A cultura, quando desprovida de
limites geográficos, torna-se um organismo vivo que respira através da
colaboração e do reconhecimento mútuo. No epicentro dessa filosofia está a Rede
Sem Fronteiras, uma instituição que se consolidou como um dos maiores baluartes
da lusofonia e da integração cultural contemporânea. Sob a presidência
visionária da jornalista e escritora Dyandreia Portugal, a Rede não apenas
conecta artistas, acadêmicos e comunicadores, mas estabelece uma ponte sólida
entre os países de língua portuguesa e suas diásporas. O trabalho de Dyandreia
à frente da instituição é marcado por uma diplomacia cultural incansável, que
busca elevar o nome da literatura e das artes brasileiras ao cenário
internacional, transformando cada "nó" dessa rede em um ponto de luz
e resistência intelectual.
A expansão para o Nordeste brasileiro
ganha mias um capítulo de ouro. A instalação do Núcleo Regional Cultural da
Rede Sem Fronteiras na Paraíba representa mais do que uma simples formalidade
administrativa; é a materialização de uma esperança renovada para o setor
cultural do estado. Este novo núcleo nasce com a missão de ser um catalisador
de talentos locais, permitindo que a riqueza histórica e literária paraibana
ecoe além de suas divisas, alcançando os demais continentes onde a Rede mantém
sua bandeira hasteada. É um espaço de acolhimento para a inteligência, para o
debate ético e para a preservação da memória, garantindo que o legado dos
nossos intelectuais não se perca na volatilidade dos tempos modernos.
No último dia 31 de março de 2026, a
solenidade de posse da nova diretoria do Núcleo Paraíba foi honrada com a
presença de um casal que personifica a elegância intelectual e o compromisso
com as letras: a acadêmica Ana Maria Tourinho, Vice-presidente Cultural Mundial
da Rede Sem Fronteiras, e seu "muso", o eminente acadêmico Dr.
Euderson Kang Tourinho.
O casal, que recentemente foi o grande
destaque nacional ao receber o prestigiado Troféu FENACOM 2025, trouxe para o
evento na Paraíba a aura de distinção que lhes é característica. Ana Maria, com
sua oratória precisa e sua capacidade inata de transitar pelas mais altas
esferas da diplomacia cultural, representa o elo vital entre as regiões
brasileiras. Representou a Presidente Mundial da rede Sem Fronteiras, Dyandreia
Portugal.
Ao lado de Euderson, a presença de Ana
Maria não é apenas protocolar, mas sim
um testemunho vivo de que a cultura e o direito caminham de mãos dadas na
construção de uma sociedade mais justa e consciente.
Ana Maria, que dias antes dividira a
mesa diretora com autoridades como o Governador de Rondônia, Coronel Marcos
Rocha, e o presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba, Fred Coutinho,
reafirmou seu papel como gestora social da comunicação. Sua generosidade
intelectual manifestou-se mais uma vez ao ofertar a obra "Mulheres
Extraordinárias" a confrades, reforçando o protagonismo feminino na
história contemporânea.
Durante a cerimônia, presidida pela
dedicada Rosenilda Carvalho Oliveira, ficou evidente que a participação dos
Tourinhos eleva o patamar de qualquer evento.
A posse da nova diretoria, ocorrida no
emblemático cenário da Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federal da Paraíba.
Sob a liderança da Presidente Rosenilda Carvalho Oliveira, a equipe empossada
reflete a diversidade e a competência necessárias para representar a Rede Sem
Fronteiras em solo paraibano.
A composição do Núcleo da Rede Sem
Fronteiras – Paraíba para o biênio 2026-2028 apresenta a seguinte nominata:
Presidente: Rosenilda Carvalho
Oliveira
Vice-Presidente: Acacileide Camilo
Diniz
Diretora-secretária – Vaneide Morais
de Azevedo
Diretora-Tesoureira – Dorita Santiago
Oliveira
Diretor Cultural – Vanderlei de Souza
O que se viu na Paraíba, com a
chancela de nomes como Ana Maria e Euderson Tourinho, foi a reafirmação de que
o jornalismo sério e a cultura imortal são os pilares que sustentam as
instituições democráticas. Enquanto o mundo se perde em cliques e visualizações
efêmeras, a Rede Sem Fronteiras, com o apoio de seus luminares, foca na
perenidade da palavra escrita e na liturgia do reconhecimento acadêmico.
A presença dos Tourinhos serviu como o
lastro intelectual de uma noite onde a Paraíba abraçou Rondônia e, sob a batuta
de Dyandreia Portugal, o Brasil mostrou-se unido em uma única rede: a rede do
saber, do respeito e da imortalidade cultural. O sucesso do evento e a posse da
nova diretoria são garantias de que a esperança depositada neste Núcleo
frutificará em obras, diálogos e, acima de tudo, no fortalecimento da
identidade luso-brasileira.
PROGRAMA DA TV CULTURA TAMBÉM
ENTREVISTA PEDRO CARDOSO E AQUILES ARGOLO E VISITA A BIBLIOTECA DE ASTRID
FONTENELLE
O Entrelinhas recebe, nesta
sexta-feira (3/4), o escritor Ilan Brenman, que conversa com Manuel da Costa
Pinto sobre sua primeira obra de ficção voltada ao público adulto. Na mesma
edição, Chris Maksud bate um papo com o ator Pedro Cardoso e o jornalista Aquiles
Argolo, que falam sobre as crônicas de Dias Sem Glória. Daiane Amaral conversa
com os criadores do Sarau do Binho e, no quadro Entre Livros, o programa visita
a biblioteca pessoal da jornalista e apresentadora Astrid Fontenelle. A atração
vai ao ar na TV Cultura, às 22h30min.
Durante o programa, Ilan Brenman fala
sobre a experiência de escrever seu primeiro livro de ficção para adultos, após
a publicação de mais de 80 obras destinadas ao público infantojuvenil. O autor
compartilha as inspirações por trás de suas histórias e revela como seu
cotidiano influencia diretamente seu processo criativo. Brenman também lê
trechos do livro que escreveu em homenagem às filhas e comenta: “É um livro que
me emociona ao falar e ao relembrar o que escrevi para elas. São sentimentos
profundos, verdadeiros e genuínos”.
O ator Pedro Cardoso e o jornalista
Aquiles Argolo contam a Chris Maksud como surgiu a parceria entre os dois e
explicam que, apesar de trajetórias distintas, se uniram na escrita das
crônicas de Dias Sem Glória. “A gente conseguiu vencer a virtualidade e criar
uma amizade presencial, do corpo, não só daquelas palavras eletrônicas
registradas”, destaca Pedro.
Na mesma edição, Daiane Amaral
conversa com os criadores do Sarau do Binho, um dos movimentos mais relevantes
da literatura periférica no Brasil. Já no quadro Entre Livros, o Entrelinhas
visita a biblioteca pessoal da jornalista Astrid Fontenelle.
Diferente de quem busca a cultura,
Bruno nasceu mergulhado nela. Em uma casa onde nomes como Bárbara Heliodora e
Antonio Candido eram presenças familiares, a erudição era o vernáculo
cotidiano.
Aos três anos, enquanto outras
crianças balbuciavam, ele já decifrava a heráldica das nações.
Frequentando o MAM, o jovem Bruno não
era apenas um espectador. Fez cursos no Museu de Arte Moderna. Lá conheceu João
Cabral de Melo Neto, Vinicius de Moraes, Cecília Meireles, Drummond, Nélida
Piñon. Encantaram-se uns pelos outros e vez ou outra Bruno os reunia na casa
dos pais.
Os trinta anos vividos na Europa não
foram um simples passeio acadêmico, mas uma odisseia de alta voltagem. Bruno
não apenas leu os grandes; ele viveu com eles. Recebeu o aval de W.H. Auden e
Saint-John Perse, consolidando-se como uma voz que transcendia fronteiras
linguísticas.
Contudo, a vida cinematográfica exige
o seu conflito. A prisão em Dartmoor, na Inglaterra, por tráfico de
entorpecentes, poderia ter sido o fim de qualquer carreira. Para Tolentino, foi
o claustro necessário. Na cela, o poliglota transformou-se em ponte para os
outros detentos e, no silêncio da reclusão, teve os seus encontros místicos com
a Virgem Maria. Foi ali, entre as grades e o absoluto, que nasceu "A
Balada do Cárcere".
Ao retornar ao Brasil em 1992,
deportado mas carregando uma bagagem lírica monumental, Bruno encontrou um país
literariamente fragmentado. Ele trouxe consigo o que Arnaldo Jabor chamou de
"peste clássica", uma exigência técnica e espiritual que a poesia
contemporânea parecia ter esquecido.
Sua recepção foi um misto de espanto e
reverência:
Ariano Suassuna o viu como um herdeiro
da luta pela arte verdadeira.
Alcir Pécora o alçou ao posto de maior
poeta pós-Cabral.
João Moura Jr. definiu-o na dualidade
perfeita: a estrutura de Goethe com a alma marginal de Villon.
Bruno Tolentino partiu em 2007,
deixando três Prêmios Jabuti e uma obra que ainda hoje atua como um fanal de
rigor formal e profundidade metafísica. Ele provou que a poesia não é apenas um
exercício de escrita, mas uma forma de habitar o mundo, com toda a dor, a
beleza e a complexidade que isso exige.
Há palcos que guardam ecos, mas o do
Copacabana Palace agora guarda uma alma. Em um gesto que une a imortalidade da
arte à solidez da história, o icônico teatro do hotel Belmond deixa de ser
apenas um endereço geográfico para se tornar o Teatro Fernanda Montenegro.
Não se trata apenas de uma placa na
fachada; é o reconhecimento de uma simbiose que começou em 1950, quando uma
jovem Fernanda, aos 21 anos, pisava ali pela primeira vez em As alegres canções
na montanha. Sete décadas depois, o ciclo se fecha ou melhor, se expande, em
uma homenagem em vida à mulher que mais vezes habitou aquele tablado.
O "Copa" e Fernanda
cresceram juntos sob os refletores. Se as paredes do hotel pudessem falar, elas
recitariam os textos de:
Jezebel (1952): A consolidação de um
talento raro.
Mary Mary (1963) e Qualquer
Quarta-Feira (1964): O domínio da comédia e do drama.
Plaza Suíte (1970): A consagração
definitiva antes do hiato do teatro.
"Rebatizar este espaço é celebrar
o passado, o presente e o futuro da nossa arte", pontua Ulisses Marreiros,
Diretor da Belmond no Brasil.
A oficialização do nome ocorreu neste
1º de abril de 2026, durante o Copa Art Talks. Em um diálogo emocionante com a
jornalista Marina Caruso, Fernanda aos 96 anos e com uma lucidez que desafia o
calendário, discorreu sobre o compasso
da vida, provando que o tempo, para ela, não é um peso, mas uma ferramenta de
trabalho.
Leituras de Abril: O Retorno à
Essência
Para selar este novo capítulo, o
público terá o privilégio raro de testemunhar a "Grande Dama" em seu
elemento natural. Em duas séries de apresentações (3 a 5 e 17 a 19 de abril),
Fernanda ocupará o próprio teatro para leituras dramatizadas de dois gigantes:
Nelson Rodrigues: O trágico e o
cotidiano brasileiro.
Simone de Beauvoir: O pensamento denso
e a liberdade feminina.
Um Palco de Lendas
Inaugurado em 1949 e renascido das
cinzas após um incêndio em 1953, o teatro sobreviveu ao tempo e ao silêncio de
portas fechadas entre 1994 e 2021. Por suas coxias passaram gigantes como Paulo
Autran, Cacilda Becker e Bibi Ferreira.
Hoje, ao ser batizado como Teatro
Fernanda Montenegro, o espaço deixa de ser apenas uma sala de espetáculos para
se transformar em um monumento vivo à maior operária da arte brasileira. É a
história sendo escrita no tempo presente, com a caneta da gratidão.
No
calendário das grandes artes, o dia 1º de abril de 2026 marca um centenário e
meio de inspiração: os 153 anos do nascimento de Sergei Vasilievich
Rachmaninoff, 1873–1943. Para o Focus Portal Cultural, esta efeméride não é
apenas uma data histórica, mas um convite à contemplação da "pureza
cultural" que emana das notas de um dos últimos gigantes do Romantismo.
Nesta
homenagem especial, revisitamos um marco da interpretação brasileira no
exterior: o concerto de Licia Lucas em Rosario, Argentina, onde a pianista deu
vida a uma das obras mais icônicas do mestre russo, estabelecendo uma conexão
que transcende o tempo e a técnica.
Em
19 de agosto de 1999, o Teatro da Fundação Astengo, em Rosario, foi palco de um
diálogo musical inesquecível. Sob a regência precisa do maestro Reinaldo Zemba,
à frente da Orquestra Sinfônica de Rosario, Licia Lucas apresentou-se como
solista na monumental Rapsódia sobre um Tema de Paganini.
A
obra, famosa por sua exigência técnica e por sua Décima Oitava Variação, que imortalizou-se na cultura popular como
tema central do filme "Em Algum Lugar do Passado" Somewhere in Time,
exige do intérprete mais do que virtuosismo; requer uma compreensão profunda da
melancolia e da grandiosidade russa. Naquela noite, a interpretação de Licia
não foi apenas uma execução, mas uma celebração da sensibilidade interpretativa
que define sua trajetória internacional.
Vila
Senar é um espólio construído em Suíça pelo Russo compositor Sergei
Rachmaninoff.O. Ele comprou o terreno perto Hertenstein às margens do Lago
Lucerna em 1932. O nome do espólio originou-se dos nomes de Rachmaninoff e sua
esposa: Sergei e Natalia, combinando as duas primeiras letras de cada nome
próprio e a primeira de seu sobrenome. Os arquitetos do design moderníssimo
foram os arquitetos suíços Alfred Möri e Karl Friedrich Krebs.
SENAR:
O REFÚGIO DA CRIAÇÃO NO LAGO DE LUCERNA
A
conexão de Licia Lucas com Rachmaninoff vai além das partituras. Em uma jornada
de reverência histórica, a pianista visitou a Vila SENAR, a residência de
veraneio do compositor na Suíça, às margens do Lago de Lucerna.
O
nome "SENAR" carrega em si a intimidade do mestre: é o acrônimo de SErgei,
Natalia, sua esposa e Rachmaninoff. Foi neste refúgio, entre a serenidade das
águas suíças e a arquitetura que ele mesmo idealizou, que Rachmaninoff compôs a
própria Rapsódia sobre um Tema de Paganini em 1934. Ao posar na entrada da
Vila, Licia Lucas capturou em fotografia não apenas uma imagem, mas o espírito
do lugar onde o silêncio da natureza se transformou em imortalidade musical.
O
LEGADO DE UM GIGANTE: ENTRE O VIRTUOSISMO E A CONTROVÉRSIA
Sergei
Rachmaninoff foi uma força da natureza. Com quase dois metros de altura e mãos
capazes de cobrir o intervalo de uma 13ª no teclado, um palmo de cerca de 30
centímetros, ele personificou o auge da técnica pianística. Especula-se que sua
estatura e amplitude manual pudessem estar ligadas à Síndrome de Marfan, mas,
para além da fisiologia, era sua capacidade de ler e executar obras complexas à
primeira audição que assombrava seus contemporâneos.
Apesar
de seu sucesso estrondoso como intérprete e das gravações históricas para a
Victor Talking Machine Company, sua reputação como compositor enfrentou a
resistência de críticos conservadores. Em 1954, o Grove Dictionary of Music and
Musicians chegou a prever, de forma equivocada, que sua música seria
"esquecida". O crítico Harold C. Schonberg rebateu tais afirmações
como "esnobes e estúpidas". O tempo deu razão a Schonberg: hoje, as
sinfonias, os corais como The Bells, baseado em Edgar Allan Poe e suas peças
para piano são pilares inabaláveis do repertório erudito mundial.
A
produção de Rachmaninoff é banhada por uma melancolia profunda, um "estilo
romântico tardio" que ecoa a influência de Tchaikovsky, Chopin e Liszt.
Suas obras são exercícios de alma:
Os
quatro concertos para piano; Os vinte e quatro prelúdios (incluindo o icônico
Prelúdio em Dó Sustenido Menor); As Danças Sinfônicas, seu último e maduro
trabalho;E
a sublime Vocalise, que mesmo sem palavras, comunica toda a dor e beleza da
existência humana.
O
TRIUNFO NA ARGENTINA: LICIA LUCAS E A RAPSÓDIA DE PAGANINI
Em
19 de agosto de 1999, o Teatro da Fundação Astengo, em Rosario, Argentina,
testemunhou uma interpretação magistral da Rapsódia sobre um Tema de
Paganini, Op. 43. Sob a regência do prestigiado maestro argentino Reinaldo
Zemba, a Orquestra Sinfônica de Rosario uniu-se ao piano de Licia Lucas
para dar vida às 24 variações baseadas no "capriccio" de Paganini.
A
obra, que se tornou imortal na cultura popular através do filme "Em
Algum Lugar do Passado", foi executada com a maestria que o
"Michelangelo do Piano", como o compositor era chamado, esperaria de
um solista de elite.
SENAR:
ONDE A MÚSICA GANHOU VIDA
A
ligação de Licia Lucas com esta obra possui uma camada de profunda reverência
pessoal. Em suas viagens, a pianista visitou a lendária Vila SENAR, no
Lago de Lucerna, Suíça. O nome da propriedade, um acrônimo de SErgei, NAtalia
(sua esposa) e Rachmaninoff, foi o refúgio onde o compositor, no verão
de 1934, escreveu a Rapsódia em apenas 47 dias.
Licia
Lucas, ao ser fotografada na entrada desta residência histórica, conectou-se
fisicamente ao local onde a tradição musical russa, herdada de nomes como
Glinka e Tchaikovsky, alcançou um novo ápice.
O
MESTRE REINALDO ZEMBA
A
coesão do concerto de 1999 deveu-se muito à batuta de Reinaldo Zemba.
Diretor da Orquestra Sinfônica de Entre Ríos desde 1977, Zemba é uma das figuras
mais respeitadas da regência sul-americana. Formado com mestres como Hans
Swarowsky, Teatro Colón e Herbert von Karajan, Salzburgo, Zemba trouxe para o
palco de Rosario a experiência de quem já regeu orquestras em Praga, Berlim e
Estados Unidos. Sua parceria com Licia Lucas naquela noite foi um encontro de
mentes dedicadas à perfeição absoluta.
Nascido
em Oneg em 1873, Rachmaninoff foi moldado pela severidade e sabedoria de
Nikolai Zverev e pelos conselhos de seu primo Alexander Siloti. Sua técnica
impressionante e mãos capazes de alcançar uma 13ª no teclado eram ferramentas
para uma musicalidade que evitava o exagero e buscava a essência romântica.
Após
a Revolução Russa de 1917, Rachmaninoff deixou sua pátria para nunca mais
voltar, estabelecendo-se nos Estados Unidos. Embora tenha recebido convites
para reger a Sinfônica de Boston, preferiu dedicar-se à sua carreira de
virtuoso e à composição, falecendo em Beverly Hills, em 28 de março de 1943.
Como
o próprio Rachmaninoff afirmou: "A música é suficiente para toda uma
vida, mas uma vida não é suficiente para toda a música". Através de
iniciativas como este concerto histórico de Licia Lucas e a cobertura do Focus
Portal Cultural, garantimos que o legado do mestre continue a ecoar, provando
que sua popularidade, longe de ser passageira, é um pilar eterno da civilização
ocidental.
REGENTE
REINALDO ZEMBA
O
cenário da música erudita sul-americana encontra no Maestro Reinaldo Zemba uma
de suas figuras mais proeminentes e respeitadas. Com uma carreira pautada pelo
rigor acadêmico, pelo virtuosismo técnico e por uma sensibilidade
interpretativa ímpar, Zemba consolidou-se como um dos grandes arquitetos do som
contemporâneo, elevando as instituições por onde passou ao patamar da
excelência internacional.
A
trajetória de Reinaldo Zemba é marcada por uma formação de elite. Iniciou seus
estudos em Direção Orquestral com Mariano Drago Sjianec, na prestigiada
Faculdade de Artes da Universidade Nacional de La Plata. Sua busca pela
perfeição levou-o aos principais centros musicais do mundo, onde bebeu
diretamente da fonte dos maiores gênios da regência do século XX.
Dentre
seus cursos de aperfeiçoamento, destaca-se a orientação recebida de Hans
Swarowsky no Teatro Colón de Buenos Aires, 1975 e o emblemático
"Meisterkurs" da Academia de Verão do Mozarteum de Salzburgo, na
Áustria (1977). Foi nesse período que Zemba teve o privilégio de estudar com
lendas como Otmar Suitner, Peter Schwartz e o imortal Herbert von Karajan,
cujas influências moldaram sua postura ética e estética diante da orquestra.
Desde
1977, Reinaldo Zemba ocupa o cargo de Diretor da Orquestra Sinfônica de Entre
Ríos, posto ao qual ascendeu por meio de um rigoroso concurso de antecedentes e
oposição. Sob sua liderança, a sinfônica tornou-se um pilar da cultura
argentina, sendo convidada para eventos de magnitude histórica, como o
megarecital de Luciano Pavarotti em Montevidéu, em 1995, onde Zemba foi
responsável por toda a preparação prévia do repertório, uma distinção
honorífica que o maestro considera um dos marcos mais importantes de sua vida.
Sua
atuação na Argentina é vasta, tendo dirigido os organismos mais importantes do
país, incluindo a Orquestra Sinfônica Nacional, a Filarmônica de Buenos Aires e
a Orquestra Estável do Teatro Colón.
Como
Diretor Convidado, Reinaldo Zemba levou seu talento a diversas nações,
demonstrando uma versatilidade impressionante. Regeu instituições como:
Conservatório
Nacional de Música de Bogotá (Colômbia);
Sinfônica
Municipal de Montevidéu e S.O.D.R.E. (Uruguai);
Sinfônica
de Manitowoc (Wisconsin, E.U.A.);
Orquestra
da Rádio Nacional da Dinamarca.
Em
1986, a convite do governo da então Tchecoslováquia, dirigiu a Orquestra
Sinfônica Estatal do Norte de Boêmia e a Filarmônica de Morávia. Seu
intercâmbio cultural também o levou à Polônia, onde se apresentou com a
Filarmônica Báltica de Gdansk e a Filarmônica de Wroclaw.
Além
dos palcos, Zemba dedica-se com afinco à docência, atuando como Professor
Titular e Associado das Cátedras de Direção Geral e Orquestra na Escola
Superior de Música de Paraná e na Universidade Nacional del Litoral. Seu
compromisso com a formação de novas gerações de músicos é o reflexo de sua
crença no poder transformador da arte.
O
maestro também deixou sua marca na sétima arte, gravando trilhas sonoras de
prestigiados filmes argentinos, como "El Rigor del Destino", "De
Guerreros y Cautivas" e "Las Tumbas", provando que a música
erudita e a linguagem cinematográfica podem caminhar juntas em perfeita harmonia.
Reinaldo
Zemba é frequentemente convocado pelo Governo Nacional argentino para conduzir
atos oficiais de grande relevância, como as celebrações do 5º Centenário do
Descobrimento da América no Teatro Nacional Cervantes. Seu repertório abrange
obras de transcendental importância, como o "Requiem" de Fauré, a
"Missa da Coroação" de Mozart e o "Gloria" de Poulenc.
Homenageado
com inúmeras distinções honoríficas, Reinaldo Zemba permanece como um exemplo
de dedicação, perfeccionismo e infinita paciência, as mesmas qualidades que
admirava em Rachmaninoff. Sua presença no pódio não é apenas a de um regente,
mas a de um guardião da tradição musical que continua a inspirar plateias e
músicos em todo o continente.
UM
POUCO SOBRE A LICIA LUCAS
Existem
artistas que executam a música e existem artistas que a habitam. Licia Lucas,
nascida em Itu, no seio das tradições paulistas, pertence a este seleto segundo
grupo. Sua trajetória não é apenas uma sucessão de concertos e prêmios, mas uma
odisseia estética que une as maiores escolas pianísticas da Europa ao calor da
alma brasileira.
Para o Focus Portal Cultural, traçar o perfil de Licia Lucas é
mergulhar na própria definição de "pureza cultural".
A
jornada de Licia começou sob o signo da tradição familiar, um alicerce
fundamental para a solidez de sua arte. Seus primeiros passos ao teclado foram
guiados pela professora Nayl Cavalcante Lucas, uma base afetiva e técnica que
floresceu até sua diplomação na prestigiada Escola Nacional de Música, na
classe da professora Neida Cavalcante Montarroyos.
Desde
cedo, Licia demonstrou que seu diferencial não residia apenas na agilidade
mecânica, mas na capacidade de fazer o piano "falar". Não por acaso,
críticos e conhecedores da arte pianística frequentemente a comparam à lendária
Guiomar Novaes. Assim como a "Soberana do Piano", o brilho de Licia
reside no encanto que emerge do interior da música; nela, os sons adquirem
personalidades próprias, frutos de uma magia inexplicável que preside a
construção da beleza intangível.
A
técnica de Licia Lucas é um mosaico das mais importantes tradições europeias.
No Brasil, foi discípula de Homero de Magalhães, herdeiro direto da escola de
Alfred Cortot. Ao cruzar o oceano, sua sede de perfeição a levou ao
Conservatório de Santa Cecília de Roma, onde se formou sob a orientação de
Vincenzo Vitale. Através de Vitale, Licia conectou-se à tradição de Thalberg e
Cesi, este último, um elo histórico, tendo sido diretor da escola de São
Petersburgo a convite do próprio Anton Rubinstein.
Sua
educação musical não parou na Itália. Licia bebeu da fonte da escola vienense,
estudando com mestres do calibre de Bruno Seidhofer e Hans Graf. Essa
versatilidade geográfica permitiu que ela dominasse desde o rigor germânico à
fluidez latina, tornando-se uma intérprete de universalidade rara.
A
carreira internacional de Licia Lucas foi selada com vitórias retumbantes. No
Brasil, conquistou o Primeiro Lugar no Concurso para Solistas da Orquestra
Sinfônica Brasileira, interpretando o Concerto “Coroação” de Mozart sob a
regência do icônico Eleazar de Carvalho.
Contudo,
foi na Itália que Licia viveu um dos momentos mais emblemáticos da história do
piano brasileiro: ao vencer o Concurso Internacional Viotti de Vercelli, ela
recebeu a Medalha de Ouro das mãos do lendário e recluso Arturo Benedetti Michelangeli.
Sendo a mais jovem concorrente, Licia não apenas venceu um concurso; ela
recebeu o reconhecimento de um dos maiores perfeccionistas da história do
piano.
Poucos
artistas estrangeiros conseguem o nível de aclamação que Licia Lucas obteve na
Rússia. Como solista da Orquestra Sinfônica Estatal da Filarmônica de Moscou,
ela silenciou a lendária Sala Tchaikovsky antes de provocar uma explosão de
júbilo. A crítica russa, personificada por Natalia Constantinova, descreveu o
fenômeno: “Logo que seus dedos tocaram os primeiros acordes, a audiência sentiu
que intervinha uma brilhante pianista, capaz de competir com os mais destacados
pianistas do mundo”.
Sua
relação com a terra de Rachmaninoff e Tchaikovsky é profunda. Em 2003, nas
celebrações dos 300 anos de São Petersburgo, foi solista convidada no
Conservatório da cidade, gravando obras-primas de Tchaikovsky e Grieg. No ano
seguinte, inscreveu definitivamente seu nome no "Olimpo" musical ao
se apresentar na Grande Sala da Filarmônica de São Petersburgo, interpretando
Beethoven e Chopin, registros que hoje compõem uma discografia internacional de
prestígio.
A
grandeza de Licia Lucas também se manifesta em sua generosidade intelectual.
Sua atuação como gestora cultural e pedagoga é vasta. Na Nicarágua, foi uma
força transformadora, coordenando o Departamento de Música Clássica do
Ministério da Cultura e fundando a Academia Nicaraguense da Música. Por seu
trabalho, recebeu a honraria de “Amiga e Mecenas da Arte e da Cultura
Nacional”.
No
Brasil, sua liderança é reafirmada como Presidente da Academia Nacional de
Música. Além disso, sua influência estende-se à Europa como membro do Comité
d’Honneur da Fundação João de Souza Lima e da Fundação Franz Liszt, na França.
O
consenso crítico sobre Licia Lucas é de uma admiração quase reverencial. O
jornal L’Osservatore Romano (Vaticano) destacou sua “inteligência e admirável
intuição poética”, enquanto o Diário Popular de São Paulo foi além, afirmando
que sua interpretação é “magnífica, gloriosamente sincera”, emparelhando-a a
gigantes como Vladimir Horowitz.
Hoje,
Licia Lucas é mais do que uma pianista; é uma embaixadora da cultura brasileira
no mundo. Seja interpretando a Rapsódia sobre um Tema de Paganini sob a batuta
de Reinaldo Zemba, seja em recitais solo nas capitais europeias, Licia mantém a
mesma essência: a fusão entre uma técnica impecável e um lirismo profundo.
Para
o Focus Portal Cultural, Licia Lucas representa o ápice do que a arte pode
alcançar: a capacidade de transformar cada nota em filosofia e cada acorde em
eternidade. Sua trajetória é a prova viva de que a música, quando executada com
tamanha verdade, é capaz de devolver o mundo à realidade da beleza.
No
dia 1º de abril de 2026, o mundo da música erudita se volta para a memória de
Sergei Vasilievich Rachmaninoff (1873–1943). Para nós, do Focus Portal
Cultural, esta efeméride ganha um contorno especial ao resgatarmos a conexão
entre o mestre russo e a pianista brasileira Licia Lucas, cuja trajetória é
marcada pela sensibilidade e pelo rigor técnico que a obra de Rachmaninoff
exige.
Neste
1º de abril, ao celebrarmos os 153 anos deste mestre, o Focus Portal Cultural
reafirma seu compromisso com a preservação da memória artística. Através do
talento de Licia Lucas, a música de Rachmaninoff continua viva, pulsante e
eterna, provando que a verdadeira arte não conhece fronteiras nem prazos de
validade.
Rachmaninoff
153 Anos: Do Refúgio em SENAR ao Palco de Rosario com Licia Lucas.