sábado, 3 de outubro de 2026

QUANDO VIER A PRIMAVERA - ALBERTO CAEIRO, HETERÔNIMO DE FERNANDO PESSOA



Quando vier a primavera,

Se eu já estiver morto,

As flores florirão da mesma maneira

E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada.

A realidade não precisa de mim.

 

Sinto uma alegria enorme

Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

 

Se soubesse que amanhã morria

E a primavera era depois de amanhã,

Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.

Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?

Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;

E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.

Por isso, se morrer agora, morro contente,

Porque tudo é real e tudo está certo.

 

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.

Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.

Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.

O que for, quando for, é que será o que é.

 

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O poema "Quando vier a Primavera" é de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa, escrito em 7 de novembro de 1915 e publicado nos Poemas Inconjuntos.

O poema completo reflete sobre a indiferença da natureza perante a mortalidade humana e a aceitação serena da realidade, com versos como "Quando vier a Primavera, / Se eu já estiver morto, / As flores florirão da mesma maneira", concluindo com a aceitação do ciclo natural e do destino sem preferências ou lamentações ("O que for, quando for, é que será o que é"). Você pode encontrar a letra completa do poema na referência.




 

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