sábado, 6 de junho de 2026

UM ANO SEM EVANILDO BECHARA – UM BALUARTE DA LÍNGUA QUE NOS DEIXOU SAUDADES


No dia 22 de maio de 2026, completou-se um ano da partida de Evanildo Cavalcante Bechara. Para o mundo das letras, para a academia e para todos nós, amantes da língua portuguesa, o tempo transcorrido não diminui a imensidão da sua ausência, mas reforça a perenidade do seu legado. 

Mestre entre os mestres, Bechara não foi apenas um gramático ou filólogo; ele foi, antes de tudo, um apaixonado pela arquitetura do pensamento humano. Ao transitar com a mesma elegância pela Moderna Gramática Portuguesa e pelas complexas análises de sintaxe nominal na Peregrinatio Aetheriae, ele nos ensinou que a norma culta não é um cárcere, mas o alicerce fundamental para a democratização do conhecimento e a clareza da expressão. 

De sua trajetória em instituições como a UERJ, a UFF e o ISERJ, até a ocupação da Cadeira nº 33 na Academia Brasileira de Letras, o professor Bechara construiu uma carreira marcada pelo rigor, mas também pela generosidade intelectual. Editar revistas como a Confluência e a Littera foi um gesto de quem compreendia que o saber linguístico só cumpre sua missão quando circula, quando chega ao professor em sala de aula e ao aluno ávido por entender as entranhas da sua própria língua. 

Olho para esta fotografia, que guardo com carinho, e vejo nele não apenas o acadêmico laureado, o doutor honoris causa pela Universidade de Coimbra, mas um companheiro de palestras inesquecíveis. O Bechara que recebia a todos com a elegância de um espírito vocacionado para o humanismo.

Um ano sem ele é um ano de silêncio na cátedra, mas também um ano de reflexão sobre o que ele nos deixou. Ele se foi aos 97 anos, em 22 de maio de 2025, mas sua voz continua viva cada vez que um brasileiro se debruça sobre uma de suas obras para compreender a beleza, a lógica e o ritmo da nossa língua.

Professor Evanildo, a saudade é o nosso modo de dizer que o seu exemplo nunca será esquecido. A língua portuguesa, hoje, é um pouco mais órfã, mas muito mais rica por ter tido o senhor como seu fiel e brilhante escudeiro. 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 



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