sábado, 12 de setembro de 2026

A DIVINA IDADE DE LUZILÂNDIA O BRILHO DA SABEDORIA NAS RUAS - CRÔNICA DE © ALBERTO ARAÚJO

Luzilândia vestiu-se de gala e emoção no sete de setembro, quando as ruas da nossa terra natal foram pisadas não apenas pela marcha compassada da juventude, mas pela presença soberana, vibrante e luminosa dos grupos de idosos "Divina Idade" e "Melhor Idade". Ver a ala da "Divina Idade" desfilar é testemunhar a própria história em movimento, revestida de uma beleza que desafia o tempo e ressoa profundamente na alma de quem tem o privilégio de pertencer a este chão.

 

Chamar essa etapa da existência de "Divina Idade" é um ato de profunda justiça poética e espiritual. Durante muito tempo, os calendários tentaram reduzir a maturidade ao declínio, como se a vida fosse uma curva que apenas ascende para depois desabar no esquecimento. Mas o que vimos em Luzilândia desmentiu essa narrativa fria. A Divina Idade não é o ocaso; é o zênite. É o momento em que a existência humana alcança sua maturação mais rica, tal qual o vinho que guarda nos anos o segredo do seu melhor sabor, ou a árvore frondosa que, de tanto resistir aos ventos, oferece as sombras mais generosas e os frutos mais doces.

 

Nesse desfile cívico, a energia, a alegria e a disposição transbordantes de cada participante mostraram ao mundo que a vitalidade não tem data de validade. Cada passo dado na avenida era uma afirmação de pertença, um lembrete vivo de que não existe idade para fazer parte, participar e deixar a nossa marca na tapeçaria do mundo. Os rostos sulcados por rugas não exibiam o peso dos anos, mas sim os mapas de uma jornada repleta de lutas, superações, sorrisos e afetos. Cada linha na pele é um verso da biografia de quem aprendeu a arte de viver.

 

Refletir sobre a sabedoria dos idosos é compreender que eles guardam a memória viva da nossa comunidade. Luzilândia não seria o que é sem as raízes fincadas por essas mãos que hoje desfilam com tanto orgulho. Eles são os pilares invisíveis que sustentam a nossa identidade, os guardiões das tradições, dos causos, das dores superadas e das alegrias coletivas.

 

No grupo "Divina Idade", a convivência e a participação social ganham um contorno sagrado, transformando o envelhecimento em um ato coletivo de celebração à vida. Não se trata apenas de envelhecer no corpo, mas de expandir o espírito, de cultivar a alma com a leveza de quem já entendeu o que realmente importa.

 

Haverá algo mais belo do que essa permanência? Estar na Divina Idade é habitar o tempo com maestria. É o privilégio de olhar para trás e ver uma história construída com suor e amor, e olhar para o presente com a coragem de quem ainda quer ocupar o seu espaço na praça pública, na festa da pátria, no coração da cidade. Eles nos ensinam que a juventude é um estado de espírito, e que a maturidade é a liberdade de ser plenamente quem se é, sem as pressas da ânsia, mas com a urgência de quem sabe saborear cada instante.

 

Concluir essa celebração é render o mais profundo preito de reverência à imensurável resiliência e sabedoria que habitam a Divina Idade. Os nossos idosos são luzes de resistência, almas que atravessaram tempestades e, ainda assim, escolheram florescer, colorindo as ruas de Luzilândia com um entusiasmo contagiante. Eles carregam no peito o fogo sagrado da experiência e nos provam que cada ruga é um troféu conquistado na arena da vida. Que possamos sempre honrar essa herança viva, aprendendo com sua paciência, aplaudindo sua inesgotável alegria e compreendendo que a verdadeira grandeza de uma terra reside na dignidade com que ela acolhe, exalta e reverencia os seus mais sábios filhos.


Que Luzilândia continue a aplaudir de pé, não apenas no Sete de Setembro, mas em todos os dias do ano, essa força indomável que brota da Divina Idade. Que saibamos olhar para os nossos idosos não com a condescendência de quem vê o passado, mas com a reverência de quem enxerga o futuro. Porque envelhecer com dignidade, alegria e brilho nos olhos é a maior vitória que um ser humano pode alcançar. E os nossos queridos conterrâneos deram, na avenida, uma verdadeira aula magna de como se vive com divindade.

 

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

 











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