No coração pulsante de Copacabana, onde a agitação da Rua Figueiredo Magalhães encontra a tradição da medicina brasileira, um rito de passagem reafirmou a força intelectual do Rio de Janeiro.
A Academia de Medicina do Rio de Janeiro (AMRJ), Presidente Samantha Condé Rocha Rangel resguardadora da ética e do progresso científico desde sua fundação em 1997, abriu suas portas para uma cerimônia que ficará gravada na histórica da cidade. O destaque da noite foi o magistral discurso de recepção proferido pelo Acadêmico Euderson Kang Tourinho, cuja oratória, equilibrando erudição e sensibilidade, foi ovacionada pelos presentes.
O Acadêmico Euderson Kang Tourinho, em uma performance oratória de rara felicidade, conseguiu o que poucos conseguem: transformar um currículo técnico em uma narrativa épica. Ao longo de sua fala, ele costurou o passado institucional da AMRJ com as promessas do futuro, utilizando metáforas que remetiam à paisagem do Rio, onde o mar encontra a montanha, para simbolizar o encontro da ciência com a compaixão.
Muito aplaudido, o discurso de Euderson foi o fio condutor que uniu a plateia em torno de um ideal comum. Ele não apenas saudou colegas; ele convocou os novos membros a serem guardiões de um farol ético em tempos de informação fragmentada. Sua fala ressoou como um manifesto: a medicina é a mais humana das ciências e a mais científica das artes.
A noite de gala não foi apenas um evento protocolar, mas uma "notícia do futuro". Como bem pontuou o Acadêmico Euderson em sua saudação, receber novos membros é garantir que a chama do conhecimento, acesa há quase três décadas, continue a iluminar as próximas gerações de médicos e pesquisadores.
O ponto alto da solenidade foi a apresentação dos novos imortais, cujas trajetórias formam um mosaico da melhor ciência produzida no Brasil e no mundo.
José Oscar Reis Brito, recebido na Seção de Cirurgia (Cadeira Patrono Dr. Jayme Espectorov), trouxe à cena o lirismo da precisão. Com especializações em Paris, Londres e Maastricht, o cirurgião cardiovascular é um arquiteto do coração humano. Sua atuação em projetos de vanguarda, como o uso de células-tronco e o prestigiado STICH Trial, foi destacada por Euderson como a prova de que a cirurgia moderna é uma forma de arte que salva vidas através da inovação.
Na Seção de Medicina, o brilho recaiu sobre Regina Casz Schechtman. Com uma carreira moldada na UERJ e na Universidade de Londres, Regina é uma das maiores autoridades mundiais em Dermatologia e Micologia. Sua liderança no Instituto Rubem David Azulay e sua influência na FIDE e na Academia Americana de Dermatologia foram celebradas como um triunfo da clínica minuciosa. Em seu discurso, Euderson descreveu Regina como uma "decifradora de pergaminhos antigos", referindo-se à sua habilidade ímpar em ler os sinais ocultos na pele humana.
Para completar a noite, a categoria de Acadêmico Honorário recebeu ninguém menos que o neurocientista Roberto Lent. Filho de cientistas e detentor de uma inteligência que transcende os laboratórios, Lent é o homem que ensinou o Brasil a olhar para dentro de si, mapeando os "Cem Bilhões de Neurônios" que compõem nossa humanidade. Professor Emérito da UFRJ e membro da Academia Brasileira de Ciências, sua entrada na AMRJ celebra a união entre a ciência de ponta e a divulgação cultural popular.
O evento encerrou-se sob o signo da esperança. A Academia de Medicina do Rio de Janeiro reafirma que seu endereço em Copacabana é um porto seguro para a inteligência.
Saem os convidados, mas ficam as ideias. Com a entrada de José Oscar, Regina e Roberto, e sob a batuta inspirada de acadêmicos como Euderson Kang Tourinho, a AMRJ prova que a imortalidade não é a ausência do fim, mas a presença eterna de uma obra que se recusa a apagar. A medicina fluminense dorme hoje mais rica, mais sábia e, acima de tudo, mais inspirada.
Localizada no icônico número 144 da Figueiredo Magalhães, a AMRJ é mais do que uma sede administrativa; é um organismo vivo de investigação científica. Fundada por 34 médicos visionários em 20 de outubro de 1997, a instituição completou recentemente sua trajetória de 29 anos como um pilar de resistência cultural. Ali, entre salas de conferência e bibliotecas que respiram o saber, a medicina deixa de ser apenas técnica para se tornar um bem patrimonial do povo carioca.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
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