quinta-feira, 16 de abril de 2026

A NOITE EM QUE A CIÊNCIA SE FEZ POESIA - AACADEMIA DE MEDICINA DO RIO DE JANEIRO - PRESIDENTE SAMANTHA CONDÉ CELEBRA NOVOS IMORTAIS EM COPACABANA

No coração pulsante de Copacabana, onde a agitação da Rua Figueiredo Magalhães encontra a tradição da medicina brasileira, um rito de passagem reafirmou a força intelectual do Rio de Janeiro. 

A Academia de Medicina do Rio de Janeiro (AMRJ), Presidente Samantha Condé Rocha Rangel resguardadora da ética e do progresso científico desde sua fundação em 1997, abriu suas portas para uma cerimônia que ficará gravada na histórica da cidade. O destaque da noite foi o magistral discurso de recepção proferido pelo Acadêmico Euderson Kang Tourinho, cuja oratória, equilibrando erudição e sensibilidade, foi ovacionada pelos presentes. 

O Acadêmico Euderson Kang Tourinho, em uma performance oratória de rara felicidade, conseguiu o que poucos conseguem: transformar um currículo técnico em uma narrativa épica. Ao longo de sua fala, ele costurou o passado institucional da AMRJ com as promessas do futuro, utilizando metáforas que remetiam à paisagem do Rio, onde o mar encontra a montanha, para simbolizar o encontro da ciência com a compaixão. 

Muito aplaudido, o discurso de Euderson foi o fio condutor que uniu a plateia em torno de um ideal comum. Ele não apenas saudou colegas; ele convocou os novos membros a serem guardiões de um farol ético em tempos de informação fragmentada. Sua fala ressoou como um manifesto: a medicina é a mais humana das ciências e a mais científica das artes. 

A noite de gala não foi apenas um evento protocolar, mas uma "notícia do futuro". Como bem pontuou o Acadêmico Euderson em sua saudação, receber novos membros é garantir que a chama do conhecimento, acesa há quase três décadas, continue a iluminar as próximas gerações de médicos e pesquisadores. 

A solenidade foi realizada na Casa de Festas Spazio 26 Rio, Real Grandeza, 26 Botafogo, Rio de Janeiro – RJ. O ponto alto da solenidade foi a apresentação dos novos imortais, cujas trajetórias formam um mosaico da melhor ciência produzida no Brasil e no mundo.

José Oscar Reis Brito, recebido na Seção de Cirurgia (Cadeira Patrono Dr. Jayme Espectorov), trouxe à cena o lirismo da precisão. Com especializações em Paris, Londres e Maastricht, o cirurgião cardiovascular é um arquiteto do coração humano. Sua atuação em projetos de vanguarda, como o uso de células-tronco e o prestigiado STICH Trial, foi destacada por Euderson como a prova de que a cirurgia moderna é uma forma de arte que salva vidas através da inovação. 

Na Seção de Medicina, o brilho recaiu sobre Regina Casz Schechtman. Com uma carreira moldada na UERJ e na Universidade de Londres, Regina é uma das maiores autoridades mundiais em Dermatologia e Micologia. Sua liderança no Instituto Rubem David Azulay e sua influência na FIDE e na Academia Americana de Dermatologia foram celebradas como um triunfo da clínica minuciosa. Em seu discurso, Euderson descreveu Regina como uma "decifradora de pergaminhos antigos", referindo-se à sua habilidade ímpar em ler os sinais ocultos na pele humana. 

Para completar a noite, a categoria de Acadêmico Honorário recebeu ninguém menos que o neurocientista Roberto Lent. Filho de cientistas e detentor de uma inteligência que transcende os laboratórios, Lent é o homem que ensinou o Brasil a olhar para dentro de si, mapeando os "Cem Bilhões de Neurônios" que compõem nossa humanidade. Professor Emérito da UFRJ e membro da Academia Brasileira de Ciências, sua entrada na AMRJ celebra a união entre a ciência de ponta e a divulgação cultural popular. 

Palavras de encerramento da Sessão Solene da Presidente da Academia de Medicina do Rio de Janeiro Dra. Samantha Condé Rocha Rangel

O evento encerrou-se sob o signo da esperança. A Academia de Medicina do Rio de Janeiro reafirma que seu endereço em Copacabana é um porto seguro para a inteligência.

Saem os convidados, mas ficam as ideias. Com a entrada de José Oscar, Regina e Roberto, e sob a batuta inspirada de acadêmicos como Euderson Kang Tourinho, a AMRJ prova que a imortalidade não é a ausência do fim, mas a presença eterna de uma obra que se recusa a apagar. A medicina fluminense dorme hoje mais rica, mais sábia e, acima de tudo, mais inspirada. 

Localizada no icônico número 144 da Figueiredo Magalhães, a AMRJ é mais do que uma sede administrativa; é um organismo vivo de investigação científica. Fundada por 34 médicos visionários em 20 de outubro de 1997, a instituição completou recentemente sua trajetória de 29 anos como um pilar de resistência cultural. Ali, entre salas de conferência e bibliotecas que respiram o saber, a medicina deixa de ser apenas técnica para se tornar um bem patrimonial do povo carioca. 


DISCURSO DE RECEPÇÃO À ACADEMIA DE MEDICINA DO RIO DE JANEIRO

Excelentíssima Presidente Samantha Condé Rocha Rangel, membros da mesa, caros confrades, senhoras e senhores. 

Boa noite! 

A Academia de Medicina do Rio de Janeiro (AMRJ) vive hoje, 16 de abril de 2026, um momento de celebração e renovação. É com uma honra que transborda o rigor do protocolo e um orgulho profundamente institucional que abrimos nossas portas para acolher três expoentes do saber científico. Mas, para além das formalidades, o que fazemos nesta noite é um gesto de resistência cultural e de fé no humanismo. 

Ao olharmos para a trajetória desta Casa, somos transportados pelo tempo. No crepúsculo do século XX, precisamente ao dia 20 de outubro de 1997, sob o teto histórico da Sociedade de Medicina e Cirurgia, 34 médicos visionários decidiram que o Rio de Janeiro precisava de um novo santuário para o pensamento médico. Ali, entre o estetoscópio e a pena, fundaram esta Academia com um propósito que ecoa até hoje: zelar pela memória, pela ética e pelo progresso da nossa profissão. 

Hoje, ao celebrarmos 29 anos de história, percebemos que a AMRJ não é feita apenas de concreto, mas de ideias. Ela é um organismo vivo que respira a investigação científica e pulsa o desenvolvimento humano. Nestas quase três décadas, nossos simpósios e conferências não foram meras reuniões técnicas; foram diálogos entre a ciência e a cidade, elevando o padrão da medicina fluminense ao patamar da excelência mundial. 

Receber novos membros é, portanto, o rito mais sagrado de nossa existência. É um "fazer jornalismo" da história médica em tempo real: estamos aqui para noticiar ao mundo que a ciência brasileira resiste, floresce e se renova. Em um Rio de Janeiro que é berço de Oswaldo Cruz e de Carlos Chagas, a entrada de novos acadêmicos é a prova de que a linhagem da inteligência não se deteve. 

Há um sentimentalismo intrínseco no ato de curar. O médico, tal qual o poeta, precisa ler o que está invisível aos olhos; precisa interpretar o silêncio da dor e a métrica da pulsação. Ao acolhermos José Oscar Reis Brito, Regina Casz Schechtman e Roberto Lent, não estamos apenas preenchendo Cadeiras; estamos integrando ao nosso mosaico novas cores, novas texturas de conhecimento e novas esperanças. 

Esta Casa é o lugar onde a essência do dado estatístico encontra o calor do acolhimento humano. É onde a técnica cirúrgica se torna arte e onde a pesquisa básica se transforma em direito à vida. Como diriam os antigos, a medicina é a mais humana das ciências e a mais científica das artes. E é sob essa égide que damos início a esta noite de luz, garantindo que a chama do conhecimento, essa luz que recebemos de nossos antecessores, continue a iluminar, com o mesmo vigor de 1997, as próximas gerações que hão de vir.

JOSÉ OSCAR REIS BRITO – SEÇÃO DE CIRURGIA

PATRONO: DR. JAYME ESPECTOROV 

Na Seção de Cirurgia, recebemos o Dr. José Oscar Reis Brito. Falar de sua carreira é descrever a busca incessante pela perfeição técnica e científica. Graduado pela UFMG, o Dr. José Oscar não hesitou em cruzar fronteiras para trazer o que há de mais avançado ao Brasil. De Paris a Londres, de Maastricht à Pierre et Marie Curie, ele moldou-se como um mestre das intervenções cardiovasculares e das cardiopatias complexas.

Sua liderança em projetos internacionais de vanguarda, como o STICH Trial e as pesquisas com células-tronco, coloca-o no seleto grupo de cirurgiões que não apenas operam corpos, mas transformam o futuro da cardiologia. Ao ocupar a cadeira que honra o Dr. Jayme Espectorov, o Dr. José Oscar traz para esta Academia o pulso firme de quem lida com o centro da vida e a mente brilhante de um pesquisador incansável. 

REGINA CASZ SCHECHTMAN – SEÇÃO DE MEDICINA 

Para a Seção de Medicina, damos as boas-vindas à Dra. Regina Casz Schechtman. Sua trajetória é o exemplo perfeito da simbiose entre a prática clínica e a excelência acadêmica. Com doutorado pela Universidade de Londres e uma carreira docente que marcou instituições como a UERJ e a PUC-Rio, a Dra. Regina tornou-se uma voz global na Dermatologia.

À frente do Laboratório de Micologia do Instituto Rubem David Azulay, ela transformou o estudo da pele em uma ciência de precisão e humanidade. Sua atuação como representante da Foundation for International Dermatological Education no Brasil e sua liderança na Sociedade Brasileira de Dermatologia reafirmam que sua contribuição ultrapassa o consultório: ela é uma formadora de mestres. Recebê-la é integrar a esta Casa a acuidade diagnóstica e o rigor científico de uma das maiores especialistas do nosso país.

ROBERTO LENT – ACADÊMICO HONORÁRIO 

Por fim, é com reverência que acolhemos como Acadêmico Honorário o Dr. Roberto Lent. Filho de cientistas, Roberto transformou a herança familiar em um legado monumental para a neurociência mundial. Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências e Professor Emérito da UFRJ, ele é o homem que nos ajudou a desvendar os mistérios dos "Cem Bilhões de Neurônios". 

Sua carreira é marcada pela excelência no Instituto de Biofísica e pelo pós-doutorado no MIT, mas seu grande mérito foi democratizar o saber. Ao fundar a revista Ciência Hoje e dedicar-se à divulgação científica para todas as idades, ele provou que a ciência só é plena quando é compartilhada. Roberto Lent não estuda apenas o cérebro; ele inspira mentes. Sua presença como Membro Honorário enobrece este sodalício e fortalece nossos laços com a ciência fundamental. 

Prezados Acadêmicos, 

Vocês ingressam hoje em uma instituição que se recusa a ser um museu de ideias estáticas. Orgulhamo-nos do nosso passado, é verdade, pois ele é o alicerce de mármore onde gravamos nossos nomes, mas esta Academia vive, respira e caminha para o futuro. A Academia de Medicina do Rio de Janeiro não é um ponto de chegada, mas um novo mirante de onde vislumbraremos, juntos, as fronteiras ainda não desbravadas da cura e do cuidado.

Nesta noite, o talento, a ética e a história de cada um de vocês passam a ser patrimônio coletivo da medicina fluminense. Se o jornalismo é o rascunho da história, o que escrevemos aqui hoje é a crônica definitiva de uma vida dedicada ao bem comum. É a notícia que atravessa o tempo: a de que a ciência, mesmo em tempos de incerteza, permanece como o porto seguro da civilização. 

Há um lirismo sagrado no ofício que nos une. Existe poesia no ritmo de um coração que volta a bater sob as mãos de José Oscar; há uma estética da minúcia no olhar clínico de Regina Casz, que decifra os enigmas da pele como quem lê pergaminhos antigos; e há uma transcendência quase metafísica na jornada de Roberto Lent, que cartografa os labirintos do pensamento e nos ensina que o cérebro é, em última análise, a morada dos nossos sonhos. 

Em meu nome, Euderson Kang Tourinho, que orgulhoso e emocionado faço esta saudação, declaro que é mais do que um privilégio: é um conforto intelectual tê-los conosco. Vocês não são apenas novos membros; são novos guardiões desta chama. 

Que suas luzes, agora integradas à nossa instituição, somem-se às nossas na missão perpétua de servir à vida. Que o brilho de suas trajetórias ilumine os corredores dos hospitais, as bancadas dos laboratórios e as mentes dos jovens estudantes que neles se espelham. No Rio de Janeiro, onde o mar encontra a montanha, que a nossa ciência encontre sempre a compaixão. 

Entrem com a certeza de que a história os esperava. A imortalidade acadêmica não é a ausência da morte, mas a presença eterna de uma obra que não se apaga. 

Sejam muito bem-vindos à sua nova casa! 

Muito obrigado!


ACADÊMICO EUDERSON KANG TOURINHO



Postagem de © Alberto Araújo

Focus Portal Cultural













 

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