O amor não é um continente de terra firme, como nos ensinaram os mapas da infância; é, na verdade, um vasto arquipélago. Cada pessoa que amamos é uma ilha que descobrimos, com suas marés próprias, suas estações escondidas e seus ventos que sopram em direções que a nossa bússola ainda não conhece.
Amar, portanto, é a arte da navegação constante. Não se pode possuir a ilha, nem aprisionar o mar que a rodeia. O que nos resta é o ato nobre de ancorar o barco, de descer à areia alheia com o respeito de quem visita um templo e a entrega de quem sabe que, naquele solo, o tempo passa a ter outra medida.
Há dias de tempestade, em que as ondas do cotidiano batem forte contra o cais, e há dias de calmaria absoluta, onde o silêncio entre dois olhares diz mais do que qualquer dicionário. E é nesse vai e vem, nesse constante horizonte que se expande, que descobrimos que, ao navegarmos em direção ao outro, é a nossa própria alma que estamos finalmente, e pela primeira vez, aprendendo a habitar.
Nº 03 da SÉRIE: O AMOR EM DOZE ATOS:
UMA JORNADA LITERÁRIA
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
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