domingo, 12 de abril de 2026

A GENEALOGIA DO PIANO: UM MAPEAMENTO DAS ESCOLAS E TRADIÇÕES UNIVERSAIS DE AUTORIA DE LICIA LUCAS E MARNE SERRANO

O piano não é apenas um instrumento de percussão e cordas; é um repositório vivo de tradições, métodos e filosofias que foram passados de mestre para aluno ao longo de séculos. Na obra "A Genealogia do Piano: O Desenvolvimento das Escolas Pianísticas no Mundo", os autores Licia Lucas e Marne Serrano Caldera realizam um esforço monumental de sistematização histórica, permitindo que músicos, pesquisadores e entusiastas compreendam como a linhagem de um único mestre pode influenciar a sonoridade de gerações inteiras de intérpretes. 

A ideia de "genealogia" aplicada ao piano refere-se ao rastreamento das linhagens de ensino. Assim como uma árvore genealógica biológica registra antepassados, a árvore pianística registra quem estudou com quem. Esse mapeamento é crucial porque a execução pianística é uma arte de transmissão direta. As sutilezas do toque, o uso do pedal, a concepção de fraseado e até a postura física são frequentemente herdadas de grandes mestres como Liszt, Czerny ou Leschetizky. 

O livro organiza esse vasto conhecimento em 13 árvores genealógicas específicas e uma árvore genealógica global. Esse formato visual e cronológico permite identificar as ramificações e as fusões de estilos que ocorreram à medida que pianistas viajavam, migravam e fundavam novos centros de excelência. 

A obra explora as fundações do piano moderno na Europa, detalhando as características que diferenciam cada nação: 

Alemanha e Áustria: O rigor técnico e a busca pela clareza estrutural. Aqui, nomes como Beethoven, Czerny e Liszt formam a espinha dorsal de uma tradição que prioriza a fidelidade à partitura e a profundidade sonora. 

França: Famosa pelo seu "jeu perlé" (jogo perolado), a escola francesa foca na leveza, na agilidade dos dedos e em uma paleta de cores tonais refinada, exemplificada por figuras como Cortot e Marguerite Long.

Rússia: Conhecida pela sua sonoridade poderosa, técnica transcendental e emocionalismo profundo. A linhagem russa, que passa por nomes como Rubinstein e Safonov, influenciou quase todos os grandes virtuoses modernos. 

Polônia e Hungria: Escolas que uniram o folclore nacionalista à técnica de concerto mais avançada, tendo em Chopin e Liszt seus pilares inquestionáveis. 

O livro também dedica capítulos às escolas da Espanha, Portugal, Inglaterra e Itália, revelando como cada país adaptou a técnica pianística à sua própria identidade cultural e estética.

A obra não se limita ao Velho Continente. Ela acompanha o fluxo do conhecimento pianístico para o resto do mundo: 

Estados Unidos e Canadá: Onde a fusão de mestres europeus exilados durante as guerras mundiais criou um novo centro de gravidade pianística, combinando o virtuosismo russo com o rigor germânico. 

Oriente: Analisa o crescimento explosivo do piano em países como China, Japão e Coreia do Sul, que hoje dominam os grandes concursos internacionais. 

América Latina e Brasil: Um dos grandes destaques da obra é o olhar atento à produção latino-americana. No Brasil, a genealogia pianística é rica, recebendo influências diretas das escolas europeias e adaptando-as a uma sensibilidade rítmica e melódica única. O mapeamento dos nossos grandes pedagogos e intérpretes é um serviço essencial para a preservação da memória cultural do país. 

Um dos pilares fundamentais da abordagem de Licia Lucas e Marne Serrano Caldera é a síntese entre técnica e interpretação. Os autores argumentam que a técnica não deve ser um fim em si mesma, mas uma ferramenta para a expressão artística. Através do estudo das escolas, o leitor percebe como diferentes tradições resolveram o dilema de "como tocar": 

Tradição: A manutenção de um legado estético.

Técnica: O desenvolvimento físico e mecânico para dominar o instrumento.

Interpretação: A visão pessoal e histórica do intérprete sobre a obra. 

Para complementar a densidade histórica e técnica das árvores genealógicas, o livro é acompanhado por um CD exclusivo. Este material fonográfico não é apenas um brinde, mas uma ferramenta pedagógica. As gravações, realizadas em salas de concerto renomadas com orquestras prestigiosas, servem como exemplos auditivos das teorias discutidas no texto. Ao ouvir as gravações, o leitor pode identificar na prática as diferenças de toque e estilo que as árvores genealógicas descrevem no papel. 

"A Genealogia do Piano" é uma obra indispensável para quem deseja entender o piano além das teclas. Ela oferece uma visão panorâmica e, ao mesmo tempo, detalhada de como a música clássica se espalhou e se transformou globalmente. Licia Lucas e Marne Serrano Caldera entregam um guia que é, simultaneamente, um mapa do passado e uma bússola para o futuro do ensino pianístico, celebrando a continuidade de uma das artes mais complexas e belas da humanidade. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural



ILHA FISCAL: UM MERGULHO NA HISTÓRIA IMPERIAL DO RIO

Se você busca um passeio que une arquitetura deslumbrante, história do Brasil e uma vista privilegiada da Baía de Guanabara, a Ilha Fiscal é paragem obrigatória. Localizada no coração do Rio de Janeiro, a ilha é famosa pelo seu palácio em estilo gótico-provençal, que parece saído de um conto de fadas.

O local é historicamente conhecido por ter sediado o "Baile da Ilha Fiscal", ocorrido em 9 de novembro de 1889. Foi a última grande festa da monarquia brasileira, realizada apenas seis dias antes da Proclamação da República. Visitar o palácio hoje é como voltar no tempo e imaginar o luxo e a agitação daquela noite memorável. 

O roteiro começa no Espaço Cultural da Marinha, onde os visitantes embarcam em uma escuna ou balsa para uma curta travessia marítima. Além da arquitetura externa do palácio, a visita guiada permite explorar:

Salões Internos: Com vitrais coloridos e pisos trabalhados.

Galeota Real: Uma embarcação histórica ricamente ornamentada, utilizada pela família real.

Exposições da Marinha: O ingresso geralmente inclui acesso ao museu onde é possível entrar em um submarino real e visitar um navio de guerra (o Contratorpedeiro Bauru).

INFORMAÇÕES PRÁTICAS 

Dias de Visitação: Geralmente de quinta a domingo.

Preços: Aproximadamente R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia-entrada) para estudantes, idosos e professores.

Dica: É recomendável chegar cedo ao Espaço Cultural da Marinha para garantir o horário da travessia, pois as vagas são limitadas por grupo.

Este é o tipo de passeio que agrada tanto aos turistas quanto aos próprios cariocas, oferecendo um novo ângulo da cidade e uma aula de história ao ar livre!




 

sábado, 11 de abril de 2026

PEQUENO ROTEIRO NOSTÁLGICO EM LISBOA

1 - Mosteiro dos Jerônimo - Explore a arquitetura manuelina e visite o claustro, um dos mais belos da Europa. Não deixe de ver o túmulo de Vasco da Gama. 

2 - Padrão dos Descobrimentos - Monumento em forma de caravela, homenageando navegadores portugueses. Ótimo ponto para fotos com o Tejo ao fundo. 

3 - Torre de Belém - Símbolo das descobertas marítimas, erguida para proteger a entrada do Tejo. Suba até o terraço para uma vista incrível do rio.

4 -  Casa de Linhares - Bom restaurante para se apreciar o fado. Lugar bonito, restaurante típico e tradicional, salão com belos arcos de pedra e boa acústica. Já funcionou o Bacalhau de Molho e a Tia Ló, casas de fado que arrastaram muita gente de propósito a este bairro. É uma casa onde o fado acontece todas as noites com um dos nomes mais emblemáticos do fado. 

5 - Pastéis de Belém - A parada obrigatória: peça os pastéis quentinhos, polvilhe açúcar e canela. Aproveite para observar o interior com azulejos tradicionais.

Esse circuito foi compacto e feito em poucas horas, cada parada tem uma importância especial, histórico, cultural e gastronômico. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 



 

O PROJETO DAS AJEBIANAS: A FORÇA DA ESCRITA FEMININA

A AJEB (Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil), especificamente por meio de sua coordenadoria no Rio de Janeiro, representa um movimento vital de valorização da mulher no campo das letras e da comunicação. O projeto das "ajebianas" vai muito além de uma simples associação profissional; é uma rede de fortalecimento mútuo e empoderamento. 

PILARES DO PROJETO 

O grupo reúne mulheres de diversas vertentes, desde poetas e romancistas até jornalistas e dramaturgas, criando um ambiente rico para a troca de experiências. 

Um dos grandes marcos recentes é a coletânea "A Mulher no Mundo", que uniu mais de 150 vozes femininas em uma obra lançada na Bienal do Livro, servindo como um registro histórico e cultural da produção feminina atual.

A realização de encontros nacionais e internacionais promove o "congraçamento efetivo e afetivo", permitindo que escritoras de diferentes regiões compartilhem conhecimentos e fortaleçam a visibilidade da mulher na literatura.

Por meio de reuniões mensais, saraus, oficinas e concursos, o projeto incentiva o aprimoramento constante das associadas, garantindo que a "perenidade do pensamento pela palavra" continue sendo um lema ativo na sociedade. 

Em essência, ser uma "ajebiana" é participar de um espaço dedicado à celebração do talento feminino, onde a escrita serve como ferramenta para conquistar novos espaços sociais e registrar a força da mulher contemporânea através da arte e da informação. 

AJEB-RJ: A FORÇA DA ESCRITA FEMININA EM MOVIMENTO 

Sob a liderança da jornalista e escritora Márcia Schweizer, a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil - Rio de Janeiro (AJEB-RJ) vive um período de intensa produção e protagonismo. Composta por um quadro de 70 profissionais, entre poetisas, cronistas, romancistas e jornalistas, a instituição se consolida como um espaço de fortalecimento mútuo e empoderamento da mulher contemporânea. 

A gestão atual tem se destacado pela capacidade de tirar os projetos do papel e dar visibilidade às suas associadas. Entre os marcos recentes, destacam-se:

A organização do VI Encontro Nacional e V Internacional da AJEB, que reuniu no Rio de Janeiro mais de 100 escritoras de todo o país em um movimento de "congraçamento efetivo e afetivo". 

O lançamento da coletânea nacional "A Mulher no Mundo" na Bienal Internacional do Livro (Riocentro), reunindo a produção de mais de 150 coautoras. 

A manutenção de uma agenda viva com reuniões mensais, palestras, saraus e oficinas que incentivam o aprimoramento constante. 

O projeto das "ajebianas" é norteado pelo lema da perenidade do pensamento pela palavra. Mais do que um clube literário, a associação funciona como uma rede de apoio que incentiva a inserção da mulher na cena cultural fluminense e nacional, garantindo que o talento feminino conquiste novos espaços na sociedade.

Como define a presidente Márcia Schweizer, a AJEB-RJ é, hoje, um território de escritos, afetos e empoderamento, onde a força e a delicadeza se encontram para registrar a história através do olhar feminino. 

CRÉDITO DO VÍDEO

Vídeo da coordenadoria da AJEB-RJ apresentado hoje durante o VI Encontro Nacional e V Internacional da AJEB em SINOP- MT

© Alberto Ara[ujo

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MUSEU ANTONIO PARREIRAS GANHA ELEVADOR PANORÂMICO E AMPLIA ACESSIBILIDADE

O Museu Antonio Parreiras, em Niterói, está passando por uma nova fase de revitalização. Como parte da segunda etapa das obras de restauração, será instalado um elevador panorâmico que permitirá o acesso de visitantes com mobilidade reduzida a todos os espaços do museu, incluindo o histórico atelier do pintor. O equipamento terá capacidade para quatro pessoas e, além de cumprir um papel funcional, oferecerá uma vista privilegiada do conjunto arquitetônico. 

O investimento, de pouco mais de R$ 5 milhões, é realizado em parceria com a Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (EMOP-RJ). O foco principal desta etapa é o atelier de Antonio Parreiras, situado na parte superior do terreno, onde está preservado um acervo valioso de arte brasileira dos séculos XIX e XX, além de obras estrangeiras dos séculos XVII ao XIX. 

A iniciativa integra o programa Acelera FUNARJ, voltado para a modernização da infraestrutura cultural, e o projeto Arte e Cultura Para Todos, que busca ampliar a acessibilidade nos museus administrados pela Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (FUNARJ). Para Jackson Emerick, presidente da FUNARJ, a obra representa um salto de qualidade: “Um museu que não garante acesso pleno ao seu acervo perde parte de sua função. Agora, o atelier de Parreiras estará aberto a todos, e isso coloca o museu em outro patamar”. 

O Museu Antonio Parreiras ficou fechado por mais de dez anos e reabriu em janeiro de 2025, após a conclusão da primeira etapa das obras de restauração. Nesse processo, o prédio principal, antiga residência do artista, foi cuidadosamente recuperado. As telhas foram lavadas uma a uma, o piso recomposto em sua disposição original e a pintura refeita com tinta mineral específica, preservando a cor histórica do edifício.

Segundo Fátima Marotta Henriques, diretora do museu, o trabalho foi minucioso: “O cuidado em cada detalhe garantiu que o espaço voltasse a ter a mesma atmosfera de antes. Foi emocionante devolver o museu à cidade”. 

Fundado em 1942, o Museu Antonio Parreiras foi pioneiro no estado do Rio de Janeiro: o primeiro dedicado à memória de um único artista e também o primeiro museu de arte do estado. Hoje, além de abrigar obras, documentos e objetos pessoais do pintor, o espaço empresta quadros importantes para outras instituições culturais, mantendo viva a relevância de seu acervo. 

© Alberto Araújo

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19 - O PÊNDULO DA ETERNIDADE – ENSAIO SOBRE O GABINETE, A ESCRITA E A RESSONÂNCIA DO SER - ENSAIO LITERÁRIO INTERTEXTUAL E MEMORIALÍSTICO © ALBERTO ARAÚJO

 

EDITORIAL: Nesta edição, compartilho com vocês uma reflexão que atravessa oceanos e toca o âmago do meu processo criativo. Parto de um encontro visual com o Monument al Llibre, em Barcelona, para abrir as portas do meu próprio refúgio: o meu escritório. Convido-os a mergulhar comigo neste "Pêndulo da Eternidade", um ensaio onde tento decifrar como a resistência do aço de Joan Brossa se funde à melodia das palavras que componho no silêncio do meu gabinete. É mais do que um texto sobre livros; é um convite para que conheçam o meu mundo e a minha forma de habitar o tempo. 

APRESENTAÇÃO: O que você encontrará nestas páginas é o resultado de um diálogo que travei entre a arquitetura de Barcelona e a intimidade da minha mesa de trabalho em Niterói. Ao contemplar a resiliência do monumento de Joan Brossa, percebi que o meu escritório não é apenas um cômodo, mas um universo de equilíbrio. Neste ensaio, abro meu gabinete para mostrar como a música, a literatura e a vida acadêmica se entrelaçam na minha escrita. Proponho a você uma reflexão sobre o livro como um "tentetieso",  aquele que, mesmo balançado pelas tempestades do mundo, insiste em permanecer de pé. Deixo aqui a minha assinatura e o meu convite: entre e sinta a ressonância das palavras que, como o aço inoxidável, buscam vencer o esquecimento. 

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O PÊNDULO DA ETERNIDADE – ENSAIO SOBRE O GABINETE, A ESCRITA E A RESSONÂNCIA DO SER 

I. A Geometria do Equilíbrio: O Monumento como Espelho 

No coração pulsante de Barcelona, onde a Gran Via de les Corts Catalanes encontra o Passeig de Gràcia, repousa uma profecia de aço. O Monument al Llibre, de Joan Brossa, não é uma estrutura estática; é um poema visual que desafia a gravidade. O livro, entreaberto sobre uma semiesfera azul, evoca o tentetieso, o brinquedo que, por mais que seja golpeado pelo destino, recusa-se a permanecer caído. 

Esta imagem ressoa com uma força telúrica para quem fez da palavra e da cultura o seu ofício. O livro ali exposto é uma metonímia da própria condição humana. A base azul representa o imenso e incerto mar da existência, e o livro, equilibrado em seu centro, é a bússola que nos permite navegar sem naufragar. Para mim, essa escultura não é um ponto turístico em um mapa europeu; é a representação física do que sinto ao cruzar o batente da porta do meu escritório. Ali, o mundo exterior se cala para que o universo interior possa, finalmente, falar. 

II. O Gabinete: O Microcosmo da Alquimia 

Se em Barcelona o monumento é público e urbano, no silêncio do meu refúgio ele se torna íntimo e sagrado. Meu escritório não é um local de trabalho no sentido burocrático; é um gabinete de curiosidades, um laboratório de alquimia onde a matéria-prima é o pensamento. É o meu "mundo", o território onde sou, simultaneamente, o explorador e a terra descoberta. 

Neste espaço, o tempo assume uma cronologia distinta. Ao fechar a porta, o ruído das ruas de Niterói se desvanece. As estantes, carregadas de lombadas que guardam segredos seculares, formam as muralhas de uma fortaleza de papel. É neste microcosmo que componho. E a composição, aqui, é um ato de resistência. Em um mundo que exige pressa e superficialidade, o ato de sentar-se à mesa para tecer um texto ou organizar uma edição do "Focus Portal Cultural" é o meu modo de dizer que o livro, assim como o monumento, sempre volta a se endireitar.

III. A Melodia das Palavras: O Piano Invisível da Escrita 

A ampliação deste ensaio exige que falemos da música que habita o silêncio. Como um jornalista que respira a cultura e um apreciador das harmonias clássicas, sei que a escrita é, em sua essência, uma forma de musicar o pensamento. Se o monumento de Brossa tem uma estrutura metálica, a minha escrita busca a estrutura de uma sonata ou a fluidez de um improviso de jazz.

Muitas vezes, enquanto componho minhas crônicas, sinto que as teclas do computador se transformam nas teclas de um piano. Existe um ritmo na frase, uma pausa necessária, o sustenido de uma exclamação, o bemol de uma reticência. Amo os livros porque eles são partituras de vidas alheias que eu aprendo a tocar com os olhos. No meu escritório, a presença da música não é apenas sonora; é estrutural. A harmonia que busco entre as estantes é a mesma que um mestre procura ao sentar-se diante de um Steinway: a nota exata que faz a alma vibrar.

IV. A Metamorfose da Matéria: Da Ferrugem à Imortalidade 

A história da obra de Brossa nos ensina sobre a vulnerabilidade. Originalmente feito de ferro, o monumento sofreu a corrosão do tempo e do clima marítimo, exigindo uma restauração em aço inoxidável em 2002. Essa transição é uma metáfora poderosa para a trajetória de um escritor e jornalista. 

Quantas vezes nossas ideias iniciais são feitas de um ferro bruto, suscetíveis à oxidação das críticas, do cansaço ou da desesperança? No entanto, a convivência diária com a literatura opera em nós uma restauração. O amor pelos livros é o que impede que o espírito oxide. No meu escritório, cercado por obras de Clarice Lispector, Nélida Piñon e tantos outros mestres que considero mentores silenciosos, eu me refaço em "aço". A cultura é o verniz que protege a memória contra o esquecimento. Cada página que leio é uma demão de resistência. 

V. A Genealogia do Afeto: Placas na Calçada da Memória 

Ao redor do monumento em Barcelona, placas de metal eternizam assinaturas de grandes escritores catalães. No pavimento do meu escritório, as placas são feitas de afeto e memória. Ali estão as presenças invisíveis daqueles que moldaram meu olhar: a erudição acadêmica das instituições que integro, a amizade dos amigos da Academia Fluminense de Letras, e o apoio constante da minha "musa", Shirley, cuja arte e poesia coloram os meus dias. 

Amo os livros porque eles são o elo de uma corrente que não se quebra. Quando escrevo sobre a história da música, sobre a beleza da Praia de Icaraí ou sobre a força de um soneto, estou apenas adicionando a minha assinatura ao pé de uma página que começou a ser escrita séculos atrás. O meu escritório é o ponto de encontro entre o meu "eu" mais profundo e o "nós" da cultura universal. 

VI. O Tentetieso da Alma 

O Monument al Llibre termina onde a minha página em branco começa. Se o livro é um boneco que não cai, a nossa vontade de criar é a força que o empurra de volta para cima. O mundo pode tentar derrubar a cultura, pode tentar banalizar a escrita, mas enquanto houver um homem em seu escritório, cercado por seus livros e movido pela melodia interna das palavras, o equilíbrio será mantido. 

Barcelona tem sua praça; eu tenho minha mesa. Barcelona tem o aço de Brossa; eu tenho a tinta da minha alma. E, no fim de cada dia de composição, olho para as minhas estantes e percebo que, como o monumento sobre a esfera azul, eu também me sinto flutuar, ancorado apenas pelo peso sagrado de um livro entreaberto. Porque no meu escritório, que é o meu mundo, o livro nunca cai. Ele apenas aguarda o próximo leitor, o próximo acorde, o próximo sonho. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

  1. Fontes sobre o Monumento e Arte Urbana:

BROSSA, Joan. Poemas Visuais. Barcelona: Edicions 62, 1994.

GRÊMIO DE LIVREIROS DE ANTIGUIDADES DA CATALUNHA. História do Monument al Llibre. Barcelona: Arquivo Histórico de Barcelona, 2026.

GOOGLE. Monument al Llibre: História e Simbolismo. Pesquisa digital realizada em 2026.

 

  1. Influências Literárias e Estilísticas:

LISPECTOR, Clarice. Água Viva. Rio de Janeiro: Rocco, 1973.

PIÑON, Nélida. Livro das Horas. Rio de Janeiro: Record, 2012.

SERRANO, Marne; LUCAS, Lícia. A Genealogia do Piano. Niterói: Edição dos Autores, 2010.

 

  1. Filosofia e Crítica Cultural:

BENJAMIN, Walter. Desempacotando minha biblioteca. In: Obras Escolhidas. São Paulo: Brasiliense, 1987.

PORTAL CULTURAL, Focus. Arquivos e Crônicas de Niterói. Edição Dirigida por Alberto Araújo. Niterói, 2025-2026.

Nota do Autor:¹ ¹ Este ensaio configura-se como um "Diálogo Intertextual" entre a arte urbana de Barcelona e a vivência literária fluminense. Através da análise da obra Monument al Llibre, de Joan Brossa, o texto busca traçar um paralelo fenomenológico entre a resiliência do objeto físico e a subjetividade do espaço de criação, unindo a tradição catalã à sensibilidade contemporânea do Rio de Janeiro.

 








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UM POUCO SOBRE O AUTOR 

José Maria da Costa é graduado em Direito, Letras e Pedagogia. Foi o primeiro colocado no concurso da Magistratura paulista, é advogado, Mestre e Doutor em Direito pela PUC/SP. Atuou como professor de Língua Latina, Português, Linguagem Forense e Direito Civil em instituições renomadas. É membro da Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas e sócio-fundador do escritório Abrahão Issa Neto e José Maria da Costa Sociedade de Advogados.

 






A FLOR DA GRATIDÃO - UMA EPIFANIA DE LUZ EM NITERÓI MINHA GRATIDÃO AO ROTARY CLUB DE NITERÓI


Ana Paula Aguiar – Presidente do Rotary de Niterói; 
Mateus Sá: Excelentíssimo Cônsul Geral da República 
de Angola; Alberto Araújo – Homenageado; 
Sylvia Fasciotti – Secretária do RCN e Matilde Carone Slaibi Conti 
– Vice-presidente do Rotary Club de Niterói e Presidente de várias  instituições. 

"Vivendo cada momento do dia desse reconhecimento

e sob a proteção de Deus!"

É com esse sentimento, compartilhado no pulsar das redes sociais e ainda profundamente impactado e emocionado, que desperto para a magnitude desta jornada. Há momentos na vida em que o tempo resolve descansar sua marcha habitual, em um hiato sagrado, para nos permitir contemplar a beleza do que semeamos ao longo de décadas. Ontem, dia 09 de abril de 2026, durante a histórica 17ª Reunião do Rotary Club de Niterói, vivi uma dessas epifanias que transbordam a alma e reafirmam, com vigor renovado, o propósito de uma existência inteiramente dedicada ao jornalismo, às letras, à cultura e ao próximo. 

Receber o título de Membro Honorário do Rotary Club de Niterói é uma honraria que não cabe, meramente, na moldura de um diploma ou na polidez das formalidades. É um galardão que se aloja na intimidade do meu peito, fazendo o coração florescer em uma gratidão que as palavras, por mais líricas e lapidadas que sejam, apenas tentam, em vão, traduzir em sua totalidade. 

Naquela noite de luz, a parceria harmoniosa entre o Rotary, o Elos Internacional e o Núcleo da Rede Sem Fronteiras em Niterói criou uma atmosfera de comunhão poucas vezes vista em nossas comunidades fluminenses. É sob a égide dessas instituições de prestígio que o serviço deixa de ser uma obrigação protocolar para se tornar uma linguagem universal de amor e entendimento. 

A indicação, vinda da estimada Vice-presidente e condutora cultural, Matilde Carone Slaibi Conti, que com maestria e incansável grandeza também preside o Elos e a RSF, é para mim como a semente rara que encontra o solo perfeito para germinar. Matilde, sua visão é o horizonte onde a cultura e o humanismo se encontram em um abraço fraterno; sua confiança em meu nome é o adubo intelectual e espiritual que fortalece meu compromisso com as causas que abraçamos juntos.

Sob a presidência da dinâmica Ana Paula de Souza Aguiar, o Rotary de Niterói se apresenta como esse solo fértil e acolhedor, onde a liderança é exercida com a suavidade e a precisão de quem conduz um jardim de raras espécies. E, no momento solene da entrega, as mãos da adorável Sylvinha Fasciotti foram como a água cristalina que rega a vida, entregando-me a honraria com a elegância, a fidalguia e o carinho que lhe são natos e tão admirados por todos. 

Ao olhar para a galeria de Membros Honorários desta instituição centenária, sinto um profundo e reverente tremor. Ver meu nome, o nome de um operário das letras, um jornalista que busca a verdade e um poeta que persegue o belo, ladeado por personalidades de tamanha relevância para a história da humanidade, é um exercício constante de humildade e espanto. 

É o reconhecimento de que o Rotary enxerga, no fazer cotidiano do jornalismo e da poesia, um serviço essencial à paz mundial e ao entendimento entre os povos. Essa honra imensa transborda as margens do ego; ela escorre pelos olhos em forma de emoção contida, manifesta-se no sorriso de quem se sente em casa e se transforma nesta prece escrita que agora compartilho com meus leitores e amigos. 

O MANIFESTO DO CULTIVO 

Meus caros companheiros de Rotary, do Elos Internacional do Elos e amigos da RSF: 

No dia 09 de abril de 2026, recebi este título como quem recebe uma flor rara, daquelas que só desabrocham sob cuidados constantes, sol pleno e afeto genuíno. Recebam, em troca, esta flor invisível de amor e alegria que lhes entrego através deste texto. Que ela seja regada pela certeza de que, a partir de agora, meu caminhar está ainda mais entrelaçado ao de vocês, em uma simbiose de ideais e ações. 

Na cultura rotária, aprendemos que o "Dar de si antes de pensar em si" é o perfume que exala de nossas melhores ações. Ao ser oficialmente acolhido nesta família, assumo a responsabilidade de cultivar, com a ternura de um jardineiro e a dedicação de um escriba, os valores que nos unem. Que cada encontro posterior, cada projeto solidário nas encostas e bairros de nossa amada Niterói, e cada gesto de amizade seja a água que mantém viva esta aliança inquebrantável. 

Agradeço a Deus por me permitir viver este momento de reconhecimento pleno e por colocar em meu caminho pessoas de luz. Agradeço à minha família, esteio de todas as minhas horas, e em especial à minha doce Shirley, minha musa e companheira de todas as jornadas, que caminha ao meu lado sob o sol e sob a chuva. Agradeço aos amigos de longa data e, muito especialmente, a este colegiado de líderes que vê na minha trajetória um reflexo dos ideais de Paul Harris. 

Presidente Ana Paula, Vice-presidente Matilde e adorável Sylvinha e todos os valorosos companheiros: vocês são o sol que faz esta flor da gratidão se abrir em sua plenitude máxima. Caminharemos juntos, regando o jardim da esperança e da solidariedade, transformando o mundo, um gesto de cada vez, uma palavra de cada vez, um coração de cada vez. 

Com o coração em festa e a alma em prece, deixo aqui selada o meu respeito e o meu mais profundo e eterno OBRIGADO.

Alberto Araújo

Membro Honorário do Rotary Club de Niterói

Niterói, 09 de abril de 2026 – Dia da Homenagem












STATUS DO DIA

Vivendo cada momento de hoje desse reconhecimento, sob a proteção de Deus!' É com essa alegria que celebro o título de Membro Honorário do Rotary de Niterói. Uma honra que não cabe no peito! Ser acolhido como Membro Honorário desta instituição centenária que é o Rotary Club de Niterói reafirma minha missão com a palavra e o próximo. Obrigado Matilde Slaibi Conti pela indicação e Ana Paula pela acolhida calorosa. O jornalismo e a poesia agradecem! Gratidão eterna! 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural