segunda-feira, 4 de maio de 2026

MINHA DOCE CASA QUE EU AMO - POEMA DE @ ALBERTO ARAÚJO


Dentro destas paredes, encontrei o meu fôlego,

Uma arquitetura feita de luz e de verde.

Esta é a minha doce casa, a que eu amo.

Uma cortina suspensa de renda esmeralda cai do teto,

Frondes delicadas de uma samambaia,

Medindo o tempo não em horas, mas em crescimento,

Uma cachoeira vegetal congelada em sua descida.

Abaixo dela, a paciência silenciosa de uma orquídea,

Suas raízes como uma barba emaranhada e prateada,

Enroladas dentro de seu vaso transparente e simples,

Uma âncora no ar, uma residente silenciosa

Contente em existir entre dois mundos.

Na prateleira de madeira escura, um pequeno vaso de barro,

Vermelho terra e humilde, guarda uma vida de folhas minúsculas.

Um estudo de contrastes: o pequeno ao lado do grandioso,

A prova de que o lar é encontrado no detalhe mais sutil.

Desvio o olhar da pequenez para a vastidão,

Através do vidro que emoldura o mundo impossível,

Onde o oceano se espalha como uma mesa azul,

Um lugar plano e cintilante de sal e de vento.

E no horizonte, a grande cidade reduz-se a uma linha,

Um gráfico delicado de torres e janelas,

Sob o olhar das montanhas que já estavam aqui muito antes,

Gigantes adormecidos que guardam esta vista.

Entre a samambaia e o oceano, entre o vaso e o céu,

Aqui está o meu silêncio.

Aqui está o equilíbrio perfeito.

 

Minha doce casa, que eu amo, um lugar onde as plantas crescem

Enquanto eu encontro o meu próprio lugar para descansar.

E isso é o suficiente.

 

@ Alberto Araújo

Focus Portal Cultural



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