a maioria mulheres — e expôs de forma trágica a necessidade de segurança e direitos trabalhistas.

Mas a luta não se restringiu aos Estados Unidos. Em 1910, durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, realizada na Dinamarca, a ativista alemã Clara Zetkin propôs a criação de um dia internacional dedicado à causa feminina. A ideia foi acolhida e, nos anos seguintes, países como Áustria e Suíça passaram a celebrar a data.

Outro episódio decisivo ocorreu na Rússia. Em 8 de março de 1917, milhares de operárias foram às ruas de Petrogrado (atual São Petersburgo) pedindo pão, melhores condições de trabalho e o fim da guerra. Essas manifestações desencadearam a Revolução Russa e tiveram impacto tão profundo que, em 1921, o movimento comunista oficializou o 8 de março como o Dia Internacional das Mulheres.

Décadas mais tarde, em 1977, a ONU reconheceu oficialmente a data, consolidando-a como um momento de reflexão e mobilização contra a desigualdade de gênero e em defesa dos direitos das mulheres.

ORIGEM HISTÓRICA 

1909 (EUA): O Partido Socialista da América organizou o primeiro “Dia da Mulher”, impulsionado pela luta pelo voto feminino. 

1910 (Europa): A ativista alemã Clara Zetkin propôs internacionalizar a data durante o Congresso Socialista Internacional. 

1911 (Nova York): Um incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist, que matou mais de 140 trabalhadoras, tornou-se símbolo da precariedade laboral e da necessidade de direitos.

1975 (ONU): O Dia Internacional da Mulher foi reconhecido oficialmente, consolidando-se como marco global de resistência e reflexão. 

Marcos no Brasil 

Década de 1970: O 8 de março entrou no calendário nacional, em meio ao fortalecimento dos movimentos feministas durante a ditadura militar. 

Anos 1980-1990: Crescimento das mobilizações contra a violência doméstica e pelo direito ao trabalho digno. 

Atualidade: A data é marcada por protestos contra o feminicídio, pela equidade salarial e pela maior participação política das mulheres.

Dados e Desafios Contemporâneos 

Mercado de trabalho: Mulheres ainda recebem, em média, 20% menos que homens em cargos equivalentes no Brasil. 

Violência de gênero: O país registra mais de 1 feminicídio por dia, segundo dados recentes.

Participação política: Apesar de avanços, apenas cerca de 18% das cadeiras no Congresso Nacional são ocupadas por mulheres. 

No Brasil, além das manifestações sociais, o 8 de março também é permeado por referências religiosas, como a evocação da Virgem Maria em homenagens. Esse diálogo entre fé e luta reforça a pluralidade de sentidos atribuídos à data: celebração espiritual, memória histórica e mobilização política. 

O Dia Internacional da Mulher é mais do que uma comemoração; é um espaço de denúncia, resistência e esperança. No Brasil, ele se consolidou como um marco cultural que une fé, história e mobilização social, lembrando que a luta por igualdade ainda está em curso. 

© Alberto Araújo

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HOMENAGEM A CORA CORALINA E ÀS MULHERES NO 8 DE MARÇO

No coração da cidade de Goiás, em 1889, nasceu Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, que o mundo viria a conhecer como Cora Coralina. Mulher de mãos calejadas pelo trabalho, doceira de ofício, mãe dedicada e poeta por vocação, ela transformou sua vida em um testemunho da força feminina diante das adversidades. Sua trajetória é, por si só, um poema de resistência e esperança. 

Durante décadas, Cora escreveu em silêncio, guardando versos entre tarefas domésticas e tachos de cobre. Só aos 76 anos publicou seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. Esse gesto tardio, longe de ser um obstáculo, tornou-se símbolo de que nunca é tarde para florescer. Sua poesia, marcada pela simplicidade e pela profundidade, revela a grandeza escondida nos gestos cotidianos e na dignidade das pessoas comuns. 

Entre seus versos mais célebres está “Aninha e suas pedras”, um convite à reconstrução constante. Nele, Cora nos ensina que as pedras do caminho não são apenas barreiras, mas matéria-prima para erguer jardins, poemas e novas possibilidades. É uma metáfora poderosa para a vida das mulheres, que tantas vezes transformam dor em criação, silêncio em palavra, invisibilidade em presença. 

Homenagear Cora Coralina no Dia Internacional da Mulher é reconhecer que sua vida e obra são espelhos da luta de tantas mulheres: 

Resiliência: Cora enfrentou preconceitos, pobreza e invisibilidade, mas nunca deixou de escrever. 

Criação: Fez da cozinha e da poesia espaços de arte, mostrando que o cotidiano também é lugar de beleza. 

Recomeço: Publicou na velhice, provando que o tempo não limita os sonhos. 

Legado: Sua voz ecoa até hoje, inspirando jovens e adultos a recriar suas vidas diante das dificuldades. 

O POEMA COMO CONVITE

“Aninha e suas pedras” não é apenas um texto literário; é uma filosofia de vida. Ele nos lembra que: As dificuldades podem ser transformadas em força criadora.

A vida, mesmo em sua aparente mesquinhez, pode se tornar poesia.

O gesto de recomeçar é ato de coragem e de esperança. 

Assim como Cora, cada mulher carrega em si a capacidade de reinventar o mundo, de plantar roseiras onde antes havia pedras, de escrever histórias onde antes havia silêncio. 

A circulação de seus poemas em livros didáticos, antologias e redes sociais fez de Cora Coralina uma presença constante na formação de gerações. Sua mensagem ultrapassa fronteiras e se torna universal: a valorização da experiência vivida, da perseverança e da beleza escondida nas coisas simples. 

A estátua em bronze inaugurada em 2021 na cidade de Goiás é mais que uma homenagem: é um marco da memória coletiva, lembrando que a poesia pode nascer das mãos que fazem doces, das ruas estreitas de uma cidade histórica, da vida de uma mulher que ousou escrever contra o esquecimento. 

HOMENAGEM ÀS MULHERES 

No 8 de março, ao celebrarmos o Dia Internacional da Mulher, evocamos Cora Coralina como símbolo da força feminina. Sua vida nos ensina que: 

Cada mulher é poeta de sua própria história.

Cada obstáculo pode ser transformado em caminho.

Cada gesto simples carrega uma grandeza invisível. 

Assim como Cora, as mulheres constroem, recriam e resistem. Elas são fontes de vida, de arte e de esperança. São vozes que, mesmo quando silenciadas, encontram formas de ecoar.

Homenagear Cora Coralina é homenagear todas as mulheres que, com coragem e delicadeza, transformam o mundo. Que neste 8 de março possamos beber da fonte que ela nos ofereceu, uma poesia feita de pedras e roseiras, de doces e recomeços, de memória e futuro. 

Que sua mensagem nos inspire a reconhecer e valorizar a força das mulheres em cada gesto, em cada palavra, em cada vida. 

“Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.

  

ANINHA E SUAS PEDRAS

 

Não te deixes destruir…

Ajuntando novas pedras

e construindo novos poemas.

 

Recria tua vida, sempre, sempre.

Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.

Faz de tua vida mesquinha

um poema.

 

E viverás no coração dos jovens

e na memória das gerações que hão de vir.

Esta fonte é para uso de todos os sedentos.

 

Toma a tua parte.

Vem a estas páginas

e não entraves seu uso

aos que têm sede.

 

Cora Coralina em Melhores poemas seleção e apresentação Darcy França Denófrio. 3ed. rev. e ampliada – São Paulo: Global, 2008. pg 243.

 

© Alberto Araújo

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DON JUAN TENÓRIO, DON JUAN DE MARCO E A MULHER INTELECTUAL: UMA HOMENAGEM A DALMA NASCIMENTO NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER


Ensaio cultural com tom jornalístico e homenagem intelectual

© Alberto Araújo – Focus Portal Cultural 

No imaginário ocidental, poucas figuras atravessaram os séculos com tanta força simbólica quanto Don Juan. Desde Tirso de Molina, que lhe deu forma dramática no teatro barroco espanhol, até as releituras contemporâneas que o inserem em cenários urbanos e cinematográficos, Don Juan permanece como arquétipo do desejo insaciável, do sedutor que nunca se sacia, do finório que joga com as regras sociais apenas para subvertê-las. 

Dalma Nascimento, em sua obra “Seduções e Sedições do Finório Don Juan Tenório” (2024), nos convida a revisitar esse mito com olhar renovado, articulando erudição e sensibilidade, crítica e poesia, para revelar como o personagem continua a nos interpelar e a nos provocar. Mas o mérito maior de sua leitura está em confrontar Don Juan com a ascensão da mulher como sujeito histórico e literário. Se antes o sedutor encontrava terreno fértil em uma sociedade que relegava à mulher o papel de objeto passivo, agora ele se vê diante de resistências, de vozes que não se deixam capturar. 

Essa perspectiva é essencial para compreender o que significa homenagear Dalma Nascimento no Dia Internacional da Mulher. Pois, ao revisitar Don Juan, a autora não apenas ilumina o mito masculino, mas sobretudo revela a força da mulher intelectual, capaz de dialogar com os mitos sem se submeter a eles.

Dalma Nascimento descreve Don Juan como um “caçador de afetos, mas também fugitivo da completude, sempre em busca de uma mulher mítica que lhe devolva o paraíso perdido”. Essa busca, porém, é marcada pela frustração, pela impossibilidade de fixar o objeto do desejo, pela eterna tensão entre ideal e realidade. 

O mito, portanto, não é apenas sobre sedução, mas sobre ausência. Don Juan deseja o que não pode possuir, e é nesse vazio que reside sua força simbólica. Dalma aproxima essa dimensão da poesia de Vinicius de Moraes, especialmente em “A mulher que passa”, onde o desejo se revela como promessa e ausência, como sonho e desencanto.

Mas se Don Juan é o arquétipo da fuga, a mulher intelectual é o arquétipo da permanência. Ela não se deixa capturar, mas também não se dissolve na ausência. Ao contrário, afirma-se como sujeito, como voz, como presença crítica que ressignifica o mito. 

DON JUAN DE MARCO: O CINEMA E A REINVENÇÃO DO MITO 

Se Don Juan Tenório é o mito literário, Don Juan de Marco é sua versão cinematográfica. Interpretado por Johnny Depp no filme de 1994, Don Juan de Marco é um jovem que acredita ser o maior amante do mundo. Sua figura é ao mesmo tempo paródica e poética, revelando como o mito pode ser reinventado em chave contemporânea. 

No filme, Don Juan não é apenas sedutor; é também narrador de si mesmo, criador de sua própria ficção. Ele seduz porque acredita na sedução, porque constrói um universo em que o amor é absoluto. Mas, ao mesmo tempo, sua figura revela a fragilidade do mito: o sedutor é também seduzido por sua própria narrativa. 

Essa dimensão dialoga com a leitura de Dalma Nascimento. Don Juan é figura que seduz e é seduzida por sua própria ficção. Ele é mito que se reinventa, mas que encontra resistência na mulher contemporânea, consciente de seu valor e de sua autonomia. 

A MULHER INTELECTUAL: SUJEITO DA NARRATIVA 

O ponto central da obra de Dalma Nascimento é a ascensão da mulher como essência histórica e literária. Com o avanço dos movimentos feministas e a valorização da voz feminina, o poder de sedução de Don Juan encontra resistência. A mulher deixa de ser objeto passivo e passa a ser agente de sua própria narrativa. 

Essa mudança é fundamental. Pois, ao se tornar sujeito, a mulher não apenas desafia Don Juan, mas também ressignifica o mito. O sedutor já não pode agir impunemente; ele se vê diante de presenças que o obrigam a se reinventar.

Dalma celebra essa nova mulher como figura antenada, consciente de seu valor e capaz de dialogar com os mitos sem se submeter a eles. Essa leitura é essencial para compreender como o mito de Don Juan se transforma diante da presença feminina.

ENTRE TENÓRIO E DE MARCO: O ESPELHO DA CONDIÇÃO HUMANA 

Ao aproximar Don Juan Tenório e Don Juan de Marco, percebemos que ambos revelam dilemas existenciais e filosóficos. O primeiro é o arquétipo da fuga; o segundo, o arquétipo da ficção. Mas ambos expressam a mesma tensão: o desejo por completude em um mundo marcado pela ausência. 

Dalma Nascimento mostra que Don Juan não é apenas personagem literário, mas espelho das inquietações humanas. Ele encarna o “pathos” do desejo, a tensão entre liberdade e responsabilidade, entre sonho e frustração, entre sedução e sedução de si mesmo. 

Mas é a mulher intelectual que dá sentido a esse espelho. Pois, ao se afirmar como sujeito, ela revela que o desejo não é apenas masculino, mas humano. O mito de Don Juan, portanto, só se mantém vivo porque encontra na mulher contemporânea sua interlocutora crítica, sua resistência, sua reinvenção. 

HOMENAGEM A DALMA NASCIMENTO 

No Dia Internacional da Mulher, homenagear Dalma Nascimento é reconhecer sua contribuição para a leitura crítica do mito de Don Juan. Sua obra alia erudição e sensibilidade, crítica e poesia, para construir uma narrativa que é ao mesmo tempo análise e celebração, reflexão e provocação. 

Dalma nos mostra que Don Juan não pode ser compreendido sem a mulher. Pois é a mulher que dá sentido ao mito, que revela sua fragilidade, que desafia sua sedução. Ao trazer a mulher intelectual para o centro da narrativa, Dalma não apenas revisita o mito, mas também celebra a condição humana em sua busca incessante por sentido. 

CONCLUSÃO: A MULHER COMO TRAVESSIA

Ao final, o que se impõe é a percepção de que Don Juan Tenório e Don Juan de Marco são figuras que só existem porque a mulher existe. O sedutor só é sedutor porque há quem resista, quem desafie, quem se afirme como sujeito.

Dalma Nascimento nos convida a pensar o amor não como completude, mas como movimento; não como posse, mas como travessia; não como fim, mas como eterno recomeço. 

No Dia Internacional da Mulher, essa leitura é mais do que homenagem: é celebração da mulher intelectual, da mulher que pensa, que escreve, que ressignifica os mitos. É celebração da mulher que, como Dalma Nascimento, nos mostra que o desejo não é apenas sedução, mas também reflexão; não apenas ausência, mas também presença; não apenas mito, mas também realidade.

© Alberto Araújo

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