sábado, 7 de fevereiro de 2026

ANA CLARA ACABA DE CONQUISTAR UM SONHO



ANA CLARA ACABA DE CONQUISTAR UM SONHO: formou-se em Médica Veterinária. Mais do que um título, sua trajetória reflete a essência de quem sempre carregou no coração a bondade e o carinho pelos animais. Desde cedo, demonstrou sensibilidade e dedicação, enxergando em cada olhar animal uma vida que merece respeito, cuidado e amor. 

Sua escolha profissional não foi apenas um caminho acadêmico, mas um chamado para transformar compaixão em prática, ciência em afeto. Ana Clara representa a união entre conhecimento e humanidade, mostrando que ser veterinária é muito mais do que curar: é proteger, acolher e dar voz a quem não pode falar. 

Sua bondade se traduz em gestos simples, mas poderosos, que revelam a grandeza de sua missão. Hoje, celebramos não apenas sua conquista acadêmica, mas também a certeza de que o mundo animal ganhou uma defensora incansável, guiada pelo carinho e pela luz que ela espalha por onde passa.

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

06 de fevereiro de 2026


 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

EFEMÉRIDES – 06 DE FEVEREIRO DE 2026 - 418 ANOS DO NASCIMENTO DE PADRE ANTÓNIO VIEIRA

 

A cada data histórica, revisitamos personagens que moldaram não apenas o seu tempo, mas também o futuro. No dia 6 de fevereiro de 1608, nasceu em Lisboa Padre António Vieira, figura central do século XVII e considerado um dos maiores oradores da língua portuguesa. Religioso jesuíta, filósofo, diplomata e escritor, Vieira deixou marcas profundas na política, na literatura e na defesa dos direitos humanos, tornando-se um símbolo de coragem e eloquência. 

Vieira destacou-se como missionário no Brasil, onde foi chamado pelos povos indígenas de “Paiaçu” – o Grande Padre. Sua luta contra a escravidão e contra a exploração dos nativos fez dele um defensor incansável da dignidade humana. Pregador de sermões memoráveis, como o célebre Sermão de Santo António aos Peixes, Vieira também se posicionou contra a distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos, enfrentando a poderosa Inquisição e denunciando injustiças sociais. 

No campo político, conquistou a confiança de João IV de Portugal, atuando como diplomata em missões delicadas na França e nos Países Baixos. Sua ousadia em defender os judeus e propor reformas econômicas trouxe-lhe tanto prestígio quanto perseguições. Acusado de heresia por suas ideias sebastianistas e pelo projeto do “Quinto Império”, foi preso pela Inquisição, mas sobreviveu graças ao seu talento e ao apoio da Coroa. 

A vida de Vieira foi marcada por episódios dramáticos, como o naufrágio de 1654, que quase lhe custou a vida e parte de seus escritos. Ainda assim, deixou um legado vasto: mais de duzentos sermões e centenas de cartas que revelam sua visão crítica, humanista e profundamente comprometida com a fé e a justiça. 

No dia 6 de fevereiro de 1608 nascia em Lisboa uma das figuras mais marcantes do século XVII: o jesuíta Padre António Vieira. Religioso, filósofo, diplomata e escritor, Vieira tornou-se célebre não apenas pela sua oratória brilhante, mas também pela coragem de enfrentar poderes estabelecidos, como a Inquisição, e pela defesa incansável dos povos indígenas e dos cristãos-novos. Fernando Pessoa, séculos mais tarde, reconheceria sua grandeza ao chamá-lo de “Imperador da Língua Portuguesa”. 

Vieira viveu entre Portugal e Brasil, destacando-se como missionário na Bahia, no Maranhão e na Amazônia. Foi chamado pelos indígenas de “Paiaçu”, o Grande Padre, título que simboliza o respeito conquistado por sua luta contra a escravidão e pela dignidade dos povos nativos. Seus sermões, como o célebre Sermão de Santo António aos Peixes, são até hoje estudados nas universidades e considerados obras-primas do barroco luso-brasileiro. 

Além da vida religiosa, Vieira desempenhou papel político e diplomático relevante. Pregador régio e embaixador de João IV, negociou com potências europeias e defendeu a integração dos cristãos-novos na sociedade portuguesa. Sua ousadia, porém, trouxe-lhe perseguições: foi acusado de heresia pela Inquisição devido às suas ideias sebastianistas e ao projeto do “Quinto Império”. Passou anos preso, mas sobreviveu graças ao prestígio e à inteligência que o tornaram uma das vozes mais poderosas de sua época. 

A trajetória de Vieira é marcada por episódios dramáticos, como o naufrágio de 1654, quando escapou da morte em alto-mar e viu parte de seus escritos serem saqueados por corsários. Mesmo diante de adversidades, manteve firme sua missão de evangelizar e defender os oprimidos. Morreu em Salvador, em 1697, deixando um legado de mais de duzentos sermões e centenas de cartas que revelam sua visão crítica e humanista.

Recordar o nascimento de Padre António Vieira é celebrar não apenas um grande orador, mas um homem que se colocou à frente de seu tempo. Sua voz ecoou contra injustiças, sua pena registrou ideias que desafiaram dogmas, e sua vida foi dedicada à defesa da dignidade humana. No quadro Efemérides do Focus Portal Cultural, lembramos hoje os 418 anos de um dos maiores nomes da história luso-brasileira, cuja palavra continua viva como exemplo de coragem e lucidez. 

Celebrar os 418 anos do nascimento de Padre António Vieira é reconhecer a força de uma voz que atravessou séculos. Sua palavra, ora firme, ora poética, continua a inspirar pela defesa dos oprimidos e pela busca de um mundo mais justo. No quadro Efemérides do Focus Portal Cultural, lembramos hoje não apenas o homem, mas o símbolo de resistência e de esperança que Vieira representa para a cultura luso-brasileira.

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


Estátua do Padre António Vieira, de 2017, no Museu de São Roque, em Lisboa.

Vista do Terreiro de Jesus, em Salvador, em 1862, com a atual Catedral Basílica - ao fundo, antiga Igreja do Colégio dos Jesuítas (anexo à direita). Onde Antonio Vieira estudou e lecionou.

Igreja de Nossa Senhora da Graça e Seminário de Olinda, no Pernambuco, antigo Colégio dos Jesuítas, onde Antonio Vieira foi professor.

Seis volumes dos Sermões, expostos numa Biblioteca Municipal, no Brasil.

Catedral de São Luís, em 1860, antiga Igreja e Colégio dos Jesuítas de São Luís do Maranhão. Estabelecida pelo padre Luís Figueira, e onde o padre Antônio Vieira viveu e publicou alguns de seus sermões.

Igreja de Santo Alexandre e antigo Colégio dos Jesuítas, na região da Feliz Lusitânia, em Belém do Pará. Estabelecida no século XVII, onde Antônio Vieira administrou as missões jesuíticas pela Amazônia.

Primeira página de "Historia do Futuro", de uma edição de 1718.


A DIPLOMACIA DA PRESENÇA - A EMBAIXADORA GABRIELA SOARES DE ALBERGARIA E IDALINA ANDRADE GONÇALVES NO CONSULADO-GERAL DE PORTUGAL


No coração do bairro de Botafogo, na Rua São Clemente, ergue-se o Consulado-Geral de Portugal no Rio de Janeiro, instituição que há mais de um século e meio acompanha os fluxos migratórios, os encontros culturais e os laços fraternais entre Brasil e Portugal. Ali, entre paredes que guardam memórias de milhares de cidadãos portugueses que encontraram no Rio de Janeiro um porto seguro, realizou-se em 06 de fevereiro de 2026 a reunião do Conselho Consultivo, seguida de um almoço oferecido pela Senhora Cônsul-Geral, Embaixadora Maria Gabriela Vieira Soares de Albergaria. O evento, marcado pelo requinte protocolar e pela atmosfera de diálogo, tornou-se também um símbolo da continuidade histórica e da renovação diplomática. 

Na fotografia que eterniza o momento, vemos Idalina Andrade Gonçalves, membro do Conselho Consultivo do Real Gabinete Português de Leitura, ao lado da Embaixadora. A imagem, gentilmente cedida ao Focus Portal Cultural por Idalina, transcende o registro documental: ela se transforma em metáfora da união entre tradição e modernidade, entre a força da cultura e a elegância da diplomacia. 

Assumindo o posto em 2022, Gabriela Soares de Albergaria tornou-se a primeira mulher a liderar o Consulado-Geral de Portugal no Rio de Janeiro. Sua carreira diplomática, iniciada em 1990, é marcada por uma sólida formação acadêmica, graduada em Direito e pós-graduada em Estudos Europeus pela Universidade Católica Portuguesa e por uma experiência internacional que a levou a servir em diferentes continentes: de New Bedford, nos Estados Unidos, a Belgrado, Brasília, Pretória e Harare, além de ter sido Embaixadora de Portugal em Bogotá, na Colômbia.

No Rio de Janeiro, sua atuação tem se destacado pelo estreitamento dos laços comerciais e culturais entre Brasil e Portugal. A parceria com a Câmara Portuguesa de Comércio, a promoção de atividades educativas como rodas de conversa no IMPA Tech e a valorização da comunidade luso-brasileira são marcas de sua gestão. Em agosto de 2025, foi homenageada com a Medalha Pedro Ernesto, a mais alta condecoração da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, reconhecimento que simboliza não apenas sua competência diplomática, mas também sua capacidade de construir pontes humanas e culturais. 

Ao lado da Embaixadora na foto, Idalina Andrade Gonçalves representa a força da cultura e da memória. Como membro do Conselho Consultivo do Real Gabinete Português de Leitura, instituição que é um dos maiores símbolos da presença portuguesa no Brasil, Idalina carrega consigo a responsabilidade de preservar e difundir um patrimônio que transcende fronteiras. Sua presença na reunião e na fotografia não é apenas protocolar: é um testemunho da importância da cultura como eixo central da diplomacia contemporânea. 

O gesto de compartilhar a imagem com o Focus Portal Cultural de Alberto Araújo revela também sua sensibilidade para com a comunicação e a valorização da memória coletiva. Ao oferecer a foto, Idalina transforma um instante em narrativa, permitindo que o público participe da história e reconheça o papel das instituições e das pessoas que constroem, diariamente, os laços entre Brasil e Portugal. 

Após a reunião do Conselho Consultivo, a Embaixadora ofereceu um almoço com todo o requinte protocolar. Mais do que um gesto de cortesia, o encontro simbolizou a hospitalidade portuguesa e a valorização do diálogo. À mesa, entre sabores e conversas, construiu-se um espaço de convivência que reforça a ideia de que a diplomacia não se faz apenas em documentos e tratados, mas também em gestos humanos, em encontros que aproximam culturas e pessoas.

A imagem de Idalina ao lado da Embaixadora é, em si, um documento histórico. Ela condensa a presença feminina em espaços de poder e cultura, reafirma a importância da participação ativa da sociedade civil nos processos diplomáticos e celebra a união entre tradição e inovação. É uma fotografia que fala, que narra, que inspira.

O encontro no Consulado-Geral de Portugal no Rio de Janeiro, a presença da Embaixadora Gabriela Soares de Albergaria e de Idalina Andrade Gonçalves e a fotografia que registra esse momento, compõem uma narrativa de impacto. Trata-se de uma história que une diplomacia e cultura, protocolo e afeto, tradição e modernidade. É um testemunho da vitalidade das relações luso-brasileiras e da importância de reconhecer, celebrar e difundir os gestos que constroem pontes entre povos e nações. 

Localizado, na Rua São Clemente, o Consulado-Geral de Portugal no Rio de Janeiro tem jurisdição sobre os Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Mais do que uma sede administrativa, o Consulado é um espaço de acolhimento, de serviços e de memória. Pelas suas instalações passaram figuras célebres da história luso-brasileira, mas também centenas de milhares de cidadãos anônimos que, ao longo das décadas, ajudaram a construir a Cidade Maravilhosa.

Esse legado social, cultural e patrimonial está presente em cada esquina do Rio, nos sobrenomes, nas tradições, nas festas populares e na arquitetura. O Consulado, portanto, não é apenas uma instituição diplomática: é um guardião da história e um mediador do presente. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural







O GESTO QUE ATRAVESSOU GERAÇÕES - A HISTÓRIA DE FRANCINE CHRISTOPHE

Quando li sobre Francine Christophe, percebi que a memória não é apenas passado, mas presente vivo. Um pedaço de chocolate salvou uma vida e se tornou testemunho. É impossível não se emocionar. 

Há 93 anos, em 18 de agosto de 1933, nasceu em Paris Francine Christophe. Filha de Robert e Marcelle, cresceu numa família judia que vivia uma rotina comum, marcada por afeto e tranquilidade. Nada indicava que sua infância seria engolida pela violência da História. 

Em 1940, o pai foi capturado e enviado para um campo de prisioneiros de guerra na Áustria. A mãe e a filha, por serem familiares de prisioneiro francês, foram classificadas como “reféns” e não deportadas de imediato. Essa condição especial não significava proteção real: apenas adiava o destino. Durante dois anos, foram deslocadas entre campos franceses: Poitiers, Drancy, Pithiviers e Beaune-la-Rolande, cada um deles um degrau a mais na descida ao inferno. 

Esses campos funcionavam como centros de triagem e detenção. Drancy, por exemplo, era o principal ponto de partida para deportações rumo ao Leste, especialmente para Auschwitz. Pithiviers e Beaune-la-Rolande abrigaram milhares de judeus franceses, muitos deles crianças, em condições precárias. A fome, o frio e o medo eram constantes. Para Francine, ainda menina, cada mudança significava perder mais um pedaço da infância. 

Em maio de 1944, mãe e filha foram deportadas para Bergen-Belsen, na Alemanha. O campo não era um centro de extermínio imediato como Auschwitz, mas um espaço de morte lenta. Ali, a vida se desfazia pouco a pouco, corroída pela escassez, pelas doenças e pela desesperança. 

Cada prisioneiro podia levar apenas uma pequena bolsa. Marcelle, consciente da brutalidade que enfrentariam, escolheu esconder dois pedaços de chocolate. Não era luxo, mas estratégia: um recurso mínimo para momentos de colapso, um seguro contra a fome extrema. 

Bergen-Belsen reunia milhares de prisioneiros em condições desumanas. Barracas superlotadas, falta de água potável, epidemias de tifo e disenteria. Corpos eram empilhados como coisas descartáveis. Para uma criança de dez anos, o campo era a decomposição lenta da vida.

Foi nesse cenário que ocorreu o gesto que atravessaria gerações. Um dia, Francine reparou numa prisioneira isolada das outras. Estava grávida, sozinha, em trabalho de parto. Fraca demais para gritar, fraca demais para sobreviver sem ajuda. 

Francine levou a mão ao bolso. Sentiu o chocolate. Era o último pedaço, guardado pela mãe como reserva final. Talvez fosse a diferença entre viver mais um dia ou não. A menina hesitou. O instinto de sobrevivência dizia para guardar. Mas a compaixão falou mais alto. 

Aquele gesto mínimo, quase invisível, mudou tudo. O açúcar deu força à mulher. Energia suficiente para suportar a dor. Contra toda lógica, uma criança nasceu num lugar construído para apagar a vida. E, contra tudo, mãe e bebê sobreviveram. 

O episódio não foi apenas um ato de bondade infantil. Foi uma afirmação de humanidade em meio ao horror. Uma criança faminta escolheu a solidariedade em vez da autopreservação. E essa escolha transformou-se em vida. 

Semanas depois, Bergen-Belsen foi libertado pelas tropas britânicas. As imagens da libertação, registradas por cinegrafistas militares, mostraram pilhas de cadáveres e sobreviventes reduzidos à pele e osso. Francine e Marcelle estavam entre os que resistiram. 

De forma quase inacreditável, reencontraram Robert. A família, marcada para sempre, conseguiu reconstruir a vida. Francine cresceu, tornou-se professora e, sobretudo, testemunha incansável do Holocausto. Dedicou sua vida a relatar o que viveu, viajando, palestrando, insistindo que a memória não se tornasse abstrata. 

Décadas mais tarde, em uma conferência sobre memória do Holocausto, uma psiquiatra francesa chamada Yvonne pediu a palavra. Aproximou-se de Francine e lhe entregou um pedaço de chocolate. “Eu sou o bebê”, disse. 

Era a filha da prisioneira que havia sobrevivido graças ao gesto da menina. O reencontro emocionou todos os presentes e tornou-se símbolo da persistência da humanidade mesmo nos lugares mais sombrios. O pedaço de chocolate, devolvido meio século depois, não era pagamento. Era testemunho. 

Francine Christophe, hoje com mais de 90 anos, continua a dar palestras e testemunhos. Repete que aquele pedaço de chocolate não foi apenas comida. Foi a prova de que os nazistas falharam. Tentaram destruir a empatia, mas não conseguiram. Tentaram apagar o valor humano, mas não puderam.

O episódio mostra como um ato aparentemente pequeno pode salvar uma vida e ecoar por gerações. Em um campo criado para destruir a dignidade humana, uma criança provou que a compaixão podia sobreviver.

Alguns gestos ecoam por gerações. Este ecoou por cinquenta anos, até ser devolvido, não como pagamento, mas como testemunho. Testemunho de que a humanidade persiste. De que a memória importa. E de que, mesmo no pior dos lugares, as pessoas ainda podem escolher ser humanas.

 

Texto e pesquisa realizados por © Alberto Araújo, encantado com a história de Francine Christophe.

 









 

O CORAÇÃO QUE ENVELHECE DEVAGAR - CRÔNICA DE © ALBERTO ARAÚJO

Há dias em que o coração fala mais alto do que qualquer relógio. Não é o tic-tac que nos lembra da passagem do tempo, mas um murmúrio interno, uma espécie de confidência silenciosa que insiste em nos acompanhar. O coração, esse velho companheiro, não se deixa enganar por calendários: ele sabe que a velhice não começa nos cabelos brancos, mas na maneira como olhamos para o mundo. 

A velhice, afinal, é uma estação que chega sem anúncio. Não há trombetas, não há placas na estrada. Um dia, você percebe que já não corre para pegar o ônibus; prefere esperar o próximo. Descobre que o jornal da manhã traz mais lembranças do que novidades. E, sobretudo, nota que o coração já não dispara por qualquer coisa: ele escolhe, com uma sabedoria que só os anos dão, os momentos em que vale a pena se acelerar. 

O meu mestre cronista dizia que escrever era como conversar com um amigo invisível. Talvez seja isso que faço agora: converso com você, leitor, como quem abre a janela ao entardecer e deixa o vento entrar. O coração, nesse instante, é o narrador. Ele fala de momentos felizes que ficaram na infância,  de ruas que mudaram de nome, de árvores que cresceram sem que percebêssemos. Fala também da velhice como quem fala de uma visita esperada: não é inimiga, é apenas alguém que chega para nos lembrar de que o tempo tem seu ritmo. 

O coração envelhece devagar. Ele guarda memórias como quem guarda cartas antigas em uma caixa de sapatos. Cada batida é uma lembrança: o primeiro beijo, o medo da guerra, o nascimento de um filho, o silêncio de uma despedida. E, no entanto, continua pulsando com uma teimosia bonita, como se dissesse: “Permaneço aqui, apesar de tudo.” 

A velhice é feita de pequenas descobertas. Descobrimos que o corpo já não obedece como antes, mas também que a alma se torna mais leve. Há uma liberdade estranha em aceitar que não precisamos mais provar nada a ninguém. O coração, cansado de correr, aprende a caminhar. E nessa caminhada lenta, há uma beleza que só quem envelhece pode compreender.

Lembro-me de um velho sentado na praça, olhando as crianças brincarem. Ele não sorria nem chorava; apenas observava, como quem guarda um segredo. Talvez seu coração estivesse contando histórias que ninguém mais podia ouvir. Talvez estivesse apenas agradecendo por ainda estar ali, testemunha silenciosa da vida que continua. 

O coração, quando envelhece, aprende a ouvir. Já não se apressa em julgar, já não se irrita com bobagens. Ele sabe que cada pessoa carrega sua própria dor, e que não há tempo a perder com ressentimentos. A velhice nos ensina a perdoar, não por virtude, mas por economia: guardar rancor dá trabalho, e o coração prefere descansar. 

Há quem tema a velhice como se fosse um inimigo. Eu a vejo como uma paisagem nova. É como chegar a uma cidade desconhecida: no começo, estranhamos as ruas, os sotaques, os cheiros. Depois, percebemos que há beleza em cada esquina. A velhice é essa cidade: exige paciência, mas oferece recompensas inesperadas. O coração, turista experiente, sabe que não adianta correr; é preciso andar devagar, apreciar o caminho. 

O coração também se torna mais sábio no amor. Já não se ilude com paixões repentinas, mas valoriza os gestos pequenos: um café compartilhado, uma conversa sem pressa, um silêncio confortável. A velhice nos mostra que o amor não precisa de fogos de artifício; basta uma chama discreta, que aquece sem queimar. O coração, nesse ponto, é como uma lamparina antiga: ilumina pouco, mas ilumina o suficiente. 

E há a solidão. A velhice traz consigo uma solidão inevitável, como uma sombra que nos acompanha. Amigos se vão, familiares se afastam, o mundo parece correr em outra velocidade. Mas o coração aprende a conviver com essa sombra. Descobre que a solidão não é ausência, mas presença de si mesmo. É nesse silêncio que ouvimos melhor o coração, e ele nos conta coisas que antes não tínhamos tempo de escutar. 

O coração envelhece, mas não se rende. Ele continua batendo, mesmo quando o corpo já não responde. É como um pássaro que insiste em cantar, mesmo em dias de chuva. E esse canto, ainda que frágil, é uma prova de resistência. A velhice, afinal, não é o fim: é apenas uma etapa, um capítulo que se escreve com mais calma.

O meu mestre cronista gostava de falar das coisas simples: uma flor na janela, um gato dormindo, um amigo que chega sem avisar. Talvez seja isso que a velhice nos ensina: a valorizar o simples. O coração, cansado de grandes aventuras, encontra alegria em pequenos detalhes. E é nessa simplicidade que descobrimos uma forma de felicidade que não conhecíamos. 

O coração, quando envelhece, se torna mais humano. Ele aceita suas falhas, reconhece seus limites, mas também celebra suas vitórias. Cada cicatriz é uma medalha, cada batida é um testemunho. A velhice é o palco onde o coração se apresenta sem máscaras, sem ilusões. E nesse espetáculo discreto, há uma beleza que não se encontra na juventude. 

Talvez seja isso que significa “ouvir o coração”: aceitar que ele tem sua própria música, que não segue modas nem tendências. É uma música antiga, feita de lembranças e esperanças. E, mesmo na velhice, essa música continua. O coração, maestro paciente, rege a orquestra da vida até o último acorde.

No fim, o coração nos ensina que envelhecer não é perder, mas ganhar outra perspectiva. É como subir uma montanha: lá embaixo, tudo parecia urgente; lá em cima, vemos que o mundo é maior do que nossas pressas. A velhice é esse mirante, e o coração é o guia que nos mostra a paisagem. E, se ouvirmos com atenção, perceberemos que há beleza em cada detalhe, mesmo nos mais discretos.

O coração envelhece devagar, mas nunca deixa de ser jovem em algum canto escondido. Há sempre uma batida que lembra um amor antigo, uma aventura esquecida, uma esperança que resiste. A velhice não apaga a juventude; apenas a transforma em memória. E o coração, guardião fiel, continua a pulsar, lembrando-nos de que estamos vivos. 

Assim, ouvindo o coração, aprendemos que a velhice não é um peso, mas uma dádiva. É a chance de olhar para trás com serenidade, de olhar para frente com humildade, e de olhar para dentro com gratidão. O coração, velho e sábio, nos conduz por esse caminho. E, ao final, descobrimos que envelhecer é apenas outra forma de amar a vida. 

© Alberto Araújo

 




 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

05 DE FEVEREIRO DE 2026 CELEBRAMOS OS 139 ANOS DA ESTREIA DA ÓPERA “OTELLO” DE GIUSEPPE VERDI - EFEMÉRIDES DO FOCUS PORTAL CULTURAL

A ópera é uma das mais complexas e fascinantes expressões artísticas criadas pelo ser humano. Nela, música, poesia, teatro e artes visuais se entrelaçam para dar forma a uma experiência estética total, capaz de tocar profundamente o espírito. Desde o seu nascimento no século XVII, a ópera tornou-se um espelho da humanidade, refletindo paixões, dilemas, conquistas e tragédias. Mais do que entretenimento, ela é um espaço de encontro entre culturas, épocas e sensibilidades, onde o poder da voz humana se eleva ao sublime e nos lembra da nossa capacidade de criar beleza mesmo diante das adversidades. Celebrar a estreia de uma obra como Otello, de Giuseppe Verdi, é celebrar também a força da ópera como linguagem universal, que atravessa fronteiras e séculos para nos falar sobre aquilo que é essencialmente humano. 

No dia 5 de fevereiro de 1887, o mundo da música testemunhou um dos momentos mais grandiosos da história da ópera: a estreia de “Otello”, penúltima obra de Giuseppe Verdi, no célebre Teatro alla Scala de Milão. A noite foi marcada por expectativa, emoção e pela consagração de uma parceria artística que redefiniu os rumos da ópera italiana: Verdi e o libretista Arrigo Boito. 

Giuseppe Verdi já era, àquela altura, um mito vivo. O compositor de Busseto havia conquistado fama internacional com obras como Rigoletto, La Traviata e Aida. Contudo, após a estreia de Aida em 1871, Verdi parecia inclinado a se afastar da composição operística. Muitos acreditavam que sua carreira havia chegado ao fim. Foi nesse cenário que surgiu Boito, poeta e músico, que conseguiu despertar em Verdi o desejo de enfrentar um novo desafio: transformar em música uma das tragédias mais intensas de William Shakespeare, o dramaturgo que Verdi venerava. 

A escolha de Othello, the Moor of Venice não foi casual. Shakespeare havia sido, desde sempre, uma fonte de inspiração para Verdi. O compositor já havia se aventurado com Macbeth em 1847 e sonhava em dar vida a King Lear, projeto que nunca se concretizou. Com Otello, Verdi encontrou o terreno ideal para explorar os dilemas humanos mais profundos: o ciúme, a manipulação, a honra e a tragédia da destruição de um amor puro. 

Arrigo Boito foi decisivo. Seu libreto condensou a peça shakespeariana sem perder a densidade dramática. Boito soube respeitar o espírito do original, mas também deu espaço para que Verdi criasse uma música que não fosse mero acompanhamento, mas sim protagonista da narrativa. O resultado foi uma obra em quatro atos que se tornou um marco da ópera moderna, pela fusão perfeita entre texto e música. 

Na noite de 5 de fevereiro de 1887, o Teatro alla Scala estava lotado. A elite cultural europeia aguardava com ansiedade o retorno de Verdi aos palcos. Quando o maestro levantou a batuta, o público foi arrebatado por uma abertura que dispensava a tradicional sinfonia inicial: Verdi preferiu começar com uma tempestade em alto mar, um recurso ousado que mergulhava imediatamente os espectadores no drama. A recepção foi apoteótica. Críticos e público reconheceram que estavam diante de uma obra-prima. 

Ambientada na ilha de Chipre, no final do século XV, a ópera narra a ascensão e queda do mouro Otello, general veneziano que, enredado pelas intrigas de Iago, é consumido pelo ciúme contra sua esposa Desdêmona. A música de Verdi amplifica cada nuance psicológica: o lirismo dos duetos amorosos, a tensão crescente das manipulações de Iago, o desespero final de Otello. É uma tragédia musical que não dá respiro, conduzindo o público ao abismo da emoção.

Considerada por muitos como a maior tragédia de Verdi, Otello não apenas reafirmou o gênio do compositor, mas também abriu caminho para sua última obra, Falstaff, igualmente baseada em Shakespeare. Juntas, essas duas óperas demonstram a vitalidade criativa de Verdi em sua maturidade, quando muitos já o julgavam aposentado. 

Hoje, 139 anos após sua estreia, Otello continua a ser encenada nos principais teatros do mundo, desafiando cantores e regentes, emocionando plateias e reafirmando a universalidade da música de Verdi. É uma obra que transcende o tempo, lembrando-nos de que o ciúme, a manipulação e a fragilidade humana são temas eternos.

Celebrar a estreia de Otello é celebrar não apenas uma efeméride musical, mas um marco da cultura universal. Verdi, ao lado de Boito e inspirado por Shakespeare, deu ao mundo uma obra que permanece viva, vibrante e necessária. No palco da Scala, em 1887, nasceu uma tragédia que ainda hoje nos ensina sobre os limites da paixão e os abismos da alma humana.

A ópera permanece, ainda hoje, como um dos pilares da cultura mundial. Sua importância não se limita ao palco: ela nos ensina sobre a condição humana, sobre os abismos da emoção e sobre a grandeza da imaginação artística. Obras como Otello demonstram que a ópera é mais do que espetáculo; é uma herança espiritual que nos conecta ao passado e nos projeta para o futuro. Ao unir música e drama em uma síntese arrebatadora, Verdi nos lembra de que a arte tem o poder de iluminar nossas sombras e de revelar, em cada nota, a profundidade da alma humana. Celebrar a ópera é celebrar a própria humanidade, pois nela encontramos não apenas beleza, mas também a verdade de quem somos. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural



















 

 


 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

20 DE JANEIRO DE 2026 EFEMÉRIDES – 160 ANOS DE EUCLIDES DA CUNHA - FOCUS PORTAL CULTURAL, POR ALBERTO ARAÚJO

 


O quadro Efemérides do Focus Portal Cultural celebra nesta data, 20 de janeiro de 2026, os 160 anos do nascimento de Euclides da Cunha, escritor, jornalista e engenheiro que se tornou um dos maiores intérpretes do Brasil profundo. Nascido em Cantagalo, interior do Rio de Janeiro, Euclides marcou a história da literatura nacional com sua obra monumental Os Sertões (1902), síntese de ciência, arte e denúncia social. Sua trajetória, marcada por inquietação intelectual, engajamento político e tragédia pessoal, permanece viva como testemunho da busca por compreender o país em sua complexidade.

No dia 20 de janeiro de 2026, celebramos os 160 anos do nascimento de Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha em Cantagalo, RJ, 20 de janeiro de 1866 e falecido no Rio de Janeiro, 15 de agosto de 1909, escritor, jornalista, engenheiro e pensador que se tornou um dos maiores nomes da cultura brasileira. Sua obra, marcada pela inquietação intelectual e pela busca de compreender o Brasil em sua complexidade, permanece como referência incontornável na literatura e na historiografia nacional.

Euclides nasceu na Fazenda Saudade, em Santa Rita do Rio Negro, município de Cantagalo, interior do Rio de Janeiro. Filho de Manuel Rodrigues Pimenta da Cunha e Eudóxia Alves Moreira da Cunha, enfrentou desde cedo as dificuldades da vida. Sua mãe faleceu de tuberculose quando ele tinha apenas três anos, deixando o pai viúvo com dois filhos pequenos. A infância de Euclides foi marcada por deslocamentos constantes entre cidades como São Fidélis, Teresópolis e Nova Friburgo, vivendo em casas de parentes e experimentando a instabilidade que moldaria sua visão crítica sobre a sociedade brasileira. 

Em 1883, ingressou no Colégio Aquino, onde foi aluno de Benjamin Constant, figura central na difusão do positivismo no Brasil. Constant exerceu grande influência sobre o jovem Euclides, introduzindo-o às ideias republicanas e ao pensamento científico. Dois anos depois, Euclides entrou na Escola Politécnica e, em 1886, na Escola Militar da Praia Vermelha, onde novamente encontrou Benjamin Constant como professor. 

Na Escola Militar, Euclides destacou-se não apenas pelo talento intelectual, mas também pelo espírito contestador. Em um episódio célebre, durante uma revista às tropas, lançou sua espada aos pés do ministro da Guerra, Tomás Coelho, como gesto de protesto contra o regime monárquico. Esse ato de rebeldia lhe custou um processo disciplinar e, em 1888, seu desligamento do Exército. 

Apesar disso, Euclides manteve-se ativo na propaganda republicana, escrevendo para o jornal A Província de S. Paulo (atual O Estado de S. Paulo). Com a Proclamação da República em 1889, foi reintegrado ao Exército e chegou a ocupar o posto de primeiro-tenente, além de obter o título de bacharel em Matemáticas, Ciências Físicas e Naturais. Casou-se com Ana Emília Ribeiro, filha do major Sólon Ribeiro, um dos líderes da proclamação republicana. 

Em 1897, Euclides foi enviado como correspondente de guerra para cobrir a Guerra de Canudos, conflito que opôs o Exército Brasileiro aos sertanejos liderados por Antônio Conselheiro, na Bahia. Inicialmente, como muitos republicanos, acreditava que o movimento tinha caráter monarquista e representava uma ameaça à jovem República. 

No entanto, sua experiência em campo transformou sua visão. Ao observar a realidade dos sertanejos, Euclides percebeu que se tratava de uma sociedade marginalizada, profundamente distinta da vida litorânea e urbana. Essa descoberta foi decisiva para a elaboração de sua obra-prima, Os Sertões, publicada em 1902. 

OS SERTÕES: CIÊNCIA, LITERATURA E DENÚNCIA

Os Sertões é dividido em três partes: A Terra, O Homem e A Luta. 

Em A Terra, Euclides descreve a geografia, a flora, a fauna e o clima do sertão nordestino, utilizando linguagem científica e detalhada. 

Em O Homem, analisa os costumes, a religiosidade e a vida social dos sertanejos, revelando um Brasil profundo e esquecido. 

Em A Luta, narra as quatro expedições militares contra Canudos, culminando na destruição do arraial e no massacre da população. 

A obra combina rigor científico, estilo literário vigoroso e denúncia social. Ao mesmo tempo em que descreve a tragédia de Canudos, Euclides revela a violência do Estado contra uma população marginalizada. Os Sertões tornou-se um marco do pré-modernismo brasileiro, antecipando o regionalismo e influenciando o modernismo. 

O sucesso de Os Sertões projetou Euclides da Cunha internacionalmente. Em 1903, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras e também para o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Sua reputação como intelectual engajado consolidou-se, e ele passou a ser visto como uma voz crítica da República. 

Entre 1904 e 1905, Euclides chefiou uma missão de demarcação de fronteiras na Amazônia, experiência que resultou em escritos de denúncia sobre as condições da região e sobre a exploração dos trabalhadores. Ao retornar ao Rio de Janeiro, trabalhou no gabinete do Barão do Rio Branco, ministro das Relações Exteriores. 

A vida pessoal de Euclides foi marcada por conflitos. Seu casamento com Ana Emília Ribeiro tornou-se conturbado devido ao relacionamento extraconjugal dela com o jovem militar Dilermando de Assis. Em 15 de agosto de 1909, Euclides tentou confrontar Dilermando, mas acabou morto a tiros, episódio que ficou conhecido como a Tragédia da Piedade. 

Essa morte violenta encerrou precocemente a trajetória de um dos maiores intelectuais brasileiros, mas também contribuiu para a aura trágica que envolve sua figura.

Apesar de sua vida breve, Euclides da Cunha deixou um legado duradouro. Sua obra continua a ser estudada em universidades e inspira eventos culturais, como a Semana Euclidiana, realizada em cidades ligadas à sua trajetória, especialmente em São José do Rio Pardo, onde escreveu Os Sertões. 

No centenário de sua morte, em 2009, diversas homenagens foram realizadas, incluindo o projeto “100 Anos Sem Euclides”, com exposições e atividades culturais em sua cidade natal. Hoje, aos 160 anos de seu nascimento, sua obra permanece atual, revelando um Brasil que ainda luta contra desigualdades e invisibilidades. 

Celebrar Euclides da Cunha é celebrar a força da literatura como instrumento de denúncia e de revelação da realidade nacional. Sua escrita, marcada por neologismos, vigor estilístico e profundidade analítica, continua a ecoar como testemunho da luta de um povo e da inquietação de um intelectual que buscou compreender o Brasil em sua totalidade. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


Primos Arnaldo, Euclides e Nestor Pimenta da Cunha c. 1900


Casa de Zinco em São José do Rio Pardo onde Euclides da Cunha escreveu "Os Sertões"

Homenagem filatélica do Correio do Brasil em 1965.

Folha de rosto de  Os Sertões (1902)


Missão de Euclides da Cunha a Amazônia




A MORTE DE EUCLIDES DA CUNHA 

Na manhã chuvosa de 15 de agosto de 1909, o escritor Euclides da Cunha, aos 43 anos, foi morto em circunstâncias dramáticas na Estrada Real de Santa Cruz nº 214, atual Avenida Dom Élder Câmara. O episódio ocorreu por volta das 10h de um domingo, após uma noite de insônia em que Euclides fumou cinco maços de cigarros.

Às 6h, deixou sua residência em Copacabana e seguiu até Botafogo, onde buscou um revólver calibre 22, velho e enferrujado, emprestado por seus primos Arnaldo e Nestor. Às 9h, chegou à casa de Dilermando de Assis, na Piedade. Ao entrar, declarou: “Vim para matar ou morrer”. Disparou sete vezes contra o rival, mas Dilermando, armado com um Nagant, respondeu com cinco tiros. Euclides caiu mortalmente ferido ao sair da casa, encerrando de forma trágica a trajetória de um dos maiores nomes da literatura brasileira.