terça-feira, 10 de março de 2026

LUZILÂNDIA – 136 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA RAÍZES E MEMÓRIAS - CRÔNICA DE © ALBERTO ARAÚJO

Há cidades que nascem do chão e do suor, mas crescem também dentro de nós, como raízes invisíveis que nos prendem à memória e ao afeto. Luzilândia, minha terra natal, é uma dessas cidades que não se limita ao mapa: ela se estende no coração de cada filho e filha que carrega consigo o orgulho de dizer “sou luzilandense”. Hoje, 10 de março de 2026 ao celebrar seus 136 anos de emancipação política sinto que não é apenas a história de uma cidade que se festeja, mas a história de um povo que aprendeu a transformar simplicidade em grandeza e tradição em esperança. 

Lembro-me das manhãs em que o sol do Piauí se derramava sobre as ruas, iluminando o casario antigo e os passos apressados de quem seguia para o trabalho ou para a feira. O cheiro de café fresco misturado ao da terra molhada pelas chuvas de verão compunha uma sinfonia de pertencimento. Cada esquina guardava uma história, cada praça era palco de encontros, cada sorriso era convite para permanecer. Luzilândia sempre foi mais que cenário: foi personagem principal na vida de todos nós. 

Ao longo de seus 136 anos, a cidade viu gerações nascerem, crescerem e partirem, mas nunca deixou de ser porto seguro. Quem sai leva consigo a lembrança dos festejos, das procissões, das conversas à sombra das árvores, e quem fica sustenta com dignidade o cotidiano que mantém viva a chama da comunidade. É como se cada morador fosse guardião de um pedaço da alma coletiva, irmãos de coração unidos pelo mesmo chão. 

Celebrar Luzilândia é também reconhecer sua coragem. Não foram poucas as dificuldades enfrentadas: a seca que teima em castigar, os desafios da modernidade que chegam devagar, as mudanças que exigem adaptação. Mas a cidade resiste. Resiste porque sua força não está apenas nas estruturas, mas nas pessoas. O povo luzilandense é feito de fibra, de fé e de uma alegria que não se deixa abater. É essa energia que faz da cidade um lugar onde o tempo não apaga a esperança.

Hoje, ao completar 136 anos, Luzilândia se veste de festa. Imagino como outrora sempre vivenciamos as ruas enfeitadas, os reencontros, os abraços apertados, os discursos que ecoam gratidão e orgulho. Mas mais que isso, imagino o silêncio das memórias: o olhar de quem lembra dos que vieram antes, dos que construíram com mãos calejadas e sonhos persistentes a base sobre a qual caminhamos. Cada tijolo, cada árvore, cada canto da cidade é testemunha de uma história que não se mede em datas, mas em afetos. 

E eu, filho dessa terra, mesmo distante, celebro junto. Porque ser luzilandense é carregar uma marca indelével: é saber que há um lugar no mundo onde sempre haverá espaço para o retorno, para o descanso, para o reencontro. É sentir que, ao dizer “minha cidade natal”, não se fala apenas de geografia, mas de identidade. Luzilândia é parte de mim, e eu sou parte dela.

Que este aniversário seja mais que uma comemoração: seja um convite para renovar os laços, para fortalecer a união, para projetar o futuro sem esquecer o passado. Que cada morador, cada irmão de coração, sinta-se protagonista dessa história que continua a ser escrita. Que a cidade siga crescendo sem perder sua essência, sem deixar de ser o lugar onde a simplicidade é riqueza e onde o afeto é patrimônio. 

Parabéns, Luzilândia, pelos seus 136 anos. Parabéns a cada luzilandense que, com sua vida, dá sentido a essa celebração. Que o futuro seja generoso, que o presente seja vivido com intensidade e que o passado continue a nos inspirar. Hoje, mais do que nunca, reafirmo: Luzilândia não é apenas minha origem, é meu destino de afeto. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural


 












SOLENIDADE DE FUNDAÇÃO OFICIAL E POSSE DA DIRETORIA DO NÚCLEO DA REDE SEM FRONTEIRAS EM NITERÓI

Ana Maria Tourinho - Vice-presidente
Cultural Mundial da Rede Sem Fronteiras
Momento em que profere o discurso
de Fundação do Núcleo-Niterói

Na noite de 9 de março de 2026, a cidade de Niterói viveu um momento histórico com a fundação oficial e posse da diretoria do Núcleo da Rede Sem Fronteiras em Niterói. A cerimônia, realizada na Câmara Municipal, reuniu autoridades, representantes culturais e membros da comunidade, consolidando a cidade como parte integrante da rede global que promove a língua portuguesa e a diversidade cultural. 

Irma Lasmar - Cerimonialista

Pontualmente às 19h, a cerimonialista Irma Lasmar Sirieiro deu início à sessão solene, convidando personalidades para compor a mesa presidencial. Matilde Slaibi Conti – presidente; Ana Maria Tourinho – Vice-presidente Cultural Mundial da Rede Sem Fronteiras; Márcia Pessanha, governadora do Distrito 8 do Elos Internacional; Jocelin Marry Nery, presidente do Elos Clube de Niterói; e Nagib Slaibi Filho, diretor jurídico do Elos Internacional.

A presidente referência cultural Matilde Slaibi Conti, que emocionou os presentes ao destacar a importância da cultura como elo de união entre povos e como patrimônio vivo da cidade. 

Em seu discurso, recordou as palavras do Apóstolo Paulo em 1 Coríntios 13: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine... O amor tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” Para Matilde, é justamente o amor, pela cultura, pela língua portuguesa e pela amizade entre os povos, que sustenta e guia a Rede Sem Fronteiras. 

A vice-presidente mundial cultural da RSF, Ana Maria Tourinho, declarou oficialmente a fundação do núcleo, representando a presidente mundial Dyandreia Portugal. A ata de fundação foi lida e aprovada, registrando Matilde Slaibi Conti como presidente do Núcleo Cultural Regional Niterói. A cerimônia incluiu o juramento dos membros da diretoria e a entrega de honrarias, simbolizando não apenas a posse, mas também a responsabilidade coletiva de levar adiante o projeto. 

Em suas palavras, Ana Maria destacou: “É com imensa honra e alegria que assumo a condução desta solenidade que marca a fundação do Núcleo da Rede Sem Fronteiras em Niterói. Represento aqui nossa presidente mundial, Dyandreia Portugal, e trago de Lisboa o afeto e a força de uma rede que nasceu para unir talentos e vozes além das fronteiras geográficas. A Rede Sem Fronteiras é, antes de tudo, um sonho coletivo. Um sonho que se materializa hoje nesta cidade sorriso, que sempre se destacou pela sua vocação cultural e pela sua capacidade de acolher.” 


A presidente mundial da RSF, Dyandreia Portugal, enviou mensagem em vídeo, destacando a relevância da criação do núcleo e felicitando Matilde e sua equipe. Em suas palavras: “A cultura é o nosso idioma comum, e a língua portuguesa é o fio que nos une em uma tapeçaria de histórias, memórias e esperanças. Ao fundarmos este núcleo, reafirmamos que a Rede Sem Fronteiras não conhece barreiras: ela atravessa oceanos, conecta continentes e floresce em cada coração que acredita na força da arte e da literatura como instrumentos de transformação.” 

Dyandreia ressaltou ainda a confiança na liderança de Matilde: “Sua trajetória é marcada pela dedicação, pela amizade e pela coragem de sonhar alto. Hoje, ao assumir a presidência do Núcleo Cultural Regional Niterói, você não apenas honra a nossa instituição, mas também inspira todos nós a acreditar que a cultura é capaz de iluminar caminhos e aproximar povos.” 

Matilde Carone Slaibi Conti, que assume o cargo de Presidente do Núcleo. Ao lado dela, uma diretoria comprometida e diversa foi formada para garantir a gestão eficiente e participativa da instituição: 

Presidente: Matilde Carone Slaibi Conti

1ª Vice-Presidente: Nagib Slaibi Filho

2ª Vice-Presidente: Karin Rangel

1ª Diretora Financeira: Marli Marinho

2ª Diretora Financeira: Ana Paula Aguiar

Diretora Institucional: Sabrina Campos da Cunha

Secretária: Jocelin Marry Viana Nery

Diretora Cultural e de Eventos: Ângela Maria Riccomi de Paula

Conselho Fiscal: Maria da Conceição Panait, Luciane Queiroz e Maria Otília Marques Camillo

Diretor de Marketing: Rubens Carrilho Fernandes 

Cada nome representa não apenas uma função administrativa, mas também um compromisso pessoal com a missão da Rede Sem Fronteiras. A diversidade de experiências e trajetórias reunidas nesta diretoria é um reflexo da pluralidade que caracteriza a instituição e que será a base para o desenvolvimento de projetos culturais e sociais em Niterói.

Do ponto de vista analítico, o evento pode ser compreendido em três dimensões: 

Histórica: reafirma a trajetória da Rede Sem Fronteiras, que desde 2013 se dedica à valorização da cultura e da língua portuguesa, fortalecendo o papel de Niterói como referência cultural no Brasil.

Social: promove a união de diferentes gerações e perfis, criando um espaço de convivência e reconhecimento mútuo, onde a cultura é celebrada como patrimônio coletivo. 

Internacional: insere Niterói em uma rede global de intercâmbio cultural, ampliando sua projeção e relevância no cenário da lusofonia. 

TRAJETÓRIA DA REDE SEM FRONTEIRAS

Origem: Fundada em 2013 como Jornal Sem Fronteiras, evoluiu para se tornar uma organização cultural internacional. 

Sede: Lisboa, Portugal, com presença em mais de 30 países. 

Missão: Promover a língua portuguesa como instrumento de união, valorizar a diversidade cultural dos povos lusófonos e criar oportunidades para escritores, artistas e criadores. 

Atuação: A RSF organiza eventos, publicações e intercâmbios culturais, costurando o tecido invisível da lusofonia com literatura, arte e humanidade.

IMPACTO CULTURAL EM NITERÓI 

A solenidade de 9 de março de 2026 insere Niterói em uma narrativa maior: 

Histórico: A cidade passa a ser parte da rede internacional de cultura lusófona, reforçando sua vocação como “cidade sorriso” e polo cultural do estado. 

Social: A Rede Sem Fronteiras cria um espaço de convivência e reconhecimento mútuo, fortalecendo laços comunitários e intergeracionais.

Internacional: Niterói ganha projeção global ao integrar-se a uma rede que conecta artistas e intelectuais de diferentes países, ampliando sua relevância cultural. 

A noite de 9 de março de 2026 não foi apenas uma celebração local, mas um marco que conecta Niterói ao mundo. A Rede Sem Fronteiras, ao inaugurar seu núcleo sob a presidência de Matilde Slaibi Conti, reafirma que a cultura lusófona é um patrimônio vivo, capaz de atravessar fronteiras e unir povos. 

Mais do que uma cerimônia, foi a celebração de um sonho coletivo, que une vozes e talentos em torno da arte, da literatura e da amizade. O impacto desse encontro transcende os limites da cidade, projetando Niterói como protagonista de uma narrativa cultural que valoriza a diversidade, a memória e a esperança de um futuro mais unido e plural. 

CRÉDITOS DAS FOTOS:

Alberto Araújo

Aldo da Silva Pessanha

Euderson Kang Tourinho

Sergio Gomes – ASCOMCMN

Ensaio jornalístico e cultural

© Alberto Araújo – Focus Portal Cultural


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SOLENIDADE DE POSSE DA NOVA DIRETORIA DO ELOS CLUBE DE NITERÓI


Na noite de 9 de março de 2026, a Câmara Municipal de Niterói transformou-se em palco de um dos mais significativos eventos culturais da cidade: a solenidade de posse da nova diretoria do Elos Clube de Niterói. A cerimônia, realizada com rigor protocolar e emoção contagiante, reuniu autoridades, representantes culturais e membros da comunidade, reafirmando o papel da cidade como polo de integração da lusofonia e da cultura internacional.

Pontualmente às 19h, a cerimonialista Irma Lasmar Sirieiro deu início à sessão solene, convidando personalidades para compor a mesa presidencial: Matilde Slaibi Conti, presidente honorária e referência cultural; Márcia Pessanha, governadora do Distrito 8 do Elos Internacional; Jocelin Marry Nery, presidente do Elos Clube de Niterói; e Nagib Slaibi Filho, diretor jurídico do Elos Internacional. 

Em seu discurso inicial, Matilde Slaibi Conti emocionou os presentes ao destacar a importância da cultura como elo de união entre povos e como patrimônio vivo da cidade. Recordou as palavras do Apóstolo Paulo em sua célebre carta aos Coríntios: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine... O amor tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” Este hino ao amor nos lembra que, sem amor, nada vale. E é justamente o amor,  pela cultura, pela língua portuguesa, pela amizade entre os povos, que sustenta e guia o Elos Clube. 

O jornalista Alberto Araújo, ao definir a epígrafe da gestão, sintetizou o espírito que conduzirá o biênio 2026-2027: “Unidos pela Língua, Fortalecidos pelo Elismo!” Um lema que traduz a missão de fortalecer os laços da lusofonia e celebrar a diversidade cultural. 

Coube à governadora do Distrito 8, Márcia Pessanha, a honra de conduzir um dos momentos mais simbólicos da cerimônia. Com firmeza e delicadeza, dirigiu-se à nova diretoria, destacando a relevância da missão que cada membro assume ao integrar a gestão. Em seguida, convidou todos os diretores ao centro do salão, onde receberam seus certificados e realizaram a assinatura do livro de posse. Esse gesto, carregado de significado, oficializou não apenas a responsabilidade administrativa, mas também o compromisso coletivo com os valores do elismo: amizade, solidariedade e cultura. 

Momento em que a elista Jocelin Marry profere seu discursode posse como presidente.

A nova diretoria do Elos Clube de Niterói para o biênio 2026-2027 foi assim oficializada:

Presidente: Jocelin Marry Viana Nery da Silva

Vice-presidente: Karin Ferreira Dias Rangel

1ª Secretária: Flávia Cristina Rosário da Silva

2ª Secretária: Ana Maria Felicidade Coimbra Tourinho

Tesoureiro: Rubens Carrilho Fernandes

O Conselho Deliberativo, formado por Zeneida Apolônio Seixas, Riva Maria Leite Costa e Francisco Carlos de Souza Vignoli, reforça a solidez da gestão e a continuidade da tradição elista. 

Recentemente reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro, o Elos Clube de Niterói reafirma sua missão de promover amizade, paz e cultura entre os povos de língua portuguesa. 

A noite foi enriquecida pela apresentação musical do maestro Joabe Ferreira e da Companhia Artística Cantate Diem, que emocionaram os presentes com repertório de excelência. O coquetel de encerramento, preparado pela chef Beth Schueler, proporcionou momentos de confraternização e celebração. 

Mais do que um ato administrativo, a solenidade foi um marco cultural. Representou a continuidade de uma trajetória de dedicação à cultura e à amizade, valores que sustentam o Elos Clube desde sua fundação. A nova presidente, Jocelin Marry Nery, destacou em seu discurso a missão do elismo em fortalecer os laços de solidariedade e honrar a história de Niterói, reafirmando que o clube seguirá como corrente de união e esperança.

A noite de 9 de março de 2026 ficará registrada como um momento de emoção, reconhecimento e esperança. A posse da nova diretoria do Elos Clube de Niterói consolidou a cidade como espaço de integração cultural e de celebração da diversidade. 

Mais do que uma cerimônia, foi a celebração de um sonho coletivo, que une vozes e talentos em torno da arte, da literatura e da amizade entre os povos. O Elos Clube de Niterói, fortalecido por sua nova gestão, reafirma que a cultura é ponte, é diálogo e é amor, virtude suprema que guia nossos passos e ilumina o futuro da lusofonia.

CRÉDITOS DAS FOTOS

Alberto Araújo

Aldo da Silva Pessanha

Euderson Kang Tourinho

Sergio Gomes – ASCOMCMN



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segunda-feira, 9 de março de 2026

08 - SCHUBERT – WINTERREISE - VIAGEM DE INVERNO - ENSAIO ACADÊMICO E CULTURAL © ALBERTO ARAÚJO


PARTE 1 

Em 1827, Franz Schubert, já debilitado pela doença e consciente da proximidade da morte, encontrou nos poemas de Wilhelm Müller um espelho de sua própria condição existencial. Müller havia publicado inicialmente doze textos sob o título Winterreise em uma revista literária. Schubert, fascinado pela atmosfera sombria e introspectiva, musicou-os em fevereiro daquele ano. Mais tarde, ao ter acesso ao livro 77 poemas encontrados nos papéis póstumos de um trompista ambulante, descobriu que o ciclo era composto de 24 poemas. Assim, em outubro de 1827, completou a segunda metade da obra, criando um dos monumentos mais intensos da literatura musical ocidental. 

O ciclo se tornou uma espécie de confissão artística. Diferente de Die Schöne Müllerin (1823), em que o protagonista é um jovem apaixonado que se afoga em desespero amoroso, Winterreise é marcado por uma atmosfera de despedida e pela consciência da finitude. O pianista e estudioso Graham Johnson observa que, para Schubert, o maior temor não era a morte em si, mas a possibilidade de perder a capacidade de compor. A ideia de um mundo sem música era, para ele, a mais trágica das perspectivas. 

Estrutura e atmosfera

O protagonista do ciclo é um viajante solitário que, após ser abandonado pela amada, parte em meio à noite. A narrativa não se desenvolve de forma linear, mas como uma sequência de vinhetas emocionais, flashes de memória e estados de espírito. A viagem é tanto física quanto interior: uma peregrinação pela dor, pela nostalgia e pela alienação. O piano e a voz se entrelaçam em uma economia de meios impressionante. Cada nota é necessária, cada gesto musical é carregado de sentido. Não há ornamentos supérfluos; Schubert constrói um universo inteiro com recursos mínimos, mas de impacto devastador. 

A primeira parte do ciclo, composta pelas canções 1 a 12, revela o processo de transformação do viajante em andarilho errante. Ele oscila entre ternura, raiva, melancolia e delírio. A música traduz estados psicológicos extremos, sem nunca recorrer ao excesso. É uma síntese magistral de poesia e som. 

AS CANÇÕES DA PARTE 1

1. Gute Nacht (Boa noite) 

O ciclo se abre com uma marcha contida. O viajante parte silenciosamente, sem querer perturbar os sonhos da amada. Há ternura e resignação, mas também a consciência de que o caminho é inevitável. O motivo repetitivo no piano sugere o passo firme de quem caminha na escuridão. É uma despedida impregnada de bondade, característica essencial da música de Schubert. 

2. Die Wetterfahne (O catavento) 

Aqui surge a amargura. O catavento simboliza a instabilidade e a superficialidade da família da moça, que busca um partido mais vantajoso. A tonalidade menor intensifica a raiva. É uma canção dramática, quase sarcástica, em que o vento parece zombar do viajante. 

3. Gefror’ne Tränen (Lágrimas congeladas) 

A raiva dá lugar à tristeza pura. O viajante percebe que suas lágrimas se transformam em gelo no rosto. O piano imita gotas que caem e se cristalizam. É um momento de introspecção silenciosa, em que a dor se torna física. 

4. Erstarrung (Solidificação) 

O coração congelado guarda a imagem da amada. O texto sugere que, se o gelo derreter, a lembrança também desaparecerá. A música é agitada, quase febril, como se o viajante lutasse contra a própria imobilidade interior.

5. Der Lindenbaum (A tília) 

Talvez a mais célebre canção do ciclo. Um flashback em Mi maior evoca a árvore sob a qual o protagonista costumava descansar. O vento frio, porém, o traz de volta ao presente, e a tonalidade menor reaparece com força dramática. É uma canção de lembrança e perda, em que a natureza se torna testemunha da dor. 

6. Wasserflut (Inundação) 

A neve e as lágrimas se confundem. O viajante pede que a corrente siga o fluxo de sua saudade. O piano cria uma atmosfera líquida, fluida, que sugere tanto o movimento da água quanto o desespero interior. 

7. Auf dem Flusse (Sobre o rio) 

O ritmo de marcha aqui é lento, quase fúnebre. O protagonista grava no gelo o nome da amada, como se quisesse eternizar sua dor. O Trio em Mi maior surge como lembrança do passado, mas logo se dissolve na frieza do presente.

8. Rückblick (Olhar para trás) 

A fuga da cena da humilhação é descrita em ritmo desenfreado. A desorientação é reforçada pelo contraste entre o compasso da voz e o do piano. É uma canção de turbulência emocional, marcada pela confusão. 

9. Irrlicht (Fogo fátuo) 

Em Si menor, tonalidade associada por Schubert à solidão e ao desespero, o viajante segue uma luz enganadora. A última palavra do poema, Grab (túmulo), sugere que a caverna é metáfora da morte. A música é fantasmagórica, como um delírio. 

10. Rast (Repouso)

Apesar do título, não há repouso verdadeiro. O ritmo de marcha persiste, mas esvaziado de energia. O paradoxo é revelador: a viagem é interior, e o protagonista permanece inquieto mesmo quando tenta descansar. A música sugere que não há pausa possível para quem carrega tamanha dor.

11. Frühlingstraum (Sonho de Primavera)

Uma valsinha inocente abre a canção, evocando flores e abraços em sonho. Mas o despertar é cruel: o frio, a escuridão e o canto dos galos interrompem a ilusão. O piano em registro agudo cria uma atmosfera de sonho desbotado, quase alucinatório. O viajante deseja a primavera, mas sabe que ela não virá.

12. Einsamkeit (Solidão) 

Encerrando a primeira parte, o protagonista se vê completamente isolado. A música é lenta, pesada, marcada por um sentimento de abandono absoluto. É o ponto em que a viagem se torna irreversível: não há retorno, apenas o caminho adiante.

Considerações finais

A primeira metade de Winterreise é um mergulho na psique de um homem devastado. Schubert, consciente de sua própria fragilidade, transforma dor pessoal em arte universal. Cada canção é uma janela para um estado emocional distinto, mas todas se unem em um arco narrativo de rara intensidade. O viajante não é apenas um personagem: é o próprio Schubert, é Müller, é qualquer ser humano que já enfrentou a perda e a solidão.

O ciclo não busca consolo. Ao contrário, expõe a ferida aberta e a transforma em música. É por isso que Winterreise continua a nos tocar profundamente: porque fala daquilo que é mais humano, a consciência da finitude e o desejo de encontrar sentido mesmo na escuridão. 

Schubert – Winterreise (Viagem de Inverno): Parte 2 

Se a primeira metade de Winterreise já nos coloca diante de um viajante marcado pela dor e pela solidão, a segunda parte aprofunda ainda mais esse mergulho na escuridão. Aqui, não há mais espaço para ilusões de retorno ou reconciliação. O protagonista se torna um andarilho errante, cada vez mais afastado da vida social, caminhando em direção a um destino que parece ser a morte.

Schubert compôs esta segunda parte em outubro de 1827, poucos meses antes de sua morte. É como se estivesse escrevendo sua própria despedida. A música se torna mais rarefeita, mais austera, e o piano assume um papel quase espectral, criando atmosferas de vazio e desolação. 

AS CANÇÕES DA PARTE 2  

13. Die Post (O correio)

O som do correio desperta esperança: talvez uma carta da amada? Mas a expectativa logo se desfaz. O ritmo animado contrasta com a realidade amarga. É um momento de ilusão breve, que se dissolve em frustração. 

14. Der greise Kopf (A cabeça grisalha)

O viajante percebe que a neve em seus cabelos o faz parecer velho. Por um instante, sente que a morte está próxima, mas logo a neve derrete e ele volta a ser jovem. A oscilação entre esperança e desespero é cruel. A música é lenta, pesada, marcada por resignação. 

15. Die Krähe (A gralha) 

Uma gralha o acompanha desde que deixou a cidade. O pássaro é visto como presságio de morte, talvez esperando pelo cadáver. O piano imita o voo circular da ave. É uma canção de inquietação, em que o viajante se vê perseguido pela própria mortalidade. 

16. Letzte Hoffnung (Última esperança) 

O protagonista observa as folhas caindo de uma árvore. Cada folha que cai é uma esperança perdida. O piano cria um ambiente de suspensão, como se cada acorde fosse uma folha que se desprende lentamente. A metáfora da natureza reforça a sensação de fim inevitável. 

17. Im Dorfe (Na aldeia) 

Enquanto os aldeões dormem, o viajante continua sua jornada. O contraste entre o descanso dos outros e sua própria vigília é doloroso. O piano sugere o som dos cães que latem e das correntes que se agitam. É uma canção de exclusão: ele não pertence mais ao mundo dos vivos. 

18. Der stürmische Morgen (Manhã tempestuosa)

Breve e explosiva, esta canção retrata o amanhecer turbulento. O vento e as nuvens são metáforas da tormenta interior. O piano é agitado, quase violento, refletindo o estado emocional do protagonista.

19. Täuschung (Ilusão)

Uma luz distante parece prometer calor e acolhimento. Mas é apenas engano. O viajante reconhece que está sendo iludido, mas mesmo assim segue a luz. A música é mais leve, quase dançante, mas carrega ironia amarga.

20. Der Wegweiser (O guia de caminhos) 

O protagonista encontra uma placa indicando caminhos. Ele escolhe sempre o mais solitário, o que ninguém percorre. É uma metáfora clara de sua decisão de se afastar definitivamente da vida social. O piano cria uma atmosfera de resignação e inevitabilidade. 

21. Das Wirtshaus (A estalagem) 

O viajante chega a uma estalagem, mas percebe que é um cemitério. Os portões convidativos são, na verdade, túmulos. Ele deseja descansar ali, mas não é aceito. A música é lenta, quase um coral fúnebre, reforçando a ideia de exclusão até mesmo da morte. 

22. Mut! (Coragem!)

Um momento surpreendente: o viajante tenta se animar, cantarolando com energia. Mas é uma coragem artificial, quase desesperada. O piano é vigoroso, mas sabemos que é apenas uma máscara. A vitalidade aqui é ilusória, como um último lampejo antes da escuridão.

23. Die Nebensonnen (Os sóis ilusórios)

O viajante vê três sóis no céu. Dois desaparecem, restando apenas um. Ele interpreta como metáfora de sua vida: perdeu duas alegrias, resta apenas a dor. A música é lenta, contemplativa, marcada por estranheza. É uma visão alucinatória, quase mística. 

24. Der Leiermann (O tocador de realejo) 

O ciclo termina com uma imagem desoladora: um velho músico de rua, tocando seu realejo sem que ninguém o escute. O viajante se aproxima e pergunta se pode acompanhá-lo. O piano imita o som repetitivo do instrumento, criando uma atmosfera hipnótica. Não há resolução, apenas o vazio. É o fim da jornada, mas não há descanso: apenas a companhia da morte e da solidão.

Considerações finais

A segunda parte de Winterreise é ainda mais radical que a primeira. Se antes havia lembranças e sonhos, agora resta apenas o confronto com a morte e a exclusão definitiva. O protagonista não encontra consolo, nem na natureza, nem nas pessoas, nem na própria morte. 

Schubert transforma essa desesperança em arte sublime. O ciclo inteiro é uma meditação sobre a finitude, mas também sobre a capacidade da música de dar forma ao indizível. Winterreise não oferece respostas, apenas nos coloca diante do abismo. E é justamente por isso que continua a nos fascinar: porque fala daquilo que todos, em algum momento, terão de enfrentar.

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural    








Referências Bibliográficas 

  • MÜLLER, Wilhelm. Winterreise: Ein Zyklus von Liedern. In: ______. 77 Gedichte aus den hinterlassenen Papieren eines reisenden Waldhornisten. Leipzig: Brockhaus, 1824–1827.

  • SCHUBERT, Franz. Winterreise, Op. 89, D. 911. Viena: 1827. Partitura.

  • JOHNSON, Graham. Franz Schubert: The Complete Songs. New Haven: Yale University Press, 2014.

  • YOUENS, Susan. Retracing a Winter’s Journey: Schubert’s Winterreise. Ithaca: Cornell University Press, 1991.

  • SCHAEFFER, Erwin. Schubert’s Winterreise. The Musical Quarterly, v. 34, n. 2, p. 151–168, 1948. Disponível em: <https://www.jstor.org/stable/739292>.

  • WIKIPÉDIA. Winterreise. Disponível em:

  • https://pt.wikipedia.org/wiki/Winterreise (pt.wikipedia.org in Bing). Acesso em: 9 mar. 2026.

  • P.Q.P. BACH. Franz Schubert (1797-1828): Winterreise (Mammel / Schoonderwoerd). Blog PQP Bach, 2022. Disponível em: https://pqpbach.sul21.com.br/ (pqpbach.sul21.com.br in Bing). Acesso em: 9 mar. 2026.



CONVITE ESPECIAL – MÊS DA MULHER MULHERES QUE INSPIRAM, LIDERANÇAS QUE TRANSFORMAM - ROTARY CLUB DE NITERÓI NOVOS TEMPOS - PRESIDENTE ANGELA RICCOMI

O Rotary Club de Niterói Novos Tempos tem a honra de convidar você para uma noite memorável em celebração ao Mês da Mulher. No dia 17 de março de 2026, terça-feira, às 19h30min, no elegante espaço da Whisqueria do Clube Central, onde será realizada uma reunião festiva com coquetel, dedicada a reconhecer e homenagear o papel transformador das mulheres na sociedade. 

O encontro contará com a presença especial de Fernanda Sixel Neves, personalidade de destaque que traz consigo uma trajetória marcada pela inspiração, pela liderança e pelo compromisso com causas que promovem desenvolvimento humano e social. 

O investimento para participação é de R$ 65,00, com chave Pix: vindio8355@gmail.com 

SOBRE A PALESTRANTE – FERNANDA SIXEL NEVES

Fernanda Sixel Neves é uma mulher que a sua história se entrelaça com a própria ideia de liderança transformadora. Reconhecida por sua atuação em projetos voltados ao fortalecimento da presença feminina em espaços de decisão, Fernanda tem se dedicado a fomentar ambientes inclusivos, onde a diversidade é vista como motor de inovação e progresso.

Sua trajetória é marcada por conquistas que vão além do âmbito profissional: Fernanda é referência em inspirar outras mulheres a acreditarem em seu potencial, a ocuparem espaços de relevância e a exercerem sua voz com firmeza e sensibilidade. Sua fala é sempre pautada pela valorização da ética, da solidariedade e da coragem de transformar realidades. 

Ao longo dos anos, Fernanda tem participado de iniciativas que unem educação, empreendedorismo e cidadania, demonstrando que o verdadeiro impacto de uma liderança não se mede apenas por resultados imediatos, mas pela capacidade de gerar mudanças duradouras e significativas.

Sua presença neste evento simboliza o compromisso do Rotary em destacar exemplos que iluminam caminhos e incentivam novas gerações a seguirem adiante com confiança e determinação.

O ROTARY CLUB DE NITERÓI NOVOS TEMPOS

Fundado com o propósito de ser um agente de transformação comunitária, o Rotary Club de Niterói Novos Tempos tem se consolidado como um espaço de encontro entre pessoas que compartilham valores de ética, serviço e solidariedade.

Sob a presidência de Ângela Riccomi, o clube vive um momento de renovação e fortalecimento. Ângela tem conduzido sua gestão com sensibilidade e firmeza, promovendo ações que unem tradição e inovação. Sua liderança é marcada pela valorização da diversidade, pelo incentivo ao protagonismo feminino e pela busca constante de projetos que impactem positivamente a comunidade de Niterói e região. 

O Rotary Novos Tempos acredita que cada reunião é mais do que um encontro social: é uma oportunidade de construir pontes, de ampliar horizontes e de reafirmar o compromisso com o lema rotário de “Dar de Si Antes de Pensar em Si”. 

Entre os projetos recentes, destacam-se iniciativas voltadas para educação, saúde comunitária e apoio a famílias em situação de vulnerabilidade. A gestão de Ângela Riccomi tem buscado integrar o clube às demandas contemporâneas, reforçando a importância de se pensar globalmente e agir localmente. 

O evento “Mulheres que inspiram, lideranças que transformam” não é apenas uma homenagem: é um convite à reflexão sobre o papel das mulheres na construção de uma sociedade mais justa e equilibrada. É também uma oportunidade de confraternização, de troca de experiências e de fortalecimento dos laços que unem os membros do Rotary e a comunidade. 

Ao reunir pessoas em torno de uma causa tão significativa, o Rotary Club de Niterói Novos Tempos reafirma sua missão de ser um espaço de diálogo, de aprendizado e de ação concreta. 

INFORMAÇÕES PRÁTICAS

Data: 17 de março de 2026, terça-feira.

Horário: 19h30min

Local: Whisqueria do Clube Central, Icaraí, Niterói.

Investimento: R$ 65,00

Pix: vindio8355@gmail.com

Este convite é mais do que uma chamada para um evento: é uma celebração da força feminina, da liderança transformadora e do compromisso comunitário. Ao participar, você se torna parte de uma rede que acredita no poder da inspiração e da ação coletiva. 

Brinde conosco ao Mês da Mulher, ouvir as palavras de Fernanda Sixel Neves e compartilhar da energia positiva que move o Rotary Club de Niterói Novos Tempos sob a presidência de Ângela Riccomi.

© Alberto Araújo

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