sexta-feira, 2 de outubro de 2026
DRA. FLÁVIA PASCOAL: ORGULHO DA COMUNIDADE ELISTA EM SOLO INTERNACIONAL!
02 DE OUTUBRO: MAHATMA GANDHI E A LUTA PELA DIGNIDADE HUMANA - EFEMÉRIDES DO FOCUS PORTAL CULTURAL
Nascido em Porbandar, na Índia, em 2 de outubro de 1869, Mohandas Karamchand Gandhi tornou-se uma das figuras mais influentes da história contemporânea. Conhecido mundialmente pelo título honorífico de Mahatma, expressão de origem sânscrita que significa “grande alma”, ele transformou sua atuação política e espiritual em um exemplo de resistência pacífica contra a injustiça.
Formado em Direito em Londres, Gandhi iniciou sua luta pelos direitos civis na África do Sul, onde enfrentou a discriminação sofrida pela comunidade indiana. Foi nesse período que consolidou os princípios da não violência e da desobediência civil, ferramentas que mais tarde se tornariam fundamentais na campanha pela independência da Índia.
Ao retornar ao seu país, em 1915, passou a mobilizar trabalhadores, agricultores e cidadãos comuns contra as desigualdades impostas pelo domínio britânico. Sua liderança alcançou notoriedade internacional com ações como a histórica Marcha do Sal, em 1930, que desafiou pacificamente leis consideradas injustas. Gandhi defendia a ideia de que mudanças duradouras poderiam ser conquistadas sem o uso da força, por meio da coragem moral, do diálogo e da resistência pacífica.
Além de líder político, destacou-se por seu estilo de vida simples, sua dedicação à ética e seus frequentes jejuns em defesa da paz e da concórdia entre diferentes grupos religiosos. Sua influência ultrapassou as fronteiras indianas, inspirando movimentos pelos direitos civis em diversas partes do mundo.
Assassinado em Nova Deli, em 30 de janeiro de 1948, Gandhi deixou um legado que permanece atual. Seu nascimento é celebrado na Índia como o Gandhi Jayanti e reconhecido internacionalmente como o Dia Internacional da Não Violência, reafirmando a força de suas ideias na construção de uma sociedade mais justa e humana.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
ROTARY CLUB DE NITERÓI PROMOVE ENCONTRO DO OUTUBRO ROSA COM FOCO EM ACOLHIMENTO E SAÚDE EMOCIONAL
No mês dedicado à conscientização sobre a prevenção e o enfrentamento do câncer de mama, o Rotary Club de Niterói reafirma seu compromisso com a promoção da saúde, da informação e do acolhimento à comunidade. Sob a presidência de Paulo Corrêa Belchior, o clube realiza, no dia 8 de outubro, às 20h, na Casa da Amizade, sua 10ª Reunião Ordinária, dedicada a uma reflexão especial sobre o Outubro Rosa.
A iniciativa contará com a participação da psicóloga, psicodramatista e especialista em Saúde Mental e Educação Social, Elaine Holanda, que abordará o tema “O Olhar da Psicologia sobre o Câncer de Mama”. A palestra propõe uma conversa sensível e necessária sobre acolhimento, força, superação e saúde emocional, aspectos fundamentais para pacientes, familiares e toda a rede de apoio envolvida no enfrentamento da doença.
Mais do que uma campanha de conscientização, o Outubro Rosa representa um convite à solidariedade, ao cuidado e à valorização da vida. Alinhado aos ideais rotários de servir e promover impactos positivos na sociedade, o Rotary Club de Niterói abre suas portas para um encontro marcado pela troca de experiências, informação qualificada e fortalecimento dos laços comunitários.
A reunião acontecerá na Casa da
Amizade, localizada na Rua Murilo Portugal, 1130, em Charitas, e será uma
oportunidade para reunir companheiros, convidados e a comunidade em torno de
uma causa que merece atenção, empatia e engajamento permanente. A presença de
todos tornará este momento ainda mais significativo.
RESENHA DO BOLETRAS DA ACADEMIA FLUMINENSE DE LETRAS - PRESIDENTE MÁRCIA PESSANHA - EDIÇÃO Nº 57 SETEMBRO 2026: A PRIMAVERA DA CULTURA, DA INCLUSÃO E DA LITERATURA FLUMINENSE
O número 57 do boletim BOLETRAS AFL, referente a setembro de 2026, reafirma o papel da Academia Fluminense de Letras como uma das mais atuantes instituições culturais do Estado do Rio de Janeiro. Sob a coordenação da presidente Márcia Pessanha e com edição e diagramação de Christiane Victer, a publicação apresenta um panorama amplo das atividades acadêmicas, literárias, educativas e culturais desenvolvidas ao longo do mês, reunindo acontecimentos que fortalecem a produção intelectual, preservam a memória e promovem a integração entre escritores, educadores e instituições culturais.
Logo na abertura, o editorial assinado por Márcia Pessanha estabelece o tom humano e reflexivo da edição. A presidente associa a chegada da primavera às campanhas do Setembro Verde e Setembro Amarelo, ressaltando valores como inclusão, solidariedade, valorização da vida e respeito às diferenças.
Mais do que um texto institucional, o editorial revela sensibilidade poética e compromisso social. Ao relacionar o florescimento da natureza ao florescimento da consciência cidadã, Márcia Pessanha reafirma a missão da AFL como espaço de cultura, acolhimento e reflexão. Sua mensagem aproxima literatura e vida, demonstrando que a atividade acadêmica não se limita à preservação das letras, mas também dialoga com temas centrais da sociedade contemporânea.
A principal matéria da edição registra a terceira sessão do ciclo de conferências “Publicar a Gente Brasileira”, cujo tema foi “Publicar Liberdade”. O encontro reuniu importantes intelectuais e acadêmicos para discutir o papel da liberdade na produção literária e no pensamento crítico. Participaram, além da presidente Márcia Pessanha, os acadêmicos Jordão Pablo de Pão, Lucia Romeu, Matilde Carone Slaibi Conti e a presença especial de Godofredo de Oliveira Neto, da Academia Brasileira de Letras.
A reportagem destaca reflexões sobre a liberdade como elemento essencial da criação artística e registra o debate acerca da relação entre literatura, história e democracia. Ao encerrar a sessão enfatizando a importância da liberdade intelectual, Márcia Pessanha reforçou um princípio que perpassa toda a atuação da AFL: o compromisso com o pensamento livre e a pluralidade de ideias.
A edição também evidencia a intensa agenda institucional da presidente. Em uma das matérias, é relatada sua participação na inauguração do Espaço do Conhecimento da OAB-Niterói, projeto voltado à democratização do acesso ao livro e à leitura. Na condição de madrinha da iniciativa, Márcia Pessanha destacou a relevância da palavra escrita e do conhecimento como instrumentos de transformação social.
Outra matéria relevante aborda o relançamento da obra Educação e Democracia em Anísio Teixeira, organizada pelo acadêmico Waldeck Carneiro. O boletim ressalta a importância do educador Anísio Teixeira para a construção da escola pública brasileira e registra o reconhecimento da obra, finalista do Prêmio Jabuti 2026.
Ainda na mesma página, a comemoração dos 90 anos da Federação das Academias de Letras do Brasil demonstra o fortalecimento dos laços entre entidades culturais. O destaque dado ao lançamento da obra de Thiago de Menezes, prefaciada por Márcia Pessanha, simboliza a participação ativa da presidente no debate sobre a história e o papel das academias literárias no país.
O boletim prossegue registrando a presença da AFL na inauguração do Centro Integrado de Educação e Cultura da UPPES. A matéria reafirma a convergência entre cultura e educação como pilares fundamentais do desenvolvimento social. A participação de acadêmicos em eventos dessa natureza demonstra que a AFL mantém diálogo constante com diferentes segmentos da sociedade civil organizada.
Outro momento importante apresentado é o sarau “Artistas da ANE”, promovido por Leda Mendes Jorge. O encontro evidencia a vitalidade da produção artística local ao reunir poesia, música e artes visuais em um ambiente de convivência cultural. A matéria ressalta a presença de diversos membros da AFL, reforçando o espírito de integração que caracteriza a instituição.
A participação do acadêmico Rogério Reis Devisate na Bienal Internacional do Livro de São Paulo merece destaque pela diversidade temática de suas publicações, que transitam entre reflexões sobre inteligência artificial, ética e questões jurídicas ligadas à regularização fundiária. O fato evidencia a pluralidade de interesses intelectuais presentes no quadro acadêmico da AFL.
A edição dedica espaço significativo às realizações de seus acadêmicos. Uma delas é a iniciativa conduzida por Amanda Almeida, que promoveu a quarta edição do concurso Contos Fantásticos, dedicado ao tema do futuro. A proposta aproxima literatura, imaginação e formação de novos escritores, ampliando as oportunidades para talentos emergentes.
Também ganha destaque a participação de Marco Lucchesi e Jordão Pablo de Pão na Festa do Livro da Universidade Federal Fluminense. A parceria anunciada entre a EdUFF e o projeto Niterói Livros evidencia a construção de pontes institucionais fundamentais para a circulação do livro e do conhecimento.
Na mesma página, o acadêmico Marcelo Caetano aparece como convidado do podcast da EdUERJ, discutindo os caminhos históricos da língua portuguesa. A matéria valoriza a pesquisa acadêmica e a difusão do saber linguístico para um público mais amplo.
Já a homenagem à acadêmica Eurídice Hespanhol, celebrando 51 anos dedicados à poesia, representa um reconhecimento à persistência e ao compromisso com a criação literária. A reportagem demonstra o respeito da AFL por trajetórias construídas ao longo de décadas de produção cultural.
Na sequência, o leitor encontra o lançamento do livro Bicentenário da Família Erthal, obra que preserva dois séculos de memória familiar e contribuição histórica para o Estado do Rio de Janeiro. A matéria exemplifica como a pesquisa genealógica também constitui importante instrumento de preservação cultural.
O lançamento da terceira edição de O Mar do Meu Velho, de Jordão Pablo de Pão, merece atenção especial por reunir memória familiar, afetividade e identidade. O boletim destaca a consolidação da trajetória literária do autor ao completar dez anos de atuação no campo das letras.
Outro ponto importante é a divulgação do selo Projetos Independentes da AFL Edições, coordenado pelo acadêmico José Huguenin. A iniciativa amplia o alcance da produção literária fluminense, oferecendo apoio a academias municipais e grêmios literários. Trata-se de uma ação estratégica para fortalecer a vida cultural em diferentes regiões do estado.
A página final revela uma faceta especialmente sensível do boletim. Nela, literatura e poesia assumem papel central. Os haicais de Uyára Schiefer celebram a chegada da primavera por meio de versos breves e contemplativos, enquanto os poemas “Tuas Mãos”, de Márcia Pessanha, e “Coração Bola”, de Gisela Peçanha, apresentam diferentes formas de expressão poética, indo da delicadeza afetiva à reflexão sobre a fraternidade humana.
Um aspecto que merece reconhecimento especial é o trabalho editorial de Christiane Victer, responsável pela redação, edição e diagramação do informativo. A organização visual da publicação favorece a leitura, valoriza o registro fotográfico dos eventos e confere unidade estética ao conjunto. O boletim apresenta equilíbrio entre texto e imagem, preservando o caráter jornalístico sem perder a identidade cultural e literária que caracteriza a AFL.
Ao final da leitura, fica evidente que esta edição do BOLETRAS não se limita a registrar acontecimentos. Ela documenta a intensa atividade cultural da Academia Fluminense de Letras, valoriza seus acadêmicos e fortalece a memória institucional. A liderança de Márcia Pessanha aparece ao longo de toda a publicação, seja no editorial inspirador, seja na participação em inúmeros eventos que aproximam literatura, educação e cidadania. Da mesma forma, o trabalho editorial de Christiane Victer garante qualidade, clareza e beleza gráfica ao informativo. Juntas, coordenação e edição transformam o boletim em muito mais que um simples registro mensal: fazem dele um testemunho vivo da força da cultura fluminense, do compromisso com o conhecimento e da permanente crença no poder transformador da palavra.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
02 de outubro de 2026
A TRAMA DA DURAÇÃO: O PODER SUBVERSIVO E FORMATIVO DA LEITURA DOS CLÁSSICOS © ALBERTO ARAÚJO FOCUS PORTAL CULTURAL
Vivemos sob
a égide inegociável da aceleração. A modernidade líquida, para usar a célebre
acepção de Zygmunt Bauman, impõe uma temporalidade efêmera onde a informação se
consome na exata velocidade em que se desfaz. Nossas telas pulsam com estímulos
fugazes, fragmentos de notícias que nascem e morrem no espaço de um scroll, narrativas descartáveis
que mimetizam o ritmo frenético e vertiginoso do cotidiano urbano. É
precisamente nesse cenário de ruído perpétuo e saturação sensorial que a figura
do clássico literário ergue-se não como um monumento empoeirado de um passado
obsoleto, mas como um fanal radical de resistência espiritual e estética. Ler
os clássicos não é um mero exercício de erudição acadêmica, um passatempo
nostálgico ou uma obrigação escolar; é um ato político, ético e existencial de
soberania interior.
Para
compreender a magnitude desse poder, é preciso primeiro desarmar a falsa
premissa de que o clássico é aquilo que pertence ao cânone por mero elitismo
histórico ou imposição acadêmica. Como de maneira irretocável definiu Italo
Calvino em seu ensaio seminal Por
que Ler os Clássicos?, o clássico é aquele livro que nunca terminou de
dizer aquilo que tinha para dizer. Ele possui uma densidade semântica e
polifônica inesgotável, resistindo estoicamente ao desgaste corrosivo do tempo.
Enquanto a literatura utilitária ou de consumo responde às urgências efêmeras
de uma época, o clássico debruça-se sobre a permanência da condição humana. Ele
decifra os abismos da psique, as engrenagens implacáveis do poder, a tragédia
do amor e a angústia da finitude com uma precisão cirúrgica que parece ignorar
os séculos que nos separam de sua gênese.
É nesse
diálogo trans-histórico que nomes basilares da civilização assumem o papel de
verdadeiros arquitetos da nossa consciência. Quando abrimos as páginas da Ilíada e da Odisseia de Homero, somos imediatamente
lançados ao solo primordial do heroísmo, da fúria e da errância humana; o mar
Egeu e as muralhas de Troia tornam-se o espelho de nossas próprias batalhas
cotidianas contra o destino e a fragilidade.
Essa imensidão épica encontra eco e
contraponto na dramaturgia monumental de William Shakespeare, cujos dramas psicológicos
sondam os recônditos mais escuros e complexos da alma. Em Hamlet, Macbeth ou Rei Lear, o bardo inglês mapeou com precisão
insuperável a ânsia pelo poder, a traição, a culpa e a loucura, criando
personagens cuja densidade é tão viva que parecem respirar fora das páginas.
Para
completar essa tríade de pilares universais, a prosa monumental de Dostoiévsk, culminando em obras como Crime e Castigo e Os Irmãos Karamazov, mergulha
nos porões do espírito moderno, tensionando a liberdade, a moral e a redenção
diante do silêncio de Deus. O leitor contemporâneo que se aventura por esses
universos descobre, com um sobressalto de espanto, que as suas próprias dores,
dúvidas, contradições e epifanias já foram cartografadas séculos atrás por
esses gênios. Esse reconhecimento mútuo opera uma cura sutil, porém profunda,
contra a solidão ontológica que caracteriza o homem moderno. Percebemos que
nunca estivemos isolados no labirinto da existência: há uma comunidade
invisível de espíritos que, através da perenidade da palavra escrita,
estende-nos a mão por entre as fendas do tempo.
Além disso,
a imersão nos clássicos exerce um papel insubstituível de contrapeso cognitivo
na era da dispersão: a restauração da profundidade. O cérebro contemporâneo,
moldado pela fragmentação das redes sociais, corre o risco de atrofiar-se no
micro-foco, incapacitado de sustentar a atenção prolongada, a contemplação ou o
pensamento abstrato. Os exigentes clássicos possuem um ritmo próprio,
irredutível ao imediatismo digital. Eles exigem que o leitor desacelere,
decifre construções sintáticas complexas, deguste metáforas densas e mergulhe
em monólogos interiores intrincados. Esse esforço não constitui uma punição
pedagógica; é o equivalente estético ao cultivo da alma. Ele expande o nosso
vocabulário emocional, refina o senso crítico e nos imuniza contra a retórica
rasa, o maniqueísmo reducionista e o dogmatismo estéril que grassam no debate
público atual.
Há, ademais,
um caráter profundamente subversivo no hábito solitário da leitura clássica.
Numa sociedade industrializada que mercantiliza a utilidade imediata, onde tudo
deve obrigatoriamente render lucro, engajamento, aplauso ou produtividade, o
clássico é radicalmente inútil no sentido econômico, mas absolutamente
imprescindível no sentido formativo. Ele nos obriga a encarar a complexidade
irredutível do real, estilhaçando certezas fáceis e fanatismos. Um espírito
habituado à ambiguidade moral de um príncipe dinamarquês ou às agonias
existenciais dos heróis trágicos torna-se impermeável aos discursos
salvacionistas de líderes demagógicos e às falácias do pensamento único. Quem
lê os clássicos desenvolve uma imunidade natural contra a manipulação, porque
compreende, em sua carne, que a condição humana é um tecido delicado de luz e
sombra, avesso a slogans políticos ou rótulos simplistas.
Em última
instância, os clássicos configuram a nossa herança comum mais preciosa e o
passaporte intransferível para a verdadeira liberdade. Eles nos permitem viver
milhares de vidas num só fôlego, habitar eras remotas, contemplar o mundo
através de lentes que a nossa biografia limitada jamais nos permitiria alcançar
por conta própria. Como nos lembrava com tanta clareza Antonio Candido, a
literatura é um direito humano inalienável, uma força organizadora do caos
interno que nos humaniza em plenitude.
Retornar aos
clássicos, portanto, nunca foi olhar para trás com a melancolia dos derrotados;
é, ao contrário, armar-se para o futuro com a máxima lucidez. É recusar a
desolação e a superficialidade do presente em troca da solidez luminosa da
eternidade. É, em suma, o gesto mais urgente que um espírito livre pode
realizar para resgatar a posse de si mesmo em um mundo que tenta, a cada
instante, dispersá-lo.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
ACADEMIA CARIOCA DE LETRAS CELEBRA SEU CENTENÁRIO COM MEMORÁVEL PALESTRA SOBRE CLARICE LISPECTOR PROFERIDA PELA ACADÊMICA LUIZA LOBO
A Academia Carioca de Letras vive um de seus momentos mais significativos ao celebrar o recentemente o centenário de sua fundação, período que marca cem anos de dedicação à literatura, à cultura e ao pensamento humanista no Rio de Janeiro. Guardiã das tradições intelectuais da cidade e promotora permanente do diálogo entre escritores, pesquisadores e amantes das letras, a instituição reafirma, em cada iniciativa, seu compromisso com a preservação da memória cultural brasileira e com o fortalecimento da produção literária contemporânea.
Foi nesse ambiente de elevado espírito acadêmico que ocorreu, em 30 de setembro de 2026, no histórico prédio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), a palestra "Clarice Lispector de Mil Faces", ministrada pela acadêmica Luiza Lobo. O evento integrou a programação comemorativa dos cem anos da Academia Carioca de Letras e reuniu importantes nomes da intelectualidade, da literatura e da vida cultural fluminense.
A mesa de honra foi composta pelo presidente da Academia Carioca de Letras, Adriano Espínola; pela palestrante Luiza Lobo; pelo secretário Paulo Roberto Pereira; e pelo professor e acadêmico Alcmeno Bastos. A presença dessas destacadas personalidades conferiu ao encontro uma atmosfera de refinamento intelectual e profundo apreço pelas letras.
Sob a presidência de Adriano Espínola, a Academia Carioca de Letras prossegue desempenhando papel fundamental no cenário cultural brasileiro. Poeta de reconhecido talento, ensaísta e intelectual respeitado, Espínola tem conduzido a instituição com sensibilidade, dinamismo e visão cultural abrangente, fortalecendo a presença da Academia na vida literária do país. Sua atuação tem contribuído para aproximar a entidade da sociedade, estimulando reflexões sobre a literatura e promovendo encontros que valorizam o conhecimento, a arte e a livre circulação das ideias.
Coube ao professor Alcmeno Bastos a nobre missão de apresentar a palestrante da tarde. Com sua habitual elegância intelectual, ampla erudição e reconhecida competência crítica, Alcmeno traçou um brilhante perfil de Luiza Lobo, destacando sua trajetória acadêmica, sua sólida contribuição aos estudos literários e sua importância como pesquisadora da obra clariceana. Sua apresentação foi muito além de uma simples introdução protocolar; transformou-se em um verdadeiro exercício de reconhecimento intelectual, ressaltando os méritos e a relevância da conferencista para os estudos da literatura brasileira.
Profundo conhecedor das letras nacionais, Alcmeno Bastos soube contextualizar a dimensão da obra crítica de Luiza Lobo, preparando o público para um encontro singular com uma das maiores intérpretes da literatura de Clarice Lispector. Sua fala foi recebida com atenção e admiração pelos presentes, enriquecendo ainda mais a programação do evento.
Quando tomou a palavra, Luiza Lobo conduziu a plateia por uma verdadeira viagem ao universo multifacetado de Clarice Lispector. Com domínio absoluto do tema, a acadêmica apresentou uma conferência marcada pela profundidade analítica, pela sensibilidade interpretativa e pela riqueza de referências literárias e filosóficas. Sua exposição revelou as múltiplas dimensões da escritora que revolucionou a literatura brasileira com sua linguagem singular, introspectiva e inovadora.
Ao abordar as inúmeras faces de Clarice Lispector, Luiza Lobo utilizou uma linguagem elegante, erudita e ao mesmo tempo acessível, conduzindo os ouvintes por caminhos que revelavam as complexidades psicológicas, existenciais e estéticas da autora. Sua leitura crítica permitiu compreender não apenas a escritora, mas também o ser humano por trás da obra, suas inquietações, seus silêncios e suas incessantes buscas pelo sentido da existência.
A palestra destacou-se pela impressionante densidade intelectual e pela capacidade da conferencista de articular conhecimento acadêmico rigoroso com uma comunicação envolvente e inspiradora. Cada reflexão suscitava novas perspectivas de interpretação, confirmando a relevância permanente da obra clariceana e demonstrando a extraordinária competência de Luiza Lobo como estudiosa da literatura brasileira.
O auditório reuniu expressiva representação da comunidade cultural, contando com a presença de Edir Meireles, Eduardo Coutinho, Eduardo Santana, Zara Paim, Lucia Regina de Lucena, Ricardo Cavaliere, José Vicente, Maria Esther Rodrigues, além de inúmeros escritores, pesquisadores, acadêmicos e admiradores da literatura. A presença desse público seleto evidenciou o prestígio da Academia Carioca de Letras e a importância do evento no calendário cultural da cidade.
Mais do que uma conferência literária, a tarde representou um encontro entre tradição e conhecimento, um momento de celebração da inteligência, da arte e do pensamento crítico. A Academia Carioca de Letras demonstrou, mais uma vez, sua capacidade de reunir vozes relevantes da cultura nacional e de promover atividades que engrandecem o patrimônio intelectual brasileiro.
Ao completar cem anos de existência, a Academia Carioca de Letras reafirma sua vocação histórica como um dos mais importantes espaços de reflexão, preservação e difusão da cultura literária. A palestra "Clarice Lispector de Mil Faces", brilhantemente conduzida por Luiza Lobo e apresentada por Alcmeno Bastos, tornou-se um marco dessas comemorações, homenageando uma das maiores escritoras da língua portuguesa e celebrando, simultaneamente, a vitalidade da literatura como instrumento de conhecimento, sensibilidade e transformação humana.
A força da literatura permanece viva em cada página, em cada palavra e em cada encontro promovido pela Academia Carioca de Letras, instituição que há um século honra o passado, ilumina o presente e inspira o futuro das letras brasileiras.
Créditos das fotos: Nina Fernandes, compartilhadas para nossa revista por Luiza Lobo.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
ALGUNS IMAGENS DA PALESTRA





















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