quinta-feira, 3 de setembro de 2026

PROFESSOR, ACADÊMICO RICARDO CAVALIERE: UMA VIDA DEDICADA À LÍNGUA PORTUGUESA EM ENTREVISTA EXCLUSIVA AO FOCUS PORTAL CULTURAL

Poucos nomes na história recente da filologia e da linguística brasileira carregam tanto prestígio e reconhecimento quanto o do professor e acadêmico Ricardo Cavaliere. Mestre das palavras, guardião da tradição gramatical e ao mesmo tempo atento às transformações da língua em seu uso contemporâneo, o professor Cavaliere construiu uma trajetória que une rigor científico, paixão pela docência e um olhar sensível para os dilemas culturais do Brasil. Sua presença na Academia Brasileira de Letras, ocupando a Cadeira 8, é prova incontestável de sua relevância intelectual e de sua contribuição para o fortalecimento da identidade linguística nacional. 

Nascido em Niterói e formado em instituições públicas de excelência, como o Colégio Pedro II e a Universidade Federal do Rio de Janeiro, Cavaliere é exemplo vivo de como a educação pode transformar destinos. Sua carreira de mais de cinco décadas no magistério, passando por diferentes níveis de ensino e ambientes sociais, revela não apenas um professor dedicado, mas um verdadeiro intérprete da diversidade linguística brasileira. Ao longo desse percurso, ele soube conciliar a prática pedagógica com a pesquisa acadêmica, tornando-se referência na historiografia da linguística e na análise crítica das gramáticas brasileiras. 

O Focus Portal Cultural tem a honra de apresentar uma entrevista exclusiva com esse intelectual que, além de sua erudição, transmite uma humanidade rara. Em suas respostas, Cavaliere nos conduz por memórias afetivas da infância, pela descoberta precoce da paixão pela língua portuguesa, pelas experiências em salas de aula que moldaram sua visão de mundo e pela convivência com grandes mestres, como Evanildo Bechara. Mais do que um diálogo acadêmico, trata-se de uma conversa franca e descontraída, em que o professor abre o coração e compartilha reflexões sobre o papel da língua, da literatura e das instituições culturais em tempos de mudanças aceleradas. 

Receber Ricardo Cavaliere em nosso espaço é celebrar a vitalidade da língua portuguesa e reconhecer a importância de quem dedica a vida a estudá-la, preservá-la e difundi-la. Sua trajetória nos inspira a olhar para o idioma não apenas como um sistema de regras, mas como um organismo vivo, moldado pelo tempo, pela história e pela cultura. É com imenso orgulho que convidamos nossos leitores a mergulhar nesta entrevista, que certamente ficará marcada como um dos momentos mais especiais da história do Focus Portal Cultural. 

ENTREVISTA 

1 - Professor, o senhor nasceu em Niterói, mas mudou-se para o Rio ainda na infância. Como essas memórias afetivas de Niterói e a transição para a capital influenciaram sua formação? 

Resposta: Tenho boas lembranças de minha infância em Niterói, já que morava em uma casa com quintal e em que havia uma pequena horta. Minha mudança para Rio aos cinco anos, na verdade para a Guanabara, decerto traçou novo rumo em minha vida porque o ambiente cultural era distinto, mais desenvolvido. Então, tive oportunidade de, ainda muito jovem, frequentar instituições como o Theatro Municipal, onde era gravado aos domingos o programa Concertos para a Juventude, e a Biblioteca Nacional. Mas o grande benefício de minha mudança para o Rio foi a possibilidade de ingressar no Colégio Pedro II, instituição que marcou profundamente minha adolescência. 

2 - Sua trajetória escolar foi feita integralmente em instituições públicas, incluindo o prestigiado Colégio Pedro II. Que lições daquele período o senhor carrega até hoje para a sua prática docente? 

Resposta: O Colégio Pedro II marcou demais minha personalidade porque foi o lugar onde vivi os dramas da adolescência, tive experiências marcantes de relacionamento humano com professores e colegas de classe. Agência, o Pedro II tem uma aura cativante que o faz ser um não propriamente um aluno, mas um amante do colégio. É uma relação afetiva difícil de explicar, talvez decorrente da tradição e da excelência com que o colégio é reconhecido. Seu dúvida o aluno que fui no Pedro II está presente no professor que me tornei. Já a UFRJ é minha alma mater, onde cursei a graduação, o mestrado e o doutorado em Letras, além da graduação em Direito. 

3 - O senhor demonstrava um pendor precoce pela linguagem. Como se deu esse "despertar" pela gramática e pelos estudos linguísticos ainda no ensino médio? 

Resposta: Quando ingressei no Curso Clássico do Pedro II em 1968 já percebia que minha vocação era mais acentuada para as humanidade, sobretudo para o estudo nas áreas linguística e histórica. Interessante que, no ano em cursei a terceira série do Clássico, eu ganhei uma bolsa de estudos para frequentar um curso pré -vestibular denominado Curso Psiqué. Minha carteirinha do curso indicava pretensão para ingressar no curso de Direito, mas, ao longo do ano, fui-me apaixonando pela língua portuguesa a ponto de haver mudado de ideia para ingressar no curso de Letras. Também contou bastante minha formação no Clássico, já que tive aulas de literatura brasileira, literatura portuguesa, latim e grego, além naturalmente de português. Fui aluno de literatura portuguesa, por exemplo, do Geraldo França de Lima, que ocupou a cadeira 31 da ABL. Tive aulas de português com o Niel Casses, que era docente da UEG (atual UERJ), e aulas de grego com o Fernando Barata, da UFRJ. Foi uma época maravilhosa de minha vida. 

4 - O senhor frequentava bibliotecas fundamentais, como a Biblioteca Nacional e o Real Gabinete Português de Leitura. Como esse contato com o acervo físico moldou o pesquisador que o senhor se tornou?

Resposta: Comecei a frequentar a Biblioteca Nacional ainda bem jovem, no início de ginásio, muito em decorrência dos trabalhos escolares na área da História. Eu admirava muito o professor de história, Abelardo, e me esforçava por fazer trabalhos que lhe agradassem. Assim, a pesquisa na BN se impunha. A biblioteca do Real Gabinete tornou-se frequente em minha vida mais tarde, na época do curso de Letras, devido à pesquisa na área linguística e literária. Também costumava participar de palestras e seminários no Liceu Literário Português. Por outro lado, eu era frequentador assíduo da Biblioteca Pública do Rio Comprido, que ficava na Rua do Matoso, onde pegava romances para leitura em casa. Portanto, minha intimidade com os livros iniciou-se muito cedo e decerto permanecerá em mim até meus derradeiros dias.

5 - Como foi a experiência de ingressar no curso de Letras da UFRJ na década de 70, em um momento de efervescência acadêmica? 

Resposta: Ingressei na UFRJ para cursar Letras em 1971, em pleno governo Médici. Do ponto de vista acadêmico, não havia efervescência, havia medo e inquietude. Basta dizer que na época a Faculdade de Letras ser tinha diretório acadêmico. Era comum vermos alunos "itinerantes" em sala, apareciam de repente e sumiram da mesma forma. O clima político era efervescente no tocante ao confronto crônico entre o governo militar e os grupos de resistência armada. No âmbito interno da Faculdade de Letras, o clima era até de certo marasmo do ponto de vista político. 

6 - Antes de se consolidar como pesquisador, o senhor exerceu diversos cargos, desde professor em cursos supletivos até técnico de editoração. Como essa "vida real" de professor de sala de aula contribuiu para o seu olhar sobre a língua portuguesa? 

Resposta: Minha trajetória no magistério de língua portuguesa foi muito rica em experiências porque eu trabalhei em praticamente todos os níveis de ensino, desde o Ensino Fundamental até o Doutorado, passando pelo curso supletivo e por cursos preparatórios para concursos e vestibulares. Tudo isso em distintas regiões do Rio, desde o Leblon até Santa Cruz. Então posso dizer que acumulei uma experiência realmente muito rica quanto à realidade da educação e, sobretudo, do magistério. Por um breve período de três anos, trabalhei na Editora da Fundação Getúlio Vargas como técnico de editoração, mas mesmo neste período eu lecionava à noite no Colégio de Aplicação Luso-Carioca, vinculado à Suam em Bonsucesso. São 54 anos ininterruptos de atividade docente que me dão a convicção de que o melhor investimento em educação está na formação do professor e na infraestrutura da administração escolar. Estes dois fatores conferem boa qualidade de ensino aí educando. Infelizmente, seguimos um caminho diferente, em que se supõe que a tecnologia resolve os problemas educacionais. Sem professores bem preparados e motivados, sem boas condições administrativas, não há tecnologia que resolva. 

7 - O senhor lecionou em lugares como Cidade de Deus e Santa Cruz. O que o contato com a diversidade linguística e social desses ambientes ensinou ao filólogo?

Resposta: O contato com essa clientela menos favorecida nos confere uma visão mais consciente da relação entre a realidade socioeconômica e as oportunidades de crescimento intelectual, de conquistas pessoais no corpo da sociedade. Conheci alunos brilhantes e muito interessados quando trabalhei em Santa Cruz e sentia à época que as dificuldades que enfrentavam os condenava à estagnação na busca de uma formação educacional mais elevada. Sempre tive um respeito profundo pelo esforço que dependiam na busca de crescimento. 

8 - Por que a escolha pelo magistério, apesar das recomendações da época sobre a baixa rentabilidade da carreira? 

Resposta: Na realidade, não fiz uma escolha pelo magistério, mas uma opção pelos estudos humanísticos. Então, percebi que o curso de Letras era meu caminho, não que a profissão de professor era meu caminho. A questão é que a atividade profissional mais ligada ao curso de Letras é efetivamente a de professor, e foi assim que ingressei na vida do magistério em 1972, ainda no segundo ano de faculdade. O magistério tem esta característica do baixo salário em praticamente todo lugar, não apenas no Brasil. Claro que haverá exceções, mas são exceções que confirmam a regra. No entanto, pelo menos no meu caso, não percebi estrangulamento no mercado de trabalho, pois sempre encontrei emprego, claro que uns bons, outros ruins, mesmo em horas de grande necessidade. 

9 - Como foi a transição para a carreira universitária na UFF e o momento em que a pesquisa se tornou o eixo central de sua vida? 

Resposta: Em 1990, eu era professor do Colégio Militar, onde havia ingressado por concurso em 1987. Eu estava insatisfeito lá por vários motivos que não importa agora comentar. O fato é que, em certo dia, um colega chamado Paulo Nascentes me disse que estavam abertas inscrições para professor de Língua Portuguesa na UFF. Ele insistiu tanto em que nos inscrevêssemos que acabei cedendo e fui com ele a Niterói, certo de que era tempo perdido. Resumo: eu, descrente, passei e ele, entusiasmado, foi reprovado. Ainda bem que, anos mais tarde, ele prestou concurso para a UnB e ingressou em seus quadros. Então, são estas coisas que a vida nos reserva e não conseguimos propriamente explicar. A mudança em minha vida profissional foi radical, pois larguei as cerca de 50 aulas semanais em quatro estabelecimentos de ensino para assumir um cargo de dedicação exclusiva com 12 tempos semanais. Sem contar a maravilhosa condição de pesquisador remunerado, o que decerto deu grande impulso a minha trajetória acadêmica.

10 - O professor Evanildo Bechara foi um mentor fundamental em sua trajetória. Como essa amizade fraterna de mais de três décadas influenciou sua visão sobre a filologia? 

Resposta: O Bechara foi um amigo dileto que cultivei por mais de 30 anos. Ele agradava não apenas como filólogo ou colega de profissão, mas sobretudo como ser humano: era amável, cordato, com uma voz em meio-tom que sempre trazia soluções em momentos de conflito. Este era o Bechara. Quando o conheci na UFF, estava elaborando meu projeto de tese sobre história da gramática, fato que me fazia tocar em nomes como Maximino Maciel, Júlio Ribeiro, Manuel Pacheco da Silva Júnior, Said Ali e outros, fato que despertou nele um interesse especial em meu trabalho. Os linguistas de minha geração são majoritariamente funcionalistas ou analistas do discurso, gerativistas etc. e eu era um “peixe fora d’água” que estudava gramáticos antigos. Por isso, certo dia, ele me disse “você é diferente”. Observe que ele não disse “você é bom”, disse “diferente”. Mas foi essa diferença que nos uniu na pesquisa e na amizade. 

11 - Em uma época em que muitos pesquisadores se voltavam para a Análise do Discurso ou Linguística Funcionalista, o senhor manteve o olhar nos filólogos "clássicos" (Said Ali, João Ribeiro). Por que manter essa ligação com a tradição? 

Resposta: Como disse, não me tornei um funcionalista ou analista do discurso porque eu me interessei a partir de um determinado momento pela historiografia da linguística. No entanto, minha dissertação de mestrado, que estuda os termos de difícil classificação, tais como as palavras denotativas, utiliza conceitos da teoria da argumentação em Oswald Ducrot, que é um grande nome da linguística textual francesa. Mesmo nesse primeiro trabalho, busquei investigar o que diziam os clássicos da gramaticografia portuguesa, tais como Said Ali, Mário Barreto e José Oiticica. Como cedo construí uma carreira no ensino fundamental, minha perspectiva era de encontrar soluções para os grandes problemas que o professor encontrava em sala de aula. 

12 - O senhor é uma referência em historiografia linguística. Por que é tão importante entender a "gênese" das gramáticas brasileiras para compreender o Brasil de hoje? 

Resposta: Eu creio que uma das principais tarefas da historiografia da linguística está na pesquisa sobre a gênese dos conceitos, porque mediante tal estudo conseguimos acompanhar a arquitetura do pensamento linguístico que elaborou teses sobre a natureza da língua e de seu funcionamento. Ou seja, passamos a entender o conceito não como produto acabado, mas como processo que gera o saber da língua. Por outro lado, conhecer a história dos estudos sobre a língua nos proporciona o privilégio de perceber que muitas ideias tidas como inéditas ou inovadoras na verdade já tinham paternidade em estudos do passado.

13 - O senhor afirma que "cada século tem a gramática de sua filosofia". Como essa premissa guia o seu trabalho em obras como História da gramática no Brasil? 

Resposta: Na verdade, esta é uma frase que se atribui ao linguista francês Antoine Meillet, presente no prefácio que escreveu à obra Grammaire comparée des langues indo-européennes, de Franz Bopp. É um princípio norteador do denominado “princípio da contextualização”, que impõe analisemos uma obra gramatical à luz de seu tempo. Um dos grandes equívocos da crítica contemporânea às gramáticas antigas é o de considerá-las excessivamente normativas usando parâmetros atuais, isto é, mediante um conceito nosso sobre o que é norma exagerada. No meu livro, procuro avaliar a presença dos gramáticos na sociedade brasileira mediante parâmetros de seu próprio tempo, situando-os culturalmente na sociedade a que pertenceram. 

14 - Sua pesquisa sobre os "termos de exceção" foi um marco inicial. O que esses termos revelam sobre a dificuldade de encaixar a língua falada em modelos taxonômicos importados? 

Resposta: Uma das conquistas da linguística no fim do século passado situa-se na análise semântica de termos além das fronteiras da gramática, para ingressar na seara do texto. Essa era uma noção que os antigos gramáticos não tinham, razão por que procuravam tratar certos termos de claro papel textual segundo os parâmetros taxionômicos da tradição gramatical. Daí surgiram as palavras denotativas e palavras de realce, ou palavras reforçativas, obviamente uma solução enviesada do problema. Com a linguística textual, os linguistas passam a verificar que um dado item lexical exerce papel não no sistema gramatical, mas na arquitetura do texto, fato que exigiu a construção de um aparato metalinguístico próprio, conforme acontece com os denominados operadores argumentativos. 

15 - Como a "linguística de recepção" no Brasil, muitas vezes baseada em teorias estrangeiras, desenhou a identidade da nossa própria gramaticologia? 

Resposta: O Brasil sempre figurou como centro de pesquisa receptor de ideias e conceitos estrangeiros, obviamente em face da imensa diferença de investimento em pesquisa que nos distingue de centros como os Estados Unidos, a França e Alemanha. Isso não é propriamente um demérito, é apenas um fato que se constata com clara evidência. O problema é que nossa permeabilidade a teses novidadeiras que advêm desses grandes centros é extremamente permissiva, de tal sorte que muitas subáreas da linguística ganham terreno no ambiente universitário sem que efetivamente contribuam para o desenvolvimento do saber sobre a língua. Sem contar no surgimento de “guetos” de pesquisa comprometidos com essas subcorrentes de uma dada área, de tal sorte que só leem o que o próprio grupo produz. 

16 - O que o senhor destaca como sendo o maior desafio de compilar dados de gramáticos menos expressivos, além dos consagrados, em suas obras? 

Resposta: Esta é uma tarefa da Historiografia da Linguística que vem sendo executada paulatinamente em vários trabalhos publicados. Ser um gramático menos conceituado não significa necessariamente que sua obra é menor, senão que não foi lida com os olhos críticos adequados. Então, cabe ao historiógrafo tecer juízo crítico sobre o trabalho desse gramático para, caso mereça, venha a usufruir o devido reconhecimento científico. 

17 - Qual é a importância, nos dias de hoje, do trabalho de preservação e estudo de textos dos jesuítas e dos gramáticos do século XIX? 

Resposta: Os jesuítas foram nossos primeiros gramáticos, portanto a historiografia gramatical brasileira decerto muito deve ao trabalho desses religiosos. A eles devemos a descrição da língua indígena que se falava ao longo da costa brasileira, com suas variantes de uso. Nomes como José de Anchieta, Luiz Figueira e Vicencio Mamiani ocuparam-se dessa relevante tarefa e hoje são reconhecidos como precursores dos estudos linguísticos no Brasil.

18 - Como o senhor recebeu a notícia da eleição para a Cadeira 8 da Academia Brasileira de Letras? O que representa ocupar o lugar que foi de figuras tão ilustres? 

Resposta: Sinceramente, mesmo correndo o risco de incorrer em fala modéstia, eu não tinha um projeto firmado para entrar na ABL, isto é, a Academia não estava em meus objetivos ou desejos. É claro que muito me envaidece compor hoje os quadros da Academia, uma honra que enobrece minha vida como pesquisador, mas a ideia dessa minha eleição veio do Bechara, que julgava haver necessidade do ingresso de um filólogo nos quadros acadêmicos. Isso começou a ser objeto de conversas nossas desde 2018 mediante observações pontuais em que ele me dizia: “você é um nome necessário na Academia”, “a Academia precisa de você”, “já disse lá que se quiserem um filólogo minha indicação é de seu nome”. Quando na época da pandemia surgiram várias vagas, ele propôs minha candidatura, que acabou sendo frustrada, sem o preparo necessário. Depois, com o falecimento da Dona Cleonice, meu nome surgiu com força entre os acadêmicos e, finalmente, fui bem-sucedido. Hoje me considero um privilegiado por não só representar a área de Letras na Academia, nomeadamente os estudos linguísticos e filológicos, como também ter a oportunidade de conviver com pessoas inteligentes e proeminentes da cultura brasileira, além de com todos participar de projetos culturais de alta relevância propostos pela Academia. 

19 - Em seu discurso de posse, o senhor mencionou o "privilégio de falar a língua portuguesa". Como o senhor enxerga a vitalidade do português brasileiro no cenário internacional atual? 

Resposta: Eu tenho uma relação não apenas científica, senão afetiva com a língua portuguesa, fruto de meu contato com o texto literário. Quem conhece a língua literária consegue mergulhar nesse maravilhoso mar de construções e recursos estilísticos que a língua oferece na construção do texto. Acho que em face dessa riqueza literária, o português efetivamente goza de uma posição privilegiada no concerto das línguas, haja vista a presença das nossas literaturas no panorama cultural das nações. Falta maior força política ao português, como seu uso em organizações internacionais, por sinal um sonho que acalentava o saudoso Antônio Houaiss.

20 - Qual a importância de uma instituição como a ABL na era da inteligência artificial e da mudança acelerada nas formas de comunicação?

Resposta: A ABL funciona como uma referência para discussão dos grandes temas nacionais e uma fonte de soluções que possam advir dos vários projetos que oferece ao público a cada ano. Os ciclos de conferências da Academia tocam questões que interessam a todos que buscam entender o Brasil e torná-lo um lugar mais justo e igualitário, em que todos vivam em harmonia. É óbvio que o atingimento dessa situação talvez utópica está longe de conseguir-se, mas a Academia mantém atuante no sentido de indicar os caminhos sem comprometimento ideológico. A IA, que ainda está em um momento de esplendor inicial, decerto será uma ferramenta presente na ABL do futuro, talvez com mais controle de seus benefícios e malefícios. 

21 - O senhor possui uma ligação profunda com instituições luso-brasileiras, como o Real Gabinete Português de Leitura. Como essa ponte entre Brasil e Portugal deve ser cultivada na literatura e na língua? 

Resposta: Essa é uma ponte que se construiu na própria formação da sociedade brasileira, portanto deve ser enxergada como natural consequência do ambiente cultural lusófono. São tantas as identidades que temos não apenas com Portugal, como também com países africanos (Angola, Moçambique, Cabo Verde etc.) que as literaturas correspondentes acabam por dialogar naturalmente. Quem lê um Saramago, um escritor angolano Pepetela e um Jorge Amado nota perfeitamente essa confluência de traços culturais que, a meu juízo, não necessita de defesa, necessita de cultivo. 

22 - Como o senhor avalia o papel da ABL na preservação da memória da língua versus sua necessidade de adaptação ao uso contemporâneo?

Resposta: A ABL tem trabalho bastante na seara da lexicografia com o dicionário (em construção), o Volp e vocabulários menos conhecidos, tais como o de topônimos e gentílicos e de estrangeirismos. Então, com esses produtos, a ABL atua no registro das palavras, sua grafia e significado, de tal sorte que o usuário da língua tenham a sua disposição ferramentas úteis para a construção do texto. 

23 - Quais projetos o senhor pretende desenvolver na ABL para aproximar a filologia e a lexicografia do grande público? 

Resposta: Já havia na ABL quando de meu ingresso um projeto denominado “ABL responde”, em que o público envia dúvidas e observações sobre os usos linguísticos que são objetos de análise e comentário. São 500 mensagens mensais em média, cujo temário é de ordem variada: lexicográfica, semântica, sintática etc. Agora, após meu ingresso, temos aprimorado a consulta a esse acervo linguístico, sobretudo mediante elaboração de aplicativos para smartphones que permitam consulta imediata em qualquer lugar, como é o caso do Volp para telefones celulares. 

24 - O senhor é um acadêmico com uma carreira administrativa robusta na Universidade. Como essa experiência de gestão administrativa é importante para termos uma visão interna das instituições. 

Resposta: Na UFF, fui chefe de departamento em dois mandatos e membro do CUV em três mandatos, tarefas que me deram decerto uma boa noção da administração pública e seus problemas. Na ABL, temos uma configuração distinta da universidade, mas decerto poderei contribuir de alguma forma nessa área de atividades com a bagagem que trago de minha experiência anterior.

25 - Para encerrar, qual mensagem o senhor deixaria para o jovem estudante de Letras que, assim como o senhor na biblioteca do Rio Comprido, sonha em mergulhar nas profundezas do nosso idioma? 

Resposta: Como diz o economista Roberto Campos no título de seu livro de memórias, a experiência é uma “lanterna na popa”. Cada um de nós deve trilhar seu caminho e projetar para os que vêm atrás a luz do que fizemos. Mas eu acho que a melhor escolha em tudo que fazemos é a que nos dá prazer e boas condições de vida. Nem sempre as duas coisas andam juntas, mas a perspectiva deve ser essa, no sentido de fazermos o que nos motiva e nos dá um retorno que justifique o investimento e a dedicação. Se alguém se deixa apaixonar pela literatura e pela língua, que se deixe levar pela paixão, mas na exata medida. 

26 - Professor, o senhor assinou o posfácio do livro: Manuel Said Ali Ida: Primeiros Escritos & Outros Textos, organizado por Marcelo Moraes Caetano. Said Ali foi uma presença central no início de sua trajetória como pesquisador. Como foi, décadas depois, revisitar esses 'primeiros escritos' sob a luz da maturidade e da erudição que o senhor hoje possui? 

Resposta: Este livro, na verdade, foi organizado pela Prof.ª Thais Araujo da Costa, o Marcelo, salvo engano, escreve o prefácio. Trata-se de uma publicação relevante, pois nos dá oportunidade de ler e avaliar o que Said Ali escreveu em seus primeiros anos como filólogo. 

27 - Ao escrever esse posfácio, que tipo de relevância o senhor buscou sublinhar para as novas gerações de linguistas? O que o pensamento de Said Ali, contido nesses textos de 1886 a 1945, ainda tem a nos dizer sobre os dilemas da língua portuguesa no Brasil atual? 

Resposta: Trata-se de uma publicação que interessa porque dá uma visão clara do pensamento de Said Ali à época em que ainda não trabalhava no Ginásio Nacional e no Colégio Militar, ou seja, em um momento inicial de sua vida acadêmica. 

28 - O trabalho de organização de Marcelo Moraes Caetano, aliado ao seu posfácio, funciona como uma arqueologia da nossa filologia. Como o senhor avalia o papel desse tipo de edição crítica, que resgata textos raros e esparsos, para a construção da nossa identidade científica? Experiência de gestão ajuda a pensar o futuro da Academia Brasileira de Letras? 

Resposta: Como disse, o trabalho não é organizado pelo Marcelo Caetano, mas pela Prof.ª Thais Araújo) 

29 - Professor, o livro Língua Portuguesa: geo-história filológica do latim ao presente, de Marcelo Moraes Caetano, traz uma 'constelação' de grandes nomes: prefácio do mestre Evanildo Bechara e orelha assinada pelo senhor. Como o senhor avalia a importância desse tipo de convergência acadêmica, em que diferentes gerações se unem para chancelar uma obra que percorre a trajetória da nossa língua desde 218 a.C.?

Resposta: O livro do Marcelo Caetano é mais uma leitura competente e contributiva sobre o percurso do português, em perspectiva geo-histórica. Por tal motivo conquistou o interesse do Bechara e eu, com prazer, opinei favoravelmente a sua exposição da diacronia de nossa língua. 

30 - Ao redigir a orelha desta obra, o senhor pôde analisar o esforço de Marcelo em traçar uma geo-história da nossa língua. Qual é o valor, para o filólogo e para o leitor comum, de olharmos para o português não apenas como um sistema gramatical, mas como um organismo vivo, moldado pelo tempo e pelo espaço geográfico, desde as suas raízes latinas?

Resposta: O livro do Marcelo dá uma visão do percurso do português nessa dupla perspectiva, o que lhe confere um traço de interessante peculiaridade. Para o leitor comum, essa é uma visão que renova o saber sobre a língua e seu saber histórico.

AGRADECIMENTO DO FOCUS PORTAL CULTURAL

Encerrar este diálogo com o professor Ricardo Cavaliere é, ao mesmo tempo, um exercício de gratidão e de celebração. Gratidão por termos tido a oportunidade de ler, em primeira pessoa, as memórias, reflexões e ensinamentos de um dos maiores nomes da filologia e da historiografia linguística brasileira. Celebração porque cada resposta, cada lembrança e cada análise nos recorda da vitalidade da língua portuguesa e da força transformadora da educação. 

Ao longo desta entrevista, Cavaliere nos conduziu por caminhos que vão da infância em Niterói às salas da Academia Brasileira de Letras, passando por bibliotecas históricas, salas de aula em diferentes cantos do Rio de Janeiro e pelos corredores da Universidade Federal Fluminense. Sua trajetória é marcada por uma dedicação ininterrupta ao magistério, pela paixão pela pesquisa e pela convicção de que a língua é mais do que um sistema de regras: é um organismo vivo, pulsante, moldado pelo tempo, pela cultura e pela história. 

É impossível não se emocionar ao perceber como sua vida se enlaça com a própria vida da língua portuguesa. Ao falar de seus mestres, como Evanildo Bechara, ou ao revisitar os clássicos da gramaticografia, o professor Cavaliere nos lembra de que o conhecimento é uma corrente que se transmite de geração em geração, e que cada estudioso tem o dever de iluminar o caminho dos que vêm depois. Sua frase de que “cada século tem a gramática de sua filosofia” ecoa como um convite à reflexão: compreender a língua é compreender o espírito de uma época, suas tensões, seus sonhos e suas contradições. 

Mas, para além da erudição, há em Ricardo Cavaliere uma humanidade que transparece em cada palavra. Ele fala da língua com afeto, da docência com respeito, da pesquisa com entusiasmo. Reconhece as dificuldades enfrentadas pelos alunos em contextos menos favorecidos, valoriza o esforço dos professores e insiste na importância da formação docente como pilar da educação. Sua visão é clara: sem professores bem preparados e motivados, não há tecnologia que resolva os desafios da escola. Essa defesa apaixonada do magistério é, sem dúvida, uma das mensagens mais poderosas que esta entrevista nos deixa.

Ao agradecer ao professor Cavaliere, agradecemos também a todos os leitores que nos acompanham. Vocês são parte fundamental desta missão de difundir cultura, de valorizar a língua portuguesa e de reconhecer aqueles que dedicam a vida a estudá-la e preservá-la. O carinho e a atenção de cada leitor são o combustível que nos move a realizar entrevistas como esta, que não apenas informam, mas inspiram. 

O Focus Portal Cultural sente-se honrado por ter sido palco deste encontro. Honrado por receber um acadêmico que, com simplicidade e profundidade, nos mostra que a língua é um patrimônio coletivo, que deve ser cultivado com amor e responsabilidade. Honrado por poder compartilhar com todos vocês um diálogo que, mais do que uma entrevista, é uma verdadeira aula de vida, de cultura e de humanidade.

Que esta conversa seja uma lanterna na popa, como disse o professor ao citar Roberto Campos: uma luz que ilumina o caminho dos que virão, que inspira jovens estudantes a se apaixonarem pela literatura e pela língua, e que reforça em todos nós o orgulho de falar português.

Em nome de toda a equipe do Focus Portal Cultural, deixamos aqui nosso mais sincero agradecimento ao professor Ricardo Cavaliere, pela generosidade em compartilhar sua história e seu pensamento, e aos nossos leitores, pelo carinho e pela confiança. Que possamos seguir juntos, cultivando a beleza da língua, celebrando a cultura e construindo pontes de conhecimento que nos tornem cada vez mais conscientes de quem somos e do legado que queremos deixar. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 

BIOGRAFIA DE RICARDO CAVALIERE

Ricardo Stavola Cavaliere, nascido em Niterói em 25 de junho de 1953, é um dos mais destacados filólogos e linguistas brasileiros da atualidade. Eleito em 2023 para a cadeira nº 8 da Academia Brasileira de Letras, sua trajetória é marcada pela dedicação ao ensino, à pesquisa e à historiografia da língua portuguesa. Filho de família de classe média, percorreu toda sua formação em escolas públicas, iniciando na Escola Pereira Passos e prosseguindo no tradicional Colégio Pedro II, onde concluiu o Curso Clássico em 1970. Desde cedo demonstrou inclinação para os estudos linguísticos, frequentando bibliotecas como a Biblioteca Nacional e o Real Gabinete Português de Leitura, que se tornariam espaços fundamentais em sua formação intelectual. 

Em 1971 ingressou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), graduando-se em Letras (Português/Inglês) em 1975 e, posteriormente, em Direito em 1996. Obteve o título de mestre em Língua Portuguesa com a dissertação Os marginais do discurso e, em 1997, concluiu o doutorado em Língua Portuguesa – Letras Vernáculas, com a tese Fonologia e morfologia na gramática científica brasileira. Em 2005 realizou pós-doutorado em História da Gramática na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, sob supervisão de Evanildo Bechara, consolidando sua vocação para a historiografia linguística. 

Sua carreira docente começou cedo, ainda durante a graduação, em cursos supletivos e escolas particulares. Entre 1976 e 1979 atuou como técnico de editoração na Fundação Getúlio Vargas. Lecionou em escolas públicas estaduais e federais, incluindo o Colégio Militar do Rio de Janeiro e o Colégio Brigadeiro Newton Braga, até ingressar no ensino superior em 1987, na Universidade Veiga de Almeida. Em 1992, aprovado em concurso público, passou a integrar o quadro da Universidade Federal Fluminense, onde construiu sólida carreira acadêmica e se aposentou como professor titular, atuando no Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem. 

Na UFF, exerceu cargos administrativos como chefe do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas, membro do Conselho Universitário e coordenador de Pós-Graduação Lato Sensu. Sua atuação institucional sempre esteve voltada ao fortalecimento da universidade e à valorização da pesquisa acadêmica. Paralelamente, tornou-se membro da Academia Brasileira de Filologia em 1998, ocupando a cadeira nº 29, cujo patrono é João Ribeiro, além de integrar diversas associações científicas nacionais e internacionais, como a Abralin, a Associação Internacional de Lusitanistas e a Société de Linguistique Romane. 

Sua produção acadêmica é vasta e relevante. Entre suas obras destacam-se Pontos essenciais em fonética e fonologia (2005), Palavras denotativas e termos afins: uma visão argumentativa (2009), A gramática no Brasil: ideias, percursos e parâmetros (2014) e História da gramática no Brasil: séculos XVI a XIX (2022). Esses estudos consolidam sua posição como referência na historiografia da linguística, especialmente no campo da gramaticologia brasileira, ao analisar continuidades e rupturas na tradição gramatical e situar os textos linguísticos em seu contexto histórico e epistemológico. 

O reconhecimento institucional veio com diversas honrarias: título de Grande Benemérito do Real Gabinete Português de Leitura (2008), Honra ao Mérito Filológico da Academia Brasileira de Filologia (2016), Grande Mérito Cultural da União Brasileira de Escritores (2015) e Prêmio Celso Cunha (2017). Em seu discurso de posse na ABL, Cavaliere destacou a importância da língua portuguesa como instrumento de visão de mundo e de expressão cultural, afirmando: “Como faz bem podermos dizer o coração em português.”

A trajetória de Ricardo Cavaliere é marcada pela defesa da tradição filológica e pela valorização da língua portuguesa como patrimônio cultural e científico. Sua obra contribui decisivamente para compreender a evolução da gramática no Brasil e para situar os estudos linguísticos em perspectiva histórica e epistemológica, tornando-o uma figura central na consolidação da linguística brasileira e da filologia como campos de saber.






















(SOLENIDADE DE POSSE DE RICARDO CAVALIERE NA ACADEMIA
BRASILEIRA DE LETRAS - 21 DE AGOSTO DE 2023
CLICAR NA IMAGEM PARA ASSISTIR)




CELEBRAÇÃO DOS 98 ANOS DO ROTARY CLUB DE NITERÓI - PRESIDENTE PAULO CORRÊA BELCHIOR

A Diretoria de Cultura do Elos Internacional informa que a nossa presidente, Matilde Carone Slaibi Conti, marcou presença na 6ª Reunião Festiva do Rotary Club de Niterói, um evento que celebrou 98 anos de história, amizade, liderança e serviço. 

O encontro aconteceu em 3 de setembro de 2026, às 20h, na Casa da Amizade de Niterói. O clube reuniu-se para comemorar quase um século de dedicação à comunidade, reafirmando os valores que sustentam o movimento rotário: solidariedade, ética e compromisso com o bem comum. 

Fundado há 98 anos, o Rotary Club de Niterói é um dos pilares do voluntariado e da integração social na cidade. Ao longo de sua trajetória, promoveu incontáveis ações voltadas à educação, saúde, cultura e desenvolvimento humano. Essa celebração foi mais do que um marco histórico, um tributo à perseverança de todos os rotarianos que, geração após geração, mantêm viva a chama do serviço acima de si mesmos. 

A presença da presidente Matilde Carone Slaibi Conti, que já presidiu a instituição por duas vezes e foi vice-presidente na gestão anterior, reforça o elo entre o Elos Internacional e o Rotary, duas organizações que compartilham ideais de fraternidade e cooperação global. Sua participação simbolizou o reconhecimento mútuo de que o trabalho cultural e social se complementam, ampliando o impacto positivo nas comunidades. 

Durante o evento, Matilde representou a Diretoria de Cultura, levando uma mensagem de união entre os povos e de valorização das iniciativas que promovem o diálogo e a paz, princípios que norteiam tanto o Elos quanto o Rotary. 

A reunião, presidida por Paulo Corrêa Belchior, presidente do Rotary Club de Niterói para o biênio 2026-27, foi marcada por momentos de confraternização e emoção. Mais do que uma festa, o encontro foi um testemunho da força das instituições que acreditam no poder transformador da cultura e do voluntariado. 

O Rotary Club de Niterói chega aos seus 98 anos com o olhar voltado para o futuro, mantendo viva a tradição de servir e inspirar. A Diretoria de Cultura do Elos Internacional parabeniza o clube por sua trajetória exemplar e reafirma seu compromisso em continuar colaborando para o fortalecimento das ações culturais e sociais que unem pessoas e ideias em prol de um mundo melhor.

Que esta noite festiva seja lembrada pela alegria, gratidão e certeza de que o trabalho conjunto é o caminho para um futuro mais humano e solidário. 

Parabéns ao Rotary Club de Niterói pelos seus 98 anos de história! 

© Alberto Araújo

Diretor de Cultura do Elos Internacional 









 

3º ENCONTRO COM FABI – MULHERES QUE FLORESCEM JUNTAS E A NOSSA PRESIDENTE MATILDE CARONE SLAIBI CONTI MARCA PRESENÇA


DIRETORIA DE CULTURA DO ELOS INTERNACIONAL informa aos elistas e amigos que hoje 03 de setembro de 2026 comemoramos um momento especial: o 3º Encontro com Fabi – Mulheres que florescem juntas, um Café da Tarde Extraordinário que convida todas a desacelerar e viver o presente. Nossa presidente Matilde Carone Slaibi Conti marca presença neste encontro especial, no Bistrô MAC, em Niterói-RJ, reunindo mulheres extraordinárias em um ambiente de afeto e transformação. 

O jardim está florido, como um convite para também florescermos por dentro. Hoje, o café será degustado sem pressa, as conversas serão vividas com presença e os abraços sentidos com o coração. É um tempo para se desconectar do mundo lá fora e se conectar com o que realmente importa: nós mesmas, o presente e umas às outras. 

Permita-se estar por inteira, sem pressa, sem cobranças, sem distrações. Apenas esteja. Sinta. Converse. Ria. Acolha. Floresça. Que fez a palestra “Ciência da Felicidade”, Savana Páscoa, e houve também a distribuição de souvenires especiais aos presentes.

Porque hoje não é apenas sobre tomar um café. É sobre viver o encontro, fortalecer laços e criar memórias que nos transformam. Um momento de inspiração e conexão entre mulheres que florescem juntas. 

© Alberto Araújo

Diretor de Cultura dos Elos Internacional

 



Savana Páscoa - Palestrante





RESENHA DO INFORMATIVO – ROTARY CLUB DE NITERÓI – PRESIDENTE PAULO CORRÊA BELCHIOR Edição nº 07 – 03/09/2026

O Boletim Semanal do Rotary Club de Niterói, edição nº 07, é marcado por celebração, reflexão e reconhecimento. Publicado em 03 de setembro de 2026, ele abre com uma mensagem festiva: o aniversário de 98 anos do Clube, fundado em 04 de setembro de 1928, o sexto do Brasil. O tom é de orgulho e gratidão, mas também de esperança e entusiasmo pelo futuro.

98 ANOS DE HISTÓRIA E SERVIÇO 

Na matéria de abertura, Sylvia Fasciotti escreve um texto emocionante sobre a trajetória do Clube. Ela ressalta que a caminhada foi feita de encontros, desafios e conquistas, sempre guiada pela amizade, companheirismo e pelo ideal de servir. O texto lembra que amadurecer é continuar acreditando nos mesmos valores, mas com mais profundidade e serenidade. A celebração dos 98 anos é apresentada como um marco de gratidão ao passado, alegria no presente e esperança no futuro.

Aniversariar 98 anos é olhar para o passado com gratidão, viver o presente com alegria e abrir os braços para acolher tudo aquilo que o futuro ainda nos reserva.” 

O boletim também apresenta a composição do Conselho Diretor para o período 2026-27, presidido por Paulo Corrêa Belchior. São listados vice-presidentes responsáveis por diferentes avenidas de serviços, secretárias, tesoureiros, diretoras de protocolo e membros natos. A diversidade de funções mostra a organização e a força institucional do Clube. 

A seção social celebra os aniversariantes do mês, incluindo casamentos e familiares de rotarianos. É um espaço de valorização da vida comunitária e da proximidade entre os membros. 

A coluna “Um Minuto de Rotary” relembra a origem da Fundação Rotária, criada em 1917 a partir de uma pequena doação de 26 dólares e 50 centavos. A narrativa mostra como um gesto simples se transformou em uma das maiores organizações humanitárias do mundo, apoiando projetos em paz, saúde, educação, saneamento e meio ambiente. É um lembrete de que pequenos gestos podem gerar grandes transformações. 

O boletim dedica espaço para agradecer aos casais Rosa e Hildebrando Afonso Filho, e Maria Panait e Clério Carneiro Junior, pela contribuição gastronômica nos encontros. Esse gesto é interpretado como símbolo do verdadeiro espírito de amizade e companheirismo que caracteriza o Rotary.

Setembro é o mês dedicado à Educação Básica e Alfabetização. O texto ressalta que a educação é uma das ferramentas mais poderosas de transformação social, mas ainda enfrenta desafios globais. O Rotary apoia projetos que ampliam o acesso à educação, promovem igualdade de oportunidades e incentivam a alfabetização. A mensagem é clara: investir em educação é investir no futuro. 

O boletim também registra a participação do RC de Niterói no McDia Feliz, em prol da Casa Ronald, reforçando o compromisso com causas sociais e a solidariedade. 

Um dos textos mais ricos da edição é a homenagem à Casa da Amizade, que celebra 78 anos de existência. Sylvia Fasciotti relembra a origem do nome, inspirado na “Friendship House” criada durante a Convenção Internacional do Rotary no Rio de Janeiro em 1948. A Casa da Amizade é descrita como um espaço irradiador de solidariedade e amor, com destaque para a Obra do Berço, que confecciona enxovais para gestantes. 

Uma Casa construída ao longo de décadas por muitas mulheres, cada uma deixando um pouco de si em sua história. 

A homenagem ressalta o papel das voluntárias e ex-presidentes, além da atual presidente Heliane de Azevedo Abicalil. 

O boletim encerra com a ata da 6ª reunião ordinária, realizada em 20 de agosto de 2026, sob a presidência de Paulo Corrêa Belchior. A ata registra:

Justificativa de ausência do presidente em reunião anterior; Reconhecimento do sucesso da Festa Junina da Casa da Amizade; Convite para participação no McDia Feliz; Apresentação do balancete de julho; Boas-vindas à nova associada Rita de Cássia Nery Mendes; Entrega do certificado de “Pai do Ano” a Hildebrando Afonso Filho; Homenagem ao aniversariante GD Justiniano Conhasca. A reunião contou com 30 participantes, incluindo convidados e visitantes de outros clubes. 

O Boletim nº 07 do Rotary Club de Niterói é uma edição especial, marcada pela celebração dos 98 anos do Clube e pelo reconhecimento da importância da Casa da Amizade. Ele combina memória histórica, valorização da comunidade, informação rotária e registros administrativos. Mais do que um informativo, é um documento que reafirma os valores centrais do Rotary: amizade, companheirismo e serviço. 

© Alberto Araújo

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