Não me detenho nos arcos da história,
nem nas coroas que se desfazem em pó.
Os impérios desmoronam em silêncio,
como livros esquecidos em estantes
frias.
A espada se rende à ferrugem,
e a métrica de ferro se abre em fenda,
enquanto o sol, impaciente, rasga a
cortina
e derrama rios de luz pelo chão da
sala.
A verdade de viver não é tese,
não repousa nos claustros da
filosofia.
Ela vibra no sol doméstico do pão que
doura,
na névoa de lembranças que sobe da
xícara,
no milagre secreto de acordar e ser
chamado à existência.
Esqueça o banimento. O exílio real
é não perceber o beijo da luz que
insiste.
O amor não é vigília, não é peso,
é pássaro que nos leva em voo exato,
à certeza de que o dia, sim, floresce
em nós.
O fim não é sombra, é claridade.
O instante é relâmpago, um trovão
jubiloso.
Abrir a janela é rasgar o véu do
mundo.
E lá fora, a vida, em sua glória
simples,
proclama que o jasmim nunca foi tão
doce.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural
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