“A
música está ao nosso redor, a gente só precisa ouvir”
O
filme O Som do Coração (2007), dirigido por Kirsten Sheridan, é uma obra que
mistura drama e fantasia musical para contar a história de Evan Taylor, um
menino prodígio que acredita que pode encontrar seus pais através da música. A
narrativa se constrói como uma versão contemporânea de Oliver Twist, mas com a
música como fio condutor da trama e metáfora central.
O
longa acompanha Evan, que foge do orfanato e parte para Nova York em busca de
seus pais. Sua jornada é marcada por encontros decisivos: o excêntrico Wizard,
que o explora e lhe dá o nome artístico de August Rush; Arthur, um jovem
guitarrista que o introduz ao grupo de crianças músicos; e Hope, que o ajuda a
decifrar a linguagem musical. Paralelamente, seus pais Lyla, uma violoncelista
clássica, e Louis, um guitarrista irlandês também percorrem caminhos de
reencontro, impulsionados pela ausência e pela música.
A
narrativa se apoia fortemente em coincidências, o que pode soar forçado para
alguns espectadores, mas funciona dentro da proposta quase mágica do filme. A
música é apresentada como uma força transcendental, capaz de unir pessoas e
superar barreiras impostas pelo tempo e pela distância.
Evan/August
Rush: interpretado por Freddie Highmore, transmite inocência e intensidade,
tornando crível a ideia de um garoto que “ouve” música em tudo ao seu redor.
Wizard:
vivido por Robin Williams, é um personagem ambíguo, que oscila entre mentor e
explorador, lembrando figuras manipuladoras típicas da literatura clássica.
Lyla
Novacek: Keri Russell dá vida à violoncelista sensível, marcada pela perda e
pela busca.
Louis
Connelly: Jonathan Rhys Meyers encarna o músico apaixonado, dividido entre
carreira e sentimentos.
O
elenco sustenta bem o melodrama, com destaque para a química entre Highmore e
Williams, que dá peso às cenas de exploração e descoberta.
A
trilha sonora é o coração do filme. Desde os sons cotidianos que Evan
transforma em melodia até a grandiosa August’s Rhapsody, apresentada no Central
Park, a música é tratada como linguagem universal e espiritual. O filme sugere
que ela é capaz de guiar destinos e revelar verdades ocultas. Essa abordagem
pode parecer idealizada, mas é justamente o que confere ao longa sua aura
poética.
Sheridan
aposta em uma estética que mistura realismo urbano com toques de fantasia. Nova
York é retratada como um espaço vibrante, onde cada som pode se transformar em
música. A direção valoriza os contrastes: o orfanato rígido versus a liberdade
das ruas, o teatro abandonado versus a sofisticação da Juilliard. Essa
dualidade reforça a ideia de que a música transcende ambientes e classes
sociais.
Busca
pela identidade: Evan procura não apenas seus pais, mas também seu lugar no
mundo.
Poder
da música: apresentada como força mística e transformadora.
Família
e reencontro: o desfecho no concerto simboliza a união através da arte.
Exploração
infantil: Wizard representa o lado sombrio da sociedade, que vê talento como
mercadoria.
O
Som do Coração é um filme que aposta no sentimentalismo e na fantasia para
contar uma história de amor, perda e reencontro. Embora a trama dependa de
coincidências quase improváveis, sua força está na música e na emoção que
transmite. É uma obra que fala diretamente ao coração, especialmente para quem
acredita no poder da arte como elo entre pessoas.
Em
cerca de duas horas, o filme entrega uma fábula moderna sobre esperança e
conexão, deixando como mensagem final que “a música está em tudo ao nosso
redor, basta ouvir”.
ELENCO
Freddie
Highmore - Evan Taylor
Keri
Russell - Lyla Novacek
Jonathan
Rhys Meyers - Louis Connelly
Robin
Williams - Wizard
Terrence
Howard - Richard Jeffries (Assistente Social)
William
Sadler - Thomas Novacek
Jamia
Simone Nash - Hope
Kaki
King - Mãos de Evan Taylor (para todas as partes de viola)
Leon
Thomas III - Arthur
Alex
O'Loughlin - Marshall
MÚSICA
"Break"
Por
Steve Erdody e Jonathan Rhys Meyers
"Moondance"
Escrita
por Van Morrison, cantada por Jonathan Rhys Meyers
"This
Time"
Escrita
por Chris Trapper, cantada por Jonathan Rhys Meyers
"Bari
Improv"
Escrita
por Mark Mancina e Kaki King, cantada por Kaki King
"Ritual
Dance"
Escrita
por Michael Hedges, cantada por Kaki King
"Raise
It Up"
Escrita
por Impact Repertory Theatre, cantada por Jamia Simone Nash e Impact Repertory
Theatre
Nomeada
para um Óscar da Academia para Melhor Canção Original
"Dueling
Guitars"
Escrita
por Heitor Pereira, cantada por Heitor Pereira e Doug Smith
"Something
Inside"
Por
Steve Erdody e Jonathan Rhys Meyers
"Someday"
Escrita
por John Legend
"August's
Rhapsody"
Na
cena final com Lyla e Louis, é tocado Adagio-Moderato por Edward Elgar no Cello
Concerto em E Menor.
Excepto
"Dueling Guitarras", todas as músicas são tocadas pela guitarrista e
compositora americana Kaki King.
O
compositor Mark Mancina esteve a compor mais de um ano e meio para o filme.
"O coração da história é saber como reagir e se conectar através da
música. É sobre este jovem rapaz que acredita que ele vai encontrar os seus
pais através de sua música. Isso é o que o impulsiona." O último tema do
filme foi composto em primeiro lugar. "Dessa maneira eu poderia ter
bocados e partes da peça que terminam e que dizem respeito às coisas que estão
acontecendo na vida da personagem principal. Todos os temas são peças do
puzzle, de modo a que o termo significa alguma coisa". A música foi
gravada no Todd-AO Scoring Stage e no Eastwood Scoring Stage da Warner Bros.
RECEPÇÃO
No
USA Today, Claudia Puig comentou que "August Rush não será para todos, mas
funciona se você entregar o seu sentimentalismo à música." O The Hollywood
Reporter comentou positivamente o filme, escrevendo "a história é sobre o
modo como músicos e a música se conecta pessoas, de modo a que as canções do
filme, criada pelos compositores Mark Mancina e Hans Zimmer, dá um capricho
poético implausível à história."
No
Rotten Tomatoes, 36% dos críticos deram opiniões positivas sobre o filme,
baseadas em 110 opiniões. O consenso foi que "embora apresentando um
elenco talentoso, August Rush não tem uma uma boa direcção nem um enredo muito
consistente." No Metacritic, o filme teve uma pontuação média de 38 em
100, baseadas em 27 opiniões.
Pam
Grady no San Francisco Chronicle chamou o filme de "melodrama
musical." Grady disse que "toda a história é ridícula" e
"as coincidências, comportamento e motivações desafiam a lógica, e que os
personagens tiram pouco do talento dos actores." Edward Douglas no
comingsoon.net disse: "não demorou muito para o filme para se revelar como
de previsto".
Roger
Ebert deu ao filme três estrelas, chamando-o de "um filme embebido em
sentimentalismo, mas que é supostamente ser assim".
O
filme foi comparado com Oliver Twist.
Shawn
Johnson utilizou a música "August's Rhapsody" durante seu desempenho
no exercício Floor, nos Jogos Olímpicos de Verão de 2008.
FONTE
Wikiwand
– August Rush.
Informações gerais sobre produção, elenco, direção e contexto do filme. Inclui
dados técnicos e históricos.
Pedro
Paulo da Cruz; Richard Perassi Luiz de Souza; Luciane Maria Fadel. O som como mediação narrativa no cinema: remidiação sonora e seus limites no filme August Rush.
Revista Comunicação Mídia e Consumo, v. 23, 2026. Estudo acadêmico que analisa
como a trilha sonora e os sons ambientes funcionam como elementos narrativos
centrais no filme.
IMDb
– August Rush (2007).
Base de dados internacional de cinema com informações sobre elenco, equipe
técnica, curiosidades e recepção crítica.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural







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