quinta-feira, 11 de junho de 2015

CONVITE PARA LANÇAMENTO DO LIVRO "GOTAS DE ORVALHO" DO POETA E ESCRITOR GERALDO FREITAS CALDAS.


CONVITE





Ao Leitor:
O que é um haicai? 
O haicai é poesia epigramática, tipicamente japonesa, composta de versos de 5-7-5 sílabas métricas. Nasceu do renka, poema bipartido originário de waka, tradicional poesia japonesa da era mitológica, de trinta e uma sílabas (5-7-5-7-7). O renka era geralmente composto por dois ou mais poetas em estrofes alternadas e formado por 36, 50, 100, 1000 ou mais estrofes.
Como diz o mestre brasileiro Luís Antônio Pimentel, Matsuo Munefusa, nascido em Tóquio, no século XVII, foi o Petrarca do haicai, estabelecendo seus cânones. Bashô, como era mais conhecido, mantinha a prática com seus discípulos durante viagens e escreveu muitos hokku – a primeira, e a mais importante, estrofe de um renka.
Em termos genéricos, o haicai é um sansei, ou seja, a terceira geração. O modelo canônico traz o aspecto da sazonalidade, com as estações do ano, direta ou indiretamente, presentes nos poemas.
O poeta capta, no presente, variações concretas da natureza, cores e imagens, de modo suave e harmonioso, nos moldes de uma foto. Deve expressar o máximo com um mínimo de palavras. A primeira pessoa nunca deve estar incluída, mas somente os encantos da vida.
Com a morte de Bashô, o haicai passou por um período de decadência. Misturou-se com o zappai, diferentes formas de haicai, e com o senryu, poesia jocosa ou satírica. Ambas muito populares, no século XVII, transmitiam ideias, políticas e filosóficas, carregadas de ironia. Desenvolvida por Karai Senryu, esta última foi uma das últimas formas e um dos mais conhecidos tipos de zappai, com clara expressão de sentimentos do povo no seu dia a dia.
No século XVIII, o haicai começa a se reabilitar e no século XIX, o hokku ganhou destaque e autonomia ao ser chamado de haiku por Masaoka Shiki, que o entendia como uma combinação de haikai com hokku. Já no século XX, o haiku floresceu em todo o mundo, adaptado para diversos idiomas. No Brasil, nunca deixou de ser chamado de haikai ou haicai.
O livro do escritor e poeta Geraldo Caldas oferece ao leitor a poesia de estilo puro. E um tanto de filosofia. Percebe-se a influência das variações da natureza na alma do autor, impregnada de suave lirismo e denso poder emocional.
Leda Mendes Jorge

Explicações necessárias:

Este livro é fruto de quase três anos de hibernação. São páginas humildes de um coração envelhecido, mas que traz a lume os lampejos da inspiração, vindo do mundo poético da sua alma.
São haicais singelos, mas que encerram, na  subjetividade dessa forma sintética de expressar, um profundo amor a Deus, aos seres humanos e à natureza. Tais versos procuram, na sua contenção, traduzir não só a alegria de viver e de conviver, como também os anseios que todos temos dentro d’alma.
A delonga no lançamento deste livro deveu-se ao meu precário estado de saúde: insuficiência cardíaca, aliada a uma anemia perniciosa que perturbou grande parte da minha vida, levando-me a hospitais: Casa de Saúde São José – Rio de Janeiro, onde estive internado por 8 vezes, e no Sírio-Libanês – São Paulo, onde fui operado do coração. Além do mais, o coração enfraquecido obrigou-me a três transfusões de sangue.
Diante desse quadro, posso asseverar que, se tenho alcançado certa longevidade, devo-o a minha fé inabalável em Deus, que jamais me abandonou.
Quanto aos haicais, tenho a dizer que são composições muito simples, mas parecia-me, a princípio, faltarem alguns adereços que lhes aclarassem detalhes e emprestassem certo efeito estético. Como uma força inexorável do destino, eis que conheci o ilustre médico, poeta, escritor e Acadêmico Wanderley Francisconi Mendes, uma personalidade verdadeiramente encantadora, e sua esposa Maria. Tive o privilégio de receber algumas obras da autoria do confrade Francisconi, todas com dedicatória e esse fato faz-me lembrar Xavier Placer, ao dizer: “Ó Céus! Ele tem a poesia! Tem e a distribui aos outros...”
No volume Antologia & Novos Poemas, Francisconi, numa dedicatória improvisada, deixa o seu abraço no soneto que consta neste Gotas de Orvalho. “A Geraldo Caldas, Poeta”. Assim, lendo as obras do ilustre escritor, percebi-lhes algumas ilustrações, todas de uma beleza sem par. Resolvi então conhecer o artista e contactei com ele, pois estava decidido a dar maior destaque e alguma harmonia ao meu modesto trabalho. David Queiroz, este é o seu nome, é autor de vários projetos para diversas obras, e artista renomado, de quem tive a honra de me tornar admirador e amigo.
Quero acrescentar que, se minha saúde permitir, pretendo lançar mais dois livros, um de discursos acadêmicos, que está em fase de revisão, e outro que estou preparando, com poemas e alguns escritos.
Ficam aí estes haicais ilustrados, esperando possam agradar a quem tiver em mãos o meu despretensioso trabalho. 
Geraldo Caldas

Prefácio:

Sinto-me grato e envaidecido por haver sido escolhido por meu conterrâneo ilustre, o poeta Geraldo Caldas, – nascido como eu na maravilhosa Miracema do Milagre de Santo Antônio – para prefaciar esta bem-vinda publicação.
Seu livro de versos de origem nipônica, denominados haicais – a menor poesia canônica da literatura universal, sem rima, sem título, respeitando apenas a métrica, intitula-se “Gotas de Orvalho”.  Nome feliz. Quase metafórico. Por sua transparência e cintilância e, principalmente, por sua síntese, é um nome feliz.
Seus versos de poesia típica japonesa do Século XVII, codificados por Matsuo Bashô, são formados por três versos apenas – 1 verso de 7 sílabas ensanduichado por 2 de 5.
Sem agressões semânticas, seus belos e fulgurantes haicais irão, por certo, formar com outros autores do mesmo estilo canônico, a nossa biografia nacional haicaísta.
Gotas de Orvalho”, do poeta lírico Geraldo Caldas, obra de primeira plana no gênero entre nós, vai nos mostrar, embora sem alarde, a atividade literária de Miracema de Santo Antônio dos Brotos.
Luís Antônio Pimentel

 Primeira Orelha:
O advogado e poeta Geraldo Caldas, com este “Gotas de Orvalho”, seu primeiro livro de haicais, leva ao prado miracemense a poesia síntese. Colheu no campo poético o prazer de contar segredos. Da fazenda. Moendo histórias.
Membro de algumas academias, destaque para a Miracemense e a Fluminense de Letras, Geraldo Caldas é poeta com um carrossel de lembranças. Boas. Daquelas que não escapam do paraíso que é a sua cidade natal.
Água de moringa, (5) / Fazenda dos meus avós. (7) / Saudades da infância. (5)
Ao reacender sua memória, o poeta Caldas vai escrevendo suas reminiscências como quem ara a terra. Fértil. E, depois da chuva de palavras surge, límpido, mais um haicai:
Na tarde cinzenta, (5) / os pingos de chuva fina (7) / são o sol em pranto. (5)
Sempre encantado com as amizades duradouras, o poético Geraldo vai se envolvendo numa atmosfera de encantamentos que, inesperadamente, se depara com tantas ausências expressas em nomes: Nemécio, Élio, Thomas e Alaôr... e é deste antigo rábula que registra sua saudade:
Espumas de lágrimas. (5) / Rio Paraíba chora (7) / Poeta Alaôr. (5)
Não dá para separar o bacharel do haicaista, sempre engajado no ofício da oratória. E é para sua terra miracemense que Geraldo Caldas expressa o amor de filho pródigo:
Eterna saudade (5) / Do Nilo e da Filhinha (7) / Meus queridos pais. (5)
É curso que segue neste rio de flores que vai brotando às margens do pensamento. Engajamentos. Pelo bem viver. Querência do espírito romântico amparado na sabedoria e na fé.
Duas violetas, (5) / pequenas e perfumadas, (7) / são olhos de Deus. (5)
Os haicais de Geraldo Caldas mostram seu entusiasmo ao percorrer a lida do mestre nos braços da afetividade. Somente os grandes poetas conseguem transmitir esta sensibilidade. Que prazer ter mais um haicaista dos bons entre nós!
Paulo Roberto Cecchetti

Segunda Orelha:
Iluminados instantes
pela síntese do haicai
Retratos de vida e pensamentos se aglutinam nas linhas deste livro. Haicais desfilam pelas páginas, e a beleza, em linguagem sintetizada, alia-se à sabedoria e ao espírito inquieto do escritor. Da observação arguta, fragmentos de existência – fatos, saberes e experiências – emergem.
O advogado transparece no pragmatismo das ideias, enquanto o poeta transborda imagens. Geraldo de Freitas Caldas congregou, nesta obra, a essência do ser, transformado em poesia: palavra e sonho, espírito e matéria, raízes e futuro. As mãos trabalharam e o coração se emocionou. Tudo se integra: o esteta e o bacharel, o professor e o eterno aprendiz.
A inspiração primordial vem-lhe da infância, de Miracema, pequeno rincão do Noroeste Fluminense. Lá, Geraldo buscou estrelas onde não havia mar, entre paisagens de verdejantes elevações. Ao chegar a Niterói, descobriu brilhos fosforescentes nas águas do mar e novas estrelas se incorporaram à imaginação.
Sua bagagem poética enriqueceu-se com múltiplas visões amealhadas. Poesia só poderia ser o resultado.
O artista pôs no ritmo das palavras o bater do coração, o compasso da vida na brevidade das linhas de toda uma existência. É o criador de imagens, pois só o poeta sabe transformar ideias em arte escrita. Assim é Geraldo Caldas, doando pedaços de sapiência e arte.
Em Gotas de Orvalho, o haicai que dá nome ao livro, sua sensibilidade transparece em poucas palavras ao criar o efeito do “frescor da manhã em gotas de orvalho”.
Temos, aqui, uma ode em louvor à natureza, canto que o escritor nos oferece em inspiradas linhas.
Mauro Carreiro Nolasco



GERALDO FREITAS CALDAS

Nasceu em Miracema. Bacharelou-se em Direito, em 1953, na Faculdade de Direito de Niterói, incorporada, em novembro de 1965, à Universidade Federal Fluminense com a denominação de Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense.

Foi conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil – seção Niterói e diretor da Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Presidiu o Serra Clube de Niterói, de âmbito internacional. É detentor do título de Cidadão Honorário dos municípios fluminenses de Niterói, São Gonçalo e São Fidélis, assim como das medalhas D. João VI (concedida pelo Instituto Histórico e Geográfico de Niterói) e do Ministério Público/RJ. Além de integrar o quadro de acadêmicos titulares da ANL, filia-se às seguintes instituições: Instituto Histórico e Geográfico de Bom Jardim (cofundador); Academia Fluminense de Letras; Academia Miracemense de Letras; Instituto Histórico e Geográfico de Niterói; e Elos Clube de Niterói.

Tem, prontos para o prelo,
os livros Palavras ao vento (discursos),
Reminiscências (autobiografia)
e Gotas de orvalho (haicais).
Possui poemas publicados nos volumes I, II, III e IV de Gotas literárias revista da Academia Miracemense de Letras e textos literários na Revista do Cenáculo Fluminense de História e Letras, edições de 2009 a 2012.




Local do Lançamento:
Clube Central
Praia de Icaraí 335 – Icaraí  -  Tel.: 2711-0889
Dia 23 de junho de 2015 – 3ª feira às 17 horas.


REALIZAÇÃO 
Parthenon Centro de Arte e Cultura
Rua General Andrade Neves 40 – Centro
24210-000  -  Niterói – RJ
Tel.: 2722-2256  -  3619-8119


APOIO E DILVUGAÇÃO





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