No dia 25 de maio, o mundo inteiro volta os seus olhos e o seu coração para o continente africano para celebrar o Dia da África. Esta não é uma mera marcação no calendário; é um portal para a nossa memória coletiva, uma luz que ilumina a história, a resiliência e a genialidade de povos que moldaram o destino da humanidade. É com o peito cheio de um orgulho indescritível e uma honra profunda que o quadro EFEMÉRIDES do Focus se abre hoje para compartilhar, celebrar e reverenciar este momento lindo da cultura africana.
Falar de África é falar do berço da própria vida. É saudar uma força vital que reverbera na música que nos move, na complexidade das estruturas sociais, na riqueza da oralidade e na beleza inabalável de nações que ensinaram ao mundo o verdadeiro significado de superação e reinvenção. Celebrar esta data é reconhecer que a seiva da árvore africana nutre a cultura global de formas que a história oficial, por muito tempo, tentou silenciar. Hoje, erguemos a nossa voz para exaltar essa herança viva, pulsante e transformadora.
O Dia da África não se restringe aos gabinetes diplomáticos ou aos tratados assinados. A verdadeira essência desta efeméride pulsa nas ruas, nos mercados, nas savanas, nas metrópoles efervescentes e nas manifestações artísticas que cruzam oceanos. Que privilégio e que honra é contemplar as coisas lindas que emanam dessa terra!
África é a explosão de cores dos tecidos Kente e Ankara, cujos padrões não são meras decorações, mas provérbios visuais e histórias de linhagem tecidas em fios de algodão. África é a filosofia do Ubuntu, a profunda compreensão de que "eu sou porque nós somos", uma lição civilizatória de empatia, humanidade e coletividade que o mundo urge por aprender e vivenciar todos os dias.
Olhar para a cultura africana é maravilhar-se com a polirritmia que deu origem ao jazz, ao samba, ao blues, ao marrabenta, ao semba e ao afrobeat. O continente é um manancial inesgotável de poetas do som e da palavra, cujos talentos moldaram e continuam a moldar a sensibilidade do planeta.
É na literatura poderosa que o continente mostra a soberania da sua própria narrativa. Deixemo-nos encantar pela escrita magistral de gigantes como:
Chinua Achebe e Chimamanda Ngozi Adichie, que redefiniram a potência da literatura nigeriana e global;
Wole Soyinka, o primeiro autor africano a ser laureado com o Prêmio Nobel de Literatura;
Mia Couto (Moçambique) e José Eduardo Agualusa (Angola), que pintam a língua portuguesa com as cores, as metáforas e os mitos da terra africana;
Nadine Gordimer e J.M. Coetzee, vozes sul-africanas incontornáveis da literatura contemporânea;
A poesia eterna de Agostinho Neto e as crônicas identitárias de Paulina Chiziane, a primeira mulher africana a vencer o Prêmio Camões.
Esses autores reescrevem as páginas do mundo com a crueza e a beleza de quem é, por direito e herança, dono da sua própria voz.
Se a literatura é a alma de África, a música é o seu sistema nervoso. Que riqueza incalculável encontramos ao sintonizar as melodias que nascem desse solo! Celebramos a imortalidade artística de:
Cesária Évora, a "diva dos pés descalços" de Cabo Verde, que levou a melancolia e a beleza da morna aos palcos mais prestigiados do mundo;
Miriam Makeba, a eterna Mama Africa, cuja voz potente ecoou como um hino de liberdade e dignidade;
Fela Kuti, o gênio revolucionário da Nigéria que deu vida ao Afrobeat, fundindo jazz, funk e ritmos tradicionais;
Youssou N'Dour (Senegal) e Salif Keita (Mali), com suas vozes celestiais que carregam a ancestralidade dos griots;
Bonga e Waldemar Bastos, que sintetizam a alma, a saudade e a alegria do semba angolano;
A nova geração efervescente de artistas como Burna Boy, Wizkid e Angelique Kidjo, que dominam as paradas globais e mostram que o ritmo do futuro é, inequivocamente, africano.
Celebrar o Dia da África no Focus é um ato de amor histórico e cultural. É rejeitar o olhar reducionista que muitas vezes a grande mídia insiste em perpetuar: o olhar da escassez ou da passividade. A história real nos aponta para a grandiosidade dos impérios antigos, do Egito ao Mali, de Axum ao Grande Zimbábue, reinos prósperos que provam que a ciência, a arquitetura, a metalurgia e a astronomia floresceram sob o sol africano muito antes de a Europa se projetar ao mar.
A África de hoje, herdeira desse passado glorioso, é o continente mais jovem do planeta. É um polo vibrante de inovação tecnológica, onde soluções pioneiras de engenharia e economia digital nascem criadas por mentes brilhantes. É a terra da Agenda 2063, o plano mestre para consolidar o continente como a grande potência global do futuro. É um ecossistema de pura criatividade, onde a juventude recria a alta-costura, a política e o cinema, vide o gigantismo de Nollywood, a efervescente indústria cinematográfica nigeriana, com uma coragem e uma estética contagiantes.
Terminamos esta efeméride com o coração transbordando de gratidão, maravilhamento e reverência. Estender os parabéns a África é saudar os nossos antepassados, abraçar as potências do presente e semear os caminhos do futuro. Que a beleza, a sabedoria, a sofisticação artística e a força inabalável do continente africano continuem a inspirar o mundo a ser mais humano, mais digno, mais generoso e infinitamente mais vibrante.
Aos nossos irmãos africanos em todo o continente e na vasta diáspora espalhada pelo mundo: Feliz Dia da África! Que o vosso tambor continue a ditar o ritmo da nossa admiração e que o vosso brilho jamais seja ofuscado. É uma honra absoluta celebrar esta história viva, rica e colorida aqui, no nosso espaço de reflexão e cultura.
©
Alberto Araújo
Focus
Portal Cultural
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