Certamente, existe uma poesia secreta que paira no ar, escrita pelas asas invisíveis e aceleradas do beija-flor. Entre o verde vivo da floresta e as águas sutis de um rio sereno, ele surge como um relâmpago de cores incandescentes, ora esmeralda, ora sabedoria, flutuando diante de pétalas radiantes.
A sua dança é um tributo ao momento presente. Ao aproximar seu bico do coração das flores, o beija-flor cumpre um ritual sagrado de doçura. É o beijo suave que adoça a vida, transformando a gota de néctar em pura poesia viva. Não há pressa no seu toque, embora suas asas batam em uma velocidade imperceptível ao tempo humano.
Nesse
encontro efêmero entre a flor e o pássaro, o tempo parece congelar. O beijo
delicado suplanta o instante e vira eternidade. Fica na memória do ar o rastro
de sua presença, o mistério de ver o amor em forma de luz e movimento.
O beija-flor nos ensina que a beleza do mundo está no abraço sutil, naquele carinho breve que permanece para sempre.
©
Alberto Araújo

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