sexta-feira, 16 de outubro de 2026

O BEIJO QUE ADOÇA A VIDA

Certamente, existe uma poesia secreta que paira no ar, escrita pelas asas invisíveis e aceleradas do beija-flor. Entre o verde vivo da floresta e as águas sutis de um rio sereno, ele surge como um relâmpago de cores incandescentes, ora esmeralda, ora sabedoria, flutuando diante de pétalas radiantes. 

A sua dança é um tributo ao momento presente. Ao aproximar seu bico do coração das flores, o beija-flor cumpre um ritual sagrado de doçura. É o beijo suave que adoça a vida, transformando a gota de néctar em pura poesia viva. Não há pressa no seu toque, embora suas asas batam em uma velocidade imperceptível ao tempo humano.

Nesse encontro efêmero entre a flor e o pássaro, o tempo parece congelar. O beijo delicado suplanta o instante e vira eternidade. Fica na memória do ar o rastro de sua presença, o mistério de ver o amor em forma de luz e movimento.

O beija-flor nos ensina que a beleza do mundo está no abraço sutil, naquele carinho breve que permanece para sempre. 

© Alberto Araújo



Nenhum comentário:

Postar um comentário