sábado, 7 de junho de 2025

A CELEBRAÇÃO DE PAUL GAUGUIN NO FOCUS PORTAL CULTURAL


EFEMÉRIDES: No dia 7 de junho, o mundo da Arte celebra os 177 anos do nascimento de um dos nomes mais revolucionários e instigantes do Pós-Impressionismo: Paul Gauguin. 

Hoje, 7 de junho, o Focus Portal Cultural tem a honra de destacar uma efeméride que ressoa profundamente nos corredores da história da arte. Nesta data, em 1848, nascia Eugène Henri Paul Gauguin, um artista que desafiou as convenções de seu tempo e nos presenteou com um universo de cores vibrantes, formas expressivas e uma profunda busca pela essência da vida.

Gauguin, personagem central do movimento pós-impressionista, foi um explorador incansável, não apenas de paisagens exóticas, mas também das profundezas da alma humana. Sua jornada o levou das ruas de Paris às ilhas distantes do Taiti, onde encontrou a inspiração para criar algumas de suas obras mais icônicas. Ele rompeu com a representação fiel da realidade em favor de uma visão mais subjetiva e simbólica, utilizando cores de forma audaciosa e sintetizando as formas para expressar emoções e ideias. 

Seu legado é um convite à reflexão sobre a arte como um espelho da interioridade e como uma ponte para o autoconhecimento. As obras de Gauguin continuam a cativar e a provocar, convidando-nos a mergulhar em mundos oníricos e a questionar os limites da percepção. 

Que esta efeméride inspire a todos a explorar a rica tapeçaria da arte e a apreciar a coragem daqueles que, como Gauguin, ousaram pintar seus próprios caminhos. 



PAUL GAUGUIN: O NAVEGADOR DAS CORES E DA ALMA HUMANA

Nascido em Paris, em 7 de junho de 1848, Eugène Henri Paul Gauguin emergiu de uma infância marcada por viagens e culturas diversas. Filho de um jornalista francês e de uma mãe de ascendência peruana (com laços com a realeza inca), sua primeira infância transcorreu no Peru, uma experiência que, sem dúvida, semeou as sementes de seu fascínio pelo exótico e pelo "primitivo". 

Apesar de um início de vida que o viu como marinheiro mercante e, posteriormente, um bem-sucedido corretor da bolsa de valores em Paris, o chamado da arte era inescapável. 

Em meio à efervescência artística de Montmartre, Gauguin começou a pintar em seu tempo livre, inicialmente como um diletante, colecionando obras impressionistas e admirando nomes como Pissarro e Degas. Contudo, a paixão logo o consumiu, e, com a coragem dos predestinados, abandonou sua vida burguesa, sua esposa e filhos, para dedicar-se inteiramente à pintura, mergulhando de cabeça em um mundo incerto, mas irresistível.

Gauguin era um espírito inquieto, sempre em busca de uma verdade mais profunda e de uma forma de expressão que transcendessem as convenções da época. Sua insatisfação com o Impressionismo, que ele via como muito superficial e preocupado com a mera representação da luz, o levou a explorar novos caminhos. Foi em sua passagem por Pont-Aven, na Bretanha, que ele e outros artistas desenvolveram o Sintetismo, um estilo caracterizado pela simplificação das formas, o uso de cores vibrantes e chapadas, e um forte apelo ao simbolismo e à emoção. Para Gauguin, a arte deveria ser uma "abstração" da natureza, um reflexo do estado de espírito do artista, e não uma mera cópia. 

Mas a verdadeira revolução de Gauguin, tanto em sua arte quanto em sua vida, ocorreu quando ele decidiu romper definitivamente com a civilização ocidental. Em 1891, partiu para o Taiti, em busca de um "paraíso primitivo" onde a vida era mais simples, as cores mais puras e as emoções mais genuínas. A ilha ofereceu-lhe um vasto repertório de temas: mulheres polinésias, paisagens exuberantes e uma cultura rica em mitos e rituais. Suas obras desse período, como "Mulheres do Taiti" (1891) e "De Onde Viemos? O Que Somos? Para Onde Vamos?" (1897-1898), são testamentos de sua busca por uma conexão primordial com a natureza e com o sagrado. As cores tornaram-se mais intensas, as formas mais estilizadas, e a atmosfera, permeada por um mistério e uma melancolia intrínsecos. 

Embora sua vida no Pacífico fosse muitas vezes marcada por dificuldades financeiras, doenças e uma profunda solidão, Gauguin persistiu em sua visão artística. Sua arte tornou-se uma celebração da vida, da sensualidade e da espiritualidade, mas também um grito contra a hipocrisia e a artificialidade da sociedade moderna. 

Paul Gauguin faleceu nas Ilhas Marquesas em 8 de maio de 1903, deixando para trás um legado imenso. Sua obra, inicialmente incompreendida, é hoje reconhecida como fundamental para o desenvolvimento da arte moderna, influenciando movimentos como o Fauvismo e o Expressionismo. 

Ele foi um visionário, um sonhador que ousou ir contra a corrente, provando que a verdadeira arte nasce não apenas da observação, mas da coragem de explorar os mais profundos cantos da alma humana. Sua vida e obra permanecem um convite a olhar além do óbvio, a abraçar a beleza em sua forma mais pura e a questionar os próprios limites da percepção. 

Gauguin, com sua ousadia e sua incessante busca por uma expressão autêntica, personifica o espírito de inovação que tanto valorizamos. Ele nos lembra que a arte é uma jornada de descoberta, um convite para olhar além do óbvio e encontrar beleza e significado nas mais diversas formas e culturas.

Que a história de artistas como Gauguin continue a inspirar nossa curiosidade e a enriquecer nossa compreensão sobre o vasto e fascinante universo da arte. O Focus Portal Cultural está aqui para guiá-lo nessa exploração, oferecendo sempre novas perspectivas e aprofundando seu conhecimento. 

© Alberto Araújo


 ALGUMAS OBRAS DE GAUGUIN 















05 - SONETO AO AMOR QUE PERMANECE - ALBERTO ARAÚJO


Não creiam que o Amor se mede em quinhão,

Pois ele não conhece a conta nem a idade;

É a força que sustenta o frágil coração,

E a fé que vence o medo e toda a falsidade.

 

Não é brisa de verão, nem fogo de palha,

Mas chama eterna acesa no peito mais profundo;

É porto onde a alma frágil nunca se atrapalha,

E encontra a paz que abraça em todo o vasto mundo.

 

É o riso compartilhado, a lágrima enxugada,

O silêncio que fala mais que a voz mais forte;

É a essência da vida, a promessa selada,

 

Que une dois destinos, desafiando a própria morte.

E se isto for engano, e o Amor for ilusão,

Então a vida é sombra, e o viver, em vão.

 

@ Alberto Araújo

07 de junho



 

SÁBADO EM ICARAÍ - O RITMO DA FELICIDADE EM NITERÓI

O sábado em Icaraí não é apenas um dia da semana; é um portal. É quando o bairro mais vibrante de Niterói, no Rio de Janeiro, se transforma em um palco de experiências, onde o sol beija a areia e a brisa convida ao desfrute. De manhã, a orla se enche de vida: corredores e ciclistas aproveitam o frescor, enquanto famílias iniciam seu ritual de lazer com crianças brincando e o cheiro do café invadindo as padarias locais.

À medida que o relógio avança, a energia se intensifica. As ruas internas pulsam com o movimento das lojas e dos charmosos cafés que transbordam para as calçadas, convidando a um mergulho no cotidiano niteroiense. É o dia ideal para encontrar amigos para um almoço descontraído, saboreando a diversidade gastronômica que vai do tradicional brasileiro a cozinhas internacionais, em um ambiente que equilibra a sofisticação com o acolhido local. 

Mas é no final da tarde que Icaraí revela sua magia mais intensa. O pôr do sol, visto da praia, é um espetáculo à parte, pintando o céu de tons alaranjados e rosados, com a silhueta do Cristo Redentor ao fundo, criando um cenário de tirar o fôlego. Os quiosques na orla começam a acender suas luzes, e o som de vozes animadas se mistura à música ambiente, criando uma atmosfera perfeita para o happy hour. 

Quando a noite chega, Icaraí se reinventa. Restaurantes ficam cheios, bares oferecem música ao vivo e as praças se tornam pontos de encontro para todas as idades. Seja para um jantar romântico, uma cerveja gelada com os amigos ou um passeio tranquilo sob a luz das estrelas, o bairro oferece opções para todos os gostos. O sábado em Icaraí é, portanto, uma celebração da vida, da comunidade e da beleza natural, um convite irrecusável para viver a cidade em sua plenitude. É a promessa de momentos inesquecíveis, onde cada esquina revela uma nova história e cada sorriso compartilhado reforça o charme singular deste pedaço especial de Niterói.

© Alberto Araújo 



 

sexta-feira, 6 de junho de 2025

JOÃO MARTINS TEIXEIRA - LEGADO DE UM SÁBIO E HUMANITÁRIO - HOMENAGEM DO FOCUS PORTAL CULTURAL


Nascido em 1858, na pacata São Pedro da Aldeia, João Martins Teixeira foi muito mais do que um médico, escritor e acadêmico. Sua vida, embora relativamente curta, ele faleceu em 1916, aos 58 anos, foi um testemunho de inteligência brilhante, dedicação incansável e, acima de tudo, uma inigualável benevolência. 

Da medicina à docência, da pesquisa na Europa à tribuna da política, Martins Teixeira soube navegar por diversos universos, sempre com o propósito de enriquecer o conhecimento e auxiliar o próximo e deixou um legado imaterial de bondade, sabedoria e integridade. 

João Martins Teixeira, nascido em 1858 em São Pedro da Aldeia, foi uma figura de notável intelecto e humanidade. Sua trajetória, embora encerrada prematuramente aos 58 anos em 1916, deixou um legado marcante. 

Desde cedo, Martins Teixeira revelou uma inteligência singular, concluindo o preparatório e doutorando-se em Medicina em 1872. Embora sua prática clínica tenha sido breve, com apenas quatro anos de duração, ele logo se dedicou à docência na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. No ambiente acadêmico, era mais que um professor: um mentor e amigo, sempre pronto a oferecer não só apoio espiritual, mas também auxílio material aos seus discípulos. 

Sua benevolência e profundo amor à humanidade eram, talvez, sua maior riqueza.

Com um gabarito excepcional, ele se destacou por sua notável capacidade de trabalho, o que lhe rendeu a confiança do Imperador. Foi incumbido de uma importante missão na Europa: adquirir os mais modernos equipamentos de física para aprimorar o ensino da disciplina na Corte. Essa oportunidade foi amplamente aproveitada pelo ilustre fluminense, que estabeleceu contato com grandes autoridades europeias, consolidando-se como um verdadeiro sábio. 

Ao retornar ao Rio de Janeiro, suas aulas alcançaram uma notoriedade sem precedentes, atraindo um público numeroso que, não raro, incluía o próprio Imperador, ávido por conhecimento. Martins Teixeira era reconhecido por sua postura comedida e equilibrada, o que o tornava uma voz sempre ouvida e respeitada. Na Congregação da Faculdade, sua capacidade de conciliação era fundamental para dirimir choques de opiniões. Ele era um orador eloquente, um professor sábio, e acima de tudo, um homem de sinceridade e franqueza. 

Sua eleição como Deputado Federal o levou a defender o professor Eduardo Chapot-Prevot no famoso caso das irmãs xifópagas, um gesto movido, principalmente, pela compaixão e apoiado por seu poder de persuasão. Em 1906, aos 58 anos, Martins Teixeira partiu, rodeado por aqueles que, a seu pedido, oravam por sua bondosa alma. Sua vida de bondade e sua vasta cultura lhe renderam o merecido lugar de Patrono na Academia Fluminense de Letras, ocupando a Cadeira de nº 30 na Classe de Letras, posteriormente assumida por Luiz Lamego. 

A NOTÁVEL HOMENAGEM PÓSTUMA E A ACADEMIA FLUMINENSE DE LETRAS 

A vida de João Martins Teixeira é um exemplo tocante de como o verdadeiro valor de um indivíduo transcende as posses materiais. Sua inteligência aguçada e sua notável capacidade de trabalho o levaram a posições de destaque, seja como professor renomado que cativava o próprio Imperador, seja como deputado federal que defendia os mais vulneráveis. 

No entanto, o que realmente definiu Martins Teixeira foi sua inabalável compaixão e seu amor à humanidade. Mesmo acumulando uma vasta cultura e realizando feitos significativos, ele viveu e morreu com simplicidade, dedicando sua vida a ajudar o próximo.

Por seus atos de bondade e pela vastidão de sua cultura e espírito, João Martins Teixeira foi merecidamente honrado com uma Cadeira como Patrono na Academia Fluminense de Letras. 

Essa significativa homenagem póstuma reconheceu o impacto duradouro de sua vida e obra. A Cadeira de número 30, da Classe de Letras, é um tributo perene à sua memória, posteriormente ocupada por Luiz Lamego.

É fundamental destacar que essa distinção foi impulsionada e celebrada pela então Presidente da Academia Fluminense de Letras, Albertina Fortuna Barros. Seu reconhecimento e empenho foram cruciais para que a memória de João Martins Teixeira fosse eternizada em uma das mais prestigiadas instituições literárias do Rio de Janeiro, garantindo que seu legado de sabedoria e humanidade continue a inspirar futuras gerações. 

João Martins Teixeira é avô paterno de nossa adorável companheira Wilma Martins Teixeira Coutinho, que recentemente, celebrou os 98 anos de vida.


Texto © Alberto Araújo

Focus Portal Cultural

Foto: Site da Academia Fluminense de Letras.



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Wilma Martins Teixeira Coutinho disse: Amigo! Bom dia! Fiquei imensamente sensibilizada com a linda  homenagem ao meu Avô , que infelizmente não cheguei a conhecer. O que mais me impressiona é que os anos passam e a Memória dele não é esquecida. Os valores de antigamente repercutem até hoje. Como é bom fazer história,  não passar por este mundo em " brancas nuvens ". Eu me orgulho de minha ascendência. Busco seguir na essência literária me inspirando  nas poesias que meu pai me deixou de herança.  Não tem o auto teor de sua inteligência,  mas a inspiração que brota de um de um coração cheio de amor pelo que é belo, um por de sol ou um céu de estrelas. Aí fala o coração . Wilma. 



 

 

 

 

 


 

INFORMATIVO DO ELOS INTERNACIONAL MATILDE SLAIBI CONTI NA SOLENIDADE DE ENTREGA DE CARTEIRAS DA OAB-NITERÓI

 

Matilde Carone Slaibi Conti -  Presidente do Elos Internacional
e Vice-presidente da OAB-Niterói

Niterói testemunhou um marco significativo para a advocacia na última sexta-feira, 06 de junho de 2025, com a solene entrega de carteiras a novos advogados, advogadas, estagiários e estagiárias de Direito pela OAB – Ordem dos Advogados do Brasil de Niterói. E o Elos Internacional teve um motivo especial para celebrar: a presença notável da Dra. Matilde Slaibi Conti, nossa líder elista, que também exerce o papel de vice-presidente e Procuradora da OAB-Niterói. 

A Dra. Matilde Slaibi Conti tem se destacado imensamente, não só por sua atuação fundamental na OAB-Niterói, mas também pelo seu apoio constante a instituições jurídicas e culturais. Sua participação na cerimônia ressalta o compromisso do Elos Internacional com o desenvolvimento profissional e a valorização da classe jurídica. 

O Salão Nobre da OAB-Niterói, localizado no 10º andar, foi palco de um dos eventos mais importantes da instituição. Sob a liderança do Dr. Pedro Gomes, Presidente da 16ª Seção da OAB-Niterói, a solenidade marcou o início de uma nova e promissora etapa para os recém-habilitados profissionais.



A cerimônia teve como paraninfo o ilustre Dr. Eurico de Jesus Teles Neto, Conselheiro Federal da OAB-RJ e Presidente da Comissão Especial de Falências e Recuperação Judicial da OAB Nacional. Nascido em Piripiri, Piauí, em 27 de novembro de 1956, o Dr. Eurico é uma personalidade de destaque no cenário jurídico, com uma trajetória acadêmica sólida e uma carreira profissional iniciada nos anos 80, após formação em Ciências Econômicas e Direito pela Universidade Católica de Salvador (UCSal), além de pós-graduação e passagem pela Wharton School. Sua presença inspira os novos membros da advocacia niteroiense. Foi presidente da Operadora Oi de telefonia por muitos anos.

Em um discurso emocionante, o Dr. Pedro Gomes parabenizou os novos colegas, enfatizando a importância dessa conquista. O evento reuniu não apenas os novos estagiários e advogados, mas também seus familiares e amigos, que testemunharam esse passo fundamental em suas carreiras. 

À frente da OAB-Niterói, uma das maiores e mais representativas subseções da Ordem dos Advogados do Brasil, está o Dr. Pedro Gomes, um presidente que tem se destacado por sua visão estratégica, dedicação incansável e um trabalho que tem transformado a instituição. Sua liderança é pautada pelo compromisso com a valorização da advocacia e com o apoio irrestrito aos profissionais do direito, sejam eles experientes ou recém-chegados.

O Dr. Pedro Gomes não atua sozinho nessa missão. Sua diretoria é um time coeso e de altíssimo nível, composto por profissionais que, assim como ele, dedicam-se com afinco às causas da OAB-Niterói. Um dos pilares dessa gestão é a Dra. Matilde Carone Slaibi Conti, Vice-Presidente da OAB-Niterói e, notavelmente, também Procuradora da Instituição. A Dra. Matilde é reconhecida por sua firmeza e vasta experiência jurídica, características que a tornam uma figura essencial na defesa dos interesses da Ordem e de seus membros. Sua atuação como Procuradora confere à vice-presidência um peso ainda maior, garantindo que as diretrizes e decisões da OAB-Niterói estejam sempre alinhadas com os preceitos legais e éticos. Sua capacidade de acolhimento e sua sensibilidade são igualmente elogiadas, demonstrando uma liderança que combina rigor técnico com empatia.

Juntos, o Dr. Pedro Gomes, a Dra. Matilde Slaibi Conti, o Dr. Junior Rodrigues e os demais membros da diretoria da OAB-Niterói formam uma equipe de ponta. Eles trabalham em sinergia para fortalecer a advocacia, defender as prerrogativas dos advogados e promover a justiça, consolidando a OAB-Niterói como um verdadeiro farol para a classe jurídica em Niterói e em todo o Brasil. 

A OAB-Niterói certamente ultrapassa o papel de mera entidade representativa da advocacia. Em Niterói, ela se consolidou como uma instituição de importância vital, um verdadeiro pilar para a cidade, atuando em diversas frentes que beneficiam não apenas os profissionais do Direito, mas toda a comunidade. 

Historicamente, Niterói possui uma profunda conexão com a advocacia. Foi aqui, em 1930, que o advogado niteroiense Levy Carneiro fundou e se tornou o primeiro presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil. Além disso, a cidade sediou a primeira Casa dos Advogados do país, um legado que a OAB-Niterói carrega com orgulho até hoje. Essa herança reforça o compromisso da subseção com a história e o futuro da profissão e da sociedade. 

Para a advocacia local, a OAB-Niterói é a Casa do Advogado. Ela oferece um suporte indispensável aos seus membros, desde os recém-formados até os mais experientes. Através da Escola Superior de Advocacia (ESA), a segunda mais antiga do sistema OAB no Brasil, a instituição promove o aprimoramento contínuo, com cursos, seminários e pós-graduações que mantêm os profissionais atualizados e preparados para os desafios do mercado. As dezenas de Comissões Temáticas – abrangendo áreas como Prerrogativas, Defesa do Consumidor, Direito Eleitoral, Direitos Humanos, e muitas outras – são espaços de estudo, debate e ação, que fomentam o aperfeiçoamento da legislação e a defesa dos interesses da sociedade. 

Mas a atuação da OAB-Niterói vai muito além dos muros da instituição. Ela é uma voz ativa na defesa da Constituição Federal, dos Direitos Humanos e da Justiça Social. A Ordem intervém em questões relevantes para a cidade, participando de debates públicos, propondo soluções e fiscalizando o cumprimento das leis. Iniciativas como o projeto "Extra Muros", em parceria com a Prefeitura, que leva orientação jurídica a comunidades periféricas, e a promoção de ações sociais demonstram o compromisso da OAB-Niterói com a inclusão e a cidadania.

A instituição também investe em infraestrutura para os advogados, com escritórios compartilhados, salas de audiências virtuais e postos de atendimento espalhados pela cidade, facilitando o trabalho e a vida dos profissionais. Essa capilaridade mostra a preocupação em estar presente onde o advogado precisa, reforçando a ideia de que a OAB-Niterói é um porto seguro e um parceiro constante. 

A OAB-Niterói não é apenas uma entidade de classe; ela é uma instituição democrática e engajada, que atua como um verdadeiro guardião da legalidade e da justiça na cidade. Sua importância para Niterói reside na defesa dos direitos dos cidadãos, no fortalecimento da advocacia e na promoção de uma sociedade mais justa e igualitária.


© Alberto Araújo

Diretor Cultural do Elos Internacional

Diretor do Focus Portal Cultural

 





 

UMA TARDE DOURADA EM ICARAÍ - BELEZA NATURAL, HISTÓRIA E CULTURA EM TRANSFORMAÇÃO - POR ALBERTO ARAÚJO - FOCUS PORTAL CULTURAL

No coração de Niterói, a Praia de Icaraí continua sendo palco de um espetáculo diário que mistura beleza natural, vida urbana e memória cultural. No fim da tarde, o cenário se transforma: o sol, em sua descida preguiçosa, pinta o céu com tons de laranja, rosa e dourado, refletidos nas águas calmas da Baía de Guanabara. É um momento que convida à pausa, uma desaceleração bem-vinda em meio à rotina acelerada da cidade. 

A orla ganha um ritmo diferente. Famílias se reúnem, crianças correm despreocupadas pela areia, casais passeiam de mãos dadas, e os artistas de rua, com seus violões e melodias suaves, ajudam a compor essa paisagem sonora que se mistura ao som das ondas. O cotidiano vira poesia. 

Do costão de pedras, a vista é privilegiada, o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor surgem como silhuetas imponentes, recortadas contra o céu em tons quentes. No mar, veleiros cruzam suavemente a baía, enquanto pescadores solitários lançam suas redes com esperança silenciosa. 

Mas não é só a natureza que encanta. A Praça Getúlio Vargas, ponto de encontro de moradores e turistas, abriga homenagens a grandes nomes da história e da cultura brasileira como: Getúlio Vargas, Ary Parreiras, Antônio Parreiras e Luís Antônio Pimentel, importante figura da literatura e do jornalismo fluminense. O local se consolida como espaço de memória viva da cidade.

Outro símbolo cultural de Icaraí está em transformação. O tradicional Cinema Icaraí, fechado desde 2006, passa por uma ampla reforma e será rebatizado como Cine Concerto Sergio Mendes. O novo espaço promete ser um importante centro cultural da cidade, reunindo três salas de cinema, palco para concertos, café, bar, restaurante e outras áreas de lazer. A expectativa é que o equipamento impulsione o cenário cultural e artístico de Niterói, oferecendo ao público uma experiência diversificada e contemporânea. 

Icaraí, assim, reafirma sua vocação: ser, ao mesmo tempo, refúgio e vitrine onde natureza, história e cultura se entrelaçam num mesmo cenário. Seja para contemplar o pôr do sol ou acompanhar a revitalização de seus espaços, o bairro continua encantando quem por ali passa. 

A PRAÇA GETÚLIO VARGAS E SUAS MEMÓRIAS ESCULPIDAS, INCLUINDO O LEGADO DO CINEMA ICARAÍ 

A Praça Getúlio Vargas, localizada no coração de Icaraí, Niterói, é um verdadeiro museu a céu aberto, guardando em seus monumentos e bustos a história e a memória de figuras importantes para o Brasil e para a cidade. Inaugurada em 15 de dezembro de 1946, a praça, que antes era conhecida como Jardim Icaraí, se tornou um ponto de convergência entre o passado e o presente de Niterói. 

OS MONUMENTOS DA PRAÇA

A praça abriga diversas obras de arte que homenageiam personalidades marcantes:


Busto de Getúlio Vargas - Esculpido por Honório Peçanha, este busto foi um dos primeiros a ser instalado na praça, homenageando o ex-presidente do Brasil.

Estátua do Almirante Ary Parreiras - Também obra de Honório Peçanha, a estátua em bronze de 2,5 metros de altura sobre um pedestal de granito foi inaugurada na mesma data que o busto de Getúlio Vargas. Ary Parreiras, sobrinho do pintor Antonio Parreiras, foi uma figura política importante e admirada pelo memorialista Luís Antônio Pimentel.


Busto de Antonio Parreiras - Confeccionado em bronze pelo escultor francês Marc Jean-Robert, este busto tem uma história interessante. Exposto no Grand Salon de Paris em 1907 e, posteriormente, no Salão Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro, ele ficou por anos abandonado no depósito da Câmara Municipal de Niterói. Graças à mobilização de amigos do pintor, a obra foi finalmente instalada na praça em 1926, sobre um belo pedestal de granito cinzento com uma cartela em bronze e alto-relevo de Laurindo Ramos, que traz a inscrição: "O povo do município de Nictheroy, por seus representantes, a Antonio Parreiras - 1926". Com o pedestal, a obra atinge três metros de altura. 

Busto de Luís Antônio Pimentel - Em 22 de novembro de 2015, data do aniversário de Niterói, a praça recebeu o busto de bronze do poeta, jornalista e escritor Luís Antônio Pimentel, cognominado por Dalma Nascimento como o "Arconte da Memória Fluminense". A iniciativa partiu do curador Paulo Roberto Cecchetti, com o apoio do vereador Bruno Lessa e de mais de 300 assinaturas de amigos e acadêmicos de Pimentel. 

O busto, confeccionado pela escultora e artista plástica Jô Grassini, foi descerrado pela companheira de Pimentel, a Zuleika Hallais, em uma solenidade que contou com a presença de diversas personalidades do meio literário, jornalístico e político de Niterói. A escolha do local, ao lado da estátua do Almirante Ary Parreiras, simboliza a admiração de Pimentel por essa figura histórica. 

O LEGADO DO CINEMA ICARAÍ 

Próximo à Praça Getúlio Vargas, o Cinema Icaraí representa um capítulo importante na história cultural de Niterói. Construído entre as décadas de 1930 e 1940 em estilo art déco, o cinema foi um dos últimos remanescentes dos chamados "cinemas de rua" da cidade. Infelizmente, o Cinema Icaraí fechou suas portas em 2006, enquanto era administrado pelo Grupo Severiano Ribeiro, e permaneceu abandonado por anos. No entanto, seu valor histórico e arquitetônico foi reconhecido através do tombamento pelo INEPAC. Desde 2011, o edifício pertence à Universidade Federal Fluminense (UFF), que iniciou um ambicioso projeto de revitalização. 

A intenção é transformar o antigo Cinema Icaraí em um centro cultural multifacetado, com o novo nome de Cine Concerto Sergio Mendes. O espaço contará com três salas de cinema, um palco para concertos que abrigará a Orquestra Sinfônica Nacional (OSN-UFF), além de café, bar e restaurante. Essa iniciativa promete devolver à cidade um importante polo de cultura e entretenimento, revitalizando a memória do tradicional Cinema Icaraí e projetando-lo para o futuro. 

Esses monumentos e a iminente revitalização do Cinema Icaraí reforçam a Praça Getúlio Vargas como um ponto central na narrativa cultural e histórica de Niterói.

 

© Alberto Araújo

06 de junho de 2025.


 

SEXTA-FEIRA - O CANTO DA ESPERANÇA NA BAÍA DE GUANABARA CRÔNICA DE ALBERTO ARAÚJO


Nesta sexta-feira, a chama viva da Esperança queima mais forte. Acima da Baía de Guanabara, os pássaros traçam rotas no céu azul, enquanto as amendoeiras, à beira-mar, parecem sussurrar segredos à maresia que as acaricia. 

É um novo amanhecer, e a vida pulsa com uma beleza singular. Pescadores, com a sabedoria ancestral em suas mãos, lançam suas redes de pesca nas águas, em uma busca diária pelo sustento. Os Catamarãs, barcas deslizam pela baía, transportando aqueles que, mesmo com a jornada madrugadora para o trabalho, carregam no peito a alegria de viver nesta terra abençoada por Deus e bonita por natureza. 

Gaivotas e beija-flores, incansáveis em sua busca, flutuam em busca do doce da vida, de cada néctar que a natureza oferece. E, em meio a essa sinfonia de vida e movimento, o amor de Deus se revela em cada detalhe, enquanto o poeta, da sua janela, observa o cotidiano e o traduz em versos silenciosos, grato por mais um dia de inspiração.

© Alberto Araújo

 



 

quinta-feira, 5 de junho de 2025

A NOITE EM ICARAÍ - UM ESPETÁCULO DE VIDAS E LUZES PROSA POÉTICA DE ALBERTO ARAÚJO


Quando o sol se põe e a brisa da Baía de Guanabara começa a soprar mais forte, Icaraí se transforma. As luzes da orla se acendem, pontuando a curvatura da praia e se misturando com o brilho dos apartamentos que sobem em direção ao céu. É nesse cenário que a noite icaraense revela sua verdadeira essência: um vibrante mosaico de sons, cheiros e histórias. 

A calçada, antes palco de caminhadas matinais e corridas, agora ganha vida com passos apressados e risadas descontraídas. Famílias passeiam, casais namoram à beira-mar e grupos de amigos se reúnem para conversar e apreciar a vista da orla de Niterói, com o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor emoldurando o horizonte distante. O burburinho das conversas se mistura ao som das ondas quebrando suavemente na areia, criando uma trilha sonora única. 

Os quiosques, iluminados e convidativos, se tornam pontos de encontro. O aroma do café e do pão de queijo se mescla ao cheiro do mar, enquanto a música ambiente convida a uma pausa relaxante. Mais adiante, os restaurantes abrem suas portas, seduzindo com aromas de pratos variados e o tilintar de talheres. É ali que a gastronomia local ganha destaque, oferecendo opções para todos os paladares, do casual ao sofisticado.

Mas a noite em Icaraí não é só sobre o cenário e a comida; é sobre as conexões que se formam. É ver o skatista deslizando com destreza, o artista de rua exibindo seu talento e o músico tocando sua melodia para quem quiser ouvir. É sentir a energia de uma comunidade que se apropria de seu espaço, celebrando a vida e a beleza de sua cidade. 

Em cada esquina, uma nova descoberta; em cada olhar, uma nova história. A noite em Icaraí é um lembrete de que, mesmo em meio à agitação da vida urbana, ainda há espaço para a poesia, para a contemplação e para a alegria genuína de se estar vivo, sob um céu estrelado que parece abraçar a baía. 

É um espetáculo que se repete a cada entardecer, sempre único, sempre fascinante, e que hoje tivemos a chance de vivenciar em nosso "happy hour" no restaurante La Mole, saboreando uma deliciosa pizza de mussarela com bordas de catupiry.

 

© Alberto Araújo

 

 

 

 



 

A SABEDORIA DA JORNADA - ENVELHECER É LIBERTAR-SE. PARÁFRASE SOBRE A MENSAGEM DE MERYL STREEP


Envelhecer não é um caminho para os fracos; é uma jornada de despertar. Chega um momento em que a juventude se despede, mas, em sua partida, leva consigo as inseguranças e a incessante busca por aprovação. A vida ensina a desacelerar, a caminhar com mais propósito e a abraçar a certeza. É um convite para despedir-se do medo, para reconhecer e valorizar aqueles que permanecem.

Envelhecer é um ato de desapego e aceitação. É a revelação de que a verdadeira beleza nunca residiu na efemeridade da pele, mas sim na riqueza da história que cultivamos e carregamos dentro de nós.

 @ Alberto Araújo 

EFEMÉRIDES DO FOCUS PORTAL CULTURAL - HÁ 127 ANOS NASCIA FEDERICO GARCÍA LORCA, O POETA DA ALMA ANDALUZA E UNIVERSAL





Neste 05 de junho, o Focus Portal Cultural celebra uma data marcante na história da literatura mundial: o nascimento de Federico García Lorca, ocorrido há exatos 127 anos, em 5 de junho de 1898, na pequena Fuente Vaqueros, província de Granada, Espanha. 

Lorca, um dos mais brilhantes e inovadores poetas e dramaturgos do século XX, legou ao mundo uma obra que transcende fronteiras e gerações. Sua poesia, profundamente enraizada na cultura e paisagem andaluza, é um mergulho na alma humana, explorando temas como o amor, a morte, a identidade, a injustiça social e a repressão. 

Desde cedo, Lorca demonstrou uma sensibilidade ímpar para a arte, estudando música, literatura e teatro. Sua passagem pela Residencia de Estudiantes em Madri o colocou em contato com as mentes mais vanguardistas da época, incluindo Salvador Dalí e Luis Buñuel, influenciando e sendo influenciado por essa efervescente Geração de 27. 

Em seus "Cantos Nuevos", escrito em 1920, Lorca já revelava sua sede por uma nova poesia, desprendida dos clichês românticos e das "luas e lírios" que povoavam os versos de seu tempo. Ele ansiava por um "cantar luminoso e repousado, cheio de pensamento, virginal de tristezas e de angústias e virginal de sonhos" – um manifesto precoce de sua busca por uma arte autêntica e profundamente humana.

A tragédia de sua morte prematura em 1936, no início da Guerra Civil Espanhola, fuzilado por forças franquistas, calou uma das vozes mais potentes de sua época. No entanto, o legado de Federico García Lorca permanece vivo e ressoante, ecoando em cada verso, em cada peça teatral, e inspirando incontáveis artistas e leitores ao redor do globo. 

Que esta efeméride seja um convite à redescoberta da obra imortal de Federico García Lorca, um poeta cuja sensibilidade e visão continuam a iluminar os caminhos da criação e da compreensão humana.

 

 

FEDERICO GARCÍA LORCA: POETA, DRAMATURGO E MÁRTIR DA ALMA ESPANHOLA 

Federico García Lorca é uma das figuras mais célebres e trágicas da literatura espanhola. Membro fundamental da renomada "Geração de 27", sua obra, profundamente enraizada no folclore e na paisagem da Andaluzia, explora temas universais como amor, morte, identidade, desejo e injustiça social com uma intensidade lírica e um poder dramático profundos.

Nascido em 5 de junho de 1898, em Fuente Vaqueros, uma pequena cidade na fértil Vega de Granada, Espanha, Lorca era filho de um proprietário de terras próspero, Federico García Rodríguez, e de Vicenta Lorca Romero, uma professora que incentivou seu amor precoce pela música e literatura. Desde jovem, Lorca demonstrou uma sensibilidade e inclinação artística notáveis. Começou a estudar música aos 11 anos, desenvolvendo talento para o piano, e mais tarde cursou Direito, Literatura e Filosofia na Universidade de Granada. Durante esses anos formativos, ele se imergiu na música folclórica andaluza, na cultura cigana e nas canções tradicionais espanholas, o que influenciaria profundamente sua voz poética única.

Em 1919, Lorca mudou-se para Madri e foi morar na Residencia de Estudiantes, um vibrante centro intelectual que reunia os jovens artistas e pensadores mais promissores de sua geração. Ali, ele forjou amizades e colaborações artísticas duradouras com figuras como Salvador Dalí, Luis Buñuel, Rafael Alberti e Juan Ramón Jiménez. Esse período foi crucial para seu desenvolvimento artístico. Ele experimentou diversas formas e temas, publicando seu primeiro livro de poemas, Libro de poemas, em 1921. Sua crescente fascinação pela cultura cigana levou ao aclamado Romancero Gitano (Romanceiro Cigano), publicado em 1928, que o catapultou à fama nacional. Essa coletânea mesclava magistralmente formas de balada tradicionais com imagens de vanguarda, explorando temas de destino, paixão e a existência trágica do povo cigano.

Um período de crise pessoal e exploração artística levou Lorca a Nova York em 1929, onde estudou na Universidade de Columbia. Suas experiências na movimentada metrópole, marcadas pela Crise de Wall Street e pela sensação onipresente de alienação, impactaram profundamente sua obra. Esse período produziu Poeta en Nueva York (Poeta em Nova York), uma coleção pungente de poemas surrealistas que criticava a sociedade industrial moderna e explorava temas de injustiça racial e angústia espiritual.

Ao retornar à Espanha em 1930, com o advento da Segunda República Espanhola, Lorca dedicou-se cada vez mais ao teatro. Tornou-se diretor de "La Barraca", uma companhia teatral estudantil itinerante financiada pelo governo, que tinha como objetivo levar peças clássicas espanholas ao público rural. Através de "La Barraca", Lorca não só revitalizou o drama espanhol, mas também desenvolveu suas próprias peças poderosas e experimentais. Suas principais obras teatrais, incluindo Bodas de sangre (Bodas de Sangue, 1933), Yerma (1934) e La casa de Bernarda Alba (A Casa de Bernarda Alba, 1936), são obras-primas do drama poético. Essas peças, muitas vezes ambientadas na Andaluzia rural, exploram a opressão feminina, a rigidez dos códigos sociais e as trágicas consequências de desejos reprimidos. 

A eclosão da Guerra Civil Espanhola em julho de 1936 marcou um fim brutal para a vida de Lorca. Apesar dos avisos de amigos, ele retornou a Granada, cidade que rapidamente caiu sob controle Nacionalista. Suas opiniões liberais, sua homossexualidade abertamente vivida e sua associação com o governo Republicano o tornaram um alvo.

Em 19 de agosto de 1936, Federico García Lorca foi preso por forças Nacionalistas e, tragicamente, executado e enterrado em uma vala comum em algum lugar entre Víznar e Alfacar. Seu assassinato tornou-se um símbolo da brutal repressão e da devastação cultural da guerra. 

O legado de Federico García Lorca, embora tragicamente interrompido, permanece imenso. Sua poesia é celebrada por sua beleza lírica, suas imagens evocativas e sua profunda exploração da experiência humana. Suas peças continuam a ser encenadas em todo o mundo, admiradas por sua intensidade dramática, sua profundidade psicológica e seus temas atemporais. A obra de Lorca transcende fronteiras nacionais, oferecendo uma voz poderosa e duradoura para a liberdade, a paixão e o espírito humano perene diante da adversidade. Ele não é apenas um poeta e dramaturgo, mas um ícone da cultura espanhola, cuja arte continua a ressoar com profunda relevância no século XXI.

© Alberto Araújo

 





GARCÍA LORCA: MEIO PÃO E UM LIVRO

Discurso do poeta Federico García Lorca na sua cidadezinha de ‘Fuente Vaqueros’ (Granada, Espanha), em setembro de 1931. 

“Quando alguém vai ao teatro, a um concerto ou mesmo a uma festa de qualquer índole que seja, se a festa é de seu agrado, imediatamente lembra e lamenta que as pessoas que ele ama não se encontrem ali. «Minha irmã e meu pai gostariam de estar aqui», pensa, e não desfruta mais do espetáculo, a não ser através de uma leve melancolia. Esta é a melancolia que eu sinto, não pela gente de minha casa, o que seria pequeno e ruim, mas por todas as criaturas que por falta de meios e por desgraça não desfrutam do supremo bem da beleza que é vida e bondade, serenidade e paixão. 

“Por isso nunca tenho um livro, porque presenteio todos que compro, que são numerosos, e por isso estou aqui honrado e contente em inaugurar esta biblioteca da cidadezinha, a primeira seguramente de toda a província de Granada. 

“Não só de pão vive o homem. Eu se tivesse fome e estivesse à míngua na rua não pediria um pão; pediria meio pão e um livro. E daqui eu ataco violentamente aos que somente falam de reivindicações econômicas sem jamais apontar as reivindicações culturais que é o que os povos pedem aos gritos. Bem está que todos os homens comam, porém que todos os homens saibam. Que desfrutem de todos os frutos do espírito humano porque o contrário seria convertê-los em máquinas a serviço do Estado, seria convertê-los em escravos de uma terrível organização social. 

“Eu tenho muito mais pena de um homem que quer saber e não pode, do que de um faminto. Porque um faminto pode acalmar sua fome facilmente com um pedaço de pão ou com umas frutas, porém um homem que tem ânsia de saber e não possui os meios, sofre uma terrível agonia porque são livros, livros, muitos livros o que necessita e onde estão estes livros?

“Livros! Livros! Aqui está uma palavra mágica que equivale a dizer: «amor, amor», e que deveriam pedir os povos como pedem pão ou como desejam a chuva para suas colheitas.

Quando o insigne escritor russo Fiódor Dostoievski, pai da revolução russa muito mais que Lênin, estava prisioneiro na Sibéria, afastado do mundo, entre quatro paredes e cercado por desoladas planícies de neve infinita; e pedia socorro em carta a sua família distante, somente dizia: «Envia-me livros, livros, muitos livros para que minha alma não morra!». 

Tinha frio e não pedia fogo, tinha uma sede terrível e não pedia água: pedia livros, ou seja, horizontes, escadas para subir a montanha do espírito e do coração. Porque a agonia física, biológica, natural, de um corpo por fome, sede ou frio, dura pouco, muito pouco, mas a agonia da alma insatisfeita dura a vida inteira.

“Já disse o grande Menéndez Pidal, um dos sábios mais verdadeiros da Europa, que o lema da República deve ser: «Cultura». Cultura porque somente através dela se pode resolver os problemas que hoje debate o povo, cheio de fé, porém falto de luz”.

Setembro de 1931.

Tradução Antonio de Freitas – com contribuição de Dr. Gonzalo Velasco, do Uruguai

 

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