O ano de 2026 marca um alinhamento raro para as letras brasileiras. Enquanto os clássicos Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile completam 70 anos, e o seminal Sagarana celebra seus 80, a Livraria da Travessa, no Rio de Janeiro, torna-se palco para o deciframento de um mito.
Após duas décadas de investigação, o jornalista Leonêncio Nossa lança "João Guimarães Rosa", uma biografia de 700 páginas que promete ser o mapa definitivo do universo roseano.
O lançamento no Rio de Janeiro carrega um simbolismo geográfico que a obra de Leonêncio faz questão de sublinhar. Rosa, o diplomata que imortalizou o sertão profundo, escreveu suas páginas mais icônicas dentro de um apartamento em Copacabana. O biógrafo revela que a "musicalidade" do sertão não foi apenas capturada in loco, mas refinada no asfalto carioca.
"Ele fala de um Brasil aparentemente distante, mas produz tudo no Rio", afirma Leonêncio, destacando que até seus livros póstumos foram gestados entre a brisa marítima e a agitação da capital fluminense.
A obra, uma coedição entre a Nova Fronteira e a Topbooks, é fruto de um "clique" ocorrido em 2006. Para dar vida ao calhamaço, Leonêncio percorreu um caminho de detetive: Entrevistou mais de 50 pessoas que conviveram com o autor, incluindo o diplomata Alberto Costa e Silva e familiares próximos.
O livro explora como Rosa fundiu influências indígenas, africanas e portuguesas para criar uma língua "nova", que respeitava a sonoridade do brasileiro do interior.
A biografia chega em um momento de
celebração tripla, consolidando a imortalidade de Rosa no cânone ocidental:
Sagarana: 80 anos - a estreia que
revolucionou o conto regionalista.
Grande Sertão: Veredas 70 anos A
epopeia metafísica do sertão mineiro.
Corpo de Baile 70 anos A explosão da experimentação narrativa.
© Alberto Araújo
Focus Portal Cultural






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