Em Ponta Negra, o céu se
veste de laranja como quem se prepara para uma festa silenciosa. O sol,
majestoso e paciente, desce devagar atrás das montanhas, como se soubesse que
sua despedida é aguardada por todos. Há algo de ritual nesse instante: os
pescadores recolhem suas redes, os moradores diminuem o ritmo das conversas, os
turistas param para fotografar, e até os pássaros parecem ajustar o voo para
não perder o espetáculo. É como se a cidade inteira respirasse mais leve,
suspensa entre o fim e o começo.
O mar, que durante o dia é
inquieto e cheio de vozes, agora se aquieta. As ondas se tornam mais
compassadas, como se acompanhassem o ritmo lento do sol que se despede. O
horizonte se pinta em camadas: primeiro o dourado, depois o vermelho intenso, e
por fim o violeta que anuncia a noite. Cada cor é uma promessa, cada nuance é
uma lembrança. Quem observa entende, sem precisar de palavras, que a vida é
feita de ciclos, e que cada pôr do sol é uma nova chance de tentar de novo.
Há quem diga que o pôr do
sol em Ponta Negra é diferente de todos os outros. Talvez seja exagero, talvez
seja verdade. Mas quem já esteve ali sabe que há uma energia única, uma espécie
de convite silencioso para agradecer. Agradecer por estar vivo, por ter chegado
até aquele momento, por poder testemunhar a beleza gratuita que a natureza
oferece. Não é preciso muito: basta estar presente, basta deixar-se tocar pela
luz que se desfaz no mar.
Enquanto o sol se esconde, a
cidade parece se transformar. As ruas ganham um tom mais íntimo, os bares
começam a se encher de vozes, e os primeiros acordes de violão ecoam de alguma
varanda. É o prenúncio da noite, mas também é o prolongamento do dia. Em
Maricá, o tempo não se divide em horas exatas: ele se mede em sensações. O dia termina
quando o sol se despede, e a noite começa quando os olhos se acostumam ao
brilho das estrelas.
E é nesse instante, entre o
fim e o começo, que surge a reflexão inevitável: quantas vezes deixamos de
perceber a beleza que nos cerca? Quantas vezes nos esquecemos de que estar vivo
já é motivo suficiente para agradecer? O pôr do sol em Ponta Negra parece nos
lembrar disso. Ele nos ensina que não é preciso grandes conquistas para sentir
plenitude. Basta estar ali, diante do espetáculo gratuito, e deixar que a luz
nos atravesse.
Talvez seja por isso que
tantos escolhem esse lugar para recomeçar. Ponta Negra é mais do que uma praia:
é um símbolo de esperança. Cada fim de tarde é como uma página em branco,
pronta para ser escrita com novos sonhos, novas promessas, novas conquistas.
Quem observa o sol se despedindo entende que a vida é feita de tentativas, e
que sempre haverá uma nova oportunidade de fazer diferente.
O vento que sopra do mar
traz consigo histórias antigas. Fala dos pescadores que desafiam as ondas, das
famílias que se reúnem para celebrar, dos jovens que descobrem o amor à beira
da praia. Cada sopro é uma memória, cada brisa é um segredo. E quem se deixa
envolver por esse vento percebe que a vida é feita de encontros: encontros com
pessoas, com lugares, com momentos. O pôr do sol é um desses encontros, talvez
o mais democrático de todos, porque pertence a todos e não cobra nada em troca.
E assim, enquanto o céu se
apaga lentamente, nasce dentro de cada um a certeza de que o amanhã pode ser
melhor. Que este seja, oficialmente ou não, o começo de um ano maravilhoso. Com
mais paz, mais conquistas, mais saúde e muitos fins de tarde assim, daqueles
que lembram a gente de agradecer só por estar aqui. Porque, no fundo, é isso
que importa: estar presente, sentir, viver. O resto é detalhe.
O sol se despede, mas deixa
sua marca. O céu guarda o laranja como lembrança, o mar reflete o dourado como
promessa, e a cidade se prepara para a noite com a leveza de quem sabe que
amanhã tudo recomeça. Em Ponta Negra, cada pôr do sol é um convite: viver mais
devagar, sentir mais profundamente, agradecer mais intensamente. E quem aceita
esse convite descobre que a vida, afinal, é feita de instantes. Instantes que,
como o sol, se repetem todos os dias, mas nunca são iguais.
Foto de Lúcio Azevedo,
extraída de sua página no Facebook.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural

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