9 - A ANATOMIA DO INVISÍVEL
O amor não se escreve com tinta,
nem se explica em manuais de lógica.
Ele é o que sobra quando o dia se despede
e a urgência do mundo perde a voz.
É uma anatomia sutil,
um segundo sistema circulatório
que corre paralelo ao sangue,
levando o teu nome para cada extremo
do meu corpo.
Não me pediste permissão para habitar,
entraste como a luz que não pede licença
para dourar as paredes ao entardecer.
E agora, cada gesto meu é um reflexo teu,
cada pensamento, um diálogo silencioso
que travamos no escuro,
entre o pulsar das estrelas
e a cadência do nosso repouso.
Somos, enfim, o que não pode ser nomeado,
o intervalo perfeito entre o que fomos
e a eternidade que ainda nos espera.
Nº 09 DA SÉRIE: O AMOR EM DOZE ATOS:
UMA JORNADA LITERÁRIA
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
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