Silêncios pesam como ferro.
Mas há palavras que cortam o ar,
que rasgam o óbvio
e devolvem o contorno exato à nossa humanidade.
Neste 31 de outubro,
consagramos o verso que respira.
Não como enfeite de estante,
mas como pulso vivo.
Para quem caminha na corda bamba da escrita,
escrever é recusar a banalidade do mundo.
É desatar o nó na garganta
e esculpir sentido no que passa rápido.
Um brinde aos que mantêm a escuta aberta.
E um chamado urgente a você,
que guarda um grito preso no peito
e olha para a página em branco com temor:
escreva.
O mundo precisa da sua voz exata,
sem disfarces.
Diga o nome do amor,
aponte a ferida,
mostre o espanto.
Enquanto houver alguém disposto a nomear o vento,
o ser humano terá onde morar.
© Alberto Araújo

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