Começamos mais um ciclo, e a literatura nos lembra de que cada dia é uma página em branco aguardando o rigor da nossa vontade. Em um mundo de ruídos, o otimismo é um ato de resistência intelectual.
Iniciar a semana é, acima de tudo, um exercício de redação sobre o próprio destino. Se Guimarães Rosa nos lembra de que "o que a vida quer da gente é coragem", é na prática diária que essa bravura se manifesta. Afinal, a existência exige fôlego, pois Machado de Assis já advertia: "A vida sem luta é um mar morto".
Para navegar esses dias, adotemos a postura de Ariano Suassuna, sendo sempre esse "realista esperançoso". É preciso ter em mente que a produtividade sem propósito é vazia; como ensinou Fernando Pessoa, "para ser grande, sê inteiro". Não se trata apenas de cumprir agenda, mas de entender, com Cecília Meireles, que "a vida só é possível reinventada".
Se o peso das responsabilidades aumentar, recorra à delicadeza de Mario Quintana: "O segredo não é correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você". E se algo não sair como planejado, acolha a lição de Clarice Lispector de que "recomeçar é dar-se uma nova chance", mantendo a firmeza de Cora Coralina: "Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar".
Que o seu roteiro semanal não aceite amarras, pois, como dizia Jorge Amado, "não se pode colocar limites aos nossos sonhos".
No fim, a qualidade da nossa
história dependerá de como a percebemos, lembrando que para García Márquez, a
vida é o que recordamos para contar. Que você faça, portanto, uma semana que
valha a pena ser narrada, pois como bem sintetizou Drummond, para ganhar um
tempo novo que mereça este nome, você tem de merecê-lo.
Crônica
de © Alberto Araújo
Focus
Portal Cultural

.png)
Nenhum comentário:
Postar um comentário