07 de junho de 2026. Não era apenas uma manhã de domingo sob o céu de Itaipava; era a celebração de um encontro que parecia ter sido desenhado pelo tempo. No Soberano, o Festival Soberaninho desdobrou-se em uma tapeçaria de sensações, provando que a cultura, quando oferecida com verdade, não tem idade ou barreira.
Quando as vozes cristalinas do Coral das Meninas dos Canarinhos de Petrópolis ecoaram pela casa, o ar pareceu se tornar mais leve. Ali, a tradição encontrou o frescor. E, como se o cenário já não fosse suficientemente sublime, a entrada em cena de Dori Caymmi trouxe o peso da genialidade brasileira, transformando o palco em um lugar de comunhão. Mas o toque de mestre veio na forma do silêncio: a expressão corporal do mímico Josué Soares provou que o que é invisível aos olhos, a emoção pura, é o que mais nos alcança.
O evento, contudo, revelou algo ainda mais bonito que a música: a generosidade. Ao abrir as portas com acessibilidade plena, o Soberano não apenas democratizou o acesso, mas estendeu a mão para que ninguém ficasse de fora da beleza.
Enquanto a contagem regressiva para o encerramento, no dia 14 de junho com a mágica Bia Bedran, avança, fica a marca de um projeto que entende a sua missão. O Soberaninho não é apenas uma sequência de espetáculos; é um lembrete vívido de que a Região Serrana pulsa, respira e, sobretudo, sabe acolher a arte em sua forma mais humana. Foi um domingo em que a música foi, acima de tudo, um abraço coletivo.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural

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