01 - ONDE O VERBO SE CALA
Amo-te sem saber o modo ou hora,
Sem que a razão defina o meu querer;
Pois este amor, que em mim se faz nascer,
Não pede ao tempo, não me pede agora.
É um rio que corre e o mundo ignora,
Um simples dom de ver e de viver;
Sem o orgulho que tenta se esconder,
É luz que invade e o peito não demora.
Tão perto estás, que em ti me sinto inteiro,
A mão que pousa, o olhar que me desvela,
Trazendo ao longe um brilho passageiro.
É a paz que o resto do destino apela,
O amor que vive, enfim, por ser primeiro,
E faz do silêncio a voz mais bela.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
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