domingo, 11 de dezembro de 2016

CARL ORFF EM CARMINA BURANA WITH THE COPENHAGEN ROYAL CHAPEL CHOIR & DR SYMPHONY ORCHESTRA. CONFIRA.


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https://www.youtube.com/watch?v=rHBG_FeITBY 



Carmina Burana é o nome dado a um manuscrito de 254 poemas e textos dramáticos dos século XI e XII, a maioria, embora alguns sejam do século XIII.

As peças são em sua maioria picantes, irreverentes e satíricas e foram escritas principalmente em latim medieval, algumas partes em médio-alto-alemão e alguns com traços de Francês antigo ou provençal. Há também partes macarrônicas, uma mistura de latim vernáculo, alemão ou francês.

Os manuscritos refletem um movimento europeu "internacional", com canções originária de Occitânia, França, Inglaterra, Escócia, Aragão, Castela e do Sacro Império.

Vinte e quatro poemas dos Carmina Burana foram musicalizados por Carl Orff em 1936; a composição de Orff rapidamente se tornou popular, o movimento de abertura e de fecho "O Fortuna", tem sido utilizada em filmes e eventos se tornando a peça clássica mais ouvida desde que foi gravada.

Entre dezenas de gravações, uma das mais recentes é da London Symphony Orchestra, dirigida por Richard Hickox, com solos de Laura Claycomb e Barry Banks, e lançada pela Chandos em outubro de 2008.

 

A CANTATA DE ORFF  - 1936

 

O compositor alemão Carl Orff musicou alguns dos Carmina Burana, compondo uma cantata homônima. Com o subtítulo "Cantiones profanae cantoribus et choris cantandae", a obra, por suas características, pode ser definida também como uma "cantata cênica". Estreou em junho de 1937, em Frankfurt e faz parte da trilogia "Trionfi" que Orff compôs em diferentes períodos, e que compreende os "Catulli carmina" (1943) e o "Trionfo di Afrodite" (1952).

A cantata é emoldurada por um símbolo da Antiguidade — a roda da fortuna, eternamente girando, trazendo alternadamente boa e má sorte. É uma parábola da vida humana exposta a constante mudança, mas não apresenta uma trama precisa.

Orff optou por compor uma música inteiramente nova, embora no manuscrito original existissem alguns traços musicais para alguns trechos. Requer três solistas (uma soprano, um tenor e um barítono), dois coros (um dos quais de vozes brancas), pantomimos, bailarinos e uma grande orquestra (Orff compôs também uma segunda versão, na qual a orquestra é substituída por dois pianos e percussão).

A obra é estruturada em prólogo e duas partes. No prólogo há uma invocação à deusa Fortuna na qual desfilam vários personagens emblemáticos dos vários destinos individuais. Na primeira parte se celebra o encontro do Homem com a Natureza, particularmente o despertar da primavera - "Veris laeta facies" ou a alegria da primavera. Na segunda, "In taberna", preponderam os cantos goliardescos que celebram as maravilhas do vinho e do amor(“Amor volat undique”), culminando com o coro de glorificação da bela jovem ("Ave, formosissima"). No final, repete-se o coro de invocação à Fortuna ("O Fortuna, velut luna”).

O códice encontrado em Benediktbeuern continha poemas dos monges e eruditos errantes — os goliardos —, quase todos escritos em latim medieval, exceto 47 versos, escritos em médio-alto-alemão vernacular e vestígios de frâncico. Um estudioso de dialetos, Johann Andreas Schmeller, publicou a coleção em 1847, dando-lhe o título de “Carmina Burana”, que, em latim, significa “Canções de Benediktbeuern”.

Acredita-se que todos os poemas fossem destinados ao canto mas os copistas responsáveis pelo manuscrito, nele não indicaram a música de todos os carmes, de modo que só foi possível reconstruir o andamento melódico de 47 deles. O códex é subdividido em seis partes:

-Carmina moralia et satirica (1-55), de caráter satírico e moral;

-Carmina veris et amoris (56-186), cantos primaveris e de amor;

-Carmina lusorum et potatorum (187-228), cantos orgiásticos e festivos;

-Carmina divina, de conteúdo moralístico-sacro (parte que provavelmente foi adicionada já no início do século XIV).

-Ludi, jogos religiosos.

-Supplementum, suplemento com diferentes versões dos carmina.

 
Os textos são muito diferentes entre si e mostram a diversidade da produção goliardesca. Se, de um lado, há os conhecidos hinos orgiásticos, as canções de amor de alto conteúdo erótico e as paródias blasfemas da liturgia, de outro emergem a recusa moralística da riqueza e a veemente condenação à Cúria Romana, por ser voltada apenas à busca do poder. Assim diz o carme n°. 10:

A morte agora reina sobre os prelados que não querem administrar os sacramentos sem obter recompensas (...) São ladrões, não apóstolos, e destroem a lei do Senhor.

E o carme n°. 11:

Sobre a terra nestes tempos, o dinheiro é rei absoluto (...) A venal cúria papal é cada vez mais ávida dele. Ele impera nas celas dos abades e a multidão de priores, com as suas capas negras, só a ele louva.

Os versos mostram que os chamados clerici vagantes não se dedicavam somente ao vício, mas que se inseriam entre os adversários do crescente mundanismo da Igreja e da conformação monárquica do Papado, ao mesmo tempo que defendiam uma ideologia progressista, distante da clausura da vida monástica.

Além disso, a variedade de conteúdos do manuscrito é também indiscutivelmente atribuída ao fato de que os vários carmina tenham autores diferentes, cada um com seu próprio caráter, as próprias inclinações e provavelmente a própria ideologia, não se tratando de um movimento cultural literário compacto e homogêneo no sentido moderno do termo.

Os textos originais são entremeados por notas morais e didáticas, como se usava no primeiro Medievo, e a variedade dos assuntos - especialmente de natureza religiosa e amorosa, mas também profana e licenciosa - e de línguas adotadas, expressa o estilo de vida e o pensamento dos autores, os clerici vagantes ou goliardos, que costumavam deslocar-se pelas várias universidades europeias nascentes, assimilando-lhes o espírito mais concreto e terreno.



 
O FORTUNA, IMPERATRIX MUNDI
 
 
Em latim
Em português
 
 
O Fortuna,
Ó Sorte,
 
Velut  Luna
És como a Lua
 
Statu variabilis,
Mutável,
 
Semper crescis
Sempre aumentas
 
Aut decrescis;
Ou diminuis;
 
Vita detestabilis
A detestável vida
 
Nunc obdurat
Ora oprime
 
Et tunc curat
E ora cura
 
Ludo mentis aciem,
Para brincar com a mente;
 
Egestatem,
Miséria,
 
Potestatem
Poder,
 
Dissolvit  ut glaciem.
Ela os funde como gelo.
 
Sors immanis
Sorte imensa
 
Et inanis,
E vazia,
 
Rota tu volubilis
Tu, roda volúvel
 
Status malus,
És má,
 
Vana salus
Vã é a felicidade
 
Semper dissolubilis,
Sempre dissolúvel,
 
Obumbrata
Nebulosa
 
Et velata
E velada
 
Michi quoque niteris;
Também a mim contagias;
 
Nunc per ludum
Agora por brincadeira
 
Dorsum nudum
O dorso nu
 
Fero tui sceleris.
Entrego à tua perversidade.
 
Sors salutis
A sorte na saúde
 
Et virtutis
E virtude
 
Michi  nunc contraria
Agora me é contrária.
 
Est affectus
 
Et defectus
E tira
 
Semper  in angaria.
Mantendo sempre escravizado
 
Hac in hora
Nesta hora
 
Sine  mora
Sem demora
 
Corde pulsum tangite;
Tange a corda vibrante;
 
Quod per sortem
Porque a sorte
 
Sternit fortem,
Abate o forte,
 
Mecum  omnes plangite!
Chorai todos comigo!

 

 

 


 

 
 
 
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