segunda-feira, 9 de março de 2026

08 - SCHUBERT – WINTERREISE - VIAGEM DE INVERNO - ENSAIO ACADÊMICO E CULTURAL © ALBERTO ARAÚJO


PARTE 1 

Em 1827, Franz Schubert, já debilitado pela doença e consciente da proximidade da morte, encontrou nos poemas de Wilhelm Müller um espelho de sua própria condição existencial. Müller havia publicado inicialmente doze textos sob o título Winterreise em uma revista literária. Schubert, fascinado pela atmosfera sombria e introspectiva, musicou-os em fevereiro daquele ano. Mais tarde, ao ter acesso ao livro 77 poemas encontrados nos papéis póstumos de um trompista ambulante, descobriu que o ciclo era composto de 24 poemas. Assim, em outubro de 1827, completou a segunda metade da obra, criando um dos monumentos mais intensos da literatura musical ocidental. 

O ciclo se tornou uma espécie de confissão artística. Diferente de Die Schöne Müllerin (1823), em que o protagonista é um jovem apaixonado que se afoga em desespero amoroso, Winterreise é marcado por uma atmosfera de despedida e pela consciência da finitude. O pianista e estudioso Graham Johnson observa que, para Schubert, o maior temor não era a morte em si, mas a possibilidade de perder a capacidade de compor. A ideia de um mundo sem música era, para ele, a mais trágica das perspectivas. 

Estrutura e atmosfera

O protagonista do ciclo é um viajante solitário que, após ser abandonado pela amada, parte em meio à noite. A narrativa não se desenvolve de forma linear, mas como uma sequência de vinhetas emocionais, flashes de memória e estados de espírito. A viagem é tanto física quanto interior: uma peregrinação pela dor, pela nostalgia e pela alienação. O piano e a voz se entrelaçam em uma economia de meios impressionante. Cada nota é necessária, cada gesto musical é carregado de sentido. Não há ornamentos supérfluos; Schubert constrói um universo inteiro com recursos mínimos, mas de impacto devastador. 

A primeira parte do ciclo, composta pelas canções 1 a 12, revela o processo de transformação do viajante em andarilho errante. Ele oscila entre ternura, raiva, melancolia e delírio. A música traduz estados psicológicos extremos, sem nunca recorrer ao excesso. É uma síntese magistral de poesia e som. 

AS CANÇÕES DA PARTE 1

1. Gute Nacht (Boa noite) 

O ciclo se abre com uma marcha contida. O viajante parte silenciosamente, sem querer perturbar os sonhos da amada. Há ternura e resignação, mas também a consciência de que o caminho é inevitável. O motivo repetitivo no piano sugere o passo firme de quem caminha na escuridão. É uma despedida impregnada de bondade, característica essencial da música de Schubert. 

2. Die Wetterfahne (O catavento) 

Aqui surge a amargura. O catavento simboliza a instabilidade e a superficialidade da família da moça, que busca um partido mais vantajoso. A tonalidade menor intensifica a raiva. É uma canção dramática, quase sarcástica, em que o vento parece zombar do viajante. 

3. Gefror’ne Tränen (Lágrimas congeladas) 

A raiva dá lugar à tristeza pura. O viajante percebe que suas lágrimas se transformam em gelo no rosto. O piano imita gotas que caem e se cristalizam. É um momento de introspecção silenciosa, em que a dor se torna física. 

4. Erstarrung (Solidificação) 

O coração congelado guarda a imagem da amada. O texto sugere que, se o gelo derreter, a lembrança também desaparecerá. A música é agitada, quase febril, como se o viajante lutasse contra a própria imobilidade interior.

5. Der Lindenbaum (A tília) 

Talvez a mais célebre canção do ciclo. Um flashback em Mi maior evoca a árvore sob a qual o protagonista costumava descansar. O vento frio, porém, o traz de volta ao presente, e a tonalidade menor reaparece com força dramática. É uma canção de lembrança e perda, em que a natureza se torna testemunha da dor. 

6. Wasserflut (Inundação) 

A neve e as lágrimas se confundem. O viajante pede que a corrente siga o fluxo de sua saudade. O piano cria uma atmosfera líquida, fluida, que sugere tanto o movimento da água quanto o desespero interior. 

7. Auf dem Flusse (Sobre o rio) 

O ritmo de marcha aqui é lento, quase fúnebre. O protagonista grava no gelo o nome da amada, como se quisesse eternizar sua dor. O Trio em Mi maior surge como lembrança do passado, mas logo se dissolve na frieza do presente.

8. Rückblick (Olhar para trás) 

A fuga da cena da humilhação é descrita em ritmo desenfreado. A desorientação é reforçada pelo contraste entre o compasso da voz e o do piano. É uma canção de turbulência emocional, marcada pela confusão. 

9. Irrlicht (Fogo fátuo) 

Em Si menor, tonalidade associada por Schubert à solidão e ao desespero, o viajante segue uma luz enganadora. A última palavra do poema, Grab (túmulo), sugere que a caverna é metáfora da morte. A música é fantasmagórica, como um delírio. 

10. Rast (Repouso)

Apesar do título, não há repouso verdadeiro. O ritmo de marcha persiste, mas esvaziado de energia. O paradoxo é revelador: a viagem é interior, e o protagonista permanece inquieto mesmo quando tenta descansar. A música sugere que não há pausa possível para quem carrega tamanha dor.

11. Frühlingstraum (Sonho de Primavera)

Uma valsinha inocente abre a canção, evocando flores e abraços em sonho. Mas o despertar é cruel: o frio, a escuridão e o canto dos galos interrompem a ilusão. O piano em registro agudo cria uma atmosfera de sonho desbotado, quase alucinatório. O viajante deseja a primavera, mas sabe que ela não virá.

12. Einsamkeit (Solidão) 

Encerrando a primeira parte, o protagonista se vê completamente isolado. A música é lenta, pesada, marcada por um sentimento de abandono absoluto. É o ponto em que a viagem se torna irreversível: não há retorno, apenas o caminho adiante.

Considerações finais

A primeira metade de Winterreise é um mergulho na psique de um homem devastado. Schubert, consciente de sua própria fragilidade, transforma dor pessoal em arte universal. Cada canção é uma janela para um estado emocional distinto, mas todas se unem em um arco narrativo de rara intensidade. O viajante não é apenas um personagem: é o próprio Schubert, é Müller, é qualquer ser humano que já enfrentou a perda e a solidão.

O ciclo não busca consolo. Ao contrário, expõe a ferida aberta e a transforma em música. É por isso que Winterreise continua a nos tocar profundamente: porque fala daquilo que é mais humano, a consciência da finitude e o desejo de encontrar sentido mesmo na escuridão. 

Schubert – Winterreise (Viagem de Inverno): Parte 2 

Se a primeira metade de Winterreise já nos coloca diante de um viajante marcado pela dor e pela solidão, a segunda parte aprofunda ainda mais esse mergulho na escuridão. Aqui, não há mais espaço para ilusões de retorno ou reconciliação. O protagonista se torna um andarilho errante, cada vez mais afastado da vida social, caminhando em direção a um destino que parece ser a morte.

Schubert compôs esta segunda parte em outubro de 1827, poucos meses antes de sua morte. É como se estivesse escrevendo sua própria despedida. A música se torna mais rarefeita, mais austera, e o piano assume um papel quase espectral, criando atmosferas de vazio e desolação. 

AS CANÇÕES DA PARTE 2  

13. Die Post (O correio)

O som do correio desperta esperança: talvez uma carta da amada? Mas a expectativa logo se desfaz. O ritmo animado contrasta com a realidade amarga. É um momento de ilusão breve, que se dissolve em frustração. 

14. Der greise Kopf (A cabeça grisalha)

O viajante percebe que a neve em seus cabelos o faz parecer velho. Por um instante, sente que a morte está próxima, mas logo a neve derrete e ele volta a ser jovem. A oscilação entre esperança e desespero é cruel. A música é lenta, pesada, marcada por resignação. 

15. Die Krähe (A gralha) 

Uma gralha o acompanha desde que deixou a cidade. O pássaro é visto como presságio de morte, talvez esperando pelo cadáver. O piano imita o voo circular da ave. É uma canção de inquietação, em que o viajante se vê perseguido pela própria mortalidade. 

16. Letzte Hoffnung (Última esperança) 

O protagonista observa as folhas caindo de uma árvore. Cada folha que cai é uma esperança perdida. O piano cria um ambiente de suspensão, como se cada acorde fosse uma folha que se desprende lentamente. A metáfora da natureza reforça a sensação de fim inevitável. 

17. Im Dorfe (Na aldeia) 

Enquanto os aldeões dormem, o viajante continua sua jornada. O contraste entre o descanso dos outros e sua própria vigília é doloroso. O piano sugere o som dos cães que latem e das correntes que se agitam. É uma canção de exclusão: ele não pertence mais ao mundo dos vivos. 

18. Der stürmische Morgen (Manhã tempestuosa)

Breve e explosiva, esta canção retrata o amanhecer turbulento. O vento e as nuvens são metáforas da tormenta interior. O piano é agitado, quase violento, refletindo o estado emocional do protagonista.

19. Täuschung (Ilusão)

Uma luz distante parece prometer calor e acolhimento. Mas é apenas engano. O viajante reconhece que está sendo iludido, mas mesmo assim segue a luz. A música é mais leve, quase dançante, mas carrega ironia amarga.

20. Der Wegweiser (O guia de caminhos) 

O protagonista encontra uma placa indicando caminhos. Ele escolhe sempre o mais solitário, o que ninguém percorre. É uma metáfora clara de sua decisão de se afastar definitivamente da vida social. O piano cria uma atmosfera de resignação e inevitabilidade. 

21. Das Wirtshaus (A estalagem) 

O viajante chega a uma estalagem, mas percebe que é um cemitério. Os portões convidativos são, na verdade, túmulos. Ele deseja descansar ali, mas não é aceito. A música é lenta, quase um coral fúnebre, reforçando a ideia de exclusão até mesmo da morte. 

22. Mut! (Coragem!)

Um momento surpreendente: o viajante tenta se animar, cantarolando com energia. Mas é uma coragem artificial, quase desesperada. O piano é vigoroso, mas sabemos que é apenas uma máscara. A vitalidade aqui é ilusória, como um último lampejo antes da escuridão.

23. Die Nebensonnen (Os sóis ilusórios)

O viajante vê três sóis no céu. Dois desaparecem, restando apenas um. Ele interpreta como metáfora de sua vida: perdeu duas alegrias, resta apenas a dor. A música é lenta, contemplativa, marcada por estranheza. É uma visão alucinatória, quase mística. 

24. Der Leiermann (O tocador de realejo) 

O ciclo termina com uma imagem desoladora: um velho músico de rua, tocando seu realejo sem que ninguém o escute. O viajante se aproxima e pergunta se pode acompanhá-lo. O piano imita o som repetitivo do instrumento, criando uma atmosfera hipnótica. Não há resolução, apenas o vazio. É o fim da jornada, mas não há descanso: apenas a companhia da morte e da solidão.

Considerações finais

A segunda parte de Winterreise é ainda mais radical que a primeira. Se antes havia lembranças e sonhos, agora resta apenas o confronto com a morte e a exclusão definitiva. O protagonista não encontra consolo, nem na natureza, nem nas pessoas, nem na própria morte. 

Schubert transforma essa desesperança em arte sublime. O ciclo inteiro é uma meditação sobre a finitude, mas também sobre a capacidade da música de dar forma ao indizível. Winterreise não oferece respostas, apenas nos coloca diante do abismo. E é justamente por isso que continua a nos fascinar: porque fala daquilo que todos, em algum momento, terão de enfrentar.

 

© Alberto Araújo

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Referências Bibliográficas 

  • MÜLLER, Wilhelm. Winterreise: Ein Zyklus von Liedern. In: ______. 77 Gedichte aus den hinterlassenen Papieren eines reisenden Waldhornisten. Leipzig: Brockhaus, 1824–1827.

  • SCHUBERT, Franz. Winterreise, Op. 89, D. 911. Viena: 1827. Partitura.

  • JOHNSON, Graham. Franz Schubert: The Complete Songs. New Haven: Yale University Press, 2014.

  • YOUENS, Susan. Retracing a Winter’s Journey: Schubert’s Winterreise. Ithaca: Cornell University Press, 1991.

  • SCHAEFFER, Erwin. Schubert’s Winterreise. The Musical Quarterly, v. 34, n. 2, p. 151–168, 1948. Disponível em: <https://www.jstor.org/stable/739292>.

  • WIKIPÉDIA. Winterreise. Disponível em:

  • https://pt.wikipedia.org/wiki/Winterreise (pt.wikipedia.org in Bing). Acesso em: 9 mar. 2026.

  • P.Q.P. BACH. Franz Schubert (1797-1828): Winterreise (Mammel / Schoonderwoerd). Blog PQP Bach, 2022. Disponível em: https://pqpbach.sul21.com.br/ (pqpbach.sul21.com.br in Bing). Acesso em: 9 mar. 2026.



CONVITE ESPECIAL – MÊS DA MULHER MULHERES QUE INSPIRAM, LIDERANÇAS QUE TRANSFORMAM - ROTARY CLUB DE NITERÓI NOVOS TEMPOS - PRESIDENTE ANGELA RICCOMI

O Rotary Club de Niterói Novos Tempos tem a honra de convidar você para uma noite memorável em celebração ao Mês da Mulher. No dia 17 de março de 2026, terça-feira, às 19h30min, no elegante espaço da Whisqueria do Clube Central, onde será realizada uma reunião festiva com coquetel, dedicada a reconhecer e homenagear o papel transformador das mulheres na sociedade. 

O encontro contará com a presença especial de Fernanda Sixel Neves, personalidade de destaque que traz consigo uma trajetória marcada pela inspiração, pela liderança e pelo compromisso com causas que promovem desenvolvimento humano e social. 

O investimento para participação é de R$ 65,00, com chave Pix: vindio8355@gmail.com 

SOBRE A PALESTRANTE – FERNANDA SIXEL NEVES

Fernanda Sixel Neves é uma mulher que a sua história se entrelaça com a própria ideia de liderança transformadora. Reconhecida por sua atuação em projetos voltados ao fortalecimento da presença feminina em espaços de decisão, Fernanda tem se dedicado a fomentar ambientes inclusivos, onde a diversidade é vista como motor de inovação e progresso.

Sua trajetória é marcada por conquistas que vão além do âmbito profissional: Fernanda é referência em inspirar outras mulheres a acreditarem em seu potencial, a ocuparem espaços de relevância e a exercerem sua voz com firmeza e sensibilidade. Sua fala é sempre pautada pela valorização da ética, da solidariedade e da coragem de transformar realidades. 

Ao longo dos anos, Fernanda tem participado de iniciativas que unem educação, empreendedorismo e cidadania, demonstrando que o verdadeiro impacto de uma liderança não se mede apenas por resultados imediatos, mas pela capacidade de gerar mudanças duradouras e significativas.

Sua presença neste evento simboliza o compromisso do Rotary em destacar exemplos que iluminam caminhos e incentivam novas gerações a seguirem adiante com confiança e determinação.

O ROTARY CLUB DE NITERÓI NOVOS TEMPOS

Fundado com o propósito de ser um agente de transformação comunitária, o Rotary Club de Niterói Novos Tempos tem se consolidado como um espaço de encontro entre pessoas que compartilham valores de ética, serviço e solidariedade.

Sob a presidência de Ângela Riccomi, o clube vive um momento de renovação e fortalecimento. Ângela tem conduzido sua gestão com sensibilidade e firmeza, promovendo ações que unem tradição e inovação. Sua liderança é marcada pela valorização da diversidade, pelo incentivo ao protagonismo feminino e pela busca constante de projetos que impactem positivamente a comunidade de Niterói e região. 

O Rotary Novos Tempos acredita que cada reunião é mais do que um encontro social: é uma oportunidade de construir pontes, de ampliar horizontes e de reafirmar o compromisso com o lema rotário de “Dar de Si Antes de Pensar em Si”. 

Entre os projetos recentes, destacam-se iniciativas voltadas para educação, saúde comunitária e apoio a famílias em situação de vulnerabilidade. A gestão de Ângela Riccomi tem buscado integrar o clube às demandas contemporâneas, reforçando a importância de se pensar globalmente e agir localmente. 

O evento “Mulheres que inspiram, lideranças que transformam” não é apenas uma homenagem: é um convite à reflexão sobre o papel das mulheres na construção de uma sociedade mais justa e equilibrada. É também uma oportunidade de confraternização, de troca de experiências e de fortalecimento dos laços que unem os membros do Rotary e a comunidade. 

Ao reunir pessoas em torno de uma causa tão significativa, o Rotary Club de Niterói Novos Tempos reafirma sua missão de ser um espaço de diálogo, de aprendizado e de ação concreta. 

INFORMAÇÕES PRÁTICAS

Data: 17 de março de 2026, terça-feira.

Horário: 19h30min

Local: Whisqueria do Clube Central, Icaraí, Niterói.

Investimento: R$ 65,00

Pix: vindio8355@gmail.com

Este convite é mais do que uma chamada para um evento: é uma celebração da força feminina, da liderança transformadora e do compromisso comunitário. Ao participar, você se torna parte de uma rede que acredita no poder da inspiração e da ação coletiva. 

Brinde conosco ao Mês da Mulher, ouvir as palavras de Fernanda Sixel Neves e compartilhar da energia positiva que move o Rotary Club de Niterói Novos Tempos sob a presidência de Ângela Riccomi.

© Alberto Araújo

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CARNAVAL 2026 MARCA VIRADA NO TURISMO DE LUXO NO RIO

O Carnaval deste ano não apenas brilhou nas avenidas, mas também redefiniu o papel do Rio de Janeiro no cenário global do turismo de alto padrão. Segundo dados da EMBRATUR, mais de 300 mil estrangeiros desembarcaram no Brasil durante os dias de festa, um salto de 17% em relação ao ano anterior. O impacto foi imediato: hotéis de luxo registraram ocupação recorde e o setor de hospitalidade carioca ganhou novo fôlego. 

Entre os destaques está o Hotel Nacional, ícone modernista projetado por Oscar Niemeyer e com jardins de Roberto Burle Marx. O empreendimento, localizado em São Conrado, registrou crescimento de 35% na procura por hóspedes internacionais durante o período. Para muitos visitantes, a escolha reflete o desejo de unir a intensidade do Carnaval com a exclusividade de um refúgio sofisticado, capaz de oferecer silêncio, segurança e experiências personalizadas. 

Maurício Júnior, gerente geral do hotel, explica que o perfil do turista mudou: “O visitante internacional busca viver o Carnaval com intensidade, mas também valoriza a possibilidade de descansar em um ambiente de alto padrão. Nosso papel é oferecer essa transição perfeita entre a energia da Sapucaí e o conforto de um espaço exclusivo.” 

O Rio concentrou cerca de 110 mil visitantes estrangeiros, o que representa mais de um terço do total nacional. Além da festa, pesquisas apontam que o ticket médio dos turistas aumentou, impulsionando setores como gastronomia, transporte e bem-estar. A permanência média também cresceu: hoje, os hóspedes ficam entre cinco e sete dias, aproveitando serviços bilíngues, culinária autoral e infraestrutura completa.

O movimento confirma que o Brasil deixou de ser apenas destino sazonal. A combinação de arte, natureza e hospitalidade reposiciona o país como referência no chamado luxo contemporâneo, baseado em autenticidade e experiências únicas. No caso do Hotel Nacional, o aumento de 16% na ocupação por estrangeiros ao longo de 2025 mostra que o interesse vai além da temporada festiva. 

Com isso, o Rio de Janeiro se consolida não apenas como porta de entrada do turismo internacional, mas como protagonista de uma nova fase da hospitalidade de luxo. Regiões como São Conrado ganham espaço frente a bairros tradicionais, atraindo viajantes que buscam privacidade e sofisticação em meio à paisagem carioca.

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09 DE MARÇO DE 2026 – 526 ANOS DA PARTIDA DA ARMADA DE PEDRO ÁLVARES CABRAL - EFEMÉRIDES – FOCUS PORTAL CULTURAL

Em 9 de março de 2026, celebram-se os 526 anos da partida da armada de Pedro Álvares Cabral de Lisboa, Portugal. O episódio, ocorrido em 1500, é um dos marcos mais relevantes da Era dos Descobrimentos e da história mundial, pois resultou no “achamento” do Brasil em 22 de abril daquele ano. 

Na manhã de 9 de março de 1500, após missas e cerimônias de despedida, treze embarcações deixaram o Rio Tejo rumo ao Oriente. A frota reunia mais de mil homens, entre marinheiros, soldados, religiosos, intérpretes, boticários e degredados. O comando estava nas mãos de Pedro Álvares Cabral, fidalgo da Casa Real, escolhido por D. Manuel I para liderar a expedição. 

A missão principal era estabelecer relações comerciais com a Índia, seguindo a rota de Vasco da Gama, mas a expedição também tinha ordens para averiguar as possibilidades de Portugal no Atlântico Oeste. 

Contudo, a Coroa também havia determinado que Cabral explorasse as possibilidades do Atlântico Oeste, em consonância com o Tratado de Tordesilhas (1494), que dividia o mundo entre Portugal e Espanha. 

Para evitar as calmarias da costa africana, a frota realizou a chamada “volta do mar”, navegando em direção ao sudoeste. Essa manobra, fruto da experiência náutica portuguesa, levou os navios a se afastarem da rota prevista e, após 44 dias de viagem, avistarem terras desconhecidas para os europeus. 

Em 22 de abril de 1500, a armada avistou o Monte Pascoal, no sul da Bahia. O encontro com o território que viria a ser chamado Brasil inaugurou a presença portuguesa no Novo Mundo. A expedição permaneceu alguns dias na região, estabelecendo contato com os povos indígenas e celebrando a primeira missa em solo brasileiro, antes de prosseguir viagem rumo ao Oriente. 

A armada de Cabral era composta por naus e caravelas, embarcações robustas que transportavam não apenas homens de armas, mas também religiosos, intérpretes e degredados. Essa diversidade de tripulantes refletia o caráter multifuncional das expedições portuguesas: militares, comerciais, diplomáticas e missionárias. 

Após cumprir sua missão na Índia, a frota regressou a Lisboa em julho de 1501, mais de um ano depois da partida. A viagem consolidou a presença portuguesa tanto no Oriente quanto no Ocidente, ampliando o alcance da expansão marítima e reforçando o papel de Portugal como potência global do século XVI.

Passados 526 anos, a partida da armada de Pedro Álvares Cabral continua a ser lembrada como um divisor de águas. Embora o objetivo inicial fosse a Índia, o encontro com o Brasil transformou-se em um dos acontecimentos mais significativos da história luso-brasileira. Foi o prelúdio de séculos de colonização, miscigenação e formação cultural que moldaram a identidade do país. 

O 9 de março de 1500 não foi apenas o início de uma viagem marítima: foi o ponto de partida de uma transformação global. Ao recordar esta efeméride em 2026, compreendemos que a ousadia da armada de Cabral simboliza o espírito aventureiro de Portugal e o início de uma nova etapa da história mundial. 

© Alberto Araújo

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HOMENAGEM ÀS MULHERES DA CASA BRASILEIRA DE LIVROS



Às mulheres que transformam palavras em encanto e mantêm viva a magia da literatura: nosso feliz Dia da Mulher! 🌷📚

 

domingo, 8 de março de 2026

ABERTURA DO ANO ACADÊMICO DA ACADEMIA FLUMINENSE DE LETRAS - PRESIDENTE MARCIA PESSANHA


SOLENIDADE DE ABERTURA DO ANO ACADÊMICO DA ACADEMIA FLUMINENSE DE LETRAS 

Na manhã de 07 de março de 2026, a Academia Fluminense de Letras (AFL), sob a presidência da acadêmica Márcia Pessanha, realizou a solenidade de abertura de suas atividades acadêmicas, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. 

A ocasião foi marcada por momentos de emoção e confraternização, reforçando o compromisso da AFL em promover a cultura e valorizar a diversidade de vozes que compõem o cenário literário fluminense. 

A presidente deu início à sessão com o discurso “A ciranda das mulheres sábias”, seguido pela fala de Micaela Costa (FAN), que destacou a relevância da mulher empreendedora na área cultural. A palestra de Sol de Paula, sobre a presença da mulher negra na literatura, foi calorosamente aplaudida, trazendo à memória nomes como Maria Firmina dos Reis, Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo, entre outras. 

Matéria completa no link:

https://focusportalcultural.blogspot.com/2026/03/solenidade-de-abertura-do-ano-academico.html





DON'T CRY FOR ME ARGENTINA - THE MAESTRO & THE EUROPEAN POP ORCHESTRA

NESSUN DORMA - NATHAN PACHECO E CORO DO TABERNÁCULO

(Clicar na imagem para assistir ao vídeo)

Assista a este momento de pura elevação artística e espiritual onde o tenor Nathan Pacheco se une ao Coro do Tabernáculo na Praça do Templo para interpretar a célebre ária “Nessun Dorma”, durante a turnê Canções de Esperança no Brasil. 

Realizada em São Paulo, esta apresentação une a potência da música clássica à grandiosidade do Coro. Como compartilhado por Nathan, esta obra representa a fé e a determinação em superar obstáculos, transmitindo uma mensagem de coragem que ressoa profundamente no coração de quem ouve.



 

ACADEMIA CARIOCA DE LETRAS - UM SÉCULO DE CULTURA E A VOZ DE ADRIANO ESPÍNOLA - SOLENIDADE DE POSSE DA NOVA DIRETORIA


No dia 04 de março de 2026, quarta-feira o Salão Nobre do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro foi palco de uma cerimônia que uniu tradição e renovação: a posse da nova diretoria da Academia Carioca de Letras (ACL). O evento, marcado por música, poesia e celebração, inscreveu-se na história cultural da cidade do Rio de Janeiro como um prelúdio das comemorações do centenário da instituição, fundada em 1926 e hoje consolidada como uma das mais importantes casas literárias do país. 

A cerimônia não se limitou ao protocolo. Houve recital de música popular, dirigido pelo historiador e músico Leonardo Santana, seguido de um coquetel que reforçou o caráter de confraternização entre escritores, professores, críticos e intelectuais. A nova diretoria, que conduzirá a ACL em seu ano centenário, é presidida pelo poeta e professor Adriano Espínola, tendo como vice-presidente o professor Paulo Alonso. Os historiadores Paulo Roberto Pereira e Leonardo Santana assumem a secretaria, enquanto a escritora e professora Luiza Lobo dirige a biblioteca. A revista da Academia passa a ser conduzida pelo professor Eduardo Coutinho. 

A Academia Carioca de Letras chega ao seu centenário com uma nova diretoria liderada por Adriano Espínola, poeta e professor cuja trajetória literária e acadêmica reflete o espírito da instituição. A solenidade de posse, marcada por música e confraternização, simbolizou a continuidade de uma tradição que, desde 1926, vem fortalecendo a cultura literária nacional. 

A Academia Carioca de Letras nasceu em 08 de abril de 1926, inicialmente sob o nome de Academia Pedro II, e em 1929 adotou sua denominação atual. Desde então, tornou-se referência na preservação e difusão da literatura nacional. Sua sede, localizada na Avenida Augusto Severo, no centro do Rio de Janeiro, abriga uma biblioteca de relevância histórica e cultural. Entre seus membros, figuraram nomes que também se tornaram imortais da Academia Brasileira de Letras, como o jurista Pontes de Miranda. A ACL concede ainda o Prêmio Raul de Leoni, que já distinguiu escritores de grande expressão, como o poeta Camillo de Jesus Lima.

O centenário da instituição, a ser celebrado em abril de 2026, não é apenas uma efeméride: é a reafirmação de um compromisso com a cultura literária carioca e brasileira. A ACL, ao longo de sua trajetória, consolidou-se como espaço de diálogo entre tradição e modernidade, entre o cânone e a experimentação. 

A escolha de Adriano Espínola para presidir a ACL em seu centenário é simbólica. Nascido em Fortaleza, em 1952, Espínola construiu uma trajetória marcada pela poesia, pela crítica literária e pelo magistério. Desde os primeiros versos publicados sob o pseudônimo Pedro Gaia, passando por obras como Fala, favela (1981), Trapézio (1984), Táxi (1986) e Beira-Sol (1997), sua produção revela uma busca constante por uma linguagem que una rigor estético e sensibilidade social. 

Professor em universidades brasileiras e estrangeiras, Espínola também se destacou como pesquisador de Gregório de Matos, tema de sua tese de doutorado e do livro As artes de enganar (2000). Sua obra circula internacionalmente, com traduções para o inglês e o francês, e já foi premiada pela Fundação Biblioteca Nacional e pela Academia Brasileira de Letras. Em 2011, ingressou na própria ACL, onde agora assume a presidência.

A posse de Espínola representa mais do que uma mudança administrativa: é a reafirmação da vocação da ACL como espaço de resistência cultural em tempos de transformações sociais e tecnológicas. Ao unir tradição e inovação, a Academia reafirma seu papel de resguardadora da língua e da literatura, mas também de promotora de novos debates e perspectivas. 

O centenário da ACL, sob a liderança de Adriano Espínola, promete ser um marco não apenas para a instituição, mas para a vida cultural do Rio de Janeiro e do Brasil. A cerimônia de março foi apenas o início de um ciclo que se estenderá ao longo de 2026, com eventos, publicações e atividades que celebrarão cem anos de história e projetarão a Academia para o futuro.

 

© Alberto Araújo

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SOLENIDADE DE ABERTURA DO ANO ACADÊMICO DA ACADEMIA FLUMINENSE DE LETRAS - PRESIDENTE MARCIA PESSANHA - FOCUS PORTAL CULTURAL

Na manhã de 07 de março de 2026, a Academia Fluminense de Letras (AFL), sob a presidência da acadêmica Márcia Pessanha, realizou a solenidade de abertura de suas atividades acadêmicas, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. 

A ocasião foi marcada por momentos de emoção e confraternização, reforçando o compromisso da AFL em promover a cultura e valorizar a diversidade de vozes que compõem o cenário literário fluminense. 

A presidente deu início à sessão com o discurso “A ciranda das mulheres sábias”, seguido pela fala de Micaela Costa (FAN), que destacou a relevância da mulher empreendedora na área cultural. 


A palestra de Sol de Paula, sobre a presença da mulher negra na literatura, foi calorosamente aplaudida, trazendo à memória nomes como Maria Firmina dos Reis, Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo, entre outras. 

O evento reuniu acadêmicos, escritores e personalidades do mundo cultural, em uma programação literomusical marcada pela emoção e pela celebração da arte e da literatura. 

COMPOSIÇÃO DA MESA 

José Cícero Nascimento – Diretor de Patrimônio da Biblioteca Parque de Niterói

Jordão Pablo de Pão – Coordenador da Niterói Livros

Sol de Paula – Escritora e palestrante

Micaela Costa – Presidente da Fundação de Artes e Cultura de Niterói

Márcia Pessanha – Presidente da AFL

Matilde Carone Slaibi Conti – Presidente do Elos Internacional

Pedro Caldas – Representante da ANE

Idalina Gonçalves – Real Gabinete Português 

Magda Belloti

Gisela Peçanha


PROGRAMAÇÃO ARTÍSTICA 

Apresentação musical: Gisela Peçanha e Magda Belloti

Declamações: Lúcia Romeu e Gracinha Rego 

Em clima de confraternização, Valéria Gervásio surpreendeu ao levar um bolo para celebrar o aniversário de Márcia Pessanha. 

Após a cerimônia, os convidados participaram de um momento especial de confraternização, com direito a bolo personalizado, simbolizando a abertura festiva do ano acadêmico. A ocasião foi enriquecida pela presença de importantes nomes da cena cultural fluminense, reforçando o papel da AFL como espaço de encontro e valorização da memória literária.

Sob a presidência da escritora Márcia Pessanha, ladeada por uma diretoria composta por nomes de grande expressão intelectual, a Academia segue firme em sua missão de difundir a literatura e fortalecer a vida cultural da cidade e do Estado. A gestão atual tem se destacado pela abertura a novas linguagens e pela valorização da memória, promovendo eventos que unem arte, reflexão e convivência. 

O registro fotográfico foi realizado por Aldo da Silva Pessanha e Christiane Victer, da acadêmica Maria Otilia Camillo e vídeos da jornalista Verônica Oliveira extraídas de seu Instagram captaram com sensibilidade a atmosfera de alegria e relevância cultural vivida na sede da Academia. 

Com esse início vibrante, a Academia Fluminense de Letras dá o tom de suas atividades para 2026, reafirmando-se como espaço de resistência cultural e de celebração da arte, da literatura e da reflexão crítica.

© Alberto Araújo

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(Este arquivo é o slide com as fotos do evento
- aguardar as fotos rolarem)