quinta-feira, 28 de maio de 2026

A ELOQUÊNCIA E O SOM: MARCELO MORAES CAETANO E A CELEBRAÇÃO DA LÍNGUA NA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS

Na tarde de hoje, 28 de maio de 2026, quinta-feira, o auditório da Academia Brasileira de Letras foi palco de uma conferência memorável, que não apenas iluminou as raízes da nossa identidade linguística, mas também promoveu um diálogo sensível com a arte musical. O evento, integrante da programação "Quinta é Cultura", teve como protagonista o intelectual Marcelo Moraes Caetano, que discorreu sobre o instigante tema: “Língua Portuguesa do Brasil: passado e presente a explicar a nossa (multi)cultura”.

A atuação de Marcelo Caetano reafirmou sua posição como um fenômeno cultural contemporâneo. Com a erudição de quem domina os estudos da linguagem, ele conduziu o público por uma jornada geo-histórica, articulando de forma precisa como a evolução do latim até o presente moldou a complexidade multicultural brasileira. A palestra transcendeu a teoria acadêmica ao conectar a filologia à vivência antropológica do nosso país, demonstrando uma capacidade rara de tornar o conhecimento técnico acessível e profundamente envolvente.

A condução do evento coube ao acadêmico Godofredo de Oliveira Neto, cuja presença na coordenação trouxe a segurança e a diplomacia necessárias para guiar uma discussão de tamanha envergadura. Com a elegância que lhe é peculiar, o imortal da ABL soube mediar o debate, assegurando que a fluidez do pensamento de Marcelo Caetano encontrasse o espaço adequado entre o rigor da instituição e a necessária abertura ao debate contemporâneo. A harmonia entre a exposição do palestrante e o suporte diplomático do coordenador criou uma atmosfera de absoluto prestígio literário.

O ápice do encontro ocorreu ao final, quando o rigor intelectual deu lugar à emoção. Em um momento de rara beleza, Marcelo Caetano encerrou sua participação exibindo um vídeo onde ele mesmo interpreta, ao piano, obra do mestre Heitor Villa-Lobos. A transição da palavra para a música não foi gratuita; serviu como uma extensão perfeita do seu argumento. Se a língua portuguesa explica a nossa (multi)cultura, a música de Villa-Lobos, interpretada com a sensibilidade de Caetano, encarnou a própria alma desse Brasil diverso, lírico e complexo que ele acabara de descrever.

Para o grupo de acadêmicos da Academia Fluminense de Letras presente – incluindo os confrades Erthal Rocha e Márcia Pessanha, além da presidente do Elos Internacional, Matilde Slaibi Conti, o evento foi uma demonstração da vitalidade e da integração contínua entre as instituições literárias do nosso estado e a ABL. A presença de Matilde Conti, que mais cedo havia sido honrada no Forte de Copacabana, atesta a importância dessa rede de apoio cultural que Marcelo Caetano mobiliza.

Em suma, a tarde na ABL não se resumiu a uma palestra sobre gramática ou história; foi um exercício de cidadania cultural. Marcelo Moraes Caetano, com a maestria de quem domina tanto a palavra quanto o teclado do piano, e Godofredo de Oliveira Neto, com a sabedoria de quem cuida dos ritos da imortalidade, proporcionaram aos presentes uma experiência que confirma a perenidade da nossa cultura. É essa união de saber e sensibilidade que mantém viva a chama da língua portuguesa, fazendo-a pulsar no passado, no presente e no futuro que almejamos para o Brasil.

© Alberto Araújo

Focus Portal Cultural






(CLICAR NA IMAGEM PARA ASSISTIR À PALESTRA COMPLETA
NO CANAL YOUTUBE DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS)




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