JOAQUIM MANUEL DE MACEDO foi um escritor brasileiro
da primeira geração romântica e considerado por muitos críticos literários como
um dos fundadores do romance brasileiro. É dono de uma obra extensa. Foi um
ávido escritor, donde se destacam romances, contos, crônicas, poesias,
biografias, obras teatrais e textos históricos, geográficos e da área médica.
Em sua trajetória cultural atuou como jornalista,
professor, romancista, poeta, teatrólogo e memorialista. O intelectual nasceu
em Itaboraí, RJ, em 24 de junho de 1820 e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 11
de abril de 1882.
Foi Sócio-Fundador do Instituto Histórico e
Geográfico Brasileiro. Na Academia Brasileira de Letras é o Patrono da Cadeira
nº 20, por escolha do fundador Salvador de Mendonça, o membro atual que a ocupa
é o acadêmico Gilberto Gil empossado em 08 de abril de 2022.
Na Academia Fluminense de Letras é Patrono da
Cadeira n° 23 da Classe de Letras. Armando Negreiros foi membro fundador e os
demais ocupantes foram: Leopoldo Teixeira Leite Filho; Xavier Placer; Hélio
Alonso e o atual ocupante é Peterson Barroso Simão.
No Cenáculo Fluminense de História e Letras é
Patrono da Cadeira nº 11, o ocupante atual é Raymundo Nery Stelling Junior,
empossado em 2004.
Na Academia Niteroiense de Letras é Patrono da
Cadeira nº 25 que foi ocupada pelos acadêmicos titulares: Luiz Palmier; Antônio
Augusto de Siqueira; Mário Portugal Fernandes Pinho e a atual ocupante da
egrégia Cadeira é a acadêmica e historiadora Franci Machado Darigo.
Continuando sobre Macedo, em 1844 formou-se em Medicina no Rio de Janeiro,
mas abandonou a medicina e criou uma forte ligação com Dom Pedro II e com a
Família Imperial Brasileira, chegando a ser preceptor e professor dos filhos da
Princesa Isabel. Era amigo íntimo e confidente de uma celebridade da Corte,
Manuel José de Araújo Porto- Alegre, Cônsul do Brasil na Alemanha, de quem
recebeu uma longa e histórica correspondência pela qual o remetente se declara
um espírita convicto e apaixonado pelo credo que na metade do século XIX fora
codificado por Allan Kardec, na França.
Em 1844 estreou na literatura com a publicação
daquele que viria a ser seu romance mais conhecido, A Moreninha, que lhe deu
fama e fortuna imediata. A Moreninha é tido como o primeiro romance publicado
no país, embora tenha sido precedido por O Filho do Pescador, de Teixeira e
Sousa, que, entretanto, é tido como uma obra menor, desenvolvida a partir de um
enredo pouco articulado e confuso. Além de A Moreninha, Macedo escreveu ainda
outros dezessete romances, dezesseis peças de teatro e um livro de contos.
Sua obra é extensa e fez grande sucesso na época.
Havia, entre os críticos, o argumento de que ele abusou do sentimentalismo,
muito ao gosto popular, daí seu enorme sucesso de público. Os críticos,
entretanto, não negam que Macedo foi cronista aberto e analítico do Rio de
Janeiro do final do Império.
Sua grande importância literária está no fato de
ser considerado um dos fundadores do romance no Brasil e, certamente, um dos
principais responsáveis pela criação do teatro no Brasil. A Moreninha
certamente foi considerada a primeira obra da Literatura Brasileira a alcançar
êxito de público e é um dos marcos do Romantismo no Brasil.
Macedo foi também professor de Geografia e História
do Brasil no Colégio Pedro II, e sócio fundador, secretário e orador do
Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, desde 1845. Em 1849 fundou,
juntamente com Gonçalves Dias e Manuel de Araújo Porto-Alegre, a revista Guanabara,
que publicou grande parte do seu poema-romance A nebulosa, considerado por
críticos como um dos melhores do Romantismo. Foi membro do Conselho Diretor da
Instrução Pública da Corte (1866).
Foi membro do IHGB, integrando a sua diretoria, a
partir de 1852, como Orador e Secretário do Instituto Histórico (chegando,
inclusive, a exercer interinamente a presidência do grêmio, em 1876), além de
sócio da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional, e de outras; comendador
das ordens da Rosa e de Cristo. Foi deputado provincial várias vezes, deputado
geral (1864/68, 1878/81), jamais ocupando cargo executivo, e teve o seu nome
colocado em uma lista para senador do Império. A fidelidade de Joaquim Manoel
de Macedo ao Imperador fora inequívoca: além de dedicar-lhe o livro "A
Nebulosa", em seu discurso como presidente interino do Instituto Histórico
LIVROS PUBLICADOS
Considerações sobre a nostalgia, (Tese), 1844.
Discurso que na augusta presença de S. M. Imperial, na ocasião de tomar o grau
de em medicina recitou Joaquim Manuel de Macedo, 1844.
A Moreninha, 1844.
O Moço Louro, 1845.
Os Dois Amores, 1848.
O Cego, 1849.
Rosa, 1849.
Cobé, 1854.
Vicentina, 1854.
O Forasteiro, 1855.
A carteira de Meu Tio, 1855.
Memórias do Sobrinho do Meu Tio, 2 vols, 1867-1868.
O Fantasma Branco, Ópera, 1856.
A Nebulosa, 1857.
O Primo da Califórnia, 1858.
Amor e Pátria, 1859.
O Sacrifício de Isaac, 1859.
Luxo e Vaidade, 1860.
Lições de História do Brasil, 1851.
Seus escritos na Revista do IHGB e o seu Manual
Didático Lições de História de Brazil para uso das Escolas de Instrução
Primária (1861/63).
Os Romances da Semana, 1861.
Cântico, 1862.
Um Passeio pela Cidade do Rio de Janeiro, 2 vols,
1862-1863.
Labirinto, 1862.
Lusbela, 1863.
O Novo Otelo, 1863.
Teatro, 1863.
A Torre em Concurso, 1863.
Questão Janrard, 1864.
O Culto do Dever, 1865.
Mazelas da Atualidade, 1867.
A Luneta Mágica, 1869.
Nina, 1869.
O Rio do Quarto, 1869.
As Vítimas-Algozes, 1869.
As Mulheres de Mantilha, 1870.
A Namoradeira, 1870.
Remissão de Pecados, 1870.
Um Noivo, Duas Noivas, 1871.
Os Quatro Pontos Cardeais, 1872.
Misteriosa, 1872.
Cincinato Quebra-Louça, 1873.
Noções de Corografia do Brasil, 1873.
A Baronesa do Amor, 1876.
Ano Biográfico Brasileiro, 3 vols. 1876-1880.
Vingança por Vingança, 1877.
Memórias da Rua do Ouvidor, 1878.
Mulheres Célebres, 1878.
Antonica da Silva, 1880.
SAIBA MAIS SOBRE MACEDO
Macedo foi Professor de corografia e história do
Brasil do Colégio de Pedro II; foi membro do Conselho Diretor da Instrução
Pública da 1 Professor efetivo e Coordenador Pedagógico de História do Colégio
Pedro II/Campus Engenho Novo II. Professor supervisor do Programa de Residência
Docente do Colégio Pedro II. Professor do Programa de Pós-graduação em Letras e
Ciências Humanas da UNIGRANRIO e bolsista de produtividade FUNADESP 1 C. Doutor
em História Social (UFRJ). Mestre em Educação (UERJ). Bacharel e licenciado em
História (UERJ).
A obra de Macedo pode ser vista como uma crônica do
seu tempo, que retratava com fidelidade a sociedade brasileira do século XIX. A
temática restringe-se aos costumes da classe da pequena burguesia do império,
os saraus familiares, namoros de estudantes, mucamas alcoviteiras, comadres,
negociantes e funcionários públicos, sempre em volta com o amor como problema
central de uma sociedade cujos interesses giravam em torno do casamento.
O doutor "Macedinho", como era chamado,
teve o mérito de ser o primeiro a escrever um ciclo amplo e completo de
romances, que podiam ser chamados de “novelescos”, dada a persistência com que
repetia a cada obra as mesmas chaves da intriga. Joaquim Manuel de Macedo
produziu inúmeros trabalhos literários, mas os mais conhecidos são “A
Moreninha” e O “Moço Loiro”.
Macedo também atuou decisivamente na política,
tendo militado no Partido Liberal, servindo-o com lealdade e firmeza de
princípios, como o provam seus discursos parlamentares, conforme relatos da
época. Durante a sua militância política foi deputado provincial (1850, 1853,
1854-1859) e deputado geral (1864-1868 e 1873-1881). Nos últimos anos de vida
padeceu de problemas mentais, morrendo pouco antes de completar 62 anos.
Sempre um prazer e satisfação
falar, assistir palestras sobre JOAQUIM MANUEL DE MACEDO, o admirável
romancista de “A MORENINHA”. Cuja obra, a minha “musa” tem um enlevado fascínio
em lê-la. Leu e releu e todas as vezes que a ler sente o expressivo deslumbramento
em seu coração. Como passa depressa o tempo, são 140 anos de sua morte. Saudades
eternas. Abraços do ALBERTO ARAÚJO.
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MENSAGEM
DA PRESIDENTE MÁRCIA PESSANHA APÓS POSTAGEM SOBRE 0S 140 ANOS DO ENCANTAMENTO
DE JOAQUIM MANUEL DE MACEDO
“É
sempre bom relembrar e enaltecer os escritores fluminenses, que souberam
despertar nos seus leitores um sentimento de empatia que perdura de forma
afetiva e prazerosa. É o caso de Joaquim Manuel de Macedo, autor de "A
moreninha", romance romântico, leitura aprazível, paradigma do amor
idealizado de muitas jovens da época. E Alberto Araújo, oportunamente,
transportou- nos ao universo poético do referido autor, por ocasião dos 140
anos de sua passagem para outra dimensão e, também, por coincidir com a posse do
músico e compositor Gilberto Gil, na Academia Brasileira de Letras, Cadeira
patronímica de Joaquim Manuel de Macedo. Parabéns, Alberto, por essa
relembrança histórica. E completando o quadro, temos Joaquim Manuel de Macedo
como Patrono da AFL, ocupante atual da cadeira Peterson Barroso Simão; no
Cenáculo, Raimundo Nery Stelling e na ANL, Franci Machado Darigo, o que
demonstra o apreço dos fluminenses pelo autor.” Márcia Pessanha.
AGRADECIMENTO
DE ALBERTO ARAÚJO
Olá,
minha adorável presidente Márcia Pessanha, tudo bem? Muito obrigado pela sua
importante mensagem em nossa postagem sobre os 140 anos de Encantamento de
Joaquim Manuel de Macedo. Em especial agradeço por reservar um tempo entre
tantos afazeres culturais e creio que são muitos. SIM! Agradeço muito pelo seu
dispor em deixar o seu marcar categórico na postagem a qual fizemos com dedicação
e que trazemos a releitura de tão nobre escritor. E, sobretudo “frisando” os
membros titulares nas Cadeiras das quais ele é Patrono. A imortalidade é isso. Valeu
muito a sua contribuição. ALBERTO ARAÚJO. 11-04-2022
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[15:28, 11/04/2022] FRANCI DARIGO:
Meu prezado confrade Alberto Araújo, grande presença de espírito em evocar nestes dias aziagos o perfil biográfico do
imortal médico apaixonados pela literatura, que adentrou para a História pela
porta principal do IHGB pelas mãos seguras de José Joaquim Fernandes Pinheiro, do núcleo familiar do meu
antecessor na Cadeira 25, Academia Niteroiense de Letras, o eminente Jurista
Fernandes Pinheiro. Macedo era natural de Itaboraí, aonde fui por um dia, para
respirar o ar que o Patrono havia, no século XIX, respirado, e conferir
veracidade à pesquisa que me caberia, com denodo, iniciar. Macedo respondeu
pela Diretoria do IHGB por mais de quinze anos e, lá, ocupou a presidência
durante viagem do presidente Imperador Dom Pedro Segundo a Europa, e recebeu a
visita honrosa da Princesa Isabel, a nossa! Ficarei por aqui, reconhecida ao
alto significado da sua amizade, que quero sempre merecer, junto com o
Rodolfo. Disponham! Até sempre! Saudações historiográficas!
RESPOSTA DE ALBERTO ARAÚJO
Confreira Franci Darigo. Boa tarde! Belíssimas informações a respeito
do imortal romancista da consagrada obra "A Moreninha". Estou aqui
"boquiaberto" diante da beleza de seu depoimento. Raro. Como tenho
sede de conhecimento, essas palavras são tiros certeiros no alvo do saber.
Certamente, figurará na página do mestre Macedo. Obrigado pelo
compartilhamento. ALBERTO ARAÚJO.
FONTE
https://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Manuel_de_Macedo