quinta-feira, 7 de maio de 2015

SESSÃO ESPECIAL - EDIÇÃO DEDICADA AO GRANDE ESCRITOR E FOTÓGRAFO LUÍS ANTÔNIO PIMENTEL - IN MEMORIAN. CONFIRA.


Luís Antônio Pimentel aos 101 anos,
Local: Praça Getúlio Vargas - Icaraí  -
Escritores ao Ar Livro - maio de 2013.



Luís Antônio Pimentel foi uma das pessoas mais encantadoras que eu já conheci. Não apenas por ser um escritor e poeta marcante. Mas  por ser, na essência, um  homem de extraordinárias virtudes.

Apreciava-lhe  a cativante  maneira amigável de conviver,  o  enorme coração dadivoso sempre pronto  a  acolher amigos e quem o procurasse.  Assim que eu cheguei a Niterói, logo recebi de Pimentel  o generoso apoio necessário. Com o passar do  tempo, nossos encontros  se transformaram numa fraterna amizade de propósitos e de coração. Ele sempre tinha um caso engraçado  para contar, um verso, um haicai para recitar, uma lembrança do Japão para rememorar. E alegre, espirituoso, lançava sorrisos e  não se queixava das dores da vida.

Aprendi a  admirá-lo e respeitá-lo em sua complexidade e diversidade intelectual.  Pimentel vivia em prol da cultura e do intercâmbio social.  Dotado de caráter fidedigno, foi um marco relevante da cidade.  Deixará, sem dúvida, muitas saudades. Eu,  que o conheci faz pouco tempo, sentirei a falta de jeitinho ameno, da sua conversa, dos seus poemas sempre prontos a serem recitados. Imagino só os que com ele sempre conviveram durante anos seguidos.

Parte em paz,  caro Pimentel!  Aqui ficam  nosso carinho e amizade, a tua lembrança, sempre!

O Parnaso dos poetas  gregos e o Céu  dos cristãos já o acolheram com o coração aberto. Certamente do  mesmo jeito  que tu fizeste comigo,  ao chegar do Nordeste à terra de Niterói.



Alberto Araújo.
editor







Como forma de homenagear o nosso querido amigo e escritor Luís Antônio Pimentel, que nos deixou recentemente ao Parnaso (06) de maio. Esta revista eletrônica resolveu republicar na SESSÃO ESPECIAL o texto “PIMENTEL: O ARCONTE DA MEMÓRIA FLUMINENSE”, de autoria da escritora e doutora em Literatura Comparada Dalma Nascimento, o referido escrito está publicado no livro literato Memórias em Jornais, Tempo Brasileiro – RJ, páginas 39-40.

Um erudito texto que para nós que fazemos parte da cultura e da educação, torna-se-a um registro histórico e servirá para recorrermos a ele quando precisarmos fazer alguma consulta sobre o Pimentel. Confira.


PIMENTEL: O ARCONTE DA MEMÓRIA FLUMINENSE*
                                      
Luís Antônio Pimentel, escritor fluminense, desmente a etimologia da palavra “aposentado”, aquele que “fica no aposento”, recluso do mundo. Nunca se acomodou na cadeira de balanço, de chinelos e pijama, a olhar pela janela, igual à Carolina da música, nem fica vendo a banda passar. Sorrindo à vida no alto de seus noventa anos, está continuamente aberto à beleza do amor, aos signos modernos e jamais abandona a sua máquina fotográfica Nikon, ou o seu pequeno gravador, aliado à eterna inspiração de versejar. E muito bem!

Com seu lúcido olhar de Poeta dos maiores tons em muitos livros de vários temas e estilos publicados, Pimentel integrou-se à paisagem cultural de Niterói. Sempre no fluxo dos acontecimentos memoráveis lá está ele, capturando, com as lentes da sua objetiva, flashes do cotidiano, e relatando episódios verídicos e pitorescos “causos”, a que não faltam a fantasia criadora e o conhecimento linguístico  armazenado em sua longa e frutífera existência.

Jornalista, membro do Instituto Histórico e de várias Academias de Letras, estudioso de provérbios populares e dos topônimos tupis, dos quais fez até um dicionário, ele é também biógrafo de pessoas e lugares em sua coluna semanal de A Tribuna. Niterói. Porém, um dos títulos talvez de que mais ele se orgulhe é o de ser Membro do Calçadão da Cultura do Grupo Mônaco, do Carlos Mônaco da Livraria, além de possuir a carteira nº 1 da Sociedade Fluminense de Fotografia.

Tendo vivido muito tempo no Japão, trabalhou na rádio de Tóquio e publicou, em 1940, o primeiro livro de um poeta brasileiro no idioma nipônico. Com saberes, tão múltiplos e profundos, é verbete da Enciclopédia Delta-Larousse. Colecionador de lembranças, revela  em livros, artigos, fotos e entrevistas até na televisão, a memória nacional e do Estado do Rio de Janeiro. Quem quiser saber algo do passado, logo procura o grande mestre Pimentel.

Por ser dono deste dom, Pimentel lembra um Arconte, aquele dignitário da antiga Grécia, respeitado pela comunidade, preservador e intérprete dos documentos e das leis da pólis. Arconte tem a mesma raiz de “arqueologia”, de “arquivo”, de “arcano” e de “arqueiro”. De fato, Luís Antônio Pimentel, o verdadeiro Arconte de Niterói, é o arquivo vivo da cidade.

Na efervescência das coisas, lá está ele na arkhé, ou seja, nos fundamentos dos fatos, para reconstituir os laços esfiapados da memória coletiva. Submerge nos arcanos da tradição e de lá retorna iluminado. E, com a mestria de um arqueiro, o Arconte Pimentel  lança o arco da aliança do passado cultural às gerações futuras.






*Texto de autoria da escritora e doutora Dalma Nascimento. Publicado em O Correio, edição “Aposentadoria, em 15 de setembro de 2002, na qual o Poeta-Arconte Luís Antônio Pimentel figurou na capa do jornal, com sua máquina Nikon e seu sorriso, sempre jovem e brejeiro, clicando certamente uma cena cultural de Niterói. Este texto foi republicado e distribuído na festa comemorativa dos 90 anos do emérito poeta.

Igualmente  foi  reproduzido no Blog Literatura-Vivência, do filósofo e professor Roberto Kahlmeyer-Mertens em edição de janeiro de 2012, quando grandes homenagens já estavam sendo tributadas aos 100 anos do Arconte da nossa Polis.

Agora, o Focus Portal Cultural o reproduz em homenagem ao poeta Luís Antônio Pimentel na Sessão Especial  desta revista eletrônica, na data de seu falecimento em 06 de maio de 2015.





Para ciência dos foculistas. Este Portal abriu o espaço especialmente para o poeta e fotógrafo que nos deixou há pouco  e partiu rumo ao Parnaso.

Sendo Luís Antônio Pimentel, o mestre dos haicaístas,  o  Focus Portal Cultural pediu à professora  Dalma Nascimento uma definição do haicai. Ela respondeu:

Dalma: Há anos, fiz o prefácio do livro de haicais (ou haikais)  da  escritora Olga Savary, intitulado  Retratos.  Permita-me que eu transcreva apenas o primeiro parágrafo lá impresso, onde defino, o haicai a meu jeito:

"Na estética miniatural do haicai, Olga Savary monta Retratos, fragmentos de existência literária  "sombra-iluminando instantes do ser,  em pureza radical.

Haicais são gotas de vida a abrigarem o mundo. Sumo de imagens em esvoaçantes flashes. Jorros da fonte divina se fazendo em canto".  Acredito que defini conforme eu penso.





Focus Portal Cultural- Prossiga.

Dalma- O texto é longo, possui várias páginas onde comento a floração "haicaística"  de Olga Savary.

Eis a indicação para quem quiser adquiri-lo: NASCIMENTO,  Dalma. "Olga Savary: na ancestralidade da memória do haikai'. In:Retratos, 17 haikais. São Paulo: Massao Ohno Editor, 1989.




Recentemente, Mauro Carreiro Nolasco, o editor do Parthenon, publicou um excelente livro com  muitos haikais do Pimentel.  Foi um trabalho seletivo, auxiliado por a Graça Porto. A orelha foi escrita pela artista plástica Verônica Debellian Acetta.                                              



Capa

Contracapa



TEXTO DA ORELHA:



Pimentel pode ser chamado de “globe-trotter”.

Como jornalista, absorveu impressões do mundo e construiu uma memória crítica sobre cada povo com que conviveu. Aprendeu suas línguas e costumes, andou como eles, comeu suas comidas e 'sugou' suas culturas.

Essa Babel de conhecimento apurou-lhe o olhar. Como fotógrafo registrou o que outros não viam: a vida passando em rostos e lugares. Ilustrou com poesias e textos as vivências de diferentes pessoas por diversos lugares onde andou.

Ainda bem que um dia pousou em Niterói, com sua mente arrebatada, e aqui se deixou ficar, dando-nos a honra de ser nosso longevo guardião da história, personagens e fatos; de mudanças, coloridos e rimas.

Em seu compasso, nas suas crônicas, nos sentimos mais vivos e partilhamos sua energia.

Resquícios da cultura japonesa, com que conviveu, aliados à mestria com que sintetiza emoções, resultam haicais – uma parte deles neste livro. Com Pimentel, viajamos por intrincados mundos, por sentimentos que só ele decodifica.

Nessa linguagem desenhada, versos são grafismos nas paredes de uma folha branca. São a prova de que Pimentel preenche as folhas de sua vida com o belo e a emoção de cada dia, a cada linha que compõe.

Veronica Debellian Accetta.



PREFÁCIO I


Quando Mauro Carreiro Nolasco, do Parthenon Centro de Arte e Cultura, me convidou para organizar um livro de bolso com haicais do nosso querido Luís Antônio Pimentel, senti o peso da responsabilidade e, ao mesmo tempo, grande honra ao prestar esta homenagem a meu grande mestre.

Como Pimentel sempre diz: “Haicai é uma pequena poesia de origem japonesa, composta de três linhas com 5-7-5 sílabas cada”.

Organizei o livro por temas: Homenagem  a Niterói, Praias de Niterói, Haicais de A – Z, Cidades do Estado do Rio de Janeiro, Mulheres Bíblicas e Haicais diversos, totalizando 176 haicais dos tantos escritos por Pimentel. 

Encontrei algumas frases soltas e selecionei oito delas. Nesta edição também achei interessante inserir três poemas inéditos, apresentados na seção intitulada “Sem a tua companhia”.

Ao adentrar o universo poético de Pimentel, podemos perceber que, ao morar no Japão e conhecer o haicai, apaixonado, ele começa a brincar com afinação, harmonia e perspicácia.

Agradeço a esse homem maravilhoso que dedicou sua vida a nossa cidade. Pimentel teceu e revelou o seu amor por Niterói e pelo Japão. Com paciência e dedicação, ensinou futuros jornalistas, educadores, pesquisadores e escritores, a arte do haicai.

Hoje, aos 103 anos, Pimentel recita seus haicais com vivacidade.

Viva, Pimentel! Viva!

Graça Porto



PREFÁCIO II



Tal como Pimentel, cheguei a Niterói, proveniente do norte fluminense, e também com dois anos de idade.

Uma das diferenças entre nós é que não sei se atingirei os 103 anos que, no momento, ele já tem!

Apesar de não empatarmos no tempo, temos o mesmo carinho pela cidade que adotamos como nossa.

Se existe alguma dívida da cidade, com certeza, é com Pimentel, que lhe deu memória e consistência ao seu passado, que esmiuçou sua história, fazendo-a chegar a todos. É um fenômeno “pop” que atravessa gerações, sempre atualizado com a leveza dos jovens, talvez pela convivência com eles, na qualidade de professor.

O Parthenon contribui para a perenidade do ser humano Pimentel, e da obra que ele próprio é, colaborando com a coordenação e a produção deste pequeno livro – pequeno como são os haicais, palavras geometrizadas num mosaico literário. São texturas invisíveis que levam o imaginário a paragens e sentimentos diversos.

Leio e escuto os haicais como se fossem arautos do porvir, ainda tão distante. Dos meus olhos brotam figuras ritmadas, que em meus ouvidos soam como música. Dissonante e velada, a linguagem não tem início nem fim, mas um retinir de ideias se desencadeia a cada poema.

É sublime conviver com um ser capaz de por a alma em linhas que se cruzam, formatando a vida em palavras. E como é rico ler os haicais de Pimentel!

É gratificante poder editá-los e eternizá-los neste trabalho, organizado por ocasião de seus 103 anos de vida plena.

Mauro Carreiro Nolasco.


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Um registro muito importante para futuras gerações pesquisadoras. O lançamento desse livro do Pimentel foi a última aparição em público que ele fez. O último evento de que ele participou e que fez questão de autografar todos os livros para quem no lançamento compareceu. O evento aconteceu no Salão de Cultura da Editora Parthenon. Veja o convite abaixo:





Nesta quarta-feira, dia 15 de abril, será lançado o livro "Luís Antônio Pimentel em 176 haicais", organizado por Graça Porto. A obra reúne textos de um dos ícones do jornalismo e da literatura fluminense, o centenário Luís Antônio Pimentel.

O Haicai é um poema de origem japonesa, que chegou ao Brasil no início do século 20 e hoje conta com muitos praticantes e estudiosos brasileiros. No Japão, e na maioria dos países do mundo, é conhecido como haiku.

O lançamento irá acontecer no Parthenon, na Rua General Andrade Neves, 40, no Centro de Niterói, a partir das 16h. O evento é aberto ao público. Mais informações pelo telefone (21) 2722 2256.




CLICAR NA IMAGEM PARA ASSISTIR AO FILME
COM IMAGENS DO 101º ANIVERSÁRIO DO PIMENTEL.





OU CLICAR NO LINK DO YOU TUBE.




Alberto Araújo e Luís Antônio Pimentel.
Esta fotografia foi tirada na noite festiva 
do dia 09 de agosto de 2014.
 Solenidade em que eu Aberto Araújo, recebi a medalha
José Cândido de Carvalho na Câmara Municipal. 
Foi muito gratificante a presença do amigo Luís Pimentel.
Obrigado! mestre Pimentel,
 por ter compartilhado comigo,
esse momento especial em minha vida.






Luís Antônio Pimentel - poeta, escritor e fotógrafo.
29 de março de 1912
06 de maio de 2015.


Luís Antônio Pimentel tomou gosto pelo jornalismo ainda estudante, ao editar o jornal "O Calouro", da Escola Profissional Washington Luiz (atual ETE Henrique Lage), na qual foi trabalhar como professor depois de formado.

Em 1930, aos 18 anos, pisou pela primeira vez em uma redação profissional, como revisor no então recém-lançado Diário de Notícias. Ali conviveu, entre outros, com a poeta Cecília Meirelles e os ilustradores Álvaro (Álvarus) Cotrim, Fernando Correa Dias e Cornélio Penna, este último também romancista.

Incentivado pelos colegas, chegou a publicar alguns contos próprios no suplemento literário do DN e ingressou na Escola Nacional de Bellas Artes, onde teve aulas com Edgar Parreiras, sobrinho do paisagista Antônio Parreiras.

Em 1932, aceitou o convite para trabalhar na Gazeta Fluminense e no periódico veiculou suas primeiras caricaturas. No ano seguinte, publicou o livro de estreia, Ciranda, cirandinha, e passou a fazer parte da equipe do jornal A Nação.

Em 1934, promovido a repórter, transferiu-se para a Gazeta de Notícias, onde contribuiu com caricaturas, charges, contos e poesias no suplemento literário e assumiu a coluna ?DIZ QUE DIZ?, sobre os bastidores do rádio. Por conta da profissão, passou a frequentar os círculos musicais cariocas e acabou por compor músicas, depois gravadas por Carmem Miranda e Odete Amaral.


Preso pela polícia de Vargas


Membro da Juventude Comunista, em 1936 foi preso pela polícia política de Getúlio Vargas. Solto, conseguiu uma bolsa de estudos e, em 1937, viajou para o Japão, onde permaneceu até 1942.

Do outro lado do mundo, em plena guerra, trabalhou na Rádio de Tóquio em língua portuguesa e lançou o segundo livro, Namida no Kitô (Prece em lágrimas), de 1940, mesmo ano da edição de Contos do velho Nipon, sobre o folclore daquele país, publicado no Brasil.

De volta, ajudou a divulgar o haicai em terras tupiniquins e colaborou com os jornais Última Hora (sucursal Niterói), Praia Grande em Revista, Letras Fluminenses (coluna ?Folclore?), O Estado, Diário da Manhã, Correio Fluminense e Diário Fluminense, entre outros.

Diplomou-se em Jornalismo pela antiga Faculdade Nacional de Filosofia, em 1952, e ajudou a fundar a Sociedade Fluminense de Fotografia. Com diversos livros publicados, pertencia a várias academias literárias e era presidente de honra do Grupo Mônaco de Cultura.




APOIO CULTURAL








Um comentário:

Paulo Roberto Cecchetti - curador e poeta disse...

Bela homenagem, Confrade Alberto! Abç,

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