Dizem que o amor é um destino, mas, na verdade, ele é o próprio processo de metamorfose. Antes de encontrarmos aquele que espelha nossa alma, caminhamos pelo mundo como quem carrega um mapa incompleto, tentando decifrar as linhas de uma paisagem que ainda não reconhecemos. Amar é o momento em que a bússola para de girar freneticamente e aponta, enfim, para uma direção que não é um lugar no mapa, mas um estado de presença.
Nessa alquimia do encontro, não nos perdemos de nós mesmos; ao contrário, é como se nos encontrássemos pela primeira vez. A pele ganha nova sensibilidade, o pulso sincroniza-se com um ritmo mais antigo e a voz, aquela que guardávamos para os monólogos interiores, passa a ter um destino, um porto onde descarregar as verdades que antes temíamos confessar.
O amor, quando é autêntico, não nos exige a perfeição de uma estátua de mármore. Ele prefere a beleza das nossas rachaduras, as marcas dos invernos que atravessamos e as cicatrizes que contamos como medalhas de honra. Ele é a luz que entra pela fresta, transformando o pó cotidiano em partículas de ouro. E, no fim de tudo, percebemos que amar não foi apenas encontrar alguém, mas descobrir que sempre estivemos, em essência, prontos para a transformação.
Nº 07 DA SÉRIE: O AMOR EM DOZE ATOS:
UMA JORNADA LITERÁRIA
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
07 de junho de 2026
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