Dentro destas paredes, encontrei o meu fôlego,
Uma arquitetura feita de luz e de verde.
Esta é a minha doce casa, a que eu amo.
Uma cortina suspensa de renda esmeralda cai do
teto,
Frondes delicadas de uma samambaia,
Medindo o tempo não em horas, mas em crescimento,
Uma cachoeira vegetal congelada em sua descida.
Abaixo dela, a paciência silenciosa de uma
orquídea,
Suas raízes como uma barba emaranhada e prateada,
Enroladas dentro de seu vaso transparente e
simples,
Uma âncora no ar, uma residente silenciosa
Contente em existir entre dois mundos.
Na prateleira de madeira escura, um pequeno vaso de
barro,
Vermelho terra e humilde, guarda uma vida de folhas
minúsculas.
Um estudo de contrastes: o pequeno ao lado do
grandioso,
A prova de que o lar é encontrado no detalhe mais
sutil.
Desvio o olhar da pequenez para a vastidão,
Através do vidro que emoldura o mundo impossível,
Onde o oceano se espalha como uma mesa azul,
Um lugar plano e cintilante de sal e de vento.
E no horizonte, a grande cidade reduz-se a uma
linha,
Um gráfico delicado de torres e janelas,
Sob o olhar das montanhas que já estavam aqui muito
antes,
Gigantes adormecidos que guardam esta vista.
Entre a samambaia e o oceano, entre o vaso e o céu,
Aqui está o meu silêncio.
Aqui está o equilíbrio perfeito.
Minha doce casa, que eu amo, um lugar onde as
plantas crescem
Enquanto eu encontro o meu próprio lugar para
descansar.
E isso é o suficiente.
@ Alberto Araújo
Focus Portal Cultural

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