segunda-feira, 15 de junho de 2026

A UNIÃO DO ENGENHO E DA FORÇA: UM OFÍCIO COMPARTILHADO - AO PROFESSOR MARCO ANTÔNIO MARTINS PEREIRA


Fui marcado pelo Grifo. Receber uma provocação intelectual do professor Marco Antônio Martins Pereira é sempre um convite à reflexão, mas, desta vez, ele me marcou em sua página com algo que ressoa profundamente na trajetória que venho trilhando. Ao me apresentar a representação do Grifo, esse animal fabuloso que harmoniza a águia e o leão, ele não apenas compartilhou uma imagem, mas codificou uma leitura sobre o ofício que exerço e o caminho que escolhi ao lado de pessoas que tanto admiro.

​O Grifo, em sua natureza híbrida, é a metáfora perfeita do trabalho que desenvolvo no portal de cultura. A águia, que domina as alturas e representa a inteligência, espelha a nossa busca constante pelo refinamento do olhar, pela sensibilidade poética, que encontro tanto em Cecília Meireles quanto nas crônicas que escrevo e pela curadoria atenta ao que é universal e, ao mesmo tempo, tipicamente nosso.

O leão, por sua vez, é a força terrena, a persistência necessária para edificar projetos em um país onde a cultura exige, acima de tudo, coragem e tenacidade.

​O professor, com sua genialidade habitual, resgatou o aforismo "Vis ingenio iuncta". Compreendi perfeitamente a mensagem: a inteligência, por si só, pode se perder na abstração, e a força, se desprovida de norte, dispersa-se. É no "juntar-se ao companheiro" que a obra se concretiza.

​Ao longo destes anos em Niterói, aprendi que não se faz nada sozinho. Seja na construção de laços familiares, na dedicação à minha esposa Shirley, ou nas parcerias com mentes brilhantes como a da minha mestra Dalma Nascimento, como as presidentes Matilde Carone Slaibi Conti e Márcia Pessanha, e com o apoio e o carinho constante de Gilda Uzeda, Idalina Andrade Gonçalves, Alice Fontanella,  professor Rivo Giannini,  Maria Otília Camillo, Riva Costa entendi que o "engenho" só floresce quando encontra a "mão direita" que o auxilia a transformar o pensamento em realidade.

​O reconhecimento vindo do professor Marco Antônio não é apenas um elogio; é um espelho. Ele validou a convicção de que o nosso papel, como agentes da cultura, é o de ser esse híbrido: manter os olhos no céu das ideias, mas os pés firmes no solo da ação concreta.

Agradeço profundamente por essa distinção que, mais do que celebrar o passado, renova o meu compromisso com o futuro da nossa cultura. Como bem nos lembra a lição do Grifo, que sigamos sempre unidos pelo intelecto e fortalecidos pela colaboração, pois é assim que se conquistam os horizontes.

​E, para encerrar essa reflexão, não posso deixar de sorrir com a sincronicidade do destino. Nascido no dia 23 de julho, carrego a energia do signo de Leão como parte da minha própria essência. A imagem do Grifo, que porta a força desse felino majestoso em sua composição, torna-se, assim, um espelho ainda mais íntimo da minha trajetória.

É um lembrete de que a força que me rege não é apenas um arquétipo externo, mas algo que procuro honrar diariamente: unindo o ímpeto leonino à clareza mental, para que minha escrita e minha voz continuem a servir ao propósito maior da nossa cultura.

​Obra: Composição digital de Joaquín Huertas (2026).

​Texto: @ Alberto Araújo | Focus Portal Cultural





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