sábado, 13 de junho de 2026

O SANTO DO MUNDO: 795 ANOS DE LEGADO DE SANTO ANTÔNIO

Hoje, 13 de junho de 2026, a cristandade volta seus olhos para uma marca histórica de profunda espiritualidade: completam-se 795 anos do trânsito de Santo Antônio para a eternidade. Mais do que um intercessor popular, ele é um gigante da fé cuja voz, mesmo após quase oito séculos, continua a ecoar com a força de um "Doutor Evangélico". 

A história deste santo universal começa em Lisboa, no dia 13 de setembro de 1191. Nascido Fernando de Bulhões, em uma família de linhagem ilustre, seu berço era um convite ao conforto e ao status. Contudo, desde cedo, o jovem Fernando sentiu o chamado para algo que o mundo material não poderia oferecer. Aos 15 anos, renunciou às conveniências sociais para ingressar na Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho. 

Sua busca pela contemplação pura o levou ao Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, centro de saber e fervor religioso na época. Foi ali que, entre a filosofia e a teologia, sua alma foi moldada pela Sagrada Escritura, preparando-o para a missão que, ele ainda não sabia, transformaria o curso da história da Igreja. 

O destino de Fernando mudou drasticamente com a chegada das relíquias dos primeiros mártires franciscanos, que haviam tombado em Marrocos. Ao contemplar o sacrifício daqueles homens, algo despertou no coração de Fernando: o desejo ardente de entregar a vida por Cristo. 

Em 1220, o cônego agostiniano tomou uma decisão radical: ingressou na Ordem dos Frades Menores, adotando o nome de Antônio, em homenagem ao padroeiro da capela onde os mártires haviam sido velados. Partiu para a África, mas a Providência Divina tinha outros planos. Uma grave enfermidade o forçou a retornar, e os ventos, soprando de forma misteriosa, desviaram seu navio para as costas da Itália. 

Após um encontro providencial com São Francisco de Assis no Capítulo Geral de 1221, Antônio revelou-se ao mundo não apenas como um frade humilde, mas como um orador de brilho arrebatador. Sua estreia em Forlì, onde pregou quase por acaso, deixou os teólogos presentes em um estado de assombro: onde estava um homem de tamanha sabedoria? 

Daquele momento em diante, ele se tornou a voz da ortodoxia contra as heresias que assolavam o norte da Itália e o sul da França. Sua pregação era um fogo que consumia as dúvidas; seu conhecimento das Escrituras era tão profundo que ele se tornou conhecido como o "Martelo dos Hereges". Fatos lendários, como a pregação aos peixes em Rimini, quando os homens se recusaram a ouvi-lo, demonstram a autoridade que o Espírito Santo conferia à sua palavra: se o homem não escutava, a criação de Deus inclinava-se diante da Verdade. 

Santo Antônio foi o primeiro mestre de teologia da Ordem Franciscana, nomeado diretamente por São Francisco. No entanto, ele nunca permitiu que o saber acadêmico fosse um muro entre ele e o povo. Em seu apostolado, ele uniu a profundidade doutrinária à caridade prática. 

Foi durante seus anos de pregação incessante, especialmente na quaresma, que ele se tornou um defensor dos pobres, dos oprimidos e das famílias. A tradição de "santo casamenteiro" nasceu de sua compaixão profunda por jovens que, sem recursos para o dote, eram impedidas de realizar o sacramento do matrimônio. Antônio não apenas pregava a caridade; ele a exercia, encontrando meios de dignificar a vida de quem estava à margem. 

Os últimos anos de sua vida, passados em Camposampiero e, finalmente, em Arcella, perto de Pádua, foram marcados por um desgaste físico acentuado. A hidropisia consumia seu corpo, mas seu espírito ardia em devoção. Foi ali, escrevendo sermões de uma beleza teológica ímpar, que ele preparou seu último retorno. 

Na sexta-feira, 13 de junho de 1231, com apenas 36 anos, Santo Antônio entregou sua alma a Deus. O luto foi coletivo, e os milagres, incontáveis, começaram a ocorrer antes mesmo de seu sepultamento. O povo de Pádua clamava: "O santo morreu!". O reconhecimento de sua santidade foi tão evidente que o Papa Gregório IX o canonizou em tempo recorde, apenas onze meses após sua morte.

Um dos sinais mais fascinantes da santidade de Antônio veio à luz em 1263, durante a exumação de seu corpo, na presença de São Boaventura. Enquanto tudo era pó, sua língua permanecia intacta, corada e fresca, como se ainda estivesse pronta para proclamar as maravilhas de Deus. Aquele órgão, que havia combatido o erro e anunciado a paz, tornava-se o símbolo eterno de sua missão. 

Em 1946, a Igreja consolidou sua importância ao proclamá-lo Doutor da Igreja com o título de Doctor Evangelicus (Doutor Evangélico), reconhecendo que seus escritos e sua vida são pilares fundamentais da fé cristã. 

Ao celebrarmos 795 anos de sua partida para o Céu, Santo Antônio não é apenas um nome do passado. Ele continua presente: 

Na proteção dos que buscam o que foi perdido: Não apenas objetos, mas a esperança, a fé e o sentido da vida. 

Na intercessão pelo amor: Como o santo que abençoa as famílias e os corações que desejam o matrimônio. 

Na inspiração intelectual e espiritual: Como um modelo de quem uniu, com perfeição, a inteligência da mente com o fervor do coração.

Santo Antônio de Lisboa e de Pádua, o "santo do mundo todo", permanece como um farol. Que, neste aniversário de quase oito séculos de sua páscoa, possamos reencontrar em seus ensinamentos a coragem de ser, como ele, uma voz viva do Evangelho nos tempos atuais.

SOBRE A PINTURA

O POLÍPTICO DE SANTO ANTÓNIO é um conjunto de nove pinturas a óleo sobre madeira pintadas cerca de 1460-70 pelo pintor italiano do Quattrocento Piero della Francesca que constituía supostamente o elemento central do Retábulo da Igreja de S. António de Perúgia, desconhecida no presente e que se encontra atualmente na Galeria Nacional da Úmbria nesta mesma cidade. 

A obra foi iniciada pouco depois do regresso de Piero della Francesca de Roma, cerca de 1460, e completada cerca de 1470. O único registro documental relativo à encomenda da obra consta da última parcela do pagamento a Marco, irmão de Piero, que agia frequentemente como agente deste, de 15 fiorini em 21 de junho de 1468. 

Tal como o Políptico da Misericórdia, é uma obra de composição arcaica, certamente a pedido dos clientes, com as figuras principais pintadas sobre um precioso fundo de ouro com um motivo que imita tecidos finos talvez inspirado em modelos ibéricos que o pintor possa ter visto durante a sua estada em Roma. 

Decididamente inovadora e típica do estilo do artista é a Anunciação, a parte superior do Políptico, situada num claustro luminoso cuja visão ilusionista é considerada entre as expressões máximas de perspectiva da arte do Renascimento.

A ESTRUTURA ORIGINAL É DIVIDIDA EM TRÊS NÍVEIS PRINCIPAIS:

Registro Central: Apresenta a Virgem com o Menino Jesus, rodeada por São João Baptista e os santos franciscanos: Santo António de Pádua, São Francisco de Assis e Santa Isabel da Turíngia. 

Registro Superior (Cimasa): Destaca-se pelo uso magistral da perspetiva linear, retratando a Anunciação num pórtico clássico. 

Predella e Painéis Inferiores: Contém pequenas cenas noturnas detalhadas, como Os Estigmas de São Francisco e os milagres dos santos, exibindo um virtuosismo no uso da luz.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 

 

O CENTENÁRIO DE UMA VOZ MÚLTIPLA - FERNANDO PESSOA, CLEONICE BERARDINELLI E O ECO DA ETERNIDADE

Efeméride Especial em 13 de junho de 2026 - 138 anos do nascimento de Fernando Pessoa 

© Alberto Araújo – Focus Portal Cultural 

No dia 13 de junho de 2026, o calendário das letras não marca apenas uma data; celebra a ressonância de um espírito que, nascido há exatos 138 anos, transfigurou a nossa percepção sobre o eu e o mundo. Fernando Pessoa, o poeta de Lisboa, o arquiteto de personalidades e o mestre do modernismo, permanece, mais do que um nome na história, uma presença viva. Sua obra, um labirinto onde cada espelho reflete uma verdade diferente, continua a ser o porto seguro e, simultaneamente, o desafio para todos aqueles que se atrevem a investigar a complexidade da alma humana. 

O Focus Portal Cultural, sob a curadoria e o olhar atento do jornalista Alberto Araújo, dedica o seu espaço de "EFEMÉRIDES" desta data emblemática, 13 de junho de 2026, a uma celebração que suplanta o tempo: os 138 anos do nascimento de Fernando Pessoa. Em um cenário onde a cultura demanda profundidade, este quadro se propõe a ser um elo entre a intelectualidade e a fruição estética, honrando aquele que não foi apenas um escritor, mas uma constelação de consciências. Fernando Pessoa, o mestre que fragmentou o "eu" para melhor compreendê-lo, segue sendo a bússola essencial para quem busca na literatura as respostas que a realidade silencia. Ao abrirmos esta página, convidamos o leitor a um mergulho na psique de um poeta que, mesmo após quase um século de sua partida, permanece contemporâneo e fundamental. É uma reverência necessária à língua portuguesa e à sofisticação do pensamento que, pelas mãos de Pessoa, alcançou a universalidade, provando que a arte é a única forma de, enfim, habitarmos o infinito. 

Fernando António Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa, no dia 13 de junho de 1888 e faleceu também em Lisboa, 30 de novembro de 1935 aos 47 anos, foi, acima de tudo, um homem que não coube em si mesmo. Nascido sob o signo de Gêmeos, parece ter encarnado em sua própria biografia a dualidade e a fragmentação. Se a tradição literária buscava a unidade do autor, Pessoa implodiu esse conceito através da criação genial dos heterônimos: Alberto Caeiro, o mestre da natureza e da sensação pura; Ricardo Reis, o esteta clássico, imbuído de um estoicismo epicurista; Álvaro de Campos, o poeta do sensacionismo e da vertigem moderna; e Bernardo Soares, o semi-heterônimo que, no seu Livro do Desassossego, nos deixou o registro mais íntimo da vida cotidiana e da angústia metafísica. 

Como bem pontuou o crítico Robert Hass, enquanto outros modernistas como Yeats, Pound ou Eliot inventaram máscaras, Pessoa inventou poetas inteiros, cada um com sua biografia, sua filosofia, sua métrica e seu destino. Ao transitar entre o inglês, língua de sua educação em Durban e o português, Pessoa tornou-se um autor universal, alcançando o panteão dos 26 maiores escritores da civilização ocidental, segundo Harold Bloom.

Cleonice Berardinelli, a Resguardadora  da Chama. Não se pode falar da recepção e da compreensão de Fernando Pessoa no mundo lusófono sem evocar a figura luminosa de Cleonice Berardinelli. A saudosa "Dona Cleo", como era carinhosamente chamada, não foi apenas uma acadêmica; foi a grande decifradora, a interlocutora privilegiada entre o poeta e o seu público leitor. Cleonice dedicou décadas de sua vida intelectual a desbravar os manuscritos, a organizar a fortuna crítica e a ensinar gerações sobre o porquê de Pessoa ser, de fato, um "mito cultural". Sua erudição não era fria; era contagiante, humana e, acima de tudo, apaixonada. Ela compreendia que Pessoa não era um quebra-cabeça a ser resolvido, mas uma obra de arte a ser experienciada. Ao trazer para o centro de nossa reflexão a memória de Cleonice Berardinelli, reconhecemos que o legado de Pessoa também sobrevive graças àqueles que, com dedicação e amor, mantiveram seus versos acesos nas salas de aula e nas mentes de milhares de brasileiros.

Ao chegar a este 13 de junho de 2026, a celebração se torna um exercício de introspecção. Admirar Fernando Pessoa é um processo que transforma o leitor. Em cada verso, em cada dúvida metafísica, em cada "sentir tudo de todas as maneiras", encontramo-nos um pouco mais. Pessoa nos ensina que a solidão é uma companhia, que o sonho é uma forma de realidade e que o eu é um processo em constante construção. Ao revisitar sua obra hoje, percebo que não busco apenas o autor das grandes teses estéticas, mas o homem que, como qualquer um de nós, buscou um sentido para a finitude. Celebrar Pessoa é, portanto, celebrar a própria capacidade humana de se reinventar, de criar mundos quando o mundo real parece insuficiente e de encontrar, na escrita, a única forma verdadeira de sobreviver ao tempo. Que os 138 anos de nascimento de Fernando Pessoa sejam renovados por novas leituras e que, em cada um de nós que o admira, sua voz continue a ecoar como um convite à reflexão profunda, ao desassossego criativo e à celebração da língua portuguesa.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural



A FELICIDADE DE UM SÁBADO DE LUZ EM ICARAÍ - CRÔNICA REFLEXIVA © ALBERTO ARAÚJO - INSPIRADA EM FRASES DE CLARICE LISPECTOR

 

Às vezes, a vida nos pede apenas a calma de observar. Não é preciso grandes eventos para que o dia se torne memorável; basta a disposição de estar presente no próprio tempo. Como dizia Clarice Lispector em A Paixão segundo G.H.: "Que eu não perca a vontade de ter grandes atitudes diante da pequenez das coisas." 

Hoje, o sol que banha a orla de Icaraí parece um convite para essa pequena grandeza. É a oportunidade de encontrar o extraordinário no café que aquece as mãos, na brisa que traz o cheiro do mar e no simples fato de ser, de existir neste exato momento, sob a luz de um sábado que nos permite, enfim, apenas respirar. Caminhar pelo calçadão sob este sol é um exercício de despertar os sentidos; entre o movimento das pessoas e o azul da Baía de Guanabara, tudo ganha uma nova camada de significado, como se o mundo se abrisse para ser redescoberto. Como nos recorda a autora em A Descoberta do Mundo: "Rendo graças por poder ver o mundo como se fosse a primeira vez."

Essa capacidade de renovação se conecta, naturalmente, à nossa busca por liberdade. Para Clarice, ela não era um conceito abstrato, mas algo que habitava os pequenos gestos de autonomia sobre o próprio espírito. "Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome", ela nos provoca. E talvez seja exatamente isso que sentimos aqui: um estado de espírito que supera a definição. É a permissão de parar diante da Baía e apenas observar o horizonte, deixando a vida, antes uma sucessão de obrigações, tornar-se um espaço aberto para o que ainda não tem nome, uma alegria sutil, um descanso da alma. 

Que este ritmo calmo da manhã em Niterói seja um convite para deixar as preocupações de lado e apenas ser. Aproveite o brilho do mar e o café quente para sentir, verdadeiramente, que este instante é um presente. Que o seu sábado seja preenchido por essa sensação de ser plenamente livre, mesmo que seja apenas dentro dos seus próprios pensamentos.

© Alberto Araújo 





sexta-feira, 12 de junho de 2026

12 - A URDIDURA DO ETERNO - Nº 12 DA SÉRIE: O AMOR EM DOZE ATOS: UMA JORNADA LITERÁRIA © ALBERTO ARAÚJO FOCUS PORTAL CULTURAL

12 - A URDIDURA DO ETERNO 

O amor, quando atinge a sua maturidade, não se parece com os fogos de artifício que iluminam o céu de verão apenas por um instante, deixando para trás um rastro de fumaça e silêncio. Ele é, antes, como o musgo que se agarra à pedra: silencioso, paciente, transformando a dureza da vida em algo que acolhe e protege. No dia 12 de junho, enquanto o mundo se apressa em trocar presentes que o tempo há de consumir, convido você a olhar para o que realmente sustenta a vida a dois: a permanência do invisível. 

Amar é um ato de coragem quase insurgente. Em um tempo de descartabilidade, onde tudo parece ter prazo de validade, escolher o outro todos os dias é um exercício de fidelidade ao próprio destino. Não se trata apenas da paixão que incendeia,  essa é a faísca inicial, mas do amor que persiste, que resiste ao desgaste das rotinas e à aspereza dos dias nublados. O amor que sobrevive é aquele que aprendeu a ler a geografia da alma alheia, reconhecendo cada cicatriz como um mapa da história que construíram juntos. 

Há uma beleza indizível em envelhecer ao lado de alguém, não no sentido cronológico, mas no sentido de amadurecer a percepção. É perceber que as mãos que se seguram hoje carregam o peso de todas as batalhas vencidas e de todas as alegrias compartilhadas. É compreender que o silêncio entre duas pessoas não é um vazio, mas uma linguagem densa, um dialeto particular que dispensa tradução. Quando chegamos ao ponto em que não precisamos provar mais nada, em que a presença do outro é a resposta mais completa para as nossas inquietações, descobrimos o verdadeiro sentido do sagrado. 

Hoje, celebra-se o encontro. Mas, se formos honestos, celebra-se muito mais: celebra-se a permanência. Celebrar o Dia dos Namorados é honrar o pacto de não nos deixarmos levar pelo vento, de sermos a âncora um do outro na vastidão de um mundo que insiste em nos dispersar. O amor é o fio de ouro que costura o tempo, unindo o que fomos ao que seremos, transformando a nossa existência comum em uma obra de arte que, embora invisível para o mundo, é a única coisa que realmente justifica a jornada. Que o seu amor seja, hoje e sempre, esse lugar de pouso, de paz e de infinito retorno.

Nº 12 DA SÉRIE: O AMOR EM DOZE ATOS:

UMA JORNADA LITERÁRIA

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural



 



 

11 - O HORIZONTE DE NÓS - Nº 11 DA SÉRIE: O AMOR EM DOZE ATOS: UMA JORNADA LITERÁRIA © ALBERTO ARAÚJO FOCUS PORTAL CULTURAL



11 -  O HORIZONTE DE NÓS

Não procuro mais o norte das cartas, nem as rotas desenhadas pelos antigos. Encontrei a geografia que me cabe no contorno do teu abraço, onde o mapa se dissolve em carne e respiração.

Amar-te é este exercício de não-resistência, deixar que a maré leve o que não importa e nos deixe apenas com o essencial: o peso da tua mão na minha, o silêncio que sabe o nome de todas as coisas sem precisar pronunciar nenhuma.

Se o amor é um idioma, nós o inventamos a cada amanhecer, entre o café e o riso solto, entre o medo de sermos finitos e a certeza, absoluta e sem esforço, de que em cada detalhe de ti eu me descubro, finalmente, inteiro.

Nº 11 DA SÉRIE: O AMOR EM DOZE ATOS:

UMA JORNADA LITERÁRIA

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural




 

10 - O COMPASSO DAS ESTAÇÕES - Nº 10 DA SÉRIE: O AMOR EM DOZE ATOS: UMA JORNADA LITERÁRIA © ALBERTO ARAÚJO FOCUS PORTAL CULTURAL

10 - O COMPASSO DAS ESTAÇÕES 

Costumamos medir o amor pelo calendário, pela contagem dos dias que se empilham em gavetas ou pelas datas que sublinhamos no papel. Contudo, há uma outra contagem que nos escapa: o tempo que o amor leva para criar raízes no solo invisível de duas existências. Não é um tempo linear, de horas e minutos; é um tempo geológico, feito de sedimentos de conversas, de olhares trocados e da paciência necessária para atravessar os invernos um do outro. 

O amor é, acima de tudo, a capacidade de habitar o agora sem o medo do depois. É a estranha e maravilhosa certeza de que, mesmo que o mundo lá fora insista em girar mais rápido, aqui dentro existe um eixo. Um eixo de silêncio, de mãos dadas e de presenças que não precisam se explicar.

Cada gesto de cuidado é, na verdade, uma pequena oferenda ao tempo que virá. Quando aprendemos a celebrar o banal, transformamos o comum em eterno. Amar é saber que, enquanto o mundo se altera lá fora, entre nós, o tempo se suspende para que possamos, enfim, apenas ser, um o refúgio do outro, na impermanência de todas as coisas.

 

Nº 10 DA SÉRIE: O AMOR EM DOZE ATOS:

UMA JORNADA LITERÁRIA 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 




 

A ACADEMIA FLUMINENSE DE LETRAS CELEBRA A MEMÓRIA E A IDENTIDADE EM NITERÓI – VISITA AO MUSEU ANTÔNIO PARREIRAS E JANETE COSTA

Comitiva de membros da Academia Fluminense de Letras

A cultura, quando viva e pulsante, não se restringe ao silêncio das estantes; ela se faz no encontro, na troca de saberes e no reconhecimento dos alicerces que sustentam nossa identidade. Em um movimento de singular importância para a cena fluminense, a centenária Academia Fluminense de Letras (AFL) protagonizou sexta-feira, 12 de junho de 2026, uma imersão institucional que reafirma o compromisso da agremiação com a preservação do patrimônio histórico e artístico de Niterói. Por intermédio do projeto “A Academia Visita”, coordenado pelo incansável acadêmico Jordão Pablo de Pão, a instituição reafirmou sua relevância como ponte entre as artes, as letras e a memória pública. 

Sob a presidência de Márcia Pessanha, a Academia Fluminense de Letras tem demonstrado uma gestão pautada pela abertura e pelo fortalecimento de laços interinstitucionais. A visita realizada hoje aos Museus Antônio Parreiras (MAP) e Janete Costa de Arte Popular (MJC) não foi apenas um protocolo, mas um exercício de continuidade histórica. 

A escolha dos destinos não é fortuita. Antônio Parreiras, o mestre niteroiense qual a sua obra superou as fronteiras da pintura, possui um elo intrínseco com a Academia. Em 1927, o célebre pintor e professor ingressou na AFL como membro da Classe de Belas Artes, um feito consolidado logo após a publicação de seu emblemático livro de memórias, História de um Pintor, Contada por Ele Mesmo (1926). Visitar o museu que leva seu nome é, para os acadêmicos, um ato de reverência a um dos seus pares mais ilustres. 

Da mesma forma, a homenagem ao Museu Janete Costa celebra a memória da arquiteta recifense que, com um olhar sensível e vanguardista, dedicou sua vida a elevar o artesanato ao patamar de alta manifestação cultural do povo brasileiro. Janete Costa não apenas curou exposições; ela curou a percepção do Brasil sobre si mesmo. 

O ponto alto da jornada foi a entrega da Moção de Reconhecimento e Aplausos da AFL com as instituições culturais, representadas por suas atuais dirigentes: Fátima Marotta Henriques (Museu Antônio Parreiras) e Daniela Moraschini (Museu Janete Costa).

A comitiva da AFL, liderada por Márcia Pessanha e orquestrada por Jordão Pablo de Pão, contou com a presença de um grupo seleto e atuante de intelectuais, incluindo Matilde Carone Slaibi Conti - Presidente do Elos Internacional, Cenáculo Fluminense de História e Letras e outras, Eneida Fortuna Barros, Erthal Rocha, Lucia Romeu, Magda Belloti, Railson Barboza, Sidney Gomes e Verônica Oliveira. 

Nos corredores e jardins do Museu Antônio Parreiras, o grupo foi recebido com a hospitalidade da equipe educacional, representada por Flávia Vilar, Gabe e Breno Santos. Já no Museu Janete Costa, o acolhimento ficou a cargo de Elielton Rocha e Júnior, que conduziram os visitantes por uma imersão na curadoria que define a essência da arte popular no Brasil. 

O projeto “A Academia Visita”, idealizado por Jordão Pablo de Pão, configura-se como uma das iniciativas mais dinâmicas da atual gestão da AFL. Ao levar a Academia para fora de sua sede, a instituição desmistifica o conceito de "torre de marfim". A literatura e a academia fluminense, ao se colocarem em diálogo com museus e espaços de cultura, provocam uma reflexão necessária: a de que o saber acadêmico e a preservação do patrimônio são, em última análise, o mesmo esforço de salvaguarda da nossa história. 

Esta incursão, realizada sob o sol radiante desta sexta-feira 12 de junho, ganha contornos de uma poesia singular ao coincidir com o Dia dos Namorados. Em um movimento de rara sensibilidade, a Academia Fluminense de Letras não celebrou apenas o afeto romântico, mas o verdadeiro "namoro" com a nossa própria história. Enquanto o mundo trocava juras de amor, nossos acadêmicos trocavam olhares de admiração com as personalidades históricas que moldaram nossa identidade. Foi um encontro de almas afins: os imortais da AFL em um enlace apaixonado com a genialidade de Antônio Parreiras e a audácia estética de Janete Costa. 

Niterói reafirma, assim, seu posto privilegiado como um verdadeiro celeiro de pensamento e sensibilidade artística. A integração entre a AFL e os museus estaduais não é meramente administrativa; é uma rede de proteção, um abraço afetuoso que a cultura dá em seus próprios tesouros. Ao transitar pelas galerias, os membros da Academia pareciam enamorados das formas, das cores e das narrativas que ali repousam, provando que o conhecimento, quando cultivado com paixão, gera reflexos profundos e duradouros no fomento às artes e na educação patrimonial de nossa gente. 

Ao final do dia inesquecível, o sentimento compartilhado entre os presentes era de uma profunda comunhão. A memória, quando visitada com este respeito, um verdadeiro cortejo intelectual e afetivo, deixa de ser um registro estático, um documento poeirento ou uma data esquecida; ela se transmuta em um guia vibrante para o futuro. A Academia Fluminense de Letras, embora centenária, revela-se deliciosamente contemporânea e pulsante em sua missão de eternidade, guiada pelo lema que estampa seu estandarte: "Per Astra". Ao buscar o saber "através das estrelas", a instituição reafirma sua vocação de elevar o pensamento humano para além do tempo, dialogando e celebrando, com esmero, o legado daquelas personalidades que, com o amor fervoroso depositado em suas tintas, pedras, tecidos e palavras, desenharam o rosto multifacetado do que chamamos de cultura fluminense. 

Para o Focus Portal Cultural, esta visita representa muito mais do que um compromisso de agenda; é o registro sublime de uma gestão que compreende a cultura não como um objeto de museu, mas como o tecido vivo, apaixonado e indestrutível que une as gerações, fazendo da nossa história um eterno presente. 

Créditos das fotos, compartilhadas por: Christiane Victer e Matilde Carone Slaibi Conti 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural




MENSAGEM DA PRESIDENTE MÁRCIA PESSANHA


Três palavras dirigidas ao acadêmico Alberto Araújo, diretor do Focus Portal Cultural, para expressar o que ele tão bem divulga das atividades culturais das nossas instituições: Reconhecimento,  Gratidão e Amizade.

Alberto, que você continue divulgando e compartilhando notícias, mensagens, saberes, interligando nossos espaços de cultura. 

A visita aos dois museus foi muito prazerosa, mesclando conhecimento, convívio social e a alegria de nosso encontro. É muito bom rever os amigos acadêmicos. 

Quero estender meus agradecimentos a Christiane Victer pela autoria das fotos e companheirismo constante, aos dirigentes e equipe dos museus, pela gentil acolhida,  a Jordão Pablo que mediou o encontro e a todos os acadêmicos que estiveram presentes, já citados por Christiane e  Alberto, tornando mais agradável e enriquecedor o encontro.

Valeu muito a pena.

Unidos somos mais fortes.

Márcia Pessanha 


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Prezada Presidente Márcia Pessanha, recebo suas palavras com profunda emoção e redobrada responsabilidade. O reconhecimento, a gratidão e a amizade que você expressa são valores que, pessoalmente, prezo muito e que buscam nortear toda a atuação do Focus Portal Cultural.

Para mim, interligar nossos espaços de cultura e dar visibilidade ao trabalho relevante realizado pelas nossas instituições não é apenas uma missão editorial, mas um verdadeiro privilégio. Ver o impacto positivo que esse registro gera, especialmente em momentos tão prazerosos de convívio, como os desfrutados nos museus, reforça a certeza de que estamos no caminho certo. 

Sua liderança à frente da Academia Fluminense de Letras, aliada à presença vibrante de todos os confrades e confreiras, torna cada encontro uma lição de saber e união. Registro aqui também meu agradecimento pela sua lembrança carinhosa ao Jordão Pablo de Pão e a Christiane Victer, quais participações foram, de fato, fundamentais para a excelência do evento. 

Como bem afirmou, unidos somos, sem dúvida, mais fortes. Conte sempre com o meu empenho e com as páginas do nosso Portal para continuarmos celebrando e difundindo a cultura.

Abraços do  Alberto Araújo

Diretor do Focus Portal Cultural


 MELHORES MOMENTOS DAS VISITAS

Márcia Pessanha - Presidente da Academia Fluminense de Letras



Momento da entrega da 
Moção de reconhecimento e aplausos 
a Coordenadora Flávia - do MAP




























quinta-feira, 11 de junho de 2026

“BORBOLETRANDA” NO VOO POÉTICO DE ALBERTO ARAÚJO - TEXTO DE MÁRCIA PESSANHA


 

 Réplica de Márcia Pessanha sobre o ensaio

“A Borboletranda da razão - O voo de Márcia Pessanha - Ensaio Literário © Alberto Araújo”

A “borboletranda” da razão amanheceu liberta do casulo, voando célere no azul do texto de Alberto Araújo, onde se encontrou mulher-palavra no corpo do poema. Poema feito de carne, de sensações vividas, metamorfoseadas em palavras, palavras aladas, dançando ao vento como as multicoloridas asas das borboletas.

Linguagem que não se traduz em uma simples metamorfose, em um efêmero reconhecimento, mas requer do neófito conhecer os estágios da metamorfose, os ritos de passagem e as travessias da vida. E Alberto soube com as luzes mágicas de sua sensibilidade e do encantamento  pelo universo artístico e dos saberes apreender a essência anímica da borboletranda.

E foi além, ao seguir o voo/fases do borboletrar de Márcia, bordando seu texto com fios dourados, mesclando conhecimentos filosóficos, culturais e outros, tendo como corolário uma apoteose de expressões bem elaboradas, à semelhança de um panapaná, ou seja de uma nuvem, uma revoada de borboletas pousando nas árvores da Floresta Encantada das Letras.

          A você, Alberto, digno habitante desta simbólica floresta, sempre buscando preservá-la, mantê-la viva, e que tão bem traduziu o borboletrar poético-vivencial de minha poesia,  desejo que chegue até você o perfume das palavras- flores e das palavras-frutos, com a esperança que as sementes irão germinar em sua escrita. E as borboletas! Ah! As borboletas irão sempre alegrar e colorir sua vida.

    Que assim seja! Com meu fraternal abraço de agradecimento.

Márcia Pessanha 










A BORBOLETRANDA DA RAZÃO O VOO DE MÁRCIA PESSANHA

Ensaio Literário © Alberto Araújo 

Ao observarmos a delicadeza iconográfica presente na imagem, somos confrontados com uma coreografia que supera o biológico: o voo das borboletas que ornam o vestido desta jovem não é apenas um adorno, é uma linguagem. É nessa dimensão, onde a erudição encontra a leveza, que situamos Márcia Pessanha, nossa "borboletranda" da intelectualidade. 

A metáfora da borboleta, frequentemente reduzida ao lugar-comum da metamorfose, exige, sob a lente da análise, uma revisão. A borboleta não muda apenas de forma; ela altera sua relação ontológica com o mundo. O processo de "borboletar" de Márcia, este neologismo que cunhamos para descrever seu trânsito fluido entre ideias, campos do saber e profundidades reflexivas, guarda uma semelhança intrínseca com o cromatismo vibrante e a diversidade das asas que compõem sua veste intelectual. 

Márcia Pessanha não habita o pensamento como quem ocupa um território estático; ela o habita como quem voa. 

Assim como as criaturas que habitam o vestido da jovem na imagem, cuja luminescência irradia um encanto absoluto, a produção intelectual de Márcia atua como um feixe de luz em meio à névoa das certezas dogmáticas. Ela pratica uma intelectualidade que se recusa a ser pesada. Ela é, em essência, uma "borboletranda": aquela em cujo processo de aprendizagem e construção de saber vive um constante estado de emergência, um eterno tornar-se. 

Assim como cada asa de borboleta é estruturada por uma geometria invisível que garante o sustento do voo, o discurso de Márcia é sustentado por uma rigorosa arquitetura lógica, ainda que apresentada com a fluidez de uma intuição poética. O colorido intenso que emana de seu pensamento, como uma trilha de pó luminoso, espelha o legado que Márcia deixa em cada debate. É uma marca que não pressiona o intelecto com o peso da autoridade, mas que o ilumina de dentro para fora, transformando a audiência. 

A figura na imagem, envolta em sua própria miríade de vida alada, não tenta aprisionar o voo; ela o contempla em sua totalidade. Esta é a postura de Márcia perante o conhecimento. Ela compreende que, para ser uma pensadora livre, é preciso oferecer ao pensamento o espaço necessário para a sua manifestação. O seu "borboletar" intelectual é, na verdade, uma forma de hospitalidade: ela acolhe as ideias, permite que orbitem o seu centro e, eventualmente, as libera para que transformem o ambiente ao redor. 

A intelectualidade, quando exercida com a profundidade de Márcia, torna-se uma arte da transição. Ela transita entre o rigor acadêmico e a sensibilidade lírica com a mesma naturalidade com que as cores transbordam da imagem, desafiando as fronteiras físicas e os limites impostos pelo senso comum. Ao compararmos Márcia Pessanha a esta miríade de cores, não buscamos apenas um elogio estético, mas uma definição de sua práxis. Ela é a prova viva de que a inteligência não precisa ser um fardo de pedra; ela pode ser um fenômeno aéreo, uma força da natureza que eleva a todos que a rodeiam. 

Ao celebrarmos a trajetória de Márcia Pessanha, é impossível não evocar a figura de Vladimir Nabokov. O autor de Lolita e Pálido Fogo, que dedicou grande parte de sua vida ao estudo rigoroso das borboletas, afirmava que a curiosidade intelectual é, em última instância, uma forma de arte. Para Nabokov, observar uma borboleta exigia a precisão de um cientista e a alma de um poeta, exatamente o que observamos na práxis de Márcia. Assim como Nabokov via na diversidade das asas a própria complexidade da experiência humana, Márcia compreende que o saber não é uma coleção de fatos fixos em alfinetes, mas um organismo vivo que precisa de espaço para alçar voo. Ela nos lembra de que, como diria o mestre da escrita e da lepidopterologia, o maior prazer do intelecto reside na "deliciosa surpresa" do próximo movimento.

Márcia é, portanto, a nossa borboletranda nabokoviana: alguém que, entre a ciência do rigor e a arte da intuição, entende que o pensamento, para ser verdadeiramente livre, deve ser, acima de tudo, uma celebração da luz. Ela jamais se sente completa no casulo das definições prontas; está sempre pronta para o próximo voo, disposta a transformar a quietude da estagnação em um espetáculo de luz intelectual. Que seu voo continue sendo essa nota vibrante no horizonte, um lembrete constante de que, no pensamento, como na natureza, o mais belo é o movimento que nos liberta. 

© Alberto Araújo

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