quarta-feira, 10 de junho de 2026

A LENTE QUE GUARDAVA A NOSSA HISTÓRIA: O LEGADO DE MARLENE FONSECA

Hoje, 09 de junho de 2026, o ambiente das nossas academias, eventos e encontros culturais ficou com uma luz diferente. Uma luz que, embora mais suave, ainda guarda o brilho inconfundível de quem, por décadas, foi a responsável por transformar o efêmero em eterno. Marlene Fonseca, a nossa querida fotógrafa, aquela que via o mundo através de uma lente sempre atenta e um sorriso sempre pronto, Deus a convidou para encerrar seu ciclo terreno. Como bem disse a Angela Guerra, ela acaba de virar estrelinha. Mas, para quem a conhecia, ela sempre foi, na verdade, uma das estrelas mais brilhantes que circulavam entre nós, armada com seu equipamento e uma energia que desarmava qualquer formalidade. 

Não é um dia de tristeza profunda, dessas que silenciam a alma. É um dia de celebração, agridoce, é verdade, de uma vida que se dedicou a colecionar sorrisos, olhares, discursos e abraços. Marlene não apenas tirava fotos; ela documentava a alma das nossas instituições. Cada acadêmico, cada poeta, cada confrade que teve a honra de ser registrado por ela, carrega hoje um pedaço de sua história imortalizado em um clique. 

É impossível dissociar a história das nossas academias do trabalho de Marlene. Como observou, com muita sensibilidade, o nosso Luiz Poeta, Marlene não foi apenas uma profissional que acompanhava o enredo das nossas entidades; ela foi uma célula viva desse tecido anímico chamado fraternidade. Ela compreendia, como poucos, o valor de um momento. Sabia que a foto de um evento não era apenas o registro de quem estava lá, mas a prova física de que aquele instante de cultura, de troca, de amizade, realmente existiu e deixou uma marca indelével na nossa jornada coletiva. 

Quem nunca se sentiu, por um segundo, uma celebridade diante da Marlene? Ela tinha o dom de nos fazer sentir importantes. Seja em um grande evento ou em uma pequena reunião, ela chegava com sua câmera, aquela ferramenta que, nas mãos dela, parecia uma extensão do seu próprio coração e capturava o que havia de melhor em nós. 

E como esquecer da sua humanidade? A Marlene era feita de gente, de riso, de provocação saudável.  Trago uma lembrança que traduz perfeitamente quem ela era: alguém que, mesmo exercendo uma profissão que exige seriedade e técnica, não perdia a chance de uma brincadeira. O comentário sobre a minha câmera ser pequena perto da “poderosa” câmera dela é um retrato fiel da sua personalidade solar. Ela tinha esse jeito de nos aproximar, de quebrar o gelo, de tornar o ambiente acadêmico, muitas vezes sisudo, em um espaço de descontração e calor humano. 

Marlene Fonseca não se foi por completo. Ela está presente em cada porta-retratos sobre nossas mesas de cabeceira. Está nas pastas digitais que guardamos como tesouros. Está nos álbuns que folhearemos daqui a dez, vinte ou cinquenta anos, e onde veremos, através dos seus olhos, que fomos jovens, que fomos poetas, que fomos, acima de tudo, amigos. 

Hoje, prestamos a ela todas as honras, como pediu a Angela. Pedimos que a paz envolva seus familiares, que dividem conosco a dor da partida, mas também o privilégio de ter compartilhado a vida com uma mulher tão especial.

Marlene, admirável companheira, o seu “clique” agora ressoa em outra dimensão, onde a luz é eterna e não precisa de ajustes de ISO ou foco. Você cumpriu sua missão com mestria. Você deu rosto, nome e eternidade aos nossos melhores momentos. O seu legado não está apenas nas fotos, mas na gratidão que cada um de nós, que foi tocado pela sua lente, carrega no peito. 

Descanse em paz, nossa eterna fotógrafa. Obrigado por ter nos mostrado, tantas vezes, que o nosso melhor ângulo sempre foi aquele que revelava a nossa humanidade. Você faz parte da nossa história, e a sua história, a partir de agora, é um livro de memórias que nunca deixaremos de reler. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 




 

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