terça-feira, 28 de abril de 2026

SOLENIDADE DE POSSE DA NOVA DIRETORIA DA ACADEMIA FLUMINENSE DE LETRAS PARA O BIÊNIO 2026-2028

Na manhã marcada pelo encontro entre a solenidade institucional e a leveza das artes, a Academia Fluminense de Letras (AFL) realizou, dia 28 de março de 2026, a sessão solene de posse de sua Diretoria para o biênio 2026-2028. Sob a liderança da acadêmica Márcia Pessanha, que assume a presidência, o evento transformou o Salão Oficial da sede histórica, na Praça da República, em um epicentro de celebração da identidade cultural fluminense. 

A cerimônia, iniciada às 10h30min, transcendeu o protocolo administrativo. O casarão centenário, que abriga a memória intelectual do Estado do Rio de Janeiro, foi palco de um "Momento Poético" sensível, protagonizado por poetisas. Em jograis e declamações individuais, a força da palavra escrita ganhou corpo e voz, reafirmando que a AFL permanece pulsante e conectada ao seu propósito primordial: a imortalidade do pensamento e da criação literária. 

A atmosfera de reverência à cultura foi amplificada pela apresentação musical do Coral Cantate Diem. Com um repertório que dialogou com a importância do evento, as vozes do coro preencheram o Salão Oficial, proporcionando uma moldura sonora à altura da trajetória da instituição. 

Mais do que a oficialização de um novo corpo diretivo, a posse de Márcia Pessanha e seus pares representa um marco estratégico para a AFL. Reconhecida como Patrimônio Imaterial Cultural de Niterói, a Academia enfrenta o desafio de equilibrar sua herança centenária com as demandas do século XXI. 

Em seu discurso, a tônica foi a reafirmação do compromisso com a preservação da memória literária e o estímulo constante à produção intelectual contemporânea. A nova gestão sinaliza uma abertura para o diálogo, posicionando a casa não apenas como um arquivo do passado, mas como um espaço vivo de reflexão, criação e difusão cultural.

"A AFL segue como resguardadora da palavra e da arte, celebrando a literatura fluminense em sua plenitude e fortalecendo o diálogo entre a tradição e a contemporaneidade." 

Ao longo das décadas, a Academia Fluminense de Letras consolidou-se como o porto seguro das letras no estado. A solenidade do último sábado reforça essa vocação, unindo acadêmicos, autoridades e entusiastas da cultura em torno de um objetivo comum: a manutenção de um espaço onde a erudição e a sensibilidade caminham juntas. 

Com a nova diretoria agora oficialmente instalada, a expectativa é de um biênio de intensa atividade cultural, concursos literários e projetos que aproximem ainda mais a instituição da sociedade civil, honrando o título de guardiã da inteligência fluminense.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural





O VIGOR DAS LETRAS PIAUIENSES: O NOVO FLORESCER SOB O SOL DO EQUADOR - 5 AUTORES PIAUIENSES - HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL

 

Há uma força vibrante percorrendo as veias da literatura piauiense contemporânea. O que se observa hoje, entre as margens do Parnaíba e a imensidão do sertão, não é apenas uma produção literária isolada, mas o desabrochar de um verdadeiro Renascimento Intelectual Brasileiro. Uma geração de escritores que, com profundidade e rigor, está resgatando a conexão entre a alta cultura e a alma nacional. 

Nesta nova safra de talentos, a escrita é entendida como uma ponte para o sublime. São autores que, munidos de uma erudição rara e um olhar atento às raízes da nossa civilização, transformam o Piauí em um polo de renovação da inteligência. Eles não apenas narram histórias; eles iluminam o pensamento, unindo a tradição clássica aos desafios da contemporaneidade. 

Apresentamos os cinco pilares dessa estrutura literária que está redefinindo o que significa ser um intelectual no Brasil contemporâneo.

1 - MILTON GUSTAVO VASCONCELOS: A METAFÍSICA NO GOLPE DO RINGUE 

O reconhecimento nacional não é por acaso. Com "O Deus oculto no canto do córner", Milton Gustavo Vasconcelos alcançou o posto de semifinalista do Prêmio Jabuti 2024. Mas além das honrarias, sua obra é um mergulho profundo na condição humana. Utilizando o boxe como metáfora central, Milton não escreve apenas sobre o esporte, mas sobre a luta espiritual do homem. O "canto do córner" é o lugar do isolamento, da reflexão e do confronto com o invisível. É um romance que resgata a densidade psicológica e a busca pelo sentido em meio ao embate brutal da existência.


2. ALEXANDRE BACELAR MARQUES: A TEOLOGIA DA POLÍTICA 

Em um cenário onde o debate político costuma ser superficial, Alexandre Bacelar Marques eleva o nível com "A Religião de Carl Schmitt: verdade cristã, autoridade letrada e o poder do Estado no século XX". A obra de Bacelar é um esforço hercúleo de erudição. Ele disseca as tensões entre a fé e o poder, investigando como os fundamentos do cristianismo moldaram e, por vezes, entraram em rota de colisão com a autoridade estatal moderna. É um livro fundamental para quem deseja compreender as raízes teológicas da política ocidental, fugindo das fórmulas prontas do ativismo contemporâneo.

 

3. RANIERI RIBAS: A CLARIDADE DO ENIGMA DRUMMONDIANO 

Carlos Drummond de Andrade é um dos gigantes da nossa literatura, mas Ranieri Ribas consegue o que poucos fazem: iluminar a sombra filosófica do poeta. Em "Drummond e a poesia do pensamento em claro enigma", Ribas propõe uma leitura que vai além da rima. 

Ele identifica em Drummond o "pensamento em claro enigma", uma busca pela inteligência que não se contenta com o óbvio. Ribas analisa a poesia como um ato de conhecimento, um exercício de renovação da inteligência brasileira que encontra na tradição poética o fôlego necessário para interpretar o presente.

4. VICTOR BRUNO: O DECIFRADOR DO TRADICIONALISMO 

René Guénon é, talvez, uma das figuras mais complexas e enigmáticas da filosofia do século passado. Victor Bruno assume a missão de desvendar essa esfinge em "René Guénon Revelado: vida e obra de um enigma do século XX". 

O autor piauiense conduz o leitor pelos labirintos do Tradicionalismo e da crítica à modernidade. Em um mundo que parece ter perdido a bússola espiritual, o trabalho de Victor Bruno atua como um farol, resgatando as ideias de um autor que defendeu a primazia do sagrado e das verdades eternas sobre o materialismo efêmero.


5. CAIO SILAS ALVARENGA: A RESSURREIÇÃO DA EPOPEIA 

Se a modernidade abandonou as formas clássicas, Caio Silas Alvarenga decidiu restaurá-las com uma audácia técnica impressionante. "Heracleia: epopeia em versos hexâmetros" não é apenas uma releitura dos doze trabalhos de Hércules; é um monumento linguístico. 

Escrever em hexâmetro dactílico, o ritmo da Ilíada e da Odisseia, em plena língua portuguesa contemporânea é uma prova de domínio intelectual absoluto. Caio Silas não apenas narra o mito; ele o faz vibrar na cadência dos antigos, provando que a tradição clássica grega permanece viva e capaz de dialogar com a alma brasileira. 

Estes autores representam uma geração que despertou para o que de melhor o conhecimento humano produziu. Eles não apenas escrevem; eles restauram o tecido da nossa civilização através da palavra.

O que une esses cinco nomes não é apenas a origem geográfica, mas a coragem de ser "intransigente" com a mediocridade. Eles são os filhos de uma terra que aprendeu a extrair beleza do que é difícil. Ao honrar o legado da Civilização Cristã e a herança clássica, eles colocam o Piauí no centro de uma nova elite intelectual brasileira, uma elite que não se mede por títulos vazios, mas pela profundidade de sua busca pelo que é eterno. 

Estamos diante de uma primavera do espírito. Louvemos esses escritores que, entre a filosofia, a história e a poesia, renovam nossa capacidade de pensar e de sentir o mundo em sua plenitude. 

O FOCUS PORTAL CULTURAL. Celebrando a arte, a erudição e o renascimento da nossa cultura. Nossas mais profundas saudações e congratulações a estes expoentes que elevam o nome do Piauí e do Brasil ao patamar das grandes letras universais. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural




UM ENCONTRO IMPERDÍVEL COM A GRANDE POESIA BRASILEIRA!

Antonio Carlos Secchin lança novo livro de poemas, "Desmentir", com recital na ABL. 

No dia 5 de maio de 2026, terça-feira, o imortal Antonio Carlos Secchin lança sua mais nova obra, "Desmentir". O evento acontece no icônico Petit Trianon, sede da Academia Brasileira de Letras, e promete ser um marco no calendário literário de 2026.

Confira a programação:

16h: Palestra exclusiva com o autor.

17h30min: Lançamento oficial e sessão de autógrafos.

O destaque da tarde fica por conta de um recital especial, onde os acadêmicos da ABL darão voz aos novos poemas de Secchin. Venha celebrar a literatura em uma tarde de celebração e arte.

Local: Petit Trianon (Sede da ABL) - Rio de Janeiro.

Entrada: Gratuita.

Marque aqui aquele amigo que não perde um bom evento cultural!

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural



TV CULTURA COMEMORA O DIA INTERNACIONAL DO JAZZ COM TRIBUTO A CYRO PEREIRA CONCERTO DA BRASIL JAZZ SINFÔNICA DESTACA OBRAS DO MAESTRO E PROGRAMAÇÃO RESGATA O CLÁSSICO JAZZ BRASIL

Quinta-feira, 30 de abril de 2026, em celebração ao Dia Internacional do Jazz, a TV Cultura exibe um concerto da Orquestra Brasil Jazz Sinfônica em homenagem a Cyro Pereira, fundador e maestro da orquestra, além de pianista, arranjador e regente. A apresentação vai ao ar às 23h30min. 

Sob a regência de João Maurício Galindo, maestro da Brasil Jazz Sinfônica e profundo conhecedor do legado construído pela orquestra ao longo de sua trajetória, o concerto apresenta exclusivamente composições autorais do homenageado. São obras que dialogam com a tradição da MPB, do choro, do samba e de outros gêneros brasileiros, indo além do arranjo: são peças originais, criadas a partir da escuta atenta e da admiração pelos grandes nomes da música brasileira.

No repertório, estão canções como Ventania, Valsas Paulistas e Tristonha, que revelam o lirismo e a sofisticação harmônica de Cyro Pereira; Poema para Tom, tributo dedicado a Tom Jobim; Paganini no Frevo e Valsa Brilhante, que evidenciam o virtuosismo e o humor do compositor, que transita com naturalidade entre a escrita erudita e a espontaneidade popular. Completam o programa peças que se tornaram marca registrada de seu universo sonoro, como Saca Buxa, Prelúdio em E, Aquarela de Sambas e O Fino do Choro 1. 

Ainda em comemoração ao Dia Internacional do Jazz, na sexta-feira, 1º de maio, a TV Cultura exibe Jazz Brasil, programa apresentado por Zuza Homem de Mello e gravado no Teatro Franco Zampari entre 1989 e 1990, na faixa Cultura Memória. A atração reunia grandes nomes da música brasileira, com shows, entrevistas, informações sobre suas carreiras e depoimentos de amigos. 

Fonte: imprensa@tvcultura.com.br 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 

 


O ALICERCE DA ETERNIDADE - UMA ODE AOS ESCULTORES DO AMANHÃ - HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL NO DIA MUNDIAL DA EDUCAÇÃO

A educação não é um sistema de engrenagens frias, nem o simples cumprimento de currículos dispostos em papéis amarelados pelo tempo. Ela é, em sua essência mais pura, um ato de coragem e uma das mais belas formas de amor à humanidade. Neste 28 de abril, o Focus Portal Cultural ergue sua voz para saudar aqueles que, em cada canto deste planeta, dedicam a vida à tarefa hercúlea e divina de despertar consciências: os educadores. 

Falar de educação é falar de travessia. É o movimento constante de retirar o ser humano da margem do desconhecimento e guiá-lo, com mãos firmes e olhar generoso, em direção ao oceano vasto das possibilidades. O educador é o navegador que não teme a tempestade da ignorância, pois sabe que cada palavra dita, cada conceito explicado e cada livro aberto é uma luz que se acende para nunca mais se apagar. Como bem sabemos, a palavra escrita e o saber compartilhado são as únicas ferramentas capazes de vencer a finitude do tempo. 

Celebrar o Dia Mundial da Educação, data instituída no histórico Fórum Mundial em Dakar é recordar que o compromisso de ensinar ultrapassa as paredes das salas de aula. O educador que felicitamos hoje é aquele que entende que a verdadeira alfabetização não se limita ao domínio do código escrito, mas sim à "alfabetização da alma". É ensinar a ler o mundo, a interpretar o silêncio, a questionar o estabelecido e a buscar a beleza na complexidade da cultura e das artes. 

Neste cenário global de transformações aceleradas, onde a informação corre veloz, mas a sabedoria muitas vezes se perde no caminho, o mestre surge como o curador da verdade. É ele quem ensina o jovem e o adulto a discernir entre o ruído e a música, entre o fato e a ficção. No Focus Portal Cultural, onde diariamente celebramos a literatura, a poesia e as artes plásticas, reconhecemos que nada disso existiria sem a base sólida lançada por um professor. Cada cronista, cada acadêmico e cada poeta que hoje encanta o mundo foi, um dia, uma semente cuidada por um educador atento. 

Não existe cultura sem educação, e não há educação que não seja, em si, um ato cultural. O educador é o guardião da nossa memória coletiva. É através dele que os grandes nomes da nossa história continuam vivos. Quando um professor recita um verso ou analisa uma obra clássica, ele está operando um milagre: ele está fazendo o passado dialogar com o futuro. 

Felicitamos hoje os educadores que, mesmo diante de desafios imensos, de carências materiais ou do desinteresse institucional, não permitem que a chama da curiosidade se apague. Aqueles que veem em cada aluno não um receptáculo de informações, mas um universo em expansão. O impacto de um mestre é imensurável; ele ecoa por gerações. Uma frase dita com carinho pedagógico pode ser o diferencial entre o desistir e o conquistar. 

O Focus Portal Cultural, ao saudar os educadores do planeta, reafirma sua crença de que a educação é o único caminho para a paz e para a equidade. Enquanto houver uma criança sem acesso ao livro, uma escola sem o devido brilho ou um professor desvalorizado, nossa missão estará incompleta. A educação é o direito de ser livre, de ter voz e de construir o próprio destino.

Que este 28 de abril seja mais do que uma celebração de calendário. Que seja um manifesto de reconhecimento. Aos mestres das grandes metrópoles, aos professores das pequenas aldeias, aos acadêmicos que refinam o pensamento e aos alfabetizadores que dão o primeiro sopro de liberdade intelectual: recebam o nosso mais profundo respeito e admiração. 

Vocês são os verdadeiros editores do futuro. Cada mente que vocês tocam é um novo capítulo que se escreve na história da civilização. O saber é a nossa maior herança, e vocês são os seus mais nobres distribuidores. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

Compromisso com o saber,

com a arte e com a eterna jornada do conhecimento.








CRÉDITOS DAS IMAGENS: PINTEREST







 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

PARALELAS, ENTRE LETRAS E TELAS: A ALQUIMIA LITERÁRIA E VISUAL DE MARLI MARINHO - CRÔNICA JORNALÍSTICA CULTURAL © ALBERTO ARAÚJO

 

O jornalismo cultural, em sua essência mais nobre, tem o dever de registrar não apenas o fato, mas a alma da notícia. No último dia 08 de março, data em que o calendário mundial se curva à força e ao protagonismo das mulheres, o cenário literário brasileiro testemunhou um renascimento: o lançamento virtual de "Paralelas, Entre Letras e Telas". Esta obra, embora marque a estreia de Marli Marinho em um projeto solo, carrega consigo a densidade de décadas de uma produção intelectual e artística incansável. 

Diferente de obras que nascem do impulso efêmero, "Paralelas" é o resultado de uma vida inteira dedicada à observação sensível do mundo. Marli Marinho revisita seu interior para colher frutos de todas as suas estações, da efervescência da infância à serenidade da maturidade. A autora nos revela que este projeto é uma compilação de poemas, contos e crônicas que começaram a ser desenhados aos 14 anos de idade. São textos que foram peneirados, revisitados e pontilhados, ganhando agora a maturidade necessária para enfrentar a apreciação do público e da crítica. 

A decisão de lançar a obra no Dia Internacional da Mulher não foi meramente simbólica; foi um ato de afirmação. Em um mundo que muitas vezes silencia as vozes femininas, Marli ergue sua voz através da escrita, oferecendo o que chama de "sua contribuição ao mundo". A obra reflete temas universais como a fé, a contemporaneidade e as nuances do cotidiano, sempre sob uma ótica que mescla a técnica do jornalismo cultural com a liberdade da lírica poética. 

O título "Paralelas" não é fortuito. Ele descreve perfeitamente a trajetória de uma mulher que nunca permitiu que seus talentos fossem excludentes. Como artista plástica e escritora, Marli Marinho opera em uma zona de convergência onde a cor encontra o verbo. A capa do livro é o exemplo máximo dessa simbiose: um design magistral assinado por seu filho, Mikael Marinho, criado a partir de uma arte do acervo pessoal da própria autora. É o amor filial e a admiração mútua materializados em papel. 

Além disso, a obra contou com a sensibilidade de Di Virtuoso na diagramação, um trabalho que exigiu meses de partilha afetiva e trocas intelectuais. Essa colaboração feminina, nascida em meio a viagens e desafios de saúde, reforça o espírito de resiliência que permeia cada página de "Paralelas". 

Falar de Marli Marinho é falar de uma intelectualidade plural. Doutora Honoris Causa em Literatura e pela Academia Brasileira de Belas Artes (ABBA), sua formação abrange áreas que, à primeira vista, poderiam parecer distantes, mas que nela se encontram em harmonia, ela transita entre a academia e a arte com a mesma fluidez com que maneja as palavras. Teóloga com pós-graduação em Neurociências e Inteligência Socioemocional, Marli aplica o rigor científico e a profundidade espiritual em sua escrita. Essa bagagem permite que seus textos alcancem camadas da alma humana que a literatura convencional raramente toca.

Sua atuação como Embaixadora da Paz pela OMDDH e diretora financeira do Núcleo Cultural da Rede Sem Fronteiras de Niterói sob a liderança de Matilde Carone Slaibi Conti demonstra seu compromisso inabalável com a gestão da cultura e a promoção social. Marli não é apenas uma espectadora do tempo; ela é uma operária da arte, presente em mais de 30 antologias, muitas delas best-sellers, o que torna este lançamento solo um evento de extrema relevância para a historiografia literária contemporânea. 

Em suas palavras, Marli expressa profunda gratidão àqueles que pavimentaram seu caminho. A memória de seus pais, o apoio incondicional de sua família e a inspiração vinda de seus filhos, Mikael e Ellen Rose, sua primeira leitora, são as âncoras que sustentam este projeto. A obra é, acima de tudo, um hino de gratidão a Deus, a fonte primordial de sua inspiração. 

Embora o lançamento virtual tenha sido um sucesso retumbante, o público aguarda com ansiedade o lançamento físico. Este será o momento do encontro tátil, do autógrafo que sela a conexão entre autor e leitor.

Até lá, "Paralelas, Entre Letras e Telas" já se firma como um marco de superação e beleza no Focus Portal Cultural. 

NOTAS DE RODAPÉ E RECONHECIMENTOS

Data de Lançamento Virtual: 08 de março (Dia Internacional da Mulher)

Composição da Obra: Poemas, contos e crônicas escritos desde os 14 anos

Colaboradores Chave: Mikael Marinho (Capa) e Di Virtuoso (Diagramação)

Afiliação Institucional: Rede Sem Fronteiras de Niterói / ABBA / ALB 

Este texto é uma homenagem à persistência da arte e à força da mulher escritora. 

Editorial: © Alberto Araújo - Focus Portal Cultural





UMA TARDE DE GLÓRIA LITERÁRIA: MARY DEL PRIORE ENCANTA A UBE DO RIO DE JANEIRO

 

No dia 27 de abril de 2026, segunda-feira, a União Brasileira de Escritores (UBE-RJ), sob a presidência de Luiza Lobo, transformou-se no epicentro do debate historiográfico carioca. Em uma tarde marcada pelo refinamento intelectual, a instituição reuniu associados e luminares das letras para uma imersão na vida de uma das figuras mais fascinantes do Brasil colonial: Chica da Silva. 

A palestra magna, intitulada "Chica da Silva: Uma História de Francisca", foi conduzida pela premiada historiadora Mary Del Priore. Com o rigor acadêmico que lhe é peculiar e a fluidez de uma narradora nata, Mary desmistificou lendas e revelou a mulher real por trás do mito do século XVIII.  Baseada em sua obra "Meu Nome é Francisca", a historiadora desmistificou lendas e revelou a mulher real por trás do mito, proporcionando uma análise profunda sobre as relações de poder, raça e gênero no século XVIII. 

O evento ganhou um brilho especial com a participação de personalidades exponenciais da nossa cultura. Entre os presentes, destacaram-se as nossas companheiras Vice-presidente da UBE-RJ, Ana Maria Tourinho, e a Diretora Jurídica da Instituição, Matilde Carone Slaibi Conti. Ambas, que representam a força e a continuidade da tradição literária fluminense, marcaram presença de forma notável, acompanhando de perto o "banquete de saber" oferecido pela premiada historiadora Mary Del Priore. 

O prestígio da tarde foi reforçado pela presença de outras personalidades de relevo, o presidente da Academia Carioca de Letras, Adriano Spinola, o cineasta Julio Lellis. O encontro contou ainda com a participação de Tania Zagury, Leão Zagury, Maria Esther Rodrigues; Edir Meirelles, Juçara Valverde, Regina Guimarães, entre muitos outros nomes da cena cultural. 

A reunião foi também um momento de congraçamento e renovação para a casa. Além da brilhante exposição histórica, a sessão incluiu a cerimônia oficial de boas-vindas aos novos membros, com a entrega de diplomas, e o Reconhecimento de Mérito aos homenageados do ano. 

Os acadêmicos: Márcia Schweizer (Presidente da AJEB-RJ); Marly Lopes, Tchello de Barros, Fernanda Lessa e Guilherme Preger que tomaram posse como titulares, renovando o vigor do nosso solo literário.

Mérito Literário: A literatura de fôlego foi honrada com o Prêmio da Diretoria concedido a Maria Esther Rodrigues, pela obra "Nelson Rodrigues - o autor mais censurado do Brasil" (Edições ITALIAMIGA), e a Jorge Ventura, pela densidade poética de "Libitina – Elegias e alguns infortúnios"; Leslie Aloan com a obra: Profana Tragédia, o autor por motivo de enfermidades Cris Aloan recebeu a honraria. 

O encerramento, em um coquetel exclusivo, permitiu que a troca de ideias e o networking fluíssem entre veteranos e novos sócios, selando uma tarde onde a memória e a amizade caminharam lado a lado. Com a presença ativa de lideranças como Ana Maria Tourinho e Matilde Slaibi Conti, a UBE-RJ reafirma seu papel vital como guardiã da inteligência brasileira.

Créditos das fotos: Ana Maria

Tourinho; Maria Esther Rodrigues e Nina Fernandes. 

Editorial © Alberto Araújo

Diretor Cultural do Elos Internacional

Editor do Focus Portal Cultural 























CHANCE IMPERDÍVEL PARA ARTISTAS E PRODUTORES!

Você tem um projeto cultural na gaveta, mas trava na hora de encarar um edital? Então este convite é para você! 

A equipe da Niterói Livros convida para um encontro fundamental sobre fomento à cultura. A instituição trará para a cidade a aula inaugural da 2ª edição do Curso de Capacitação para Editais Culturais. E o convidado não poderia ser melhor: Thiago Rocha, Secretário Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura do MinC. 

É a oportunidade perfeita para aprender direto da fonte como transformar sua ideia em um projeto vencedor!

DATA: 29 de abril de 2026, quarta-feira, às 18h

LOCAL: Sala Nelson Pereira dos Santos

ENDEREÇO: Av. Visconde do Rio Branco, 880

Entrada: Gratuita

Bônus: Com certificado de horas complementares! 

Não guarde essa informação só para você: marque aqui aquele amigo artista que precisa dar um upgrade na carreira. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural



O ABRAÇO DE FOGO: ENTRE O POST E O ABISMO - CRÔNICA ENSAÍSTA DE © ALBERTO ARAÚJO - A MARINA ZARVOS

 

Nota do Autor: Este texto configura-se como uma réplica literária à postagem de Marina Zarvos. Ao resgatar a carta de Pessoa como eco à efeméride que publiquei, Marina permitiu que este pesquisador mergulhasse mais fundo no "abraço de fogo" que une os poetas e o Criador. 

A era digital possui delicadezas irônicas: verdades eternas costumam surgir em meio ao fluxo de notificações efêmeras. Foi em um desses momentos de "rolagem" distraída que meus olhos pararam em uma postagem de Marina Zarvos, no grupo da Rede Sem Fronteiras. O texto, denso e solene, destoava do imediatismo ruidoso das redes; era Fernando Pessoa debruçado sobre a morte de Mário de Sá-Carneiro. 

A escritora publicou o texto como uma réplica vibrante à efeméride que eu acabara de lançar, marcando os 110 anos do encantamento de Sá-Carneiro, no dia 26 de abril de 2026. A coincidência não foi casual; foi um chamado. Como pesquisador e eterno entusiasta do universo pessoano, senti o impacto familiar daquelas palavras, mas algo me impeliu a ir além do print de tela. 

Fui buscar a fonte original, o rastro de tinta que sobreviveu ao século para entender o peso real daquele tributo publicado na revista Athena, em 1924, oito anos após o fatídico suicídio de Sá-Carneiro em um hotel em Paris. O que Pessoa nos entrega ali não é um mero elogio fúnebre; é uma tese definitiva sobre a maldição de ser excepcional. 

Pessoa abre o texto evocando um preceito da sabedoria antiga: "Morre jovem o que os Deuses amam". Mas ele, o mestre do desdobramento, logo refina essa ideia. Para Pessoa, a morte não é apenas a cessação do pulso, mas o fim do "instinto natural com que se vive". 

Nesta perspectiva, Sá-Carneiro não morreu apenas quando ingeriu o veneno no Hotel Nice; ele já vinha "morrendo a vida" desde que a flor fatal do gênio desabrochou nele. O pesquisador que habita em mim não pode deixar de notar a crueldade desta lógica: os Deuses, ao amarem um homem, tornam-no seu par através da arte. Mas o homem, sendo finito, não suporta o peso da eternidade. O resultado é o que Pessoa chama de "doente da sua ficção". Sá-Carneiro era esse doente. Alguém que "fingia" mundos com tamanha intensidade que o mundo real tornou-se uma roupa apertada, um cenário cinzento e insuportável. 

A crônica de Pessoa estabelece uma hierarquia fascinante sobre como o divino toca o humano. O Herói: Recebe o auxílio dos Deuses por sorte. A luz não está nele, mas sobre ele. 

O Santo: É um cego por misericórdia. Os Deuses o poupam do sofrimento ao não deixarem que ele veja a operação do Destino.

O Gênio: Este é o único que os Deuses verdadeiramente amam. E, por isso, é o único que eles destroem. 

O amor dos Deuses, explica Pessoa, não é humano. Ele se manifesta como um "abraço de fogo". Ao dar ao gênio a sua própria essência, a capacidade de criar, os Deuses condenam o homem a ser um exilado permanente: "par dos Deuses sendo homem, par dos homens sendo deus, exilado ao mesmo tempo em duas terras". 

Ao ler isso, compreendemos a angústia de Sá-Carneiro. Ele não pertencia a Lisboa, não pertencia a Paris, e certamente não pertencia ao cotidiano burocrático dos mortais. Ele habitava o interstício, o vácuo entre a criação e a criatura. 

A parte final do texto de Pessoa, resgatada pela postagem de Marina Zarvos, ganha contornos proféticos se lida em 2026. Pessoa lamenta que, para Sá-Carneiro, além da dor do gênio, houve o peso de ser um inovador. 

Ele compara o amigo a Cassandra, a profetisa que dizia verdades que todos tomavam por mentiras. Pessoa escreve sobre a "barbara terra" e sobre como "as plebes de todas as classes cobrem, como uma maré morta, as ruínas do que foi grande". É uma crítica feroz à mediocridade que, já em 1924, engolia o mundo. 

Pessoa diz que a glória, na modernidade, pertence aos "gladiadores e aos mimos". Em tempos de influenciadores e de busca frenética por curtidas, a frase ecoa com uma força assustadora. O circo, diz ele, alargou seus muros até os confins da terra. Para o gênio autêntico, resta apenas o isolamento ou a morte jovem. 

A citação de Catulo que abre a carta,  "Atque in perpetuum, frater, ave atque vale!" (E para sempre, irmão, saudações e adeus) A famosa citação é o verso final do Carmen 101 do poeta romano Caio Valério Catulo, c. 84–54 a.C.. resume o sentimento de Pessoa. Ele sabia que Sá-Carneiro era o mais brilhante de sua geração, aquele que levou o "fingimento" poético às últimas consequências. 

Ao redigir esta crônica, movido pela provocação de um post em rede social, percebo que a pesquisa do original não foi apenas um exercício acadêmico, mas uma necessidade de resgate. Em um mundo que insiste no barulho, o silêncio de Sá-Carneiro e a análise cirúrgica de Pessoa nos lembram de que a arte não é um entretenimento, mas um "abraço de fogo" que, embora queime, é a única coisa que nos torna verdadeiramente pares dos Deuses.

Sá-Carneiro morreu jovem porque os Deuses o amaram demais. E nós, que ficamos, continuamos a ler seus escombros, tentando entender como alguém pôde ser tanto deus e tanto homem ao mesmo tempo. 

A verdade que Fernando Pessoa nos expele em sua crônica sobre Sá-Carneiro não é uma consolação, mas um diagnóstico implacável. Ao afirmar que o gênio é um "êxul em duas terras", Pessoa define a condição humana de quem se recusa a ser apenas um reflexo do seu tempo. Trazer essa verdade para o presente, para este 2026 onde a imagem precede a essência e o algoritmo dita a relevância, é confrontar o quanto nos tornamos eficientes em ignorar o "abraço de fogo" que Pessoa descreveu. 

Pessoa foi profético ao dizer que o circo romano havia se expandido para os confins da terra. Hoje, vivemos a apoteose dessa previsão. Se em 1924 ele lamentava que a glória pertencia aos "gladiadores e mimos", hoje assistimos à consagração do entretenimento vazio sobre a profundidade do espírito. A "maré morta" das plebes de todas as classes, que Pessoa menciona, manifesta-se agora na homogeneização do pensamento pelas redes sociais. Onde está o espaço para o inovador que, como Sá-Carneiro, traz verdades que todos têm por mentira?

O atual cenário é hostil àquilo que Pessoa chama de "privilégio como castigo". Ser genial, ou mesmo buscar a autenticidade radical, tornou-se um ato de resistência quase suicida. Em um mundo que exige a visibilidade constante, o "instinto natural" com que se vive, aquele que os Deuses tiram dos que amam, foi substituído por uma performance de vida. Morremos a vida não mais por excesso de espírito, como Sá-Carneiro, mas por excesso de fachada. 

A crônica nos ensina que o amor dos Deuses é isolamento. Ao pesquisar a fundo a carta que Marina Zarvos trouxe à tona no grupo da Rede Sem Fronteiras, percebemos que o sofrimento de Sá-Carneiro era a impossibilidade de ser compreendido por uma terra que lhe era "bárbara". 

Trazendo isso para o agora, percebemos uma ironia cruel: nunca estivemos tão conectados e, ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil encontrar ressonância para o que é verdadeiramente profundo. O gênio atual não sofre apenas a indiferença, ele sofre o cancelamento ou o soterramento pelo volume de dados. A maldição de ser "par dos Deuses sendo homem" é, hoje, a angústia de carregar uma verdade eterna em um formato de quinze segundos. 

A conclusão definitiva de Pessoa é que Sá-Carneiro morreu porque era amado pelos Deuses, e esse amor se traduz na incapacidade de suportar a feiura e a ignorância universal. No contexto contemporâneo, essa lição serve como um alerta para a nossa saúde espiritual. Estamos sacrificando os nossos "gênios", as nossas capacidades criativas mais puras, no altar da produtividade e da aceitação social. 

O texto de Pessoa, resgatado do passado e jogado na nossa timeline, funciona como um choque de realidade. Ele nos lembra de que a arte não é um luxo, mas uma necessidade orgânica que pode, inclusive, consumir quem a produz. A verdade de Pessoa é que a vida, despida de transcendência, é apenas uma "morte vivida". 

Ao encerrarmos esta crônica, fica a provocação: quantos Sá-Carneiros estamos perdendo hoje para a "maré morta"? Quantas vezes os Deuses abraçam alguém com o seu fogo e nós, por estarmos distraídos com os gladiadores do circo digital, não percebemos a luz que se apaga? A carta de 1924 não é um adeus apenas a um poeta português; é um manifesto eterno contra a banalização da alma. Pessoa e Sá-Carneiro continuam vivos, não porque venceram o Destino, mas porque tiveram a coragem de ser "doentes de sua própria ficção" em um mundo que prefere a saúde anestesiada do senso comum. Que o "ave atque vale" de Pessoa nos inspire a buscar, entre as ruínas do que foi grande, os alicerces do que ainda pode vir a ser. 

Para além da literatura, das análises estéticas e do fado dos poetas, existe uma verdade que não se encerra no papel: a nossa conexão inalienável com o Senhor do Universo. Se Fernando Pessoa via no gênio um exilado entre dois mundos, a fé nos ensina que não precisamos viver como estrangeiros. Quando elevamos nossas reflexões para as "coisas do alto", como nos exorta a sabedoria espiritual, o peso da existência transfigura-se em propósito.

Nós, seres humanos, em nossa busca incessante por sentido, muitas vezes nos perdemos nos labirintos da intelectualidade ou nas dores da incompreensão mundana. Esquecemos que a palavra de Deus é o alicerce que permanece quando todas as outras vozes se calam. Colocar as reflexões sob a luz do Criador é entender que a nossa inteligência e a nossa sensibilidade não são fardos destinados ao sofrimento, mas dons para honrar Aquele que nos deu o sopro da vida. 

O amor a Deus deve ser o centro gravitacional de tudo o que somos. Independentemente da literatura, dos títulos ou das glórias humanas, que Pessoa tão bem descreveu como "fumo passageiro", o que realmente nos define é a capacidade de levar no coração a presença do Senhor. É nesse amor que encontramos o equilíbrio para sermos "par dos homens" sem nos perdermos na mediocridade, e "par do divino" sem sucumbirmos ao orgulho ou ao desespero. 

Ao olharmos para o "encantamento" de Sá-Carneiro e para a lucidez dolorida de Pessoa, compreendemos que o intelecto sozinho pode ser um abismo. Mas, quando ancoramos nossa alma nas promessas do Altíssimo, o abismo dá lugar ao horizonte. Que saibamos, acima de tudo, direcionar o nosso olhar para o alto, reconhecendo que a beleza que buscamos na arte é apenas um pálido reflexo da Glória Eterna. Que o nosso coração esteja sempre preenchido por esse Amor Soberano, pois só Ele é capaz de transformar o "abraço de fogo" da vida em uma luz que guia, acolhe e salva. 

Neste banquete da existência, onde as palavras humanas são o pão, o amor a Deus é o vinho da vida eterna a única força capaz de nos manter íntegros na travessia rumo ao Infinito. 

© Alberto Araújo

 

CRÔNICA DE FERNANDO PESSOA

MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO  (1890-1916)

Atque in perpetuum, frater, ave atque vale!

                                                                   CAT

 

Morre jovem o que os Deuses amam, é um preceito da sabedoria antiga. E por certo a imaginação, que figura novos mundos, e a arte, que em obras os finge, são os sinais notáveis desse amor divino. Não concedem os Deuses esses dons para que sejamos felizes, senão para que sejamos seus pares. Quem ama, ama só a igual, porque o faz igual com amá-lo. Como porém o homem não pode ser igual dos Deuses, pois o Destino os separou, não corre homem nem se alteia deus pelo amor divino; estagna só deus fingido, doente da sua ficção. 

Não morrem jovens todos a que os Deuses amam, senão entendendo-se por morte o acabamento do que constitui a vida. E como à vida, além da mesma vida, a constitui o instinto natural com que se a vive, os Deuses, aos que amam, matam jovens ou na vida, ou no instinto natural com que vivê-la. Uns morrem; aos outros, tirado o instinto com que vivam, pesa a vida como morte, vivem morte, morrem a vida em ela mesma. E é na juventude, quando neles desabrocha a flor fatal e única, que começam a sua morte vivida. 

No herói, no santo e no génio os Deuses se lembram dos homens. O herói é um homem como todos, a quem coube por sorte o auxílio divino; não está nele a luz que lhe estreia a fronte, sol da glória ou luar da morte, e lhe separa o rosto dos de seus pares. O santo é um homem bom a que os Deuses, por misericórdia, cegaram, para que não sofresse; cego, pode crer no bem, em si, e em deuses melhores, pois não vê, na alma que cuida própria e nas coisas incertas que o cercam, a operação irremediável do capricho dos Deuses, o jugo superior do Destino. Os Deuses são amigos do herói, compadecem-se do santo; só ao génio, porém, é que verdadeiramente amam. Mas o amor dos Deuses, como por destino não é humano, revela-se em aquilo em que humanamente se não revelara amor. Se só ao génio, amando-o, tornam seu igual, só ao génio dão, sem que queiram, a maldição fatal do abraço de fogo com que tal o afagam. Se a quem deram a beleza, só seu atributo, castigam com a consciência da mortalidade dela; se a quem deram a ciência, seu atributo também, punem com o conhecimento do que nela há de eterna limitação; que angústias não farão pesar sobre aqueles, génios do pensamento ou da arte, a quem, tornando-os criadores, deram a sua mesma essência? Assim ao génio caberá, além da dor da morte da beleza alheia, e da mágoa de conhecer a universal ignorância, o sofrimento próprio, de se sentir par dos Deuses sendo homem, par dos homens sendo deus, êxul ao mesmo tempo em duas terras. 

Génio na arte, não teve Sá-Carneiro nem alegria nem felicidade nesta vida. Só a arte, que fez ou que sentiu, por instantes o turbou de consolação. São assim os que os Deuses fadaram seus. Nem o amor os quer, nem a esperança os busca, nem a glória os acolhe. Ou morrem jovens, ou a si mesmos sobrevivem, íncolas da incompreensão ou da indiferença. Este morreu jovem, porque os Deuses lhe tiveram muito amor.

Mas para Sá-Carneiro, génio não só da arte mas da inovação nela, juntou-se, à indiferença que circunda os génios, o escárnio que persegue os inovadores, profetas, como Cassandra, de verdades que todos têm por mentira. In qua scribebat, barbara terrafuit. Mas, se a terra fora outra, não variara o destino. Hoje, mais que em outro tempo, qualquer privilégio é um castigo. Hoje, mais que nunca, se sofre a própria grandeza. As plebes de todas as classes cobrem, como uma maré morta, as ruínas do que foi grande e os alicerces desertos do que poderia sê-lo. O circo, mais que em Roma que morria, é hoje a vida de todos; porém alargou os seus muros até os confins da terra. A glória é dos gladiadores e dos mimos. Decide supremo qualquer soldado bárbaro, que a guarda impôs imperador. Nada nasce de grande que não nasça maldito, nem cresce de nobre que se não definhe, crescendo. Se assim é, assim seja! Os Deuses o quiseram assim.

 

1924

Textos de Crítica e de Intervenção. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1980. -149. 1ª publ. in “Athena”, nº 2. Lisboa: Nov. 1924.


Fernando Pessoa e Mario de Sá-Carneiro



Marina Zarvos