Comitiva de membros da Academia Fluminense de Letras
A cultura, quando viva e pulsante, não
se restringe ao silêncio das estantes; ela se faz no encontro, na troca de
saberes e no reconhecimento dos alicerces que sustentam nossa identidade. Em um
movimento de singular importância para a cena fluminense, a centenária Academia
Fluminense de Letras (AFL) protagonizou sexta-feira, 12 de junho de 2026, uma
imersão institucional que reafirma o compromisso da agremiação com a
preservação do patrimônio histórico e artístico de Niterói. Por intermédio do
projeto “A Academia Visita”, coordenado pelo incansável acadêmico Jordão Pablo
de Pão, a instituição reafirmou sua relevância como ponte entre as artes, as
letras e a memória pública.
Sob a presidência de Márcia Pessanha,
a Academia Fluminense de Letras tem demonstrado uma gestão pautada pela
abertura e pelo fortalecimento de laços interinstitucionais. A visita realizada
hoje aos Museus Antônio Parreiras (MAP) e Janete Costa de Arte Popular (MJC)
não foi apenas um protocolo, mas um exercício de continuidade histórica.
A escolha dos destinos não é fortuita.
Antônio Parreiras, o mestre niteroiense qual a sua obra superou as fronteiras
da pintura, possui um elo intrínseco com a Academia. Em 1927, o célebre pintor
e professor ingressou na AFL como membro da Classe de Belas Artes, um feito
consolidado logo após a publicação de seu emblemático livro de memórias,
História de um Pintor, Contada por Ele Mesmo (1926). Visitar o museu que leva
seu nome é, para os acadêmicos, um ato de reverência a um dos seus pares mais
ilustres.
Da mesma forma, a homenagem ao Museu
Janete Costa celebra a memória da arquiteta recifense que, com um olhar
sensível e vanguardista, dedicou sua vida a elevar o artesanato ao patamar de
alta manifestação cultural do povo brasileiro. Janete Costa não apenas curou
exposições; ela curou a percepção do Brasil sobre si mesmo.
O ponto alto da jornada foi a entrega
da Moção de Reconhecimento e Aplausos da AFL às instituições culturais, à frente do Museu Antônio Parreiras representado por Fátima Marotta Henriques e ao Museu Janete Costa representado por Daniela Moraschini.
O reconhecimento público destaca a
atuação incansável dessas profissionais, que mantêm a chama da memória acesa em
tempos de constantes transformações urbanas e sociais.
A comitiva da AFL, liderada por Márcia
Pessanha e orquestrada por Jordão Pablo de Pão, contou com a presença de um
grupo seleto e atuante de intelectuais, incluindo Matilde Carone Slaibi Conti -
Presidente do Elos Internacional, Cenáculo Fluminense de História e Letras e
outras, Eneida Fortuna Barros, Erthal Rocha, Lucia Romeu, Magda Belloti,
Railson Barboza, Sidney Gomes e Verônica Oliveira.
Nos corredores e jardins do Museu Antônio
Parreiras, o grupo foi recebido com a hospitalidade da equipe educacional,
representada por Flávia Vilar, Gabe e Breno Santos. Já no Museu Janete Costa, o
acolhimento ficou a cargo de Elielton Rocha e Júnior, que conduziram os
visitantes por uma imersão na curadoria que define a essência da arte popular
no Brasil.
O projeto “A Academia Visita”,
idealizado por Jordão Pablo de Pão, configura-se como uma das iniciativas mais
dinâmicas da atual gestão da AFL. Ao levar a Academia para fora de sua sede, a
instituição desmistifica o conceito de "torre de marfim". A
literatura e a academia fluminense, ao se colocarem em diálogo com museus e
espaços de cultura, provocam uma reflexão necessária: a de que o saber
acadêmico e a preservação do patrimônio são, em última análise, o mesmo esforço
de salvaguarda da nossa história.
Esta incursão, realizada sob o sol
radiante desta sexta-feira 12 de junho, ganha contornos de uma poesia singular
ao coincidir com o Dia dos Namorados. Em um movimento de rara sensibilidade, a
Academia Fluminense de Letras não celebrou apenas o afeto romântico, mas o
verdadeiro "namoro" com a nossa própria história. Enquanto o mundo
trocava juras de amor, nossos acadêmicos trocavam olhares de admiração com as
personalidades históricas que moldaram nossa identidade. Foi um encontro de
almas afins: os imortais da AFL em um enlace apaixonado com a genialidade de
Antônio Parreiras e a audácia estética de Janete Costa.
Niterói reafirma, assim, seu posto
privilegiado como um verdadeiro celeiro de pensamento e sensibilidade
artística. A integração entre a AFL e os museus estaduais não é meramente
administrativa; é uma rede de proteção, um abraço afetuoso que a cultura dá em
seus próprios tesouros. Ao transitar pelas galerias, os membros da Academia
pareciam enamorados das formas, das cores e das narrativas que ali repousam,
provando que o conhecimento, quando cultivado com paixão, gera reflexos
profundos e duradouros no fomento às artes e na educação patrimonial de nossa
gente.
Ao final do dia inesquecível, o
sentimento compartilhado entre os presentes era de uma profunda comunhão. A
memória, quando visitada com este respeito, um verdadeiro cortejo intelectual e
afetivo, deixa de ser um registro estático, um documento poeirento ou uma data
esquecida; ela se transmuta em um guia vibrante para o futuro. A Academia
Fluminense de Letras, embora centenária, revela-se deliciosamente contemporânea
e pulsante em sua missão de eternidade, guiada pelo lema que estampa seu
estandarte: "Per Astra". Ao buscar o saber "através das
estrelas", a instituição reafirma sua vocação de elevar o pensamento
humano para além do tempo, dialogando e celebrando, com esmero, o legado daquelas
personalidades que, com o amor fervoroso depositado em suas tintas, pedras,
tecidos e palavras, desenharam o rosto multifacetado do que chamamos de cultura
fluminense.
Para o Focus Portal Cultural, esta
visita representa muito mais do que um compromisso de agenda; é o registro
sublime de uma gestão que compreende a cultura não como um objeto de museu, mas
como o tecido vivo, apaixonado e indestrutível que une as gerações, fazendo da
nossa história um eterno presente.
Créditos das fotos, compartilhadas por:
Christiane Victer e Matilde Carone Slaibi Conti
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
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Márcia Pessanha - Presidente da Academia Fluminense de Letras
Momento da entrega da
Moção de reconhecimento e aplausos
a Coordenadora Flávia - do MAP