Cora Coralina disse: "Eu não procuro a poesia, ela é que me procura. Eu não procuro a palavra necessária, ela me vem na ponta da esferográfica. E a poesia, para mim, está difundida na própria vida. É toda da vida. Não vamos mais apelar para o imaginário, que já deu tudo o que tinha que dar em prosa e verso." - Entrevista ao programa Vox Populi da TV Cultura – 1983.
ANÁLISE DA FALA
A declaração de Cora Coralina sintetiza a essência de sua poética e visão sobre o ato de escrever:
A Poesia como Processo Natural e Fluido: Ao afirmar "Eu não procuro a poesia, ela é que me procura" e "Ela me vem na ponta da esferográfica", Cora Coralina afasta a escrita da ideia de um mero esforço acadêmico ou da busca obstinada pela perfeição formal. Para ela, a criação literária é um processo espontâneo e quase intuitivo, onde as palavras surgem com naturalidade através de sua vivência.
A Poesia no Cotidiano (O Valor do Real): A autora ressalta que a poesia "está difundida na própria vida". Cora Coralina é reconhecida por extrair a beleza do cotidiano, das coisas simples, do trabalho manual e da vida interiorana. Sua obra se ancora no concreto, nas experiências vividas e na observação das pessoas e dos afetos do dia a dia.
Rejeição do "Imaginário" Abstrato: Ao dizer "Não vamos mais apelar para o imaginário, que já deu tudo o que tinha que dar", ela propõe uma literatura menos voltada a abstrações e fantasias, e mais conectada à realidade, à memória e à experiência humana concreta. Para a escritora, a força da arte reside na própria existência viva e genuína, dispensando construções ficcionais excessivamente distantes do real.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural

Nenhum comentário:
Postar um comentário