terça-feira, 8 de agosto de 2017

CÍCERO DIAS, O COMPADRE DE PICASSO DO DIRETOR VLADIMIR CARVALHO CONCORRE AO GRANDE PRÊMIO DO CINEMA BRASILEIRO. CONFIRA.

 
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CÍCERO DIAS, O COMPADRE DE PICASSO
DE VLADIMIR CARVALHO
 
 


 
Nascido no Recife em 1907, Cícero Dias tornou-se um dos maiores expoentes da pintura modernista brasileira. Vivendo em Paris, a partir de 1937.
 
Apesar da distância do país natal, ele nunca perdeu de vista as cores e os sons de sua infância, na casa de Jundiá, mesclando essas raízes com a convivência com nomes de ponta das vanguardas europeias, como Pablo Picasso, Fernand Léger e Joan Miró.
 
Dessa troca de influências, nasceu um pintor de repercussão internacional, que transformou toda sua vivência, inclusive sua reclusão durante a II Guerra, em base de uma arte que atravessa fronteiras.





 
 
O cineasta Vladmir Carvalho, que já filmou a vida do escritor José Lins do Rego, volta suas lentes para o grande nome da pintura pernambucana em “Cícero Dias, o Compadre de Picasso”. O documentário mostra a convivência do artista com Fernand Léger, Man Ray e o pintor de “Guernica”, padrinho da filha do brasileiro.
 
O documentário transita entre estes diversos episódios-chave da vida do pintor, apoiando-se também em imagens de arquivo de Cícero, além de entrevistas com Francisco Brennand – que destaca o erotismo de sua obra.
 
 
 
Cícero Dias e Pablo Picasso.
 
 
Pintor de obra caudalosa e original, vinculado aos modernistas, Cícero Dias (1907-2003) é o personagem central deste documentário cristalinamente criativo. Como uma boa biografia cinematográfica, decola a partir da imagem de seu túmulo, no cemitério de Montparnasse, Paris, que ostenta uma bela escultura de Jaildo Machado, evocando o título de uma das mais famosas pinturas de Cícero, “Eu vi o mundo e ele começava no Recife”.
 
Mesmo vivendo a maior parte de sua vida na França, Dias nunca deixou de ser um pintor pernambucano. Sua viúva, a francesa Raymonde, diz no filme: “Ele morava aqui mas a cabeça nunca saiu do Recife”. Vieram em sua bagagem os sons e as cores da natureza tropical e os resíduos das memórias do engenho do Jundiá, onde ele cresceu e passou a idade mágica da infância, numa casa descrita como “proustiana”, plena de cristais, louças de Limoges e uma mesa imensa que recebia hóspedes ilustres.
 
O jovem Cícero foi para o Rio estudar arquitetura, mas logo abandonou – não acreditava na “realidade matemática”. Aí passou para a Escola Nacional de Belas Artes. No Rio, conheceu os poetas Mário Bandeira, pernambucano como ele, e Murilo Mendes, além de paulistas que visitavam a então capital federal, como Mário de Andrade. Bandeira também o apresenta a Gilberto Freyre, ampliando o círculo de amigos intelectuais.
 
A famosa pintura “Eu vi o mundo e ele começava no Recife” foi apresentada no chamado “Salão Revolucionário” de 1931. Por sua amplitude e engenho, a tela foi mais tarde comparada à “Guernica”, de Picasso (feita em 1937). Mas, no momento de sua exposição no Brasil, a reação a ela foi tão forte que vândalos a mutilaram, cortando-lhe um largo pedaço de 1,5 metro, que retratava um bordel. Cícero conhecia o autor da mutilação mas, misteriosamente, pediu que o fato fosse esquecido.
 
Perseguido por sua militância sindical pelo Estado Novo e convencido, por Di Cavalcanti, de que nada mais lhe restava a aprender no Brasil, Cícero muda-se para Paris em 1937. Ali se estabelece no bairro de Montparnasse, passando a conviver com pintores como Pablo Picasso, que se torna seu amigo, padrinho de sua filha, Sylvia. Até o telefone de Picasso ficava em nome de Cícero, para proteger o espanhol de assédio. Mas o pintor brasileiro conviveu também com outros expoentes da arte moderna, como Fernand Léger, Joan Miró e o escultor Alexander Calder.
 
Durante a ocupação nazista de Paris, ele foi protegido sendo incorporado como funcionário diplomático na embaixada brasileira. Nessa época, conheceu o escritor Guimarães Rosa, cônsul em Marselha e fornecedor assíduo de passaportes que permitiram a fuga de inúmeros judeus para o Brasil.
 
Mesmo assim, durante a II Guerra, Cícero chegou a ser preso por seis meses, em Baden Baden. Teria que voltar para o Brasil, mas não quis deixar Raymonde e o casal acaba refugiando-se em Lisboa, onde ele vive a fase mais abstrata de sua carreira, influenciado por suas vivências em Paris, cidade para onde ele volta, instado pelo amigo Picasso.
Mesmo radicado na França, ele voltava ao Brasil uma ou duas vezes por ano. Em 1948, numa dessas voltas, ocorre a famosa exposição de 1948, que recebeu críticas demolidoras. Até o amigo Manuel Bandeira rejeitou sua mudança de estilo, que se aproximava do cubismo picassiano.
 
O documentário transita entre estes diversos episódios-chave da vida do pintor, apoiando-se também em imagens de arquivo de Cícero, além de entrevistas com Francisco Brennand – que destaca o erotismo de sua obra – e Ariano Suassuna, que aponta seus pontos de contato com a obra de Marc Chagall.
 

Neusa Barbosa
Crítica de cinema.
 
 


Vladimir Carvalho e Raymonde, viúva de Cícero Dias,
sob o fundo do quadro Recife lírico.
 
 
 

Ficha técnica

Nome: Cícero Dias,

O Compadre de Picasso

Cor filmagem: Colorida

Origem: Brasil

Ano de produção: 2016

Gênero: Documentário

Duração: 79 min

Classificação: Livre

Direção: Vladimir Carvalho

 
 
Vladimir Carvalho refaz em documentário trajetória
de Cícero Dias - Jornal O Globo.
 

 
Imagem de Cícero Dias, o Compadre de Picasso.
 

     
     
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