quinta-feira, 5 de junho de 2025

03 - SONETO À ESSÊNCIA DO AMOR



Quando indagam o que é o Amor, e o buscam definir,

Com vãs palavras presas em um tolo enleio,

Eu lhes digo que Amor é um fogo a não ruir,

Que arde em alma forte, sem medo ou receio.

 

Não é flor que murcha ao sol, ou nuvem que se vai,

Mas rocha firme contra o mar da incerteza;

É porto seguro onde a esperança não esvai,

E a fé se faz eterna, em pura realeza.

 

É o toque que redime, o olhar que tudo entende,

A voz que acalma o pranto, o riso que contagia;

Se o Amor não for assim, em sua forma mais plena,

 

É o não-dito que o coração compreende,

A luz que dissipa a mais densa nostalgia.

Então a vida é sombra, e a alegria, pequena.

 

@ Alberto Araújo

05 de junho

 




 

O DESPERTAR DA QUINTA-FEIRA EM NITERÓI: UM BEIJO DO SENHOR NA CIDADE CARINHO


Hoje é quinta-feira, um dia para sentir a presença do Senhor em cada detalhe que Niterói nos oferece. Imagine um beijo suave e doce do beija-flor, espalhando o néctar do amor por toda a "Cidade Carinho", como a chama carinhosamente a nossa companheira Matilde Slaibi Conti alcançando cada coração com sua doçura.

Sinta também o abraço das marés silenciosas e doces, que trazem a calmaria do oceano e o cheiro inconfundível da maresia. As amendoeiras, com seus sorrisos genuínos, nos lembram da beleza e da simplicidade da vida. E que nosso coração pulse de amor e amizade por todos os niteroienses, formando uma nação gloriosa e unida. 

Que esta quinta-feira traga um aperto de mão de esperança e transformação, renovando nossas energias e nos impulsionando para um futuro melhor. E que as bênçãos do Cristo Redentor se derramem sobre todos, iluminando nossos caminhos e protegendo a belíssima Niterói. 

Feliz quinta-feira!

© Alberto Araújo




 

quarta-feira, 4 de junho de 2025

BOLETRAS: CONECTANDO A ACADEMIA FLUMINENSE DE LETRAS À SOCIEDADE - FOCUS PORTAL CULTURAL


O Boletras, o informativo da Academia Fluminense de Letras, em sua 42ª edição de maio, sob a presidência de Márcia Pessanha, com a valiosa colaboração da designer, editora Christiane Victer e o apoio irrestrito da diretoria da instituição, transcende a mera publicação para se consolidar como um pilar fundamental. Mais do que um boletim, o Boletras representa um elo vital entre a rica produção intelectual da Academia e a comunidade acadêmica e social.

Para a comunidade acadêmica, o Boletras é um espaço de visibilidade e difusão do conhecimento. Ele oferece uma plataforma para que os acadêmicos compartilhem suas pesquisas, ensaios, poesias e reflexões, fomentando o debate e o intercâmbio de ideias. É um registro da vitalidade intelectual da Academia, permitindo que a produção de seus membros alcance um público mais amplo, incentivando novas investigações e parcerias. Além disso, ao divulgar as atividades e eventos da instituição, o informativo fortalece o senso de pertencimento e a participação ativa dos acadêmicos.

Para a comunidade social, o Boletras cumpre um papel crucial na democratização do acesso à cultura e ao saber. Em um mundo cada vez mais pautado pela velocidade da informação, ter um veículo que apresenta de forma acessível e envolvente a produção literária e intelectual de Niterói e do estado do Rio de Janeiro é um tesouro. Ele aproxima a população da riqueza da língua portuguesa, da literatura e das artes, despertando o interesse e a curiosidade por temas relevantes. Ao promover a leitura e a reflexão, o Boletras contribui para a formação de cidadãos mais críticos, engajados e conscientes de seu patrimônio cultural.

O Editorial de Márcia Pessanha é um convite à reflexão sobre maio e seus encantos. O editorial intitulado "Tardes Quentes e Perfumadas", é um convite poético e erudito a mergulhar na riqueza de significados do mês de maio. De forma magistral, a autora tece uma tapeçaria de simbologias que conectam o passado e o presente, o profano e o sagrado, a natureza e a história. 

A autora inicia sua exploração remetendo-se às tradições do hemisfério norte, onde maio, por ser o primeiro mês mais quente e com a chegada das flores, tornou-se o mês das noivas. Essa contextualização histórica, com a menção à deusa romana Flora, já nos insere em um universo de renovação e celebração. 

Em seguida, o editorial aprofunda-se na etimologia do nome "maio", explorando suas raízes latinas e gregas, associando-o às deusas Maia e Bona Dea, que simbolizam a fertilidade e a nutrição. A referência a Ovídio e sua interpretação que liga maio aos "maiores" (anciãos) e junho aos "iuniores" (jovens) adiciona uma camada de sabedoria e tradição à narrativa. 

A devoção mariana, tão intrínseca ao mês de maio na tradição católica, é habilmente conectada às origens gregas, onde maio era dedicado à deusa Artemisa, novamente ressaltando a fertilidade e a renovação. Essa interligação entre o profano e o sagrado, as celebrações e as crenças, demonstra a amplitude da pesquisa e o refinamento do pensamento da presidente.

No contexto brasileiro, Márcia Pessanha destaca o aprofundamento do outono em maio, com suas paisagens douradas e clima ameno, simbolizando também renovação e transformação. A menção a datas históricas e sociais significativas, como a Lei Áurea, o Dia de Nossa Senhora de Fátima, o Dia das Mães e o Dia do Trabalho, enriquece a percepção do mês, mostrando sua multifacetada importância. 

O toque de delicadeza e poesia se intensifica com a referência ao "muguet" (lírio do vale), flor francesa que simboliza sorte e felicidade, e que, na linguagem das flores, representa o retorno da felicidade e da renovação. Essa imagem poética serve como ponte para a própria Academia Fluminense de Letras, que em maio também sentiu os "eflúvios positivos" com a posse de dois novos acadêmicos: Eurídice Hespanhol e Marcello Rollemberg, evidenciando a contínua renovação e crescimento da instituição. 

O editorial culmina com um convite à criação poética, inspirada pela beleza de maio, e um poema autoral, "Tardes de maio". Nele, Márcia Pessanha sintetiza a doçura, o aconchego e a beleza do mês, evocando a candura dos amores, o perfume das flores, a proteção materna e a atmosfera ideal para o encontro, tanto consigo mesmo quanto com o belo. Uma ode a maio que, com sua riqueza de informações históricas, culturais e mitológicas, aliada a uma sensibilidade poética ímpar, convida o leitor a uma reflexão profunda sobre o tempo, a natureza, as tradições e a própria vida. É uma abertura digna para um informativo que, como o Boletras, busca enriquecer o universo cultural de sua comunidade. 

Notícias do Boletras -  A Efervescência Cultural e Acadêmica em Niterói e no Rio de Janeiro 

As páginas do Boletras, edição de maio, revelam um mês de intensa movimentação e celebrações no cenário cultural e acadêmico de Niterói e do Rio de Janeiro. As informações destacam a posse de novos membros, a ascensão de figuras proeminentes da Academia Fluminense de Letras (AFL) a cargos de destaque em outras instituições e a participação ativa de seus acadêmicos em eventos relevantes. 

O mês de maio foi marcado por importantes cerimônias de posse, reforçando a vitalidade das academias de letras. No dia 24, a AFL deu as boas-vindas a dois novos acadêmicos titulares: A professora e pedagoga Eurídice Hespanhol Macedo Pessoa, que agora ocupa a Cadeira nº 39 da Classe de Letras. O jornalista e professor Marcello Chami Rollemberg, que assumiu a Cadeira nº 6 da Classe de Ciências Sociais.

Presença Marcante em Encontros Literários e Institucionais

Os acadêmicos da AFL demonstraram sua forte atuação em diversos outros eventos culturais e sociais. 

Em 10 de maio, a União dos Professores Públicos no Estado / Sindicato, sob a coordenação da Diretora de Cultura Leila Meceni, realizou seu Primeiro Encontro de Poetas na Casa do Professor, em Niterói. O evento reuniu diversas personalidades da cena cultural fluminense para recitais e apresentações musicais. Destaque para a presença da acadêmica Leda Mendes Jorge e a homenagem à acadêmica Alba Helena Corrêa, presidente da União Brasileira de Trovadores / Seção Niterói, por sua rica trajetória cultural e literária. 

Ainda em maio, no dia 12, o acadêmico Guto Mello assumiu a presidência da União Brasileira de Escritores (UBE) / Seção Estado do Rio de Janeiro, em solenidade na Sociedade Nacional de Agricultura, no Rio de Janeiro. O cargo foi transmitido pela ex-presidente Eurídice Hespanhol, que se tornaria acadêmica da AFL logo depois, assumindo a função de Diretora para Assuntos Internacionais na UBE/RJ. A presidente da AFL, Márcia Pessanha, e a acadêmica Matilde Slaibi Conti, que integra a nova diretoria da UBE/RJ como Diretora Jurídica, marcaram presença. O evento também incluiu os lançamentos dos livros O mistério dos domingos no trem fantasma, de Ângela Guerra, e Taça dos sabores, de Edir Meirelles.

No dia 28, a Academia Niteroiense de Letras (ANL) realizou sua cerimônia festiva no Bistrô Beira Mar, onde o acadêmico Nagib Slaibi Filho tomou posse na presidência. A relevância da AFL neste evento é notável, com sua presidente, Márcia Pessanha, integrando a nova diretoria da ANL como Vice-Presidente. A acadêmica Leda Mendes Jorge, que também preside a Associação Niteroiense de Escritores, assumiu o posto de 1ª Secretária. O evento contou com a saudação do presidente anterior da ANL, Paulo Roberto Cecchetti, uma exposição do desembargador André Fontes, da Academia Brasileira Rotária de Letras-Cidade do Rio de Janeiro, e uma apresentação musical do saxofonista Rafael Gomes. 

Finalizando o mês, em 29 de maio, a acadêmica Matilde Slaibi Conti teve seu gabinete oficialmente inaugurado na Seção de Niterói da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Atuando como Vice-Presidente e Procuradora da entidade, Matilde Slaibi Conti foi saudada pelo presidente da OAB-Niterói, Pedro Gomes, e por seu irmão, o acadêmico Nagib Slaibi Filho, presidente da Academia Niteroiense de Letras. O Pastor Carlos Henrique Gomes abençoou o novo espaço, que está localizado no 10º andar da sede da OAB, próximo ao Centro de Estudos José França Conti, em homenagem à memória do Professor José França Conti. A presidente da AFL, Márcia Pessanha, também prestigiou a solenidade, acompanhada de seu marido, Aldo Pessanha. 

Essas informações reforçam a intensa atividade dos membros da Academia Fluminense de Letras e a sua influência em diversas esferas culturais e sociais, não apenas em Niterói, mas em todo o estado do Rio de Janeiro.

AGRADECIMENTO ESPECIAL À PRESIDENTE MÁRCIA PESSANHA E AO BOLETRAS 

Gostaria de expressar minha sincera gratidão à Presidente da Academia Fluminense de Letras, Márcia Pessanha, por ter selecionado e publicado minhas fotos nas páginas do Boletras. É uma imensa alegria e uma grande felicidade ver meu trabalho fotográfico apreciado e compartilhado em um veículo tão significativo.

A valorização do meu trabalho por uma acadêmica de tamanha relevância no cenário literário e acadêmico de Niterói é motivo de grande orgulho. Esse reconhecimento me incentiva a continuar registrando momentos e perspectivas, contribuindo com a beleza e a cultura através das imagens.

Aproveito para reforçar que o Focus Portal Cultural, sob a direção do editor, jornalista e acadêmico Alberto Araújo, é um parceiro sempre disponível para colaborar em iniciativas que promovam a cultura e a arte. Acreditamos na força da união para ampliar o alcance e o impacto de projetos como o Boletras, que enriquecem nossa comunidade acadêmica e social. Mais uma vez, muito obrigado pela oportunidade e pelo espaço.

Por fim, a relevância do Boletras é inegável. Ele é a voz da Academia Fluminense de Letras, um veículo que não apenas informa, mas inspira, educa e conecta. Através de suas páginas, a instituição reafirma seu compromisso com a promoção da cultura, da educação e da excelência literária, deixando um legado duradouro para as futuras gerações.

MÁRCIA PESSANHA: UMA LÍDER VISIONÁRIA E INCANSÁVEL

Destacamos o empenho incansável da Presidente da Academia Fluminense de Letras, Márcia Pessanha, em seu papel de liderança e promoção da cultura. Sua dedicação é evidente e inspira a todos que acompanham as atividades da instituição. A presença constante da Presidente Márcia Pessanha em nossas páginas e em tantos eventos culturais não é apenas uma formalidade, mas um reflexo de seu profundo compromisso com a literatura, as artes e o desenvolvimento cultural de Niterói e do estado do Rio de Janeiro.

Márcia Pessanha não se limita a presidir; ela participa ativamente, impulsionando projetos, fortalecendo parcerias e, o mais importante, sendo uma ponte vital entre a Academia e a comunidade. Sua liderança é marcada pela visão de que a cultura deve ser acessível e vibrante, e ela trabalha incessantemente para que isso se concretize.

Seu entusiasmo contagiante e sua capacidade de articulação são notáveis. Vemos seu empenho em diversas frentes: seja na recepção de novos acadêmicos, na representação da AFL em outras importantes instituições, ou no apoio a iniciativas que promovem o intercâmbio de ideias e a valorização de talentos. É um exemplo de dedicação que revigora o ambiente cultural.

A visibilidade que a Presidente Márcia Pessanha dá aos eventos e às publicações, como o próprio Boletras, é fundamental para que o trabalho da Academia Fluminense de Letras alcance um público cada vez maior, cumprindo sua missão de difundir o conhecimento e a beleza das letras. Sua presença e trabalho são pilares que sustentam a vitalidade da instituição e a enriquecem.

Assim é, inquestionavelmente, uma das personalidades mais proeminentes e atuantes no cenário cultural e educacional do Rio de Janeiro. Sua dedicação incansável e sua capacidade de liderança se manifestam em uma série de posições de destaque que ocupa atualmente.

Como Presidente da Academia Fluminense de Letras, Márcia Pessanha tem impulsionado a valorização da literatura e das artes. Sua influência se estende por todo o estado, sendo também a Presidente da FALERJ – Federação das Academias de Letras do Estado do Rio de Janeiro. Além disso, sua expertise é reconhecida em outras importantes instituições: ela é Vice-presidente da Academia Niteroiense de Letras.

No âmbito internacional, Márcia Pessanha desempenha papéis cruciais como Governadora do Distrito 8 do Elos Internacional e Secretária-geral do Elos Internacional, conectando o trabalho cultural e social a uma rede global.

Sua voz também ecoa no cenário nacional, onde atua como Segunda Secretária do Fórum Brasileiro das Academias Estaduais de Letras (FAEL), vinculado à prestigiada Academia Brasileira de Letras.

O seu compromisso com a educação e a governança local se reflete em sua atuação como Conselheira do Conselho Municipal de Educação de Niterói e também do Conselho Universitário da UFF (CUV).

A multiplicidade de cargos e seu desempenho exemplar em cada um deles consolidam Márcia Pessanha como uma líder visionária, cujo trabalho e empenho são fundamentais para o enriquecimento cultural e acadêmico de Niterói e do Brasil.

Editorial

Alberto Araújo

Focus Portal Cultural












CANÇÃO PARA MINHA FLOR DA NOITE, EM ICARAÍ POEMA DE ALBERTO ARAÚJO


Minha Flor da Noite, que bom você ter chegado,

Trazendo consigo o suave murmúrio do mar,

Como quem desliza em segredo na areia

E vem sussurrar às amendoeiras

Palavras que só os corações atentos podem escutar.

Você canta, e sua voz é vento,

Vento de noite mansa, que dança nas varandas,

Que embala redes e acende lembranças

Nos olhos dos que amam este canto de mundo.

É festa quando você vem,

Festa nas ruas, no cheiro de maresia,

No riso das crianças correndo descalças,

No tilintar de copos sob a luz das estrelas.

Ah, minha flor!

Você chega e Icaraí se ilumina,

Se veste de azul e prata

Como quem se prepara para o abraço

De um amor que nunca se cansa de voltar.

Sim, esta noite é nossa.

É de quem sente, é de quem fica,

É de quem chama por você,

Flor da Noite,

Rainha serena de Icaraí.

 

© Alberto Araújo 






 

O SILÊNCIO DAS PEDRAS: A JORNADA FINAL DA TECELÃ DO TEMPO PROSA DE ALBERTO ARAÚJO – HOMENAGEM A NIÈDE GUIDON (IN MEMORIAM)

04 de junho de 2025. Há vozes que se calam, mas seu eco se eterniza. Na poeira dourada do tempo, onde os ventos da história sussurram segredos antigos, Niède Guidon ergueu-se como a guardiã das memórias mais remotas. Com mãos que pareciam sentir o calor de eras esquecidas, ela recolheu os últimos fragmentos do homem pré-histórico no Brasil. Cada lasca de pedra, cada traço de tinta nas grutas, cada vestígio fossilizado era um verso em um poema milenar, e Niède, a poeta incansável, soube ler e reescrever essa epopeia em um mundo que teimava em não ouvir. 

Ela não apenas escavou; ela ouviu. Ouviu o clamor de vidas que se foram há dezenas de milhares de anos, de culturas que floresceram sob um sol primordial. Sua insistência, muitas vezes solitária, em afirmar a presença humana no continente americano em tempos imemoriais, não foi teimosia, mas a convicção de quem via o invisível, de quem sentia o pulso de um passado que a muitos parecia impossível. Com ela, a Serra da Capivara deixou de ser apenas um lugar geográfico para se tornar um santuário de revelações, um espelho que nos devolve a imagem de nossos ancestrais mais distantes. 

E agora, que a tecelã do tempo partiu, o chão do Piauí parece chorar a ausência de seus passos. Mas sua partida não é um fim, e sim a continuidade de um ciclo cósmico. Niède não se vai; ela se dilui na eternidade, fundindo-se com as próprias pedras que desvendou, com a areia que pacientemente peneirou, com o ar que respirou nas grutas sagradas. Sua mente, antes debruçada sobre enigmas terrenos, agora se lança aos mistérios do universo, carregando consigo a sabedoria de milênios. 

O legado de Niède Guidon é mais que ciência; é poesia, é a celebração da persistência, da curiosidade e do amor por uma terra que ela ensinou a olhar com outros olhos. Que sua jornada para a eternidade seja tão grandiosa quanto a história que ela nos ajudou a reescrever. O silêncio que agora a envolve é apenas o véu para uma nova forma de existência, onde a arqueóloga se torna, ela mesma, parte inseparável da história que tanto amou. 

© Alberto Araújo 



 

MORRE NIÉDE GUIDON, A TECELÃ DO TEMPO QUE REUNIU OS FRAGMENTOS DO HOMEM PRÉ-HISTÓRICO NO BRASIL


Na madrugada de quarta-feira 4 de junho de 2025, silenciou-se a voz de Niéde Guidon, aos 92 anos, mas o eco de suas descobertas ressoa mais forte do que nunca. Ela não foi apenas uma arqueóloga; foi uma verdadeira tecelã do tempo, que, com paciência e perspicácia, costurou os fragmentos de um passado longínquo, revelando a complexa tapeçaria da presença humana nas Américas. 

Seu santuário de trabalho, o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, tornou-se o palco de uma revolução. Enquanto a ciência global ainda hesitaria, Niéde, munida de evidências inquestionáveis, defendeu a ousada tese de que o homem pisara em solo americano há mais de 50 mil anos. Essa premissa, que à época parecia herética, não apenas chacoalhou o status quo acadêmico, como também cravou o Brasil no coração do debate sobre a pré-história do continente, reescrevendo capítulos que se julgavam fechados. 

Mas Niéde era mais que uma pesquisadora solitária em meio às rochas. Sua paixão pela ciência era intrínseca à sua defesa inabalável do patrimônio cultural e natural. Foi ela quem ergueu o Museu do Homem Americano, transformando uma região esquecida em um dos mais vibrantes sítios arqueológicos do planeta. Sua jornada foi uma saga de luta contra o esquecimento e o descaso estatal, uma batalha travada, lado a lado com sua equipe, pela preservação de um legado que se tornou um farol para o nosso entendimento sobre nós mesmos. 

A persistência e a visão generosa de Niéde, que enxergava a ciência como um instrumento de transformação social, são o verdadeiro testemunho de sua grandeza. Milhares de vidas foram tocadas, desde estudantes e pesquisadores até os moradores locais, que viram a Serra da Capivara emergir como um símbolo vivo do nosso passado mais remoto e da capacidade humana de desvendar mistérios. 

O adeus a Niéde Guidon não marca o fim de uma era, mas a consolidação de um legado imensurável para a ciência, a cultura e a história do Brasil. Seu nome está agora indelevelmente gravado não só nas pedras que ajudou a desvendar, mas na própria alma de uma nação que, por meio de seu trabalho, aprendeu a valorizar a profundidade de suas raízes e a força de seus cientistas. 

NIÈDE GUIDON: A GUARDIÃ DOS SEGREDOS PRÉ-HISTÓRICOS DO BRASIL 

Niède Guidon  nasceu em Jaú, 12 de março de 1933 e faleceu em São Raimundo Nonato, 4 de junho de 2025 foi muito mais que uma arqueóloga; ela foi uma força da natureza, uma pesquisadora incansável e professora universitária cuja vida foi dedicada a desvendar os mistérios do passado mais remoto do Brasil. Membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Academia Piauiense de Letras, e agraciada com a Ordem Nacional do Mérito Científico, Niède era mundialmente reconhecida por suas contribuições monumentais. 

Filha de Ernesto Francesco Guidon, com raízes na região do Piemonte e Vale de Aosta, na Itália, e Cândida Viana de Oliveira, de ascendência luso-brasileira, Niède Guidon teve uma formação acadêmica de peso. Graduou-se em História pela Universidade de São Paulo (USP) em 1959 e aprofundou-se em Arqueologia Pré-histórica, com foco em arte rupestre, na renomada Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne. Lá, obteve seu doutorado em Pré-história em 1975, com uma tese seminal sobre as pinturas rupestres de Várzea Grande, no Piauí, orientada pelo lendário André Leroi-Gourhan.

Foi em 1963 que a notícia de São Raimundo Nonato e do futuro Parque Nacional da Serra da Capivara chegou aos seus ouvidos, um divisor de águas em sua vida. Enquanto trabalhava no Museu Paulista da USP, durante uma exposição de pinturas rupestres de Lagoa Santa, o prefeito de Petrolina lhe relatou a existência de arte rupestre semelhante no Piauí. Esse convite ao desconhecido a levaria a um caminho que mudaria para sempre a compreensão da pré-história das Américas. 

Niède Guidon ficou eternizada por sua ousada e fundamentada hipótese sobre o povoamento das Américas, que desafiou consensos estabelecidos e colocou o Brasil no centro do debate científico global. Além disso, sua luta incansável pela preservação do Parque Nacional Serra da Capivara demonstra seu compromisso não apenas com a ciência, mas com o patrimônio cultural e natural do Brasil. 

© Alberto Araújo

 















CRÉDITOS DA FOTOS
Todas extraídas de site na internet


NIÈDE GUIDON RECEBE DOUTORA HONORIS CAUSA DA UFPI POR CONTRIBUIÇÕES ARQUEOLÓGICAS INOVADORAS


Nesta quarta-feira, 10 de julho de 2024, a renomada arqueóloga franco-brasileira Niède Guidon foi agraciada com o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). A honraria, a mais alta concedida pela instituição, reconhece seus mais de 50 anos de dedicação às pesquisas arqueológicas na Serra da Capivara, localizada no Sul do Piauí. A cerimônia ocorreu em sua residência, em São Raimundo Nonato, e celebrou a trajetória de uma pesquisadora que, aos 91 anos, transformou a compreensão da pré-história americana.

Niède Guidon é a mente por trás de uma das mais importantes descobertas arqueológicas do continente, revelando desenhos rupestres datados de quase 30 mil anos. As escavações iniciadas por ela em 1973 não apenas trouxeram à luz um tesouro de arte pré-histórica, mas também desafiaram as teorias existentes sobre a chegada do homem à América. Suas descobertas sugerem que a ocupação humana no continente ocorreu muito antes do que se imaginava, abrindo novas perspectivas para a pesquisa científica.

A concessão do título de Doutor Honoris Causa é um reconhecimento da UFPI a indivíduos que prestaram contribuições públicas significativas à universidade. A proposta foi minuciosamente avaliada e aprovada pelo Conselho Universitário, destacando a integridade, o comportamento exemplar e o compromisso de Niède Guidon com o ensino superior, a cultura e a paz mundial. A homenagem é um tributo à sua perseverança, à sua visão inovadora e ao impacto duradouro de seu trabalho na ciência e na sociedade.

© Alberto Araújo 




 

ECOS DE UM SABER PLURAL SONETO DE ALBERTO ARAÚJO - HOMENAGEM A LUCIA ROMEU


Na tela da vida, um vulto a brilhar,

Lucia Romeu, com saber que encanta.

Da UFF, a literatura faz cantar,

Em versos e prosas, a alma levanta.

 

Com mestrado em língua e doce engenho,

Niterói lhe deu berço, luz e paz.

Escritora e poetisa, a cada empenho,

Treze livros a mente ela desfaz.

 

Na Academia Fluminense, um lugar,

Cadeira dez, com honra a ocupar.

No bronze e acrílico, a forma ela faz,

 

No violino, a melodia se traz.

Comunhão santa, a fé a guiar,

Lucia Romeu, um dom a nos brindar.

 

© Alberto Araújo

 

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UMA BREVE BIOGRAFIA DE LUCIA ROMEU

Lucia Romeu é uma intelectual notável no cenário cultural e acadêmico, combinando com mestria a sensibilidade de escritora com a profundidade de uma acadêmica. Sua trajetória é marcada por uma incessante busca pela verdade e pela justiça, deixando uma impressão significativa em diversas áreas do conhecimento. 

Com uma sólida formação acadêmica e estudos aprofundados em diversas disciplinas, Lucia Romeu desenvolveu uma capacidade ímpar de analisar criticamente a sociedade e produzir obras de grande relevância. Seus escritos abordam temas complexos e atuais, como a luta por direitos humanos, a memória histórica e a construção de identidades.

Além de sua produção intelectual, Lucia Romeu é uma ativista engajada em causas sociais, contribuindo ativamente para a conscientização sobre questões importantes e promovendo mudanças positivas na sociedade. 

Lucia Romeu é um nome proeminente no campo da literatura, especialmente como docente de Literatura Norte-Americana na Universidade Federal Fluminense (UFF). Sua carreira foi dedicada a aprofundar o conhecimento de seus alunos sobre a rica e diversificada produção literária dos Estados Unidos. 

Na UFF, a professora Lucia Romeu desempenhou um papel fundamental na formação de novos leitores e críticos literários. Suas aulas exploraram uma vasta gama de autores e obras, desde os clássicos da literatura americana até autores contemporâneos. Por meio de suas aulas, seminários e projetos de pesquisa, ela estimulou seus alunos a desenvolverem um olhar crítico e aprofundado sobre a cultura e a sociedade norte-americanas, refletidas nas obras literárias.

Nascida em Niterói, RJ, Lucia Romeu possui um currículo diversificado. Além de sua atuação como Professora de Literatura Norte-Americana da UFF, ela possui mestrado em Língua Inglesa e aperfeiçoamento nos Estados Unidos. É uma reconhecida poetisa e escritora, com 13 livros publicados, e também uma talentosa escultora, com trabalhos em bronze, acrílico e terracota. 

Lucia Romeu é Membro da Academia Fluminense de Letras, ocupando atualmente a Cadeira 10, que teve como fundadores e ocupantes anteriores Epaminondas de Carvalho, Paulino Neto, José Antônio Soares de Souza e Hilton Massa. Sua paixão pela arte se estende à música, sendo 2ª Violinista na Orquestra de Câmara de Niterói. Além disso, demonstra seu engajamento comunitário como Ministra Extraordinária da Sagrada Comunhão na Paróquia Porciúncula de Sant'Ana, em Niterói. 

©Alberto Araújo

 


 

QUARTA-FEIRA DE FÉ, LUZ E MAR EM ICARAÍ

 

Que a quarta-feira nos recantos Icaraienses traga a luz que emana do mar e inunde a todos. Que o beijo do beija-flor seja o suave limiar para o néctar da vida, adoçando cada instante. Que as amendoeiras, em seus vibrantes tons de verde, pintem a esperança em nossos olhos e nos lábios do povo de Fé. Que Nossa Senhora da Boa Viagem, a Rainha da Baía da Guanabara rogai por todos nós que labutam em prol de uma humanidade feliz, adornado com flores e amores a beleza que nos cerca. 

A Ilha da Boa Viagem, em Niterói, é um verdadeiro tesouro histórico e cultural, com raízes profundas que remontam aos tempos coloniais. Sua história está intrinsecamente ligada à fé e às tradições marítimas portuguesas, que atravessaram o Atlântico e floresceram em terras brasileiras.

362 anos de legado de Fé e Devoção 

Desde 1663, a ilha abrigava uma singela capelinha dedicada a Nossa Senhora da Boa Viagem. Este local sagrado era um ponto de referência e esperança para os marinheiros que entravam ou saíam da Baía de Guanabara. Assim como seus antepassados portugueses oravam à Virgem ao deixar o Tejo, as tripulações das naus que singravam as águas da baía faziam uma breve pausa diante da ilha para reverenciar sua padroeira, buscando proteção e uma jornada segura. A igreja, um dos mais antigos vestígios coloniais de Niterói, ainda preserva suas escadarias originais de granito, testemunhas silenciosas de séculos de devoção.

Ao longo dos anos, a Ilha da Boa Viagem passou por diversas transformações. Em 1840, serviu como lazareto, um local de quarentena para navios e tripulações, financiado por contribuições mercantis. Posteriormente, abrigou a Escola de Aprendizes Marinheiros, preparando novas gerações para a vida no mar.

A imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem, que havia sido transferida da Igreja da Lapa dos Mercadores no Rio de Janeiro para a ilha, teve seu próprio périplo. Após a extinção da Associação Protetora dos Homens do Mar em 1918, a imagem foi recolhida ao Hospital Central da Marinha. Contudo, em 1934, em uma memorável procissão marítima, a Virgem retornou triunfante à sua capelinha restaurada, consolidando seu lugar de destaque na história da ilha. 

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Marinha do Brasil construiu estruturas na ilha para fortalecer a defesa do porto, mas após o conflito, as instalações foram cedidas aos Escoteiros do Mar. Atualmente, a Ilha da Boa Viagem é sede do Grupo Regional dos Escoteiros do Mar e das Bandeirantes, que de certa forma, são os guardiões desse patrimônio histórico e natural. Além da devoção a Nossa Senhora da Boa Viagem, a capelinha também venera Nossa Senhora das Necessidades. A manutenção da igreja é um trabalho dedicado, realizado há cerca de 20 anos pela esposa do Almirante Benjamin Sodré, que fundou o Apostolado de Nossa Senhora da Boa Viagem.

A ilha, que há muito deixou de ser uma ilha para se tornar uma península, oferece uma vista deslumbrante de toda a Baía de Guanabara, especialmente a partir da Praia de Icaraí. Com seu forte abandonado e sua capelinha histórica, a Ilha da Boa Viagem possui um vasto potencial para se consolidar como um importante polo turístico, combinando beleza natural, história e fé em um único local. 

A Ilha da Boa Viagem, um ícone histórico e turístico de Niterói, foi reformada e reaberta ao público em setembro de 2023, após um ano e meio de obras. O local, que inclui a Capela de Nossa Senhora da Boa Viagem, um fortim e o casarão conhecido como "castelo", passou por um processo de restauração para recuperar sua infraestrutura e edificações históricas, segundo a Prefeitura Municipal de Niterói. 

A Capela de Nossa Senhora da Boa Viagem, na Ilha da Boa Viagem em Niterói, passou por um processo de restauração e revitalização. As obras, que envolveram a recuperação do castelo, do fortim e da própria capela, foram concluídas e a ilha foi reaberta ao público. 

© Alberto Araújo