sábado, 11 de julho de 2026

CONVITE A UMA IMERSÃO NO MEDITERRÂNEO – PARA MARINA ZARVOS


Companheira Marina Zarvos, conhecendo seu profundo interesse pela mitologia grega e sua sensibilidade como psicanalista e a excelente estudiosa da linguagem, compartilho com você o vídeo que encontrei no Canal Wandering Lyre, no Youtube. Acredito ressoar com o seu olhar: uma curadoria de paisagens e sons do litoral grego. 

Trata-se de uma experiência audiovisual que une a serenidade de melodias folclóricas autênticas à beleza hipnotizante das praias do Mediterrâneo. O conteúdo oferece um refúgio sensorial, onde a música tranquila harmoniza-se perfeitamente com a cinematografia de águas cristalinas e litorais intocados. Estou aqui encantado! 

Esta coleção destaca-se por diversos elementos que elevam a experiência: 

Autenticidade Cultural: Composições tradicionais que capturam a alma do litoral mediterrâneo. 

Harmonia Sensorial: Uma trilha sonora criada especificamente para complementar o esplendor visual das paisagens. 

Refúgio de Tranquilidade: Um convite à pausa, ideal para momentos de desconexão e busca por equilíbrio absoluto.

Acredito que esta fusão entre a riqueza da tradição grega e a serenidade das imagens costeiras possa ser um momento de grande inspiração e descanso para você.

Convido a você e quem interessar a explorar este pequeno "paraíso digital" por intermédio do link:

https://www.youtube.com/watch?v=hfX_EjusPwA&list=RDhfX_EjusPwA&start_radio=1  

Espero que este conteúdo proporcione a você momentos de contemplação tão profundos quanto as histórias e os estudos que você dedica à cultura grega. 



O SENTINELA DE QUATRO FACES: O TEMPO QUE HABITA A CENTRAL - HOMENAGEM AOS 83 ANOS DO RELÓGIO DA CENTRAL DO BRASIL - CRÔNICA CULTURAL DE © ALBERTO ARAÚJO

No coração pulsante do Rio de Janeiro, onde o caos se torna sinfonia e a pressa é o ritmo natural da vida, ergue-se um monumento que poucos cariocas e menos ainda os visitantes, observam com a devida reverência. Não é apenas uma torre; é o guardião do tempo. Lá no alto da Central do Brasil, o imenso relógio de quatro faces não apenas marca as horas; ele dita o compasso da metrópole. Inaugurado em 1943, sob o olhar atento e a égide política de Getúlio Vargas, aquele colosso de concreto e metal consolidou-se como o maior relógio de quatro faces do mundo, um título que carrega com a sobriedade de quem já viu o século mudar, as tecnologias florescerem e gerações inteiras correrem sob suas engrenagens. 

Para compreender a magnitude dessa estrutura, precisamos voltar os olhos para a década de 1940. O Brasil vivia sob o Estado Novo, um período de projetos grandiosos, de arquitetura monumental e de uma busca incessante pela modernidade. A Central do Brasil, o entroncamento ferroviário que conectava a alma do país à sua capital cosmopolita, precisava de um marco. Não bastava que os trens chegassem e partissem; era preciso que houvesse uma autoridade cronométrica, algo que pudesse ser visto de quase todos os pontos do centro da cidade, um bastião de precisão em meio à euforia urbana. 

Quando o relógio foi inaugurado, ele não era apenas um objeto de utilidade pública; era uma declaração de intenções. Imagine o cenário: o Rio de Janeiro fervilhando em meio à Segunda Guerra Mundial, a estação fervilhando de gente, carregadores, soldados, mercadorias. Lá no alto, os ponteiros começaram a girar, movidos por um mecanismo que, na época, era o ápice da engenharia mecânica. Seus mostradores, imensos, exigiam que a cidade olhasse para cima. 

Diferente dos relógios digitais que hoje carregamos no pulso ou no bolso, precisos, invisíveis, desprovidos de alma, o relógio da Central é físico, mecânico e imponente. Seus ponteiros são gigantes de metal que cortam o céu, e o seu tique-taque é um segredo guardado por poucos funcionários que, ao longo das décadas, dedicaram suas vidas à manutenção daquele coração de engrenagens. 

Cada uma das quatro faces possui metros de diâmetro, o que, por si só, já desafia a escala humana. O fato de serem quatro faces, cada uma orientada para um ponto cardeal, confere à torre uma onipresença quase divina. Não importa se você vem da Praça da República, se desce pela Avenida Presidente Vargas ou se emerge dos túneis vindos da Zona Sul; o relógio estará lá, observando, registrando. 

Ele é o maior do mundo em sua categoria. E, ao contrário de outros marcos arquitetônicos que se tornam obsoletos, o relógio da Central adquiriu com o tempo uma camada extra de verniz: a da nostalgia. Hoje, ele é o ponto de encontro implícito. "Nos vemos sob o relógio", dizem os passageiros, sem precisar explicar qual. É o ponto de referência que não falha, a bússola temporal em um mundo que perdeu o sentido do tempo. 

O que a crônica do tempo nos ensina é que ele não é apenas a medida do decorrido, mas a medida da esperança. Sob o relógio da Central, o tempo tem nuances diferentes. Existe o tempo da pressa do trabalhador, que corre para não perder o último trem das 23h. Existe o tempo da espera, daquele que aguarda alguém que vem de longe, com a ansiedade estampada no rosto, olhando constantemente para cima, comparando o relógio do pulso com o gigante da torre. 

Getúlio Vargas, um político que entendia a importância da imagem e da permanência, certamente vislumbrou isso ao autorizar a construção de uma estrutura tão ostensiva. 1943 foi um ano de viradas históricas, e a inauguração daquele símbolo serviu como uma âncora de estabilidade em um mundo em chamas. 

A ironia, contudo, é que os governos passam, os sistemas mudam, as ideologias se transformam, mas o relógio permanece. Ele viu o Rio deixar de ser a capital, viu a estação sofrer reformas, viu a tecnologia substituir o vapor pela eletricidade, e, ainda assim, seus ponteiros continuam a seguir sua rota circular inexorável. Ele é, em última análise, um testemunho da resiliência urbana. 

Há uma beleza melancólica em ser o "maior do mundo". É uma responsabilidade que exige manutenção constante, uma atenção que hoje, muitas vezes, falta às grandes obras. O relógio exige graxa, reparos, cuidados. Ele demanda que o ser humano não o esqueça. Em muitas manhãs cinzentas, quando a neblina envolve a torre, o relógio parece um fantasma de ferro, um gigante adormecido que, mesmo parado no tempo, continua a marcar a história do Rio de Janeiro.

Quem observa o relógio da Central não deve apenas ver a hora. Deve ver a história escrita em números romanos ou arábicos, dependendo da restauração, a história de uma cidade que sempre quis ser grande, que sempre se projetou para o mundo como uma metrópole de monumentos. 

Se pudéssemos perguntar ao relógio o que ele viu, o que ele nos diria? Ele falaria das despedidas emocionantes na plataforma 1. Ele contaria sobre os encontros furtivos nos saguões. Ele descreveria o cheiro do café misturado com a fumaça das composições e o barulho ensurdecedor da massa humana que flui como um rio subterrâneo, alheia ao fato de que, lá em cima, há um sentinela que nunca dorme. 

Hoje, vivemos na era da precisão atômica. Nossos celulares estão sincronizados com satélites que orbitam a Terra a milhares de quilômetros de distância. A necessidade de um relógio público para saber a hora perdeu o sentido prático. E, todavia, o relógio da Central continua essencial. 

Ele nos serve como lembrete de que a nossa existência é feita de momentos, não apenas de dados. Ele é a ponte entre a nossa necessidade de organização e a nossa sede de permanência. Ao passar pela Central, olhe para cima. Não para checar o horário, mas para cumprimentar o veterano de 1943. Reconheça que ali está uma peça viva da nossa identidade. 

Enquanto a cidade lá embaixo se transforma, se reconstrói e se reinventa, o relógio continua a girar. Ele nos lembra de que o Rio de Janeiro, apesar de todas as suas dores e contradições, é uma cidade que tem tempo para ser grandiosa. É o relógio de Getúlio, é o relógio da Central, é o nosso relógio. E, enquanto ele mantiver suas quatro faces voltadas para os quatro cantos da nossa metrópole, o tempo continuará sendo, ironicamente, algo que podemos compartilhar. 

Crédito da foto: Rafa Pereira - Diário do Rio

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

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O RELÓGIO DA CENTRAL DO BRASIL - 83 ANOS DE TEMPO E GLÓRIA NA TORRE DA CENTRAL 

No horizonte vertiginoso do Centro do Rio de Janeiro, onde o caos urbano se funde à história, existe um sentinela que, há mais de oito décadas, observa a cidade mudar, crescer e se reinventar. Não é um monumento estático de pedra, nem uma estátua de bronze. É um gigante de ferro, engrenagens e luz que, mesmo em meio à velocidade do cotidiano, dita o ritmo da metrópole. O Relógio da Central do Brasil ou, mais precisamente, o Relógio do Edifício Dom Pedro II, completa 83 anos de existência, consolidando-se não apenas como um marco da engenharia, mas como um testemunho vivo do projeto de modernidade que o Brasil almejou no século XX. 

Era 1943. O Brasil vivia sob a égide do Estado Novo e o Rio de Janeiro, então capital federal, respirava ares de transformação urbana. Foi nesse contexto que Getúlio Vargas inaugurou o Edifício Dom Pedro II, a sede da Central do Brasil. O prédio, um monumento em estilo art déco, não foi projetado para ser apenas funcional; ele foi pensado para ser um símbolo de progresso. Com seus 135 metros de altura, chegou a ostentar o título de estrutura de concreto mais alta do mundo, uma façanha que ecoava a ambição do país à época. 

No topo dessa torre, a IBM, multinacional que já imprimia sua marca na inovação tecnológica, instalou o que se tornaria a joia da coroa da edificação: um relógio de quatro faces, com dez metros de diâmetro cada. Enquanto o mundo estava voltado para os horrores da Segunda Guerra Mundial, o Rio inaugurava um gigante que, em silêncio, marcava o tempo com uma precisão que viria a definir a pontualidade carioca por gerações. 

É um fato que, por vezes, escapa à memória dos próprios cariocas: o nosso relógio é maior que o emblemático Big Ben de Londres. A comparação não é apenas uma questão de bairrismo, mas de números monumentais. Enquanto o relógio londrino possui sete metros de diâmetro, o da Central ostenta imponentes dez metros. Se olharmos para a estrutura que os abriga, a torre da Central, com seus 32 andares e mais de 100 metros de altura dedicada apenas à torre do relógio, supera a estrutura do parlamento britânico. 

No entanto, o Relógio da Central não carrega a aura de "ponto turístico obrigatório" que o seu equivalente britânico possui. Talvez pela localização, talvez pelo cotidiano apressado que nos impede de olhar para cima, o relógio tornou-se um gigante invisível. Ele permanece ali, imponente, marcando o tempo de quem desce na estação ou caminha pela Praça Cristiano Otoni, muitas vezes ignorado pela sua própria grandiosidade. 

O que muitos desconhecem sobre o funcionamento deste colosso são as histórias escondidas em seus últimos andares. Imagine subir 21 andares para chegar à base das quatro faces do relógio. No passado, este não era um local de manutenção esporádica; era um local de residência. Havia quatro suítes instaladas nas entranhas da torre, onde funcionários viviam e dormiam, em um plantão ininterrupto para garantir que os ponteiros, pesando quase 500 kg no total, não falhassem. 

O ponteiro dos minutos, com seus 7,5 metros de comprimento e 270 kg, movia-se em perfeita sincronia com o ponteiro das horas, de 5,35 metros e 182 kg. O cuidado exigido era quase ritualístico. O relógio não era uma máquina fria; era uma entidade que dependia da presença humana constante para manter a precisão. 

Hoje, a realidade é outra. Desde a reforma de 2018, o sistema foi automatizado. As suítes, que um dia foram o lar dos guardiões do tempo, agora repousam em silêncio, testemunhas de uma era onde a técnica exigia o sacrifício pessoal. A manutenção, embora continue sendo diária e especializada, não exige mais a presença noturna do homem nas alturas. O prédio hoje abriga a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (SEAP), que zelou pela preservação do monumento após anos de descaso.

A história do relógio não é feita apenas de glórias. Na década de 90, o tempo quase parou, literalmente. Pichações, vandalismo e a falta de manutenção fizeram com que o relógio perdesse o seu compasso. O descompasso entre as faces e a hora real tornou-se um símbolo de um Rio de Janeiro que, por vezes, parecia ter perdido o ritmo. 

O tombamento pelo IPHAN, em 1996, não foi apenas um ato burocrático; foi um pedido de socorro e uma declaração de importância cultural. Reconhecer o relógio como patrimônio foi a maneira encontrada para garantir que o gigante voltasse a marcar as horas com a dignidade que a sua arquitetura art déco exige. Desde então, o relógio luta para se manter como um farol no Centro da cidade. 

Ao completar 83 anos, o Relógio da Central do Brasil é mais do que um cronômetro urbano. Ele é um lembrete. Num mundo cada vez mais digital, onde o tempo é medido em frações de segundos em telas de smartphones, a existência de um monstro mecânico que ainda gira suas engrenagens a 100 metros de altura é um ato de resistência poética. 

Ele é o "Guardião de Concreto" que viu a transição da capital para Brasília, a transformação da Central do Brasil em um entroncamento de ferrovias e metrô, e as sucessivas crises e renascimentos do centro da cidade. Ele permanece lá, impassível, enquanto milhares de pessoas, sob seus pés, correm contra o tempo que ele, com tanta soberania, dita. 

Talvez, para comemorar estes 83 anos, não precisemos de festas ou monumentos novos. Talvez o maior presente para esse ícone carioca seja simplesmente voltarmos a olhar para ele. Ao atravessar a praça, ao sair da estação ou ao passar de carro pela Avenida Marechal Floriano, reserve um segundo. Olhe para o topo, para a estrutura que ainda desafia o Big Ben, e reconheça: o gigante ainda respira, o tempo ainda corre, e o Rio, sob o olhar atento deste relógio, continua a sua marcha incansável pela história. 

O relógio é a alma da Central. E, enquanto seus ponteiros girarem, a identidade do Rio de Janeiro estará, sempre, em perfeita hora certa.

Texto e pesquisa

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural   




sexta-feira, 10 de julho de 2026

O ECO DAS PEDRAS: QUANDO O PIAUÍ ENCONTRA A "SUÍÇA NORTE MINEIRA" E A CRIAÇÃO SE REVELA CRÔNICA CULTURAL DE © ALBERTO ARAÚJO INSPIRADA EM MENSAGEM DA ESCRITORA MINEIRA MARTA VERÔNICA

 

O vídeo que inspirou esta reflexão não é apenas um registro geológico; é um testemunho. Quando olhamos para a publicação de Neto Fotografia somos imersos em um verdadeiro hino de paixão e reverência à terra piauiense. Neto, com um olhar sensível, convida o espectador a reconhecer que, no cerrado do Piauí, a natureza revela algo muito maior: a própria grandeza da criação de Deus. 

É um relato que transborda orgulho, transformando cada pedra e cada detalhe da paisagem em um testemunho da beleza inigualável do estado e da cultura piauiense. Ao declarar que "o nosso Piauí é bonito demais!", ele não apenas compartilha uma imagem, mas celebra a essência e a alma de uma terra que guarda belezas que só quem conhece verdadeiramente consegue admirar com tamanha devoção. 

Foi esse mesmo sentimento que me moveu a escrever sobre as belezas naturais do Piauí e que, inesperadamente, gerou um eco que encurtou as distâncias do Brasil. 

Estava eu mergulhado na repercussão da crônica “O Piauí é bonito demais”  que publiquei recentemente, alimentada pelo vídeo e pela devoção que o trabalho de Neto Fotografia tão bem enlaça, quando o destino decidiu me pregar uma peça poética. Ao entrar no grupo da Rede Sem Fronteiras, uma notificação saltou aos olhos como um vaga-lume na escuridão de uma noite sertaneja. Era uma mensagem de Marta Verônica, curta, precisa e quase musical em sua brevidade: 

"Aqui temos formações muito parecidas, em Itacambira." 

Naquele momento, o Brasil encolheu. O Piauí, com suas chapadas de luz e pedra, a rocha que Neto Fotografia imortalizou na imagem de referência e Minas Gerais, com seu berço montanhoso, apertaram-se num abraço geológico. Marta não estava apenas comentando; ela estava me convidando a uma viagem que não exige passagens aéreas, mas apenas a disposição de enxergar a unidade na diversidade. 

Fui buscar o que onde situava Itacambira. Localizada no Norte de Minas Gerais, no Vale do Jequitinhonha, a cidade é uma joia a 509 quilômetros de Belo Horizonte, conhecida turisticamente como a "Suíça Norte Mineira" devido ao seu clima ameno e relevo montanhoso. 

E foi aí que a conexão de Marta Verônica ganhou contornos de revelação. As formações rochosas que foram vistas no vídeo sobre o Piauí, as esculturas geológicas que parecem feitas pelas mãos de um artesão antigo, encontraram eco na Pedra da Ursa e na Cachoeira do Curiango, em Itacambira. Como é possível que a natureza desenhe o mesmo alfabeto em pontos tão distintos? É a geologia conversando através dos milênios, provando que a pedra é uma testemunha muda que não conhece fronteiras. O que o Piauí guarda com orgulho, Minas preserva com a mesma devoção. 

Ao refletir sobre a fala de Marta, percebi que a verdadeira rede, a "Sem Fronteiras" que dá nome ao grupo, não é feita de tecnologia, mas de reconhecimento. Reconhecer a beleza do outro é, em última instância, validar a nossa própria existência. 

Quando trouxe a imponência do Piauí, estava mostrando a força da terra que Neto tão bem filmou. Quando Marta aponta para Itacambira, ela completa o quadro. Ela me trouxe o Curiango, e imaginei o som da água batendo na rocha, o mesmo som que reverbera nos nossos desfiladeiros. É uma melodia universal. A natureza não divide; nós traçamos linhas nos mapas. Mas a rocha, a cachoeira, o vento, esses não entendem de divisas. Eles apenas existem, em um permanente estado de comunhão. 

A mensagem de Marta Verônica foi mais do que uma colaboração; foi um lembrete. Muitas vezes, perdemo-nos procurando o exótico no distante, ignorando que o espanto está logo ali, na esquina do próximo estado, ou na semelhança inesperada de uma pedra que, há milhões de anos, já sabia que seríamos irmãos de paisagem. Esta crônica é sobre a possibilidade de ver o Brasil como um contínuo, uma tapeçaria onde o fio que começa na Pedra da Ursa em Itacambira, se entrelaça com o pó das chapadas piauienses. 

A vida é uma sucessão de descobertas que nos levam de volta a nós mesmos. Se o Piauí me ensinou sobre a paciência do tempo, Itacambira, através da sensibilidade de Marta, me ensinou sobre a universalidade dessa paciência. Que as "formações muito parecidas" continuem a nos unir. Que as cachoeiras, sejam elas de minas ou de sol, sigam sendo os pontos de encontro para quem ainda acredita que a beleza é a única linguagem capaz de derrubar as barreiras que teimamos em construir. 

O Piauí e Itacambira agora guardam, em mim, um lugar comum. Um espaço onde a pedra é história, a água é memória e a rede, enfim, não tem fronteiras. É ali, nesse território onde a geologia se faz poesia, que encontro o sossego de saber que, não importa onde estejamos, a terra é sempre a mesma casa, e a beleza é a nossa morada compartilhada. Marta, obrigado pela ponte!

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

10 de julho de 2026



      


Formações rochosas em Sete Cidades - Piauí

As duas imagens a seguir são de Itacambira- MG

Pedra da Ursa 

Cachoeira do Curiango 

(Vídeo da inspiração - clicar na imagem)

A presidente Matilde Carone Slaibi Conti disse: Impressionante o vídeo da Inspiração!  Deus passou por ali. O eco da pedra chegou até aqui. Eu ouvi. Posso atestar tudo que vivi. Abraços fraternos. Matilde.




INFORMATIVO DO ELOS INTERNACIONAL - SOLENIDADE DE ENTREGA DE CARTEIRAS AOS NOVOS ADVOGADOS DA OAB-NITERÓI E A NOSSA PRESIDENTE MATILDE CARONE SLAIBI CONTI MARCOU PRESENÇA

O dia 10 de julho de 2026 ficará marcado na memória de muitos profissionais como o ponto de partida de uma jornada dedicada à justiça e ao estado de direito. No coração de Niterói, o Auditório da OAB, localizado na Rua Amaral Peixoto, foi palco de uma cerimônia emocionante: a entrega de carteiras a novos advogados e advogadas, um rito de passagem que simboliza não apenas o início de uma carreira, mas a assunção de uma responsabilidade social profunda. 

O evento foi conduzido com a sobriedade e a acolhida que a Ordem dos Advogados do Brasil, subseção Niterói, sempre imprime em seus atos. Sob a liderança do Presidente Dr. Pedro Gomes, a OAB-Niterói reafirma seu papel de braço forte na defesa das prerrogativas e no apoio constante aos seus inscritos. A gestão, marcada pela valorização da classe e pela modernização institucional, entende que o fortalecimento da advocacia local é o alicerce para uma sociedade mais justa. 

A mesa de honra contou com a ilustre presença da Dra. Matilde Carone Slaibi Conti, Vice-presidente da OAB-Niterói e Presidente do Elos Internacional. Sua participação conferiu um brilho especial ao evento, reforçando a conexão entre a experiência jurídica de alto nível e o compromisso humanitário que a Dra. Matilde sempre defendeu em sua trajetória. 

Dentre os muitos momentos que tocaram o público presente, composto por familiares, amigos e personalidades da cidade, uma história em particular destacou-se pela força de superação e pelo simbolismo do apadrinhamento. 

André Batista do Valle Sobrinho, contador de profissão, viu sua vida profissional ganhar um novo capítulo ao conquistar sua carteira da OAB. Sua trajetória é um exemplo inspirador de dedicação: André preparou-se com afinco e obteve sua aprovação no Exame de Ordem, demonstrando que o Direito é uma seara que acolhe com maestria as vivências multidisciplinares. 

Um detalhe que tornou o momento ainda mais sublime foi o desejo pessoal de André em ser apadrinhado pela Dra. Matilde Carone Slaibi Conti. A vice-presidente, que é uma referência como professora decana de Direito na Universidade Universo de Niterói, aceitou prontamente o convite. O brilho nos olhos de André ao receber sua carteira das mãos de sua mentora era visível, coroando um sonho compartilhado com sua esposa, Heliane Abicalil, atual presidente da Casa da Amizade. A alegria do novo advogado, ladeado por sua esposa e familiares, resumiu a essência da advocacia: uma conquista que nunca é solitária, mas fruto de uma rede de apoio e amor.

O momento solene da entrega foi selado com O Diploma de Compromisso Profissional. O símbolo que junto à Carteira norteia a sublimidade da profissão. 

"Prometo exercer a advocacia com dignidade e independência, observar a ética, os deveres e prerrogativas profissionais, defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado Democrático, os direitos humanos, a justiça social, a boa aplicação das leis, a rápida administração da justiça e o aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas."

Niterói ganha, nesta data, profissionais renovados, prontos para enfrentar os desafios de um sistema jurídico complexo, mas também esperançosos na construção de uma justiça mais célere e humana. Que o exemplo de André e a acolhida da OAB-Niterói sirvam de inspiração para que cada um desses novos advogados honre a carteira que hoje carregam, não apenas como um documento de habilitação, mas como um estandarte de retidão e coragem.

© Alberto Araújo

Diretor de Cultura do Elos Internacional 











 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

IDALINA ANDRADE GONÇALVES EM DESTAQUE: UMA HOMENAGEM NAS PÁGINAS DO PORTUGUESE TIMES - POSTAGEM ESPECIAL DO FOCUS PORTAL CULTURAL

A recente publicação do jornalista José Andrade no portal Portuguese Times, intitulada "Três professores açorianos no Brasil", percorrida em inúmeros países pelo mundo, trouxe à luz trajetórias de vida que são, por si sós, pontes culturais erguidas entre os Açores e o Brasil. O artigo, que integra a inspiradora seção "Décima Ilha", celebra a contribuição de três personalidades açorianas que, radicadas em diferentes estados brasileiros, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e São Paulo, mantêm pulsante a essência de sua terra de origem.

Na crônica de José Andrade, o percurso de dois ilustres açorianos é destacado, simbolizando, ao lado de nossa companheira, a força inabalável da diáspora: 

Conceição Flores: Natural da ilha do Faial e residente em Natal, Rio Grande do Norte, desde 1983. Mestre em Literatura Comparada e Doutora em História da Educação, dedica-se profundamente à produção literária feminina e à memória cultural, sendo sócia do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. 

Manuel de Medeiros: Natural da ilha de São Miguel, emigrou para o Brasil em 1956, estabelecendo-se em São Paulo. Com uma formação vasta que inclui Engenharia, Matemática, Física, Pedagogia e Direito, foi um visionário empresarial e educacional. Além de fundador da empresa "Equipamentos para Pintura MAJAM", teve papel fundamental na preservação cultural como fundador da Casa dos Açores de São Paulo e responsável pela inclusão das festas do Divino Espírito Santo no calendário oficial da capital paulista.

Entre os nomes reverenciados, destaca-se com brilho singular a companheira desse jornalista que escreve crônica, a elista e cenaculista, Idalina Andrade Gonçalves. Nascida em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, Idalina iniciou os seus estudos no antigo Liceu de Angra antes de cruzar o oceano para se estabelecer no Brasil ainda jovem. 

Sua trajetória é um lírico entrelaçar de ciência e arte, marcada por uma sólida base acadêmica e uma busca incessante pelo conhecimento. Idalina licenciou-se em Psicomotricidade, Biomedicina e Ciências Biológicas, acumulando pós-graduações que formam um arcabouço intelectual vasto: Biomedicina, Neurofisiologia, Geriatria e Gerontologia, Saúde e Envelhecimento do Idoso, Biologia Molecular, Musicoterapia, Educação e Pesquisa Genética. 

Um dos pontos mais realçados pelo jornalista José Andrade foi o labor científico de Idalina na pós-graduação de Neurologia da Universidade Fluminense, onde, durante 11 anos, investigou a Doença de Machado-Joseph, uma patologia com forte ligação aos Açores. Além da ciência, Idalina transita com a leveza de uma artista pelas artes e pela diplomacia cultural: Sociedade Eça de Queiroz: Secretária Executiva; Real Gabinete Português de Leitura: Secretária-adjunta; Academia Luso-Brasileira de Letras: Secretária-adjunta; Consulado Português no Rio de Janeiro: Membro Consultivo; Associação das Jornalistas e Escritoras do Brasil: Integrante; Elos Clube e Cenáculo Fluminense de História e Letras é Membro 

Como autora das obras Coimbra Século XIX e O Caminho Une o Tempo, e idealizadora do projeto "Associação dos Ilustres Poetas da Escola", Idalina solidifica o seu papel como incentivadora literária e guardiã das letras. 

A matéria de José Andrade, baseada no livro de sua autoria, “Conversas da Diáspora – 50 Açorianos pelo Mundo (2024)”, eterniza esses exemplos de vida, celebrando o impacto imensurável de Idalina Andrade Gonçalves na preservação e na difusão da alma açoriana em terras brasileiras.

Leia a matéria completa de José Andrade no jornal “Portuguese Times”:

https://portuguesetimes.com/tres-professores-acorianos-no-brasil/

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


      

      

       

       

     

     

NEUROCIÊNCIA, DIREITO E O FUTURO DA JUSTIÇA DA EMERJ. MELHORES MOMENTOS DA PARTICIPAÇÃO DA DRA. KARIN RANGEL

Está no ar o compilado com os melhores momentos da brilhante participação da Dra. Karin Ferreira Dias Rangel no debate promovido pela EMERJ (Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro). Sob o tema "Novos Paradigmas da Justiça na Era Digital", a Dra. Karin trouxe reflexões profundas sobre como a ciência da mente está transformando a aplicação do Direito. 

Dê o play para conferir os insights mais marcantes desse evento memorável!


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O BRILHO DE ANA MARIA TOURINHO E O PROTAGONISMO DA AJEB-PARÁ NA 29ª FEIRA PAN-AMAZÔNICA DO LIVRO

A literatura feita na Amazônia possui uma força ancestral que ecoa muito além de suas fronteiras geográficas. É sob a vibração dessa potência cultural que a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil – Coordenadoria Pará (AJEB-Pa), cuja presidente é a Profª e historiadora Izabel Gadelha, se prepara para um marco histórico na 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, no dia 29 de agosto de 2026. Quando estará lançando a Antologia MEnina Mulher: Cheiro e Sabor do Pará e livros solos de suas associadas. Entre os grandes nomes que dão vida e prestígio a este movimento, como coautora destaca-se a nossa adorável companheira Ana Maria Tourinho.

Diretora da AJEB nacional; Presidente de Honra da AJEB-PA; Membro da AJEB-RJ e participante de várias instituições literárias do Rio de Janeiro. Ana Maria é uma das vozes mais respeitadas da nossa intelectualidade. Sua atuação não se limita ao território fluminense: ela leva a essência da nossa terra para o mundo como Vice-presidente Cultural Mundial da Rede Sem Fronteiras, sob a égide e liderança da jornalista e escritora Dyandreia Portugal. Essa ponte cultural entre o Rio e o circuito internacional ganha corpo e alma na antologia "Menina, Mulher: Cheiro e Sabor do Pará", obra que traz a participação brilhante de Ana Maria Tourinho e celebra a essência feminina e amazônica. 

O evento ocorrerá das 19h às 21h no Hangar, no Estande dos Escritores e Escritoras Paraenses, será uma verdadeira ode à democratização da escrita. Ao todo, serão lançadas 29 obras literárias. Em um comovente ato de incentivo à educação, a noite também celebrará 23 livros produzidos por estudantes da Escola Municipal Professora Lydia Lima, fruto do projeto capitaneado pela professora e historiadora Izabel Gadelha. 

Sob a inspiração e o legado vivo de lideranças como Ana Maria Tourinho, a AJEB-Pará reafirma seu papel na valorização da memória e no protagonismo feminino. Convidamos a todos para celebrar a nossa identidade cultural e abraçar a riqueza da nossa literatura regional. A entrada é gratuita. Venha participar! 

SERVIÇO 

Evento: Lançamentos da AJEB-Pará – 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes

Data: 29 de agosto de 2026-sábado.

Horário: Das 19h às 21h

Local: Estande dos Escritores e Escritoras Paraenses

Endereço: Hangar – Centro de Convenções e Feiras da Amazônia – Av. Dr. Freitas, s/n, bairro Marco – Belém–PA

Realização: AJEB-Pará – Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil – Coordenadoria Pará.

Entrada é gratuita.

 


ANÁLISE DO POEMA “LEGADO” DE MARIA OTÍLIA CAMILLO POR ALBERTO ARAÚJO


LEGADO 

A ingênua menina “Natureza”, gerada pela “DIVINA LUZ”, fascina e, brilhantemente, encanta o mundo por ser “festiva”, além de bela, primorosa, esplendorosa!… 

Consequentemente, em seu aconchegante “Lar” amoroso, aprende a engatinhar: cai, mas, sozinha, se levanta sob a “Proteção” dos pais, amigos, irmãos; consegue andar e a tudo supera. Apesar do sentimento de “Gratidão”, escondido e adormecido pela tenra ingenuidade, ele vem a florir, profissionalizando-se em uma alegre e feliz “Filósofa”!… 

Agora, sua deslumbrante vida, à “LUZ do Espírito Santo” que rega toda a “semente” da Terra em fraterno “Amor”, justo é o seu “Legado” de render “Honra e Glória” ao eterno Deus, Criador “JESUS”, LUZ do Mundo!… 

Autora: Maria Otilia Camillo


A POÉTICA DA LUZ: O LEGADO DE MARIA OTÍLIA 

O poema "Legado", de Maria Otília, é um espelho lírico de uma alma que encontrou na simplicidade o seu lugar mais sagrado de expressão. Ler Maria Otília é adentrar um terreno onde a escrita não se curva a arroubos de vaidade intelectual ou ao rigor de termos rebuscados, mas se oferece como um testemunho terno e amoroso de uma vida pautada pela fé. Em sua obra, Deus não habita o campo da abstração filosófica; Ele é o centro gravitacional, a "Divina Luz" que irradia sobre cada verso, cada vírgula e cada silêncio. 

A essência do fazer literário de Maria Otília reside na sua capacidade de transformar o cotidiano em oração. Ela não busca enfeitar seus textos com artifícios gramaticais complexos, pois compreende que o amor ao Divino não exige vocabulário rigoroso; ele precisa, acima de tudo, ser escrito com o coração, e isso ela sabe fazer como poucos. Ela escreve com a candura de quem observa o mundo através de um filtro de esperança, onde o caminhar da menina "Natureza" é um exercício constante de superação sob a égide do Sagrado. Há, em sua estrutura, uma respiração peculiar: o uso deliberado de vírgulas, aspas e reticências não é um desvio, mas a marca de sua sensibilidade, sinalizando cada pausa necessária para o coração, o compasso de uma prece feita em voz alta. 

Neste "Legado", a autora nos convida a observar a evolução do ser: a fragilidade do engatinhar, a resiliência do levantar-se e a maturidade de tornar-se "filósofa" da própria existência. O vocabulário, permeado por termos como "Espírito Santo", "JESUS" e "Honra e Glória", prefere a transparência absoluta à complexidade das metáforas herméticas. Ela acredita que a beleza mais sublime é aquela que pode ser sentida por qualquer pessoa que também carregue um pouco de luz no peito. 

Ao eleger a gratidão como pilar de sua narrativa, a poetisa entrega algo que supera a tinta no papel. Sua poesia é singela, sim, mas essa singeleza é uma conquista: é o fruto de uma vida inteira dedicada a alinhar o pensamento ao coração e a palavra ao Criador. Quem lê Maria Otília decifra, de imediato, a pulsação de um coração generoso. 

Com sua escrita afetuosa e despojada de artifícios, a autora nos lembra de que a literatura pode ser, antes de tudo, um ato de amor. Ela nos ensina que, quando colocamos o Eterno no centro, tudo o que vivemos, a dor, o aprendizado, a jornada, ganha um novo contorno, transmutando-se em um hino de louvor. Este poema não é apenas um texto; é uma chama acesa em meio à pressa dos dias, um convite para que, também nós, aprendamos a render honra ao que realmente permanece.

 

© Alberto Araújo

Jornalista e escritor

09 de julho de 2026