terça-feira, 24 de março de 2026

MÚSICOS DA GROTA RUMO À ALEMANHA: UMA TRAVESSIA CULTURAL

O som da flauta doce, que ecoa há três décadas nas vielas e praças de Niterói, prepara-se para atravessar o Atlântico. O grupo O Som Doce da Grota, formado por jovens músicos oriundos de comunidades e formados no Espaço Cultural da Grota (ECG), inicia uma campanha para viabilizar sua viagem à Alemanha, onde participarão de intercâmbios culturais nas cidades de Bochum e Duisburg e integrarão a programação do Blockflötenfesttage, um dos mais prestigiados festivais internacionais dedicados à música antiga e à flauta doce. 

Essa jornada não é apenas uma viagem: é a materialização de um sonho coletivo, tecido ao longo de anos de dedicação, disciplina e paixão pela música. O ECG, fundado há 30 anos, tornou-se referência em inclusão social por meio da arte, oferecendo gratuitamente aulas de iniciação musical, prática de orquestra e formação em diversos instrumentos. Mais de mil alunos por ano passam por suas salas, aprendendo não apenas notas e partituras, mas também valores de convivência, solidariedade e cidadania.

O convite para o festival na Alemanha é um reconhecimento internacional da qualidade artística do grupo. Especializados na interpretação de obras dos períodos Barroco e Renascentista, os músicos também reinventam clássicos da Música Popular Brasileira em arranjos para flauta doce, criando uma ponte entre tradições europeias e a riqueza sonora nacional. Ao subir aos palcos alemães, eles levarão consigo não apenas melodias, mas também histórias de resistência e superação. 

Para que essa travessia se concretize, o grupo precisa arrecadar cerca de R$ 75 mil, valor destinado a passagens, hospedagem e alimentação dos nove integrantes. A campanha de arrecadação mobiliza concertos beneficentes com entrada franca, realizados em igrejas e espaços culturais de Niterói e São Gonçalo. Cada apresentação é, ao mesmo tempo, um espetáculo e um ato de esperança: o público contribui com doações e se torna parte dessa jornada. 

Viagens como essa ampliam horizontes. Para jovens que cresceram em comunidades, muitas vezes limitados por barreiras sociais e econômicas, a experiência de tocar em um festival europeu é transformadora. Como afirma Lenora Mendes, coordenadora do grupo e fundadora do ECG, “essas oportunidades mostram que dedicação e comprometimento podem abrir caminhos antes inimagináveis”. Mais do que uma conquista individual, é um símbolo para todos os alunos da Grota: a música pode levá-los além das fronteiras físicas e simbólicas. 

O ECG é um organismo vivo de cultura. Além da música, oferece reforço escolar, pré-vestibular, yoga, desenho e pintura. É um espaço onde crianças e jovens encontram apoio para desenvolver talentos e construir perspectivas de futuro. A cada acorde, a cada ensaio, reafirma-se a missão de transformar vidas por meio da arte. 

CONCERTOS BENEFICENTES

29 de março, 10h30min – Igreja Luterana, Icaraí, Niterói

12 de abril, 11h – Solar do Jambeiro, São Domingos, Niterói

17 de abril, 19h – Igreja Betânia, São Francisco, Niterói 

Todos os concertos têm entrada gratuita, reforçando o caráter inclusivo do projeto. 

O Som Doce da Grota não leva apenas música à Alemanha. Leva consigo a memória de um Brasil plural, que pulsa em cada nota. Leva a força de jovens que transformaram dificuldades em arte. Leva a esperança de que a cultura, quando cultivada com amor e partilhada com generosidade, pode ser a chave para abrir portas em qualquer lugar do mundo. 

© Alberto Araújo

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AS SOBERANAS DA MEMÓRIA: UM ENSAIO SOBRE DONA AMÉLIA E CLEONICE BERARDINELLI NO REAL GABINETE - ENSAIO LITERÁRIO DE © ALBERTO ARAÚJO

 

O Real Gabinete Português de Leitura, encravado no centro do Rio de Janeiro como uma joia de cantaria e talha, é mais do que uma biblioteca; é um manifesto geográfico da alma luso-brasileira. Ao cruzarmos seus umbrais de inspiração neomanuelina, somos imediatamente envolvidos por um silêncio que não é ausência de som, mas acúmulo de vozes. No entanto, entre os milhares de lombadas de couro e os bustos de navegadores e poetas, duas presenças femininas se erguem com uma força que transcende a cronologia: a Rainha Dona Amélia de Orléans e a Professora Cleonice Berardinelli. 

Este ensaio propõe uma reflexão sobre como essas duas figuras, uma vinculada ao trono e à linhagem, a outra à cátedra e ao verbo, tornaram-se as sentinelas espirituais de uma das instituições mais belas do mundo.

I. Dona Amélia: A Majestade entre o Sangue e o Estuco 

Dona Amélia (1865–1951) não habita o Real Gabinete apenas como uma imagem decorativa. Seu retrato a óleo, imponente e solitário em sua representação feminina naquela escala, é o testemunho de uma era de transição dolorosa. Filha dos Condes de Paris e última rainha consorte de Portugal, Amélia foi uma mulher que compreendeu, talvez antes de seus contemporâneos, que a monarquia só encontraria sobrevida se fincasse raízes no cuidado social e na preservação da cultura. 

Sua conexão com o Gabinete é, antes de tudo, um ato de reconhecimento institucional. Foi seu marido, Dom Carlos I, quem concedeu o título de "Real" à instituição em 1906, apenas dois anos antes da tragédia que mudaria o curso da história europeia. Mas a presença de Amélia no Gabinete carrega um simbolismo mais profundo: a resiliência. 

Em 1º de fevereiro de 1908, no Terreiro do Paço, Amélia viu o mundo desmoronar sob o estampido dos tiros que ceifaram a vida do rei e do príncipe herdeiro. Ali, naquela carruagem ensanguentada, a rainha não foi apenas uma vítima; foi uma combatente que, com um ramo de flores em mãos, tentou desviar o destino. Essa força trágica e digna é o que emana de seu retrato nas paredes do Gabinete. Ela representa a Portugalidade que não se curva ao tempo, a tradição que sobrevive ao exílio e à queda dos regimes. No Gabinete, Amélia é a memória viva de uma "Casa" que se expandiu para além do território físico para se tornar uma casa de saber. 

Sua atuação em prol da saúde pública e das artes em Portugal reflete o espírito do Gabinete: a ideia de que o conhecimento e o cuidado são as únicas ferramentas capazes de civilizar uma nação. Ao olhar para o retrato de Dona Amélia, o visitante do Real Gabinete não vê apenas a nobreza de nascimento, mas a nobreza de propósito. Ela guarda as chaves simbólicas de um passado que fundamenta a nossa língua. 

II. Cleonice Berardinelli: A Alquimia da Palavra e o Reino do Pensamento

Se Dona Amélia é a moldura histórica, Cleonice Berardinelli (1916–2023) é o fôlego vital que percorre os corredores de livros. Se a rainha recebeu o título de "Real" para a casa, a professora deu ao Gabinete a sua "realeza intelectual". Cleonice não era apenas uma frequentadora; ela era a personificação da exegese luso-brasileira. 

Por mais de seis décadas, "Dona Cleonice", como era chamada com uma reverência que misturava carinho e admiração, transformou as mesas de madeira do Gabinete em laboratórios de descoberta. Sua relação com a instituição não era passiva. Ela lecionou, pesquisou e, acima de tudo, decodificou os grandes mestres. Foi ela quem trouxe Fernando Pessoa para o centro do debate acadêmico brasileiro com uma tese pioneira em 1958. Imagine-se o cenário: em um mundo acadêmico ainda dominado por homens, uma mulher debruçava-se sobre a complexidade dos heterônimos, desvelando a angústia metafísica e a solidão que habitavam os versos do poeta do "Desassossego". 

O Memorial Cleonice Berardinelli, instalado na Galeria dos Estuques, é um espaço de peregrinação intelectual. Ali, o fardão da Academia Brasileira de Letras descansa, não como uma peça de museu, mas como o símbolo de uma conquista. Cleonice provou que a imortalidade não vem do sangue real, mas da tinta que se gasta para explicar o mundo. Suas anotações à margem dos livros de Camões ou de Gil Vicente são diálogos diretos com o passado. 

Para Cleonice, o Real Gabinete era o seu "Reino". Ela navegou por aqueles mares de papel com a mesma coragem dos nautas de 1500, mas sua bússola era a filologia e sua estrela-guia era a poesia. Ela humanizou o Gabinete. Através dela, o mármore tornou-se carne, e a literatura deixou de ser um objeto estático para se tornar uma experiência viva. 

III. O Encontro das Duas Guardiãs: Onde o Passado e o Futuro se Abraçam

O que acontece quando colocamos Dona Amélia e Cleonice Berardinelli sob a mesma análise? Surge a verdadeira face do Real Gabinete Português de Leitura. 

A instituição é sustentada por essa dualidade. Por um lado, a institucionalidade e a tradição (Amélia), que garantem que o local seja um monumento de respeito e continuidade. Por outro, a investigação e a renovação (Cleonice), que garantem que os livros não se transformem em cinzas ou poeira, mas que continuem a iluminar novas mentes. 

Ambas enfrentaram seus próprios "regicídios". Amélia enfrentou a morte da monarquia e o exílio; Cleonice enfrentou o preconceito de gênero na academia e a imensidão do desconhecido literário. Ambas venceram através da cultura.

O Real Gabinete, com suas claraboias que deixam entrar a luz do Rio de Janeiro, celebra essas duas mulheres como pontes. Dona Amélia é a ponte para o Portugal que fomos; Cleonice Berardinelli é a ponte para o Brasil que podemos ser através do saber. No Gabinete, a rainha e a professora não são figuras opostas; são complementares. Uma protege o prédio e sua história; a outra protege o conteúdo e sua interpretação.

Para nós, observadores do tempo e da cultura, a lição que Dona Amélia e Cleonice Berardinelli deixam é clara: uma instituição só é "Real" se for capaz de abrigar a grandeza humana em todas as suas formas. O Real Gabinete Português de Leitura é, hoje, um santuário de resistência feminina. 

A cada vez que um pesquisador abre um livro raro sob a supervisão do olhar pintado de Amélia, ou que um estudante se inspira na trajetória de Cleonice no Memorial, o Gabinete cumpre sua missão. Ele deixa de ser um edifício de 1887 para se tornar um organismo eterno, onde a nobreza do espírito e a nobreza da história caminham de mãos dadas, rumo à imortalidade da língua portuguesa.

Estas são as nossas sentinelas. Uma rainha que se fez silêncio e dignidade; uma professora que se fez voz e sabedoria. No Real Gabinete, o tempo para, apenas para que possamos ouvi-las. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

Fontes Primárias e Audiovisuais:

 

SOARES, Raquel (Apresentação). As Mulheres do Real Gabinete: Dona Amélia e Cleonice Berardinelli. Vídeo institucional/documental. Rio de Janeiro: Real Gabinete Português de Leitura, 2026.

 

REAL GABINETE PORTUGUÊS DE LEITURA. Memorial Cleonice Berardinelli: Acervo e História. Disponível em: [Site Oficial do RGPL]. Acesso em: 24 mar. 2026.

 

Obras de/sobre Cleonice Berardinelli:

 

BERARDINELLI, Cleonice. Poesia e Poética de Fernando Pessoa. Rio de Janeiro: Ed. Duas Cidades, 1958 (Tese original consultada no acervo do RGPL).

 

BERARDINELLI, Cleonice. Estudos de Literatura Portuguesa. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1985.

ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Perfil da Acadêmica Cleonice Berardinelli. Cadeira nº 8. Rio de Janeiro: ABL.

 

Obras sobre Dona Amélia e Contexto Histórico:

 

SÁ, Maria João da Câmara Schwalbach de. Dona Amélia: A Rainha de Portugal. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2011.

 

PONTES, Paulo. O Real Gabinete Português de Leitura: 180 anos de história e arquitetura. Rio de Janeiro: RGPL, 2017.

 

MAGALHÃES JÚNIOR, R. Machado de Assis e o Real Gabinete. (Consulta contextual sobre a fundação e títulos da instituição).

 


CÂMARA BRASILEIRA DO LIVRO LANÇA CAMPANHA NACIONAL E CRIA FUNDO PATRIMONIAL PARA VALORIZAR O LIVRO NO BRASIL

 


“Meu Livro, Meu Estilo” marca nova fase da CBL e coloca livros e autores de volta à conversa; campanha foi criada em parceria com a AlmapBBDO. 

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) anuncia o lançamento da campanha nacional “Meu Livro, Meu Estilo”, uma iniciativa voltada a recolocar o livro no centro do dia a dia das pessoas, como escolha pessoal, expressão de identidade e parte da cultura contemporânea. 

A campanha faz parte de uma estratégia institucional de longo prazo aprovada pela Diretoria da entidade, que inclui a criação do Fundo Patrimonial CBL de Valorização do Livro, pensado para garantir recursos permanentes e dar escala a ações contínuas de valorização do livro e dos autores brasileiros. 

A proposta é simples e ambiciosa: fazer o livro circular mais, aparecer mais e ser mais comentado nas redes, nas conversas, nas referências culturais. O objetivo é ampliar o espaço do livro nos ambientes onde hoje se constroem tendências, gostos e comportamentos. 

A iniciativa nasce da Comissão de Valorização do Livro da CBL, formada por representantes de diferentes elos da cadeia editorial, com o objetivo de criar ações permanentes que fortaleçam a presença do livro no imaginário coletivo, destaquem autores e editoras e aproximem novas pessoas do universo da leitura. 

Integram a Comissão Alexandre Fonseca, da Editora Perspectiva; Carolina Riedel Diomelli, do Grupo Editorial Pensamento/Cultrix; Cláudia Machado, da Catavento Distribuidora; Daniel Pinsky, das editoras Pinsky e Contexto; James Antonio Misse, da Editora Pé da Letra; Luís Antonio Torelli, da RM Perez Editora e Trilha Educacional; Luciana Borges, da Companhia das Letras; Renata Sturm, da Maquinaria Sankto Editora e Distribuidora; Thiago Oliveira, da Amazon Brasil; Karine Gonçalves Pansa, da Girassol Brasil Edições; e Isis Valeria Gomes. Também participam Alfredo Weiszflog, Fernanda Gomes Garcia, Cinthia Favilla e Lis Ribeiro, da Câmara Brasileira do Livro. A coordenação da Comissão é de Diego Drumond e Lima, da Drummond Livraria. 

O Fundo Patrimonial foi aprovado como um instrumento permanente para mobilizar recursos privados e sustentar projetos de valorização do livro ao longo do tempo, com governança, transparência e visão de futuro. “Estamos estruturando algo que vai além de uma campanha. É um compromisso permanente da CBL com o livro, com os autores e com o fortalecimento do setor editorial brasileiro”, afirma Sevani Matos, presidente da CBL. 

Campanha nacional com foco digital

Desenvolvida pela AlmapBBDO, a campanha estreou em 18 de março, com foco inicial nas redes sociais, por meio do perfil @meulivromeuestilo, e contará com a participação de influenciadores digitais, que serão anunciados posteriormente. Os conteúdos vão dialogar tanto com quem já gosta de livros quanto com quem ainda não tem esse hábito. 

Para a presidente da CBL, Sevani Matos, o problema não é falta de interesse, é falta de presença: “O livro precisa voltar a aparecer. Hoje, muita coisa vira desejo porque está nas redes, nas conversas, nas indicações. Queremos colocar o livro nesse lugar, como algo que faz parte do estilo de vida das pessoas.” 

A campanha nasce de uma provocação simples: se a moda, a música e o que consumimos dizem tanto sobre quem somos, por que o livro não pode ocupar esse mesmo lugar de expressão? Por isso, convidamos o público a enxergar o livro como parte de uma identidade, de repertório e estilo de vida. Nosso papel foi traduzir esse movimento em uma linguagem contemporânea, digital e próxima da cultura, recolocando o livro no centro das conversas”, afirma Christiane Estrela, Head de Operações Live Marketing da AlmapBBDO.

Estratégia e posicionamento

A campanha fala com diferentes públicos e realidades, usando linguagem leve, atual e próxima com foco em estimular o aumento do número de pessoas leitoras. 

A ATUAÇÃO SE ORGANIZA EM TRÊS FRENTES 

Livro como expressão individual – posicionando o livro como um item que ajuda a traduzir diferentes estilo. 

Descomplicando – dicas práticas para aproximar ou reaproximar as pessoas da leitura 

Tendências – inserindo os livros e a leitura em temas atuais da cultura e nas conversas

Os conteúdos serão publicados em perfis próprios da campanha no TikTok, Instagram e Facebook. 

A estratégia aposta na identificação emocional com o livro e no suporte prático para dar ferramentas que estimulem a leitura na prática, mostrando caminhos possíveis, quebrando barreiras do dia a dia e criando uma comunidade em torno da leitura.

SOBRE A CBL 

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) é uma associação sem fins lucrativos que representa editores, livreiros, distribuidores e demais profissionais do setor. Há 77 anos, atua em diversas frentes sempre com o propósito de promover o acesso ao livro e a democratização da leitura em todo o país, além de divulgar a literatura brasileira no mercado internacional. Desde março de 2020, a CBL é a Agência Nacional do ISBN e, no mesmo período, lançou uma plataforma digital que reúne seus serviços de maneira integrada e dinâmica. Outra atuação forte da entidade está ligada a uma agenda de relacionamento com as mais diversas esferas públicas e governamentais para debater pautas e políticas importantes para o setor. Todas as ações da entidade são pensadas com um olhar estratégico e sensível de quem acredita no poder transformador dos livros para a sociedade. 

Para mais informações:

Assessoria de imprensa

Danthi Comunicação Integrada




14ª FESTA DO LIVRO DA USP LESTE EACH ACONTECE DE 7 A 9 DE ABRIL DE 2026.

Evento gratuito reunirá mais de 50 editoras com livros disponíveis a descontos de 50% 

A 14ª edição da Festa do Livro da USP Leste EACH está marcada para os dias 7, 8 e 9 de abril (de terça a quinta-feira), no horário das 9h30 às 21h00. O evento é aberto ao público e acontece gratuitamente na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), localizada na USP Leste, em São Paulo. 

Com descontos mínimos de 50%, 51 editoras estarão distribuídas em 75 bancadas. A organização do evento destaca a importância da Festa do Livro para a região, distante dos principais centros comerciais de livros da cidade. Dentre as editoras que participarão pela primeira vez estão a Editora UnB, Editora Mandaçaia, Pallas Editora, Darkside, Ars et Vita e Revista Cult. Além da Edusp, estão presentes diversas editoras universitárias, como a Editora Unesp, a EdUFSCar e a Edipro. 

O evento contará com uma programação cultural que estará disponível em breve no site da festa. Até o momento, foram confirmadas as presenças de Ignacio de Loyola Brandão, no dia 9 de abril, às 19h, e a participação da cineasta Tata Amaral, da diretora de arte Vera Hamburger e da pesquisadora Ana Paula Cavalcanti Simioni no dia 8 de abril, às 19h, em uma mesa intitulada "Mulheres artistas no Brasil: iluminando obras e trajetórias". 

Os visitantes terão à disposição algumas opções de alimentação no local, dentre elas um restaurante, uma lanchonete e alguns food trucks.

A Festa do Livro da USP Leste EACH é organizada pela Edusp e pela EACH-USP, com apoio do Cursinho EACH-USP. O acesso ao evento pode ser feito pela estação USP Leste da Linha 12 – Safira da CPTM, que faz o trajeto entre os terminais Brás e Calmon Viana. 

Serviço

14ª Festa do Livro da USP Leste EACH

Data: 7, 8 e 9 de abril de 2026 (de terça a quinta-feira)

Horário: das 9h30 às 21h00

Local: EACH (Escola de Artes, Ciências e Humanidades) – USP Leste

Endereço: Av. Arlindo Béttio, nº 1000 – Ermelino Matarazzo, São Paulo/SP

Acesso: Estação USP Leste (Linha 12 – Safira)

Site: https://festadolivro.edusp.com.br/uspleste




 

24 DE MARÇO DE 2026 - EFEMÉRIDES DO FOCUS PORTAL CULTURAL 137 ANOS DO NASCIMENTO DE OLEGÁRIO MARIANO

 


No dia 24 de março de 1889, nascia em Recife o poeta, político e diplomata Olegário Mariano Carneiro da Cunha, figura de destaque na literatura e na vida pública brasileira. Primo do poeta Manuel Bandeira, Mariano construiu uma trajetória marcada pela sensibilidade lírica e pelo compromisso com a cultura nacional. 

Conhecido como o “poeta das cigarras”, foi eleito em 1938, em concurso promovido pela revista Fon-Fon, como Príncipe dos Poetas Brasileiros, sucedendo Alberto de Oliveira. Sua obra poética, iniciada em 1911 com Angelus, percorreu temas de amor, saudade e contemplação da vida, reunida mais tarde nos dois volumes de Toda uma vida de poesia (1957). Além da poesia, destacou-se como cronista mundano sob o pseudônimo João da Avenida, publicando versos humorísticos em revistas como Careta e Para Todos, posteriormente reunidos em livros como Bataclan e Vida, Caixa de brinquedos. 

Na vida pública, Olegário Mariano foi deputado constituinte em 1934, embaixador do Brasil em Portugal (1953-1954) e delegado da Academia Brasileira de Letras na Conferência Interacadêmica de Lisboa para o Acordo Ortográfico de 1945. 

Eleito para a Cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras em 1926, consolidou sua presença entre os grandes nomes da literatura nacional. 

Filho de José Mariano Carneiro da Cunha e Olegária da Costa Gama, ambos heróis da Abolição e da República, Olegário Mariano herdou o espírito de luta e dedicação à pátria. Sua obra e sua atuação diplomática permanecem como testemunho de uma vida dedicada à poesia, à língua portuguesa e ao Brasil. 

OBRAS

Gabinete de Olegário Mariano.

Angelus (1911)

Sonetos (1921)

Evangelho da sombra e do silêncio (1913)

Água corrente, com uma carta prefácio de Olavo Bilac (1917)

Últimas Cigarras (1915)

Castelos na areia (1922)

Cidade Maravilhosa (1922)

Bataclan, crônicas em verso (1927)

Canto da minha terra (1931)

Destino (1931)

Poemas de amor e de saudade (1932)

Teatro (1932)

Antologia de tradutores (1932)

Poesias escolhidas (1932)

O amor na poesia brasileira (1933)

Vida Caixa de brinquedos, crônicas em verso (1933)

O enamorado da vida, com prefácio de Júlio Dantas (1937)

Abolição da escravatura e os homens do norte, conferência (1939)

Em louvor da língua portuguesa (1940)

A vida que já vivi, memórias (1945)

Quando vem baixando o crepúsculo (1945)

Cantigas de encurtar caminho (1949)

Tangará conta histórias, poesia infantil (1953)

Toda uma vida de poesia, 2 vols. (1957)

 

© Alberto Araújo

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Mário de Alencar e Olegário Mariano (1909)





SOBERANO JAZZ CLUB RECEBE BIANCA GISMONTI, VERÔNICA SABINO E TRIBUTO A EMÍLIO SANTIAGO

 

Bianca Gismonti e o violonista português Manuel de Oliveira - Divulgação

Quem escolher Itaipava como destino no último fim de semana de março terá uma programação cultural de peso. O Soberano Jazz Club, referência na cena musical da Serra de Petrópolis, preparou três noites especiais que transitam entre o jazz, a MPB e homenagens a grandes nomes da música brasileira.

QUINTA-FEIRA, 26/03 – BIANCA GISMONTI E MANUEL DE OLIVEIRA 

A pianista Bianca Gismonti, herdeira da inventividade de Egberto Gismonti, se une ao violonista português Manuel de Oliveira para um encontro de piano e violão que mistura jazz, fado e ritmos brasileiros. O repertório traz composições próprias e releituras de clássicos, com participações de Fred Martins, José Staneck e Diogo Duque. O espetáculo começa às 20h30min.

Verônica Sabino - Divulgação

SEXTA-FEIRA, 27/03 – VERÔNICA SABINO INTERPRETA CHICO BUARQUE

Na sexta, às 21h, Verônica Sabino apresenta o show “Todo Sentimento”, dedicado ao universo poético de Chico Buarque. Em formato intimista, acompanhada pelo violonista Fernando Caneca, a cantora revisita canções como Carolina, Sabiá e Samba do Grande Amor, oferecendo novas nuances a obras que marcaram gerações.


SÁBADO, 28/03 – GUI VALENÇA CELEBRA EMÍLIO SANTIAGO 

Encerrando a programação, Gui Valença sobe ao palco às 21h com o espetáculo “Aquarelas”, uma homenagem ao “Príncipe da Voz”, Emílio Santiago. A apresentação promete emoção e elegância, trazendo à tona a riqueza do repertório que consagrou o intérprete como um dos maiores nomes da MPB. 

O clube abre as portas às 18h, mas quem chegar antes pode aproveitar o happy hour a partir das 17h, com promoções em chope e petiscos. O Radamés Bistrô oferece jantar com pratos que valorizam a gastronomia local, e o Espaço Havana completa a experiência com uma varanda dedicada aos apreciadores de charutos. 

SERVIÇO

Local: Soberano Jazz Club (Estação Locanda)

Endereço: Estrada União e Indústria, 11.000 – Itaipava, Petrópolis – RJ

Horários: Quinta às 20h30min; sexta e sábado às 21h (abertura da casa às 18h)

Ingressos: Site/App Sympla ou bilheteria do Soberano (a partir das 17h nos dias de show)

Promoção: Moradores do RJ e Juiz de Fora têm tarifa especial mediante comprovante de residência

Esse roteiro une música de qualidade, gastronomia e o charme da serra, consolidando Itaipava como destino cultural imperdível.

© Alberto Araújo

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segunda-feira, 23 de março de 2026

JORNADA EUCLIDIANA DE CANTAGALO: PRESENÇA MARCANTE DA PRESIDENTE DA ACADEMIA FLUMINENSE DE LETRAS, MÁRCIA PESSANHA

Nos dias 20 e 21 de março, a cidade de Cantagalo, interior do Rio de Janeiro, recebeu a Jornada Euclidiana, uma das mais relevantes celebrações culturais dedicadas à memória de Euclides da Cunha. O evento reuniu escritores, acadêmicos e instituições culturais, reafirmando o papel da cidade na preservação da tradição literária brasileira. 

A Academia Fluminense de Letras esteve presente sob a liderança de sua presidente, Márcia Pessanha, que desempenhou papel central em toda a programação. Sua participação reforçou o compromisso da AFL com a difusão da cultura fluminense e com o fortalecimento dos laços entre instituições literárias e a comunidade local. 

PRIMEIRO DIA: HOMENAGENS E LANÇAMENTOS 

O primeiro dia foi marcado por atividades que resgataram aspectos da vida e da obra de Euclides da Cunha; Palestra “A infância de Euclides da Cunha”, ministrada por Marcel Beliene; Lançamento do concurso de desenhos e prêmio para professores, iniciativa da Secretaria Municipal de Educação; Lançamento da 2ª edição do livro A Eternidade de Euclides da Cunha, pelo selo editorial da AFL, com a presença de Márcia Pessanha e do acadêmico José Huguenin; Homenagem ao Dr. Edmo Rodrigues Lutterbach, recebida por sua sobrinha Ana Beatriz; Sarau da ACL, com leituras interpretadas por Ludmar, Ludmilla e Fabiana. 

A presidente da AFL esteve presente em todas essas atividades, prestigiando os lançamentos e reforçando o elo entre a Academia e os movimentos culturais locais. 

SEGUNDO DIA: DEBATES E REFLEXÕES

O segundo dia foi dedicado a mesas-redondas que aprofundaram o estudo da obra euclidiana: “Mão de Luva e Euclides da Cunha: criação e imortalização de Cantagalo”, com Igor Ferreira (ACL) e Sheila de Castro Faria (UFF), mediada por Márcia Pessanha; “Euclides Leitor”, com Godofredo de Oliveira Neto (ABL) e Lais Peres Rodrigues (SEEDUC/UFRJ), mediada por Anabelle Loivos (ACL/UFRJ). 

A atuação de Márcia Pessanha como mediadora destacou sua contribuição intelectual e institucional, promovendo o diálogo entre pesquisadores e escritores e reafirmando a relevância da AFL no cenário cultural. 

O evento contou com apoio da Secretaria Municipal de Educação, Secretaria de Cultura e Turismo, Prefeitura de Cantagalo, Euclides em Foco, FUNARJ, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e Governo do Estado do Rio de Janeiro. 

Registros fotográficos de Aldo Pessanha documentaram momentos marcantes, como:

Márcia Pessanha ao lado da Secretária de Educação de Cantagalo, Fabiana Molini; Entrega do retrato de Euclides da Cunha, desenho de Carmita Alcântara, ofertado por Erthal Rocha e entregue por Márcia Pessanha e José Huguenin ao diretor da Casa de Euclides da Cunha, Vinicius Stael Guedes Oliveira; Participação da presidente em mesas de debate com Igor Ferreira e Sheila de Castro Faria. 

A Jornada Euclidiana não foi apenas uma celebração, mas um espaço de reflexão sobre a relevância de Euclides da Cunha para a literatura e para a identidade cultural de Cantagalo. A presença ativa da presidente da AFL, Márcia Pessanha, em ambos os dias, simbolizou a força da literatura fluminense e sua capacidade de dialogar com diferentes gerações, mantendo viva a chama da cultura e da memória histórica.

© Alberto Araújo

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Márcia Pessanha posa ao lado do gigante porta-retratos 
com a foto de Euclides da Cunha





Na Casa museu de Euclides da Cunha. Márcia Pessanha, ( AFL) 
Laís Peres Rodrigues (SEEDUC/UFRJ), Godofredo de Oliveira Neto (ABL), 
José Henrique ( AFL)

Márcia Pessanha com a Secretária de Educação de Cantagalo, Fabiana Molini.


Presidente da AFL participando de mesa de debate 
na Jornada Euclidiana com Igor Ferreira 
da  Academia Cantagalense de Letras e Sheila de Castro (UFF)

Entrega do retrato de Euclides da Cunha, desenho de Carmita Alcântara, ofertado por Erthal Rocha para a Casa de Euclides da Cunha.

Márcia Pessanha e Huguenin fazendo a entrega do retrato 
ao Diretor da Casa de Euclides da Cunha    
Vinicius Stael Guedes Oliveira.




José Huguenin, Igor Ferreira, Godofredo Oliveira, 
Lais Peres, Márcia Pessanha