12 - A URDIDURA DO ETERNO
O amor, quando atinge a sua maturidade, não se parece com os fogos de artifício que iluminam o céu de verão apenas por um instante, deixando para trás um rastro de fumaça e silêncio. Ele é, antes, como o musgo que se agarra à pedra: silencioso, paciente, transformando a dureza da vida em algo que acolhe e protege. No dia 12 de junho, enquanto o mundo se apressa em trocar presentes que o tempo há de consumir, convido você a olhar para o que realmente sustenta a vida a dois: a permanência do invisível.
Amar é um ato de coragem quase insurgente. Em um tempo de descartabilidade, onde tudo parece ter prazo de validade, escolher o outro todos os dias é um exercício de fidelidade ao próprio destino. Não se trata apenas da paixão que incendeia, essa é a faísca inicial, mas do amor que persiste, que resiste ao desgaste das rotinas e à aspereza dos dias nublados. O amor que sobrevive é aquele que aprendeu a ler a geografia da alma alheia, reconhecendo cada cicatriz como um mapa da história que construíram juntos.
Há uma beleza indizível em envelhecer ao lado de alguém, não no sentido cronológico, mas no sentido de amadurecer a percepção. É perceber que as mãos que se seguram hoje carregam o peso de todas as batalhas vencidas e de todas as alegrias compartilhadas. É compreender que o silêncio entre duas pessoas não é um vazio, mas uma linguagem densa, um dialeto particular que dispensa tradução. Quando chegamos ao ponto em que não precisamos provar mais nada, em que a presença do outro é a resposta mais completa para as nossas inquietações, descobrimos o verdadeiro sentido do sagrado.
Hoje, celebra-se o encontro. Mas, se formos honestos, celebra-se muito mais: celebra-se a permanência. Celebrar o Dia dos Namorados é honrar o pacto de não nos deixarmos levar pelo vento, de sermos a âncora um do outro na vastidão de um mundo que insiste em nos dispersar. O amor é o fio de ouro que costura o tempo, unindo o que fomos ao que seremos, transformando a nossa existência comum em uma obra de arte que, embora invisível para o mundo, é a única coisa que realmente justifica a jornada. Que o seu amor seja, hoje e sempre, esse lugar de pouso, de paz e de infinito retorno.
Nº
12 DA SÉRIE: O AMOR EM DOZE ATOS:
UMA JORNADA LITERÁRIA
©
Alberto Araújo
Focus
Portal Cultural
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