O número 57 do boletim BOLETRAS AFL, referente a setembro de 2026, reafirma o papel da Academia Fluminense de Letras como uma das mais atuantes instituições culturais do Estado do Rio de Janeiro. Sob a coordenação da presidente Márcia Pessanha e com edição e diagramação de Christiane Victer, a publicação apresenta um panorama amplo das atividades acadêmicas, literárias, educativas e culturais desenvolvidas ao longo do mês, reunindo acontecimentos que fortalecem a produção intelectual, preservam a memória e promovem a integração entre escritores, educadores e instituições culturais.
Logo na abertura, o editorial assinado por Márcia Pessanha estabelece o tom humano e reflexivo da edição. A presidente associa a chegada da primavera às campanhas do Setembro Verde e Setembro Amarelo, ressaltando valores como inclusão, solidariedade, valorização da vida e respeito às diferenças.
Mais do que um texto institucional, o editorial revela sensibilidade poética e compromisso social. Ao relacionar o florescimento da natureza ao florescimento da consciência cidadã, Márcia Pessanha reafirma a missão da AFL como espaço de cultura, acolhimento e reflexão. Sua mensagem aproxima literatura e vida, demonstrando que a atividade acadêmica não se limita à preservação das letras, mas também dialoga com temas centrais da sociedade contemporânea.
A principal matéria da edição registra a terceira sessão do ciclo de conferências “Publicar a Gente Brasileira”, cujo tema foi “Publicar Liberdade”. O encontro reuniu importantes intelectuais e acadêmicos para discutir o papel da liberdade na produção literária e no pensamento crítico. Participaram, além da presidente Márcia Pessanha, os acadêmicos Jordão Pablo de Pão, Lucia Romeu, Matilde Carone Slaibi Conti e a presença especial de Godofredo de Oliveira Neto, da Academia Brasileira de Letras.
A reportagem destaca reflexões sobre a liberdade como elemento essencial da criação artística e registra o debate acerca da relação entre literatura, história e democracia. Ao encerrar a sessão enfatizando a importância da liberdade intelectual, Márcia Pessanha reforçou um princípio que perpassa toda a atuação da AFL: o compromisso com o pensamento livre e a pluralidade de ideias.
A edição também evidencia a intensa agenda institucional da presidente. Em uma das matérias, é relatada sua participação na inauguração do Espaço do Conhecimento da OAB-Niterói, projeto voltado à democratização do acesso ao livro e à leitura. Na condição de madrinha da iniciativa, Márcia Pessanha destacou a relevância da palavra escrita e do conhecimento como instrumentos de transformação social.
Outra matéria relevante aborda o relançamento da obra Educação e Democracia em Anísio Teixeira, organizada pelo acadêmico Waldeck Carneiro. O boletim ressalta a importância do educador Anísio Teixeira para a construção da escola pública brasileira e registra o reconhecimento da obra, finalista do Prêmio Jabuti 2026.
Ainda na mesma página, a comemoração dos 90 anos da Federação das Academias de Letras do Brasil demonstra o fortalecimento dos laços entre entidades culturais. O destaque dado ao lançamento da obra de Thiago de Menezes, prefaciada por Márcia Pessanha, simboliza a participação ativa da presidente no debate sobre a história e o papel das academias literárias no país.
O boletim prossegue registrando a presença da AFL na inauguração do Centro Integrado de Educação e Cultura da UPPES. A matéria reafirma a convergência entre cultura e educação como pilares fundamentais do desenvolvimento social. A participação de acadêmicos em eventos dessa natureza demonstra que a AFL mantém diálogo constante com diferentes segmentos da sociedade civil organizada.
Outro momento importante apresentado é o sarau “Artistas da ANE”, promovido por Leda Mendes Jorge. O encontro evidencia a vitalidade da produção artística local ao reunir poesia, música e artes visuais em um ambiente de convivência cultural. A matéria ressalta a presença de diversos membros da AFL, reforçando o espírito de integração que caracteriza a instituição.
A participação do acadêmico Rogério Reis Devisate na Bienal Internacional do Livro de São Paulo merece destaque pela diversidade temática de suas publicações, que transitam entre reflexões sobre inteligência artificial, ética e questões jurídicas ligadas à regularização fundiária. O fato evidencia a pluralidade de interesses intelectuais presentes no quadro acadêmico da AFL.
A edição dedica espaço significativo às realizações de seus acadêmicos. Uma delas é a iniciativa conduzida por Amanda Almeida, que promoveu a quarta edição do concurso Contos Fantásticos, dedicado ao tema do futuro. A proposta aproxima literatura, imaginação e formação de novos escritores, ampliando as oportunidades para talentos emergentes.
Também ganha destaque a participação de Marco Lucchesi e Jordão Pablo de Pão na Festa do Livro da Universidade Federal Fluminense. A parceria anunciada entre a EdUFF e o projeto Niterói Livros evidencia a construção de pontes institucionais fundamentais para a circulação do livro e do conhecimento.
Na mesma página, o acadêmico Marcelo Caetano aparece como convidado do podcast da EdUERJ, discutindo os caminhos históricos da língua portuguesa. A matéria valoriza a pesquisa acadêmica e a difusão do saber linguístico para um público mais amplo.
Já a homenagem à acadêmica Eurídice Hespanhol, celebrando 51 anos dedicados à poesia, representa um reconhecimento à persistência e ao compromisso com a criação literária. A reportagem demonstra o respeito da AFL por trajetórias construídas ao longo de décadas de produção cultural.
Na sequência, o leitor encontra o lançamento do livro Bicentenário da Família Erthal, obra que preserva dois séculos de memória familiar e contribuição histórica para o Estado do Rio de Janeiro. A matéria exemplifica como a pesquisa genealógica também constitui importante instrumento de preservação cultural.
O lançamento da terceira edição de O Mar do Meu Velho, de Jordão Pablo de Pão, merece atenção especial por reunir memória familiar, afetividade e identidade. O boletim destaca a consolidação da trajetória literária do autor ao completar dez anos de atuação no campo das letras.
Outro ponto importante é a divulgação do selo Projetos Independentes da AFL Edições, coordenado pelo acadêmico José Huguenin. A iniciativa amplia o alcance da produção literária fluminense, oferecendo apoio a academias municipais e grêmios literários. Trata-se de uma ação estratégica para fortalecer a vida cultural em diferentes regiões do estado.
A página final revela uma faceta especialmente sensível do boletim. Nela, literatura e poesia assumem papel central. Os haicais de Uyára Schiefer celebram a chegada da primavera por meio de versos breves e contemplativos, enquanto os poemas “Tuas Mãos”, de Márcia Pessanha, e “Coração Bola”, de Gisela Peçanha, apresentam diferentes formas de expressão poética, indo da delicadeza afetiva à reflexão sobre a fraternidade humana.
Um aspecto que merece reconhecimento especial é o trabalho editorial de Christiane Victer, responsável pela redação, edição e diagramação do informativo. A organização visual da publicação favorece a leitura, valoriza o registro fotográfico dos eventos e confere unidade estética ao conjunto. O boletim apresenta equilíbrio entre texto e imagem, preservando o caráter jornalístico sem perder a identidade cultural e literária que caracteriza a AFL.
Ao final da leitura, fica evidente que esta edição do BOLETRAS não se limita a registrar acontecimentos. Ela documenta a intensa atividade cultural da Academia Fluminense de Letras, valoriza seus acadêmicos e fortalece a memória institucional. A liderança de Márcia Pessanha aparece ao longo de toda a publicação, seja no editorial inspirador, seja na participação em inúmeros eventos que aproximam literatura, educação e cidadania. Da mesma forma, o trabalho editorial de Christiane Victer garante qualidade, clareza e beleza gráfica ao informativo. Juntas, coordenação e edição transformam o boletim em muito mais que um simples registro mensal: fazem dele um testemunho vivo da força da cultura fluminense, do compromisso com o conhecimento e da permanente crença no poder transformador da palavra.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
02 de outubro de 2026








Nenhum comentário:
Postar um comentário