Não é apenas um livro que chega às
mãos do leitor, mas uma experiência que se abre como flor ao sol. Quatro
Estações – Haicais, de Leda Mendes Jorge, Liane Arêas e Uyára Schiefer,
nasce como celebração da poesia breve e da beleza efêmera que se revela no
ciclo das estações.
Com 80 páginas publicadas sob o selo
da OPUS Editora, dirigida por Ricardo Ribeiro, a obra reúne três perspectivas
poéticas que se cruzam e se complementam na celebração o haicai. Este
lançamento é mais do que um anúncio: é um convite à contemplação, à pausa
necessária no ritmo apressado da vida, à escuta do tempo e à percepção do
invisível.
O livro é resultado de um trabalho
coletivo que se manifesta em cada detalhe:
Capa concebida pelo designer Will Martins, que traduz visualmente a
essência do livro: um círculo vermelho evocando o sol nascente, sobreposto por
ideogramas japoneses que representam primavera, verão, outono e inverno.
Cada elemento editorial reforça a
ideia de que o livro é um mosaico de vozes e olhares, unidos pela paixão pelo
haicai.
A capa de Quatro Estações – Haicais
logo de cara merece atenção especial. O círculo vermelho, reminiscente do sol
do Japão, é símbolo de energia, renovação e ciclo. Sobre ele repousam os ideogramas
das quatro estações: 春
(primavera), 夏 (verão), 秋 (outono), 冬 (inverno), que não apenas nomeiam o tema
central, mas também funcionam como portais visuais para o universo poético do
livro. O design minimalista dialoga com a própria natureza do haicai:
brevidade, clareza e intensidade. Assim como o haicai sugere mais do que diz, a
capa não se entrega de imediato; ela convida à contemplação, à leitura dos
sinais, à percepção do invisível. Will Martins conseguiu sintetizar em imagem o
que os versos fazem em palavras: transformar o instante em eternidade.
A Orelha assinada por Ricardo Ribeiro,
que convida o leitor a uma leitura lenta, como quem observa o desabrochar de
uma flor. Destaca a simplicidade e profundidade dos versos, lembrando que o
haicai é pausa em meio ao excesso do cotidiano.
Uyára Schiefer, na apresentação,
explica que a escolha do título se deve à obrigatoriedade, na tradição
japonesa, de referir-se a fenômenos naturais, explícitos ou subjetivos. Liane
Arêas, na contracapa, narra com delicadeza o encontro das amigas em torno de um
café, momento em que nasce a ideia do livro, uma cena que já se transforma em
haicai espontâneo. Originado no Japão do
século XVII, com Bashô Matsuo, o haicai é considerado o poema mais breve do
mundo. Sua força reside na capacidade de capturar um instante da natureza e
transformá-lo em experiência estética. No Brasil, essa tradição foi transmitida
por mestres como Luís Antônio Pimentel, que viveu no Japão e trouxe para
Niterói a delicadeza dessa arte.
Na contracapa de Quatro Estações – Haicais,
Liane Arêas nos conduz a uma cena íntima e luminosa: três amigas reunidas em
uma cafeteria, conversando sobre livros, autores e a paixão comum pela poesia
breve. Entre xícaras de café e palavras espontâneas, surge a percepção de que
cada frase dita poderia se transformar em um haicai. Dessa descoberta nasce a
ideia de escrever um livro dedicado às quatro estações, celebrando em versos a
primavera, o verão, o outono e o inverno. O texto de Liane é singular porque
não apenas apresenta o livro, mas revela sua origem, mostrando como a amizade e
a partilha se transformaram em poesia. A lembrança de Luís Antônio Pimentel,
mestre que trouxe o haicai do Japão para o Brasil, reforça o elo entre tradição
e contemporaneidade. A narrativa é acompanhada pela fotografia de Will Martins,
que registra o encontro e dá rosto às autoras, tornando visível a cumplicidade
que deu origem ao projeto. Assim, a contracapa não é apenas uma apresentação: é
um retrato vivo da gênese do livro, um convite caloroso para que o leitor se
junte a essa celebração poética.
O texto de Liane nos transporta para
uma cena cotidiana: três amigas reunidas em uma cafeteria, conversando sobre
literatura, autores preferidos e a paixão comum pelo haicai. É nesse ambiente
de intimidade e espontaneidade que surge a percepção de Uyára, cada frase dita
poderia se transformar em um haicai. A partir daí, nasce a ideia de escrever um
livro dedicado às quatro estações.
Humaniza o projeto, em vez de apresentar
o livro de forma abstrata, Liane mostra o momento concreto em que ele foi
concebido. Cria uma atmosfera de proximidade, o leitor se sente convidado a
participar da conversa, como se estivesse à mesa com as autoras. Transforma a
gênese em poesia, o haicai improvisado durante o café (“Tarde luminosa! /
Afinal, é Primavera! / Perfume no ar!”) já antecipa o tom da obra. Homenageia a
tradição, ao lembrar Luís Antônio Pimentel, mestre que trouxe o haicai do Japão
para o Brasil, o texto conecta passado e presente.
Além disso, a contra capa é
acompanhada pela fotografia de Will Martins, responsável pela edição visual. A
imagem das três amigas em torno da mesa de café reforça a ideia de cumplicidade
e celebração, funcionando como testemunho visual da cena narrada. É um recurso
que dá corpo e rosto à narrativa, tornando o livro ainda mais próximo do
leitor.
Esses textos funcionam como camadas de
leitura: a orelha abre o convite, a apresentação contextualiza, a contracapa
narra a gênese. Juntos, eles criam um percurso que prepara o leitor para
mergulhar nos haicais.
Encerrando o livro, o posfácio de
Alberto Araújo oferece uma leitura crítica e jornalística, situando a obra no
panorama da literatura brasileira contemporânea. Ao destacar a importância
cultural do haicai e sua permanência como forma de contemplação, o posfácio
reforça o caráter atemporal da obra. É como se o livro fosse um ciclo completo:
começa com o convite, passa pela apresentação e pela narrativa da gênese, percorre
os haicais e se encerra com a reflexão crítica.
CADA ESTAÇÃO É CELEBRADA EM VERSOS BREVES
QUE CAPTURAM SUA ESSÊNCIA
Primavera: renovação, flores,
perfumes.
Verão: intensidade, calor,
luminosidade.
Outono: transição, vento, melancolia.
Inverno: silêncio, recolhimento,
contemplação.
Os haicais não descrevem apenas; eles
sugerem, evocam, despertam imagens claras e inesquecíveis. São palavras simples
e precisas que acessam os sentidos e convidam à pausa.
As autoras: Leda, Liane e Uyára, se
inserem nessa linhagem, mas acrescentam a ela uma sensibilidade contemporânea.
Seus haicais não apenas descrevem fenômenos naturais; eles evocam sensações,
sugerem atmosferas, convidam à contemplação. O vento do outono, a luz da
primavera, o silêncio do inverno e o calor do verão são mais do que imagens:
são experiências que habitam o leitor.
Quatro Estações – Haicais
não é apenas um livro de poesia. É um convite à contemplação, à escuta do
tempo, à percepção do invisível, ao reconhecimento da beleza no efêmero. É uma obra
para ser lida devagar, como quem observa o desabrochar de uma flor.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
LANÇAMENTO DO LIVRO: QUATRO ESTAÇÕES –
HAICAIS
A Opus Editora e as autoras Leda
Mendes Jorge, Liane Arêas e Uyára Schiefer convidam você para uma celebração da
poesia breve e intensa dos haicais.
Cada autora traz sua sensibilidade
única: Explorando a delicadeza dos instantes das estações, revelando beleza no
simples. Mergulham na natureza e nos ciclos da vida, traduzindo emoções em
versos mínimos. Imprimindo lirismo e frescor, transformando o efêmero em
eternidade poética.
Vale conferir: O livro Quatro Estações
é um passeio pelas transformações da natureza e da alma humana, em haicais que
capturam o silêncio, o movimento e a essência de cada estação do ano.
Lançamento: Quatro Estações –
Haicais
Data: 19 de março de 2026
(quinta-feira), das 17 às 19h30min
Local: Da Vinci's Cafeteria
Gourmet
Endereço: Rua Pereira da Silva, 76 –
Loja 2 – Icaraí, Niterói, RJ
Um encontro para celebrar a poesia
breve, mas infinita, que cabe em três versos e abre mundos inteiros.