Sob a égide da erudição e do espírito imortal das artes, a Academia Fluminense de Letras – Presidente Márcia Pessanha foi palco no dia 20 de junho de 2026, sábado, de uma solenidade que ultrapassou o protocolo, convertendo-se em um verdadeiro tributo à cultura fluminense e luso-brasileira.
O cenário, o Salão Nobre da centenária instituição, em Niterói, abriu suas portas para receber o Cenáculo Fluminense de História e Letras, sob a batuta de sua ilustre presidente, Matilde Carone Slaibi Conti. O evento, marcado por uma atmosfera de refinamento intelectual, teve como mote central a posse da nova acadêmica, Idalina da Purificação Andrade Gonçalves, e a outorga da prestigiosa Comenda Waldenir de Bragança – 2026.
A abertura da solenidade foi marcada por um momento de profunda espiritualidade e humanismo, conduzido pela presidente Matilde Carone Slaibi Conti. Com a sensibilidade própria dos que cultivam o espírito, Matilde acolheu os presentes não apenas como convidados, mas como uma verdadeira irmandade reunida pelo apreço às letras. Em um discurso que transformou o ambiente, a presidente observou a transição da manhã, que superara a chuva para se revelar em um dia outonal de luz singular. Ao citar a estação do ano como o refúgio por excelência dos poetas, Matilde teceu uma analogia comovente entre o calor que despontava do lado de fora e o calor humano que aquecia o Salão Nobre, ressaltando que a fraternidade era, ali, o fio condutor de toda a celebração.
Em um ápice de reflexão metafísica e amorosa, a presidente recorreu à sabedoria apostólica, invocando a epístola de São Paulo aos Coríntios: "Ainda que eu falasse a língua dos anjos e dos santos, se eu não tiver amor, eu nada serei". Com essa premissa, ela justificou a presença de cada um naquela manhã gloriosa, um público unido, acima de tudo, pelo amor à educação e à cultura. Num gesto de acolhida que tocou a alma da neófita, Matilde saudou Idalina, chamando-a de "Rainha dos Açores" e manifestando a convicção de que sua presença não apenas enriqueceria o Cenáculo, mas despertaria nos acadêmicos o mesmo amor profundo que a comunidade dedicava à sua cidade. Foi um prelúdio magistral, que converteu a solenidade num verdadeiro santuário da amizade e do intelecto.
O cerimonial, conduzido com elegância por Irma Lasmar Sirieiro, iniciou-se com a formação da mesa de honra, reunindo personalidades que simbolizam o vigor da cooperação cultural. Ao lado de Matilde Carone Slaibi Conti, compuseram o assento a presidente da Academia Fluminense de Letras, Márcia Maria de Jesus Pessanha; a Embaixadora Joana Gaspar, Cônsul Geral de Portugal no Rio de Janeiro; Ana Maria Tourinho, vice-presidente Cultural Mundial da Rede Sem Fronteiras; Álvaro Neves da Silva Mendonça, Vice-presidente da Casa dos Açores; e Heliane Abicalil, presidente da Casa da Amizade de Niterói.
A entrada da neoacadêmica no recinto, conduzida pelo jornalista Alberto Araújo e pelo Desembargador André Fontes, foi o prenúncio de uma manhã-tarde de reconhecimento. O patriotismo ecoou pelas paredes seculares com a execução dos hinos nacionais brasileiro e português, regido pelo técnico de som Carlinhos unindo as nações pelo idioma e pela história.
Um dos momentos de maior emoção foi a entrega da Comenda Waldenir de Bragança – 2026. A distinção, que perpetua o nome de um dos maiores entusiastas da cultura fluminense, foi conferida a Rafael Lemes Sabino categoria: Literatura e André Neves Abreu categoria: Artes. Ladeados por seus familiares, os jovens talentos receberam a honraria das mãos do acadêmico e idealizador do projeto, Levy Pinto de Castro Filho, e da professora Fátima Margarida, mentora de André no Espaço Perspectiva.
A solenidade atingiu seu ápice com a posse formal de Idalina da Purificação Andrade Gonçalves. A entrega da medalha, conduzida por Álvaro Neves da Silva Mendonça, e do diploma, pelas mãos da Embaixadora Joana Gaspar, selaram o compromisso da nova integrante com a imortalidade acadêmica.
Após a leitura do Termo de Posse por Márcia Pessanha, seguiu-se a saudação oficial, em um discurso magistral que entrelaçou a trajetória literária da neófita com a relevância do Cenáculo. O rito de investidura alcançou seu momento de sublime lirismo quando Márcia Pessanha assumiu a tribuna para proferir a saudação oficial à neoacadêmica. Com uma oratória que se poderia definir como encantatória, Márcia Pessanha teceu um painel vivo sobre a trajetória literária de Idalina da Purificação Andrade Gonçalves.
Suas palavras, permeadas por uma felicidade contagiante, revelaram com precisão a importância do ingresso de Idalina na Cadeira 48, cuja patronímica recai sobre o gênio Martins Pena, sucedendo o notável Julio Cezar Vanni. Num movimento de rara erudição, Márcia convocou a presença imortal de Antero de Quental, homenageando a especialidade de Idalina pela obra do pensador açoriano.
A oradora costurou com maestria os vínculos luso-brasileiros, rememorando nomes fundamentais como Vitorino Nemésio e a conexão profunda de Machado de Assis, filho de açoriana, e a lírica de Cecília Meireles, neta de açorianos. Ao discorrer sobre o vasto currículo de Idalina, Márcia Pessanha destacou não apenas as honrarias conquistadas, mas a relevância de sua atuação no Real Gabinete Português de Leitura e seu estreito diálogo com o Consulado Português, reafirmando que sua posse é um tributo à cultura que une os dois lados do Atlântico.
Outro ponto alto de indescritível emoção na tarde ocorreu quando a neoacadêmica Idalina da Purificação Andrade Gonçalves assumiu a palavra. Em sua alocução, um misto de gratidão e reverência, Idalina dirigiu-se primeiramente à presidente Matilde Carone Slaibi Conti e à sua paraninfa, Márcia Pessanha, com palavras que transbordaram reconhecimento e afeto. Ao evocar a presença de seu Patrono, Martins Pena, o precursor do teatro nacional, e saudar a memória de seu antecessor, o acadêmico Julio Cezar Vanni, Idalina não apenas relembrou o passado; ela teceu um fio condutor invisível, unindo a tradição que agora recebia com a missão de futuro que, a partir daquele instante, passava a projetar. Seu discurso, marcado por um humanismo profundo e uma erudição lapidada, tocou os corações presentes, convertendo o Salão Nobre em um espaço de comunhão intelectual.
Para o encerramento, Idalina reservou um momento de puro lirismo poético, declamando palavras que ficaram gravadas na memória dos que puderam testemunhar a sua consagração: “A história de vida do meu Patrono Martins Pena tem o encanto da Flor Selvagem, que surge inesperadamente, despertando em nós um deslumbramento do qual não percebemos o gênero ou a espécie de flora à qual pertence, ou de onde deriva a Semente, que produziu este Maravilhoso Encantamento. Inebriando-nos com o Lirismo Poético do Brasil e Portugal.”
Ao finalizar, a voz de Idalina, embargada pela emoção e sustentada pela beleza das imagens que criou, foi recebida por um auditório arrebatado, cujos aplausos efusivos e demorados selaram o seu ingresso definitivo no Cenáculo Fluminense de História e Letras.
Também um momento impregnado de uma beleza etérea, desenhou-se quando a neoacadêmica Idalina, num gesto que uniu a doçura à gratidão, reverenciou os jovens talentos Rafael Lemes Sabino e André Neves Abreu. Em meio a sorrisos que iluminavam o Salão Nobre, os dois artistas, símbolos vivos da renovação das artes, foram envolvidos por uma atmosfera de ternura. Idalina, movida por uma sensibilidade que tocou a todos, confiou-lhes um buquê de orquídeas, flores que, em sua rara e delicada vivacidade, pareciam espelhar o próprio espírito daquela celebração.
Com elegância contida, André entregou a sua parte à presidente Matilde Carone Slaibi Conti, enquanto Rafael ofertou a sua à paraninfa Márcia Maria de Jesus Pessanha. O gesto de entrega, realizado com a reverência de quem reconhece o legado e a promessa do futuro, transformou-se numa cena de rara beleza poética. Ao verem-se ladeados pelas ilustres damas, sob o olhar atento e enternecido da assembleia, o salão foi tomado por um instante de silêncio contemplativo, que logo se rompeu em uma salva de palmas estrondosa.
A plateia, arrebatada pela magnitude do momento, levantou-se em um uníssono de respeito e admiração. Ali, naquele abraço florido entre a experiência das mestras e a esperança da juventude, a cultura fluminense não apenas honrou o passado, através da Comenda Waldenir de Bragança, mas celebrou, com inegável lirismo, a perenidade das artes que, pelas mãos daqueles jovens, encontrará sempre novos campos para florescer.
O encerramento do evento foi abrilhantado pela Tuna Açoriana, grupo que preserva a alma musical de Portugal e das terras d'além-mar. Composta por Carlos Henrique Alves, Maria Clara Rocha, Pedro Henrique Fagundes, Francisco Gonçalves, Alexandre Fagundes e João Victor Fagundes, a Tuna emocionou a todos com um repertório que incluiu "Olhos Negros", "Tocando em Frente" e "Ilhas Bruma". O toque de genialidade coube à execução de uma modinha, composta sobre um poema de autoria da própria Idalina, num momento que harmonizou a palavra poética à nota musical.
No crepúsculo desta jornada inesquecível, a presidente Matilde Carone Slaibi Conti tomou a palavra para o encerramento, numa fala que fluiu como um rio de gratidão e ternura. Com olhar sereno, expressou a alegria imensa de ter compartilhado da música da Tuna Açoriana e do encanto contagiante dos artistas que ali trouxeram o frescor da arte, abençoando a pureza de cada um, para selar a sua gratidão, conferiu-lhes uma “Moção de Aplausos e Reconhecimento” ao grupo musical.
Assim, em um gesto de rara generosidade, Matilde declarou que a casa da Academia era, de fato, a casa de todos os presentes, transbordando uma hospitalidade que espelhava a grandeza do Cenáculo.
Ao dirigir-se à sua assembleia de amigos, companheiros de uma vida de lutas e ideais, sua voz carregou-se de uma emoção profunda. Reconheceu que a força de sua trajetória não residia em isolamentos, mas no amparo constante e na solidariedade que recebia de cada um daqueles que sempre lhe estenderam a mão, impedindo-a de sentir a solidão. Agradeceu às instituições parceiras, como a Rede Sem Fronteiras, em um Núcleo portentoso em Niterói, Matilde é a sua presidente, Rotary e a Casa da Amizade, com a reverência de quem compreende que a cultura é um esforço coletivo e fraterno.
Para selar a despedida, Matilde invocou a sabedoria telúrica de Guimarães Rosa. Ao rememorar o mestre de Cordisburgo, que decifrou as veredas do sertão e da alma humana, ela deixou aos presentes a sua última e mais vital lição: a de que, diante dos desafios da existência e da nobre missão de preservar o legado das letras, o que a vida, afinal, quer de nós é CORAGEM.
Com essa palavra-oráculo pairando sobre o salão, a solenidade encerrou-se, deixando nos corações a semente de um otimismo inabalável e a promessa de novos encontros sob o signo do saber e do amor. Uma tarde para a história, onde a pena e a arte caminharam lado a lado, sob o olhar atento da tradição e a esperança do renovo cultural.
Ao término das celebrações, os presentes foram convidados a um coquetel assinado pela Chef Valéria Gervásio. Entre taças e conversas, a intelectualidade niteroiense reafirmou o papel vital de instituições como o Cenáculo Fluminense na manutenção da nossa memória e na promoção das artes. Uma tarde para a história, onde a pena e a arte caminharam lado a lado, sob o olhar atento da tradição e a esperança do renovo cultural.
A solenidade foi prestigiada por uma expressiva e distinta assembleia de convidados, cujas presenças selaram o brilho desta tarde memorável. Entre os nomes que abrilhantaram o Salão Nobre, destacamos Matilde Carone Slaibi Conti, Márcia Maria de Jesus Pessanha, André Ricardo Fontes, Otávio Cesar de Queiroz, Rosangela Moraes Serpa, Levy Pinto de Castro Filho, Francisco Amaro Gonçalves, Damila Ayres Lemos, Rafael Sabino, Alberto Araújo, Shirley Araújo, Dulce Rocha Mattos, Angela Riccomi, Flavia Margarida, André Neves Abreu, Ana Paula R. Neves, Riva Maria Leite Costa, Ernesto Guadalupe, F. Mendonça, Paulo André L. Rabello, Ana L. Mendonça, Brigitta Monteiro, Henrique Vianna, Rivo Giannini, Alexandre da Motta Campanelli, Cleide Villela Abib, Irma Lasmar, Heliane Abicalil, Fernanda de Medeiros Nunes, Edir Meirelles, Ernesto Maier Rymer, Carlos Henrique, Sue Hellen Barbosa Oliveira, Nágela Moura de Barros, Patrícia Rangel Araújo, Vera Regina de Carvalho Silva, Ana Regina Seixas, Manoel Augusto de Azevedo Neto, Ana Maria Tourinho, Euderson Kang Tourinho, Zeneida Apolônio Seixas, Carlos Frederico G. C. Silveira, Bernardo Correia L. Junior, Maria Gabriela Lopes, Ana Paula C. N. Alcântara, Yuri Rocha Brum, Maria Otilia Camillo, Lucília Dowslley, Carlos Henrique Alves, Maria Clara Rocha, Pedro Henrique Fagundes, Francisco Gonçalves, Alexandre Fagundes e João Victor Fagundes.
Esta vasta lista de ilustres amigos e entusiastas da cultura, somada a tantos outros admiradores que ali se fizeram presentes, reforçou o caráter de fraternidade e o profundo apreço que a comunidade fluminense dedica às letras e às artes, tornando o evento um marco de união sob o teto acolhedor desta Academia.
Créditos
das fotos:
Alberto
Araújo
Aldo
da Silva Pessanha
Euderson Kang Tourinho
Editorial
© Alberto Araújo
Focus
Portal Cultural


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