Ao olhar para a foto que ilustra este
texto, foto feita durante a Solenidade Posse da Diretoria da Academia
Brasileira de Letras, em 2017, onde Nélida se tornava a Secretária–Geral da instituição, vejo muito mais do que um encontro fortuito. Vejo a materialização de uma
admiração profunda, capturada no reflexo de um do sorriso discreto, e ao mesmo
tempo muito eloquente.
Aquele sorriso, ligeiramente esboçado nos lábios de Nélida Piñon, não era apenas uma resposta à câmera; era a assinatura de sua alma. Uma alma que transbordava histórias, que via o mundo através de lentes repletas de poesia, e que, com uma delicadeza ímpar, traduzia a complexidade da condição humana em palavras que tocavam o âmago de quem as lia.
Se hoje, 03 de maio de 2026, Nélida
estivesse fisicamente entre nós, estaríamos celebrando os seus 89 anos, segundo site da
Academia Brasileira de Letras seria mais um ano de sua vida vibrante e
criativa. Mas o destino nos privou de sua presença física em dezembro de 2022.
No entanto, sua obra, sua essência e seu legado permanecem mais vivos do que
nunca.
Nélida Piñon não foi apenas uma escritora; ela foi uma instituição literária. Nascida no Rio de Janeiro, em 03 de maio de 1934, filha de imigrantes galegos, ela trouxe em seu DNA a mistura rica das culturas que formaram a alma brasileira. E foi essa herança que ela explorou com maestria em suas obras, entrelaçando a tradição oral e a escrita refinada, a história e a ficção, o pessoal e o universal.
Sua trajetória literária começou cedo, com a publicação de seu primeiro romance, Guia-Mapa de Gabriel Arcanjo, em 1961. Desde então, sua caneta nunca parou. Com uma proliferação invejável, ela nos presenteou com obras-primas como A República dos Sonhos, Vozes do Deserto, Livro das Horas, O Pão de Cada Dia, e muitas outras que se tornaram indispensáveis para compreender a alma brasileira.
Sua importância transcendeu as fronteiras do país. Nélida foi a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras (ABL), um marco histórico que rompeu barreiras e abriu caminho para futuras gerações de escritoras. Sua obra foi traduzida para inúmeros idiomas e recebeu prêmios de prestígio internacional, como o Prêmio Juan Rulfo de Literatura Latino-Americana e do Caribe e o Prêmio Príncipe de Astúrias de Letras, entre muitos outros.
O que torna a escrita de Nélida Piñon tão inspiradora? Para mim, a resposta reside em sua capacidade única de capturar a essência da vida com uma profundidade e uma sensibilidade raramente vistas. Seus textos não são apenas histórias; são convites para refletir sobre a existência, o amor, a perda, a esperança, o tempo e a memória.
Nélida possuía o dom de dar voz aos silêncios, de revelar as emoções mais íntimas dos seus personagens, de transformar o ordinário em extraordinário. Suas palavras eram como pinceladas em uma tela, criando imagens vívidas que ficavam gravadas na mente do leitor.
Ao ler Nélida, somos transportados para mundos distantes e, ao mesmo tempo, tão familiares. Ela nos faz sentir a dor da perda e a alegria da descoberta. Ela nos ensina a olhar para o mundo com mais compaixão e a valorizar a beleza da vida em suas múltiplas formas.
E é exatamente essa conexão profunda com a essência humana que vejo no sorriso discreto da foto. É o sorriso de quem conhecia os segredos do coração, de quem se deliciava com a beleza das palavras e de quem encontrava na literatura uma forma de se conectar com o mundo e com o próximo.
Ao olhar para aquela foto, sinto a presença dela em cada uma das suas obras. Sinto o cheiro do papel envelhecido, o som das páginas sendo viradas, o toque das palavras em minha alma. Sinto a chama sagrada da literatura brasileira, que Nélida Piñon manteve acesa com tanto carinho e dedicação.
Neste 3 de maio, convido vocês a se juntarem a mim na celebração da vida e da obra de Nélida Piñon. Que tal ler um de seus livros, ou reler seu favorito? Que tal compartilhar uma de suas frases inspiradoras nas redes sociais? Que tal simplesmente dedicar um momento de reflexão a tudo que ela nos deixou?
A melhor maneira de homenagear a Dama da Literatura Brasileira é manter viva a sua obra e a sua mensagem. Vamos ler Nélida Piñon! Vamos nos inspirar por sua escrita! Vamos nos emocionar com suas histórias! Vamos celebrar a chama sagrada que ela nos deixou!
Escrever este texto foi uma experiência profunda e emocionante. Ao relembrar a trajetória de Nélida Piñon e reler suas obras, senti-me mais uma vez tocado pela força e pela beleza de sua escrita. Espero que este texto possa inspirar outras pessoas a descobrirem ou redescobrirem a obra dessa grande escritora brasileira.
Nélida Piñon foi mais do que uma escritora; ela foi uma mentora, uma inspiração, uma voz que se levantou para defender a beleza e a importância da literatura. Sua ausência é sentida, mas sua obra permanece como um baluarte, iluminando nosso caminho e nos lembrando de que a literatura é a alma de um povo.
Que possamos todos nos inspirar pelo sorriso discreto de Nélida Piñon, e que possamos todos contribuir para manter viva a chama sagrada da literatura brasileira
Viva Nélida Piñon! Viva a Literatura Brasileira!
© Alberto Araújo
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