Em nosso percurso de contínua aprendizagem “somos eternos aprendizes,” pois as boas leituras que fazemos ao longo de nossas vidas enriquecem nosso acervo cognitivo e nos encorajam a escrever sobre o que sentimos, estudamos e pesquisamos. Neste sentido, antes de entrar em Os Sertões de Euclides da Cunha, cito outro escritor também envolvido com esta temática - Guimarães Rosa, que nos diz em sua monumental obra “Grande Sertão Veredas”: “O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”
Assim, movido pela inquietude e “coragem de criar” segundo Rollo May, o acadêmico, jornalista e diretor do Focus Portal Cultural Alberto Araújo nos convida para uma caminhada ensaística pela vida e obra de Euclides da Cunha. Neste caminhar cuidadoso, imerso em suas opiniões, estudo crítico e considerações, Alberto pontua os principais eixos da obra euclidiana, compartilhados com outros escritores, pesquisadores, que também já se embrenharam pelas veredas dos sertões, encontrando clareiras referenciais, onde puderam abastecer seus conhecimentos e continuar a caminhada cognitiva. E mais uma vez vale o diálogo com Guimarães Rosa de que “o real não está no início, nem no fim, ele se mostra pra gente é no meio da travessia.
Por isso é importante investir na travessia, que retroalimenta a percepção do que nos cerca, partindo do que já foi visto, apresentado por outros e continuar em busca de outros atalhos, com a inquietude e coragem criativa. Daí, Alberto seguir o caminho da escrita do gênero ensaio, que se define como um texto opinativo e reflexivo, que explora um tema, a partir da perspectiva do autor, combinando análise, argumentação e subjetividade.
Desse modo, Alberto fez uma travessia na vida e obra do autor em pauta, com o título de “ Euclides da Cunha: um legado vivo na cultura brasileira ”em que expôs dados de sua pesquisa, ressaltando características da escrita euclidiana, de sua importância em estudos das disciplinas : literatura, sociologia, geografia, história, antropologia, meio ambiente, ou seja sua dimensão interdisciplinar. Entrelaçou ciência com literatura, produzindo uma obra híbrida.
Do ponto de vista do conteúdo, enredo de Os Sertões, e do perfil biográfico de Euclides da Cunha, Alberto Araújo já nos apresentou como atento caminhante no ato de escrever, no desenvolvimento de seu ensaio e a acadêmica Gilda Uzeda elogiou o trabalho e fez elucidativo comentário sobre o tema. E quem quiser saber mais e se aprofundar no assunto leia o ensaio de Alberto “ com olhos de lince” como ele costuma dizer...
E dentro desta travessia, da leitura do texto de Alberto, repito as palavras do já citado escritor Guimarães Rosa : “ Mire e veja: o mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas -mas que elas vão sempre mudando. Afinam-se ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou.”
Alberto, que os ensinamentos da vida sejam e continuem afinados com seu viver, que sua escrita seja reveladora de seus próprios pensamentos, pois a travessia continua... continua...
Professora Doutora Márcia Pessanha –
Presidente da Academia Fluminense de Letras
Niterói, 22 de maio de 2026
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A
TRAVESSIA COMPARTILHADA: UMA RESPOSTA À PRESIDENTE MÁRCIA PESSANHA
Escrever é, por excelência, um ato de solidão que só se completa no encontro com o outro. Quando essa resposta vem da sensibilidade e da erudição da Professora Doutora Márcia Pessanha, nossa estimada Presidente da Academia Fluminense de Letras, o ensaio original sobre Euclides da Cunha deixa de ser um ponto final e torna-se, verdadeiramente, uma travessia compartilhada.
Recebo suas palavras não apenas como um afago generoso ao meu espírito de eterno aprendiz, mas como uma bússola que me guia pelas veredas que decidi trilhar. Ao resgatar Guimarães Rosa para dialogar com o meu olhar sobre Euclides, Márcia Pessanha tocou no cerne do fazer literário: a coragem. É preciso coragem para mergulhar na densidade de Os Sertões, uma obra cuja hibridez entre a ciência e a literatura ainda hoje desafia nossas fronteiras cognitivas e interdisciplinares.
Agradeço imensamente a leitura atenta e as ponderações da Presidente, bem como o comentário elucidativo da querida acadêmica Gilda Uzeda. Saber que o ensaio despertou esse eco demonstra que Euclides da Cunha permanece como um legado vivo, um espelho incômodo e necessário para a compreensão do Brasil profundo.
Se o real, como bem lembrou a Presidente através de Rosa, "se mostra pra gente é no meio da travessia", sinto-me revigorado para continuar marchando. O ensaio, com sua carga de subjetividade e argumentação, foi apenas um atalho. A caminhada pela cultura, pelo jornalismo e pela pesquisa ganha um novo fôlego quando validada por quem compreende que a vida e a escrita exige afinação constante.
Minhas
palavras caminham agora mais enriquecidas. Sigamos, portanto, com os
"olhos de lince" aguçados e o coração aberto para as mudanças que o
mundo nos impõe, sabendo que, na literatura como na vida, o mais bonito é que
ainda não fomos terminados. A travessia continua, de fato, e é uma honra
trilhá-la ao lado de mentes tão brilhantes.
Alberto
Araújo
Jornalista,
Escritor
Diretor
do Focus Portal Cultural
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