sexta-feira, 11 de setembro de 2026

MATILDE CARONE SLAIBI CONTI E A TRAVESSIA DA MEMÓRIA: O LÍBANO COMO HERANÇA, CULTURA E IDENTIDADE - RESENHA CULTURA POR © ALBERTO ARAÚJO

A literatura possui a rara capacidade de transformar lembranças em permanência, sentimentos em reflexão e experiências individuais em patrimônio coletivo. É exatamente essa força que encontramos na participação de nossa presidente do Elos Internacional, presidente do Núcleo da Rede Sem Fronteiras em Niterói e outras instituições, Dra. Matilde Carone Slaibi Conti, na Coletânea Literária Internacional Lusófona Sem Fronteiras pelo Mundo, Volume 9, organizada pela escritora e jornalista Dyandreia Portugal. 

Entre coautoras de diferentes países e culturas, Matilde marca sua presença nas páginas 324 a 327 com o texto “Viagem ao País dos Cedros”, uma narrativa que transcende o simples relato de viagem para se transformar em um encontro entre história, ancestralidade e consciência cultural. 

O texto conduz o leitor ao Líbano, terra de origem de seus antepassados, revelando não apenas um território geográfico, mas uma paisagem da memória. A autora percorre caminhos onde a história milenar dialoga com a experiência pessoal, oferecendo uma visão ampla de um país que, ao longo dos séculos, tornou-se símbolo de resistência, diversidade e intercâmbio entre civilizações.

Ao narrar sua chegada à Terra dos Cedros, Matilde resgata uma busca iniciada ainda na juventude, alimentada pelas histórias ouvidas de familiares e compatriotas. A viagem torna-se, então, uma jornada de reconhecimento. Não se trata apenas de conhecer um lugar, mas de compreender as raízes que ajudam a formar a própria identidade. Nesse sentido, sua escrita revela uma dimensão universal: todos os seres humanos são, em alguma medida, viajantes em direção às suas origens. 

O Líbano apresentado pela autora surge como um extraordinário mosaico de culturas, religiões e tradições. Berço de influências que atravessaram continentes, o país é descrito como uma ponte entre Oriente e Ocidente, um espaço onde pensamentos distintos coexistem e se enriquecem mutuamente. Tal visão nos convida a refletir sobre o valor do diálogo entre as diferenças, tema especialmente relevante em um mundo frequentemente marcado pela fragmentação e pela intolerância. 

Em sua abordagem, Matilde demonstra sensibilidade ao destacar que as grandes civilizações não são construídas pelo isolamento, mas pelas trocas culturais. O Líbano, voltado para o Mediterrâneo e historicamente conectado a diferentes povos, simboliza essa vocação para o encontro. Sua capital, Beirute, aparece como expressão viva dessa característica: uma cidade que reúne modernidade e tradição, memória e renovação, Oriente e Ocidente.

Do ponto de vista filosófico, “Viagem ao País dos Cedros” suscita uma reflexão profunda sobre o significado do pertencimento. Em um tempo em que fronteiras físicas parecem cada vez mais permeáveis e identidades tornam-se múltiplas, a autora recorda que conhecer nossas origens não significa limitar-nos ao passado, mas compreender melhor quem somos no presente. A memória, longe de ser mera nostalgia, transforma-se em instrumento de autoconhecimento. 

Outro aspecto marcante do texto é sua valorização do patrimônio histórico e cultural libanês. Museus, bibliotecas, universidades, monumentos e tradições são apresentados não apenas como registros de uma época, mas como testemunhos da capacidade humana de criar conhecimento, arte e beleza. Ao contemplar esses legados, a autora ressalta a responsabilidade das gerações atuais em preservar aquilo que receberam como herança. 

Especial significado adquire a referência aos cedros, árvore que se tornou símbolo nacional do Líbano. Mais do que um elemento da natureza, o cedro representa permanência, força e renovação. Sua presença atravessa séculos, resistindo ao tempo e às transformações históricas. Da mesma forma, as raízes culturais permanecem vivas quando cultivadas pela memória, pelo conhecimento e pela transmissão dos valores entre gerações. 

A contribuição de Matilde Carone Slaibi Conti para esta importante coletânea internacional reafirma o papel da literatura como ponte entre povos e culturas. Sua narrativa demonstra que escrever é também um ato de preservação da identidade e de valorização da diversidade humana. Ao compartilhar sua experiência e sua herança libanesa, a autora oferece aos leitores não apenas informações sobre um país admirável, mas uma reflexão sensível sobre a condição humana, a memória e o pertencimento. 

Sua participação na Coletânea Literária Internacional Lusófona Sem Fronteiras pelo Mundo representa, portanto, muito mais do que uma contribuição literária. É um testemunho de amor às origens, de respeito à história e de compromisso com a cultura como instrumento de aproximação entre os povos. Em tempos que exigem compreensão mútua e diálogo intercultural, textos como “Viagem ao País dos Cedros” lembram que as verdadeiras fronteiras não estão nos mapas, mas na capacidade humana de reconhecer no outro parte de sua própria história. 

Assim, ao percorrer as páginas escritas por Matilde, o leitor também realiza sua própria viagem: uma jornada através da memória, da cultura e da sabedoria acumulada por civilizações que continuam a iluminar o presente. E, como os antigos cedros que inspiram gerações há milênios, permanece a certeza de que as raízes mais profundas são aquelas que nos permitem alcançar horizontes mais amplos. 

SOBRE A OBRA

Matilde Carone Slaibi Conti participa da Coletânea Literária Internacional Lusófona Sem Fronteiras pelo Mundo, Volume 9, organizada por Dyandreia Portugal, com o texto “Viagem ao País dos Cedros”, publicado nas páginas 324 a 327, compartilhando este espaço literário com coautores de diferentes nacionalidades lusófonas e reafirmando os laços entre literatura, memória e interculturalidade. Temas da escrita: ancestralidade, identidade cultural, patrimônio histórico, diálogo entre civilizações, memória, pertencimento e valorização das raízes libanesas.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural 


 







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