domingo, 6 de setembro de 2026

RESENHA CRÍTICA DE O SOM DO CORAÇÃO © ALBERTO ARAÚJO



“A música está ao nosso redor, a gente só precisa ouvir”

 

O filme O Som do Coração (2007), dirigido por Kirsten Sheridan, é uma obra que mistura drama e fantasia musical para contar a história de Evan Taylor, um menino prodígio que acredita que pode encontrar seus pais através da música. A narrativa se constrói como uma versão contemporânea de Oliver Twist, mas com a música como fio condutor da trama e metáfora central.

 

O longa acompanha Evan, que foge do orfanato e parte para Nova York em busca de seus pais. Sua jornada é marcada por encontros decisivos: o excêntrico Wizard, que o explora e lhe dá o nome artístico de August Rush; Arthur, um jovem guitarrista que o introduz ao grupo de crianças músicos; e Hope, que o ajuda a decifrar a linguagem musical. Paralelamente, seus pais Lyla, uma violoncelista clássica, e Louis, um guitarrista irlandês também percorrem caminhos de reencontro, impulsionados pela ausência e pela música.

 

A narrativa se apoia fortemente em coincidências, o que pode soar forçado para alguns espectadores, mas funciona dentro da proposta quase mágica do filme. A música é apresentada como uma força transcendental, capaz de unir pessoas e superar barreiras impostas pelo tempo e pela distância.

 

Evan/August Rush: interpretado por Freddie Highmore, transmite inocência e intensidade, tornando crível a ideia de um garoto que “ouve” música em tudo ao seu redor.

 

Wizard: vivido por Robin Williams, é um personagem ambíguo, que oscila entre mentor e explorador, lembrando figuras manipuladoras típicas da literatura clássica.

 

Lyla Novacek: Keri Russell dá vida à violoncelista sensível, marcada pela perda e pela busca.

 

Louis Connelly: Jonathan Rhys Meyers encarna o músico apaixonado, dividido entre carreira e sentimentos.

 

O elenco sustenta bem o melodrama, com destaque para a química entre Highmore e Williams, que dá peso às cenas de exploração e descoberta.

 

A trilha sonora é o coração do filme. Desde os sons cotidianos que Evan transforma em melodia até a grandiosa August’s Rhapsody, apresentada no Central Park, a música é tratada como linguagem universal e espiritual. O filme sugere que ela é capaz de guiar destinos e revelar verdades ocultas. Essa abordagem pode parecer idealizada, mas é justamente o que confere ao longa sua aura poética.

 

Sheridan aposta em uma estética que mistura realismo urbano com toques de fantasia. Nova York é retratada como um espaço vibrante, onde cada som pode se transformar em música. A direção valoriza os contrastes: o orfanato rígido versus a liberdade das ruas, o teatro abandonado versus a sofisticação da Juilliard. Essa dualidade reforça a ideia de que a música transcende ambientes e classes sociais.

 

Busca pela identidade: Evan procura não apenas seus pais, mas também seu lugar no mundo.

 

Poder da música: apresentada como força mística e transformadora.

 

Família e reencontro: o desfecho no concerto simboliza a união através da arte.

 

Exploração infantil: Wizard representa o lado sombrio da sociedade, que vê talento como mercadoria.

 

O Som do Coração é um filme que aposta no sentimentalismo e na fantasia para contar uma história de amor, perda e reencontro. Embora a trama dependa de coincidências quase improváveis, sua força está na música e na emoção que transmite. É uma obra que fala diretamente ao coração, especialmente para quem acredita no poder da arte como elo entre pessoas.

Em cerca de duas horas, o filme entrega uma fábula moderna sobre esperança e conexão, deixando como mensagem final que “a música está em tudo ao nosso redor, basta ouvir”.

 

ELENCO

 

Freddie Highmore - Evan Taylor

Keri Russell - Lyla Novacek

Jonathan Rhys Meyers - Louis Connelly

Robin Williams - Wizard

Terrence Howard - Richard Jeffries (Assistente Social)

William Sadler - Thomas Novacek

Jamia Simone Nash - Hope

Kaki King - Mãos de Evan Taylor (para todas as partes de viola)

Leon Thomas III - Arthur

Alex O'Loughlin - Marshall

 

MÚSICA

 

"Break"

Por Steve Erdody e Jonathan Rhys Meyers

"Moondance"

Escrita por Van Morrison, cantada por Jonathan Rhys Meyers

"This Time"

Escrita por Chris Trapper, cantada por Jonathan Rhys Meyers

"Bari Improv"

Escrita por Mark Mancina e Kaki King, cantada por Kaki King

"Ritual Dance"

Escrita por Michael Hedges, cantada por Kaki King

"Raise It Up"

Escrita por Impact Repertory Theatre, cantada por Jamia Simone Nash e Impact Repertory Theatre

Nomeada para um Óscar da Academia para Melhor Canção Original

"Dueling Guitars"

Escrita por Heitor Pereira, cantada por Heitor Pereira e Doug Smith

"Something Inside"

Por Steve Erdody e Jonathan Rhys Meyers

"Someday"

Escrita por John Legend

"August's Rhapsody"

 

Na cena final com Lyla e Louis, é tocado Adagio-Moderato por Edward Elgar no Cello Concerto em E Menor.

 

Excepto "Dueling Guitarras", todas as músicas são tocadas pela guitarrista e compositora americana Kaki King.

 

O compositor Mark Mancina esteve a compor mais de um ano e meio para o filme. "O coração da história é saber como reagir e se conectar através da música. É sobre este jovem rapaz que acredita que ele vai encontrar os seus pais através de sua música. Isso é o que o impulsiona." O último tema do filme foi composto em primeiro lugar. "Dessa maneira eu poderia ter bocados e partes da peça que terminam e que dizem respeito às coisas que estão acontecendo na vida da personagem principal. Todos os temas são peças do puzzle, de modo a que o termo significa alguma coisa". A música foi gravada no Todd-AO Scoring Stage e no Eastwood Scoring Stage da Warner Bros.

 

RECEPÇÃO

 

No USA Today, Claudia Puig comentou que "August Rush não será para todos, mas funciona se você entregar o seu sentimentalismo à música." O The Hollywood Reporter comentou positivamente o filme, escrevendo "a história é sobre o modo como músicos e a música se conecta pessoas, de modo a que as canções do filme, criada pelos compositores Mark Mancina e Hans Zimmer, dá um capricho poético implausível à história."

 

No Rotten Tomatoes, 36% dos críticos deram opiniões positivas sobre o filme, baseadas em 110 opiniões. O consenso foi que "embora apresentando um elenco talentoso, August Rush não tem uma uma boa direcção nem um enredo muito consistente." No Metacritic, o filme teve uma pontuação média de 38 em 100, baseadas em 27 opiniões.

 

Pam Grady no San Francisco Chronicle chamou o filme de "melodrama musical." Grady disse que "toda a história é ridícula" e "as coincidências, comportamento e motivações desafiam a lógica, e que os personagens tiram pouco do talento dos actores." Edward Douglas no comingsoon.net disse: "não demorou muito para o filme para se revelar como de previsto".

 

Roger Ebert deu ao filme três estrelas, chamando-o de "um filme embebido em sentimentalismo, mas que é supostamente ser assim".

 

O filme foi comparado com Oliver Twist.

 

Shawn Johnson utilizou a música "August's Rhapsody" durante seu desempenho no exercício Floor, nos Jogos Olímpicos de Verão de 2008.

 

FONTE

Wikiwand – August Rush. Informações gerais sobre produção, elenco, direção e contexto do filme. Inclui dados técnicos e históricos.

Pedro Paulo da Cruz; Richard Perassi Luiz de Souza; Luciane Maria Fadel. O som como mediação narrativa no cinema: remidiação sonora e seus limites no filme August Rush. Revista Comunicação Mídia e Consumo, v. 23, 2026. Estudo acadêmico que analisa como a trilha sonora e os sons ambientes funcionam como elementos narrativos centrais no filme.

IMDb – August Rush (2007). Base de dados internacional de cinema com informações sobre elenco, equipe técnica, curiosidades e recepção crítica.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 


















 


 

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