sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

BRISA E VENTANIA - O MOVIMENTO DE SER - CRÔNICA-REFLEXIVA DE © ALBERTO ARAÚJO

Há momentos em que nos percebemos múltiplos, como se dentro de nós coexistissem diferentes versões que se revelam conforme o olhar do outro ou a circunstância que nos envolve. Somos, ao mesmo tempo, delicadeza e força, silêncio e tempestade. Essa dualidade não é contradição, mas sim a essência da vida que pulsa em cada um de nós. 

A vida não se resume a uma única face. Há dias em que somos brisa: leves, quase imperceptíveis, atravessando os espaços sem causar alarde, apenas deixando uma sensação de frescor. Nesses instantes, nossa presença é suave, como quem acaricia o mundo sem exigir nada em troca. É quando conseguimos sorrir sem motivo, quando a simplicidade nos basta, quando o silêncio se torna companhia agradável. 

Mas há também os dias em que somos ventania: intensos, transformadores, capazes de mover o que parecia imóvel. É quando a energia transborda, quando não conseguimos nos conter, quando precisamos nos afirmar diante da vida. A ventania não pede licença, ela chega e reorganiza o cenário. Assim também somos nós, quando decidimos mudar, quando ousamos, quando não aceitamos permanecer na mesmice. 

Essa alternância entre brisa e ventania revela que não somos estáticos. A identidade não é uma fotografia congelada, mas um filme em movimento. Cada experiência nos molda, cada encontro nos altera, cada desafio nos expande. O que hoje é leveza pode amanhã ser intensidade, e o que hoje é força pode amanhã se transformar em delicadeza. Não há incoerência nisso: há apenas humanidade. 

O olhar do outro também nos atravessa. Muitas vezes, não somos apenas aquilo que sentimos, mas também aquilo que refletimos nos olhos de quem nos vê. Para alguns, seremos sempre a brisa que conforta; para outros, a ventania que sacode. E talvez o segredo esteja em aceitar que não precisamos ser apenas uma coisa. Podemos ser várias, podemos ser todas. 

Essa consciência nos liberta da obrigação de caber em rótulos. Não precisamos ser sempre fortes, nem sempre frágeis. Não precisamos ser sempre alegres, nem sempre sérios. Podemos ser contraditórios, porque é na contradição que mora a riqueza da vida. A brisa nos ensina a suavidade, a ventania nos ensina a intensidade. Ambas são necessárias, ambas são partes do mesmo ciclo. 

O desafio é aprender a reconhecer em nós essas diferentes forças e permitir que elas se expressem sem culpa. Há quem se cobre por não ser sempre firme, há quem se culpe por não ser sempre leve. Mas a verdade é que não existe uma forma única de ser. O que existe é a possibilidade de se reinventar a cada instante, de se permitir ser o que o momento pede.

Quando aceitamos essa multiplicidade, passamos a viver com mais autenticidade. Não precisamos esconder nossa ventania para agradar, nem sufocar nossa brisa para parecer fortes. Podemos simplesmente existir, sabendo que cada versão de nós é legítima. E é nesse movimento que encontramos a verdadeira liberdade: a de não precisar escolher entre ser uma coisa ou outra, mas sim abraçar o todo. 

A vida é feita de contrastes. O dia precisa da noite, o silêncio precisa da palavra, a calma precisa da agitação. Nós também precisamos desses opostos para nos completar. Ser brisa nos conecta com a paz, ser ventania nos conecta com a transformação. E é nesse equilíbrio dinâmico que descobrimos quem realmente somos: não uma definição fixa, mas um fluxo constante.

Talvez o maior aprendizado seja perceber que não precisamos nos explicar. Quem nos vê pode interpretar de mil maneiras, mas o que importa é que estamos vivendo nossa verdade. Às vezes seremos lembrados pela leveza que oferecemos, outras vezes pela força que impusemos. E tudo bem. Porque cada gesto, cada presença, cada intensidade é parte de um mosaico maior que compõe nossa existência. 

No fim, ser brisa ou ventania não é uma escolha definitiva. É apenas o reflexo de um instante. E a beleza está justamente nisso: na possibilidade de ser diferentes versões de nós mesmos, sem perder a essência. Somos movimento, somos mudança, somos vida em constante reinvenção. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


 



NEERJA BHANOT - A CORAGEM QUE SALVOU CENTENAS NO VOO PAN AM 73


Na manhã de 05 de setembro de 1986, o aeroporto internacional de Karachi, no Paquistão, parecia viver mais um dia comum de operações. Entre pousos e decolagens, o voo Pan Am 73, vindo de Bombaim e com destino final a Nova York, fazia uma escala técnica. A bordo, mais de 360 passageiros aguardavam o prosseguimento da viagem. O que ninguém poderia prever era que, em poucas horas, aquela aeronave se tornaria palco de um dos sequestros mais dramáticos da história da aviação civil. 

Quatro homens armados, ligados ao grupo extremista Abu Nidal, invadiram o Boeing 747. Em minutos, o ambiente se transformou: medo, tensão e silêncio dominaram o espaço. O objetivo dos sequestradores era usar o avião como arma contra alvos em Israel. Mas um detalhe mudou o curso da tragédia: a presença de uma jovem comissária de bordo indiana, Neerja Bhanot, de apenas 22 anos. 

Neerja, chefe de cabine mais jovem da companhia, foi a primeira a perceber a gravidade da situação. Com rapidez e sangue frio, alertou a tripulação, permitindo que os pilotos escapassem pela janela da cabine. Esse gesto simples, mas decisivo, impediu que o avião fosse usado como instrumento de ataque. A partir daquele momento, a responsabilidade de lidar com os sequestradores e proteger os passageiros recaiu sobre a tripulação e, sobretudo, sobre Neerja. 

Durante mais de 17 horas, o voo Pan Am 73 permaneceu sob domínio dos sequestradores. O calor sufocante, a falta de comida e água e o medo constante criaram um cenário de desespero. Neerja, no entanto, manteve-se firme. Ela acalmava passageiros, amparava crianças, escondia passaportes de cidadãos americanos para evitar que fossem identificados e se tornassem alvos preferenciais. Sua postura serena e protetora tornou-se um ponto de equilíbrio em meio ao caos. 

Ao cair da noite, a tensão atingiu o limite. Os sequestradores abriram fogo dentro da aeronave. Foi nesse momento que Neerja tomou a decisão que selaria seu destino: abriu uma das saídas de emergência e começou a evacuar os passageiros. Poderia ter sido a primeira a escapar, mas escolheu ficar. Protegeu crianças com o próprio corpo e ajudou dezenas de pessoas a fugir. Foi atingida por disparos e morreu ali mesmo, na porta da aeronave, cumprindo até o último instante seu papel de guardiã. 

Graças às ações de Neerja e da tripulação, mais de 350 pessoas sobreviveram ao sequestro. Sua morte, aos 22 anos, chocou o mundo, mas também inspirou gerações. A Índia concedeu-lhe o Ashoka Chakra, a mais alta honraria civil por bravura, tornando-a a mais jovem a recebê-la. O Paquistão e os Estados Unidos também reconheceram oficialmente sua coragem. Mais do que medalhas, Neerja deixou um exemplo universal: a coragem não precisa de alarde, não busca reconhecimento, não se exibe. Às vezes, ela apenas decide permanecer quando poderia partir, e essa decisão muda destinos.

Décadas depois, a história de Neerja continua a ecoar. Livros, documentários e o filme indiano “Neerja” (2016) reconstituíram sua trajetória, levando sua mensagem de altruísmo e bravura a novas gerações. Em cada relato, a essência permanece: Neerja não era heroína por profissão, mas alguém comum diante de uma circunstância extrema. E escolheu proteger os outros antes de si mesma. 

O sequestro do voo Pan Am 73 é lembrado como uma das tragédias mais marcantes da aviação, mas também como um episódio em que a coragem individual se sobrepôs ao terror. Neerja Bhanot transformou o destino de centenas de pessoas e deixou uma lição que atravessa o tempo: em momentos de escuridão, a luz pode vir de quem simplesmente decide não abandonar os outros.

O sequestro do voo Pan Am 73 não foi um episódio isolado. Nos anos 1980, a aviação civil enfrentava uma onda de ataques e sequestros ligados a grupos extremistas, em meio às tensões políticas no Oriente Médio. O grupo Abu Nidal, responsável pela ação em Karachi, já havia realizado atentados contra aeroportos e companhias aéreas, tornando-se um dos símbolos da violência transnacional da época. 

Após o ataque, investigações internacionais mobilizaram autoridades dos Estados Unidos, Índia e Paquistão. Os sequestradores foram capturados e julgados em tribunais paquistaneses, recebendo penas severas. O caso também serviu de alerta para companhias aéreas e governos, que passaram a reforçar protocolos de segurança e cooperação internacional contra o terrorismo aéreo.

A memória de Neerja Bhanot, entretanto, transcendeu o episódio. Sua história passou a ser contada em escolas, homenagens oficiais e até em produções culturais. Em 2016, o filme indiano “Neerja”, estrelado por Sonam Kapoor, levou sua trajetória às telas de cinema, conquistando prêmios e ampliando o alcance de sua mensagem de coragem. Documentários e reportagens também revisitaram o sequestro, destacando o papel da jovem comissária como exemplo de altruísmo em circunstâncias extremas. 

Hoje, Neerja é lembrada não apenas como vítima de um ato terrorista, mas como alguém que transformou uma tragédia em um legado de esperança. Sua decisão de permanecer e proteger os outros, mesmo diante da morte, tornou-se símbolo universal de bravura. Em cada cerimônia, em cada homenagem, ecoa a ideia de que a coragem pode nascer em pessoas comuns e, em momentos críticos, mudar o destino de centenas. 

O sequestro do voo Pan Am 73 marcou profundamente a aviação internacional. Até meados da década de 1980, os protocolos de segurança ainda eram frágeis diante da crescente ameaça de grupos extremistas. O episódio em Karachi expôs vulnerabilidades e acelerou mudanças. Companhias aéreas passaram a reforçar treinamentos de tripulação para situações de crise, enquanto governos intensificaram a cooperação transnacional contra o terrorismo aéreo. A presença de agentes armados em aeroportos, a revisão de procedimentos de embarque e a criação de unidades especializadas em negociações de sequestros foram algumas das medidas adotadas após o ataque.

No plano simbólico, a tragédia também alterou a percepção pública sobre o papel das tripulações. Até então, comissários de bordo eram vistos, sobretudo como responsáveis pelo conforto dos passageiros. A história de Neerja Bhanot mostrou ao mundo que, em momentos críticos, esses profissionais podem se tornar a linha de frente da sobrevivência. Sua postura redefiniu a imagem da profissão, inspirando novas gerações e sendo incorporada em treinamentos como exemplo de liderança e sangue frio. 

Além disso, o caso reforçou a consciência global sobre os riscos do terrorismo internacional. A cobertura da imprensa, os julgamentos dos sequestradores e as homenagens póstumas a Neerja ampliaram o debate sobre segurança e responsabilidade coletiva. A jovem indiana tornou-se símbolo de resistência civil contra a violência, lembrando que atos individuais de coragem podem ter impacto histórico.


© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 








quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

OLAYINKA HAKEEM BABALOLA - O DIVISOR DE ÁGUAS E O ROTARY DE 2026-27 - FOCUS PORTAL CULTURAL

O Rotary International sempre foi reconhecido como uma organização que conecta pessoas e transforma comunidades. Em 2026-27, essa missão ganha novo fôlego com a liderança de Olayinka “Yinka” Hakeem Babalola, presidente eleito que traz consigo não apenas décadas de experiência, mas também uma visão ousada: “Crie Impacto Duradouro”. 

Olayinka Hakeem Babalola, membro do Rotary Club de Trans Amadi, Nigéria, foi oficialmente selecionado pelo Conselho Diretor do Rotary International para servir como presidente da organização no período 2026-27. Ele assumirá o cargo em 1º de julho de 2026, sucedendo SangKoo Yun, que havia renunciado para se concentrar em seu tratamento de saúde. Babalola será apenas o segundo africano a ocupar a presidência do Rotary, depois de Jonathan Babatunde Majiyagbe, que serviu em 2003-2004 . 

Sua eleição é considerada histórica e reforça o caráter global e diverso da organização. 

A história de Babalola é marcada por encontros, escolhas e transformações que refletem o próprio espírito do Rotary. Desde o primeiro contato com a organização, ainda jovem, até assumir o cargo mais alto, sua trajetória é um testemunho vivo de como o engajamento comunitário pode moldar destinos. 

Tudo começou de forma quase casual. Durante as férias entre o ensino médio e a faculdade, Babalola viu na televisão um homem vestido de branco falando sobre o Rotary. “Ele falou somente por um ou dois minutos, mas o suficiente para que eu ficasse admirado pela organização”, relembra. Esse breve momento plantou uma semente que germinaria anos depois, quando foi convidado a ajudar na fundação de um Rotaract Club em sua universidade. 

A partir daí, sua ligação com o Rotary se tornou profunda e contínua. Foi presidente fundador do Rotaract Club universitário, conheceu sua esposa em uma reunião rotaractiana e viu suas filhas seguirem o mesmo caminho, liderando clubes Interact e Rotaract. O Rotary, para Babalola, não é apenas uma instituição: é parte de sua família. 

Profissionalmente, Babalola construiu uma carreira sólida no setor de óleo e gás, atuando por 25 anos em cargos seniores na Shell. Fundou empresas voltadas para infraestrutura e consultoria executiva, sempre com foco em inovação e desempenho organizacional. Essa experiência corporativa se refletiu em sua forma de liderar dentro do Rotary: pragmática, estratégica e aberta ao uso da tecnologia.

Um exemplo marcante foi durante sua governadoria distrital, quando arrecadou US$ 80.000 em poucas horas por meio de uma campanha via SMS. “O normal era reunir as pessoas, conversar com elas e só então solicitar doações. Mas com a tecnologia, dava para ser mais rápido e direto”, explicou. Essa iniciativa não apenas quebrou paradigmas, mas também consolidou sua reputação como “divisor de águas”. 

Ao longo de sua trajetória, Babalola recebeu prêmios como o Dar de Si Antes de Pensar em Si, a Menção da Fundação Rotária por Serviços Meritórios e o Prêmio Regional por Atuação em Prol de um Mundo Livre da Pólio. Foi curador da ShelterBox e atuou em comissões estratégicas como a Campanha Elimine a Pólio Agora. 

Sua liderança transcende fronteiras. Como diretor do Rotary entre 2018 e 2020, representou mais de 80 países e áreas geográficas, incluindo regiões politicamente sensíveis como Israel, Líbano, Ucrânia e Afeganistão. Nessas experiências, desenvolveu habilidades diplomáticas que hoje são parte essencial de sua visão global.

Em 2026-27, Babalola convida os associados a refletirem sobre o impacto do Rotary não apenas nas comunidades e no mundo, mas também em si mesmos. “Quando eu perguntava sobre mudanças duradouras em si mesmos, a sala ficava em total silêncio”, conta. Para ele, o verdadeiro crescimento da organização depende de reconhecer como o Rotary transforma vidas individuais.

Ele próprio testemunha essa transformação: “O Rotary me centrou, me tirou daquele mundo privilegiado e me mostrou a realidade da minha comunidade.” Essa experiência pessoal é o que o motiva a incentivar outros a compartilharem suas histórias, ampliando a compreensão pública sobre o valor da associação.

A eleição de Babalola tem um significado especial para o continente africano. Ele será apenas o segundo africano a ocupar a presidência do Rotary International. “Isso significa muito para as pessoas daquele continente”, afirma. Sua liderança é vista como prova de que o Rotary é uma organização verdadeiramente global, capaz de refletir a diversidade de seus associados. 

Com sua postura firme e resultados concretos, Babalola transmite uma mensagem clara: “O medo não deve ser de fracassar, mas, sim, de não tentar.” Essa filosofia resume sua forma de liderar e inspira rotarianos em todo o mundo.

Além do Rotary e da carreira, Babalola cultiva paixões que revelam sua conexão com a natureza e a aventura. É mergulhador certificado, já explorou o Mediterrâneo, o Mar Vermelho e o Atlântico, e sonha em mergulhar em Hurghada, no Egito. Também aprecia jardinagem, natação e observação de pássaros, tendo registrado espécies raras como o ibadan malimbe, encontrado em sua cidade natal.

Olayinka Hakeem Babalola representa uma nova fase para o Rotary: uma fase de impacto duradouro, inovação e diplomacia. Sua história mostra que o Rotary não é apenas uma organização de projetos, mas uma comunidade que transforma vidas. 

O Focus Portal Cultural celebra essa trajetória e convida seus leitores a conhecerem mais sobre o Rotary, a se envolverem em suas causas e a contribuírem para projetos que realmente fazem diferença. Afinal, como Babalola nos lembra, o verdadeiro divisor de águas não é apenas o líder, mas cada pessoa que decide agir. 

© Alberto Araújo 

Focus Portal Cultural



 











 CARTA ABERTA  DO FOCUS PORTAL CULTURAL 

AO ROTARY INTERNATIONAL

Ao Rotary International, seus associados e ao presidente eleito Olayinka Hakeem Babalola, 

O Rotary International, organização centenária que conecta pessoas e transforma comunidades em todos os continentes, inicia um novo capítulo em sua história com a eleição de Olayinka Hakeem Babalola como presidente para o período de 2026-27. Reconhecido como “divisor de águas”, Babalola traz mais de quatro décadas de dedicação ao movimento rotário e uma trajetória marcada por inovação, diplomacia e resultados concretos. 

Sua mensagem presidencial, “Crie Impacto Duradouro”, sintetiza o espírito do Rotary e aponta para o futuro. Mais do que projetos e campanhas, o lema convida associados e simpatizantes a refletirem sobre como o Rotary transforma não apenas comunidades e o mundo, mas também a vida de cada indivíduo que se engaja em sua missão. 

Ao longo de sua história, o Rotary tem sido protagonista em causas globais. A campanha pela erradicação da pólio é um dos maiores exemplos de mobilização internacional, mostrando que a união de voluntários, governos e instituições pode alcançar resultados extraordinários. Os Centros Rotary pela Paz, os Subsídios Globais e milhares de projetos comunitários espalhados pelo planeta reforçam a visão de que juntos podemos causar mudanças duradouras. 

Babalola representa uma nova fase para o Rotary. Sua trajetória pessoal e profissional, desde o primeiro contato com o Rotaract até cargos seniores na Shell e a fundação de empresas próprias, demonstra capacidade de liderança e inovação. Durante sua governadoria distrital, arrecadou US$ 80.000 em poucas horas por meio de uma campanha via SMS, iniciativa que lhe rendeu o apelido de “divisor de águas”. 

Além disso, sua experiência como diretor do Rotary, representando mais de 80 países e áreas geográficas, incluindo regiões politicamente sensíveis, mostra sua habilidade diplomática e sua visão global. Sua eleição como segundo africano a presidir o Rotary é um marco histórico que reforça a diversidade e a representatividade da instituição.

O mundo enfrenta desafios complexos: mudanças climáticas, desigualdades sociais, crises humanitárias e ameaças à paz. Sob a liderança de Babalola, o Rotary tem a oportunidade de reafirmar seu papel como protagonista na busca por soluções. Sua filosofia é clara: “O medo não deve ser de fracassar, mas, sim, de não tentar.” Essa mensagem é um convite para que todos nós abracemos a coragem de agir.

Esta carta aberta é um gesto de reconhecimento ao legado do Rotary e de confiança na administração de Olayinka Hakeem Babalola. Que sua presidência seja marcada por impacto duradouro, por histórias de transformação e por conquistas que inspirem o mundo.

O Rotary é mais do que uma organização: é uma ideia viva de que juntos podemos mudar o curso da humanidade. E sob a presidência de Babalola, essa ideia ganha nova força, nova esperança e nova direção. 

Que o Rotary continue a ser o divisor de águas que o planeta precisa.

© Alberto Araújo

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GODOFREDO DE OLIVEIRA NETO: LITERATURA, IDENTIDADE E MEMÓRIA

No dia 17 de fevereiro de 2026, a Sorbonne Nouvelle, em parceria com o Crepal (EA 3421), recebe em Paris o escritor e professor Godofredo de Oliveira Neto para uma conferência dedicada à Literatura Brasileira Afrodescendente, Literatura Negra. O evento, que ocorrerá das 10h às 11h na Sala C110, Campus Nation, marca um momento de diálogo entre culturas e tradições literárias, trazendo ao público europeu uma reflexão sobre a pluralidade da produção literária brasileira e sua relação com a memória, a identidade e a resistência. 

Nascido em Blumenau, Santa Catarina, em 1951, Godofredo cresceu em um ambiente profundamente multicultural. O Vale do Itajaí, região marcada pela presença de comunidades indígenas, descendentes de imigrantes europeus e influências africanas, forneceu ao escritor um repertório cultural vasto que se refletiria em sua obra. Essa multiplicidade de vozes e tradições é um dos pilares de sua chamada Trilogia Catarinense, em que explora as tensões e harmonias entre diferentes matrizes culturais presentes no Brasil. 

Ainda jovem, Godofredo partiu para a França, onde estudou na Université de Paris III – Sorbonne Nouvelle, obtendo graduação e mestrado em Letras. Também se diplomou pelo Instituto de Altos Estudos Internacionais da Universidade de Paris II – Sorbonne, em 1974. De volta ao Brasil, concluiu o doutorado em Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), instituição na qual atua como professor titular desde 1980. Sua carreira acadêmica inclui ainda um pós-doutorado na Georgetown University, nos Estados Unidos, em 2012.

Com mais de 28 livros publicados, Godofredo construiu uma obra que transita entre o romance, o conto e o ensaio. Entre seus títulos mais conhecidos estão Ilusão e mentira (2014) e outros trabalhos que lhe renderam reconhecimento nacional e internacional. Em 2006, foi agraciado com o Prêmio Jabuti, uma das mais importantes distinções literárias do Brasil. Em setembro de 2022, foi eleito para a Cadeira 35 da Academia Brasileira de Letras (ABL), sucedendo o acadêmico Cândido Mendes de Almeida, e foi recebido pela escritora Ana Maria Machado. 

A conferência em Paris se insere em um contexto de crescente valorização da literatura afrodescendente no Brasil. Trata-se de um campo que busca dar visibilidade às vozes historicamente silenciadas, resgatando narrativas que revelam a experiência da população negra no país. Ao abordar esse tema, Godofredo de Oliveira Neto não apenas reconhece a importância da produção literária de autores negros, mas também destaca como essa literatura contribui para a construção de uma memória coletiva e para o fortalecimento da identidade cultural brasileira. 

A literatura afrodescendente, ao mesmo tempo que denuncia o racismo estrutural e as desigualdades sociais, também celebra a riqueza das tradições africanas e afro-brasileiras. É um espaço de resistência, mas também de criação estética, que amplia os horizontes da literatura nacional e desafia os cânones estabelecidos.

Como professor da UFRJ e membro da ABL, Godofredo ocupa uma posição estratégica para fomentar o debate sobre a diversidade literária. Sua atuação acadêmica e institucional contribui para que a literatura negra seja reconhecida não apenas como um nicho, mas como parte integrante e fundamental da cultura brasileira. Ao levar esse debate para a Sorbonne Nouvelle, ele estabelece uma ponte entre Brasil e França, reforçando a dimensão internacional da literatura afrodescendente. 

O evento promovido pela Sorbonne Nouvelle e pelo Crepal é mais do que uma conferência: é um espaço de encontro entre culturas. Paris, cidade marcada por sua tradição intelectual e por sua abertura ao diálogo intercultural, torna-se palco para a reflexão sobre a literatura brasileira em sua pluralidade. A presença de Godofredo de Oliveira Neto reforça a ideia de que a literatura é um território de trocas, onde diferentes experiências históricas e culturais se encontram e se transformam. 

© Alberto Araújo

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SONETO PARA NICOLE @ ALBERTO ARAÚJO


Nicole, flor que aos nove anos floresce,

Com riso leve e brilho no olhar,

Em cada gesto a ternura aparece,

E em sua alma o amor vem se revelar.

 

Extrovertida, espalha simpatia,

Obediente, reflete a educação.

Na infância guarda a doce poesia,

E em Cristo encontra eterna inspiração.

 

Menina-luz, promessa de esperança,

Aurora viva que anuncia o bem,

Em tua vida a fé já se balança,

 

E o coração transborda o que contém.

Que Deus conserve em você tal pureza,

E multiplique em amor sua beleza.

 

© Alberto Araújo

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09 de fevereiro de 2026

Ocasião dos aniversário de 9 anos de Nicole.


 

EFEMÉRIDES– 12 DE FEVEREIRO DE 2026 – 217 ANOS DO NASCIMENTO DE CHARLES DARWIN

No dia 12 de fevereiro de 1809, em Shrewsbury, Inglaterra, nasceu Charles Robert Darwin, figura que se tornaria um dos pilares da ciência moderna. Hoje, ao celebrarmos os 217 anos de seu nascimento, revisitamos não apenas a biografia de um naturalista, mas também a dimensão cultural e intelectual de um homem que redefiniu a forma como compreendemos a vida e a diversidade no planeta. 

Darwin cresceu em uma família marcada por tradições liberais e pelo espírito reformista de seus avós, Erasmus Darwin e Josiah Wedgwood, ambos defensores do abolicionismo. Desde cedo, demonstrou curiosidade pela natureza, colecionando insetos e plantas, e revelando uma inclinação que o afastaria da medicina, carreira inicialmente desejada por seu pai e o aproximaria das ciências naturais. Em Cambridge, encontrou no botânico John Stevens Henslow um mentor decisivo, que o incentivou a embarcar na expedição do HMS Beagle, viagem que mudaria para sempre sua vida e a história da biologia.

Durante cinco anos de observações minuciosas em diferentes continentes, Darwin acumulou dados sobre fósseis, espécies e ambientes que o levariam a formular sua teoria da seleção natural. A publicação de A Origem das Espécies em 1859 foi um marco cultural e científico: ao propor que todas as formas de vida descendem de um ancestral comum e que a diversidade resulta da adaptação ao meio, Darwin desafiou concepções religiosas e filosóficas vigentes, provocando debates intensos na sociedade vitoriana. O impacto foi tão profundo que, em poucas décadas, sua teoria se consolidou como fundamento da biologia moderna, sendo posteriormente reforçada pela síntese evolutiva do século XX. 

Mas Darwin não se limitou à evolução das espécies. Em obras como A Descendência do Homem (1871) e A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais (1872), explorou temas como sexualidade, comportamento e emoções, ampliando o alcance de suas ideias para além da biologia. Sua curiosidade também se estendeu ao mundo vegetal, resultando em estudos sobre plantas carnívoras, orquídeas e até sobre a ação dos vermes na formação do solo. Essa diversidade de interesses revela um cientista inquieto, que buscava compreender os mecanismos sutis da vida em todas as suas formas. 

Culturalmente, Darwin tornou-se símbolo de uma era de transformações. Sua teoria não apenas revolucionou a ciência, mas também influenciou a filosofia, a literatura e as artes, inspirando reflexões sobre a condição humana, o lugar do homem na natureza e os limites do conhecimento. Escritores como Thomas Hardy e George Eliot, filósofos como Herbert Spencer e até artistas plásticos encontraram em Darwin um ponto de partida para questionar a ordem estabelecida e propor novas visões do mundo. O darwinismo, em suas múltiplas interpretações, atravessou fronteiras disciplinares e provocou debates que ecoam até hoje.

A recepção inicial de suas ideias foi marcada por resistência e polêmica. Muitos viam na teoria da evolução uma ameaça às crenças religiosas e à visão tradicional da criação. No entanto, o tempo consolidou sua posição como um dos maiores pensadores da história. O reconhecimento oficial veio com seu sepultamento na Abadia de Westminster, ao lado de Isaac Newton e outros gigantes da ciência, uma honra reservada a poucos. Esse gesto simbolizou não apenas a importância científica de Darwin, mas também o impacto cultural de suas ideias, que transcenderam o campo da biologia e se tornaram parte do imaginário coletivo.

Ao celebrarmos esta efeméride, não recordamos apenas o nascimento de um cientista, mas a emergência de uma nova forma de pensar o mundo. Darwin nos ensinou que a vida é resultado de processos dinâmicos, que a diversidade é fruto da adaptação e que o conhecimento humano se constrói na observação paciente e na coragem de desafiar paradigmas. Sua obra permanece viva, inspirando pesquisas, debates e reflexões que atravessam séculos. 

Darwin é, portanto, mais do que um nome na história da ciência: é um marco cultural, um símbolo de ruptura e de inovação, cuja influência se estende da biologia às artes, da filosofia à política, da literatura à cultura popular. Celebrar seus 217 anos é reconhecer que sua visão continua a moldar nossa compreensão da vida e do lugar que ocupamos no universo.



A VISITA DE CHARLES DARWIN AO BRASIL – 1832 E 1836 

Quando se fala em Charles Darwin, a memória coletiva imediatamente o associa às ilhas Galápagos e às observações que culminaram na teoria da seleção natural. No entanto, o Brasil ocupa um lugar especial na trajetória do naturalista britânico. Durante a viagem do HMS Beagle, Darwin esteve em território brasileiro em duas ocasiões: 1832 e 1836 e suas impressões sobre a exuberância da natureza e, em contraste, sobre a realidade social marcada pela escravidão, deixaram marcas profundas em sua formação intelectual. 

PRIMEIRA VISITA – 1832

Darwin desembarcou no Rio de Janeiro em abril de 1832 e permaneceu por cerca de três meses. Foi nesse período que se encantou com a Mata Atlântica, descrevendo-a como uma das paisagens mais magníficas que já havia contemplado. Suas excursões o levaram por Niterói, Maricá, Cabo Frio, Saquarema, Araruama, São Pedro da Aldeia, Conceição de Macabu, Macaé, Rio Bonito e Itaboraí. Em cada local, registrava minuciosamente a diversidade da flora e da fauna, coletando espécimes e anotando observações que mais tarde se tornariam fundamentais para suas reflexões sobre adaptação e evolução. 

O impacto da floresta tropical foi tão intenso que Darwin escreveu em seus diários sobre a sensação de estar diante de um espetáculo quase sobrenatural. A densidade da vegetação, a variedade de aves, insetos e répteis, e a vitalidade da vida selvagem impressionaram-no profundamente. Contudo, esse deslumbramento foi acompanhado por uma indignação crescente diante da realidade social que presenciava. Darwin ficou chocado com a escravidão, prática ainda vigente no Brasil, e criticou duramente a burocracia e a corrupção que observava nas relações cotidianas. Em suas anotações, a beleza da natureza contrastava com a brutalidade da sociedade humana. 

SEGUNDA VISITA – 1836 

Quatro anos depois, em 1836, o Beagle retornava à Inglaterra e fez paradas no Brasil, desta vez em Salvador e Recife, para reparos e abastecimento. Embora a estadia tenha sido mais breve, Darwin aproveitou para observar novamente a biodiversidade local. Em Salvador, registrou a riqueza da fauna marinha e a presença de aves que mergulhavam para se alimentar, fenômeno que reforçava suas reflexões sobre adaptação e sobrevivência. Em Recife, teve contato com fósseis e répteis marinhos, ampliando seu repertório de observações. 

A experiência brasileira foi decisiva para Darwin. O contato direto com a biodiversidade tropical ofereceu-lhe exemplos concretos da complexidade da vida e da capacidade de adaptação dos seres vivos. As aves marinhas que mergulhavam em busca de alimento, os répteis que se ajustavam ao ambiente costeiro, os insetos que se multiplicavam em profusão todos esses elementos reforçaram sua percepção de que a natureza operava por mecanismos de seleção e sobrevivência. 

Ao mesmo tempo, a indignação diante da escravidão moldou sua visão crítica sobre a sociedade. Darwin não se limitava a observar a natureza; refletia também sobre a moralidade humana e sobre como práticas sociais poderiam ser tão brutais em contraste com a harmonia da vida selvagem. Essa dimensão ética atravessa seus escritos e revela um pensador atento não apenas às leis naturais, mas também às contradições da civilização.

As visitas ao Brasil foram cruciais para a formação do pensamento darwiniano. A grandiosidade da natureza tropical ofereceu-lhe material empírico para sustentar sua teoria da evolução, enquanto as questões sociais: escravidão, corrupção, burocracia, ampliaram sua compreensão sobre os dilemas humanos. Em A Origem das Espécies (1859), a influência dessas experiências é perceptível: a ideia de que a diversidade resulta da adaptação ao meio encontra eco nas observações feitas nas florestas e costas brasileiras. 

Darwin deixou o Brasil com sentimentos ambíguos: fascínio pela natureza e repulsa pela sociedade escravocrata. Essa dualidade marcou sua obra e sua visão de mundo. Ao celebrarmos sua trajetória, é importante lembrar que o Brasil foi palco de algumas das experiências mais intensas de sua vida, experiências que ajudaram a moldar uma das teorias mais revolucionárias da história da ciência.

© Alberto Araújo

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Casa onde morou Charles Darwin










quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

O ALTAR DA VARANDA ONDE O CÉU TOCA O CHÃO DE BOTAFOGO @ ALBERTO ARAÚJO



Minha Shirley disse: "Muito lindo, amigo Euderson. Obrigada por filmar o movimento e transformação da natureza. Esse momento é imperdível. Assisto todos os dias o amanhecer e o anoitecer daqui da janela da minha casa." 

Essas palavras não são apenas um agradecimento; são um testemunho de fé perante o ritmo do mundo. Shirley, com a sensibilidade de quem sabe que a beleza é a única coisa que realmente nos salva da rotina, já reviu o vídeo inúmeras vezes. E quem poderia culpá-la? Cada vez que o play é acionado, a magia se renova, e o que era apenas um registro digital se transforma em uma oração silenciosa sobre a grandiosidade da vida. 

O vídeo, capturado pela lente atenta do amigo Euderson Kang Tourinho, não nasceu em um estúdio, mas no altar doméstico de sua varanda, em Botafogo. Dali, onde o asfalto encontra o sonho e a montanha vigia o mar, Euderson não apenas filmou; ele colheu um fragmento do tempo. 

No início, há uma expectativa suspensa no ar de Botafogo. O céu não é apenas cinza; é uma tela de chumbo carregada de segredos. O Pão de Açúcar, esse gigante de granito que define a silhueta da alma carioca, parece observar o horizonte com a paciência dos milênios. Ele sabe o que vem. 

A transformação começa com um sussurro de vento, mas logo o céu decide falar mais alto. Um relâmpago rasga o véu da manhã, um traço de luz branca, elétrica, que por um milésimo de segundo revela as costuras do universo. O trovão, então, faz o chão de Botafogo vibrar. Não é um barulho assustador, mas a voz da natureza reivindicando seu espaço na metrópole. É o som do imperdível de que Shirley fala.

A chuva chega primeiro como uma cortina de gaze, transparente e delicada, para logo se transformar em uma muralha de água. O movimento é coreografado: as nuvens baixas começam a abraçar as encostas, e o Pão de Açúcar, num jogo de esconde-esconde metafísico, vai desaparecendo. Primeiro some a base, depois o contorno, até que o gigante se torna um espectro, uma memória gravada no horizonte, envolta pela névoa que Euderson capturou com tanta precisão. 

Há uma cultura profunda no ato de contemplar. No Japão, existe o conceito de Mono no aware, a sensibilidade para o efêmero, a capacidade de se emocionar com a transitoriedade das coisas. O conceito representa a empatia pelas coisas. Valoriza a beleza efêmera, como as cerejeiras que caem reconhecendo que a brevidade torna a existência mais preciosa. 

Ao assistir a este vídeo repetidas vezes, Shirley pratica essa filosofia com precisão. Ela entende que aquele exato movimento da nuvem, aquele brilho específico do raio sobre o mar de Botafogo, nunca mais se repetirá da mesma forma. 

Euderson, de sua varanda, tornou-se o resguardador desse instante. No vídeo, vemos a cidade ser lavada, não apenas da poeira, mas da urgência. Os prédios, que costumam parecer tão sólidos e imponentes, tornam-se frágeis diante da força atmosférica. As luzes das janelas, que começam a se acender, são pequenos luzeiros de humanidade em meio ao oceano de cinza e água. 

É um momento de introspecção. Enquanto o mundo lá fora se dissolve em chuva e mistério, quem assiste é convidado a silenciar. A transformação da natureza a que Shirley se refere é, também, uma transformação interna. É impossível observar o céu de Botafogo se curvando à tempestade sem sentir que somos parte de algo imensamente maior.

O registro da vida urbana muitas vezes se perde no caos do trânsito e na pressa dos prazos marcados. Mas, de vez em quando, um amigo como o Euderson aponta a câmera para o lugar certo. Ele nos lembra de que a varanda de um apartamento pode ser o melhor lugar do mundo se soubermos para onde olhar. 

A Shirley sabe. Por isso ela revê. Ela busca naquelas imagens a confirmação de que o ciclo continua: o amanhecer que ela vigia de sua residência, o anoitecer que ela saúda, e essa tempestade que, no meio do caminho, veio para lembrar que a natureza é viva, soberana e, acima de tudo, belíssima em seu furor. 

Quando o vídeo termina e o Pão de Açúcar está  totalmente oculto pela bruma, não sentimos vazio. Sentimos plenitude. O espetáculo não precisa de final feliz; ele precisa apenas existir. E, graças ao olhar de Euderson e à devoção de Shirley, esse momento imperdível agora pertence a todos nós. Botafogo, sob a chuva, não é apenas um bairro; é um estado de espírito. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural



O vídeo da inspiração da crônica: 
O ALTAR DA VARANDA  
ONDE O CÉU TOCA O CHÃO DE BOTAFOGO 
de Alberto Araújo 
(Clicar na imagem para assistir ao vídeo)